Estado do Paraná
ASSESSORIA JURÍDICA
PARECER AO PROJETO DE LEI Nº 070/2004
Busca o ilustre Vereador subscritor do Projeto de Lei em epígrafe, obter o
apoio do douto Plenário desta Casa de Leis para redenominar Estádio
Municipal de Futebol e demais instalações anexas, de "Estádio Municipal
Governador Leonel de Moura Brizola" e criar Museu Fotográfico,
Histórico e Bibliográfico.
A proposição está acompanhada de justificativa firmada pelo autor
contendo a biografia do homenageado, porém não contém a anuência
(concordância), de no mínimo, dois terços dos moradores ou
domiciliados no logradouro , conforme exigência contida no artigo 6° da
Lei Municipal nº 2.347, de 15 de junho de 2004, que estabelece critérios
para a denominação de próprios e logradouros públicos do Município de
Pato Branco, devendo ser promovida consulta nesse sentido.
Quanto a criação de museu fotográfico, histórico e bibliográfico
relacionado ao esporte municipal e a história política do homenageado,
necessário verificar se há previsão orçamentária para suportar as despesas
pertinentes a tal pretensão, competindo a Comisão de Finanças e
Orçamentos promover diligencias necessárias.
Após cumpridas as formalidades legais, estará a proposição em condições
de ser apreciada pelo douto plenário desta Casa Legislativa.
É o parecer, SALVO MELHOR JUÍZO.
Pato Branco, 18 de agosto de 2004.
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··---- ~ --·~,.-Q., ..--~
Rua Arar·1gbóia, 491 Telefax: (46) 224-2243 85505-030
E mail: legislativo@whiteduck.com.br
Pato Branco Paraná
Estado do Paraná
Exmo. Sr.
Dirceu Dimas Pereira
DD. Presidente da Câmara Municipal de Pato Branco
O Vereador infra-assinado, GILSON MARCONDES - PV, no uso de suas
prerrogativas legais e regimentais, apresenta, para a apreciação do douto plenário
desta Casa de Leis, o seguinte Projeto de Lei:
PROJETO DE LEI Nº 70/2004
Súmula: Redenomina Estádio Municipal de
Futebol e demais instalações anexas, de "Estádio
Municipal Governador LEONEL DE MOURA
BRIZOLA", cria MUSEU FOTOGRÁFICO,
HISTÓRICO E BIBLIOGRÁFICO e revoga a lei
municipal nº 1222/93, de 14 de junho de 1993.
Art. 1°. Fica redenominado o Estádio Municipal de Futebol de Pato
Branco, de "GOVERNADOR LEONEL DE MOURA BRIZOLA" a edificação e
anexos contidos na quadra 576, com área de 48.400,oom2 (quarenta e oito mil e
quatrocentos metros quadrados), matriculada sob nº 9.408 junto ao Cartório do
1° Ofício do Registro de Imóveis da Comarca de Pato Branco, de propriedade do
Município.
Art. 2°. O Executivo Municipal emplacará o referido próprio, contendo
sua denominação, consignada no artigo anterior, no prazo de 30 (trint di s
contados da publicação da presente Lei.
Rua Ararigbóia, 491 Telefax: (46) 224-2243 85505-030
E mail: legislativo@whiteduck.com.br
Pato Branco Paraná
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Art. 3°. O Executivo homenageará os pioneiros do futebol patobranquense, instalando, em sala própria, MUSEU FOTOGRÁFICO,
HISTÓRICO E BIBLIOGRÁFICO relativo ao esporte municipal, bem como a
história política do homenageado, Governador Leonel de Moura Brizola.
Art. 4 °. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as
disposições em contrário especialmente a lei municipal nº 1222/93, de 14 de
junho de 1993·
Nestes termos, pede deferimento.
Pato Branco, 23 de junho de 200 .
APOIO:
Antonio Urbano da Silva - PL Clóvis Gresele - PP
; -
Dirceu ~~(fe N ereira - PPS Enio Ruaro - PP
Laurinha Luiza Dall'Igna - PP Nelson Bertani- PDT
Nereu Faustino Ceni - PC do B Silvio Hasse - PDT
Valmir Tasca - PFL Vilmar Maccari - PDT Vilson Dala Costa- PMDB
Rua Ararigbóia, 491 Telefax: (46) 224-2243 85505-030 Pato Branco Paraná
Email: legislativo@whiteduck.com.br
Atai natura
Brizola: o homem que fez e marcou a história brasileira - IV
No último artigo abordando o luminoso caminho de Brizola,
ilustre homem público, falamos sobre o tributo que pagou por
defender idéias próprias e do interesse da Pátria: um exílio de 15
anos.
Foi um vazio doloroso na sua vida política. Uma ausência do
maior vulto histórico. Certamente, se não houvesse esse interregno,
Brizola certamente chegaria ao topo de sua vida política, como presidente do Brasil. De volta do exílio, em 1989, teve seu ponto alto na
vida política do Brasil quando candidatou-se à Presidência, chegando a liderar as pesquisas em grande parte da campanha .. Somente
não se elegeu devido à oposição das classes privilegiadas, das classes dominantes e da mídia, que foi implacável, e tantos outros
interesses que atravancaram seu itinerário político.
Durante o golpe de 64 e nos seus 20 anos seguintes, o nome de
Brizola foi proibido de ser mencionado em qualquer órgão ou meio
de comunicação de massa. Foi um anátema que pairou sobre sua
cabeça durante todo esse tempo. Seu nome foi posto no "índex",
assim como o nome de d. Bider, Arraes e dos demais líderes opositores
do golpe. Apesar de tudo, Brizola sobreviveu e continuou a fazer a
história do Brasil.
Após seu refúgio no Uruguai, graças à intervenção do presi- ·
dente Jimmy Carter, o defensor dos direitos humanos, recebeu a
autorização para ir aos EUA, em 1977, passando pela Argentina,
tendo em vista que foi expulso do Uruguai com prazo de cinco dias
para buscar outro abrigo ...
Em 1978/1979, fixou-se em Portugal, a convite de seu amigo
Mário Soares. Teve a oportunidade de participar ativamente de .
encontros mundiais da Internacional Socialista, quando estreitou
suas relações com <li.versos lídêres mundiais: François Mitterand,
· Willy Brandt, Felipe Gonzalés, Carlos Andrés Perez e outros; além
deMário Soares.
Era, na época, a referência máxima de Brasil democrático, que
: tentava segurar a liberdade neste país. Com sua.influência, forçou a
' redemocràtização do Brasil. Em 1979, com o movimento pela Anistia, lutou incansavelmente pelo encontro dos trabalhistas no Brasil e
em Lisboa. Tinha uma meta: restaurar o velho PTB de Getúlio Vargas,
cassado. pelo golpe.
Em 1979, no dia 6 de setenibro,regressou ao Brasil.beneficiado pela anistia, através do aeroporto de Foz do'Iguaçu, rumando em
seguida par!l Porto Alegre'. Após; fixou residência no centro do
poder de fato, oRio de Janeiro, para resgatar.a sigla do PTB e outros
interesses políticos.
Mas, devido à pressão dos conservadores é d.as Forças Armadas, a sigla foi conferida à filha de Getúlio, !vete Vargas.
Com esse fato, obrigou-se a ressuscitar o trabalhismo através
da fundação de um novo partido, o PDT, em 1981. Foi o fruto de
longos e demorados debates.
Assim mesmo, com o registro da nova sigla, seu partido sofreu
sérias restrições. Em 1982 lançou-se candidato a governador do
Rio de Janeiro com a nova sigla.
Com a preferência inicial de 3%, acabou sendo eleito governador com 34% do eleitorado carioca. A contagem dos votos foi fraudada e manuseada na tentativa de impedir sua eleição. Seus votos
estavam sendo depositados nos outros partidos. Brizola obrigou-se
a "chamar" uma comissão internacional para acompanhar a
escrutinação dos votos. Valeu a presençade seus amigos europeus.
Com a presença dos observadores estrangeiros, misteriosamenté os votos de Brizola apareceram e d<;tí em diante ponteou a
eleição como futuro governador do Rio de Janeiro.
Assumiu o governo do Rio e ressurgiu; novamente, a sua
liderança. Em 1990, foi reeleito governador dos cariocas.
Os seus inimigos políticos, principalmente a mídia e as pesquisas encomendadas sem controle legal, desativaram sua marcha rumo
ao Planalto, onde chegaria, naturalmente, devido à sua liderança.
Não podemos esquecer que a perda da sigla do PTB, por interesses
escusos, também atravancou seu caminho rumo ao Planalto.
O PTB, sigla de seu coração, que o elegeu deputado estadual,
federal, prefeito de Porto Alegre e governador dos gaúchos, não
pôde acompanhá-lo até o fim. Como bom gaúcho, encilhou outro
"pingo", o PDT (Partido Democrático Trabalhista), para assim poder prosseguir na sua brilhante carreira política.
Apesar disso, não esmoreceu seu idealismo político de ver um
Brasil mais humano, mais justo e sem corrupção.
São pessoas desse calibre, itlealistas e honradas como Brizola,
que marcaram sua presença na história como: Che Guevara, Ghandi,
Marx, Lincon.
Podemos dizer que Brizola foi o político brasileiro do século
XX, o homem que fez e marcou a história do Brasil.
Genírio João Fávero
Professor da Faculdade Mater Dei e do Cefet
DIARIO DO POVO
ANO XIX EDIÇÃ03327 PATO BRANCO, SEXTA-FEIRA, 23 DE JULHO DE 2004
Memorial Brlzola . Porto Alegre (ABr) - O governador do Rio Grande do
Sul, Germano Rigotto, assinou decreto criando a comissão que vai apresentar o projeto do Memorial Leonel ,
Brizola rio Estado. Representantes da Assembléia
Legislativa e do governo gaúcho ficarão encarregados de
definir o local da construção, a elaboração do projeto e as
parcerias que vão participar do financiamento das obras,
"Leonel Brizola tem a sua trajetória não apenas como exgovernador, como homem público que honrou a história
gaúcha, mas também como uma liderança nacional. É importante para o Rio Grande do Sul um memorfal com acervo sobre a sua vida", afirmou o governador.
DIARIO DO POVO
ANO XIX EDIÇÃO 3324 PATO BRANCO, TERÇA-FEIRA, 20 DE JULHO DE 2004
Homenagem. a .Brizola
A direção nacional do PDT reúne, nesta quarta•feira,
dirigentes dos 27 Estados brasileiros para missa de 30º dia
da morte de seu grande líder Leonel Brizola, a realizar-se na.
igreja do Rosário, situada na rua Uruguaiana, centro do Rio
de Janeiro, a partir das l lh. Em seguida,.às 14'1, terá lugar a
reunião com os dirigentes estaduais na sede nacional do
partido, avenida Marechal Câmara, 160, também no centro
do Rio. O senador Osmar Dias, que preside o PDT no Paraná,
confirmou que estará presente acompanhado de integrantes
da direção partidária estadual.
DIARIO DO POVO ta wrma• =no MW'RF771
ANO XIX EDIÇÃO 3322 PATO BRANCO, SEXTA-FEIRA, 16 DE JULHO DE 2004
O último' maragato ·
Logo após a morte de Leonel Brizola, ocorrida dia 21 passado,
um amigo telefona da capital e diz: "Perdemos o último guerreiro,
. somente resta um semelhante, porém em posii;:ão contrária, que éo
Antonio Carlos Magalhães, com uma diferença fundamental, enquanto Brizola amava o povo, ACM ama o poder que detém sobre o
povo da Bahia". Isso sintetiza tudo sobre os dois personagens, sem,
enveredar para as conotações ideológicas, de di.reita ou esquerda.
Brizolajamais amou o poder, buscou-o sempre, é verdade, mas
como instrumento de realização do bem-estar do povo. Não fosse
assim, estaria acomodado, indicando correligionários e amigos para
· ocuparem cargos públicos em troca do apoio político. Perseguiu,
porém, caminho diverso, resistiu como pôde à ditadura militar, alinhou-se à oposição a todos governos que a sucederam, denuncian-.
do sempre os descaminhos e traições ao interesse dos brasileiros,
principalmente dos trabalhadores.
"Brizola, guerreiro do povo brasileiro", gritavam os populares
em seu velório. Líder popular inconteste, longe de ser caudilho,
Bri.zola era estadista respeitado internacionalmente. Seu nome e sua
luta ficarão marcados indelevelmente na história brasileira; com certeza cometeu erros e equívocos, muito mais estratégicos que ideológicos, quem sabe que se estes não ocorressem a recente história
política do Brasil tivesse outro rumo.
É bom lembrar que o lenço colorado usado por Brlzola nos
comícios e aparições públicas não constituía meta alegoria, mas 1 ~·/_rN
representava bem sua origem: seu pai fora assassinado, em 1923,
em decorrência de seqüelas da Revolução Federalista de 1893. O
nome Leonel é umáhomenagem ao revolucionário maragato Leonel
Rocha. A revolução de 1893, ou guerra civil, como dizem alguns
historiadores, foi a única que não teve causas econômicas, maragatos
e chimangos lutaram por motivos de natureza política e ideológica,
ressentimentos recíprocos. Os maragatos ou federalistas defendiam
maior predominância do poder federal sobre o estadual, queriam um
sistema unitário e centralizador, ao passo que ·os chimangos ou
republicanos defendiam um sistema federativo com ampla autonomia dos Estados. A eleição do republicano Julio de Castilhos ao
governo do Rio Grande do Sul e sua constituição positivista constituem-se no pólo principal de divergência para deflagrar a revolução
de 1893. Outra distinção, conhecida até hoje, é que os maragatos
usavam o lenço vermelho ao pescoço, enquanto o chimangos, portavam o lenço branco.
Tal qual um autêntico maragato, Brizola foi sempre centralizador,
lutou até o fim por idéias e convicções, nunca cedendo espaço a
conveniências ou interesses pessoais. Gumercindo Saraiva, Saldanha
da Gama e outros valentes revolucionários federalistas, com júbilo,
devem receber na eternidade, quiçá, o último rnaragato.
Javert Prado Martins Filho
· Ex-presidente do Diretório Municipal do PDTde Pato Branco
DIARIOD POVO
ANO XIX EDIÇÃO 3320 PATO BRANCO, QUARTA-FEIRA, 14 DE JULHO DE 2004
Brizola, o homem que fez e marcou a história brasileira :... Ili
Como referido nos artigos a,nteriores, a figura de Brizola
marcou a história nacional até o último dia de sua vida: o
seu nacionalismo, amor à pátria, respeito à coisa pública e à
cidadania de cada brasileiro calaram fundo na alma brasileira.
Após João Goulart, popularmente conhecido como
Jango, ter sido reconduzido à Presidência do Brasil por meio
do Plebiscito, não perdeu a sua vontade social de transformar o Brasil, emperrado pela elite conservadora, possuidora de todos os privilégios e, por isso, continuou a pregar as
reformas de base e a reforma !lgrária. Diante de suas teses, as
classes dominantes fugiam "como o diabo foge da água
benta".
Carlos Lacerda foi o chefe do exorcismo sobre as reformas de base e a reforma agrária. Jango teve a infeliz idéia de .
fazer comícios envolvendo integrantes das Forças Armadas,
o qqe cheirou, para as elites, como uma rebelião comandada pela autoridade máxima. ·
Estava em andamento, em todo o Brasil, uma onda de
anticomunismo, pois Jango era tomado como líder comunista; Os quartéis fervilhavam de grupos conjurando a deposição do governo de Jango. Isso durante muito tempo,
tendo em vista que a esquadra norte-americana estava junto
ao litoral da Guanabara, dando "cobertura" a um possível
fracasso da "revolução". Os interesses eram internacionais,
para que o Brasil, com suas ligas camponesas, comandadas
pelo deputado Julião e que faziam sucesso no Nordeste e
outras partes do território, não se convertesse em uma "nova
Cuba" ...
Em 30 de março, o Brasil ficou surpreso com o deslocamento dê' troPllS ·que partiram de Minas Gerais, sob o comando dogeiieral Mourão, em direção ao Rio de Janeiro.
Com os fatosem marcha, em 31 de março aconteceu o Golpe Militar· de 64i Após foi feita uma doação de ouro, jóias,
diamantes, etc •• para um fundo de salvação. do Bra~iL Muitos valores foram "jogados" nesse fundo, que era tão fundo,
que ninguém soube o destino.dos mesmos, até hoje.
Enquanto isso, o br~v<)·Brizo!a, dep1,1tado federal pelo
Rio de Janeiro com 300.nül V,otqs, a maforvotação obtida
por um deputado brasiléito\~té aquela data,. tentou resistir .. ~· ,- .. ··.. _-,/-.
ao golpe. Foi a Porto Alegre buscar os microfones da Campanha da Legalidade, lembrando que o governador dos gaúchos era o sr. Ildo Meneguetti, adversário de Brizola.
O governador, aconselhado pelos seus partidários, fugiu para Passo Fundo, que se tornou capital provisória dos
gaúchos. Dizia-se naquela época, no Rio Grande do Sul,
que o governador teria tomado um táxi dando a seguinte
ordem: "Pé no fundo", o que o taxista teria entendido "Passo Fundo" ...
Brizola foi dissuadido diante da posição contrária do
próprio Jango e demais líderes que se opunham ao golpe.
Era procurado, vivo ou morto,. como um troféu para o
golpe, em andamento.
. Permaneceu ainda no Brasil por dois meses. Em abril,
desapareceu misteriosamente do país, embora procurado
diuturnamente por todo o Exército. Quando souberam de
seu paradeiro, descobriram que se encontrava no Uruguai.
Por entendimento entre os governos, no início do exílio
era vigiado, para depois se transformar em confinamento no
balneário uruguaio de Atiâ.ntida. Somente em 1970 o governo uruguaio relaxou c:sse ·isolamento. Brizola foi morar
em Montevidéu, restabeleêendo contatos com seus amigos
do Brasil. Mas em 1977 foi expulso do .Uruguai~ devendo
deixar o país em cinco dias. ('.om •a autorização direta. do
então presidente Jimmy Cárter, '.foi para os Estados Unidos.
No ano seguinte, fixou-se ern Portugal, onde. fez amizades com todos os líde~es socialis~as da Europa. Após a
saída de Brizola, ninguém conseguia explicar o mistério de
· sua fuga, embora todo o Exército estivesse à sua procura.
Há poucos anos, Brizola, depois de muita insistência, explicou: teria se vestido de alto oficial da Brigada Militar,
com o devido acompanhamento, e teria seguido até a praia
de Tramandaí, onde ter-se-ia escondido entre as dunas, para '
aguardar o "teco-teco" enviado por seu cunhado Jango. Após,
sobrevoando a praia gaúcha, adentrou no vizinho Uruguai.
(segue)
Genírio João Fávero
Professor na Faculdade Mater Dei e Cefet
Filósofo. teólogo e advogado. /
-- ___________ _. ____ __:-.__ _ __::_:____".:_ __ .._._._:::__.· ·--------··-··-· -·-· ·_, '._.·' -~:_'.:_.:~'- ·-'-~---~----- --
. ,,-5-030 PATO BRANCO PR
JORNAL DA ASSEMBLÉIA Óq~ão de divulgação da Assembléia Legislativa do Paraná Ano 1 - Nº 4 - Curitiba, 28 de junho a 4 de julho de 2004
"Nós o amávamos!
Ele nos dava
a noção do Brasi
profundo
e o amor
pelo Brasil.
Foi um
guardião
dos interesses
mais profundos
da nacionalidade."
Projeto prevê obrigatoriedade do uso
de GNV no transporte coletivo
(Pági11a 4)
1
"Leonel Brizola foi líder
político de uma geração
que fez da luta pela
democracia sua bandeira
permanente. A sua morte
representa a abertura de
uma lacuna na vida
política do País, que
aprendeu a reconhecer
coerência na defesa
intransigente que Brizola
fazia de seus ideais."
"Era um grande
homem e, acima
de tudo, um
grande opositor.
Leal aos seus
princípios
políticos, Brizola
sempre
esteve acima
de qualquer
suspeita."
"Brizola é uma
das figuras mais
importantes da política
nacional e deve
ser reconhecido
por seus feitos,
que não foram poucos.
Perdem o Brasil
e a democracia
com a morte
de Brizola."
"Brizolafoi um dos grandes
políticos dessa nação,
trilhando uma história
política jamais vista ou
vivida por outro partido,
sendo eleito governador em
dois Estados. Brizola também
sempre foi e será elogiado
por sua conduta, tanto na
vida público como na vida
política, por brasileiros e por
líderes estrangeiros."
Projeto normatiza venda e reciclagem
de produtos que contém metais pesados
(Página 2)
Curitiba, 28 de junho a 4 de julho de 2004 3 JORNALDAÁsSEMBLÉIA i
Tributo a Leonel Brizola
Leonel Brizola nasceu em 22 de
janeiro de 1922 no povoado de Cruzinha, antes pertencente ao município de Passo Fundo-RS, e hoje a
Carazinho. Filho mais novo de agricultores, seu pai o lavrador José de
Oliveira Brizola, morreu na Revolução Federalista de 1923, lutando
nas tropas de Joaquim Francisco
de Assis Brasil.
Augustinho Zucchi Alfabetizado por sua mãe, Onivia de Moura Brizola, iniciou seus
estudos na escola primária de Passo Fundo em 1931. Em 1936 matriculouse no Instituto Agrícola de Viamão, formando-se técnico rural em 1939. Em
1940 mudou-se para Porto Alegre, onde concluiu o supletivo e trabalhou
como funcionário público na prefeitura da capital. Formou-se em engenharia civil na Universidade do Rio Grande do Sul, em 1949.
Simpatizante do presidente Getúlio Vargas, Brizola ingressou no PTB
em agosto de 1945, integrando o primeiro núcleo gaúcho do novo partido.
Em 1947, ainda estudante do curso de engenharia, elegeu-se Deputado
Estadual, com participação decisiva na elaboração da Constituição gaúcha e
participou da instituição do regime parlamentarista no Estado.
Em 1 ºde março de 1950, tendo como padrinho, Getulio Vargas,
casa-se com Neusa Goulart irmã de seu colega de Bancada João Goulart a quem conhecera como militante do PTB em Porto Alegre, e dessa
união de muito amor nasceram três filhos Neusinha Brizola, José Vicente Brizola e João Otávio Brizola.
Em outubro de 1950 reelege-se deputado estadual, assumindo a liderança da bancada, firmando-se como uma das mais expressivas lideranças políticas do PTB na Assembléia Legislativa, em 1952 convidado pelo governador Ernesto Dornelles (PTB), assume a Secretaria de Obras idealizando
e executando inúmeras obras de relevante importância para o Estado, dando
inicio a construção de grande número de Escolas Públicas, pois acreditava
que o futuro da nação dependia do aprimoramento
do conhecimento de seu povo. No pleito de 1954
elege-se deputado federal, com a maior votação registrada até então no Estado do Rio Grande do Sul,
tornando-se um dos mais duros adversários dos setores retrógrados e golpistas. Contesta Carlos Lacerda, já no ato de juramento deste, ao aparte-ardisse: "este vai ser um juramento falso Sr. Presidente
porque ele esta pregando o golpe lá fora, e vem jurar
a constituição aqui dentro". Foi um dos Deputados
que mais lutou pelo cumprimento da Constituição, e
em especial do calendário eleitoral tendo contribuído
para a posse de Juscelino e Jango, respectivamente
presidente e vice.
Eleito prefeito de Porto Alegre em 1955, sua
gestão foi marcada pelo trabalho incansável na área
da educação pública, criando o slogan "nenhuma criança sem escola". A nova experiência administrativa
bem sucedida, na terceira maior cidade do País na
época, reforçou sua marca empreendedora, dando
continuidade na Capital ao projeto iniciado na sua passagem pela Secretaria
de Obras do Governo Estadual.
Elegeu-se Governador do Rio Grande do Sul aos 36 anos com amplo
respaldo popular, obtendo mais de 670 mil votos. Realiza uma histórica
administração, instituindo a Caixa Econômica Estadual e o Banco Regional
de Desenvolvimento do Extremo Sul - BRDE, incrementando a Política de
Desenvolvimento dos três Estados do Sul. Cria o Instituto Gaúcho de
Reforma Agrária - IGRA, com a entrega de 14 mil títulos a agricultores sem
terra, dando início à conscientização da justa distribuição de terras para
incremento da economia e geração de empregos no campo.
Conclui nesse mandato o programa iniciado antes como Secretário realizando o maior investimento em educação pública, com a construção de 5.902
escolas primárias, 278 escolas técnicas e 131 ginásios, abrindo 700 mil novas
matriculas e contratando 42 mil novos professores, eliminando o déficit escolar.
No plano político inicia seu governo queimando os arquivos do DOPS
- Departamento de Ordem Política e Social, eliminando a máquina existente
de repressão no interior do governo estadual. Introduz um programa rádiotelefônico semanal e pioneiro no País, todas as sextas-feiras a noite, de
prestação de contas e esclarecimento sobre a administração estadual.
Inicia e coordena o movimento da Legalidade, sustando o plano que
visava o impedimento da posse do Vice-Presidente constitucional João Goulart, em ação política inédita, que garantiu o respeito à Constituição Nacional.
Em 1962 elegeu-se deputado federal pelo Estado da Guanabara
com quase 300 mil votos, maior votação alcançada até então por um
parlamentar na história brasileira , que representou um terço dos votos do Estado da Guanabara.
Com marcada atuação em favor das reformas de base e da profunda
reformulação da política econômica e social, constituindo-se em um dos
maiores líderes nacionais por esses avanços, é incluído na primeira lista
de cassados pelo golpe de 1964. Tenta resistir em Porto Alegre,. em
nome da Ordem Constitucional, mas é dissuadido diante da posição
diversa do Presidente João Goulart. Diante da impossibilidade de permanecer no país, com atuação pública, sendo procurado vivo ou morto,
exila-se em maio, no Uruguai.
