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materia nº 91/1992

Tipo Projeto de Lei Ordinária
Número / Ano 91 / 1992
Date 1992-11-04
EmentaDenomina Complexo Poliesportivo "Frei Gonçalo"
native_id6013

Tramitação (latest 1)

DateStatusTurnoTexto
2020-09-17 Arquivado F Projeto de Lei cadastrado pelo Departamento Legislativo no ano de 2020 e sancionada/promulgada a lei.

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texto original #

status: extracted · method: native · backend: pypdfium2 · confidence: 1.00 · pages: 58

CAMARA MUNICIPAL DE PATO BRANCO 
Exmo. Sr. 
ESTADO DO PARANA -. _ ... -· \ EB\DOo R E C Ü. __ ;SJ.Jd.-- ~o.: J __ ~ .. _o.:\, ' ........... ; <-' o l~~··:·~l TO \\~•.N- .• 
\-\ora.... .. ""(I~ "l 
'- ~ M~.t. >A\! 
Ilirio Antonio Toniolo 
DD. Presidente da Clmara Municipal de Pato Branco 
O Vereador adiante assinado, DANIEL CATTANI, 
no uso de suas atribui,5es regimentais, vem, respeitosamente 
à V. Exa. requerer, apds os trimites regimentais, seja 
submetido à aprecia,lo do douto Plenirio o anexo Projeto de 
Lei que denomina Complexo Esportivo Municipal. 
Nest si termos, pede deferimento. 
Da 
VE 
Bn~nc<), 04 
r -A-t cVif l/ 
iel Cattani 
EADOR 
de novembro de 1992. 
JUSTIFICATIVA: A denomina,io sugerida, FREI GONÇALO HORT, 
além de homenagear um dos grandes baluartes do 
desenvolvimento do nosso Município, cujas li~5es de 
humanidade e caridade marcaram indel~vel o seu convívio 
durante seis anos em Pato Branco, deixando uma obra que hoje 
é o símbolo m'ximo de nossa cidade, qual seja o Templo da 
Igreja Matriz Slo Pedro de Pato Branco, resgata uma 
homenagem que a sociedade pato-branquense ji lhe havia 
prestado quando em vida. 
Com efeito, o local onde atualmente est~ 
localizado parte do complexo poliesportivo objeto da 
denomina,lo, estava instalado o Estidio do Esporte Clube Int(:~\"r\acional, cuja <hmomina(;:ão <~ra "Est:ádio Ft~<Ü Gon~al<:>". 
Ainda hoje ~ comum as pessoas referirem-se ao 
centro paliesportivo como Frei Gan(;:ala. 
A insistincia da comunidade em chamar aquele 
local de Frei Gon(;:alo, demonstra que a referido nome i 
aceito, consagrado, respeitado, digno e merecedor dessa h<)m(~nagem. 
Anexamos histórico da vida desse Grande 
Cidadão, falecido em data de ee de abril de 1912, após uma 
vida de amor e dedica~lo aos seus semelhantes. 
Rua Arariboia, 491 - Telefax (0462) 24-2243 
PATOBRANCO-PARANA 
CAMARA MUNICIPAL DE PATO BRANCO 
ESTADO DO PARANA 
PROJETO DE LEI N2 9~/92 
SÚMULA: Denomina Complexo Poliesportivo 
e dá outras providincias. 
Art. 19 - O complexo poliesportivo municipal, 
situado no alto da Rua Ararib6ia, Bairro La Salle, na cidade 
de Pato Branco, constituído de um campo de futebol, pistas 
ele at let j.smo, c:anchas pol iespo1·t j.vas, ginas:i.c> "Patão", 
piscina e sede administrativa da FESPATO, passa a denominar￾se COMPLEXO POLIESPORTIVO MUNICIPAL FREI GONCALO. 
Art. 29 - No prazo de 90 <noventa> dias, contados 
ela publicação da presente Lei, o Executivo Municipal mandari 
afixar placas indicativas contendo a denominaçlo 
estabelecida no artigo anterior. 
Parágrafo único. A1a p 1 aca1s l"e·Fer idas n<:> "c;J.put" 
deste artigo em ntlmero nlo inferior a duas, serio afixadas 
no complexo poliesportivo referido no artigo 1Q, em locais 
de maior fluxo de pessoas e de ficil visuali2açlo. 
Art. 39 - A presente Lei entrari em vigor na data 
de sua publica~io, revogadas as disposi~5es em contririo. 
Rua Arariboia, 491- Telefax (0462) 24-2243 
PATOBRANCO-PARANA 
Câmara 1flunicipal de Pato Branco 
Estado do Paraná 
COMISSÃO DE JUSTIÇA E REDAÇÃO 
PROJETG DE LEI Nt 91/92 
SÚMULA: Denomina complexo .-..-•1- , A portivo e da outra• providencias. 
