MUNICÍPIO DE MURIAÉ
GABINETE DO PREFEITO
PROJETO DE LEI N.______/2026
Denomina "Espaço Público Professor
Adellunar Marge" o espaço localizado
dentro da Praça Coronel Pacheco de
Medeiros, neste município.
O Prefeito de Muriaé:
Faço saber que a Câmara Municipal aprovou e eu sanciono a seguinte
Lei:
Art.1º – Fica denominado Espaço Público Professor Adellunar Marge
o espaço localizado dentro da Praça Coronel Pacheco de Medeiros, situado
em frente à Escola São Paulo, de frente para o prolongamento da rua Barão
do Monte Alto até a esquina com a rua Efigênia de Freitas, neste município de
Muriaé.
Art. 2º – Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Muriaé, 27 de março de 2026.
MARCOS GUARINO DE OLIVEIRA
Prefeito Municipal de Muriaé
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GABINETE DO PREFEITO
Muriaé(MG), 27 de março de 2026
Senhor Presidente,
Senhores Vereadores,
Saudações. É com imensa satisfação, nos termos das disposições
legais vigentes e com fulcro no artigo 80 da Lei Orgânica do Município de Muriaé,
que encaminho o presente projeto de Lei a esta Augusta Casa Legislativa para que
seja apreciado, discutido e votado, com a seguinte:
J U S T I F I C A T I V A
Trata-se de Projeto de Lei que visa dar a denominação de Espaço
Público Professor Adellunar Marge ao espaço localizado dentro da Praça
Coronel Pacheco de Medeiros, especificamente em frente à Escola São Paulo, de
frente para o prolongamento da rua Barão do Monte Alto até a esquina com a rua
Efigênia de Freitas, neste município de Muriaé.
A presente proposta tem o objetivo de homenagear o professor
Adellunar Marge, um cidadão que dedicou sua vida ao ensino, à cultura e ao
desenvolvimento de políticas públicas em nossa cidade.
Nascido em 5 de novembro de 1940, na cidade de Muriaé, Adellunar
era filho de Sebastião Marge e Mariana Carolina Raimundo. Sua trajetória de vida
sempre demonstrou forte compromisso com a coletividade e sensibilidade para a
educação.
No campo educacional, Adellunar construiu uma relação profunda com
a cidade. Concluiu o ensino ginasial na Escola São Paulo, local que ficaria marcado
para sempre em sua memória. Após atuar no setor privado na juventude, retornou a
Muriaé em 1972, formou família ao lado de Maria Madalena Rodrigues Marge e
ingressou no curso de Filosofia, vindo a se especializar pela Universidade Federal
de Juiz de Fora.
Encontrou sua verdadeira vocação na sala de aula. Por mais de 25
anos, lecionou disciplinas como Filosofia, Ética, Antropologia e Teoria do
Conhecimento, formando gerações de estudantes no ensino médio e superior, com
destaque para sua atuação nas instituições Santa Marcelina e FAMINAS.
Na administração pública, sua contribuição foi decisiva para o
município. Atuou como Secretário Municipal de Educação e Cultura por dois
mandatos e também como Secretário de Administração. Durante sua gestão,
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Muriaé realizou o primeiro concurso público para a área da educação e
implementou a municipalização do ensino e da alimentação escolar.
Sua visão política e administrativa ultrapassou os limites do município.
Foi um dos fundadores da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação
(UNDIME) e participou ativamente da comissão que enviou propostas da classe
para a Assembleia Constituinte de 1988.
Além de professor e gestor, destacou-se como comunicador,
escrevendo para os principais jornais da cidade e apresentando programas de rádio,
sempre com reflexões importantes sobre a vida social muriaeense.
Adellunar Marge faleceu em 17 de março de 2021. Deixou um legado
inestimável de sabedoria e compromisso com o bem coletivo.
A escolha do espaço a ser denominado guarda uma relação histórica e
afetiva direta com o homenageado. O local fica exatamente em frente à Escola São
Paulo. Esta instituição de ensino foi o cenário de seus primeiros anos de estudo e o
local para onde ele retornou como professor, conforme relatado por ele mesmo na
crônica literária anexada a este projeto.
A denominação deste espaço público com o seu nome é um
reconhecimento justo. O ato eterniza a memória de um educador que ajudou a
construir a base intelectual e estrutural da educação em Muriaé.
Ante o exposto, e feitos os devidos esclarecimentos necessários à
análise do Poder Legislativo, e na certeza de contarmos com a costumeira atenção
do ilustre Presidente, renovo meus protestos de elevada estima e distinta
consideração.
Atenciosamente,
MARCOS GUARINO DE OLIVEIRA
Prefeito Municipal de Muriaé
À Exma. Sra.
IVONETE LACERDA ASSIS
DD. Presidente da Câmara Municipal de Muriaé
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ANEXO ÚNICO DA JUSTIFICATIVA DO PROJETO DE LEI
Texto extraído do livro Impressões Cotidianas (Edição de 2010), de
autoria do homenageado Adellunar Marge, que ilustra sua profunda ligação com a
Escola São Paulo e justifica a escolha do espaço público a ser denominado com
seu nome:
O TEMPLO
Por Adellunar Marge
O sol brilhava intensamente sobre o telhado das casas e sobre os paralelepípedos que
queimavam as solas dos pés. Os quintais eram imensos naquele da Muriaé. Quintais
povoados de goiabeiras, mangueiras e jabuticabeiras. Sapotis, cajás-mangas e abacateiros
completavam o extenso pomar urbano daquela Muriaé da década de 50.