Permanece no exílio por 15 anos, passando pelo Uruguai, Estados Unidos e Europa. Neste último estreitou relações com lideranças tais como François Mitterrand, Felipe Gonzáles, Carlos Andrés Peres e Mario Soares, no
momento de crescimento do movimento pela anistia, promove o encontro de
trabalhistas no Brasil e no exílio em Lisboa com o objetívo de reorganizar o
PTB no Brasil. É de lá que sai a Carta de Lisboa a principal peça de constituição daquilo que viria a ser o PDT - Partido Democrático Trabalhista. Retoma
ao Brasil em 1979 mais de 15 anos depois de ter saído, ingressa em território
nacional pelo aeroporto de Foz do Iguaçu, Estado do Paraná, segue para
Porto Alegre, mas fixa residência no Rio de Janeiro Capital.
Em novembro de 1981, Leonel Brizola registra no TSE o PDT, o qual
permaneceu até o fim e seus dias. Foi eleito Governador do Rio de Janeiro
com 34% do eleitorado, onde realizou inúmeras obras, instituindo um
plano educacional inovador, com a introdução dos CIEPs (Centros Integrados de Educação Pública), com turnos integrais, completando a entrega
de mais de 200 unidades. Participou ativamente da campanha pelas Diretas, sendo que depois de frustrada essa possibilidade, apoiou a candidatura de Tancredo Neves, que faleceu antes de assumir o mandado de Presidente da República. Candidato à Presidência em 1989, pelo voto direto,
não obteve êxito no pleito, sendo eleito mais tarde, no ano de 1990,
Governador do Rio de Janeiro pela segunda vez.
Membro efetivo da Internacional Socialista, Leonel de Moura Brizola,
foi em vida a maior expressão política do trabalhismo nacional, defensor da
classes menos favorecidas, acreditava que a educação e o trabalho digno era direito de todos. Pela sua
trajetória na vida pública, e pela sua ilibada conduta
é que viemos prestar esta justa homenagem a este
honrado brasileiro.
Muitos podem até discordar das opiniões de
Leonel de Moura Brizola. Mas, certamente um homem que até os 82 anos de idade, sessenta dos
quais permaneceu na vida pública, não restou dos
cargos que ocupou nenhuma dúvida com relação a
honestidade, ao seu princípio sólido em defesa da
população, ao caráter que carregou sempre retilíneo e, principalmente a sua coragem de defender as
posições nas quais acreditava e pelas quais lutava.
Brizola certamente será um dos marcos importantes da política brasileira. E muitas vezes
nós, quem sabe, tenhamos que reverenciar figuras
como Getúlio Vargas, João Goulart e, por último,
Leonel Brizola, para dizer que o trabalhismo brasileiro encontrou nessa gente a vertente de uma
luta em defesa da grande maioria da população.
No sudoeste do Paraná, nós que acompanhamos de perto a história
política de Brizola, que vivenciamos a coragem deste líder destemido, que
aprendemos a admirar a conduta ética e moral deste brasileiro que nunca se
curvou, o sudoeste do Paraná, região que orgulhosamente eu represento
aqui, está de luto e tenho absoluta certeza vai, ao longo dos tempos, reverenciar este grande patriota que foi um servidor do nosso Brasil. Já ainda no
exílio, quando eu aqui estudante, nós fazíamos uma comissão para visitá-lo
no Uruguai, ele de lá, de outro país coordenava a resistência brasileira, junto
com outros partidos, como é o caso do PMDB que naquela época encampava a anistia ampla, geral e irrestrita.
O Brizola para nós é muito mais do que um político que passou incólume nos cargos públicos que ocupou, é muito mais que um político que
assumiu o governo de dois estados diferentes da Federa~ão e tão distintos
como é o Rio Grande do Sul e o estado do Rio de Janeiro. E mais do que isto.
É uma referência que nos cabe a encampar sempre as suas idéias, das escolas
que construiu quando o Rio Grande engatinhava, até os CIEP'S que se
tornou uma proposta universal do ensino público e gratuito neste Brasil.
Deixo aqui registrado em nome do PDT do Paraná a nossa mais
sincera homenagem a este ilustre brasileiro que serve de referência a
todos nós, não apenas aqueles que seguem seus passos políticos, mas
a todos aqueles que entendem que deveremos ser intransigentes na
defesa da soberania do povo brasileiro.
Augustinho Zucchi é filiado ao PDT de Leonel Brizola
DIARIO DO POVO
ANO XIX EDIÇÃO 3317 PATO BRANCO, SEXTA-FEIRA, 9 DE JULHO DE 2004
. . .
, A homenagem ·do povo a Leonel Brizola
Foi grande a repercussão do falecimento do meu.
avô, 6 à-governador Leonel Brizola, que no dia 21
. de junho, por problemas de coração, acabou falecendo. A luta contínua e tenaz que empreendeu nesses 60
anos de vida pública, dedicando-se ao Brasil e em especial às crianças, certamente exigiu muito do seu coração. No cortejo que levou seu corpo, do Palácio .
Guanabara ao aeroporto Santos Dumont, milhares de
pessoas saíram às ruas no último adeus ao grande líder
trabalhista. A homenagem prestada pelo povo brasileiro significou a redenção e o reconhecimento da luta
de Leonel Brizola, por todo o seu empenho em colocar as crianças em uma escola digna e de horário integral. Era visível a emoção das pessoas, grande parte
vinda de camadas humildes, agradecidas por algo que
ele fez em seus dois governos. A sua óbra, em especial
no Rio de Janeiro, teve significado muito grande para
as poptdações marginalizadas da capital e do interior,
porque governava visando. melhorar as condições de
vida dos moradores da periferia e das favelas. Quantas
mães de família receberam o título de posse da sua
casa. das mãos do meu avô? O fim dos despejos das
comunidades pobres que ocorriam em governos anteriores, li construção de 500 Cieps, carinhosamente chitmados de "brizolões" pelo povo carioca, a criação da
Secretaria Estadual de Defesa das Populações Negras,
a construção do sambódromo, tudo feito para recuperar a auto-estima e a dignidade dos afro-descendentes. Nos seus governos houve grande preocupação para conter ações abusivas das polícias Civil e
Militar, para que respeitassem os direitos dos moradores das regiões pobres da mesma forma que devem
respeitar os que moramhas regiões nobres da cidade.
Tanto lutou pelos humildes que foi acusado, até a sua
morte, de ser amigo de bandidos. As elites brasileiras
. nunca aceitaram a idéia de um governo construir escolas de qualidade e bonitas para crianças pobres,
nunca aceitaram o governo atuou a favor das comunidades pobres. As elites, à frente a Rede Globo, sempre tentaram convencê-lo a não construir escolas e
ele nunca se dobrou para esses inimigos do povo. Tentaram inclusive responsabilizá-lo pelo aumento da
criminalidade no Rio, quando as próprias estatísticas
confiáveis provam o contrário. Mal sabem essas pessoas que a verdadeira causa da violência urbana nos
dias de hoje é a pobreza e a miséria em que afundaram o nosso povão. Esse triste episódio do falecimento .de Leonel Brizola serviu para que muita gente
acordasse para a importância de salvarmos as nossas
crianças, de recuperitrmos a dignidade das nossas famílias através das ações. do Estado, em especial na .
área da educação, e ajudarmos na organização da sodedade civil. A maior homenagem que podemos prestar ao meu avô é continuarmos lutando e honrando a
sua memória e história. Defender o seu legado e as
suas obras é o principal caminho em defesa do povo
brasileiro. Eu não poderia deixar de agradecer, através deste artigo, a todos que de· uma forma ou. de
outra prestaram homenagem ao meu avô.
Brizola Neto. 25. estudante de Direito. é neto do exgovernador Leonel Brizola. vice-presidente nacional da
Juventude do PDT e candidato a vereador no município do
' Rio de Janeiro.
PUBLICADO
Jer .. 1 do.. ~onQ.i -ºfi
N.• t.;2 4G DatalJ:./.siii.J
Attlnat1ra
Câmara suspende votações
e faz homenagem a Brizola
O presidente nacional
do PDT e líder trabalhista brasileiro, Leonel Brizola, não resistiu a uma
parada cardíaca e morreu ontem às 21h29, aos
82 anos de idade. Ex-governador do Rio de Janeiro e do Rio Grande do
Sul, deputado federal
eleito em 1962 e cassado
pelo regime militar em
1964, Brizola foi um dos
personagens mais importantes do cenário político brasileiro dos últimos
50 anos. No Parlamento,
Brizola se tornou o líder
das esquerdas e o principal coordenador do grupo de pressão sobre o governo de João Goulart na
consecução das reformas de
base, principalmente a reforma agrária, que a seu ver
devia ser feita "na lei ou na
FLÁVIO PAHECO
marra". O presidente da
Câmara, deputado João
Paulo Cunha, tão logo soube da morte do presidente
do PDT suspendeu as votações marcadas para hoje
e transformou a sessão
em homenagem ao exgovernador. João Paulo
afirmou que Leonel Brizola era uma ligação entre o passado e o futuro
e que a morte dele representa uma perda política para aqueles que querem construir um país
melhor.
O corpo do ex-governador está sendo velado
no Palácio Guanabara,
sede do governo fluminense. Amanhã seguirá
para Porto Alegre (RS)
e será velado no Palácio
Piratini. Brizola será sepultado na quinta-feira,
em São Borja, Rio Grande
do Sul, seu estado natal. O
presidente da República,
Luiz Inácio Lula da Silva,
anunciou luto oficial por
três dias.
'.
Leonel Brizola, . A . •
coragem e. coerencia · L~O DE ALMEIDA N~ES
Leonel Brizola, o menino engraxate que ~e formou engenheiro civil, jamais será esquecido por ter pautado sua existência pela coragem cívica, coerência na luta pelos ideais
nacionalistas, obsessão pelas soluçoes ~o campo da educação e pelo seu total devotamento à política e aos interesses do povo brasileiro.
Prefeito eleito de Porto Alegre aos 33 anos e governador gaúcho aos 36 anos, coube-lhe protagonizar;o · episódio épico, único da história brasileira, em que uma liderança civil derrotou ministros militares golpistas, em agosto/setembro de 1961, após a renúncia.do
presidente Jânio Quadros. Os ministros Grum Mos$
(Marinha), Silvio Heck (Aeronáutica) e Odylo Denys
(Exército) estavam vetando a posse do vice-presidente João Goulart, que estava na China comunista de
Mao-Tse-tung, e proibiram seu. retomo ao Brasil, sob
pena de prisão.
Brizola montou seu quartel-general no Palácio
Píratíni, instalou a Cadeia da Legalidade (rádios do
Rio Grande do Sul e progressivamente de todo o país), convocou o povo a agrupar-se e deu o brado de guer- ra em favor da Carta Magna e da sucessão pelo vicepresidente. Com destemor, arriscou a carreira política e a própria vida, mas venceu com a adesão à tese
democrática do General Machado Lopes, comandante
do.3.0 Exército. . Nacionalista, conseguiu que a Petrobrás construíS' se a refinaria Alberto Pasqualini, próxima a Porto
Alegre, porém seu gesto de maior repercussão foi a encampação das subsidiárias das companhias norteamerieanas. de telefonia (ITT) e cie energia elétrica.
(Amforp), com pagamento pelo valor histórico do
investimento, resultando em.conflito com o governo
estadunidense que se prolongou pelo governo João
Go1.llart e só teve epílogo no regime milita.r.
Na chefia do Executivo gaúcho, Leonel Brizola
doou terras herdadas de seu 50gro, Vicente Go1.llart,
para projeto de reforma agrária, executando algun$
programas bem-sucedidos, com criteriosa seleção dos.
agricultores sem-terra, que receberam assistência técnica e sementes selecionadas, assistidos por patrulhas
moto-mecanizadas para preparo do solo e colheita,
contando ainda com financiamento de custeio da
então Carteira de Crédito Agrícola e Industrial (Creai)
do Banco do Brasil.
A grande marca administrativa de Leonel Brizola
foi na educação, quando cobriu o déficit de todas as regiões gaúchas, edificando 6.302 escolas e aprimorando a fortnação do professorado.
Consagrando-se em 1962 deputado federal (PTB)
mais votado do Brasil pelo Rio de Janeiro, empenhou
todas suas energias na aprovação das reformas de
base propostas pefo> presidente João Go1.llart. O golpe
de 1. 0 de abril de 1964, obrigou-o ao exílio no Uruguai,
de onde tentou infrutiferamente organiia.r movimentos para· derrubar a ditadura. Os militares brasileiros
exigiram que o governo uruguaio o confinasse e,
depois, que fosse expulso do pais. Ele partiu para os
Estados Unidos, contatando dirigentes do Partido
Democrata pregando o fim do discricionarismo no Brasil, seguiu para a Europa fixando residência e se
articulando com os principais líderes socialistas e da
social democracia, sendo escolhido vice-presidente da
Internacional Socialista, função que exercéu até sua morte.
Refundou o Partido Trabalhista Brasileiro no Encontro de Lisboa, em setembro de 1979, que reuniu
exilados e trabalhistas daqui. Voltou do eXílio, organi- zou o PTB em todos os estados, todavia perdeu a sigla
para a ex-deputada federal !vete Vargas, em manobra
urdida pelo general Golbery do Couto e Silva, o mago
da ditadura. Revelando tenacidade, força e voz de
comando, organizou o PDT em 1980 e se elegeu governador do Rio de Janeiro por duas vezes, ein 1982 e 1990.
Sua principal obta foi a construção de 500 Centros
Integrados de Educação Pública (Cieps), projeto do
arquiteto Oscar Niemeyer, execução do engenheiro
José Carlos Sussekind e concepção educacional do
antropólogo Darcy Ribeiro, fundador da Untversidade
de Brasília.
Escola de temp() integral, proporciona aos alunos
excepcional qualidade de ensino, apoio ao esporte e atividades recreativas e culturais, além de fornecerlhes o café da ml;Ulhã, almoço é lanche à tarde. Seu
sonho ao candidatar-se a Presidência da República era . espalhar os Cieps por todo o Brasil, não deixando
meninos na rua e crianças sem escola.
Outra obra marcante de Brizola foi o Sambódromo no Rio de Janeiró, novamente projeto de Niemeyer e engenharia de José Carlos $ussekind. todo ano se repete a mais esfuziante festa popular do mundo, ajuntamento de pobres e ricos e inigualável atração turística. A construção da Via Vermelha, ligando o Aeroporto Internacional do Galeão ao centro do Rio de
Janeiro é outra realização de reiµce do governo pedetista.
Mais que tudo, o líder e estadista Leonel de Moura · Brizola, exclusivo personagem que governou pelo voto
dois importantes estados da Federação, sempre será
lembrado pela sua coerência, probidade e defesa infa. . tigável dos princípios nacionalistas e do trabalhismo
de Vargas, Golllart e Pasqualini, que objetiva alcançar o fim da miséria e das desigualdades sociais e a transformação do Brasil em potência mundial.
.., LÉO DE ALMEIDA N~ t U:-D&PUTADO nDEllAL EU:•
DIRBTOR DO Buco DO BRAslL. Au'l'oR DOS LIVROS
~DEsn:lro DO ~ Pcr.ràcJA MUBDJAL", E.Dm>u.
GRAAL, RJ, 1995, !- "Vl'Vbcu. DE FATOS 11Jsr6mcos",
/ ................. SI! .....
DIARIO DO POVO
ANO XIX EDIÇÃO 3311 PATO BRANCO, QUINTA-FEIRA, 1° DE JULHO DE 2004
Brizola, o homem que fez e ~arcou a história brasileira · 1
Sem Brizola, o Brasil não seria o mesmo. Tive a felicidade de
acompanhar a luminosa trajetória desse destemido político nas suas
lutas em favor dos operários, dos pobres e das causas sociais.
Em agosto de 1961, quando Jânio Quadros renunciou o governo, o Brasil murchou: ele era o homem cujo símbolo era uma vas-
, soura e que veio para varrer a corrupção, como fizera na prefeitura,
e no governo de São Paulo.
Ele era a esperança de um novo Brasil sem corrupção em busca
de paz e da justiça social. Acabou "morrendo na praia" com esse
gesto, talvez impensado. Deixou de "passar a limpo" o Brasil depois de receber uma consagradora votação.
, .·· •. .ij~c,erta oportunidade, pelo ano de 1980, tive a grata satisfaçãQ,potocasião de uma visita ao Colégio Paranaense de Curitiba,
'pé '~fazer sala" ao Ilustre visitante Jânio Quadros e sua esposa, sra.
Eloá~ Nesse colégio, Jânio fez seus estudos de ginásio e científico
como interno. Viera matar saudades do velho educandário. Fiz-lhe a
seguinte pergunte: "Quando de sua renúncia, Vossa Excelência, não
teve a intenção de ir para o Rio Grande do Sul e voltar nos braços do
povo, como fez Getúlio Vargas para voltar e transformar o Brasil?"
Repentinamente, voltou-se para mim com ares de grande surpresa (eu era um simples professor de História e Geografia nesse
famoso colégio, onde haviam estudado, além do ex-presidente, Ney
Braga, Paulo Pimentel e outros ilustres homens públicos). Não
saberia objetivar o pensamento do ex-presidente com essa reação.·
Mas, se a idéia de Jânio fora essa, tudo acabou quando seu ·
"jatinho presidencial" foi detido pelo Exército em Cumbica, roteiro de viagem para o Sul. Ali deve ter acabado seu sonho de fazer
ampla reforma política, passar a limpo este país e acabar com a
máquina emperrada do conservadorismo e corrupção que grassava
em todo Brasil.
Quem deveria assumir o governo brasileiro, pela Constituição,
deveria.ser João Goulart, popularmente conhecido como Jango,
então vice-presidente da República, na época em viagem pela China,
lá onde o presidente Lula também foi ver os "negócios da China''.
Jango era fazendeiro e filho "adotivo" de Getúlio Vargas. Aparentemente, era um homem calmo e bonachão.
A classe dominante ~a época o associara às lutas de classes
aos proletários, "ligas camponesas" e como "líder comunista",
devido seu populismo. ·
O arauto do anticomunismo fora Carlos Lacerda, que propagou essa visão esquerdista em relação ao vice-presidente e
seus amigos.
Era cunhado de Leonel de Moura Brizola, pois este se casara
com dona Neuza, irmã do vice-presidente. A renúncia ecoou pelo
Brasil afora, como um estopim de pólvora. O medo do comunismo
e mais o sucesso de Fidel Castro em Cuba, associado ao mito de
Che Guevara, alvoroçaram o Brasil em todos os quadrantes: as
classes conservadoras e retrógradas, o Exército Brasileiro, cuja orientação era pró-norte-americana, o movimento das mulheres e da
igreja conservadora levantaram-se numa só voz para impedir a tomada de posse do vice-presidente do Brasil, que então se encontrava num grande país comunista .
. Leonel Brizola encarnou o nacionalismo e a legalidade, exigindo a tomada de posse de João Goulart, conforme a Constituição.
Brizola era governador do Rio Grande do Sul, onde obtivera expressiva votação.
Sem Exército, sem armamento, usando apenas o microfone das
rádios Farroupilha e Guaíba, qual gigante impávido, iniciou a "Campanha da Legalidade" pela posse de J ango como sucessor de Jânio
Quadros.
Dos porões do Palácio do Piratini, sede do governo dos gaúchos, sacudiu o Brasil inteiro e pôs de pé a nação brasileira em favor
do vice-presidente como o legal substituto do renunciante.
Brizola dormia junto ao microfone quando vencido pelo sono,
sem deixar um segundo as emissoras fora do ar, graças aos seus
correligionários. ·
Conseguiu a adesão de toda a gloriosa Brigada Militar do Rio
Grande do Sul, e após a adesão do.Terceiro Exército Brasileiro, com
sede em Porto Alegre, erttão sob o comandó do general Machado
Lopes.
Aos· poucos o Brasil inteiro foi se convertendo para a idéia da
legalidade: Mi,nas Gerais, Pernambuco e outros Estados. Enquanto
isso, as forças conservadoras que se opunham à posse de Jango
fortaleciam suas bases. com novas adesões. O Brasil· estava em
estado de guerra iminente. O nervosismo perpassava toda a alma
brasileira durante toda a etapa da campanha.
O Palácio do Piratini foi cercado pelo Terceiro Exército e a
Brigada Militar para garantia da "Campanha da Legalidade". Enquanto isso, de Florianópolis, a Força da Aeronáutica ameaçava a
todo momento bombardear o Palácio do Governo para silenciar a
voz de Brizola, que estava ameaçando incendiar o Brasil inteiro.
As ameaças vinham de Brasília e de todos os pontos opostos à
tomada de posse do vice-presidente. ,
Nessa oportunidade, eu estudava em Porto Alegre. Nessas semanas, tivemos a oportunidade de vivenciar um estado de guerra.
Não podíamos transitar pelo centro de Porto Alegre, pois estava
prestes a ser bombardeada. '
Da capital gaúcha partiram os tanques, os trens, abarrotados de
armas, militares e caminhões recrutados para o movimento de guetra que estava a.caminho de Brasília. Ouvia-se pelas calçadas da
capital o choro das famílias cujos filhos estavam partindo para guetra,, e enquanto isso as rádios tocavam marchas de guerra e hinos
conclamando o povo para a defesa da legalidade.
Porto Alegre era uma praça de guerra. Ali passando, nossos
cabelos arrepiavam-se, com a perspectiva de uma guerra e tendo em
vista que as n<;>ssas famílias residiam no interior do E~tado, também
passando por temores semelhantes.
Você sabe como tudo acabou? (segue)
Genírio Fávéro.
Professor. filósofo, teó/oao e advogado.
DIARIO DO POVO
ANO XIX EDIÇÃ03315 PATO BRANCO, QUARTA-FEIRA, 7 DE JULHO DE 2004
Brizola, o homem. que fez e ma~co.u a história brasileira - li
·Por ter sido político e concorrido com o dr. Pedro Ribas
Mendes à Prefeitura de Palmas, PR, como ano~ei no artigo
anterior, fui designado pela direção dó CÔlégio :f>aranaense
para acompanhar o sr. Jânio Quadros em sua visita a esse
educandário, onde o ex-presidente estudara.
Talvez seja um dos poucos felizardos contemplado com
uma saudação de próprio punho do presidente Jânio Quadros, consoante.lemos no quadro abaixo: "ao prof. Fávero,
com amizade de!. Quadros - 23 - VI-' 80."
f>... . Assim como tive oportu- ·
.. :/ nidade de acompanhar a trajetória de Jânio Quadros,
acompanhei, também, a vida
e obras de Leonel Brizola.
Com ª·proibição feita
pelas Forças Armadas, em
conluio com as elites de então, vetando a tomada de pos~
se João Goulart, a que tinha . t
direito, com ·a renúncia de
Jânio, por ser vice-presidente do Bra1>il, a nação brasileira entrou em pé de guerra.
Brizola, com seu microfone em mãos qual rastilho de pólvora, incendiou o Brasil todo com a Campanha da Legalidade. ·. .
Brizola era governador do Rio Grande do Sul. O povo
gaúcho, a Brigada Militar e o Terceiro Exército, que compreende também o Paraná e Santa Catarina, na.época representando 50% das Forças Armadas do Brasil, ergueram-se
altivos em defesa.da legalidade:. JoãoGoulart deveria, conforme a Constituição, assumir a Presidência do Brasil, por
direito e por eleição.
A trama do Exército e demais forças conservadoras não
poderia prevalecer sobre o que consta na Constituição Brasileira: o candidato natural, com a renúncia de Jânio, deveria ser João Goulart. Infelizmente, por tradição nunca dele- ·
gada, as Forças Armadas arrogaram a si o direito do antigo
poder moderador do Império, de serem os árbitros da política brasileira.
O povo brasileiro, por tradição, também acostumara-se
Genírio João Fávero
Professor na Faculdade Mater Dei e Cefet.
Filósofo. teóloao e advogado.
Assinatura
Um líder chamado Leonel
CLOTILDE DE LOURDES BRANCO GERMINIANI . .
Quem olhar o mapa do Rio.Grande do-Sul ou buscar informações sobre São Borja e
Carazinh() terá dificuldades para entender que· misteriosos fluidos deram origem, em·
lugares tão pequenos e aparentemente inexpressivos, a três grandes líderes políticos
brasileiros do século 20.
Dr. Getiílio Vargas e Dr. João Goulart eram nascidos
em São Borja e Dr. Leonel Brizola nasceu em Carazinho,
mas muito cedo estabeleceu ligações com São Borja.
Certamente, o passado heróico dos gaúchos e todas as
suas tradições libertárias influíram na formação desses
três políticos e na sua inconteste projeção no cenário . politico nacional. . · ._ · ·
O . falecil:nento do Dr. Leonel Brizola mostra . a
extraordinária importância desse homem. Até meSD;lO
seus adversários politicos foram aos jornais e Tevês elogiar sua atuação; Os pontos altos rui sua perS<>naJidade,
norteando. toda sua carreira de homem público, foram
seu amor à liberdade, seu comportamento ético e a seiliedade de seus propc)sitos. · . .
· Ao voltar de 15 anos de exílio disse, em um pron~
ciamento histórico, retomar à sua tem "gomo cora.Ção . cheio de saudadeS1 mas limpo de ódios." E preciso m'llita grandeza de alma. paradiieruma frase deSsas e para
retoman vida sem ressentimentos. Foi esta disposição
que lhe deu condições de reiniciar sua carreira política
e atingir postos da maior relevância. No plano pesscl!ll,
esta, capacidade de esquecer as mágoas deve ter sido
responsável, em grande parte, por sua longevidade e
uma longevidade com extraordinária lucidez-privilégio
de Jl()UCOS. Se ficasse mastigando tristeza.Se arquitetán,
do vinganças teria se. consumido, deixado de atuar e se
tomado um homem amargurado e improdutivo.