P A ll E C E R 
A matéria em apreçe preenche os requisitos de oràem le 
aal e formal eatando em condições de ser apreciado pelo Plenário. 
É o parecer SMJ. 
- PDS 
,//,;:_.?//I c1óvf~vp~dro De raveri - Relator 
Rua Ararigbóia, 491 Fone (0462) 24-2243 85500 Pato Bronco Paraná 
Câmara 111,unicipal de Pato 13ranco 
Estado do Paruná 
COMISSlO DE MÉRITO 
Parecer ao Projeto de Lei n• 91/92 
' , Sunnala Denomina Complexo Pol•esportivo e da outras providencias 
AMÃLISE Busca e eminente Vereador DANIEL CATTANI,deneminar • 
atual Centro Polieaportivo Mun1eipal,onde localiza-se 
a FESPATO de Complexo Polieaportivo Municipàl Frei Gon 
qaloilloe~t 
Rua Ararigbóia, 491 
Justifica tal proposição, por aer o referido local,e! 
nhecido pepulannente de Frei Qon9alo, o que se entende 
c•mo ·ua "bati&110~ expontâaeo. 
lata Comissão, analisando a presente propeaição,peroe￾be ~ue tal argumentação é válida e reflete o entendi￾aento da sociedade, que ao longo da história da 'forma￾ção cultural e aâportiva de Pate Branco,aooat\Jlllou-se 
a chamar o alto da colina como "eatadi• Frei Gonçãlto, , indicallOa por fim que o chama11ento popular e Frei 
Goaçalo, sem o apêndice de seu aebrenome Hort, que nos 
pareee,coaduna •lhor com oMbati•o•popular. Se esta 
... indicac;~o for de agrado ."9 proponente. , 
1 o parecer 
Branco •• 23 de nove•bro à• 1912 
Fone (0462) 24-2243 85500 Pato Bronco Paraná 
Câmara 1!flunicipal de Pato Branco 
Estado do Paraná 
ASSESSORIA JUR!DTCA = ~---.., .... ~. =;::::: 
Através do Projeto de Lei em téla, busca o Verea￾dor Daniel Cattani, apoio do douto Plenário desta Casa, para denominar o 
Complexo Poliesportivo Municipal;de "Frei Gonçalo Hort". 
Acompanha a proposição, biografia do homenageado, 
porém não encontra-se no corpo da matéria, as respectivas certidões de 
nascimento e Óbito, podendo essas serem dispensadas, se o homenageado se 
enquadrar no que dispõe as allneas "a" e flb" do inciso II do artigo 59 
da Lei nQ 1.100/92, que institui normas para a identificação de oróptios, 
vias e logradouros públicos de nosso Município. 
No caso de não se configurar as hipótes estipu￾ladas no dispositivo acima indicado, será necessário a juntada das respec￾tivas certidões, para que a matéria possa seguir o seu curso normal, caben￾do ao douto Plenário a decisão de mérito. 
Rua Ararigbóia, 491 
~o parecer, SMJ. 
Pato Branco, 16 de novembro de 1.992. 
Fone (0462) 24-2243 85500 
do Rosário 
Jurídico 
Pato Branco Paraná 
FREI GONÇALO ORTH,O.F.M. 
* Linha: Bonita , , RS, 18 . O 7 . 1914 
+ São Paulo,SP, 22.04.92 
O MENOR DO SEMINÃRIO 
Embora todos os documentos o dêem como nas.cido em Montenegro, na verda-
' de, Frei Gonçalo nasceu na Linha Bonita, que se estendia por 8 quilômetros, 
no então distrito de São Salvador, município de Montenegro. 
Bem nq meio da Linha, ficava a Capela dedicada a Nossa Senhora que, 
na opinião de Frei Joaquim, irmão de Frei Gonçalo, "é considerada uma 
das mais lindas da região, devido ao seu estilo romano puro, de linhas 
arquitetônicas bem proporcionadas e sua torre com dois sinos harmoniosos". 
Os pais eram agricultores como as outras 49 famílias que moravam ao 
longo da estrada da Linha Bonita, com suas casas cercadas de laranjeiras, 
pessegueiros e pés de figo, seus potreiros, as lavouras de milho, feijão, 
lentilha, alfafa e batatinha. 
A meio caminho, antes da capela, ficava a propriedade dos pais de 
Frei Gonçalo: João Orth Segundo e Elizabetha Schoffen Orth. Frei Gonçalo 
era o nono de 12 filhos (7 homens e 5 mulheres), dois anos mais novo que 
Frei Joaquim. Além dos dois frades, dois outros ficaram padres diocesanos 
e um ficou jesuíta. E duas irmãs ficaram freiras. 
No Ba~ismo, Frei Gonçalo reqebeu o nome de Mathias Pedro. Mathias,do 
avô paterno e Pedro, do tio que lhe foi padrinho. Apesar de roça, foi 
batizado com dois dias, na Matriz de São Salvador. Com um ano e meio foi 
crismado. 
