br-locleg corpus explorer

← Muriaé (MG)

materia nº 77/2026

Tipo PROJETO DE LEI
Número / Ano 77 / 2026
Date 2026-03-27
EmentaDenomina "Espaço Público Professor Adellunar Marge" o espaço localizado dentro da Praça Coronel Pacheco de Medeiros, neste município.
native_id13611

Autoria

Tramitação (latest 10)

DateStatusTurnoTexto
2026-04-08 Publicada Norma Jurídica no Diário Oficial
2026-04-07 Projeto de Lei Sancionado
2026-04-07 Enviado ao Executivo e Aguardando Sanção ou veto
2026-04-06 Projeto Aprovado em 1ª, 2ª e 3ª Votação
2026-04-06 Proposição Inclusa na Ordem do Dia
2026-04-06 Parecer das Comissões
2026-03-30 Aguardando Emissão de Parecer das Comissões
2026-03-30 Projeto distribuído às comissões
2026-03-30 Projeto Encaminhado para Leitura em Plenário
2026-03-27 Protocolado

Votações

DateResultadoSimNãoAbst.
2026-04-07T07:50:20.427951-03:00 Aprovado por unanimidade 16 0 0

Documents (1)

texto original #

status: extracted · method: native · backend: pypdfium2 · confidence: 1.00 · pages: 8