Por uma incável coincidêncià, cerca de seis anos
atrás, tive oportunidade de conversar com Dr. Leonel
Brizola. Voltava eu de uma reunião no Uruguai e o a.Caso nos reuniu, em um vôo da Varig, no trecho
Montevidéu-Porto Alegre. O avião tinha duas carreiras
de três poltronas e não estava lotado. Meu lugar era na
janela da terceira ou quarta fileira e o Dr. Brizola estava na mesma fileira, do lado oposto, também na janela; · as demais poltronas vizinhas a ele e a mim estavam .· desocupadas. Logo que o aviãolevantou vôo e se estal>filzóu, começou uma romaria com vários_passageirOs,
em momentos alternados, vindo cumprimentar noSso · ilustre politico. Ele dava atenção a todos, ouvindo; emitindo opiniões ou trocando impressões. Em todos os
momentos seu sorriso e seu olhar direto traduziam o
bom humor de um homem em Pa.zconsigo mesmo e coni
o mundo. Acabei largando a revista de bordo que folh~- . va e entrei na conversa. Cessada a peregrinação <!,os
demais passageiros mantivemos o diálogo. Deixanios
nossas poltronas nas janelas e mudamos para jUnto do
corredor. Um amigo e. colega de meu pai, também meu
amigo querido, professor na Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, havià me contado que fora professor de
Leonel Brizola quando este foi aluno (brilhante) de UlJla
Escola Rural em Vuunão (RS). Foi um ponto de partil:la
para. uma longa troca de idéias pois ambos tínhariios
uma admiração incóndicional pelo professor., . · . Os elementos quç me pareceram marcantes ne5se
,encontro ocasional com Dr. Brizo1a foram suafisionomià
inteligente, os olhos vivos encarando de frente o interlo- · cutor e sua capacidade de falar com clareza, exprinlindo
suas opiniões com simplicidade. Falava com o belo sotaque do Rio Grande, com a pronúncià muito especial e
musical da letra L. Sua argumeµtação era muito lógica
e as idéias desfilaYéllll com uma nitidez impressionante.
Fícou fácil entender de onde vinha seu carisma e por que
recebeu, em difei:entes ocasiões, uma votação~
Dr. Leonel Brizola deixou um exemplo para tQdos os
brasileiros: foi um homem fiel às suas idéias e ~u
propagá-las por onde passou. .· ·
Leonel Brizolacresceu no seio de umaJa.mílm pobre,
tendo ficàdo órfão de pai muito novo, Foi alfabetiza:do . pela: mãe. A seguir foi alun() da escola agricoJa; Em Uni
·momento seguinté foi para Porto Alegre tendo trabalbâdo até como engraxate, mas soube perseguir seus obje-.
tivos e fez o.curso de Engenharia na Universidade do Rio
Grande do Sul. Na Faculdade começou a se interessar
pela política e aí encontrou a paixão que o impulsionou
por toda a vida. '
Como prefeito ·de Porto Alegre, como governador do
Rio Grande do Sul e do Rio deJaneiro sempre col1struiu
escolas, talvez lembrando suas próprias-dificuldades
·para estudar. Foi um idealista e parecia um perso~
saído das páginas de Érico Veríssimo: um gaúcho lftm5ico disposto e defender seus propc)sitos, Teve a felicidade
de chegar aos 82 anos acreditando nos seus sonhos e brigando por eles-isto explica seu carisma em um mundo
dominado pelo imediàtismo e com falta de sonhadores.
O povo desfilando diante de seu esquife ou acompanhando o cortejo fúnebre mostrou que as sementes plantadas pelo Dr.- Brizola devem ter germinado. Não teve
medo do tempo: dois diàs antes de morrer estava reunido com alguns çorreligionários traçando planos para o
futuro.
· As paradas do cortejo em um Ciep e no Sambódro";
mo, duas de suas obras para o povo d.Q Rio deJaneiro, · ·
foram momentos de emoção. Na chegada a Porto
Alegre, "O laçador", estátua símbolo do Rio Grande, ti-
. nha nas niãos a bandeira do PDT e no peito uma faixa
de luto. Poucos homens em nossa Histórià terão sido .
h~os<ie fürmatãó sigtíificativa. . . · Seu corpo descansa elll paz. no ~mitério de São
J3<jrjâ, mas sua ilnagem vai 8obreviver e sua vida será · · ·
lembrada com respeito quando se-falar na HiStória.
Política do Brasil no século 20.
·. _ ,.. Çi.oTD.DB DE Lo1JllDl!S BJlAm:o GBPmwa,
É l'llOtEssoU ntoL4Jl (~) DA tJFPR, llBllBllO DO
CEBmo DE LETRAs DO PAllAifA;. DA ACADàiaA P.Au.AD!la DE MEDlc:mAVE'l'Elll1'ÁllJA,.DO bsmoTo ~ lt
GllOGRÁFICO DO ·PARARÁ E DA ACADEMIA Bvasrr !!l!t• D11
MimJClllA VET&RlllAJuA.
·PINGNFQ'GQ:i
Recriação da
Sudene
Átila Lins (PPS-AM) apelou ao
presidente João Paulo Cunha
para que coloque em votação,
até o dia 8 de julho, quando
deverá iniciar o recesso
~arlamentar, a proposta de
recriação da Sudene, já
aprovada em comissão
especial. Segundo o deputado,
se a matéria não for votada
antes do recesso, dificilmente a
recriação da instituição
acontecerá antes do final do
ano, por causa da àusência
dos parlamentares envolvidos
com as eleições municipais.
Acidente na
Johnson & Johnson
Babá (PA) denunciou o
acidente ocorrido na fábrica
Johnson & Johnson, em São
José dos Campos (SP), em
que três pessoas foram
queimadas e uma trabalhadora
da limpeza morreu em
conseqüência do contato que
teve com fluídos qulmicos
liberados pela empresa. Babá
afirmou ainda que a empresa
está fazendo uso da Polícia
Militar para ameaçar os
trabalhadores e dirigentes
sindicais do Sindicato dos
Qulmicos do Vale do Paralba,
que protestam contra as
condições de trabalho. Babá
solicitou audiência com os
ministros do Trabalho, da
Saúde e da Justiça para cobrar
providências com relação aos
"h11sos oue estão sendo
Brasília, 25 de junho de 2004
o
~ ·<(
z
w
-' e...
Devemos aproveitar as oportunidades do
comércio exterior, negociar o acesso aos mercados dos
países desenvolvidos e conquistar novos mercados
Claúdio Magrão avalia alteração
no processo produtivo
Ao fazer comentá rios sobre a
11 ª Reunião Quadrianual da
Conferência das Nações Unidas
para o Comércio ,e o Desenvolvimento (Unctad), rea1izada. em
São Paulo, o deputado Cláudio
Magrão (PPS-SP) afirmou que o
momento atual é marcado por
mudanças no sistema produtivo
que provocam transformações
econômicas profundas e significativas. Para ele, é necessário um
debate aberto e solidário entre os
governos dos países membros e a
sociedad~ civi] ~rganiwda para a
elaboração de princípios que deverão nortear as estratégias das
Nações Unida; e dos países membros para os próximos quatro
anos. ''/\s Nações Unidas e suas
agências, como a Unctad, consideram a intervenção pública, nos
países em desenvolvimento, necessária aos debat,es sobre questões de crescimento e desenvolvimento econômico", disse.
O parlamentar paulista chamou a atenção para a precarização do mundo do trabalho que,
em sua análise,·tem contribuído
-
para o crescimentb da instabilidade dos trabalhadores. Segundo
Cláudio Magrão, aqueles que estão no mercado de trabalho, com
medo de perderem seus empregos,
abrem mão de um convívio familiar para se qualificarem cada vez
mais. Já a falta de experiência e a
baixa escolaridade acabam prejudicando a entrada dos jovens no
mercado de trabalho, o que aumenta o desemprego e o desalento.
''A nova lógica das cadeias
produtivas introduzidas com a
internacionalização der proces-
. so.produtivd resultou", nessas
:'duas últimas décadas, nestas
értqrrries mudanças no mercado
de trabalho mundial, em espe-
·•SiáJnq~ países_periféricos, ace-
. •·. lêrándo a defasagem teé!Íológiea
com rapidez alucinante que encurta a vida -útil dos equipamentos e das pessoas", frisouo deputado por São Paulo.:Í\Ja suaqpinião,
apenas uma forte ação governamental que vise à recuperação da
taxa de investimento em setores de
infu.-estrutura pode reverter essa situação, "Devemos aproveitar as
qportunidades do comércio exterior, negociar o acesso aos mercados
dos países desenvolvidos e conquistar novos mercados. Mas, sobretudo, precisamos ampliar o mercado
consumidor interno, permitindo
que os nossos trabalhadores tenham emprego", enfatizou.
Brasília, 25 de junho de 2004
Percebi a forma convicta com que lutava por suas idéias, e
aquilo ficou gravado em minha memória, porque homens
como ele dão à vida pública outro significado Julio Lopes
Parlamentares prestam últimas
homenagens a Leonel Brizola
O corpo do ex-governador
do Rio de Janeiro e do Rio
Grande do Sul, Leonel Brizola,
foi sepultado ontem no cemitério Jardim da Paz, em São Borja, a 600 quilômetros da capital gaúcha, onde também estão
enterrados sua esposa, Neuza
Goulart Brizola, e os ex-presidentes João Goulart e Getúlio
Vargas. Antes do enterro, Brizola foi velado no Palácio do
Piratini, em Porto Alegre, e
transladado em avião do governo do estado para São Borja. O
presidente da Câmara, João
Paulo Cunha, participou das
últimas homenagens a Brizola
no Rio Grande do Sul.
Na Câmara dos Deputados,
diversos parlamentares também
destacaram a vida e as ações do
ex-governador. O deputado J ulio
Lopes (PP-RJ) registrou seu agradecimento a Leonel Brizola pelo
significado que teve em sua carreira política. O parlamentar disse que, mesmo nunca tendo votado ou concordado com Brizola, ficou impressionado ao conhecê-lo, durante a campanha para
governador em 1982. "Percebi a
forma convicta com que lutava
por suas idéias, e aquilo ficou gravado em minha memória, porque homens como ele dão à vida
pública outro sienificado", relatou.
O deputado Costa Ferreira
(PSC-MA) afirmou que, apesar
da dor pela perda de um líder
que conscientizou o País de que
é necessário lutar para conquistar a soberania, esse luto não
VICTOR SOARES-ABR
durará para sempre. "A luta de
Brizola servirá de exemplo de
como construir uma pátria respeitada", disse. Para o deputado Zé. Lima (PP-PA), o País perdeu seu legítimo líder trabalhista. "Muitos podem até se intitular líderes trabalhistas, mas nem
o presidente Lula, que carregou
essa bandeira a vida inteira, demonstrou isso claramente na
prática depois de chegar à Presidência da República", afirmou.
•·
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A Disfunção Erétil (DE} pode afetar homens
de todas as idades, ainda que a tendência
mais comum seja atingir homens coin mais de
40 anos. É correto que, até 52% dos homens
entre 40 e 70 anos experimentam certo grau
de (DE) e em torno de 20% destes homens
não podem ao menos ter uma ereção.
A Ejaculação Precoce (EP} é definida pelo
Manual de Estatística e Diagnóstico da
Associação Médica Ameíicana (D.S.M.)
como a "ejaculação persistente com minima
estimulação sexual que ocorre, durante ou
imediatamente após a penetração, e antes
que a pessoa deseje".
A/;)isfunção Erétil e a Ejaculação Precoce
podem ser tratadas?
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ME D l C A l 'GROU p'
Leonel Brizola
O Diretório Regional do PDT no Rio
Grande do Sul.-deputados estaduais e
federais, prefeitos e vereadores, surpreendidos com a matéria publicada
pela revista VEJA. edição 1 860, de 30
de junho de. 2004, sob o título "As mortes de Brizola", páginas 52, 53 e 54, de
autoria de Mario Sabino, lamentam
com pesar o desrespeito com aquele
que foi considerado pela maioria da
imprensa brasileira "o maior líder republicano do século XX". Através de
um relato preconceituoso e desrespeitoso com a história brasileira, episódios i.:ontemporfmeos liderados pelo
ex-governador Leonel Brizola foram
contados como se fizessem· parte de
uma anedota, e não das páginas de nossa história. Que VEJA o considerasse
morto é um fato que não nos causa estranheza; que o escrevenle despreze o
povo brasileiro e sua reverência aos líderes que souberam honrar sua confiança e a ele dedicaram sua vida, tamum dos últimos símbolos do nacionalismo latino-americano.
!Ylmheus Schmidr
Presidente regional do PDT
Giovwzi Cherini
Deputado e líder da bancuda do PDT
Nereu D'Avilu
Vereador e presidente do Diretório
Metropolitano do PDT
Porto Alegre. RS
Seguramente não encontrarão paralelo.
na imprensa séria, imJeperidente e responsável deste país. as três páginas
com que VEJA registrou. cm sua edição de 30 de junho, o dt:sapari:cimemo
dessa extraordinária personalidade da
política brasileira que foi Leonel Brizola. Ofensiva, a infoliz reportagem ..!
um compêndio de inverdades explícitas, ao associar o grande estadista à ascensão do tráfico de drmrns; um ma- nual de incompreensão histórica, ao
descrever uma prestigiosa figura internacional do trabalhismo como um morbém não estranhamos. Ainda
consternados com
a perda do nosso
líder político, esperamos que a revista conteste as
publicações esIrangeiras que reconheceram a importância de Leonel Brizola para a
história do Brasil:
segundo o americano New York Times, foi "uma das
figuras mais imp~names da política brasileira";
"o veemente líder
esquerdista". confo1me o \Vi:1slzi11gron Post; "uma
Correspondência da semana
to politkmuenle;
um breviário de
agravos, ao defini-lo como "um
anacronismo que
esperneava" . . ··~~~Q1~;1{· .':·'.,; .. ,J;>r.: :r>::)is01 · Vieira du C1111/w
(PD1:RS)
Depurado e
presidente da
•Cartas 205
.J'f~i(
Total 1744 Assembkia
Legislativa do
Est:i<lo do Rio
Grande do Sul
Assuntos mais comentados
, •üC>n~l B~izola(· Memória\>> : 74 .· "-"'"·:.e.: .. ;_'.·~...:. ;i._·_.'.·-~'--· : . .'._,,._:: :.-. -•. .,_,_,_. ___ .,,.~..;.._._ -~--·~,__:,.,,_~:,, __ , --·-: Pono Alegre. RS
t Talento (capa) 45
Algum dia, alguém ainda vui
~screver um livro
sobre os homens
que mais fizeram
mal ao Brasil. e
;.f~i~ l.~ff{~()riiê!'.~e ~jst~).;>: \ l~t:
• DiogoMainardi 31
)'))~~n.~JtrínaKCA'l'l~r~léls) ,. l4)ii
das mais carismáticas e polêmicas figuras políticas de esquerda dos últimos
cinqlienia anos", de acon.lo com o jornal inglês The Cuardian; desraquc para
a construção do Sambódromo em seu
primeiro mandato como governador do
Rio de Janeiro, lembrou o Independent: também os jornais franceses Le
Monde e Libération reconheceram sua
liderança: "No fim da vida, Leonel Brizola denunciou a traição de seu amigo
aliado, o presidente Lula. ao se submeter aos ditames do FMI", escreveu o Libération. Para o E! País espanhol, Brizola foi o "velho leão da esquerda radical brnsileira, um radical apaixonado,
polêmico e inconformista, sempre ao
lado dos trabalhadores". O jornal argentino El C/arí11 disse que Brizola era
lá certamente cs·
tará o engenheiro Leonel Brizo!a. Polí-
'tico atra~ado, egocêntrico, xenófobo,
personalista e populista, ele repeliu
durante anos várias mcn1iras e criou
outras. Martelou na menrc de uma população que não gosta de (ou não sabe)
ler vários conceitos errados em economia, tornou o Brasil pior ao investimenlo quando encampou a ITT, jogou
seu fraco cunhado João Goulan para
um radicalismo que acabou por tornar
o golpe milítar inevitável, fez dos morros do Rio um lugar seguro p<1rn os lraficantes, aliou-se ora com um ora com
outro, ao sabor de seus interesses. Enfim, era um bufão, mentiroso. péssimo
administrador e com a ar!e <le encantar
os inocentes e incautos. Passa da vida
para a história e livra o Brasil de sc>us
j )YWIN.f:>()stonmedi~a!group.com ·
J; .. ;=..·,:,,,·,,c:~;:o.;.;,,;,:;,;;;,:::,;,·,.;;··,L;·,;.C;.;,.,,;.;,;;.,;;.,;.,~~-"""';""''"'''3f<'™'": .. ;.,::~~:.:::1~,~~~''t':::i3íi'W'·o;;iiil'Ol\ii\.C:.>'1;1li(w;,~(;s~I;rl;lffi1''Wlillli"~"'1**'lll0'.f'.\;Tu',l:.;•:;;1;;;•,;ij'P+••i;;;··
r·~;-i;~;gÇ~c~.\ 1:-~:·~~~i
í 1
• ·~·:o/;;1~1.~ki! O'í 1:
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. ··:~w:n~~t~~r~;~o·Ãdeusr~"~Uf:i~biã~:; ·oradores e cronistas ·.::--_ -.::·::~"--:_;::-,,~'t··.:_::-:'\:.:';:\Jt:,Y ;-,~-:·:>·:-i:<:_ ~:.:~,_;,:_~:·~:._ . .._;",:,_;:: ... ~ , .. , -:.-:, .... ··- -. ,<: ... ~i~~-~·L: :_.-·:~~'~é~ :_,-,?,1;1;;.~- : '''<.,, .. , __ ;._~'.. .. ~·<~·<,.í;.1ij~,~p:i,~t·.-_;::~~ • / _ .
J9rge Bafoeir;,ócd~~acei,;da1 .. aufor do liYJ.'oi()sidez..Br~is, semp~e<lig~.~~-ll~S·•grandes acontecimentos do nosso País, esteve em São BorJa para ver de perto
: Q enterr() de Leónél'Brizol;a, O enterrofoi um'detalhéna vida cheià de•aconte'ci.nwnfüs, desafios e preg&ção de de brnsilid'ade do grande líder político, que
· · .Jorge c,onhtecemuit9,b,r!Il· Pel;a riqu~!i]d~:informações condensadas neste texto, pode-se ver que Jorge poderia, soi'nente com o que ele conhece de
... ·.·.. · .. ·' ·•· .. · ·· .. · .•.. ,, ,_:. Briiôfa,.escrevér'i.l:iáisumlivro. Vale.apena-ler e reler o que Baleeiro escreveu sobre Leo11al:Brizola.
',,:Naí)foua}i~t;eibíJ:i;3i;~<ii .ti .· · .. ·· · · r ' · · · ·· ·· · ,, · ;;
.de viagen~ de' es!uilo pór todd• ~·
o Bras.il,•1l'ltball;io .de obs\illl'M
çã<fe fervpr pajrl()t!Çci; âchek
que, devérla -ir'. 'ao' 'e:n.tei:ro: d~~~- -'.
Brizola, eiJ\ Sã() Borja, ·obje~
tivo que.alcancei com. a,.carona. que me proporçió119u o
casal. Nfiton P~zzini e .Lour•
des ... ·. ·.·. . , . · .... e, A míngua de credencial da
Assemblé.ia Legislativa, assisti ao sepultamento do lado de
fora do Cemitério Jardim da
Paz, em São Borja, a 10 metros do túmulo compartilhado
pelos Goulart-Brizola. Via
apenas parte do jazigo, mas
ouvia bem os discursos. A ri~
gor. nenhum grande orador
naquela tarde de 24 de junho,
quinta-feir~. sem chuva~ que
pela manhã ameaçava o cor·
rejo ao campo-santo.
Enquanto falavam, buscava
na memória o discurso de
Oswaldo Aranha à beira da
sepultura de Getúlio Vargas,
encimada pelo medalhão do
general Manoel do Nascimento Vargas, pai de Getúlio. Carecia o momento de figuras do talento oratório de
Aranha para esculpir no bronze dos grandes textos lançados à Rosa dos Ventos, ao Minuano; ao Pampeiro e ao Vento Norte para que as planuras do Rio Grande do Sul
pudessem perpetuar as derradeiras palavras a Brizola.
O momento propiciava que
se cinzelasse um paralelo biográfico de Getúlio Vargas,
Jango e Brizola, os três sepultados naquele campo santo,
relicário da Pátria. Três gaúchos. Dois deles fronteiriços:
Getúlio e Jango, tendo Bri·
zola, nascido a 300 km dali,
nos fundos de Carazinho, então pertencente a Passo Fundo, a comunidade de São
Bento, mais exatamente na
minúscula Cruzinha.
Esperei em vão que algum
orador evocasse a manhã trágica, em que o menino Itagiba testemunhou a mãe Oliva,
aos berros. gritar: ''Mata.ram
o Zé'', quando viu a montaria
em que saíra José Brizola no
dia anterior aproximar-se da
casa num passo quase lerdo, o
cabresto a triscar o chão, os
aperos frouxos e o câ\ialeiro
ausente. Não bebia e montava
bem. Seus gritos assust<l:ram o menino de dois anos que correu para agarrar-se na irmã
mais velha. "Não chorei'',
contou Brizola ao jornalista
Flávio Tavares, seu amigo de
décadas. Apavorou-se com os
gritos da 111ãe, já com 5 filhos,
a que se somariam mais 6 do
segundo marido, também viúvo.
Naquele momento supremo
de sua tragédia familiar, que
lhe marcaria indelevelmente o
destino, dando-lhe força ecoragem, obstinação e coerência, Brizola, por certo, recebeu os elementos para temperar o aço de seu caráter, as fer.
ramentas de sua pugna, hoje
postas na panóplia d'armas
que a nação lhe dedica. O menino ltagiba, que seria Leonel mais tarde, no registro oficial, recebeu duro golpe da
vida não entendido pela criança de dois anos, mas assiEnterro de Brizola, dia 24 de junho, em São Borja.
(Foto de Jorge Baleeiro de Lacerda). Jorge Baleeiro de Lacerda, ao visitar o túmulo de Brizola,
no dia seguinte ao sepultamento.
milado pelo instinto do
"guri" (como dizem os gaúchos), corajoso, que não
chorava exteriormente, mas
cujo coração começava a
inundar-se do sangue.amantíssimo da solidariedade aos
mais pobres, aos despossuídos, aos sem a luz do conhecimento e sem o pão e o leite necessários à existência
biológica.
~:;--~--i agora não dedicou um memorial. Aliás, Getúlio está na
sepultura da Família, em que
a figura de destaque é o general Manoel do Nascimen-
. to Vargas, seu pai. Alí tamGrande do Sul. Não entende
o Rio Grande do Sul quem
não conhece bem a vida na
Fronteira, daí a grande dificuldade de muitos na exege·
se da biografia de Getúlio
Vargas. Brizola vivenciou,
símile modo, esse universo.
Lembro-me da carta do
Prefeito de Carazinho, lá pelos idos de 33 ou 34, apresentando Brizola ao chefede-estação de Carazinho, no
afã, de obter-lhe passagem
de 2' até Porto Alegre. Evoco a conversa que entretive ;om Mozart Pereira Soares, amigo fraterno de Brizola, tão familiar a ele que
lembra-se da gravata que emprestou ao jovem estudante. A
primeira que usara. Vida afora,
mereceu a estima de Brizola.
Já aos 80 anos, foi nomeado
diretor da Bioblioteca Pública do Rio Grande do Sul (Porto Alegre) a pedido do velho
amigo. Derradeira homenagem
de Brizola a Mozart.
Brizola, em sua estância, em São Borja, agosto de 1';)62, aos 40 anos de ídade.
A coragem com que assumiu
os desafios da vida, o berço
pobre, a perda do pai, que
mudou o seu destino, o amor
ao Brasil, tudo isso daria elementos para uma oração fúnebre antológica, dessas que a
posteridade guardaria porque
nela perpetuar-se-iam momen-
\os singulares da nacionalidade como a resistência à Dita--
dura, a luta pela Legalidade,
em 1961, os muitos momentos em que Brizola veio à nação dizer verdades, aqui e aco- lá havidas" como arcaicas, mas
jamais rotuladas de insinceras.
Sua vocação algo caudilhesca, sim1 ninguém a nega.
Também se lhe acoimava de
certo apego ao poder. Paradoxal também é esse suposto caudilhismo porque priorizava a
Educação, quando esta liberta. Que tipo de caudilho é esse
que deseja educar, abrir os
olhos, instruir, aperfeiçoar,
ampliar a visão dos seus "asseclas"? Caudilho que potenclnHti\ A~\u llmcelroa pi\ri\ Cl\ ..
valgadas mais distantes que os
levam a outros paradeiros na ~·campereada" da existência,
na "recoluta" do destino?
Paradoxal Brizola, capaz de
ser ouvido horas a fio, pelo rádio, como em 1961, sein cansar o ouvinte, como lembrou
Moacyr Scilar, um dos grandes escritores deste país; convincente a ponto de prender a.
atenção de um Roberto Mangabeira Unger, professor em
Harvard, nome reconhecido
pela Academia no mundo inteiro. que disse em notável artigo à memória de Brizola:
"Agora estamos todos nós, os
inconformados, muito sós".
Unger falava da ''natureza
moral do indivíduo)>. BrizoJa clamava por um Brasil "sui
generis", um Brasil brasileiro.
Talvez lhe faltasse conhecer
melhor o Norte, mais profundamente o Nordeste, Talvez
precisasse de mais cultura,
mas sua intuição era caudalosa.