Família profundamente religiosa, que rezava o terço toda a noite e 
não perdia Missa de domingo nem os adultos nem as crianças de colo e 
mama: uma vez por mês na capela e as. outras vezes na matriz de São Salvar 
dor (atendida por jesuítas), para onde os meninos e as meninas iam a pé, 
em clima de festa que lembra o salmo 122:"Alegrei-me quando me disseram 
que íamos ã Casa do Serihor!". 
O ritmo de vida na colônia foi quebrado. A fama do Vale do Rio do Pei￾xe como ~erras excepcionalmente férteis era grande. Sete famílias da Li￾nha Bonita resolveram migrar em grupo. Em 1920 os pais viajéram a Porto . i 
União, compraram várias colônias cada um de ~erra virgem, desmataram, 
fizeram plantação e voltaram ã Linha Bonita buscar as famílias. 
Frei Joaquim descreve assim a aventura: 
"Da estrada-de-ferro foi alugado um vagão,de carga para a mudança e 
outro de passageiros para as ~ete famílias. 
No dia 6 de setembro de 1921 embarcamos na estação Maratá, ao todo 
umas cinquenta pessoas, com rumo a Nova Maratá, no município de Porto 
União, em Santa Catarina. A viagem de trem,praticamente a primeira para 
a maioria de nós, era bem divertida. Passamo~ a primeira noite em Monte￾negro, parados, acomodados no próprio vagão. No dia 7 de setembro, pelas 
.. 2 
-· 
9 horas da manhã, o nosso vagao foi engatado no expresso Rio Grande-São 
Paulo e seguiu, como último da composição, para Santa Maria, Marcelino 
Ramos, Porto União. 
Altas horas da noite chegamos a Santa Maria, onde paramos por várias 
horas. Como era noite escura, e de medo que alguém se extraviasse e per￾desse o trem; os pais não permitiram que saís~emos nem por uns instantes 
de nosso refúgio seguro no vagao. 
Como era lindo viajar ao longo do Rio Jacu~ com suas cidades e estân￾cias! Passamos por Cruz Alta, Carazinho e Pas90 Fundo, já no alto da serra. 
Campos e pinheirais até se perderem de vista. À noite chegamos a Marcelino 
Ramos, já na divisa do Estado do Rio Grande com Santa Catarina. Outra pa￾1 rada de várias horas, que passamos dentro do vagão. No dia 9, de madruga￾da, passamos a ponte sobre o Rio Uruguai e en~ramos no Estado de Santa 
Catarina. 
- '-~· 
Subimos, acompanhando sempre o Rio do Peix~ pelo lado esquerdo. O 
próprio Vale do Rio do Peixe apresentava ainda um aspecto de mata virgem. 
Mesmo do trem dava de ver bandos de macacos, micos e bugias, como fugiam 
i 
apavorados para o alto das árvores ao aproxim~r-se o trem em sua vertigi￾nosa carreira ofegante. E no rio, tartarugas ~s dezenas, acomodadas, sono-
, lentas em cima de pedras. Em toda parte notava-se que o vale estava sen-
_ do colonizado por emigrantes do Rio Grande do Sul. 
Ao pôr-do-sol chegamos a são João (Matos Costa), onde desembarcamos. 
São João era apenas um lugarejo de poucas casqs. E era preciso acomodar 
' as sete famílias, pelo menos para uma noite. Algumas conseguiram hospeda-
' gem em casa de moradores na vila. A minha familia pernoitou no único hotel￾zinho, com várias outras. Sempre deu para dormir. Mas foi lá que cheguei •' \_ !' 
a conhecer um bichinho vagaroso, que incomoda. Levamos semanas para nos 
livrar desse parasita. Ainda não se conhecia um inseticida apropriado con~ 
tra percevejos 
No dia seguinte, a dez de setembro, em car~oças, rumamos para o nosso 
novo lar em Maratá, tendo que percorrer ainda 20 quilômetros. Como nos 
nao tínhamos ainda casa feita, ficamos com o tio José que, gentilmente, 
, nos cedeu, por alguns meses, uma parte de sua:casa ampla, até que estivesse 
pronta a nossa. - ) 
Foram heróis os colonizadores das primeira9 décadas deste século! Ti- : j nham por meta progredir, prosperar e, acima d~ tudo, possuir terras, onde. 1 
• ,3 pudessem estabelecer os numerosos fil.hos. Euclides da Cunha diria: O colo,.. 
nizador, acima de tudo, é um forte" para se d~cidir a uma aventura de dei- • 1 • 
xar casa com relativo conforto e ir à procura de novas terras no meio da 
mata virgem, sem um mínimo de conforto e sem ~enhuma assistência e .ajuda 1 
de alguma entidade ou do Governo, como sói acqntecer nos tempos de agora. . . 