Brincava-se na rua, deserta de carros, em cujas calçadas as mães de família
colocavam as suas cadeiras e a vizinhança se inteirava de notícias (nem tão novas assim) em
longas conversas que se iniciavam com as primeiras estrelas e se alongavam até às "nove e
tantas" da noite, pois para mais que isso não havia nem assunto e nem costume.
O mês era fevereiro daquele distante ano de 1951. O uniforme cáqui, o sapato tank
com chapinhas de ferro e as correrias às portas do Colégio São Paulo, acentuavam o calor,
fazendo descer pelo rosto, gotas cristalinas de suor. Era o meu primeiro dia de aula no curso
ginasial.
Levava, dentro da pasta de couro, lápis, borracha, um canivete solingen para apontar
lápis, um caderno de anotações e uma caneta Parker, marca que me acompanharia dali em
diante por toda a vida. Tudo isso comprado na papelaria do Sr. "Didi Hastenreiter", ali na
Barão de Monte Alto.
Todos os alunos haviam passado pelo exame de admissão e vinham de diversas
escolas primárias, principalmente do Grupo Escolar Silveira Brum, da Escola Nossa
Senhora das Dores (da Dona Julieta) e da minha inesquecível Escola Maria Auxiliadora, da
Dona Lourdes Alves Vieira.
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Já passava do meio-dia quando o murmourinho dos alunos foi interrompido pelo
chamamento enérgico do prof. Cristiano, latinista e disciplinador emérito, que chamava os
alunos para entrarem em fila no pátio interno do colégio. Quando entramos, o silêncio foi
geral... unânime: Contemplávamos um "templo educacional". Estudar no Colégio São Paulo,
mais que um privilégio era uma dádiva do destino. Era como pertencer a um seleto grupo de
escolhidos, que trilharia as sendas do saber e do conhecimento.
Postamo-nos de pé e em filas por tamanho (os maiores atrás e os menores à frente) no
imenso do pátio e sob o sol inclemente da metade do dia. Do alto da varanda interna do
colégio, que se alcançava por duas escadas opostas, a figura lendária e mítica do Cônego
Ivo Sebastião da Cunha, imerso em sua batina negra e em sua personalidade inconfundível.
Seu olhar procurava um deslize em nosso comportamento, examinava-nos o brilho dos
sapatos, o impecável do uniforme e penetrava-nos a alma, procurando trazer à tona o
máximo possível de dados para nos conhecer. Em sua postura ereta, e em seu aspecto sério e
examinador, quase se podia perceber uma ponta, ainda que minúscula, de um projeto de
sorriso. Afinal, nós seríamos o seu orgulho ou, quem sabe, a sua decepção. Aquele olhar nos
acompanharia durante todo o ginasial, durante o curso de contabilidade, durante toda a vida,
vigilantes e atentos. Aquele olhar de esfinge que só decifrei quando adulto e já marcado
pelas lições do tempo e da vida.
Do pátio fomos para a sala de aula e aguardamos. A minha foi a 1A, no fim do
corredor e, em poucos minutos, o Cônego Ivo chegaria para fazer a chamada nominal e
explicar as normas do colégio. Daquele momento em diante aquelas normas foram partes da
minha vida. Espírito rebelde, muitas daquelas normas eu transgredi e paguei o preço das
transgressões: fui um dos mais assíduos freqüentadores do "castigo de domingo". Quando o
nome do aluno era anotado por travessuras ou transgressões, durante a semana, cumpria-se
o "castigo de domingo". Uma hora por vez que o nome fosse anotado. Normalmente eu
cumpria de uma às seis da tarde, saindo direto para a primeira sessão do Cine Brasil, onde o
Sr. Baesso e a dona Bela tinham sempre um bom "cinemascópe" nos esperando.
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Um dia voltei ao Colégio São Paulo como professor. Encheu-me de orgulho lecionar
naquele templo onde formara parte significativa da minha personalidade, e em minha
memória permanecem vivas as imagens daqueles que, de uma maneira ou de outra, me
formaram: Cônego Ivo, com a sua postura enérgica e disciplinadora. Dr. Mário Macedo, “je
vous salus, mon professeur”, Prof. Cristiano e as declinações latinas. Noélia Macedo e as
viagens pelo mundo geográfico, a postura meiga de Dona Odete Calcagno, o prof. Wantuil e
os mistérios da análise sintática, o Prof. Viçoso e sua pronúncia perfeita do inglês, o prof.
Geraldo Rodrigues que, com sua postura curvada e gentil e de diapasão em punho, nos
iniciava nos mistérios das notas musicais e do canto orfeônico e que um dia, por obra e
graça do destino, seria o avô dos meus filhos. E tantos e tantos outros professores.
Por isso, ainda hoje, quando passo em frente ao meu Colégio São Paulo, diminuo o
passo, contemplo aquele portal do saber, deixo fluir a imaginação, viajo pelo tempo que já
se perde no longínquo da memória e sinto, no fundo da alma, um indisfarçável orgulho de
ser um "Sampaulino" de origem e de coração. E uma ponta de sorriso escapa, indisfarçável,
como suave e terna recordação.