CÂUARA MUNICIPAL DE MANHUMIRIM
ESTADO DE MINAS GERAIS
CEP: 36.970-000
pRoJETo DE RESOLUçÃo LEGISLATIVA N" 0712025, de24 de novembrc de2025
"Concede Diploma de Mérito Desportivo ao Sr.
Gustavo Henrique Souza Faria".
A Câmara Municipal de Manhumirim através de seus Membros aprova a seguinte
Resolução:
Art. 1'- Fica concedido DIPLOMA DE MERITO DESPORTIVO conforme artigos 209 e
seguintes do Regimento Interno da Câmara Municipal de Manhumirim ao Sr. Gustavo Henrique
Souza Faria, pelos grandes feitos no esporte, elevando o nome do municipio de Maúumirim em
toda região, Brasil e pelo Mundo .
Art.2o - Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação;
Art. 3o - Revogam-se as disposições em contrário.
Câmara M. Manhumirim, MG, aos24 de novembro de2025
João Wilson - Barbeiro
VEREADOR
cÂUARA MI.INICIPAL DE MANHUMIRIM
ESTADO DE MINAS GERAIS
CEP: 36.970-000
JUSTIFICATIVA
BIOGRAFIA DE GUSTAVO HENRIQUE SOUZA FARIA
Nascido aos 01 de abril de 2001, em Manhumirim, uma cidade de ruas estreitas, onde a vida
corre simples e a infância tem gosto de poeira, sol quente e risadas de amigos. Foi ali que meu
primeiro sonho ganhou forma, sem que eu percebesse, e bastou a copa do mundo de 2006 para
incendiar meu coragão: naquele torneio, entendi que o futebol não era apenas um jogo era um
chamado.
Comecei como aqueles meninos que carregam fogo nos pés: descalço na rua, driblando
pedrinhas, inventando mundos, acreditando que cada chute podia me levar para mais perto de algo
enorme. A bola virou meu primeiro amor, meu brinquedo favorito, meu companheiro de todas as
manhãs.
Entrei para minha primeira escolinha, a do José Luís Iti, e logo depois para o futsal do
Cristian. No salão, o jogo parecia coffeÍ mais rápido, e eu corria junto. Evoluí tanto que, em pouco
tempo, já não cabia mais na minha categoria. Jogava uma, duas, até três acima. Testava meus limites,
e meus limites testavam a minha coragem.
Mas o coração queria mais. Fui paÍa o campo. E ali entendi o tamanho do soúo.
Os treinos eram as terças-feiras e quintas-feiras, mas eu tiúa fome de todos os dias. Muitas
vezes pulava o muro do clube para treinar sozinho. Eu era apenas um menino, mas dentro de mim
morava um gigante, um gigante que acreditava que um dia vestiria o Flamengo, o time que fazia
meus olhos brilharem. Eu sonhava com o Maracanã lotado, com meu nome ecoando como um trovão.
Meu treinador, Jozelito, enxergou isso. Ele viu algo em mim que nem eu sabia entender. Ele
acreditou antes que o mundo acreditasse. E foi ele quem me levou ao Rio de Janeiro, em 2014,
quando eu tinha apenas 13 anos, para tentar a vida no Flamengo. Fomos paÍa a casa do Dr. Mário
Heringer, que nos acolheu com generosidade.
A peneira tinha cerca de 70 garotos. Setenta soúos. Setenta histórias. Eu era apenas mais
um, mas queria ser diferente. Me entreguei por completo. Passei na primeira avaliação. Fui chamado
para mais uma semana. E ali, entre olhares desconfiados e campos sagrados, comecei a escrever meu
nome.
Com apenas três dias de treino, o treinador Gilmar Popoca me chamou e disse que eu iria para
o jogo no fim de semana. Meu coração quase saiu pela boca. Meu sonho estava ali, olhando para
mim.
O jogo era uma semifinal contra o Madureira. Comecei no banco. O placar estava 0 a 0. Faltavam 10
minutos.
E então, entrou em campo o menino de Manhumirim.
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E,STADO DE MINAS GERAIS
CEP: 36.970-000
No meu primeiro lance, recebi a bola. Ela parecia leve, parecia miúa. Corri como se corresse
desde sempre, chutei cruzado e marquei meu primeiro gol pelo Flamengo. Meu sonho, pela primeira
vez, tocou miúa mão. E tocou meu coração para sempre.