De fato, os primeiros meses foram de muita9 privações. Ainda bem que 
' havia muita caça - e nao era proibido caçar! -: porco-do-mato, anta, veado, 
jacutinga, inhambu, pombas, paca, tatu, capivara. Os macacos, micos e bu-
.. >'.)' l i·· 
' ·~ ,; 
gios, entre nos colonizadores gaúc~os, não er~m considerados como caça, 
porque ninguém os comia. Os caçadores que tivessem sorte e competência 
conseguiam abastecer a família com carne semp~e renovada. Porco-do-mato 
era uma praga. Invadiam as roças de milho ou de batatinha e faziam mais 
estrago do que comiam. Houve colonos que prenperam em armadilha oito e 
até dezoito animais numa só pancada. E então era uma festa geral. Os ani￾mais apresados eram abatidos e distribuídos. ~ão havia meios para conser~ 
var carne fresca por mais tempo. Tinha que ser consumida, ou então ser i 
/ salgada e defumada para conservá-la por mais tempo. 
! 
Na nova colônia nao havia médico nem farmáfia. Quem ficasse doente, 
se machucasse ou fosse picado por cobra venen~sa, que desse um jeito. Fe- tt lizmente nos dois primeiros anos nada de grav~ aconteceu. 
.l Os novos colonos procuraram um professor. Lá morava o Sr. Ambrósio 
Ruckert, já idoso, por muitos anos professor no Rio Grande do Sul, forma￾0 do pelos jesuítas. Ele aceitou desde. que as aµlas fossem na sua casa. Que 
·-1 virou escola. E foi nela matriculado o Mathias Pedro. O Sr. Ambrósio era 
~ :...J 
professor, catequista e orientador do culto dpmiriical. Esse culto funcio￾nava em capela de madeira, que tinha por assoalho o simples chão batido. 
Foi desse velho professor, de quem Frei Gopçalo guardava excelente 
lembrança, que aprendeu a ser factótum. O professor entendia de tudo e 
.! transmitia com jeito o que sabia de música, c~ência e farmácia, de conser￾to de ossos quebrados a exerto de roseira e ~rvores frutíferas. 
Aos colonos gaúchos se juntaram algumas familias alemãs, que chegaram 
~ com um padre, Nicolau Schahn (mais tarde inca~dinado i . na 1 
única diocese ca~ 
tarinense e foi at~ o fim da vida paroco de S~o Pedro de Alcântara) • 
. , . Com a partida do padre alemão, os frades dr Porto União começaram a 
.. { .visitar Maratá. Sobretudo Frei Pacifico Wagenrr (+1975}, a quem tanto 
õ 1
Frei Joaquim quanto Frei Gonçalo atribuem suai vocação franciscana. 
~.~ · Frei Joaquim seguiu para o Rio Negro em co~eços de 1924. Seguiu-o, 
:um ano depois, Mathias Pedro, que 
u 
chegou ao R~o Negro no dia 19 de jaeniro 
[de 1925, com dez anos e meio. ! 
1 
Por algum tempo foi o menor do seminário. fez a Primeira Comunhão no 
Seminário, na Quinta-Feira Santa de 1925. - ,/ 
1 
1 
i 
Repetiu o ano. Numa nota ~utobiográfica escrita em 1982, Frei Gonçalo 
'I -' I.: 
comenta:"Não que eu fosse muito novo ou desprovido de talento; mas porque 
eu me preocupava não só com o estudo programado:queria sempre aprender 
muita coisa a mais que futuramente me poderiam ser úteis. Exercitava-me 
em artes, pintura, desenho, engenharia, música". De fato, Frei Gonçalo 
era plurivalente. Dirigente de coro, tocava v~olino e órgão (foi o organis- 1 
ta da turma de noviciado em 1934), era bom mec;:ânico de carro, entendia ' de eletricidade, falava japonês, tinha registro de professor de desenho, 1 
canto orfeônico e geografia. Foi administrador de fazenda (Agudos). Tinha 1 
paixão por rádio e folheava muito livros de P?icologia. Por curiosidade, 
sujeitou-se a testes psicológicos no Rio de J'neiro, qqe o definiu assim: 
seguro, sincero, frio, ponderado, extrovertido, tranquilo, impulsivo, 1 
monossilábico, antipático, fechado, objetivo, isolado, mentalidade aberta, 
dominador. E '.ele .P-:ra :um pouco tudo isso, mas de tudo isso ele se ria.Aliás, 
nunca ninguém viu o resultado do te1
ste, sendo: possível até que não tenha 
existido, já qµe Fre_·i Gonç.alo .er,a um fino gOZfidor. 
JAPONfl'!S QUE bJÃO PROSPEROU ~ Receoeu o haoito e o nome de Gonçalo (Gund1salvus, em latim!) no dia 
! 
