REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL – Estado do Rio de Janeiro
Câmara Municipal de Quissamã
Gabinete do Vereador Ailson Belarmindo Barreto
Projeto de Moção de Aplausos______/2023
Ex.mo Sr. Vereador Fábio Castro da Costa
Presidente da Câmara Municipal de Quissamã/RJ
O vereador subscrevente, nos termos do Regimento Interno, formula Moção de Aplausos a
senhora Carmen Elena das chagas
Biografa
Sou Carmen Elena das Chagas nascida no dia 19 de julho de 1968 na Clínica São
Lucas, recém-inaugurada, tive o privilégio de vir ao mundo pelas mãos de Dr. Marcelino,
médico, também, recém-formado e muito amigo do meu pai, afeto esse que se estendeu por
toda a minha vida e que me faz tê-lo como meu segundo pai. Minha mãe me deu o nome de
Carmen, pois nasci próximo ao dia de Nossa Senhora do Carmo que ela era devota. Depois
com os estudos vim descobrir que Carmen significa “poema” e também é uma ópera muito
famosa o que me deixou mais feliz ainda.
Sou a filha caçula (depois de 9 anos do meu irmão) de José Belmiro das Chagas,
operário de usina que depois de aposentado, com muito esforço, trabalho e anos, tornou-se
um comerciante sucedido e de Maria do Carmo de Carvalho Chagas, mais conhecida como
Cocota, uma costureira que possuía dons artísticos ímpares, pois com sua habilidade e,
sempre à frente do seu tempo, fazia vestidos de noiva, ou melhor, obras de arte para a
sociedade quissamaense e adjacências. Com eles, aprendi valores para a minha vida e que
repasso para os meus filhos como: a importância do estudo, a honestidade e o valor do
trabalho.
Por ser filha de operário de usina, eu cursei o meu Ensino Fundamental na Escola
Estadual Engenho Central de Quissamã. Posso dizer que tudo que conquistei na minha vida
profissional advém dessa escola simples, mas com professores comprometidos e
humanizados, pois me recordo que eles investiam em mim e me fizeram acreditar que era
capaz de vencer mesmo sendo de família humilde e de um lugar no interior.
Como era de costume na época, as moças que queriam estudar iam ser professoras.
Hoje vejo como fui abençoada, pois não sei fazer outra coisa que não seja trabalhar com
aluno. Com isso fiz o Curso de Formação de Professores, também, em um colégio que só
estudava filho de operário de usina. Precisei ir estudar em Campos dos Goytacazes no
Centro Educacional do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria e do Açúcar de Campos
(CESTIAC), ficando os três anos na casa de parentes e ajudando nas tarefas da casa dessas
pessoas. Um aprendizado importante e uma dívida de gratidão imensa.
Só que eu queria mais e meus pais sempre me apoiaram nos estudos. Pedi para ter o
terceiro grau, hoje chamado de graduação, e meu pai, que já estava dando alguns passos no
comércio, pôde pagar a minha faculdade. Lembro-me que, quando ia pedir o dinheiro da
mensalidade, meu pai sempre falava: “-Mas já venceu um mês?” Esse era o pior momento
para mim. Eu tinha a opção de cursar Letras ou Pedagogia na FAFIMA em Macaé. Como
não queria ser supervisora e gostava de inglês e desde criança brincava de dar aula para
ninguém na varanda da minha casa, escolhi Letras. Mais uma vez ficando na casa de
parentes ou conhecidos porque não havia ônibus para voltar à noite. Outra dívida de
gratidão e mais aprendizado em atividades domésticas.
Mesmo estudando, sempre ajudei os meus pais em todas as tarefas que me pediam.
Desde os oito anos já tive que tomar conta da casa porque a vida da minha mãe era uma
máquina de costura e meu pai tinha horário para entrar na usina. Depois, comecei a ajudar
nas costuras e, com o açougue, passei a ajudar meu pai em tarefas masculinas como lavar
cavalo, colocar comida, soltar no campo, ficar no açougue quando todos precisavam sair
para pegar bois que, na época, eram trazidos na corda. Não havia caminhão. Sem falar que
desde os treze anos, já cuidavas dos sobrinhos como se fossem meus filhos, ensinamentos
que me tornaram uma mãe bem melhor e experiente.
