CÂMARA DE VEREADORES DE SALGUEIRO
GABINETE DO VEREADOR ZÉ CARLOS
PROJETO DE LEI - Nº__________/2026
O Vereador José Carlos de Carvalho Parente, no uso de suas atribuições regimentais e
constitucionais, com fundamento nos artigos 42 e 44 da Lei Orgânica Municipal e no
art. 135 do Regimento Interno, propõe ao Plenário da CÂMARA MUNICIPAL DE
VEREADORES DE SALGUEIRO, o seguinte Projeto de Lei:
Art. 1º O Centro de Referência da Mulher, a ser instituído no Município de Salgueiro,
ficará denominado “Centro de Referência da Mulher Maria de Lima Ramos”.
Art. 2º Após aprovação legislativa e sanção do Poder Executivo, o equipamento passará
oficialmente a denominar-se Centro de Referência da Mulher Maria de Lima Ramos.
Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação..
BIOGRAFIA:
Maria de Lima Ramos, carinhosamente chamada por Baía, era filha do casal de
pequenos agricultores Raimundo Pereira Lima e Armanda Ferreira Leite, nasceu no
Sitio Mandacaru no município de Terra Nova, onde viveu até os 21 anos de idade,
antes de se casar com José Antônio Ramos, viúvo cunhado da sua irmã Djanira
casada com seu irmão João Ramos de Vasconcelos conhecido por Joca, moradores
do Sítio Pereiros no município Salgueiro. Durante a infância e adolescência, ajudou
seus pais da labuta pesada da roça, inclusive ajudando na criação dos seus sete
irmãos mis novos, pelo fato de ser a primogênita. Também ajudava nas atividades de
tecelagem de redes de fios de algodão, no tear doméstico da família. Jovem astuta e
curiosa que era, por sua conta própria, aprendeu a arte de corte e costura sem ter
frequentado qualquer escola do ramo. Como o Sítio Mandacaru não existia escola
para ensino de crianças, principalmente, aprendeu a ler e escrever o básico, na
famosa Carta do ABC e a fazer contas na também famosa Tabuada de Pitágoras.
Depois do casamento foi morar na cidade de Salgueiro porque seu esposo era
empregado dos Correios e Telégrafos, enquanto sua mãe depois que ficou viúva, foi
viver com os outros filhos no Sítio Pereiros, com a filha Djanira e o genro Joca. À
medida que seus irmãos iam sentindo a necessidade de estudar na cidade, dona
Maria trazia-os para morar com ela, de onde saíam somente depois de casados. Além
do que, dava guarida na sua residência para outros jovens estudantes filhos de
parentes.
Dona Maria teve oito filhos naturais e uma filha adotiva do primeiro casamento do seu
esposo. Preocupada com as despesas domésticas, sempre procurou ser uma
parceira ferrenha na composição da renda familiar. Para isso, tinha que costurar
roupas femininas e masculinas, sob encomendas, tendo em vista que sua habilidade
havia conquistado a confiança das mulheres da sociedade. Dessa forma, contribuiu
educação doméstica e na formação escolar dos filhos. Aos 44 anos de idade ficou
viúva e, com a mesma resiliência e determinação, seguiu cuidando de todos eles,
apesar das dificuldades financeiras da época.
Na vida política sempre foi uma pessoa ativa, acompanhando o marido que também,
era um cabo eleitoral dos candidatos do partido que seguiam. Participava, ativamente,
das campanhas eleitorais, apoiando os eleitores egressos do Sítio Pereiros,
fornecendo refeições no dia da eleição. Segundo a jornalista Martha Medeiros, no seu
livro de crônicas intitulado Doidas e Santas (2008), no capítulo Nenhuma Mulher é
Invisível, “uma mãe é um vulcão, um furacão, uma enchente, uma tempestade, uma
tormenta. Uma mãe é invencível. Não há perda que ela não transforme em força. Não
há passado que ela não emoldure e coloque na parede. Não há medo que a mantenha
quieta por muito tempo.” Assim, foi dona Maria de Lima Ramos.
______________________________________________________________
José Carlos de Carvalho Parente
Vereador