MUNICÍPIO DE MURIAÉ
GABINETE DO PREFEITO
PROJETO DE LEI N.______/2026
Denomina "Espaço Público Professor 
Adellunar Marge" o espaço localizado 
dentro da Praça Coronel Pacheco de 
Medeiros, neste município.
O Prefeito de Muriaé:
Faço saber que a Câmara Municipal aprovou e eu sanciono a seguinte 
Lei:
Art.1º – Fica denominado Espaço Público Professor Adellunar Marge
o espaço localizado dentro da Praça Coronel Pacheco de Medeiros, situado 
em frente à Escola São Paulo, de frente para o prolongamento da rua Barão 
do Monte Alto até a esquina com a rua Efigênia de Freitas, neste município de 
Muriaé.
Art. 2º – Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. 
Muriaé, 27 de março de 2026.
MARCOS GUARINO DE OLIVEIRA
Prefeito Municipal de Muriaé
MUNICÍPIO DE MURIAÉ
GABINETE DO PREFEITO
Muriaé(MG), 27 de março de 2026
Senhor Presidente, 
Senhores Vereadores, 
Saudações. É com imensa satisfação, nos termos das disposições 
legais vigentes e com fulcro no artigo 80 da Lei Orgânica do Município de Muriaé, 
que encaminho o presente projeto de Lei a esta Augusta Casa Legislativa para que 
seja apreciado, discutido e votado, com a seguinte:
J U S T I F I C A T I V A
Trata-se de Projeto de Lei que visa dar a denominação de Espaço 
Público Professor Adellunar Marge ao espaço localizado dentro da Praça 
Coronel Pacheco de Medeiros, especificamente em frente à Escola São Paulo, de 
frente para o prolongamento da rua Barão do Monte Alto até a esquina com a rua 
Efigênia de Freitas, neste município de Muriaé.
A presente proposta tem o objetivo de homenagear o professor 
Adellunar Marge, um cidadão que dedicou sua vida ao ensino, à cultura e ao 
desenvolvimento de políticas públicas em nossa cidade.
Nascido em 5 de novembro de 1940, na cidade de Muriaé, Adellunar 
era filho de Sebastião Marge e Mariana Carolina Raimundo. Sua trajetória de vida 
sempre demonstrou forte compromisso com a coletividade e sensibilidade para a 
educação.
No campo educacional, Adellunar construiu uma relação profunda com 
a cidade. Concluiu o ensino ginasial na Escola São Paulo, local que ficaria marcado 
para sempre em sua memória. Após atuar no setor privado na juventude, retornou a 
Muriaé em 1972, formou família ao lado de Maria Madalena Rodrigues Marge e 
ingressou no curso de Filosofia, vindo a se especializar pela Universidade Federal 
de Juiz de Fora.
Encontrou sua verdadeira vocação na sala de aula. Por mais de 25 
anos, lecionou disciplinas como Filosofia, Ética, Antropologia e Teoria do 
Conhecimento, formando gerações de estudantes no ensino médio e superior, com 
destaque para sua atuação nas instituições Santa Marcelina e FAMINAS.
Na administração pública, sua contribuição foi decisiva para o 
município. Atuou como Secretário Municipal de Educação e Cultura por dois 
mandatos e também como Secretário de Administração. Durante sua gestão, 
MUNICÍPIO DE MURIAÉ
GABINETE DO PREFEITO
Muriaé realizou o primeiro concurso público para a área da educação e 
implementou a municipalização do ensino e da alimentação escolar.
Sua visão política e administrativa ultrapassou os limites do município. 
Foi um dos fundadores da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação 
(UNDIME) e participou ativamente da comissão que enviou propostas da classe 
para a Assembleia Constituinte de 1988.
Além de professor e gestor, destacou-se como comunicador, 
escrevendo para os principais jornais da cidade e apresentando programas de rádio, 
sempre com reflexões importantes sobre a vida social muriaeense.
Adellunar Marge faleceu em 17 de março de 2021. Deixou um legado 
inestimável de sabedoria e compromisso com o bem coletivo.
A escolha do espaço a ser denominado guarda uma relação histórica e 
afetiva direta com o homenageado. O local fica exatamente em frente à Escola São 
Paulo. Esta instituição de ensino foi o cenário de seus primeiros anos de estudo e o 
local para onde ele retornou como professor, conforme relatado por ele mesmo na 
crônica literária anexada a este projeto.
A denominação deste espaço público com o seu nome é um 
reconhecimento justo. O ato eterniza a memória de um educador que ajudou a 
construir a base intelectual e estrutural da educação em Muriaé.
Ante o exposto, e feitos os devidos esclarecimentos necessários à 
análise do Poder Legislativo, e na certeza de contarmos com a costumeira atenção 
do ilustre Presidente, renovo meus protestos de elevada estima e distinta 
consideração.
Atenciosamente,
MARCOS GUARINO DE OLIVEIRA
Prefeito Municipal de Muriaé
À Exma. Sra.
IVONETE LACERDA ASSIS
DD. Presidente da Câmara Municipal de Muriaé
MUNICÍPIO DE MURIAÉ
GABINETE DO PREFEITO
ANEXO ÚNICO DA JUSTIFICATIVA DO PROJETO DE LEI
Texto extraído do livro Impressões Cotidianas (Edição de 2010), de 
autoria do homenageado Adellunar Marge, que ilustra sua profunda ligação com a 
Escola São Paulo e justifica a escolha do espaço público a ser denominado com 
seu nome:
O TEMPLO
Por Adellunar Marge
O sol brilhava intensamente sobre o telhado das casas e sobre os paralelepípedos que 