Depois disso, me pediram para voltar a Minas e trazer meus documentos. Eu seria jogador da
base do Flamengo. Eu, um menino que treinava escondido pulando muros, agora pertencia ao clube
do meu coração.
De2014 a20l5,vivi momentos que nem meus melhores sonhos ousaram imaginar. Acordava
cedo, pegava dois ônibus para ir e dois para voltar do Ninho do Urubu. Eu, um garoto de 13 anos,
vivendo a rotina de um adulto. Mas eu fazia tudo sorrindo, porque eu caÍregava nas costas um sonho
maior que eu.
No início de 2016, recebi a notícia que partiu meu peito: fui dispensado. O chão sumiu. Mas
antes que a dor se tornasse desistência, o Dr. Mário me levou ao Vasco da Gama. Fiz uma semana
de testes e passei. Fui convocado para disputar a Copa Nike, na Granja Comary, a casa sagrada da
Seleção Brasileira.
No Vasco, cresci como jogador e como homem. Treinei com o prohssional. Fui chamado
para treinar na Seleção Brasileira de base. Vi meu sonho alcançar alturas que eu jamais imaginava.
De 2016 a2018, vivi momentos inesquecíveis.
Mas no fim de 2018, tudo mudou. Fui dispensado.
E, como golpe final, sofri a pior lesão da minha carreira: fratura do quinto metatarso. Fiquei
quase um ano parado. A mente ficou frágil. A fe oscilou. Pensei em desistir.
Mas não desisti.
Em 2019, no Boston City, dei meus primeiros passos no sub-20 e logo subi para o
profissional. Assinei meu primeiro contrato, joguei o Mineiro, marquei meu primeiro gol como
profissional.
E então veio a tragédia que mudou miúa vida:
em setembro de 2020, meu pai faleceu, de forma repentina.
A dor abriu um buraco dentro de mim. Minha mente desabou. Meu coração sangrou. Quando
meu contrato terminou em 2021, eu estava perdido. Mas continuei treinando, teimando contra o
destino.
Em 2022, joguei pelo Democrata de Sete Lagoas, onde conquistei meu primeiro título
profissional e o acesso à elite do Mineiro. Mas, no fim do ano, exausto emocionalmente, tomei a
decisão mais dolorosa da miúa vida: parei de jogar futebol profissional. Uma parte de mim morreu
junto com essa escolha.
Mas eu não tiúa idade para viver na concentração. E foi aí que Deus colocou na minha vida
um anjo chamado Dr. Mário Heringer, junto de sua família Pedro, Artur, Júlia, além de Dorinha, Siba
e Marcão. Eles me acolheram como filho. Me deram lar, amor, proteção. Ali eu aprendi que família
não é só sangue: é abraço.
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Mas Deus tem planos que a gente não enxerga.
Em 2023, meu barbeiro Strellow, ele mesmo descobriu minha história e me alrumou uma
oportunidade. Fui para Juiz de Fora. Lá conheci Alisson, empresário que acreditou em mim como
poucos. Ele me levou ao Vila Real, depois ao Coimbra, onde tive uma passagem brilhante.
Alisson então abriu a porta mais inesperada da miúa vida, a Europa
Em janeiro de 2024, embarquei rumo ao Kosovo. Um país estraúo, gelado, distante. Passei seis
meses sozinho, sem brasileiros, sem rotina, sem abraço. Sofri, chorei, resisti. E só não fui engolido
pela solidão porque miúa mãe, minha família e minha namorada, LaÍs Xavier, seguraram meu
coração à distância.
Vivi luta, vivi medo, vivi grandeza. Vivi tudo
Hoje, em 2025, sigo escrevendo minha história de outra forma: jogo campeonatos de várzea, dou
aulas de futebol e de futevôlei, e descubro novos caminhos, novas paixões e novos propósitos.
Sou grato.
Grato a cada pessoa que estendeu a mão.
Grato a cada campo, cada ônibus, cada lágrima, cada alegria.
Grato ao Dr. Mário Heringer e sua família, que me criaram como filho.
Grato aos que acreditaram, aos que duvidaram, aos que me empurraram para frente e aos que, sem
saber, me ensinaram a levantar. Agradeço também ao vereador João Wilson que sempre acreditou
em mim, pois levo o nome de Manhumirim a décadas.
Porque minha vida é isso, uma história de quedas, mas principalmente de renascimentos.
Eu sou, e sempre serei, o menino de Manhumirim que aprendeu a transformar dor em soúo,
e sonho em destino.
(-
João Wilson - Barbeiro
VEREADOR
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