| Tipo | Projeto de Lei Ordinária Legislativo Municipal |
|---|---|
| Número / Ano | 3 / 2023 |
| Date | 2023-09-04 |
| Ementa | Dispõe sobre a denominação da creche Vovó Mesô e dá outras providências. |
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. ESTADO DO PIAUÍ . CÂMARA MUNICIPAL DE CORRENTE - PIAUÍ q | Avenida Manoel Lourenço Cavalcante, 538-Bairro Nova ei A Corrente CEP.: 64.980-000 , C.N.P.J.: 02.505.890/0001-19 PROJETO DE LEI Nº 003/2023 de 28 agosto de 2023. “Dispõe sobre a denominação da Creche Vovó Mesô e dá outras providências”. O PREFEITO MUNICIPAL DE CORRENTE, ESTADO DO PIAUÍ, faço saber que a Câmara Municipal de Corrente aprovou e eu sanciono a seguinte lei: Art. 1º Fica denominada a Creche Municipal de Corrente-P| em Homenagem a Sr? OLMESINA MASCARENHAS DA SILVA, Creche Vovó Mesô. Art. 2º Ficando autorizado o município, a utilizar a referida denominação em todos os documentos públicos referente aquela Creche. Art. 3º. A presente Lei, entrará em vigor na data da sua publicação, revogadas as disposições em contrário. Sala das Sessões da Câmara Municipal de Corrente-PI, em 28 de agosto de 2023. RAIMUNDO AUG SILVA VIEIRA - Vereador Autor PP- OLMESINA MASCARENHAS DA SILVA (Vovó Mesô) Recebi a missão de narrar a história da “Vovó Mesô”, uma correntina por adoção que viveu nesta cidade de Corrente por muitos anos, provavelmente desde 1911 (mil novecentos e onze). Os fatos por mim aqui narrados são de conhecimento próprio (por ouvi-la nos seus relatos) e também citados por familiares e demais parentes que a conheceram. Talvez alguns detalhes passarão batidos devido o decorrer do tempo que vai apagando-os da memória, mas pelo menos os principais estão preservados na nossa lembrança. OLMESINA MASCARENHAS ZUMBINHA nasceu a dezoito de janeiro de mil novecentos e um (18/01/1901) num recanto sossegado às margens de um riacho margeado por belas praias e rico arvoredo que garantiam o frescor de suas águas que, embora poucas, corriam no seu leito o ano inteiro fazendo com que o lugar, por apresentar-se sempre bastante frio, ganhasse a denominação “riacho frio”, município de Parnaguá-Piauí. Ali foi surgindo um pequeno aglomerado de casas, berço dos primeiros habitantes que foram organizando suas fazendas, seus comércios, destacando os Antunes, os Mascarenhas, os Castro, os Araújo entre outros que ali foram chegando. Seus pais eram LINO DE CASTRO ZUMBINHA e MARIA MASCARENHAS ZUMBINHA (irmã de ANTONINHO MASCARENHAS, considerado um dos fundadores de Riacho Frio). Seus irmãos: Otacílio Mascarenhas Zumbinha, Jessonê Mascarenhas Zumbinha, Lino Mascarenhas Zumbinha (meu avô materno), Jovelina Mascarenhas Zumbinha e Alexandrino Mascarenhas Zumbinha (Vó Xandina). Costumava relatar que os primeiros Mascarenhas vieram para a região de Parnaguá para a exploração da borracha da maniçoba, grande fonte de riqueza naquela época e se estabeleceram naquelas margens, fato também narrado no livro “Memórias do Ancião Matuto”, do escritor Raimundo Antunes Araújo(Mundinho) onde ele fala das origens de Riacho Frio, que a princípio pertencia a Parnaguá, e anos depois veio a se desmembrar, tornando-se independente. E nos versos do próprio Mundinho no livro aqui citado, está essa referência: “Uma região produtiva Que o povo honra seu brio Com muitas fertilidades Como na margem do rio Em frente antigas moradas Fundaram o Riacho Frio” (Mundinho Antunes-pág. 91) Avida em Riacho Frio foi por pouco tempo. Aos dez anos, órfã de pai e mãe, viu-se separada dos irmãos que foram para a companhia do tio Antoninho Mascarenhas, sendo que ela (Olmesina), sua irmã Alexandrina e Irene (irmã adotiva) vieram pra Corrente sob a responsabilidade do casal ELMANO DE CASTRO MASCARENHAS e ANA MASCARENHAS (a tia “Naninha”, irmã de sua mãe) que não tiveram filhos biológicos, adotando assim as duas irmãs biológicas e mais a menina Irene, sendo todas bem criadas e educadas por eles, com residência na Rua Getúlio Vargas, na casa que hoje pertence ao Sr. Ageu Cavalcante. Já adulta, casou-se com o Sr, ALEXANDRE SERAINE DA SILVA, passando a assinar OLMESINA MASCARENHAS DA SILVA com quem teve 11 filhos: Percy, Elmano, Nalva, Arnaldo, Airton, Euza, Jaciel, Dickson, Maria Elena, Alexandre Silva (Volé) e Marúzia. Destes, apenas dois estão entre nós: Dickson (em Brasília) e Marúzia (em Corrente). Os demais encontram-se na eternidade. Após seu casamento, foi morar na Rua do Escalvado, hoje Filemon Nogueira, onde viveu até o dia 23 de novembro de 1990, data da sua partida. Deixou uma vasta geração: 45 netos, bisnetos, trinetos, etc. Entre os netos o ex-prefeito Benigno Ribeiro de Souza Filho e o atual Gladson Murilo Mascarenhas Ribeiro. Avida não foi fácil. Na Rua do Escalvado cuidava da educação dos filhos e dos afazeres domésticos enquanto seu esposo Alexandre, que era mestre de obras, se desdobrava trabalhando com os americanos no então IBI (Instituto Batista Industrial) hoje IBC, como também na fabricação caseira de fogos de artifícios afim de garantir o sustento da família. E aqui foi relatado por tia Marúzia o quão foi importante a contribuição dos norte-americanos, não só para sua família comó para o povo de Corrente. As mulheres americanas ajudavam sua mãe com as roupinhas para os bebês quando esta tinha um filho, fazendo naqueles tempos difíceis um trabalho social de relevada importância. Em 1932, ano do nascimento de filha Euza (mãe do atual prefeito) e também da famigerada “SECA DE 32” ela, o esposo e os filhos foram convidados por um casal amigo a irem passar uma temporada na fazenda “RAMALHETE”, de sua propriedade. Eram o Sr. Augusto Rodrigues Nogueira e dona Rosáura (pais do vizinho Hermes Rodrigues Nogueira, Rua Filemon). Lá foram bem acolhidos, e mesmo na escassez foi um socorro bem presente; por ser uma região de brejos, havia água, entre outras coisas que pudessem amenizar a situação. Mesmo assim utilizavam o caroço da mucunã para preparar uma massa que era lavada em dez águas para poder ser consumida. Tempos difíceis! Avida, entretanto, se tornaria mais dura a partir de 23 de julho de 1944, dia do falecimento do seu esposo Alexandre, de um infarto fulminante ocorrido na subida da Serra da Santa Marta. Ele estava indo visitar a sua irmã Sancha Seraine na localidade Saquinho, em companhia do seu genro Octaviano Amaral (Tavinho), à boca da noite como se costumava dizer, quando o fato aconteceu. Uma enorme dificuldade se abriu ali: não havia transportes, para bem dizer, nem estrada, e portanto não havia como transladar o corpo a Corrente. Foi aí que a família contou com a solidariedade do povo da Santa Marta que foi providenciar os funerais, e ali naquele cemitério da Barra da Santa Marta ele foi sepultado. Esse fato sempre a ouvi contar como foi difícil chegar até lá com apenas os dois filhos mais velhos, deixando a caçula Marúzia com apenas 7 meses de vida e adoentada sob os cuidados da amiga Delite Rocha. Sempre a ouvi falar da gratidão às pessoas da Santa Marta pelo apoio recebido num momento tão difícil. Dessa situação complicada nasceu uma amizade com aquelas pessoas, perdurando aos dias atuais. Viúva, sem recursos financeiros e sem nenhum tipo de amparo