Ao término da faculdade (1988), com vinte anos, precisava trabalhar para não onerar
mais os meus pais. O problema é que emprego só se conseguia por via política. Meu pai era
humilde demais para pedir esse emprego. Minha salvação foi a eleição de Silvio Lopes que
acabou fazendo o primeiro concurso público de Macaé no início de 1989. Vi ali a minha
chance, pois tinha 3 vagas de Língua Portuguesa e uma era para o Regina Celi em
Quissamã. Em um mês estudei dia e noite. Fiz uma boa prova, mas fiquei em quinto lugar.
Meu sonho desmoronou. Como fiquei desapontada de chegar tão perto! Mas o que está
reservado para nós só Deus sabe. Ao mesmo tempo, meu amigo-irmão, Sérgio Rodrigues,
estava deixando de trabalhar no Colégio Cenecista. Ele sabia que eu tinha ido bem no
concurso e me indicou para D. Beatriz. Comecei lá no mês de março. Nesse mesmo mês
chamaram o quarto lugar para região da serra de Macaé. Nessa época, a prefeitura de Macaé
pagava professor para os colégios estaduais, principalmente de Quissamã e a Escola
Engenho Central estava precisando de um professor de Português e Inglês. France, que era
diretora na época, foi pedir esse professor ao prefeito, juntamente com Juca de Chicão que
fazia as negociações. Ela conseguiu o professor e como estava na minha vez de ser
chamada, eu fui trabalhar concursada no colégio que fiz meu Ensino Fundamental no mês
de abril, portanto faço agora 34 anos de magistério. Como já tinha meu salário, comecei a
pagar a minha pós-graduação aos sábados na FAFIMA. Ganhei mais uma matrícula para
trabalhar no Regina Celi que a regularizei com o primeiro concurso público de Quissamã
em 1994. Quando essa última matrícula já tinha 15 anos, eu pedi demissão para entrar no
Estado. Como havia passado em terceiro lugar, consegui a vaga no Colégio Visconde de
Quissamã. Em 2004, a PMQ ofertou uma pós-graduação aqui em Quissamã aos sábados no
Ciep. Não podia perder essa oportunidade de estudar sem precisar pagar e nem sair do
município. Esse estudo me devolveu o gosto acadêmico, que estava parado por questões de
filhos pequenos e trabalho, e, também, me ajudou a ganhar conhecimento e ritmo para
passar no Mestrado da UFF em Niterói, um sonho que havia guardado desde a graduação.
No Mestrado, logo percebi que estava atrasada em relação aos professores da capital, assim
tive que dar continuidade com o Doutorado. Meu segundo sonho era ser professora federal
porque na lei dizia que dava transferência para qualquer lugar do país e tinha tempo para
estudar sem precisar tirar da hora de lazer. Ledo engano. São justamente as coisas que não
consegui. Comecei a fazer vários concursos federais. Passei em alguns, outros bati na trave
e outros ainda perdi feio. Até que em 2011, fui chamada para um Instituto em Minas.
Larguei tudo e fui com meus filhos. Casa, familiares e 22 anos de prefeitura. Fiquei lá por 3
anos. Para voltar para o Rio, só consegui vaga em Arraial do Cabo. Trabalhei lá 6 anos e
meio e morava Niterói, pois filhos e marido já estavam em fase diferente da minha. Agora,
já consegui remoção para Niterói e estou recomeçando porque o Instituto fica em
comunidade. Outro aprendizado. Nesse tempo todo, nunca deixei Quissamã para trás.
Sempre disse que era de Quissamã e o que a minha cidade tinha. Meus estudos acadêmicos
sempre tiveram como tema Quissamã. Meu terceiro sonho era construir o Centro Cultural
para as maquetes que meu tio Francisquinho pediu para cuidar. Foram 25 anos de muita luta
e economia para esse fim, concluído no dia 13 de agosto de 2022. O quarto sonho? Nas
mãos de Deus. Só posso dizer que minha maior conquista após isso tudo é o amor que
recebo dos meus alunos e ex-alunos.
Cabe ressaltar de forma muito sincera e grata que só consegui vencer pela confiança
depositada em mim pelos meus pais e pela parceria da minha família. César que sempre
soube disso tudo e meus filhos Cícero e Caio que fecharam comigo nessas loucuras.
A homenageada, dê-se conhecimento da presente.
Quissamã, 01 de novembro de 2023.
Ailson Belarmindo Barreto
Vereador Autor