19 de dezembro do ano santo de 1933. Era numerosa sua turma, bem exertada 1 . 
com vocações chegadas do Garnstock. 
Professou solenemente no dia 20 de dezembro de 1837~ Em 1982, escrevia: 
"Fiz a profissão solene com lucidez e liberdade, inscrevendo-me na legião 
de voluntários, e queimei a nau que poderia trazer-me de volta". 
Ordenou-se na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Petrópolis, no 
dia 26 de novembro de 1939, com seus 21 colE~gas.Ano bem marcadc: no dia 
10 de fevereiro falecera o Papa Pio XI e no dia 2 de março fora eleito 
o Papa Pio XII. No dia 5 de março falecera, inesperadamente, em Nápoles, ' ' 
Dom Amando Bahlmann, o pioneiro da restauraç~o de nossa Província. Em 
julho, no Rio de Janeiro, se realizara o Primeiro Concílio Plenário Bra￾sileiro, com grande repercussão na imprensa e no ambiente eclesial. Em 
lQ de setembro fora deflagrada a Segunda Guerra Mundial. 
Sua primeira transferência foi para o Conv~nto São Francisco, em São 
Paulo, com três incumbências: vigário cooperafior, dirigente do coro, estu￾dante de japonês. Na verdade, constava na tra:psferência:"Munere missiona .... 1 
rii inter Japonenses functurus". 
O Governo Provincial havia acordado para ur grande problema: o cuidado 
pastoral dosijaponeses no Brasil. A imigração! era grande e a maioria abso￾luta era "pagã". j 
Frei Martinho Friese (+1980), da Província! da Turíngia, começou na 1 
Páscoa de 1938 a missão japonesa em nossa Província. No início, no bairro 1 
de Tucuruvi, depois em Taipas (hoje:Jaraguá) • 1 Lá se construiu uma "Escola 
Missionária", com a ajuda de Frei Dâmaso Venk~r (+1959), guardião do Con￾vento sã; Francisco, e Frei Xisto Teuber (+19~0). Pouc9 depois, Frei Xis~o 
foi nomeado procurador provincial das missões~ Havia na Província um 
prurido de esperança. Até um seminário preparatório só' para japoneses fun￾cionou em Taipas. 
•. 
l ..... 
E foi nesse elã missionário junto às colônias japonesas, que Frei Gon￾çalo aprendeu japonês e foi nomeado primeiro 9uperior da nova residência 
de Bastos, no interior de são Paulo. O Bispo criou a paróquia que, na 
verdade, era um posto missionário para atender os japoneses nas então 
dioceses de Cafelândia e Assis. 1 
A igreja era ainda de madeira e abrigava nq máximo 200 pessoas. Ajudava 
µ Frei Gonçalo um frade recém-chegado do Japão: Frei Justiniano. 
Frei Gonçalo passou a lecionar no ginásio qe Bastos, chamado São José, 1 
mantido pela Colônia Japonesa e cujos alunos, 1em sua maioria, eram pagãos. 
~sse ginásio, pouco depois, passou a ser um g~násio missionário e adminis￾trado pela nossa Província (lá passaram Frei ~dmundo Binder, Frei Apolônio 
Weil, Frei Timóteo Krupp, Frei Xisto Teuber, até Bastos e Frei Xisto passa· 
, rem ao Comissariado de Garça) . 
O ano de 1946 Frei Gonçalo passou na paróq~ia de Votuporanga, diocese 
de São José do Rio Preto. Uma paróquia que tinha capelas a 100 km de dis￾tância. Lá ficou um ano apenas, porque a paró~uia foi entregue aos francis· 
canos italianos do novo Comissariado de Garça. 
O ·~ÃROCO CONSTRUTOR 
Deixando as missões japonesas, por quase três anos trabalhou em são 
u Lourenço, onde também dirigiu .o coro. Internpe$tivamente, em agosto de 49, 
/ e mandado para Três Arroios, no Rio Grande do Sul, com a incumbência de 
pároco em Sever!ano de Almeida, a pouco mais de oito quilômetros de Três Arroios. 
Como ainda nao houvesse matriz, Frei Gonçalo se dispôs a levantá-la. Comprou uma olaria e empregou 
o Nono do Frei Luís Sassi na confecção de tijolos. Comprou toda a madeira necessária e um caminhão. Ras￾gou o chão e pôs os fun~amentos. Quando a Igreja despontava visível, a paróquia foi entregue ao Bispo 
diocesano (junto com Tres Arroios) e Frei Gonçalo se transferiu para Xaxim. 
Em fevereiro de 1952, é nomeado superior e pároco de Xaxim, onde construiu a casa paroquial. 