Enquanto acompanhava o
cortejo, em São Borja, pela rua
Engenheiro Manoel Luíz Fagundes, ao lado do dr. Viriato
S. Vargas (sobrinho-neto de
Getúlio Vargas) perqueria na
memória os feitos maiores e
menores dos que, no Cemitério Jardim da paz, a menos
de 50 metros de distância, lhe
fariam companhia: Getúlio
Vurgas, u quem a Nação até
bém jaz dona Candoca, mãe
amorosa, figura a quem Getúlio devotava imenso amor
filial. Com ele repousem Viriato Vargas, Serafim D.
Vargas e, perto, no jazigo
dos Goulart·Brizola, repousam João Goulart, simplório em estratégia política, a
ponto de até ao meio-dia do
dia 30 de março de 1964 ignorar o que se passava nos
"Quartéis de Minas'', como
lembrou, outro dia, Almino
Affonso. Jango ficou rico no
escambo de gado. "Já tinha
100 mil cabeças de boi quan,-
do entrei na política", disse
em carta a Serafim Dornelles
Vargas, que li e copiei do arquivo de Viriato S. Vargas. Se
tivesse seguido "boiadeiro",
"estancieiro" por certo seria
um dos homens mais ricos do
Brasil. AH também dorme o
sono eterno Vicentina Marques Goulart, matriarca fronteiriça, mulher típica do Rio
A suposta raiva dos militares a Brizola, logo, logo diluirse-á. A análise, o estudo farão
com que entendam que o nacionalismo desse grande político se encontra, num ponto
mais distante, com a disciplina, a coerência, a retidão que
deve acrisolar cada militar para
que alcance os fins colimados:
servir à Pátria.
BrizoJa. como um militar
sem farda, vestia-se com o
manto do patriotismo, usava
as dragonas de fiel escudeiro
dos bens pátrios quando
combatia a exploração do
Brasil. Seus inimigos ampliaram seu hipotético ódio aos
militares, quando seu anseio
se objetivava na libertação
do Brasil de seus seculares
opróbios.
Elio Gaspari, grande talento do jornalismo brasileiro,
afirmou em artigo recente sem
i ' !
' f
1.
1
i
li
" ,,
I'
!'
----------~---
Ele saiu da vida para
entrar na história
Brízola
confirma
a escrita:
brasileiro
odeia os
políticos 1nas
lhes reserva
funerais
L
. eonel Br. izola teve, nos funerais, o que lhe fallou em votos nas últimas vezes em que
disputou eleições. Na morte, reencontrou as multidões, os elogios e
as adesões que cada vez mais lhe
iam escasseando em vida. Tudo
lhe refluiu a favor. A personalidade autocemrada, que abria pouco
espaço para o diálogo, virou apenas um lado pitoresco, mais um,
do conviva encantador. O tédio
1nemoráveis pelo discurso repetitivo deu lugar
ao louvor da coerência. E o velho
chavão de que '·vai fazer falta" foi
aplicado mesmo por quem, até horas antes, o tinha por
político ultrapassado, atolado em alguma remota década
do século passado. Curioso é o povo brasileiro. Odeia políticos, como comprovam as pesquisas de opinião. E no
entanto devota a eles funerais memoráveis.
Lembremos de Tancredo Neves. Lembremos de Juscelino Kubítschek, acompanhado ao túmulo por coros de
Peixe Vivo, em plena vigência de uma ditadura que já o
sepultara em vida. Mesmo João GoLilart foi enterrado
com surpreendente acompanhamemo, apesar de os militares terem imposto ao cortejo um roteiro estrito. distance dos grandes centros. Isso sem esquecer Getúlio Vargas, trágico arquiteto da grandiosidade da própria morte.
para quem se armou um funeral como jamais se vira. Figuras de menor porte, como o ministro Sergio Motia e o
deputado Luís Eduardo Magalhães, para citar mortos dos
últimos anos, também mereceram enterros prestigiosos.
Nessa hora, o povo brasileiro não falta.
Ou l'alta'? Jânio Quadros não mereceu enterro de ficar
na lembrança. Dos generais-presidentes nem se fala. Eisnos diante da necessidade de uma correção. Não são todos os políticos que merecem funerais consagradores.
Há uma seleção. No enterro, o político se submete a um
último veredicto popular. Alguns são aprovados, outros
não. Claro que para tal julgamento sempre concorre, com
forte carga emocional. o inesperado da morte, a apanhar
a vítima em plena atividade. Foi o caso de Brizola. Contribuem com igual carga as agonias prolongadas, que
convidam a uma maratona de rezas e despertam compaixão. Foi o caso de Tancredo. Mas, em paralelo a esses fatores, há, sim, um conteúdo político no enterro dos políticos. O de JK foi um ato de repúdio ao regime militar. O
de Tancredo, as honrarias a alguém que encarnava a restauração democrática. Brizola morreu num momento
Ensaio ·
sem a tensão das ditaduras nem a esperança das auroras
democráticas. Seu l"unera\, ainda que concorrido e vistoso, 113.0 tinha o que apontar para a freme. A mensagem
que continha não era destinada à política. Era à históiia.
Brizola desempenhou muitos papéis. Foi prefeito de
Porto Alegre, governador de dois Eswdos. condesrüvel
de um regime (o de longo) e besrn-fera de outro (o militar). Nenhúm papel foi tão lembrndo nestes dias. no entanto, quanto o que exerceu em seguid<1 à renúncia Lle
Jfmio, em 1961, quando liderou a resistência ao golpe
que pretendia impedir a posse de Jango. Aqueles eram
tempos em que a trinca de cavalheiros fardados que ocupava os ministérios militares determinava o que podia e
o que não podia. A junta dos três, detentora de papéis
tantas vezes lamentáveis, na história do Brasil, decidiu
na ocasião que o vice-presidente, mesmo legitimamente
eleito, não assumiria. Brizola entrincheirou-se na rede
de rádios batizada de Cadeia da Legalidade e neutralizou o golpe - pelo menos, neutralizou-o pela metade,
uma vez que na outra metade se ofereceu aos d..:scontcnles a consolação do parlamentarismo.
No funeral de Briz.ola, escolheu-se o papel em que :;e
prefere tê-lo congelado na história. Nada de insísrír no
mais que duvidoso desempenho como governador do Rio
de Janeiro, ocasião em que inaugurou a estratégia de manter a polícia afastada cios 111tmos e com isso deu bom impulso à violência e ao caos urbano. EntetTou-se o paladino da legalidade, não o autor de teses como a da prorrogação do mandato do general Figueiredo, ou da defe:>a de
Ferml!ldo Co\lor. Nada contra. O aro de l 96 l, pelo que teve de coragem e de enfrentamenro da praga golpista que
tanto assolou o país, pesa mais na balança do que os erros.
O funeral apontava para a história também em função dos cenários e da liturgia que o revesliram. O 'clório foi no Palácio Guanabara, onde morou Getúlio. O
cortejo passou pelo Palácio do Catetc, onde Getúlio se
matou. Por algumas horas. era o Rio de Janeiro de outros tempos que renascia das cinzas - <i capiwl federal,
não a simples capital de uma das unidades federativas.
Em Porto Alegre o esquife pousou no Palácio Piratini.
que foi reduto de Brizola -·mas também de Getúlio. Ali
teve música e tradições gaúchas, justa maneira de homenagear os retornados, depois da canseira de amarrar os
cavalos no Obelisco da Avenida Rio Branco. O enterro
foi em São Borja, no mesmo cemirério onde Getúlio está enterrado. Em cada um de seus passos, o funeral prestou-se a um ritual de saudade. Até parecia que se enterrava o velho outra vez. Vai ver, foi isso mesmo o que, na
cabeça de muitos, aconteceu.
ii
1: L ... . .. . ~26 30 de junho, 2004 veja
·----"--.:=;"<:;--~-"""""'"""''l'·~"""-""-~,...,...,.,~~-~-~~"""'~~.,....,_,.....,_,,__......,......~-"'""'"""''-""'""-'-·.,,.,,., .. _,..,,._..,.,.__. -~-~'"":""'-_ ~ .. -. - . ....,._~~'T"'!~~:1'-:-:;"W'l,"l":"/":'_~~~'!":'"'";"'.°'''"""';'"".•",;~"'"';'''~' • ••--··;~::-;'"'.'·"'
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Caudilhismo, populismo, nacionalismo: as
idéias e os conceitos em que acreditava o
político foram sepultados antes dele
Mario Sabino
E nquanto o engenheiro Leonel de
Moura Brizola, líder do PDT, recebia as últimas homenagens fúnebres, antes de ser enterrado no
mesmo cemitério de Getúlio Vargas e
· João Goulart, em São Borja, no Rio
Grande do Sul, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva estava em Nova York, no
salão do Hotel Waldort-Astoria, falando a uma platéia de investidores e empresários americanos. Lula estava vendendo o Brasil - num sentido bem di-.
ferente do que atribuía a esse verbo o
gaúcho Leonel Brizola. Na distância
que separa os dois sentidos, morreram
três ismos que convulsionaram a história brasileira: o caudilhismo, o populismo, o nacionalismo. Todos eles sepultados bem antes do político que insistia
em revivê-los - ou melhor, que os
acreditava vivos. Todos eles sepultados
pela racionalidade e pela modernidade.
52 30 de junho, 2004 veja
Um homem com idéias fora do lugar,
ou fora de época, tanto faz, era assim o
Brizola dos últimos dias, dos últimos
anos, da última década, para falar o mínimo. Um anacronismo que esperneava.
Mas que isso não manche sua reputação
pessoal. Brizola sempre esteve muitas
notas acima das frugais médias de inteligência e honestidade dos seus pares. A
esse respeito, pode-se pegar emprestada
uma frase da conservadora Margaret
Thatcher, ex-primeira-ministra da Inglaterra, que comentou assim a morte de
um líder trabalhista, antípoda seu: "Você
pode estar totalmente errado em política,
sem ser um tolo ou um canalha".
A vivacidade de Brizola está bem
ilustrada pelas frases corrosivas que dirigia a seus adversários (veja quadro). A
acentuar essa mordacidade, havia a inflexão peculiar e os "eles" demasiadamente palatais (excessivos até para um
gaúcho), que muitos brasileiros nascidos nos anos 60 se compraziam em imi-
tar, tão logo se viram diante do Brizola
recém-tomado ao palco político, depois
da anistia de 1979. que o tirou do exílio
no Uruguai. Aliás, para essa geração,
hoje na faixa dos 40 anos, a volta à normalidade institucional, com debates
acalorados pela televisão, foi também
uma sobreposição de sotaques, inflexões e vocabulários algo humorísticos.
Havia Jânio Quadros. Havia Lula (há
Lula). E havia B1izola.
Ao m01Ter no último dia 21, ele
contava 82 anos. Em 1998, aos 76, depois de uma das várias derrotas eleitorais que sofreu, Biizola ouviu o conselho para que se retirasse da política.
"Serei como um cavalo inglês: só vou
morrer na cancha'', respondeu. A promessa foi cump1ida: antes de sofrer o
infarto que o mataria, ele se preparava
para anunciar sua candidatura à prefeitura do Rio de Janeiro. Biizola governou o Rio, o Estado, duas vezes, de
1983 a 1987 e de 1991 a 1994. Foi no
Rio, a cidade. que vingou com exuberância o adjetivo ··brizolista", um subproduto dos ismos citados no p1imeiro
parágrafo, assim como "getulista" e
"janguista". Foram biizolistas que vaiaram Lula no velório do líder do PDT.
acusando-o de "traidor". Traidor do
te-se de um fato inconteste: o alastramenta das favelas, inclusive no cartãopostal da Zona Sul, e a ascensão dos
traficantes de drogas durante o governo
de Brizola. Não se trata de coincidência. O brizolismo nutriu-se diretamente
dos bolsões de pobreza cariocas, por
meio de duas medidas: o fim das remoções de favelas e a proibição de que a
polícia fizesse incursões nos morros favelizados, sob a alegação de que os seus
habitantes sofriam muito com a violência policial. Pois os pobres favelados
deixaram de ser atormentados pela polícia, para penar sob os traficantes. Sem
repressão. em pouco tempo, os traficantes armaram-se pesadamente e os morros se transfonnaram em fortalezas.
Sem ameaça de remoção, as favelas incorporaram construções de alvenaiia e
o
quê? Dos tais ismos, evidentemente, ~
visto que Lula, na Presidência, não é o g
fu mesmo da campanha de 1998, quando ~
tinha Brizola como vice de chapa. O 5
g presidente perista segue uma política "
monetária ortodoxa e
prossegue no projeto
de abertura econômica
do país.
Também no Rio, a
cidade, floresceu o adjetivo ··antibrizolista".
O antibrizolista ressenGetúlio, entre
Brizola e sua
mulher, Neusa:
o engenheiro.
considerava-se
herdeiro do "pai
dos pobres" '"'' ·
54 30 de junho, 200.+ veja
Goulart e Brizola, em 1961:
a "Cadeia da Legalidade"
garantiu a posse do primeiro
multiplicaram-se. Quando Brizola assumiu o governo, em 1983. havia 377 favelas no Rio de Janeiro - número que
pulou para 520 ao fim do seu primeiro
mandato. O brizolismo matou o urbanismo, para ganhar a simpatia imediata
dos humildes.
Alimentar-se da pobreza significa a
necessidade de perpetuá-la. Getúlio
Vargas - de quem Brizola se julgava
herdeiro, numa linha de sucessão interrompida por seu cunhado, João Goulart
(herdeiro a contragosto) - era "o pai
dos pobres". Mas como haveria Getúlio
de continuar a ser pai se um dia não
existissem mais pobres'? Tal é o veneno
do caudilhismo, do populismo, do nacionalismo que impede a ventilação
econômica, ideológica e intelectual.
Eles são ismos que constituem uma trágica versão latino-americana, ou mais
precisamente platina, da qual os gaúchos receberam os bafejos por obra da
geografia - uma trágica versão do universal, literária e politicamente, "é preciso que tudo mude para continuar como está". Os caudilhos, os populistas,
os nacionalistas pregam a mudança,
mas, para que se conservem, tudo deve
permanecer como sempre foi. Ou pior,
como mostra a gestão de Brizola no
Rio de Janeiro.
Não que Brizola fosse um cínico (ou
tolo, ou canalha). Ele morreu
acreditando piamente no seu
ideário. Acreditava quando,
entre 1959 e 1963, governou o
Rio Grande do Sul, deixando a
marca do incendiário que encampou empresas estrangeiras
e promoveu invasões de terra.
Acreditava mais no seu ideá1io
do que propriamente em democracia quando, em 196 l, se
entrincheirou na "Cadeia da
Legalidade", para garantir a
posse de João Goulart. depois
da renúncia de Jânio Quadros.
E também foi a crença no seu
ideário que o levou a cometer
erros descomunais no Rio.
Leonel Brizolajamais desconfiou de que pudesse estar errado. Manteve-se coerente até o
fim. Numa coerência que se
transformou em pecado e morte. Morte política. •
HISTÓRICO DO EX-GOVERNADOR
LEONEL DE MOURA BRIZOLA
"Nossos caminhos são pacíficos,
nossos métodos democráticos,
mas se nos intentam impedir só
Deus sabe nossa obstinação." Leonel Brizola
O MENINO ITAGIBA
Brizola nasceu em 22 de janeiro de 1922, no povoado de Cruzinha, na época
distrito de Passo Fundo, hoje município de Carazinho no Rio Grande do Sul. Filho caçula
de uma família pobre de camponeses, que sequer tinham o título de propriedade da terra
de que viviam. Seu pai, tropeiro e agricultor, José de Oliveira Brizola e sua mãe,
professora primária, D. Oniva Moura Brizola, além de quatro irmãos. Não pode conviver
com seu pai, por conta da guerra civil de 1923. O Rio Grande do Sul daqueles dias, vivia
mais um conflito entre Ximangos, partidários do Presidente gaúcho Antônio Augusto
Borges de Medeiros, e os Maragatos, federalistas da Aliança Libertadora, liderados por
Joaquim Francisco de Assis Brasil. O pai de Brizola, alistou-se no exército maragato, sob
o comando de Leonel Rocha. A guerra porém, não foi longa, terminando por um acordo
mediado pelo Ministro da Guerra. Contudo, José Brizola, como camponês humilde, foi
vítima das represálias que se seguiram, tendo sido aprisionado por tropas do governo,
foi levado de sua casa para a execução sumária. Em homenagem ao comandante de seu
pai, o menino Itagiba, passou meses depois a se chamar Leonel. Sua mãe, com cinco
filhos para criar, tempos depois perdeu a posse daquele pedaço de terra e de sua casa na
justiça. Com todas as dificuldades, D. Oniva alfabetizou todos os filhos e se casou
novamente, com um colono, viúvo e pobre, pai de seis filhos. Juntos se mudaram para o
povoado de São Bento, onde Brizola freqüentou sua primeira escola. Com o casamento
de sua irmã mais velha, Brizola foi morar em Passo Fundo, onde cursou o segundo ano
primário e trabalhou como entregador de carnes. Aos dez anos, retornou a Carazinho
onde para sobreviver e continuar estudando, teve que trabalhar como lavador de pratos,
engraxate, jornaleiro e bagageiro na estação ferroviária. Em 1933, foi acolhido por um
pastor metodista, comovido com a vida de luta do garoto. Brizola passou a estudar no
colégio da Igreja Metodista, concluindo o primário. No exame de admissão ao ginásio,
Brizola passou em primeiro lugar, e obteve do prefeito de Carazinho, uma carta de
recomendações ao diretor do Instituto Agrícola de Viamão e uma passagem de trem para
Porto Alegre, onde chegou em fevereiro de 1936. Nesta época, com 14 anos, sem dinheiro
para manter-se, trabalhou como trocador e ascensorista. Até 1939, morou na escola,
quando então foi diplomado como Técnico Rural. Trabalhou numa refinaria em
Gravataí. Já maior de idade, passou num concurso de fiscal do Ministério da Agricultura,
mas preferiu ser jardineiro da Prefeitura de Porto Alegre, onde pode fazer o supletivo,
terminando por ingressar na Escola de Engenharia da Universidade do Rio Grande do
Sul em 1945.
NASCE O POLÍTICO
O Brasil vivia em plena efervescência política no pós-guerra, com o fim do Estado
Novo, a redemocratização e a reorganização dos partidos políticos. Brizola tendo
definida uma carreira profissional e num ambiente universitário, viu-se compelido a
participar efetivamente da política, escolhendo entre os partidos da época o PTB. Junto
com outros universitários e alguns sindicalistas, Brizola estrutura o primeiro núcleo
gaúcho do PTB, colaborando ativamente com o PTB no RS. Criou a Mocidade
Trabalhista, também conhecida como Ala Moça, tornando-se seu primeiro presidente.
Em janeiro de 1947, veio a coroação, o PTB elegeu sua maior bancada na Assembléia
Legislativa e Brizola foi um dos Deputados mais votados no Estado. Na Assembléia, se
opôs contundentemente a cassação de três Deputados Comunistas. Formou-se em
engenharia em 1949. Casou em março de 1950, com D. Neusa Goulart, sua companheira
de vida, irmã do então futuro presidente João Goulart, tendo como padrinho de
casamento Getúlio Vargas. Com D. Neusa, teve três filhos. Se reelegeu como o Deputado
Trabalhista mais votado, assumindo a liderança da bancada. Concorreu à Prefeitura de
Porto Alegre em 1951, perdendo a eleição por poucos votos. Aprendeu a lição. Em 1952,
tornou-se Secretário de Obras do Governo Trabalhista do Estado, se destacando no
cargo, a ponto de em 1954, logo após o suicídio de Getúlio Vargas, ser eleito Deputado
Federal com mais de 100 mil votos. Em 1955, novamente tentou a Prefeitura de Porto
Alegre, obtendo uma consagradora vitória, com 65% dos votos, usando o lema
"Nenhuma criança sem escola". Diante do sucesso de sua gestão como Prefeito, Brizola é
novamente consagrado em 1958, na disputa do Governo Estadual. Obtém 55% dos votos,
vencendo em 90% dos municípios gaúchos.
O GOVERNADOR BRIZOLA
Iniciava-se o ano de 1959 e Brizola entrava no Palácio Piratini para fazer História,
efetivando sua bandeira de educação popular e desenvolvimento econômico, proposta na
campanha. Criou a Caixa Econômica Estadual e, junto aos Governadores de SC e PR,
criou o Banco Regional de Desenvolvimento Econômico (BRDE), priorizando os
investimentos na infra-estrutura do Estado, Educação e Reforma Agrária. No seu
governo, Brizola construiu 6.302 Escolas, admitindo mais de 40 mil professores e
abrindo cerca de 700 mil matrículas. Brizola foi pioneiro na Reforma Agrária no Brasil,
desapropriando vastas áreas de terras improdutivas e criando o Instituto de Reforma
Agrária, entregando 14.000 títulos de propriedade a colonos sem-terra. Todos os
assentamentos, foram acompanhados de projetos de infra-estrutura sócio-econômica,
para fixar aquelas comunidades, motivando o sucesso de sua iniciativa.
A ENCAMPAÇÃO DAS MULTINACIONAIS
Apesar de todas as realizações, o governo de Brizola ficou marcado na História,
pelos episódios das encampações das multinacionais companhias prestadoras de
serviços de luz e telefone. A Companhia de Energia Elétrica Rio-grandense era filial da
Bond and Share, subsidiária da American and Foreign Power Company (Amforp). O
governador Brizola tentou inúmeras vezes, negociar com a empresa novos investimentos
no setor, diante do crescente déficit de qualidade dos serviços. Diante da intransigência,
Brizola com amparo na legislação vigente, fez as contas e verificou que o Estado devia
pagar a Bond and Share para sua encampação, não mais que um cruzeiro. E foi o que fez
em 13 de maio de 1959, recebendo a imissão de posse pelo Poder Judiciário. Fato inédito
no mundo, teve ampla repercussão internacional, com enormes pressões vindas de
Washington. Mesmo assim, Brizola não se furtou de repetir o feito em 1962,
encampando a Companhia Telefônica Rio-grandense, filial da International Telephone
and Telegraph, a poderosa ITT. Situação similar, após dois anos de tentativas de
negociação infrutíferas, o governador Brizola expropriou a empresa, pelo valor avaliado.
O governo americano, na época do Presidente Kennedy protestou contra o ato, que
novamente ganhou projeção internacional. Brizola foi tachado como "esquerdista
agressivo", "radical" e até "comunista". No entanto, agiu na defesa do interesse público
de seu povo, não por questão ideológica. Mas estes episódios, além de ter-lhe dado
notoriedade internacional, fez com que se solidificasse suas convicções nacionalistas,
aprofundando suas posições em defesa de nosso País.
A REDE DA LEGALIDADE
No entanto, ainda em 1961, um fato marcou Brizola na História do Brasil, como
um líder de resistência, coerência e coragem: a Campanha da Legalidade. No dia 25 de
agosto de 1961, o Presidente Jânio Quadros renunciou, para surpresa da nação, com uma
enigmática justificativa de "forças ocultas". O Vice-Presidente João Goulart, encontravase fora do País em viagem oficial à China comunista, de forma que a presidência foi
assumida interinamente pelo Presidente da Câmara dos Deputados Ranieri Mazzilli. No
entanto, os três ministros militares, da ala mais reacionária, reagiram contra a solução
Constitucional, contrários a posse de João Goulart, a quem acusavam de comunista.
Seria um golpe militar disfarçado, antecipando a ditadura que acabou por se estabelecer
em 1964. Brizola como Governador do Rio Grande do Sul, requisitou uma rádio e
formou a chamada "Rede" ou "Cadeia da Legalidade", mobilizando outras 104 rádios do
RS, SC e PR, no esforço de denunciar o golpe dos militares e defender a Ordem
Constitucional, garantindo a posse de João Goulart. O governo gaúcho distribuiu
armamentos aos populares voluntários, que atendendo ao chamado de Brizola, vieram
aos milhares lutar em defesa da legalidade. Brizola permaneceu por toda a crise, no
Palácio Piratini, que foi cercado por barricadas e defendido pela Brigada Militar do RS e
voluntários do povo. O comando militar em Brasília, deu ordens expressas para o
comandante do III Exército, General Machado Lopes, marchar com todas as forças
necessárias sobre o Palácio Piratini e silenciar Brizola, que discursava para a nação
diariamente. A Força Aérea recebeu ordens para bombardear o Palácio Piratini se
necessário. No dia 28 de agosto de 1961, diante da extrema gravidade da crise, Brizola
fez o seu mais famoso e dramático pronunciamento, que ficou registrado para sempre
em nossa História:
O DISCURSO DA LEGALIDADE.
Após este pronunciamento, Brizola recebeu o General Machado Lopes, que
comunicou que todos os generais do III Exército, haviam decidido lutar pela Ordem
Constitucional, não aceitando as ordens de Brasília. A decisão foi imediatamente
transmitida por Brizola para a multidão de mais de 100 mil pessoas que se
concentravam diante do Palácio Piratini. Com o apoio do III Exército a Campanha da
Legalidade levantou o País e João Goulart pode, enfim, entrar no Brasil, chegando a
Porto Alegre, via Montevidéu em 1° de Setembro de 1961. Inobstante as ameaças de
confronto com o II Exército de S. Paulo e ataque da Marinha de Guerra, Brizola com o
apoio do III Exército, já se propunha a avançar as tropas para Brasília, a fim de
assegurar a posse do Presidente. Contudo, João Goulart preferiu aceitar o
parlamentarismo, negociado como alternativa a Guerra Civil, tomando posse como
Presidente em Brasília no dia 7 de setembro de 1961. A Campanha da Legalidade,
dignifica as páginas de nossa História, como um dos maiores exemplos de coerência e
coragem de um líder e vitória da luta democrática popular.