queimavam as solas dos pés. Os quintais eram imensos naquele da Muriaé. Quintais 
povoados de goiabeiras, mangueiras e jabuticabeiras. Sapotis, cajás-mangas e abacateiros 
completavam o extenso pomar urbano daquela Muriaé da década de 50. 
Brincava-se na rua, deserta de carros, em cujas calçadas as mães de família 
colocavam as suas cadeiras e a vizinhança se inteirava de notícias (nem tão novas assim) em 
longas conversas que se iniciavam com as primeiras estrelas e se alongavam até às "nove e 
tantas" da noite, pois para mais que isso não havia nem assunto e nem costume.
O mês era fevereiro daquele distante ano de 1951. O uniforme cáqui, o sapato tank 
com chapinhas de ferro e as correrias às portas do Colégio São Paulo, acentuavam o calor, 
fazendo descer pelo rosto, gotas cristalinas de suor. Era o meu primeiro dia de aula no curso 
ginasial. 
Levava, dentro da pasta de couro, lápis, borracha, um canivete solingen para apontar 
lápis, um caderno de anotações e uma caneta Parker, marca que me acompanharia dali em 
diante por toda a vida. Tudo isso comprado na papelaria do Sr. "Didi Hastenreiter", ali na 
Barão de Monte Alto.
Todos os alunos haviam passado pelo exame de admissão e vinham de diversas 
escolas primárias, principalmente do Grupo Escolar Silveira Brum, da Escola Nossa 
Senhora das Dores (da Dona Julieta) e da minha inesquecível Escola Maria Auxiliadora, da 
Dona Lourdes Alves Vieira.
MUNICÍPIO DE MURIAÉ
GABINETE DO PREFEITO
Já passava do meio-dia quando o murmourinho dos alunos foi interrompido pelo 
chamamento enérgico do prof. Cristiano, latinista e disciplinador emérito, que chamava os 
alunos para entrarem em fila no pátio interno do colégio. Quando entramos, o silêncio foi 
geral... unânime: Contemplávamos um "templo educacional". Estudar no Colégio São Paulo, 
mais que um privilégio era uma dádiva do destino. Era como pertencer a um seleto grupo de 
escolhidos, que trilharia as sendas do saber e do conhecimento.
Postamo-nos de pé e em filas por tamanho (os maiores atrás e os menores à frente) no 
imenso do pátio e sob o sol inclemente da metade do dia. Do alto da varanda interna do 
colégio, que se alcançava por duas escadas opostas, a figura lendária e mítica do Cônego 
Ivo Sebastião da Cunha, imerso em sua batina negra e em sua personalidade inconfundível. 
Seu olhar procurava um deslize em nosso comportamento, examinava-nos o brilho dos 
sapatos, o impecável do uniforme e penetrava-nos a alma, procurando trazer à tona o 
máximo possível de dados para nos conhecer. Em sua postura ereta, e em seu aspecto sério e 
examinador, quase se podia perceber uma ponta, ainda que minúscula, de um projeto de 
sorriso. Afinal, nós seríamos o seu orgulho ou, quem sabe, a sua decepção. Aquele olhar nos 
acompanharia durante todo o ginasial, durante o curso de contabilidade, durante toda a vida, 
vigilantes e atentos. Aquele olhar de esfinge que só decifrei quando adulto e já marcado 
pelas lições do tempo e da vida.
Do pátio fomos para a sala de aula e aguardamos. A minha foi a 1A, no fim do 
corredor e, em poucos minutos, o Cônego Ivo chegaria para fazer a chamada nominal e 
explicar as normas do colégio. Daquele momento em diante aquelas normas foram partes da 
minha vida. Espírito rebelde, muitas daquelas normas eu transgredi e paguei o preço das 
transgressões: fui um dos mais assíduos freqüentadores do "castigo de domingo". Quando o 
nome do aluno era anotado por travessuras ou transgressões, durante a semana, cumpria-se 
o "castigo de domingo". Uma hora por vez que o nome fosse anotado. Normalmente eu 
cumpria de uma às seis da tarde, saindo direto para a primeira sessão do Cine Brasil, onde o 
Sr. Baesso e a dona Bela tinham sempre um bom "cinemascópe" nos esperando.
MUNICÍPIO DE MURIAÉ
GABINETE DO PREFEITO
Um dia voltei ao Colégio São Paulo como professor. Encheu-me de orgulho lecionar 
naquele templo onde formara parte significativa da minha personalidade, e em minha 
memória permanecem vivas as imagens daqueles que, de uma maneira ou de outra, me 
formaram: Cônego Ivo, com a sua postura enérgica e disciplinadora. Dr. Mário Macedo, “je 
vous salus, mon professeur”, Prof. Cristiano e as declinações latinas. Noélia Macedo e as 
viagens pelo mundo geográfico, a postura meiga de Dona Odete Calcagno, o prof. Wantuil e 
os mistérios da análise sintática, o Prof. Viçoso e sua pronúncia perfeita do inglês, o prof. 
Geraldo Rodrigues que, com sua postura curvada e gentil e de diapasão em punho, nos 
iniciava nos mistérios das notas musicais e do canto orfeônico e que um dia, por obra e 
graça do destino, seria o avô dos meus filhos. E tantos e tantos outros professores.
Por isso, ainda hoje, quando passo em frente ao meu Colégio São Paulo, diminuo o 
passo, contemplo aquele portal do saber, deixo fluir a imaginação, viajo pelo tempo que já 
se perde no longínquo da memória e sinto, no fundo da alma, um indisfarçável orgulho de 
ser um "Sampaulino" de origem e de coração. E uma ponta de sorriso escapa, indisfarçável, 
como suave e terna recordação.

open original →