Com a chegada do primeiro cinema em Xaxim (em meados de junho de 1952r~­
Frei Gonçalo, como pároco, fez aluns sermões o.rientativos aos fiéis. O 
dono do cinema se sentiu atingido por terem diminuído, segundo ele, os 1 : • 
~ freq~entadores. E entrou na sub-delegacia de Xaxim, solicitando os ofícios 
do delegado "no sentido de convidar o Revmo.Frei Gonçalo, operoso vigário 
desta paróquia de Xaxim, a ~ntrar num entendimento comigo ••• " 
Estranho pedido! A certa altura, diz o querelante:"A minha atitude e 
~ mais preventiva do que acusadora. O meu desejo é que a paróquia local se 
ponha de viver comigo assim como eu, seu humilde paroquiano, sempre me pus 
para com ela". E mais adiante:"Ninguém ignora a eloq{;.ência do Revmo. Frei 
Gonçalo nem a energia com que ele se há em relação às cousas da fé. Isso 
" p confirma .uma gra~de força que ele tem dentro da cosciência de seus paro￾quianos". 
Frei Gonçalo aproveitou a ocasião e escrev~u quatro páginas (em oito co 
lunas) sobre o bom e o mau cinema, em linguag~m muito clara, direta, depoi 
de recordar que não é a delegacia de polícia o foro para discutir princí￾pios de moral e religião. O pocumento saiu com a aprovação da Prelazia de 
.. 
·.i 
. '' b 
---
Palmas, de que Xaxim era então território. Transcrevo um dos Últimos pa￾rágrafos: 
"Como sacerdote católico e ministro de Deus, como vigário e guarda 
responsável do tesouro moral e espiritual da Igreja em Xaxim, lutarei, 
se preciso for, em defesa da Igreja, seja onde for, e denunciarei o vício 
para castigã-10 e exterminá-lo, e com isto e~ me sinto orgulhoso de faze+ 
verdadeira obra de brasilidade e mostrar um grande amor desinteressado 
para com o povo desta Freguesia". 
Em Janeiro de 1956, Frei Gonçalo e escolhido para guardião e paroco 1 
de Rodeio, o que significa: Guardião do Noviciado. Saiu de Xaxim e, via 
Maratá, desceu a Rio do Sul onde pegou o tre~ para Ascurra. Era o dia 20 
de fevereiro. Deixou a bagagem na estação e seguiu a pé para Rodeio. 
Na estrada se encontrou com o antecessor Frei Ceciliano Meurer (+1989) 
que, de jeep, ia fazer o último pagamento a um fornecedor de batatas. Vol· 
taram juntos. 
No convento já estava o novo reitor do Seminário Frei Câncio Berri 
(+ 1979); o novo vice-mestre de Noviços Frei José Cafasso. E na mesma 
tarde chegou Frei Jacinto Bensing (+1969), completando a Fraternidade. 
Frei Gonçalo assumiu o guardianato no mesmo dia. E a paróquia no dia 
26 de fevereiro. Encontrou seu auxiliar Frei Humberto Zeller (+1962) 
.L no hospital, se recuperando de pequeno derrame cerebral; o noviço Frei 
Tobias Thier ausente e hospitalizado em Curitiba para extração de pedras 
nos rins; e recebeu Frei Jacinto em convalescença. 
. " 
Mas quem estava doente mesmo era o prédio do Noviciado e a igreja. A 
situação estava tão difícil que, no dia 12 de março, chegaram o Ministro 
Provincial e seu Vice para discutir se valia a pena reformar a casa.ou 
construir uma nova, em Rodeio ou em outra localidade. A discussão conti￾nuou no Definitório, que levou dois anos para tomar uma decisão. 
Já nos primeiros meses de governo, Frei Gqnçalo reuniu o discretório 
e tomou a decisão de· reconstruir as antigas ~strabarias; em abril entrou 
o primeiro lote d~ vacas leiteiras. Substitu~u os animais de tração por 
um trator; foi buscar em Luzerna um caminhão, para servir a Fraternidade 
de Rodeio. Comprou em Gaspar (fevereiro de 1957) um velho. engenho de 
açúcar e o remontqu em Rodeio, para produção.de·melado e açúcar. Sempre 
na perspectiva de baratear as despesas. 
Em janeiro de 1957, Rodeio se alvoroçou toda de curiosidade: pela pri,· 
meira vez um Cardral chegava à cidade. Dom J~ime de Barros Câmara foi re· 
cebido com pompas, para pr~gar o retiro as Irmãs Catequistas. Dom Jaime 
celebrou na matri~ e pregou em todas as Missas do domingo, dia 13 de ja￾neiro. 
E por falar em .Irmãs Catequistas, foi também em 1957, no roes de feve￾reiro, que Frei D~sidério Kalverkamp, refundiu por inteiro as Constitui￾ções da Congregação para adaptá-las ao Direito Canônico,com a finalidade 
! 
de transformar a Companhia das Irmãs Catequistas em Congregação. Para is￾so Frei Desidério ficou em Rodeio 10 dias e retornou várias vezes. 