O EXÍLIO
Em outubro de 1962, Brizola é eleito o Deputado Federal mais votado no País -
269 mil - pelo antigo Estado da Guanabara. Brizola no Congresso, comandava a
esquerda nacionalista, combatendo incessantemente o imperialismo norte-americano,
defendendo o controle do capital estrangeiro e uma revisão completa nas relações com
os EUA. Passa então a lutar pelas Reformas de Base, como meio para superação do
subdesenvolvimento brasileiro, criando a Frente de Mobilização Popular. Diante da
hesitação do governo Jango, Brizola é forçado a se opor ao cunhado. Diante do fracasso
de sua política econômica, da insatisfação dos latifundiários e da Rebelião dos Sargentos
(1963), o governo de João Goulart, começou a ser ameaçado pela direita golpista. Sem
apoio popular, Jango decide finalmente em 1964, a iniciar as Reformas de Base,
convocando um comício na Central do Brasil, Rio de Janeiro, para a assinatura de dois
decretos, um da Reforma Agrária e outro da Encampação de refinarias de petróleo. No
entanto, era tarde demais, os conspiradores já fortalecidos, mobilizam a opinião pública,
com apoio da imprensa e da igreja, atingindo os quartéis, aguardando apenas a ordem da
Casa Branca. No final de março de 1964, o Departamento de Estado americano acusa
João Goulart de tolerar a infiltração comunista no governo, levando os jornais
americanos a pedirem por um golpe, era o sinal que faltava para o golpe. Na manhã de
31 de março, o governador de Minas Magalhães Pinto e o General Mourão Filho, dão
início ao golpe militar, que jogou o país na mais longa ditadura militar das Américas.
Brizola ainda tento reeditar a resistência no Rio Grande do Sul, mas a situação mudara e
Jango preferiu não resistir. Brizola saiu do País em maio, iniciando o mais longo exílio
de um político brasileiro na História. No exílio Brizola passou longos 15 anos, onde
apesar das vicissitudes, pode incrementar seus conhecimentos políticos e contatos
internacionais, que lhe valeram o reconhecimento mundial como estadista, obtendo
apoio de importantes líderes da esquerda européia a causa da redemocratização no
Brasil. Em 1979 em Lisboa, organizou com o apoio de Mário Soares, líder socialista
português, um Encontro de Trabalhistas, reunindo diversos oposicionistas no exílio, de
onde foi elaborada a Carta de Lisboa, documento programático para reorganização do
PTB no Brasil, pedra fundamental do ideário pedetista.
A VOLTA E A VITÓRIA
Com a anistia em agosto de 1979, Brizola retornou ao Brasil em 6 de setembro,
fixando residência no Rio de Janeiro. Trabalhou intensamente para reorganizar o PTB,
porém com uma manobra sórdida do governo militar, um grupo político conseguiu no
TSE, tomar a sigla de Brizola. Nascia meses depois o PDT - Partido Democrático
Trabalhista. Já na primeira eleição que participou, Brizola obteve a vitória para o
governo do Rio de Janeiro, tendo o saudoso Professor Darcy Ribeiro como vice, apesar
da frustrada tentativa de fraude eleitoral. Pela primeira vez, em décadas, o povo do Rio
de Janeiro tinha um governo voltado para os mais desassistidos, priorizando a educação
como base fundamental de uma sociedade justa, implantando o revolucionário
programa dos CIEPS (Centro Integrado de Educação Pública), popularmente conhecidos
como "brizolões". E assim, foram dois governos, marcados por uma visão social ímpar e
por realizações no interesse das classes mais baixas, que acarretaram a mais vil e
gigantesca campanha dos setores conservadores de nossa elite dominante. E tantas
foram as "mortes" de Brizola, anunciadas com alardes pelas elites dominantes, através
dos meios de comunicação monopolizados. E tantas foram as traições sofridas, por
indivíduos que se venderam ao poderio econômico nacional e estrangeiro, traindo na
verdade o seu próprio povo. Como disse certa vez Luiz Carlos Prestes, a classe
dominante jamais vai perdoar Brizola, porque ele fez o que ninguém fez, e o que ela mais
abomina e teme: dividiu a terra e distribuiu armas ao povo. No entanto a legenda deste
homem, nosso líder maior, construída neste último meio século, onde nossa História foi
escrita muitas vezes com o sacrifício de nosso povo, é um referencial vivo para as
gerações presentes e futuras. Um homem: Leonel de Moura Brizola. Uma legenda:
Coerência e Coragem.
LEONEL DE MOURA BRIZOLA, ex-governador do Rio de Janeiro e Presidente
Nacional do PDT, faleceu na noite de segunda-feira, dia 21 de junho de 2004, no Rio de
Janeiro. Ele morreu às 21h29 vítima de infarto decorrente de complicações infecciosas.
O ex-governador estava internado desde a tarde de segunda-feira no Hospital São Lucas,
em Copacabana, na zona sul do Rio.
Pela sua história, por ter sido um líder e estadista que marcou o nosso País
com sua trajetória de lutas e realizações, pela sua coerência e coragem, por ter sido o
idealizador do CAIC (antigo CIEP, que passou a se denominar CIAC e por último CAIC).
Também pela sua amizade e amor com que tratava todas as pessoas que conviveram com
ele, nada mais justo que denominarmos o estádio de futebol de nossa cidade com seu
ilustre e inconfundível nome, que permanecerá para sempre em nossas mentes:
LEONEL DE MOURA BRIZOLA.
Pato Branco,
23 de junho de 2004
•Esta ediçAo contém 28 páginas. DIARIO DO POVO
IBrizola
Lideranças lembram a personalidade e a autenticidade do político
O Brasil perdeu, na última segunda-feira, um dos líderes políticos mais expressivos dos últimos anos. O presidente nacional
do Partido Democrático Trabalhista (PDT),
Leonel de Moura Brizola, não resistiu a uma
parada cardíaca e faleceu às 21h29min, aos
82 anos de idade.
"Hoje de madrugada chorei ao ouvir o
hino da Legalidade, pela rádio Gaúcha de
Porto Alegre: 'Avante brasileiros de pé/ Unidos pela liberdade/ Marchemos todos juntos de pé/ Com a bandeira que prega a igualdade/ Protesta contra o tirano/ Se recusa à
traição/ Que um povo só é bem grande/ Se
for livre como a Nação', pois, gostem ou não
do Brizola, é uma figura que vai ficar na
história de filhos e netos do Rio Grande e de
todo o país", disse Vítor Hugo Ribeiro, filiado
há mais de 20 anos ao PDT.
•Vítor Hugo Ribeiro, filiado ao PDT há mais de
20 anos
Muito embora nunca tenha militado no
partido do ex-governador Leonel Brizola, é
pública a simpatia que o deputado estadual
Nereu Moura (PMDB) sempre nutriu pelo
presidente de honra do PDT nacional. O
parlamentar lamentou a morte de quem classificou "como uma das principais lideranças políticas da história contemporânea
brasileira".
• Deputado estadual Nereu Moura (PMDB)
•Centro de
Atendimento
Integrado à
Criança
(Caie)
Segundo Zucchi, Brizola foi um grande mestre e ele sempre se inspirou na sua
trajetória política de honestidade e comprometimento com o povo brasileiro. "Todos aprendemos com seu grande trabalho
em prol do Brasil, seja quando exercia o
Poder Executivo, como governador, ou
quando defendia nosso país, sendo um dos .
seus grandes líderes políticos e defensor
da soberania nacional", acrescentou
Zucchi.
"As grandes conquistas das classes trabalhadoras tiveram a luta e o esforço político de Brizola, que com suas convicções foi
um símbolo de resistência do país. Sua morte deixa uma grande lacuna na política, e
ele merece ser reverenciado pelo povo brasileiro", concluiu Zucchi.
Um homem insubstituível, assim se pronunciou o senador Osmar Dias, presidente
do PDT do Paraná. "Mais do que uma figura
política, Leonel Brizola foi uma das grandes figuras históricas do Brasil. Um homem
que deixa como herança ao país o exemplo
de uma conduta moral e ética, o discurso da
coerência e da responsabilidade", enfatizou
Dias.
• Senador Osmar Dias, presidente do PDT do
Paraná
"Sempre fui eleitor do Brizola. Sempre
gostei da sua atuação política ligada à educação, que no Rio Grande do Sul construiu
mais de4.000 escolas em um áno. Seu perfil ·
era naciónalista, queria maior distribuição
de renda no. país, era contra a exploração
internacional e contra a remessa de lucro ao
exterior. Uma frase de Brizola que guardo
com carinho é 'o rico deveria ser menos rico,
pois ainda assim continuaria rico, mas o
pobre deixaria de ser pobre'. Eu, Jacinto
Simões e Torquato Berto! fundamos o PDT
em Pato Branco, quando ele voltou do exílio, porque simpatizávamos com os ideais
de Brizola", salientou Alberto Pozza, um dos
fundadores do PDT em Pato Branco.
' lideranças carismáticas e respeitadas, "não
foi apenas o PDT que perdeu, mas o Brasil
como um todo". Para Nereu Moura deixou a
cena política e a vida real "um político com
sotaque gaúcho e alma brasileira".
Segundo Clemair Berto!, coordenadora
pedagógica do Centro Estadual de Eduéação Básica para Jovens e Adultos (Ceebja),
Brizola acreditava que "a criança deveria
ser educada desde o ventre matemo, por isso
criou o Centro Integrado de Educação Pública (Ciep) no Rio de Janeiro, que atendia
a família, com atenção especial à gestante,
dando suporte à criança até o Ensino Fundamental. Um exemplo de Ciep, em Pato Branco; é o Centro deAtendimento Integrado à
Criança (Caie), no bairro Planalto, criado
com o mesmo objetivo de Brizola, no governo Collor", conciuiu Clemair.
• Deputado estadual Augustinho Zucchi (PDT)
"O Brasi.I perde seu maior líder trabalhista e o PDT um grande comandante.
Estamos muito tristes com essa perda'', lamentou Augustinho Zucchi, deputado estadual pelo PDT.
Na opinião de Nereu Moura, o falecimento do ex-governador gaúcho e carioca
abre uma lacuna entre os grandes líderes
nacionais. "Na verdade, Brizola foi um ícone
da vida pública brasileira, sabendo criar fa-
. tos para o debate·político", destacou.
"Brizola soube como ninguém defender com convicção os seus ideais", comentou o deputado peemedebista, afirmando ·
ainda aue. num auadro volítico carente de
VidapoHUca
1;3rizola nasceu no povoado de Cruzinha, antes pertencente ao município de Passo Fundo e hoje a Carazinho,
no Rio Grande do Sul. Estudante de Engenharia, ingressou no recém-fundado Partido Trabalhista Brasileiro
(PTB), em agosto de 1945,
para apoiar a política social
de Getúlio Vargas. Era um
universitário atípico, uma vez
que a maioria de seus cole- -
gas era · comunista ou
udenista. Provavelmente,
porque ele vinha de uma vida
dura, infância pobre, trabalhando para estudar, que o identificava com a classe trabalhadora. Atípico, não
aderia aos ideais das elites e até se orgulhava de sua origem popular.
Seu primeiro cargo eletivo foi de deputado estadual, no Rio Grande do Sul, em
1947. Em 1954, foi eleito deputado federal. No ano seguinte, tornou-se prefeito.de
Porto Alegre. Etn 1958, governador do Estado. No ano de 1962, foi o deputado
federal mais votado do país pelo antigo Estado da Guanabara, com 269 mil votos.
Com o regime militar, em 1964, exilou~se no Uruguai, retomando ao país em 1979
com a anistia. Foi eleito governador do Rio de Janeiro em 1982 e 1990. Disputou
duas eleições presidenciais, eni 1989 e 1994, perdendo ambas.
Na missa de 7º Dia, o Hino da Independência
A missa de 7° Dia realizada
segunda-feira 28/6, na Igreja da
Candelária, no Centro do Rio de
Janeiro, ficou lotada de amigos,
correligionários e admiradores de
Brizola, além de familiares. Os oradores, ao final da missa, foram:
Carlos Lupi, Neuzinha Brizola,
Carlito Brizola e Beth Carvalho,
que encerrou a solenidade cantando, com todos os presentes,
o Hino da Independência- o preferido de Brizola que frisava sempre o refrão "ou ficar a pátria livre, ou morrer pelo Brasil".
Lupi, o primeiro orador, desBeth Carvalho: "Ou ficar aPátria
livre, ou morrer pelo Brasil"
tacou que era um momento de
muita dor, que o PDT estava de
luto. Mas garantiu que enquanto houver uma criança abandonada, uma criança fora da escola, o menino de Carazinho,
do interior do Rio Grande do
Sul, Leonel de Moura Brizola,
continuará vivo porque o legado que Brizola deixa é o de luta
contra as injustiças e pela soberania do Brasil. Destacou
também que o PDT vai continuar, como continuou o velho
PTB de Getúlio Vargas.
Lupi citou a trajetória de
vida de Brizola, de menino pobre que teve que trabalhar e
estudar, que se libertou através
da educação - pela qual lutou a
vida inteira para que outros meninos pobres, como ele, ascendessem na sociedade. Citou a
vida dele no exílio, o brasileiro
que recebeu maior numero de
condenações - um brasileiro
injustiçado. Lupi encerrou, dizendo que Brizola vive, e viverá para sempre, enquanto houver no Brasil crianças pobres
abandonadas e fora da escola.
Neusinha, em nome da família, agradeceu as demonstrações de carinho do povo do Rio
de Janeiro, de Porto Alegre e
de São Borja - e no Brasil inteiro - ao seu pai. "Isto muito me
comoveu, está servindo de consolo nessa hora ddificil". Carlito
Brizola, terceiro orador, falou
também em nome da família.
Agradeceu a todos os presentes, ao imenso numero de amigos que seu avô tinha e estavam presentes. Carlito assinalou que partiu o homem Leonel
Brizola, mas ficaram aqui suas
idéias, sua obra - um homem
que ao longo de 60 anos de vida
pública lutou com coerência e
perseverança pelos seus ideais.
Beth Carvalho, ao encerrar, fez
questão de dizer que estava fazendo aquela homenagem "a este
homem tão importante para nosso país, que é Leonel Brizola". Em
seguida, com todos os presentes,
cantou o Hino da Independência.
Conselho Político indica Nilo
para a Prefeitura do Rio
Fidel lamenta
O Presidente de C11ba, Comandante Fidel Castro R11z,
envio11 carta ao Vice-Presidente do PDT, Carlos L11pt,
lamentando a morte de Brizola. Datad11 de 22 junho de
2004, Fidel 11.firma na carta: O Conselho Político do PDT,
reunido na última segunda-foira, dia 28 de junho, decidiu indicar o exGovernador Nilo Batista como précandidato a Prefeito no Município
do Rio de Janeiro-seguindo a diretriz traçada pelo Diretório Nacional do PDT de candidatura própria - em sua primeira reunião sem a
presença de Leonel Brizola. O deputado Paulo Ramos deverá ser o
candidato a Vice-Prefeito.
O presidente do PDT, Carlos
Lupi, ao final da reunião, garantiu
que "Nilo Batista é candidato para
- ···anhar as eleições no Rio de JaneiJ". A um repórter que perguntou
s~ tinha pesado na decisão do Conselho a decisão anterior de Brizola
de escolher Nilo Batista como candidato, Lupi respondeu: -O que pesou foi a decisão de
consenso. Nosso partido está unido e nesse a união é a nossa força.
Temos um legado a defender - o
legado que Brizola nos deixou - legado que estará mais vivo do que
nunca nesta campanha eleitoral.
Segundo Lupi, nesta campanha
o PDT vai denunciar imposrnres, os
que acabaram com o projeto dos
Cieps, carro-chefo do PDT, "único
caminho para a redenção de nossas
crianças, através da Educação. Destacou também que o PDT. nesta
campanha eleitoral, .. vai reviver
na memória do Rio de Janeiro o
grande homem público que foi
Leonel Brizola".
Ao ser perguntado quem seriam
esses impostores, Lupi disse: "Muitos que choraram lágrimas de crocodilo no enterro de Leonel Brizola".
Com profunda consternação soubemos do falecimento do
profundo amigo de Cuba, Leonel de Moura Brizola, incansável
e histórico lutador das causas de interesse do povo brasileiro.
Brizola, que desde muito jovem se destacou por suas firmes
posições nacionalistas, foi sem duvida um dos precursores do
avanço político e democrático, tanto no âmbito interno como
na política externa praticada atualmente no Brasil.
Nestes tempos difíceis que a Humanidade enfrenta na atualidade, Brizola será referência obrigatória para os lutadores nacionalístas e anti-imperialistas.
Sempre lembraremos a hospitalidade com que nos recebeu
em sua residência do Rio de Janeiro em março de 1990 e da
visita que realizou a Cuba em maio de 1991, como manifestação dos laços de amizade e solidariedade que teve sempre
com nosso povo.
Faço extensivas minhas condolências, ante tão irreparável
perda ao povo brasileiro, ao Partido Democrático Trabalhista, a
seus familiares, aos companheiros e amigos.
Fraternalmente,
Fidel Castro Ruz
JORNALP'·D' :,., .. ' -.. ' COMISSÃO EXECUTIVAREGIONALDo i , . , 1 Leonel Brizola (Presidente de Honra),
===::-==-=""-'· ..._ ... !..""--· ""' -.' Carlos Lupi (Presidente), Paulo Ramos (1°
JORNAL DO PDT -
Editor: Osvaldo Maneschy
Chefe de Reportagem: Max Monjardim - Colaboração: Katiuscia de
Oliveira, Angela Rocha, Ismael Lisboa, Maria Helena, Rafael Galvão,
Antonio Oséas e Apio Gomes.
Correspondência: Jornal do PDT •
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Rebes Guimarães (Vogal}, Mara Hoffans
(Consultora Jurídica) e Osvaldo Maneschy
(Fundação Alberto Pasqualiní-RJ).
Arte: Antonio Duarte.
Tiragem: 25 mil exemplares.
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!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!W
Brizola Vive
Porque ele estará sempre entre nós como guia e mestre
Pedro Porfírio
A poucas pessoas o destino reveste do verniz da imortalidade. São raras, mas de tal es- sência que permanecem vivas
e influentes mesmo depois da
missa do sétimo dia. E são tão
presentes que trazem a arma- dura dos invictos desde os primeiros embates, mesmo quando aparentemente derrotadas.
Tanto que nenhum poderoso,
seja o chefe de governo ou de
uma grande corporação, faz
qualquer coisa sem procurar
saber antes que repercussão terão seus atos sobre esses próceres, emblemas legítimos de uma eterna mitologia.
Tenho neste momento a
sensação de que estou ouvindo no sopro dos ventos serenos a voz do homem que atra- vessou todas as praceias sem
abrir mão, um só minuto, da
dignidade dos intimoratos.
Havia trocado idéias com ele,
por telefone, pouco antes de re- tomar de Montevidéu. Achavase acometido por tuna gripe diforente, a gripe dos octogenários.
Mas falava como se estivesse ao meu lado, muito mais infonnado
dos caminhos e descaminhos do nosso país e até dos nossos recantos. Só o acometia a dúvida,
sina que, de quando em vez, não
poupa nem os mais sábios.
Hoje, depois de admirar a feérica despedida entre lágrimas
dos que lhe foram fiéis de perto e de longe, sobretudo os anônimos por natureza mais sinceros,
depois de ver a legião de ingratos reverenciá-lo como se nenhum mal lhe houvesse causado, depois de contemplar o desfile de celebridades desses dias
desérticos de homens de verdade, com suas frases ensaiadas e
seus lamentos de encomenda,
vejo quão vivo está aquele que
mais iníluenciou nesse n1eio século pretérito, mesmo quando alvejado pela máquina mortífera
dos senhores da mídia.
Vejo e sinto. Nada me con- vence que sua passagem de
um estágio para outro na sua
saga imortalizada vai tirá-lo de
cena. Antes, talvez, a partir de
agora, ele estará mais presente
do que nunca, mais influente
e, porque não dizer, mais temido pela súcia dos podres poderes. Pela força intrínseca que
as alimentavam, suas palavras
o vento fazia chegar aos inconscientes das multidões, diluindo-as em seus recônditos
para um dia, quando for a hora,
exprimir-se no uníssono clamor
da grande rebelião.
Ninguém poderá negar.
Nada que ele disse, nada que
ele fez perdeu-se nos campos
por ora estéreis de uma nação
subliminarmente ocupada por
invasores frios e calculistas.
Assim como se atribui a Sólon,
um dos sete sábios da Grécia, o embrião da primeira constituição ocidental, pode-se dizer
que a síntese dos seus sessen- ta anos passados entre nós é a
essência de um novo ideário,
cujo escopo traduz os mesmos
anelos dos mais consagrados
filósofos e pensadores - não há
felicidade humana enquanto
cultivarem como condição da tirania econômica a injustiça so- cial cada vez mais perversa.
Agora, ironicamente, vai
ser mais fácil assimilar suas
obsessões patrióticas, sua defesa intransigente dos oprimidos. Suas falas e suas metáforas serão rememoradas em
prosa e versos sem os óbices
mesquinhos de todos os que,
da .. direita" à "esquerda", daqui e dalém mar, o temiam capitaneando uma nação que em
suas mãos teria enfrentado
com coragem e altivez os erros
que a tomaram presa tãceis da
cobiça internacional.
Ao contrário do canto das
cassandras, sua imortalidade se irradiará como uma onda mágica e envolvente, disponibilizando ferramentas jamais imaginadas, tal como, um dia, em
outras circunstâncias e num
quadro bem diferente, deu-se uma reviravolta na história,
quando da morte daquele que
foi sempre sua mais assídua
font\' de inspiração.
E cerro que velhas estre- las que o assediavain nos tempos das vacas gordas já não
estão no partido nascido na
repulsa à apropriação indébi- ta. Pode até ser que, diante da
herança deixada ao tempo ve- nha a se tentar, como ele próprio sonhou mais de uma vez,
o reencontro da diáspora.
Tudo pode ser, até porque
cada uma das cismas tem sua história em que houve um conteúdo de culpas partilhadas.
Mas qualquer um que se imagine herdeiro, de dentro e de
fora do partido que tem sido sistematicamente maltratado e pelo
qual passaram políticos de todas as espécies, que está inegavelmente fragilizado, terá diante de si a figura onipresente
que por sessenta anos, mais do
que qualquer outro brasileiro,
mesmo nos momentos mais
amargos, apontou uma direção
segura para o renascer deste
povo generoso. Qualquer que
queira juntar-se aos que, como
eu, permaneceram fiéis aos
seus conselhos, terá uma cartilha para ler, com a proposta de
um novo modelo econômico, de
uma sociedade corajosamente
mais justa, fundada, sobretudo,
no primeiro dos mandamentos - a oportunidade de todos te- rem acesso ao conhecimento, à
educação de qualidade.
A imortalidade fará com que
a cada instante todos os brasi-
!eiras, nos mais distantes grotões, sigam agora o verdadeiro
caminho do novo, da libertação,
iluminados pelo exemplo de dignidade, patriotismo e coerência,
valores que serão regatadas e
repetidos de boca em boca, ca- lando os impostores, os oportunistas e os subprodutos da era da subserviência colonial
que agora será cristalinamente
percebida e repelida.
O prócer a quem o Brasil
mais deve respeito, cuja história toda a mídia teve de relembrar nessas últimas horas, não
viveu em vão. Tudo o que traz a essência da justiça e da grandeza sobrevive às matanças.
Cada um de nós há de encarnar a rebeldia indômita que marcou seus passos, atos e atitudes.
Seremos muitos mais, inclusive os jovens que admiram ou- tro latino-americano que simboliza o sonho traído. Seremos mais
amigos, mais leais, mais atuantes, porque agora temos a responsabilidade histórica de dar
continuidade, sem ele aqui, à sua
obra de salvação nacional.
Responsabilidade de dizer aos oprimidos que a tarefa
agora é de todos. Ele nos iluminará de onde estiver e nos servirá do grande símbolo da nossa hora e vez. Ele está vivo,
sempre vivo estará, porque
homens de sua têmpera e de sua dedicação inteira ao povo
jamais morrerão.
Ele será sempre, ao nosso lado, o melhor conselheiro. O conselheiro Leonel de Moura Brizola.
(Tribnna da Impren.Sa 24/06/04)
Caco Barcellos, um depoimento
Como João Pedro Stédi/e, líder do MST, o jornalista Caco
Barcel/os, da Rede Globo De Televisão, credita a Brizolasua educação. Os dois estudaram em
"Brizoletas" construidas nos
bairros pobres do Rio Grande do
Sul-foram 6.300 no total. Ambos
são originários daquilo que Brizola definia como "Brasil profimdo '', o Brasil dos despossuídos, o
Brasil dos pobres, do povão. Leiam a Íntegra da carta de Caco Bar~
celtas a um jornal carioca:
"Ao Brizola, eu devo o primeiro lápis que tive na vida, o primeiro caderno- que a minha mãe
guarda até hoje-, a oportunidade
de praticar esporte e música em
um espaço digno e o acesso à alimentação com proteína de primeira linha. Impossível também esquecer o dia em que eu e os meus
colegas lá do Partenon recebemos um tênis padrão das 'brizolinhas',
como eram chamadas as milhares
de escolas públicas que ele man12
dou construir nos bairros pobres
de Porto Alegre. Lembro, como se
fosse hoje, que ouvi a justificativa
do Br,izola pelo rádio:
'E um absurdo que os animais
do nosso País sejam mais bemtratados que nossas crianças.
Nunca vi no Brasil um bezerro
abandonado, nem cavalo sem ferradura no casco. Toda criança
pobre tem que ter, no mínimo, o
direito a um sapato no pé'.