governamental visto não haver naquele tempo, foi lutar para criar os filhos menores ajudada pelos mais velhos. Pouco tempo que perdeu o marido, Elmano que era o filho homem mais velho, foi convocado para servir o Exército em Teresina. Desesperada, foi pedir a intervenção de Dr. Augusto Paranaguá, mas ele a aconselhou a deixá-lo servir explicando que seria bom para ele aquela experiência e posteriormente para ela própria, pois lhe renderia alguns frutos. E assim ele foi para Teresina enfrentando todo tipo de dificuldade. Após Elmano, foi a vez de Arnaldo e Airton que partiram para o Rio de Janeiro em busca de recursos para ajudar a mãe com os mais novos. E aqui se relata novamente a contribuição dos americanos: o dinheiro que eles mandavam para ela vinham pela “Caixa Postal”, uma espécie de serviço bancário ofertado pelos americanos aqui em Corrente. Enquanto os filhos lutavam lá fora, aqui ela fazia bolos, doces para vender e posteriormente abriu uma “Pensão” onde recebia estudantes das cidades vizinhas que vinham estudar em Corrente, assim como negociantes ou pessoas para tratamento da saúde. Geralmente eram parentes que ali confiavam de deixar seus filhos sob seus cuidados. E foi assim que eu, Clarice, vim aos 6 anos de idade para a sua casa para cuidar da saúde e fiquei por muitos anos, até me tornar independente. Era minha tia-avó, e sempre teve grande zelo por minha mãe, Nancy Mascarenhas, filha do seu irmão caçula, Lino, que faleceu muito jovem deixando duas crianças órfãs. E ela tinha grande preocupação com esses sobrinhos; creio que se sentia na obrigação de ampará-los na falta do irmão. Ela também tinha grande carinho pelos sobrinhos Alarico e Amália (filhos da sua irmã Jovelina) e sempre lamentava o fato de eles terem ido embora e ficaram anos sem ela ter notícias. Naquele tempo tudo era difícil. Cresciaalina Rua do Escalvado sobe a sua tutela, acompanhando o jeito dela receber as pessoas, assistindo ela dividir o que tinha com quem chegasse por lá. Sua casa era sempre cheia, e às vezes a gente deitava no chão forrado para ceder lugar a quem chegasse. Nunca negou abrigo e alimento a ninguém. Por lá passavam os esmolés, doentes mentais, bêbados, feirantes, enfim, uma infinidade de pessoas. Mas era respeitada por todos; era uma mulher que sabia se impor e acolher quando possível. Acolhia as crianças carentes da vizinhança. Ela amava as crianças e tinha muita paciência com elas; lembro- me que na cozinha (da antiga casa) havia um banco de madeira onde todo dia na hora das refeições estavam lá os quatro irmãos: Fátima, Gabim (Gabriel Filho), Lúcia e Zilquinha. A mãe separou-se do pai e foi embora deixando essas crianças com a avó, Roxa (como era conhecida), que não tinha condições de alimentá-los a contento. Eelaosrecebiae os alimentava todos os dias, de bom grado. E não permitia que ninguém os maltratasse. E assim nós crescemos ali, todo mundo “junto e misturado”: netos, bisnetos, sobrinhos e afilhados. Uns morando, como foi meu caso e o de Bedi (Olmesi), outros passando férias, outros para seguir de Riacho Frio a Brasília ou vice-versa. Ela nos ensinou boas maneiras, nos deu responsabilidades, nos ensinou a trabalhar, nos falou de Deus, nos ensinou ater fé. De pouca leitura, mas de grande sabedoria, pode-se afirmar que foi uma grande professora, uma grande cuidadora de crianças, tendo sua casa repleta delas. Portanto, dar o seu nome a uma creche é a melhor forma de reconhecer o seu trabalho social de forma voluntária para a cidade de Corrente. Texto: Clarice Mascarenhas de Castro Corrente, PI, 10/08/2023