Nesse ano os Padres Capuchinhos pregaram M~ssões em Rodeio. E o nosso 
Frei Tadeu Hoennighausen, que era definidor, ~regou, auxiliado por Frei 
Argemiro Schmitt, missões em Timbó. No encerrqmento das Missões em Rodeio, 
no dia 3 de novembro, foi publicado e executado com toda a solenidade o 
decreto do Governo Municipal, consagrando o município de Rodeio ao Sagrado 
Coração de Jesus e ao Sagrado Coração de Mari~. E, em memória, ficou decre￾tado, para sempre, feriado municipal. 
Nesse ano de 1957 ainda, foi sagrado o novo bispo de Joinvile, a que, 
então, pertencia Rodeio. Dom Gregório Warmeling foi sagrado no dia 29 de 
junho e tomou posse no dia 21 de julho. Frei qonçalo comandou uma delega￾ção da paróquia em ambas as datas. 
Ainda em 1957 várias capelas da redondeza tiveram primícias sacerdotais: 
Frei Ambrósio Moretto (Ipiranga), Frei Valmor Cattoni (Alto Pomeranos), 
Frei Arcângelo Buzzi (Santa Maria), Frei Gamaliel Devigili (Picadão). En￾tre estar presente na festa de Frei Ambrósio, ,Frei Gamaliel e Frei Vuni-
' baldo Vogel, as três no dia 29 de dezembro, p+eferiu a festa do sobrinho 
Frei Vunibaldo, em Maratá. A de Frei Valmor f9ra em julho, dia 8. Noviço 
nenhum de 1957 esquecerá esta data. Frei Gonçalo colocou os noviços no 
caminhão e os levou a cantar as Primícias. Tudo bem na ida e na festa. Mas 
na volta, numa curva, o caminhão tombou. Sem mortes. Mas com ossos quebra￾dos e alguns ferimentos. Frei Abílio Anderle ficou hospitalizado vários 
meses, a ponto de perder o noviciadoi devendo recomeçá-lo no dia 3 de ou￾tubro, com nova vestição. 
A partir de fevereiro, o convento e a matriz entraram em total reforma. 
Do telhadp aos fundamentos. As celebrações pa+oquiais passaram para o sa￾lão por espaço de quase quatro anos. 
Foi em meio desses trabalhos que Frei Gonç~lo celebrou seus 25 anos de 
vida religiosa. E, para surpresa de todos, fo~ transferido para Pato Bran￾co no final do triênio. E não deixou dívidas em Rodeio, mas muita restaura￾ção em andamento . . _Frei Gon~çalo chegou a Pato Branco no dia 2 de fevereiro de 1959. Já 
no dia 14 de março assistiu a instalação da D;i.ocese de Palmas. Dom Carlos 
i 
Bandeira (+ 1969), prelado desde 1936, passou~ a bispo diocesano. E isto 
na presença do N6ncio Apostólico, que se deslpcara a Palmas. 1 
As construções se colocavam na frente de Ffei Gonçalo. Pato Branco qu~-
ria construir sua nova matriz. Foram apresentrdos dois projetos: um da 
Firma Marna (a construtora do Seminário de Lu~erna) e outro do arquiteto 
Benedito Calixto d,e Jesus Netto (o mesmo da BfisÍlica Nacional de Ap,areciqa) . ' 
O povo, por voto, escolheu o segundo. A pedra fundamental foi lançada no 
dia do padroeiro, 29 de junho de 1960. 
Ao longo do ano foi feito o estaqueamento:240 estacas de cimento com 
30cm de grossura e 6 a 11 m de profundidade. 
Enquanto crescia a construção, não eram de$CUidadas as então 53 cape￾las. Aliás, enquanto Frei Gonçalo lá estava, foram criadas três novas pa￾róquias, desmembradas da nossa: Vitorino (l0.?.1961, levando 13 capelas); 
Itapejara (21.7.64) e Bom Sucesso (16.8.64, l•vando as duas mais 15 cape￾1las). A matriz ficou com ainda 30 capelas rurais. 
Em 1961 foram instaladas nas escolas prim~rias rádios receptores para 
a catequese.radiofônica. Esse tipo de pastoral. cresceu muito nos anos 
seguintes. A Rádio Celinauta, graças aos esforços de Frei Policarpo Berri, 
aumentou sua potência. Assim as aulas passara~ a ser acompanhadas nas es￾colas de algumas dezenas de paróquias, mesmo fora da diocese . 
. J Grandes fatos aconteceram em Pato Branco, dos quais não se esquivava 
o pároco: a visita do Presidente João Goulart (17.3.62); a transferência 
temporária do Governo do Estado para Pato Branco para que o Governador 
(Ney Braga) e seus Secretários pudessem atend~r os Prefeitos dos 18 muni-
' cipios da região. Sem esquecer a Revolução de 64. E sem esquecer que eram 
os anos da celebração do Concilio Vaticano II. No dia da abertura, escre￾veu Frei Gonçalo na Crônica:"Constituirá, sem dúvida, o fato mais importan· 
te do siculo vinte!". 