Isso foi objeto de muitas críti- cas na imprensa dos conseivadores,
que já naquela época tentavam desmoralizá-lo, dizendo que o Brízola
era o prefeito dos 'pés-de-chinelo',
como se isso fosse uma ofensa.
Portanto, a ajuda dele foi indireta, mas fundamental, decisiva. Eu só comecei a estudar aos 8
anos de idade porque, até 1958,
não havia vagas disponíveis, eram
raríssimas as escolas públicas para
o primário na periferia de Porto
Alegre. Da mesma forma, o ginásio onde estudei também foi
construído durante a gestão dele
na prefeitura da cidade.
Por causa dessa base emoti- va, nunca deixei de acompanhar
com interesse a trajetória do Brizola como estadista. Décadas depois, vibrei muito quando ele reproduziu a experiência das 'brizolinhas' no Rio de Janeiro, que
ganharam o nome de Cieps, com o incentivo de outro guerreiro dos
trabalhadores 'não-organizados'
do País, o Darcy Ribeiro.
Ambos vão fazer muita falta. Nunca entendi por que ele
jamais teve o apoio da esquerda dos sindicalistas, dos trabalhadores organizados de São
Paulo. Mas essa é uma história
para uma carta mais longa. Espero que algt!m dia o Brizola
tenha a sua obra e a importância histórica reconhecidas não
só pelos pobres do Brasil."
Um abraço,
Caco Barcellos
PUB~ICADO
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As últimas homenagens a Leonel Brizola no
Rio de Janeiro, em Porto Alegre e São Borja
Leonel Brizola, presidente
nacional do PDT, morreu dia 21
de junho último no Hospital
São Lucas, na Zona Sul do Rio
de Janeiro, onde tinha ido para
fazer exames. Depois de rápida
reunião, fanüliares traçaram
uma programação que incluiu
velório no Palácio Guanabara,
sede do Governo fluminense,
onde seu corpo chegou por
volta das quatro horas da ma- nhã da terça-feira onde ficou
exposto a visitação pública no
Salão Nobre até o dia seguinte, quarta. Ao chegar, Brizola
foi conduzido por guarda de
honra e muitos militantes já
aguardavam para dar o último
adeus. Durante todo o dia, de • acordo com cálculos da Polí- ·• J ,,.
eia Militar, mais de 200 mil pes- '~ • ·
1 ' I { soas passaram pelo salão en- . .,: ·, · •, quanto a fila se estendia por ·· . .it·~ í(;.!~' ..
mais de dois quilômetros. Um ~,. ~ ~.;' telão foi arn1ado na escadaria -~
principal do Palácio onde vídeos sobre a história de Brizola foram exibidos.
Durante todo o dia 23, personalidades passaram pelo local. Por volta das 13 horas, o
presidente Lula, acompanhado
de comitiva formada de nove
ministros, chegou. A militância, ao perceber a presença do
Presidente da República, começou a gritar palavras de ordem
Manoel Dias, CarlosL11pi e Carlito Brizola velam o líder no Palácio Guanabara
como "{raidorn e "fora PT".
Diante da manifestação, Lula
ficou apenas quatro minutos
e foi embora. Antes, porém,
Carliio disse: .. Presidente, já
que senhor veio no velório do
111eu avô, poderia tàzer uma
homenagem que ele gostaria
muito: construa Cieps.
Na manhã de quarta-feira, 24,
o esquife foi colocado em um
caminhão do Corpo de Bombeiros e seguiu pela rua Paissandu,
Laranjeiras, em direção ao Ciep
Tancredo Neves, no Catete, o
primeiro construído no Estado.
panhava o cortejo e diante do
Palácio do Catete - onde o presidente Getúlio Vargas se suicidou - mais um momento de
emoção. Carlito, leu a Carta Testamento de Vargas, referência
da vida política de Brizola. "Ele
sempre me falou que a Carta
Testamento era seu guia político, um documento para ser lido
por {Odos os brasileiros".
Batedores abriram caminho para o caminhão dos Bombeiros
Nesse momento, uma multidão - cerca de 20 mil pessoas
de acordo com a PM - já acomDepois o cortejo parou diante do Ciep Tancredo Neves
onde discursaram Lupi e Neuzinha Brizola, filha do presidente nacional do PDT. Ela agradeceu o carinho das pessoas que
acompanhavam o cortejo e disse que a manifestação ajudava
a confortar a dor da família. "É
muito gratificante ver como rneu pai era querido ... Isso mostra
que Brizola não era apenas nosso pai, mas pai de todos nós,
brasileiros", afirmou. Em seguida representantes da Liga das
Escolas de Samba do Rio de
Janeiro homenagearam o homem que construiu o Sambódromo. Com o surdo, um ritimista cadenciou a matcha solene enquanto era feito um minuto de silêncio em memória
de Brizola. Depois o cortejo
seguiu até o Aeroporto Santos Dumont, onde o corpo de
Brizola foi embarcado com
destino a Porto Alegre.
Multidão acampanhou a leitura da Carta Testamento em frente ao Palácio do Catete
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Cartaz anônimo afixado na parede do Salão Nobre
do Palácio Guanabara: "Aí estão os votos do povo
que sempre lhe roubaram, Brizola. O povo cala a boca
dos teus inimigos que são contra o povo. Você não
morreu porque o povo não morreu. Zona Oeste"
PUBLICADO
\
Jorn•I ~-----f P.fu----- Lj o ... . . . D•1a ____ \_/_Q6. ___ /ffi
; .,_,; n "tura
Muros de Porto Alegre
amanheceram com a
frase "Brizola Vive"
O corpo de Brizola chegou
ao aeroporto Salgado Filho, em
Porto Alegre, pouco antes das
15 horas onde uma multidão já o
aguardava. Leonel Brizola foi recepcionado com os Hinos do Brasil, do Rio Grande do Sul e da
Legalidade, movin1ento que liderou em 1961 do Palácio Pira tini e
que garantiu a posse do então
Vice-Presidente João Goulart
após renúncia de Jânio Quadros.
Centenas de carros, motos
e ônibus lotados de militantes
acompanharam o caixão até o
Piratini, sede do Governo gaúcho. Foram quase duas horas de
acenos, lágrimas e aplausos. No
caminho, muros pichados com as
palavras "Brizola vive" e pétalas
de rosas eram jogadas dos prédios. Na entrada do rol do salão
nobre do Palácio, a submetralhadora utilizada por Brizola durante a campanha da Legalidade
estava exposta. Durante toda a
noite, autoridades e familiares se
revezavam na vigília. Namanhã
seguinte, o corpo de Brizola voltou para o Aeroporto Salgado
Filho para a última viagem com
destino a São Borja.
Deputado Vieira da Cunha, um dos oradores em São Borja
Parag11ass11, um dos irmãos de Leonel Brizo/a
11!!f!"!f'tWtWV''YSW:PWEttsf:!f mwrn FOTOS E TEXTOS DE MAX MONJARDIM
Na Praça XV de Novembro, em São Borja multidão presta última homenagem a Brizola
O carinho do povo de São Borja
Cerca de 25 mil pessoas,
quase a metade da população,
receberam Brizola em São Borja. Logo após a chegada ao
aeroporto, em comitiva e em
carro do Corpo de Bombeiros,
Brizola seguiu pelas ruas da
cidade lotadas. O corpo do exgovemador Leonel Brizola foi
enterrado às 16 horas no Cemitério Jardim da Paz na cidadesímbolo do Trabalhismo,
onde tambem estão enterrados
os ex-presidentes Getúlio Vargas e o João Goulart, além de
Neuza Goulart Brizola.
Com a população emocionada nas ruas e o comércio fechado, a pequena cidade aproximadamente 60 mil habitantes parou.
O jatinho que levara o corpo
de Brizola pousou por volta das
11 horas e já no aeroporto uma
multidão aguardava o cortejo. Brizola foi recebido ao som de "Querência Amada", antigo sucesso de
Teixeirinha, uma das músicas que
mais gostava, executada pela dupla Marcos Fraga e Jorge Domelles, no acordeon e violão.
Nos seis quilômetros do
trajeto até a Igreja São Francisco de Borja, o povo esperava o
cortejo para dar o seu último
adeus a Brizola. Diante da sede
da l' Companhia de Engenharia de Combate Mecanizada do
Exército, soldados perfilados
batiam continência para o cortejo enquanto famílias inteiras,
do lado de fora de suas casas,
prestavam sua última homenagem ao ex-governador do Rio
Grande do Sul que sempre amou
e prestigiou São Borja. Em vários pontos populares saudavam
o cortejo aos gritos de "Brizola,
guerreiro, do povo brasileiro".
Ao chegar na Igreja, uma
multidão imensa esperava na
Praça XV de Novembro e acompanhou quando, ao som de
marcha solene e cadenciada,
executada pela banda do 1 º Regimento de Polícia Montada de
Santa Maria, o esquife de Brizola desceu do caminhão dos
Bombeiros e foi levado para
dentro da igreja onde se realizou ato ecumênico conduzido
pelo bispo de Uruguaiana, Dom
Angelo Domingos Salvador, e
pelo pastor d,!I Igreja Metodista de Santo Angelo. Enquanto
isso, uma enorme fila já se formava do lado de fora da Igreja
para o último adeus a Brizola.
A mesma multidão acompanhou o corpo até o cemitério Jardim da Paz, onde Brizola foi enterrado no mausoléu da família
Goulart - ao lado de sua esposa
Neusa e do cunhado Jango, por
volta das 16 horas. Diante do
caixão, o ex-presidente do PDT
de São Borja, Odon Marques, o
neto Carlito Brizola, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi,
o deputado estadual Vieira da
Cunha, lembraram a vida e a
obra de Brizola e garantiram que
a bandeira do Trabalhismo continuará erguida. "Vá com Deus
meu líder. Continuaremos esta
luta até conseguirmos construir um Brasil que você sempre sonhou", garantiu, emocionado Vieira da Cunha.
Por iniciativa do Diretório do
PDT de São Borja, tão logo o corpo de Brizola desceu ao túmulo,
foi acesa uma tocha que deverá
ficar no local simbolizando o pensamento e a obra do grande líder,
iluminando o caminho dos herdeiros do Trabalhismo.
PUBLICADO
Jornal ~---f/à_1 __ _ 1' l ·º·--------------- Da la_~L/ _Q.6 __ /~
Assinatura
Leonel de Moura Brizola, a biografia Brizola nasceu em 22 de janeiro de 1922, numa casa IÚstica de
madeira construída pelo próprio
pai na localidade de Cruzinha, hoje
pertencente ao município de Carazinho, no Rio Grande do Sul. Filho
do tropeiro José Brizola e de Dona
Oniva de Moura, foi o caçula dos
cinco filhos - quatro homens e uma
mulher. Ainda criança, pouco mais de um ano, perdeu o pai assassinado por uma coluna governista pou- co depois de reto1nar para casa ao
final da Revolução de 23, onde lutara ao lado dos maragatos contra a
autocracia de Borges de Medeiros.
Coube à mãe Oniva a educação dos
cinco filhos, todos alfabetizados por
ela. A situação de pobreza tomouse ainda mais grave depois da família perder em juízo a posse das terras e da casa. Oniva casou-se com
João Gregório Estery, um colono
vizinho, também viúvo e com mais
de seis filhos, e todos se mudaram
para o povoado de São Bento.
bléia Legislativa gaúcha, onde assumiu a liderança da bancada trabalhista. Convidado pelo Governador Ernesto Dornelles para ocupar o cargo de Secretário das Obras
Públicas, Brizola viveu a sua primeira experiência como administrador, executando Vi:!.sto programa de
obras no Estado. Mas o começo da
sua projeção nacional viria nas eleições seguintes, após o suicídio de
Vargas. Eleito deputado federal, de
travou, desde o início, uma ferrenha batalha com o deputado Carlos Lacerda, da UDN.
O mandado de deputado federal, no entanto, foi interrompido
por sua campanha à Prefeitura de
Porto Alegre, quando adotou o slogan: '·Nenhuma criança sem escola". A preocupação com a educação
pública jâ se tomava uma obsessão
na vida de Brizola. Como prefeito,
ele L'.onsu-uiu dezenas de gnipos escolares em toda capital gaúcha, sobretudo nas vilas e áreas pobres da
cidade. Também desenvobeu um grande programa de abastecimtnto
d'água e modernizou o sistema de
transporte coletivo.
O menino Leonel deixou a casa da mãe depois do casamento da
irmã mais velha, Francisca, acompanhando-a para Passo Fundo. Ali,
matriculou-se na escola primária e
'SSou a ajudar o cunhado no açoue, entregando carne aos fregueses. Aos 1 O anos, Leonel foi levado por um amigo da família para
Carazinho, onde passaria a morar
num sótão de hotel a fim de trabalhar e continuar os estudos. A luta
pda sobrevivência levou-o a exercer as mais diversas atividades: lavou pratos em troca de casa e comida, foi engraxare, vendedor de
jornais e carregador de mala' até
conseguir um emprego nwna serraria, onde marcava tábuas.
Em setembro de 1979, Brizola retorna do ex17io por Foz do Iguaçu e logo depois vai
a São Borja - berço do Trabalhismo - terra natal de Getúlio Vargas e João Goulart O Secretário de Obras e
Prefeito de Porto Alegre
Como Secretário de Obras do
A primeira casa razoavelmente confortável que conheceu foi a
do pastor metodista Isidoro Pereira e de sua mulher Elvira que, sensibilizados com o esforço do menino, decidiran1 ab1igá-lo. Deram-lhe
um quarto, roupas e o matriculaauxiliar de montagem numa refinaria. Depois de completar 18 anos,
fez um concurso para fiscal de moinhos do Ministério da Agricultura.
Foi aprovado, mas pouco tempo
depois pediu demissão para voltar·
a Potto Alegre, onde foi trabalhar
corno jardineiro da Prefeitura. Só
então, pode cursar o ginásio e ocolegial, estudando a noite na maior
escola pública do Rio Grande do Sul,
o Colégio Júlio de Castill10s.
Brizola prestou se1viço militar
na Base Aérea de Canoas e conseguiu depois se fom1ar piloto privado. Entre a carreira na Varigeocurso
de Engenharia, optou pelo segundo.
ram no colégio -------------- da Igreja Meto- '' A . d ingressou na
Em 1942
dista. Brizola mlm na a Faculdade de
adotou essa re- Engenharia do
ligião, conver- compromete. Sou Rio Grande do teuamãeevá- Sul e,' em
rios colegas. l 1945, particiQuando tinha p anta do deserto. pau da funda- 14 anos, após ção do PTB gaconseguir do Q d ' úcho influenci- prefeito de Ca- Uan 0 a SeCa e ado pelo rnovi-
.. ~zinho uma menta quere1ssagem de forte, me alimento mista, que ga- ..!.". classe e uma nhava as ruas e
carta de reco- - t contagiava as
rnendaçãopara com uma go a massas, resis0 diretor da Es- tindo as inclicola Agrícola, de OfValhO." nações de seus ele se transfe- colegas de fariu, para Porto Leonel Brízola culdade, na
Alegre para es- maioria oriuntudar. Mais dos de classes
uma vez teve que trabalhar duro, mais privilegiadas que se filiam ao
primeiro como trocador de moe- PSD e a UDN. Ainda estudante de
das, depois como ascensorista, en- Engenharia funda com sindicalistas
quanto aguardava ingresso na Es- o primeiro núcleo gaúcho do PTB,
cola Agrícola de Viamão, uma es- percorrendo o interior com lideranpera que durou vários meses. Ao ças no esforço de consolidar o parlhe pedirem a certidão de nasci- tido, participando dos primeiros
menta, para a matrícula, descobriu comícios. Muito ativo, em um coque ainda não era registrado. rnício diante da Prefeitura de Porto
Brizola morou no próprio pré- Alegre, chama a atenção de Getúlio
dio da escola durante todo 0 curso Vargas que comenta com seus pae, depois de obter 0 diploma de téc- res: '"Botem este guri na chapa que
nico iural, aos 17 anos, foi nova- ele vai muito longe''.
mente obrigado a procurar traba- Em 1946, presidente da Ala
lho, empregando-se corno operário Moça do PTB, é lançado candidato a deputado estadual com o apoio
dos estudantes. Elege-se como um
dos cinco mais votados dentro da
maior bancada da Assembléía Legislativa, a do PTB que mesmo não
~legendo o governador, faz 23 deputados. Na instalação da Assembléia Constituinte gaúcha conhece
João Goulart, que também iniciava
o seu primeiro mandato parlamentar, após organizar o PTB em São
Borja e em toda a região das Missões. Apesar da intensa atividade
política, conseguiu concluir o curso de Engenharia, formando-se engenheiro civil em 1949. Foi nessa
época que Brizola conheceu Neusa, irmã de Jango, com quem secasaria em primeiro de mar-ço de 1950.
Vargas, amigo da família Goularr,
foi padrinho do casamento, do qual
resultaram três fill1os: José Vicente, João Otávio e Neuza Maria.
As eleições de 1950 reconduziram Getúlio ao Palácio do Catete.
João Goulart elegeu-se deputado
federal, enquanto Brizola obtinha o
seu segundo mandato na AssemRio Grande do Sul (1952/1954),
Brizola executou as seguintes
obras: ponte sobre o Guaíba; ponte sobre o rio Pardo; reaparelhamento do Departumento Autônomo de Estradas de Rodagem
(DAER); mais de 100 projetos
implantados de ampliação e construção de estradas; Estação Ferroviária Diretor Augusto Pestana, em
Porto Alegre; implantação do trem
diesel Minuanu; melhorias no Aeroporto Salgado Filho; reequipamento do Departamento Aeroviário do Estado; reaparelhamento do
Departamento de Portos, Rios e
Canais; implantação de 23 portos
lacustres e íluv iais; construção de
40 hidráulicas no interior do Estado; início da construção de grande
número de Escolas Públicas.
Em 1955 Brizola se dege Prefeito de Porto Alegre com consagradora vitória - fazendo mais votos do que todos os demais candidatos juntos. Seus trunfos principais foram o plano de obras que
executou na Secretaria de Obras, e
o slogan: '"Nenhuma criança sem
escola". A experiência administrativa bem sucedida na terceira maior cidade do país na época, rdàrçou a sua man..::a empreendedora e
nitidamente popular.
As suas principais obras como
Prefeito de Porto Alegre (1955/58),
foram as seguintes: implantação de
sistema integrado de planejamento;
reavaliação do Imposto Predial; canalização de água em todas as Vilas
Populares, de acordo com as prioridades estabele~idas pelas associações
de moradores; implantação de 11 Okm
de rede de água; construção da hidráulica São João e aumento das outras duas grandes hidráulicas. Moinhos de Vento e Cristo Redentor,
implantação de mais de 80 km de
rede esgoto; construção de 13 7 escolas primárias para 35 mil alunos,
acabando com o déficit escolar~ re-
~A,''' modelação, alargmnento e iluminação
Brizola /a direita 1 e dois de seus ídolos: Leonel Rocha das avenidas Farrapos, Assis Brasil I' '/ e Protásio Alves; urbanização do
L~(a~o~c~en~tr~o)~e~A~l~'b~e~n~o:_:P~as~~u~a~l1~·n'.!.i.:-..:e:;;m~E;:;r,.:;e.:;ch;,;;1::;'m~,~l9;;.4;:;6;;;.....J.....J~iiOJ.~Ol.:i~iljjj,~'"ltarnerno
PUBLICADO
J11rn•I ,,M.__ f 1) 1
N."··-------·--·--- DatadJt_Ofi_!o:.Qg
Assinatura,
da estrada Cristal-Cavalhada; dragagem-aterro do rio Guaíba e implantação da continuação da Av.
Borges de Medeiros; renovação da
frota de ônibus públicos; implantação dos ônibus elétricos trolley bus;
criação do maior parque da cidade
até hoje, o Saint-Hilaire; remodelação e construção de grande número
de parques e campos populares de
futebol; criação do Programa integrado de reaparelhamento de Equipamentos Rodoviários para todas
as prefeinrras gaúchas.
a Light carioca cartelizavam a pro- máquina existente de repressão no
dução de eletricidade nos maiores interior do governo estadual; incentros brasileiros; triplica em qua- traduz um programa radiotelefôtro anos a produção de eletricidade nico semanal e pioneiro no País,
do RGS, acabando com os raciona- todas as sextas-feiras à noite, de
mentas; encampa a Cia. Telefônica prestação de contas e esclareciNacíonal, subsidiária da Intemati- menta sobre a administração esonal Telegraph & Telephone (ITT), tadual; inicia e comanda a Camapós o insucesso de longas gestões, panha da Legalidade, sustando o
para melhoria dos serviços telefô- plano que visava a impedir a posnicos do Estado; cria o Instituto se do Vice-Presidente da RepúGaúcho de Reforma Agrária - blica João Goulart, em ação políIGRA, com a entrega de mais de tica inédita e que garante o res14.000 títulos a agricultores sem peito à Constituição no país.
terra, destacando-se áreas de assen- Brizola mobiliza o povo gaú- Governador do Rio Grande do lamento como Fazenda Sarandi, cho e todas as forças de que dispuSul, em 1958 e a Legalidade Banhado do Colégio, Caponé, Fa- nha. A voz de Brizola, defendendo
Em 1958, comam---------------------• a Constituição, ecoa por
pio respaldo popular " U b todoopaísatravésdeuma
(mais de 670 mil votos m a raço, meu povo cadeia de emissoras de
contra 500 mil da coliga- rádio, ganhando o apoio
ção PSD/UDN/PL), Bri- querl· do f. Se na-O puder da opinião pública nacio- zola se elege governador nal. O Rio Grande do Sul
do Rio Grande do Sul aos se levanta numa jornada
36 anos de idade. Mes- falar mais, Será porque cívica, o general Machamo sem ter alcançado do Lopes, comandante
maioria absoluta na As- na-O me .f:'Ol. pOSSl'Vel f. do lll Exército, adere à
sembléia, constrói alian- .l 1 luta contra o golpismo.
ças que lhe dão respaldo Do seu posto de comanà ação adminisuativa. Todos sabem o que estou do, o Palácio Piratini,
As suas principais sede do governo estaduobras como Governador f: d 1 Ad al, Brizola garante a (195911962): implanta azen 0. eUS, meU posse de Jango. Este,
com recursos públicos a porém, contrariando a
indústria Aços Finos Pi- Rio Grande querido!" opinião do governador
ratini, utilizando carvão gaúcho, que queria que
gaúcho em projeto pio- Discurso da Legalidade em 2810811961 as tropas legalistas do
neiro no Estado; traz Sul marchassem até Brapara o Rio Grnnde do Sul sília, prendesse os milia Refinaria de Petróleo Alberto zendas ltapoã, Taquari e Pangaré. tares golpistas e dissolvesse o
Pasqualini, decisiva para a futura Ainda como governador inicia Congresso, convocando imediatainstalação de indústrias dt: adubos e conclui o maior programa de in- mente uma Assembléia Nacional
e do lll Pólo Petroquímicu; implan- vestimenta em educação realizado Constituinte, aceita e concorda
ta, com recursos públicos, a A1=ú- até hoje no Rio Grande do Sul, com com a emenda parlamentarista
car Gaúcho S/A -AGASA, em re- a constn1ção de 5.902 escolas pri- como solução conciliatória e assugião canavidra pobre do Esrado; in- márias, 278 escolas técnicas e 131 me a presidência da República,
corpora o Banco do Estado do Rio ginásios, abrindo 700 mil novas praticamente sem poderes. Os golGrande do Sul - BANRlSUL - ao matrículas e contratando 4~ mil pistas de 61 começam a conspirar
planejamento estadual e cria a Caixa novos professores, acabando com contra Jango no dia de sua posse.
Econômica Estadual; funda o Banco o déficit escolar; lança as inovadoRegional de Desenvolvimento do Ex- ras Letras do Tesouro Estadual (britremo Sul-BRDE; conclui a "fome- zoletas) que viabilizaram grande
létrica de Charqueadas, de grande por- número de investimentos sociais;
te parn a época, próxima a Pano Ale- faz uma série de investimentos esgre, e põe em operação a de Candiota, pecíficos, com a criação de Distrilocalizada em Bagé, além de construir tos Industriais, do Programa de Invárias usinas de médio porte. centivo ao Trigo e do primeiro Zo-
. Brizola também encampa, den- ológico do Rio Grande do Sul, em
tro das norn1as legais, a Compa- Sapucaia do Sul.
nlua Estadual de Energia Elétrica, No plano político, inicia o gosubsidiária da Bond & Share cana- vemo queimando os arquivos do
dense, ligada ao grupo americano Departamento de Ordem Política
American Foreign Power, que com e Social (DOPS), eliminando a
~m~ ~.,~:.:. f' ~ ...__
1964 - o golpe, o exílio
e a Carta de Lisboa
Ao final de seu mandato de
Governador gaúcho, Brizola se
transfere para o Rio de Janeiro, onde
se elege deputado federal com nada
menos do que um terço dos votos
de todos os cariocas. Foi um dos
mais ativos membros da Frente Parlan1entar Nacionalista, lutando, inicialmente, pela restauração do Presidencialismo, conseguida através do
plebiscito de 1963, e depois pela
Ao lado de Getúlio Vargas, Brizola (óculos escuros) também saúda a multidão
nas ruas de Porto Alegre na campanha presidencial de 1950
Brizola comandou do Palácio Piratini a Campanha da
Legalid"de que g(lrantiu a posse de Jcmgo em 1961
implantação das refom1as de base.
O golpe militar de 1964 frustra
a proposta trabalhista de modernização da sociedade brasileira, através da reforma agrária, da reforma
urbana, da reforma fiscal e da Lei
de Remessa de lucros, entre outras
iniciativas. Mais uma vez Brizola
tenra organizar a resistência popular e armada em defesa da Constiruiçào, a partir do Rio Grande do
Sul. Mas, àquela altura, todos os
esforços se revelariam inúteis. Em
um dos seus últimos discursos em
vida, na Assembléia Legislativa do
Rio Grande do Sul reunida em sessão especial pelos 40 anos do golpe militar de 64, Brizola afirmou
com todas as letras: "Se dependesse de mim, teríamos resistido ao
golpe militar de 64".
Depois de dois meses de clandestinidade na região da fronteira,
Brizola é, por fim, forçado a exilarse. Ele deixa o Brasil num pequeno
avião, que parte da praia gaúcha do
Pinhal para o Uruguai. Confinado
no balneário de Atlântida por pressão dos governos militares brasileiros, mantém seus contatos com a
oposição e apóia o MDB na grande
vitória das eleições de 1974. As
pressões da ditadura, entretanto,
acabam levando as autoridades uruguaias a detenninarem a sua expulsão daquele país, em 1977, em plena "Operação Condor" de eliminação fisica de exilados latino-americanos pelos órgãos de repressão do
Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai
e Chile - sob supervisão da CIA.
Brizola dá então um passo surpreendente: solicita e obtém asilo
político nos Estados Unidos, aquela época sob o governo democrático de Jimmy Carter de quem, mais
tarde, se tornaria amigo pessoal.
Fixando residência em Nova lorque, estabelece relações com os
partidos social-democratas da Europa e seus principais líderes, como
Willy Brandt, Felipe González,
Mário Soares, Olof Palme e François Mitterrand. Uma aproximação
que o levou, anos mais tarde, como
presidente do PDT, a ocupar a vicepresidência da Internacional Socialista e, posteriormente, a se tornar
um dos presidentes de honra da
Internacional Socialista.
Ainda no exílio, diante da progressiva abertura política no Brasil
comandada pelo general Ernesto
Geisel, Brizola se movimenta e organiza em Lisboa nos dias 15, 16 e
17 de junho de 1979- o Encontro
dos Trabalhistas do Brasil com os
Trabalhistas no Exílio, com o objetivo de reorganizar o PTB fundado
por Getúlio Vargas em 1945 e extinto pela ditadura militar. Com integral apoio do então presidente
Mario Soares, de Portugal, o evento é um sucesso e antes mesmo da
decretação da anistia, em setembro
de 1979, começa a ser reorganizado o Partido Trabalhista Brasileiro
(PTB) sob a liderança de Brizola a
partir da assinatura e do lançamento da "Carta de Lisboa".
1979 - A volta ao Brasil por
São Borja, primeiro governo
no· Rio de Janeiro
Decretada a anistia, Brizola retorna ao Brasil em setembro de
1979, por Foz do Iguaçu, e logo em
seguida dirigiu-se a São Borja, pequena cidade na fronteira com a
Argentina, terra natal de Getúlio
Vargas e João Goulart, como forma
de homenagear as duas maiores lideranças do Trabalhismo-, sua corrente política desde a juventude - e
a cidade que já dera e onde estavam
enterrados dois Presidentes da ReP'U'B·"L 1 CAD O
J•rnll ~ Pt>í
N. e-----------------D~ ta_~_/ .Q_'Q __ / Qli Assinatura
pública. Brizola se fixa no Rio de
Janeiro que considerava tambor
político do Brasil, para reiniciar a
sua vida pública interrompida pela
violência do Ato Institucional número 01 que cassou, além dele, o
próprio Presidente João Goulart,
o então chefe do Gabinete Civil,
Darcy Ribeiro, e o Secretário de
Imprensa de Jango, Raul Ryff.
Brizola passou a se dirigir anualmente a São Borja no dia 24 de
agosto para lembrar o suicídio de
Getúlio Vargas e a sua Carta Testamento - que considerava o maior
documento político da História do
Brasil; deixada em confiança nas
mãos do herdeiro político do Trabalhismo em 1954, o presidente
João Goulart. A partir de 1993, com
a morte e sepultamento em São
Borja de sua mulher, Neusa Brizola, irmã. de Jango, a romaria passou a ter significado ainda mais profundo. Brizola definia Neusa como
"'bonita por fora e por dentro".
do TRE que ficou conhecida como
"Escândalo da Proconsult",jainais
apurado apesar dos esforços do Ministério Público do Rio de Janeiro.
Brizola vence as eleições graças
ao que chatnava de '•força do povo",
numa histórica cainpanba que ele
próprio comparou a de Getúlio Vargas em 1950. Embora o PDT praticamente não tivesse estrunrra orgânica ou apoio financeiro, Brizola
parte do zero nas pesquisas préeleitorais - que davam ampla vitória para Sandra Cavalcanti, a candidata do PTB de Yvete Vargas - para
a vitória, de virada. O seu material
de campanha restringia-se a um
boné vem1elho com o slogan "Brizola na cabeça", criado pelo jornalista Wagner Teixeira, e a uns poucos cartazes e panfletos.
Mas o seu projeto de reorganizar o PTB preocupou a ditadura
militar, as voltas com as eleições
plebiscitárias e o explosivo crescimento do MDB a paitir de 1974
como conseqüência da anti-candidatura à Presidência da República
de Ulysses Guimarães e Barbosa
Lima Sobrinho. Para se precaver,
em manobra junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o
Brizola venceu as eleições de
1982 graças aos debates promovidos pela grande mídia, sendo o primeiro deles o da Radio Jornal do
Brasil, que teria papel estratégico
também na apuração dos votos.
durante a tentativa de fraudar as
eleições conduzidas pela firma Proconsult. Ao debate da Rádio JB
seguiram-se o do ''Povo na TV", o
da TV Bandeirantes e o da Rede
Globo de Televisão.
Em 1982, Brizola conquistou a cabeça e o coração do povo fluminense,
contra tudo e contra todos, se elegendo Governador do Estado do Rio de Janeiro
Após 15 ai1os de exilio, de discriminação e de perseguições, empossado govemador do Rio de Janeiro, todos, e não de um grupo, de uma
facção ou de um partido".
generalGolberydoCou- •-------------------•
Em seu primeiro
Govemo no Estado do
Rio de Janeiro, Brizola
retomou a luta iniciada
20 anos antes, no Rio
Grande do Sul, em favor
da educação pública. Idealizou e executou, com a
ajuda de Darcy Ribeiro,
o mais arrojado e revolucionário programa educacional já desenvolvido no
Brasil: o Programa Especial de Educação, o de
construção dos Centros
Integrados de Educação
Pública (Cieps), que o
povo apelidou de '·Brizolão,,. Uma escola inteSilva, tira a sigla PTB
mãos de Brizola e a
entrega a Yvete Vargas,
uma deputada conservadora - alegando razões
burocráticas.
Em lágrimas, Brizola rasga uma folha de papel onde estavatn as letras PTB e funda o Partido Democrático Trabalhista (PDT) como forma de reagir a manobra
da ditadura. Brizola começa do zero novamente
e em curtíssimo espaço
de tempo, um ano, consegue graças a sua liderança política- atender a
legislação e a orgai1izar o
" e ali, naquele momento,
decidimos voltar por São
Borja nem que tivéssemos
que dar umas voltas pelo
mundo inteiro ... São Borja é
como entrar pela porta da
frente da nossa própria casa ... "
Na volta do exílio, em 1979 grada, de tumo úrnico,
com assistência médicoPDT. E é por ele que se elege Governador do Estado do Rio de Janeiro em 1982 apesar da tentativa
de fraude na totalização eletrônica
as primeiras palavras de Brizola, demonstraram sua disposição de superar injustiças e incompreensões: "A
partir de agora, sou o governador de
sanitária e nutricional, biblioteca e estudo dirigido, tendo
cada Ciep com capacidade para até
mil alunos. Nada menos do que
500 deles foram deixados, pronQuando estava no Rio de Janeiro no dia 24 de agosto, Brizola sempre homenageava
a memória de Getúlio Vargas fazendo a leitura da Carta Testamento na Cinelândia
tos ou em construção, com as peças pré-moldadas em estoque, ao
seu sucessor, Moreira Franco, que se elegeu prometendo acabar com a
violência do Rio de Janeiro em seis
meses- com total e absoluto apoio
não só da Rede Globo de Televisão, como de toda a grande mídia.
Sem recursos federais e abstendo-se de recorrer a empréstimos exten1os, Brizola desenvolveu importantes programas de saneamento básico, de eletrificação rural e urbana, como '·Uma Luz na Escuridão" e de refom1a urbana, através
do programa "Cada Família, Um
Lote". Foi Brizola que iniciou no
Rio de Janeiro a política pública de
urbanização de favelas, que substituiu a prática antiga das remoções
desumanas e arbitrárias.
O Governo Brizola estancou a
sangria dos dinheiros públicos representada pela organização do carnaval, com a construção da Passarela do Samba, obra executada no
prazo recorde de quatro meses e
que, em apenas dois anos, ensejou
receitas suficientes para cobrir com
sobras todo o seu investimento.
Além de ampliar o mosaico dos
cartões-postais cariocas, na Passarela o professor Darcy Ribeiro,
então vice-governador e um dos
principais mentores do Programa
Especial de Educação, desenvolveu
um complexo escolar com 21 O salas de aula para funcionar fora do
período carnavalesco.
1984 - Diretas Já Em 1984, govemador do Rio
de Janeiro, Brizola liderou o grande comício da Candelária que reuniu um milhão de pessoas e elevou a campanha das "Diretas Já"
para novo patamar. Frnto da perseverança dos opositores da ditadura militar, como Ulysses Guimarães, e realizados inicialmente
sem apoio oficial e boicotados pela
grande mídia, o comício da Candelária deu nova dimensão a campanha das Diretas Já. Não houve
mais como esconder o óbvio: o
povo queria as eleições diretas.
A mobilização dos cariocas
obrigou os meios de comunicação
- especialmente a Rede Globo de
Televisão - a levantar o boicote
imposto ao movimento, numa tentativa vã de ocultar o que viria a se
transformar numa das maiores
campanhas cívicas do País. Depois do Rio de Janeiro, outras
capitais brasileiras viriam a reunir grandes multidões para exigir
o direito democrático do povo de
eleger o seu presidente.
Derrotada no Congresso pela
maioria governista a emenda que
restabelecia as eleições diretas, os
líderes da campanha partem para
uma solução negociada para o fim
do regime militar, via eleições indi- retas. Brizola rejeita o acordo, propõe as oposições que em vez de
eleger indiretamente um presidente da República, seria melhor estender o mandato do general Figueiredo e que fosse feita a transição
em curto espaço de tempo, para
em seguida eleger- diretamente - o
presidente da República. ·
Derrotada a tese que defendia,
prevaleceu a eleição indireta, mas
Brizola rejeita a chamada "Nova
República", recusa-se a participar
do governo Tancredo Neves, que
não chega a assumir cargo, ocupado por José Sarney, que presidia o
PDS, o partido da ditadura militar.
1985 - Saturnino Braga
se elege Prefeito
Com prestígio político cada vez
maior no Rio de Janeiro e no Brasil,
candidato a Presidente da República pelo PDT, Brizola lança Roberto
Satnrnino Braga, recém reeleito senador em 82 na chapa do PDT, para
a Prefeitura do Rio de Janeiro nas
eleições de 1985, as primeiras para
as capitais brasileiras depois da ditadura militar. Ultimo pleito a ser
realizado antes do recadastramento
eleitoral nacional promovido pelo
TSE em 1986, o candidato de Brizola ganha as eleições pela esmagadora maioria do eleitorado carioca -
embora Saturnino Braga fosse até
1982 apenas um político fluminense, do antigo Estado do Rio de Janeiro, eleitor de Niterói.
Antes rilesmo da posse de Saturnino a primeiro de janeiro de
1986, o então vice-prefeito eleito,
Jó Rezende, lança-se unilateralmente candidato a sucessão de Saturnino Braga ainda no final de dezembro de 1985 sem ouvir ningném, nem
o próprio Satumino. O acúmulo de
poderes municipais nas mãos de Jó
Rezende, por delegação de SatumiPUBL1-fADO
JerHI ~ ·-'-f'-"-b~- N. "·--------------- Da ta _~) _ _t J:ki __ _JQi..
Asslnatora
no Braga, e a compreensão de sua
candidatura dificilmente passaria
pelo PDT, partido a que se filiara na
véspera da eleição de 85 e no dia em
que sua candidatura a prefeito pelo
PT seria anunciada, levan1 J ó a trabalhar pelo afastamento de Satumino do
PDT. Em fevereiro de 1986 Satumino anuncia a sua decisão de sair do
PDT, filiando-se logo depois ao PSB
-partido pelo qual se elegera uma vez
deputado federal ainda na década de
60, e pelo qual- com o apoio de Brizola -voltaria ao Senado Federal em
1998, derrotando entre outros Moreira Franco e Roberto Can1pos.
1986 - A Farsa do Cruzado e a
derrota de Darcy Ribeiro
No final de seu primeiro governo no Rio, Brizola dá mais um
aprova de coerência: em março de
1986: apenas seis dias após a edição do "Plano Cruzado", ele condena, como presidente nacional do
PDT, em cadeia de rádio e televisão, a política econômica de José
Sarney, que pretendia acabar com a
inflação por decreto. "Tudo isso
são votos, votos e mais voros", dis- se Brizola, explicando que a inflação ''irá voltar com mais força,
como volta uma mola que é comprimida contra a parede".
O alerta solitário de Brizola -
aquela altura, as vésperas das eleições de governadores, deputados e
senadores - nem mesmo os demais
partidos de oposição ousaram levantar a voz contra as medidas de
Samey - seria amargamen,te lembrado pelo povo brasileiro logo nos
primeiros dias após a contagem dos
votos das eldções de outubro, quando o congelamemo de preços foi
suspenso e os índices inflacionários subiram vertiginosamente. Ferozmente atacado pela mídia, impedido pelo TSE de se apresentar
no horário eleitoral gratuito do
PDT, Brizola vê o seu candidato
ao governo do Rio de Janeiro, Darcy Ribeiro, perder a eleição para o
candidato governista - Moreira
Franco, que ele apelidara de ··Gato
Angorá", que fora por ele de1rotado em 1982, quando Moreira era
o candidato do último dos ditadores, João Figueiredo.
A Justiça Eleitoral, por conta
do recadastramento, substituiu os
velhos títulos. eleitorais pelos novos, sem foto ou assinatura, dando
um número a cada eleitor - procedimento que permitiu, 1 O anos depois, em 1996, a introdução nas
eleições brasileiras das umas eletrônicas que o TSE dizia serem
100% seguras - apesar de serem
infiscalizáveis e inauditáveis.
1989 - A eleição presidencial
A primeira eleição direta para
presidente realizada no Brasil depois da ditadura dividiu o país basicamente em duas correntes: de um lado a direita reunida em tomo do
falso ··caçador de marajás" representado por Collor de Mello, do
outro os oposicionistas divididos
entre PDT e PT. Apesar dos esforços de Brizola em busca da unidade, os dois partidos marcharam por
caminhos próprios. Preocupado com
o escândalo da Proconsult e com fatos registrados nas eleições de 1986
no Rio de Janeiro, o PDT solicit0u
fonnalmente ao Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) uma auditoria internacional para o progranla de totalização de votos que seria empregado
nas eleições presidenciais.
Ao final da apuração do primeiro run10 das eleições presidenciais de 1989, após inexplicável intem1pção de horas na apuração do
Estado de Minas Gerais, o candidato do PT venceu Brizola com
cerca de 0,5% de diferença entre
eles. Um pouco antes do TSE anunciar oficialmente a vitória de Lula
sobre Brizola por wna diferença de
pouco mais de 400 mil votos, em
um eleitorado de 86 milhões o TSE
convocou entrevista coletiva com
os meios de comunicação e nela os
presidentes de sete institutos de
pesquisa de opinião afirmaram, ao
mesmo tempo e antes do resultado
oficial, que Lula iria para o 2° turno
com Collor de Melo.
A falta de transparência que
marcou a apuração, gerando duvidas e suspeitas sobre o processo
eleitoral de 1989, não impediu que
Brizola, num ato de grandeza e desprendimento político, tomasse a
decisão de apoiar Lula no segundo
turno, transferindo todo o seu peso
eleitoral para o candidato do PT
que, graças a isto, obteve vitórias
esmagadoras nos estados do Rio de
Janeiro e Rio Grande do Sul.
1990 - O Segundo Governo
no Rio de Janeiro
Em 1990 Brizola se elege Governador do Rio de Janeiro pela
segunda vez com o extraordinário
índice de 70% dos votos ainda no
primeiro turno. Logo de início, se
lança à tarefa de recuperação dos
Cieps, criminosamente abandonados por seu antecessor, Moreira
Franco. E não só isto: além de
concluir as obras que haviam sido
paralisadas e reimplantar a filosofia da escola de turno único,
ampliou o Programa Especial de
Educação com a criação dos ginásios públicos. Ao final do seu
governo, 506 Cieps estavam funcionando, depois de um progra1na de obras 150 vezes maior do
que a construção do Maracanã.
No segundo governo Brizola o
Estado ganhou, ainda, a sua principal obra viária em várias décadas: a
Linha Vermelha, oficialmente Avenida Presidente João Goula1t, uma
via expressa que passou a ligar, ao
longo dos seus 21,4 quilômetros, a
Baixada Fluminense ao Centro do
Rio, em apenas 20 minutos - além
de criar um novo e moderno acesso
para o Aeroporto Internacional do
Galeão, realizada com recursos próprios do Estado em sua maior parte.
Outras realizações de grande envergadura, como o inicio do Programa de Despoluição da Baia de Guanabara (quase US$ 1 bilhão obtidos
junto ao BID e ao governo japonês),
a ampliação do sistema Guandu de
abastecimento d' água e a criação da
Universidade Estadual do Norte Fluminense, marcaram o segundo goven10 Brizola como um periodo de
grande progresso e desenvolvinlento para o Rio de Janeiro.
Apesar de tudo isso e de uma
ação enérgica e transparente na área
da segurança publica, com a punição exemplar dos responsáveis por
atos de violência, como as chacinas
da Candelária e de Vigário Geral,
uma campanha destrutiva dos
meios de comunicação contra Brizola e o Rio de Janeiro, empalideceu na mídia esta fase de progresso para o Estado - criando falsa
imagem de que o Rio de Janeiro
era mais violento do que outras
grandes cidades do país.
A elite, diante da decisão de
Brizola de novamente disputar a
presidência da República, ataca-o
ferozmente através da mídia e procura atrelar sua imagem a imagem
descendente de Col!or de Melo,
especialmente depois do momento
em que Collor resolve, no plano
federal, copiar o programa especial
de educação de Brizola - que receAo lado de Dona Neusa, Brizola vota na eleição
presidencial de 1989 - a primeira depois lia llitadura
beu o nome de Centro Integrado de
Apoio a Criança (CIAC). Veterano
das "ondas" midiáticas para desestabilizar os governos de Getúlio
Vargas em 1954, e de João Goulart,
em 1963, Brizola não compactua
com a crítica fácil dos mesmos que
elegeram Collor em 1989 preocupado com a questão da governabilidade e do processo de desestabilização do governo Col!or.
Vem a CP! e se tomam claras
as manobras de bastidores de personagens como PC Farias e outros,
num somatório de evidências e
provas sobre a corrupção no governo Collor. Brizola determina e a
bancada do PDT, por determinação do Diretório Nacional do PDT,
é a primeira do Congresso Nacional a fechar questão favorável ao
impeachment de Col!or.
Mesmo assim - de má fé - a
mídia e especialmente a Rede Globo de Televisão, que elegera Collor
destinando a ele mais tempo de exposição do que todos os demais
candidatos à presidência em 89 somados - insiste na versão de que
Brizola se '·aliara" a Collor.
1993/1994 - 2'. Campanha
presidencial e privatizações
Collor cai, ascende ao poder
federal Itamar Franco e um novo
ciclo de dificuldades passa a atrapalhar a segunda administração de
Brizola no Rio de Janeiro. Ministro da Fazenda de Itamar, Fernando Henrique Cardoso sabota a construção da segunda etapa da Linha
Vermelha, a que liga a Ilha do Governador a Baixada Fluminense, tradicional reduto eleitoral de Brizola
- obra iniciada no Governo Collor
em parceria com o governo estadual. FHC não libera as verbas, as
obras param e ficam paradas durante meses, só recomeçam depois
que Brizola se reúne com Itamar
Franco e este dá ordens expressas
ao seu Ministro para que liberasse
os repasses federais. A obra recomeça lentamente, mas só termina
depois das eleições presidenciais.
Ainda governador, ante o Plano Nacional de Desestatização
(PND) aprovado pelo Congresso
Nacional apesar do PDT ter fechado questão contra, Brizola critica a
privatização da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Seu protesto é isolado, só encontra eco na
Associação Brasileira de Imprensa
(ABI) e no Movimento em Defesa
da Economia Nacional, (Modecon),
ambos presididos pelo jornalista
Barbosa Lima Sobrinho. A mídia
apóia maciçamente as privatizações, e a CSN é entregue ao empresário Benjamin Steinbruck.
Apesar da mídia e do quadro
político desfavorável, Brizola
passa o cargo para o vice-governador Nilo Batista em 1993 e se
candidata, pela segunda vez, a
Presidência da República, tendo
como candidato a vice o professor Darcy Ribeiro. Brizola bate
de frente com o Plano Real, amargando péssimas posições nas
pesquisas, enquanto Lula, confortavelmente instalado na preferência do eleitor~do, se poupa da
polêmica seguindo os "conselhos"
dos marqueteiros a serviço do PT.
Fernando Henrique, atrás de Lula,
navegando no" sucessd' do Plano
Real, colhe os frutos do relativo
sucesso popular da iniciativa.
No único debate realizado pelos candidatos a presidente na campanha presidencial de 1994,já com
regras rígidas para impedir a discussão livre dos temas, Brizola
conseguiu dar um cheque mate em
Fernando Henrique, quando este
disse em certo momento, referinPUBLICADO
Jorna1 ~-e-~ Í
i'Lo .. ______________ Dat~!_/ ..Q.6_;:.Qi
Assinatura
[IQJ, tartnwwsrwrwnmmams
do-se ao Plano Real, que '
1
como
gosta de dizer o governador Brizola, o Plano Real vem de longe". Rápido no raciocínio e rompendo as
regras, Brizola retrucou no ato: "É, eu sei, vem da Argentina", arrancan- do uma gargalhada geral e deixando
Fernando Henrique visivelmente
embaraçado com a situação. Daí em
diante F emando Henrique não foi
mais a nenhum debate, adotando a tática de Collor de fugir da discussão para não se desgastar.
Lula ficou na situação de "preferido" das pesquisas - consideradas por Brizola um "oligopólio"
com o beneplácito da justiça eleitoral - até a véspera da eleição quando, na reta final, é alcançado por
Fernando Henrique e logo depois
superado. Brizola percorreu nova- mente todo o país com sua pregação nacionalista, mas seus índices
eleitorais continuaram ínfimos. Fernando Henrique vence a eleição com
apoio total da mídia e dos agentes
econômicos, Brizola e Lula, mais
uma vez, são derrotados.
No Estado do Rio, de forma
absurda e inexplicável já que se elegera governador em 91 com mais
de 50% de votos válidos - Brizola,
com toda a sua bagagem política e
verve, perde a eleição de 94 até para
o então desconhecido candidato a
presidente Enéas Carneiro, do Prona, que apresentava como platafor- ma eleitoral na tdevisão, uma úni-
"' frase que é bordão até hoje: ~eu nome é Enéas ! "
A mídia, sempre hostil a Brizola, celebra a derrota e alguns jornalistas proclamam. de novo, a
''morte" política de Brizola- como
haviam feito em ! 964, quando ele
partiu para o exílio. Fernando Henrique toma posse promet~ndo "acabar com a era Vargas" e retoma, com força total, o projeto neoliberal iniciado no Governo Collor, atendendo as determinações do Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco
Mundial e ao Governo dos Estados
Unidos e sintetizadas no livro de
Paulo Nogueira Baptista, "O Consenso de Washington".
Fernando Henrique Cardoso
entrega aos grupos nacionais e multinacionais empresas estatais lucrativas como a Vale do Rio Doce, o
Sistema Telebrás e muitas outras - as chamadas '"jóias da coroa" - em
questionáveis leilões até hoje pendentes na Justiça, embora seus promotores usassem o tempo todo a
expressão "ato jurídico perfeito"
como resposta às acusações de ilegalidade no processo de desestatização - criticas feitas não só por
Brizola, como nacionalistas do porte do veterano jornalista Barbosa
Lima Sobrinho e de seus auxiliares
na Associação Brasileira de hnprensa (ABI) e Movimento em Defesa
da Economia Nacional (Modecon).
1998, Brizola vice de
Lula e Garotinho Fora do governo estadual, Brizola passa a se dedicar mais ao PDT
até que quatro anos depois, em
1998, na tentativa de derrotar o
projeto de reeleição Fernando Henrique Cardoso, Brizola estabelece uma aliança eleitoral com o Partido
dos Trabalhadores (PT), aceitando
a posição de vice-presidente na
chapa de Luiz Inácio Lula da Silva,
para unir a esquerda, desde que no
Rio de Janeiro fosse feito wn grande acordo político envolvendo diversos partidos e que o PT apoiasse o candidato do PDT a governador, o ex-prefeito de Campos Anthony Garotinho. Apesar da reação
de setores do PT, a senadora petisca
Benedita da Silva se elege vice-governadora na chapa de Garotinho,
juntamente com o ex-deputado, expreteito e ex-vereador Roberto Satumino Braga, do PSB, que disputou a deiçào como candidato único
das oposições com o compromisso
escrito de dividir o mandato com seu
primeiro suplente, o ex-deputado
federal e ex-secretário municipal,
Carlos Lupi - também vice-presidente regional do PDT.
Brizola, depois da privatização
da Companhia Vale do Rio Doce,
do Sistema Telebrás e de outras importantes estatais passa a se deBrizola sempre foi leitor atento dos bilhetes dos companheiros
m e rr r w rwerr---wwtn·rwmzrm·:n·re rr mm
dicar ainda mais a luta dos setores - nacionalistas brasileiros, principalmente os liderados e próximos ao
jornalista Barbosa Lima Sobrinho
como a ABI, Modecon e Associação dos Engenheiros da Petrobrás
(Aepet). Brizola dá integral apoio a luta contra as tentativas de retalhar
a Petrobrás e alienar o controle das
jazidas de petróleo brasileiro, o que - infelizmente - começa a ser feito
na prática após a criação da Agência
Nacional de Petróleo (ANP) e o início das "rodadas de licitação" da
agência criada por FHC.
Antenado o tempo todo nas
questões que ferem a soberania nacional, Brizola morreu empenhado
em denunciar a 6'. rodada de licitações da ANP marcada para agosto
próximo para a entrega das chamadas '"áreas azuis", comprovadamente ricas em petróleo segundo a Petrobrás - 0111 verdadeiro "crime contra
o Brasil", nas palavras de Brizola, só
que agora perpetrado pelo presidente Lula da Silva, e sua ministra Dihna
Roussef, uma ex-militante do PDT
do Rio Grande do Sul.
Garotinho, eleito em 1998, antes mesmo antes da posse abala
suas relações com Leonel Brizola
por não ouvi-lo na escolha do secretariado preferindo, segundo expressão usada por Brizola ""passear dentro do PDT, como quem passeia com um carrinho de compras
dentro supenuercado. pegando nas
prateleiras o que o mais lhe agradasse e servisse". A gota d'água
para que a divergência entre os dois
viesse a público foi a nomeação,
para Secretário de Justiça do advogado Sérgio Zveiter, declarado adversário político de Leonel Brizola. As relações entre o governador recém eleito e Brizola se agravaram
com a repercussão por toda a mídia
das declarações de um e de outro.
2000, o candidato a Prefeito
do Rio de Janeiro
Preocupado com o avanço de
Garotinho sobre as bases do partido, Brizola decide se lançar candidato a prefeito da Cidade do Rio de
Janeiro nas eleições de 2000, aos
78 anos de idade, como forma de
'·fechar" o partido, wlindo-o em torno do seu nome. Brizola sai as ruas
com grande entusiasmo, empenhando-se a fundo na busca do voto, percorrendo todos os bairros as principais favelas da cidade, repetindo a
mesma tática eleitoral que empregara em 1982 e lhe garantira,jw1to com os debates políticos, sua espetacular
vitória nas eleições. Os debates não
acontecem por temor de seus adver·
sários- o noticiário da mídia se resume a falar das pesquisas e a registrar,
factualmente, as andanças dos candidatos sem abrir nenhum espaço
para a discussão de projetos.
O empenho e as andanças de
Brizola pelo Rio de Janeiro, recepcionado calorosamente por onde
passava, inexplicavelmente, não
alteraram em momento algum o
quadro das pesquisas -quatro, cinco ou até mais divulgadas semanalmente pela mídia, feitas pelos diversos institutos geralmente por
encomenda de veículos de comunicação - sendo a principal delas a
Ibope/Rede Globo. A campanha
eleitoral de Brizola, que começara
vigorosa, não avança e as dificuldades~ começrun a aparecer, especialmente as financeiras. Atento ao
quadro, Brízola denuncia em várias
ocasiões o que definiu como "cartel
das pesquisas", onde uns poucos se
reuniriam para combinar resultados
em detrimento da verdade matemática. Brizola prega no deserto, ne1iliun1jomal, nenhuma rádio, nenhuBrizola sempre cultuou os símbolos da Pátria,
e principalmente a bandeira do Brasil
ma televisão lhe dá espaço. Do aíto
da autoridade de ter sido vítima da
primeira tentativa de fraude eletrônica registrada no Brasil, o Caso
Proconsult de 1982, Brizola também aumenta o tom da denúncia
pelo uso no Brasil de urnas eletrônicas inauditáveis e infiscalizáveis.
Brizola atraiu multidões por
onde passou - no calçadão de Campo Grande, no conjunto habitacional Amarelinho de !rajá, em Cordovil, no calçadão de Bangu, na rua
do Riachuelo, quando visitou a entrada do Bairro de Fátima., no largo da favela de Vigário Geral, no
Largo do Bicão, em Jacarepaguá, e
tantos outros bairros. Brizola atravessou a pé a favela do Jacarezi·
nho, entrando de um lado e saindo
do outro, para prestigiar um candidato a vereador com reduto naquela localidade; enquanto seu candidato a vice, Miro Teixeira, pouco
aparecia nesses eventos.
Brizola realizou dezenas de
mini-comícios pelas áreas populares da cidade também porque era o
único candidato com total e absoluto transito em todos os lugares
por onde passava. Aos 78 anos,
vigoroso, subiu a pé o morro de
São Carlos e andou praticamente
a pé todo o conjunto habitacional
de Cordovil, distribuindo bonés
vermelhos com os dizeres Brizola
Prefeito, PDT 12, disputados pelos eleitores e preservados com
muito carinho especialmente pela
população mais simples e mais
pobre - varredores, flanelinhas,
pessoas do povo - até hoje.
O candidato vencedor, César
Maia. por exemplo, teve que sair
as pressas do mercadinho da Cadeg, em Benfica, devido a violenta
reação a sua política de sistemática
perseguição ao comércio ambulan·
te. Brizola não foi hostilizado, pelo
contrário, era saudado, por onde
andasse na cidade do Rio de Janeiro. Veio a eleição e Brizola perdeu,
as umas eletrônicas confirmarain as
pesquisas eleitorais e a mídia.
Os desentendimentos com Garotinho se acirram, Brizola convoca o Diretório Regional .do Rio de
Janeiro para discutir a questão, o
Governador Garotinho acaba sendo expulso do PDT por decisão dos
integrantes do Diretório Regional. Para evitar desgaste maior, Garotinho rapidamente se desfilia e assina ficha no PSB com estardalhaço,
levando com ele vários filiados do
PDT que, nw11a espécie de "rito de
passagem", antes de assinarem ficha no PSB, publicamente jogam
bandeiras do PDT no chão sob as
vistas de Garotinho.
Brizola paulatinamente aumenta o tom de suas críticas ao sistema
eleitoral eletrônico em uso no
país, com assessoramento dos
técnicos do Fórum do Voto Eletrônico (\vww.votoscguro.org) ·
tornando-se defensor incondicional da impressão do voto eletrônico, para que os brasileiros pudessem, novamente. fiscalizar o
próprio voto - conferindo-o im- presso - antes dele ser exclusivamente registrado eletronicamente, num processo distante do entendimento do simples do eleitor.
2002, a última campanha -
Brizola Senador
Em 2002, atendendo à necessidade de fortalecér o PDT, Brizola
cedeu aos argumentos de companheiros e, juntamente com Carlos
Lupi, saiu candidato ao Senado. No
plano nacional, Brizola coordenou
o apoio à candidatura de Ciro Gomes, numa aliança com o PTB e o
PPS, depois de tentar, meses a fio,
fazer com que o ex-presidente !taPUBLICADO
Jern11 die- f_b__T __ _
:---:--.-
N ·º-------------- Dstaó2.J,_; _Qfi_JQ!i
Aaalnatura. ··---~- ,.
mcre:rrtt ••• 'ª mar Franco se filiasse ao PDT e
saísse candidato à Presidência da
República. Itamar, que teria como candidato a vice Ciro Gomes, ficou
na dúvida se sairia ou não do
PMDB aceitando o convite de Brizola, acaba não saindo do PMDB e
logo depois, torpedeado dentro do
PMDB, deixa de ser possivel candidato à Presidência da República.
Brizola, por sua vez, não aceitar
ser novamente candidato da presidente - embora seu nome tenha
sido lançado com o apoio de dezenas de companheiros do PDT.
Por fim, sem opção e por considerar Lula despreparado, concorda em apoiar a candidanua do exgovemador do Ceará Ciro Gomes,
pelo PPS. Para governador do Rio
de Janeiro, Brizola indica o jovem
prefeito de Niterói, Jorge Roberto
Silveira, considerado um dos melhores administradores municipais do
país e filho da maior liderança trabalhista do antigo Estado do Rio de
Janeiro, governador Roberto Silveira. Para fortalecer a chapa no Rio e
atendendo a apelo de companheiros, Brizola aceita disputar uma vaga
no Senado ao lado de Carlos Lupi.
A mídia, mais uma vez, sob o
falso argumento de que as eleições
presidenciais tinham prioridade,
negavam espaço jornalístico à campanha pelo governo estadual e pelo
Senado, ao mesmo tempo em que
era preparado, via instirutos de pesquisa, o terreno para uma nova "morte política" de Leonel Brizola. Ao
contrário da eleição para Prefeito,
Brizola deixa a can1panha de rua a
cargo de Jorge Roberto e Carlos
Lupi, dedicando-se apenas as gravações de televisão - para os pro- gramas nacionais, de apoio a Ciro
Gomes, e para os programas estaduais, pedindo votos para ele, para
Lupi e para Jorge Roberto Silveira.
Político mais experiente do
Brasil, com 60 anos de vida pública, Brizola confia na sua experiência e na força do q ne chamava de
seus "pensamentos conclusivos"
para tocar a campanha para o Senado e, ao mesmo tempo, apoiar as
campanhas - através do horário eleitoral gratuito e inserções no rádio e
televisão, regionais e nacionais-de
Ciro, Jorge Roberto e Lupi. No Rio
de Janeiro a campanha se desdobra
sem debates para o Senado, embora eles aconteçam para governador
e para presidente da República, relegada a segundo plano pelos meios de comunicação, a campanJia
para o Senado se restringe a permanente divulgação, via mídia, de
que os candidatos "a", ''b", "'c", etc
- ocupavam tais e tais lugares na
preferência do eleitorado - sem espaço para projetos, iniciativas,
políticas públicas.
Ciro sobe nas pesquisas, chega
perto da ponta segundo as mesmas
pesquisas eleitornis que Brizola não
cansou de atacar como cartelizadas.
mas cai e finalmente, perto do primeiro turno, diante da possibilidade - dita pelas mesmas pesquisas,
de que Lula poderia ganJ1ar as eleições já no primeiro nuno - Brizola
sugere a Ciro Gomes que abra caminho para Lula, facilitando o ca- minho dele para a Presidência- derrotando Serra de wna vez. Ciro não
aceita a sugestão, rompe com Brizola, Lula vai para o segundo tur- no. Na eleição para as duas vagas
para o Senado, onde Brizola era praticamente o segundo candidato na preferência de muitos eleitores - até os do PT - Brizola inexplicavelmente amarga um sexto lugar,
atrás-pela ordem -do ex-deputado estadual Sergio Cabral Filho, alia : nman nn
ado do governador Garotinho e desafeto de Marcelo Alencar; do deputado federal Crivella, homem de
confiança do "bispo" Macedo, da
Igreja Universal do Reino de Deus,
que soma 3,2 milhões de votos embora tradicionalmente o eleitorado
evangélico no Rio de Janeiro nunca
tivesse ultrapassado 1,8 milhão de
votos; do jornalista Paulo Alberto
Monteiro de Barros, mais conhecido pelo pseudôuimo de Arthur da
Távola; e do "bispo" Manoel Ferreira - um absoluto desconhecido
fora das rodas evangélicas, também
ligado ao governador Garotinho -
que fez questão, quando Brizola
esteve na rádio CBN onde ele já se
encontrava, de posar ao lado do que
ele próprio definiu como "uma das
maiores lideranças políticas do Brasil", na presença dos jornalistas presentes - inclusive o titular do programa, Sidney Rezende.
Lula vence no plano federal,
no plano estadual vence a candidata Rosinha Garotinho, enquanto Brizola e o PDT amargavam
nova derrota imposta pela união
de fortes interesses.
No dia seguinte ao anúncio da vitória de Lula no primeiro turno, Brizola recebe em sua casa uma ligação
de Luiz Inácio da Silva quando estava
reunido com assessores que acompanharam, no TRE do Rio de Janeiro, a
dança dos nún1eros da apuração que,
em determinado momento, deram
para Lula resultado negativo em milhares e milhares de votos. Lula pediu
apoio do PDT para o segnndo turno,
prontamente dado por Brizola em
nome de todo o PDT, que abertamen- te - mais uma vez - apoiou integralmente tUna candidanu-a de Lula à Presidência da República.
No segundo nuno das eleições
presidenciais, Leonel Brizola e o
PDT proclamam apoio a Lula, com
a intenção de "barrar o continuísmo de FHC", representado pelo
candidato José Serra. Os trabalhistas se dedicam com afinco a candidanua Lula e o candidato do PT,
com integral apoio de Brizola e de
todo o PDT, finalmente chega a Presidência da República depois de
disputar três vezes a eleição. Eleito com 53 milhões de votos, antes
mesmo de empossados, Lula e seus liderados tiram a máscara ao entregarem a direção do Banco Central
aos banqueiros, atrelando-se ao
FMI. Lula, sem ouvir Brizola, nomeia Miro Teixeira Ministro das
Comunicações e abre uma crise com Brizola que exigia que a direção do partido fosse ouvida institucionalmente, antes do PT partir
para nomeações e cooptação de
quadros pedetistas. As críticas de
Brizola foram num crescendo até
que se tornaram públicas quando,
numa única reunião, o ministro-chefe do Gabinete Civil, José Dirceu,
empregando práticas clientelistas e
unicamente preocupado em ampliar a base parlamentar do Governo,
sem qualquer compromisso com o antigo, coopta cerca de seis deputados do PDT com a ajuda de Miro
Teixeira e sugere o ingresso deles
no PTB. Brizola se atrita com Miro
e pouco depois não resta ao antigo
líder do PDT outro caminho que
não seja o de deixar o PDT, trocado
pela legenda do PPS.
Preocupado com a política agressiva de cooptação do PT, em dezembro de 2003, Brizola pede e o Diretório Nacional do PDT atende, vo- tando a saída do partido da base de
apoio ao governo, determinando a
todos os seus filiados que entregassem os poucos cargos que detinham na
adminislração federal. O episódio mar21 rmm:zr nmn 'S 5f!![]IJ
No Encontro Nacional do PDT em Süo Paulo, no dia 4 de junho, Brizola
fez seu último discurso ao lado de Paulinho da Força Sindical
cou, mais uma vez, espaço para que
oportunistas se abrigavam sob o manto brizolísta fizessem sua opção preferencial pelo poder, abandonando o
debate de idéias e as lutas do povo
trabalhador. Ao mesmo tempo que outros companheiros, que isoladamente
ocupavani cargos no govemo tederal,
atendem ao chamamento partidário e
devolvem no tempo aprazado, 30 de
janeiro de 2004-os cargos que ocupa- vam no governo do PT.
Aproximando-se as eleições
municipais, preocupado com a
questão nacional, uma semana antes da realização do Encontro Nacional do PDT em São Paulo, nos
dias 4 e 5 de junho últimos, sua
última participação em evento público - falando no edifício Orly,
sede do Diretório Nacional, para
um grupo de dirigentes partidários procedentes de todo o Brasil,
Brízola manifestou sua certeza de
que o Brasil, nos dias de hoje, vive
um momento de virada.
Argumentou que via os dias
de hoje, diante da decepção da população com a política de Lula e
do PT, tempos semelhantes ao que
vivera em 1961, pouco antes do
desencadeamento da Campanha da
Legalidade. Brincando, disse que
naqueles dias, embora fosse governador do Rio Grande do Sul, evi- tava passar perto até de filas de
ônibus "para não levar vaias". Explicou que o Marechal Lott tinha
perdido as eleições, Jânio Quadros,
o novo presidente, isolara João
Goulart e ele, lá no Rio Grande do
Sul - atravessava momentos dificílimos para governar.
Então veio a tentativa de golpe
dos ministros militares que tenta- ram impedir a posse de João Goulart, que estava na China. Ele, indignado com a situação, decidiu reagir
e convocou seus companheiros para a reação -desencadeando a Campanha da Legalidade. Segundo Brizola, tudo virou, as pessoas começaram a afluir a praça fronteira ao Palácio Piratini - virou história. Na sua opinião, concluiu, o
PDT vive momentos muito parecidos com os que ele viveu naquela
época pouco antes do início da Legalidade, mas que ele acreditava na
virada, que os ventos da história estavam soprando a favor do PDT.
Explicou que o governo federal
não só cai nas pesquisas como
cada vez afasta-se mais das pessoas que o elegeram, que acreditava que a campanha eleitoral de
outubro próximo, na verdade, vai
ser nacionalizada e o início da
campanha eleitoral de 2006. Brizola garantiu que, na sua visão,
as campanhas eleitorais para as
eleições municipais deste ano e a presidente de 2006 serão uma só.
Brizola morreu empenhado em construir condições para que a bandeira pedetista voltasse a brilhar em todo o país e no Encontro Nacional do PDT realizado
em São Paulo, sua última aparição pública onde, proferiu seu
último discurso - mostrando didaticamente toda a sua disposição para a luta e a importância de
se preservar as memórias de Vargas, João Goulart e Marcondes
Filho, um dos pais do Trabalhis- mo. Brizola em seguida foi para
o Uruguai e de lá voltou, sozinho e em avião de carreira, já doente.
Morreu na cancha confirmando uma das milhares de frases que
eternizou no dicionário político
do Brasil: cavalo de raça morre na
pista. (colaboraram Osvaldo Maneschy e Antonio Oséas)
PUBLICADO
Jotn•I ~-eÂ_r __ ._/õII
N ·ª----·------- D ataJ,!__ 10_\Q ___ J ______ _
,t,ulnatura
"eer:re· w·r r e· -r r::rr·m nrrr sm
Feliz Ano Novo, Leonel Brizola
Passei a noite do Ano Novo no apartamento de Brizola, de frente
para o espetáculo de fogos que desenhou nos céus de Copacabana
os signos deste 2004. Como não podia deixar de ser, cheguei bem
antes da meia-noite. Tinha muito que conversar com ele. E queria
conhecer mais suas opiniões sobre os acontecimentos recentes
Não éramos muitos: alguns
amigos dos primeiros tempos do
"comandante", um filho e vários netos. Não podia ter sido
melhor a oportunidade para uma
boa prosa com o homem que
simboliza a própria dignidade
nacional - cuja história invejável, mais rica do que a de qualquer outro mortal dos nossos
dias, o habilita como o melhor
mostrando suas vísceras pútridas, corrompíveis, falaciosas,
vai produzir o fermento da revolta e da indignação. Porque
os que não tiveram pejo em passar uma rasteira grosseira na
esperança massificada vão se
enforcar em suas próprias cordas. E levarão junto a súcia arrivista que só pensa em causa
própria, nada tendo a oferecer
conselheiro do por ser de seus povo brasileiro
nestes tempos
de surpreendentes metamorfoses.
"A história de maus hábitos o
olhar vesgo e
fixo sobre os
combalidos cofres de erário.
Fui encontrar o ancião e
lepareicom
uma Nação não
se constrói de
dá-lá toma-cá
to tempo, tempo
curto, sem dúvida.
jovem se- d
nhor, incrivel- entre etentores
Paradoxalmente, pela natureza do processo político
brasileiro, a
correlação de
forças mudou
Essas reflexões
hoje me vêm à cabeça nas comparações inevitáveis
que teria de fazer,
decorridas duas semanas da conversa
com o mestre Brizola. Enquanto os
políticos que gastam fortunas para
ganhar um mandato participam do
leilão de fatias do
poder - que é controlado por. quem
não aparece em
cena - o mais vivido dos nossos próceres prepara seus
músculos para areconstrução de um
novo momento,
com a sabedoria
dos mais velhos e
o aquecimento dos
atletas olímpicos.
mente disposto,
como se ainda
lhe restasse a
de mandatos"
tarefa de uma longa jornada
cívica. Sem exagerar, se1n querer jogar confetes, posso lhe
dizer, com toda a sinceridade,
que ninguém daria nem sessenta anos para ele. Seus
olhos pareciam exibir o brilho
dos raros corações valentes,
dos predestinados, para quem
o destino reservou uma vida
secular, oferecendo-a ao mais
nobre dos ofícios - o de servir
a Pátria com despojamento e
sentimentos pétreos.
Contemplando suas dissertações ágeis e seguras sobre os
desdobramentos do processo
histórico, em que foi protagonista de peito aberto, tive a sensação de que eu e os outros parceiros estávamos ganhando
oxigênio novo. Porque o anfitrião fazia todas as honras da
l, servia ele próprio o vinho
~ _., convidados e não se furtava a falar sobre assuntos de
hoje e de ontem. O mais marcante, porém, foi sua disposição de ouvir a cada um de nós
com uma atenção tal que fazia
desaparecer qualquer tipo de
diferença - da experiência e da
ascendência que naturalmente
o fazem muito mais ouvido.
A partir desse colóquio foi
possível .desenvolver alguns
raciocínios, todos apoiados
no método mais infalível que
conheço, a dialética. E mesclando a história da política
brasileira com a atual conjuntura, não há risco em dizer que
este ano vai ser inteiramente
novo, de verdade.
A mesma metamorfose que
desnudou os últimos mitos,
seu eixo. Erram
redondamente os que medem
o desempenho dos partidos
pelo número de parlamentares, muitos dos quais resultantes do troca-troca desprezível que, por si, desmoraliza
seus protagonistas.
A história de uma nação
não se constrói de dá-lá tomacá entre detentores de mandatos. Disso sabiam muito bem
os que passaram anos faturando o comporIsso quer dizer,
sem mais delongas, que no limiar de completar 82 anos, como
o velho Mao, Brizola tem tudo
para conduzir o resgate da dignidade vendida. Numa época
em que se estendem com facilidade as expectativas de vida, o
bom Quixote
tamento abjeto dos rivais,
ressaltando
valores que
são válidos
para todos, em
qualquer época, inclusive
para eles.
"No limiar de
completar 82
reacende no inconsciente coletivo, que hoje
percebe a olho
nu as razões do
complô montado para impedir que ele
se tornasse o
presidente da
República.
Com certeza,
sabem todos,
sem exceção,
o velho caudilho não se borraria diante
das máfias do
Mais do
anos, como o
velho Mao,
Brizola tem tudo
que isso: o
exercício do
poder é mais
do que o fruir
orgástico de
deslumbrantes mordomias. É um desafio cada vez
para conduzir o
resgate da
dignidade
vendida"
maior, que exige estatura moral, competência, sensibilidade,
garra, dedicação, despojamento e experiência. O Brasil de
hoje é um baú de dívidas, dependência externa, especulação financeira incontrolável,
caos social, desintegração e
chantagens. Decifrar esses teoremas intemalizados por anos
é obra para homens preparados
e instituições enraizadas, os
canastrões de aluguel possam
até fazer gracinhas por um cer-
"mercado",
nem se sujeitaria às ordens
dos donos das torres gêmeas.
O que ficou como maior impressão da noite do Ano Novo
foi exatamente a honesta constatação de que Brizola está novinho em folha, por assim dizer.
Não importa se o rebento do
chaguismo, como sempre apegado ao poder, a que serviu sem
interrupção por toda a sua enganosa trajetória, vai tentar solapar a superestrutura parlamentar minguada do PDT, cumprindo tarefas do palácio. Não
importa se outros medíocres pusilânimes, até os que falavam
cobras e lagartos do traidor da
vez, vão aproveitar a deixa para
engrossar a fila dos pedintes
de sinecuras e trânsito fácil
para negociatas dos seus patrocinadores.
e vereadores, principalmente
em cidades da envergadura do
Rio de Janeiro, terá inevitavelmente que escolher entre os
títeres dos podres poderes e
sua verdadeira antítese.
E sua verdadeira antítese,
o seu contrário mais visível, é
Brizola tem
tudo para voltar ao proscênio no papel
principal. Porque agora, certamente, em
todos os cantos e recantos
deve ter muita
gente dizendo,
mesmo ainda
baixinho, que
"Ainda temos
Brizola como
aquele que
abriu mão a
vida inteira
dos facilitários
ignominiosos
para não se expor ao vexame
que hoje encobre de infâmia,
vergonha e
opróbrio a nefasta aliança
que governa
ícone maior do
grandioso sonho
do Brasil
brasileiro"
o verdadeiro líder tinha razão.
E se tinha, tem. Se tem, não há
como dispensá-lo de uma missão que, por tudo o que aconteceu nesses meses de dec~pção amarga, tem a configuração de uma missão sagrada,
pétrea, definitiva.
Isso quer dizer, acentuo,
que o processo político brasileiro terá de ser reavaliado e revirado de cabeça para baixo a
partir das eleições municipais.
Que podem ser municipais,
mas serão igualmente, pelas
circunstâncias, também eleições sob a égide das contradições nacionais. Quem for às
urnas para escolher prefeitos
nosso País de
brincadeirinha, já que, decorridos mais de 365 dias, nada fez,
a não ser operar como uma
grande clínica freudiana que
tentar curar velhos traumas existenciais de rufiões enrustidos,
enquanto os especuladores
deitam e rolam, com uma desenvoltura jamais testemunhada.
Quem for às umas e tiver o
mínimo de auto-estima e lucidez
haverá de lembrar que nem tudo
está perdido. Ainda temos Brizola como ícone maior do grandioso sonho do Brasil brasileiro.
Pedro Porfirio
(Publicado no Jornal do PDT
em fevereiro de 2004)
PUBl,,.ICADO
Jornal ...da_ r b í ·~~~~~~~-..,,,....--
"'·º·-------------- Data_"2.~_/.QS2_/ 04
Aulnatura.