- · d t ar a igreja pronta em fins de 1964. A firma construtora nao conseguiu cumprir a promessa e en reg _ d 
Sua inauguração teria coincidido com ~ 25 anos de padre de Frei Gonçalo e o termino de seu segun o 
tri~~iJ~neir? de 65 foi tr~nsferido. O povo se apaixonara por ele.dQ ~~~~l~~oci~~~ ~~~~:~~c6~~~~'. ~: 
-i~~~ ~~~n~~m~n!~~u~~~ ~:m~~~âo~eq~~ ~ g~~~r~~~~n~ci~~ld~~eºo~~~~go~ o título de Cidadão Honorário de 
Pato Branco"· ·- · d· 29 de junho de 1965 levando Frei Gonçalo partiu. Mas voltou na inauguraçao solene da Igreja, no 7ª .- ' a representação do Ministro Provincial. A Igreja foi inaugurada com a maior festa da regiao ~,/ 
.--,,,-·-· 
~--~~~~--~~~ 
-------·------~--·----·---------·--·----·--···· 
os tempos: foram consumidos 31 bois. Ma.;i.s tarde, Frei Gonçalo co￾mentava comigo:"Maior só a inauguração do tem:plo de Salomão, onde foram 
consumidos 12 mil bois e 120 mil ovelhas!" 
i FAZENDEIRO FRUSTRADO 
Frei Gonçalo seria mais um a tentar arrancar da fazenda de Agudos o 
auto-sustento do grande seminário/convento. C~egou em fevereiro de 1965. 
Seu antecessor fizera grandes plantações de cana. Como a região intei-
/ 
ra caminhava por esse lado e cresciam as usin~s, a direção parecia certa .. 
e Coube a Frei Gonçalo a tristeza de saber que ?as duas mil toneladas de 
, 't cana que a fazenda colheria, só 200 poderiam ~er entregues. o Governo 
Federal limitara as cotas dos fornecedores, diziam, para proteger os i 
,plantadores do Nordeste. 
Frei Gonçalo, que não acreditava na eficiêpcia dos bóia-frias, contra￾tou um grande grupo de cortadores em Gaspar. Çom o decreto da limitação, 
só chegaram 8 a Agudos. 
'7 . '• ~-·· 
Funcionou a "factoticidade" de Frei Gonçal9. Excesso de cana, excesso 
de laranja. Juntou os dois num grande tacho nf fazenda e fabricou melado 
e doce de boa qualidade e bom preço. 
Mas não se sentiu bem como administrador ~e uma fazenda difícil. Não 
terminou o triênio. Já em dezembro de 1966 reçebeu transferência para 
Quissamã, nd Estado do Rio, como pároco de Conceição de Macabu. Onde 
- reviveu como pessoa e como pastor. 
PASTO~ -·~Tomou posse no d' 22 d · · t d Q · - ia e Janeiro. Es ava ª?rega o a uissama, mas mora￾va em Conceição, como o Frei Corbiniano (+1977) que, também agregado a 
-' Quissamã, morava em Carapebus. Em Quissamã pa~toreava~rei Lauro Ostermann 
(+1991) e seu coadjutor Frei Adriano Koerner ~+1980). 
/ Em janeiro de 1971 foi nomeado superior de:Quissamã, mas continuou 
morando em Conceição, já que o vigário nomeadp de Conceição, Frei Benigno 
Vodonis (+1991) não quis tomar posse ao ver a paróquia. 
Nessa altura, segundo semestre de 71, çomeçam a aparecer sintomas 
de doença, que nunca mais superou, apesar de haver consultado médicos 
muito bons. 
Em fins de 73 pediu ao Ministro Provincial alívio temporário de cargos 
e cargas. Foi transferido para Duque de Caxia$ como cooperador. 
O Comunicado Mensal, órgão oficial do Bispado de Nova Friburgo, no 
n.152 de fevereiro de 1974, escreveu:"Com pesar recebemos a notificação ' 
da transferência de Frei Gonçalo Orth,O.F.M., que deixa a Paróquia de 
Conceição de Macabu e a Gerência da Rádio Popular Fluminense. A saída de 
·· Frei Gonçalo representa transtorno bastante grande. Durante 7 anos ocupa-
; ra aqueles postos, mostrando grande senso de :respónsab:,i.lidade, dedicação 
ao trabalho e zelo pastoral. Foi ele o consolidador da Rádio Popular Flu￾minense e o construtor da Casa Paroquial. No $eu paroquiato a rádio foi 
' verdadeiramente um instrumento de apostolado. Com saudade e gratidão o 
acompanhamos em seu novo destino:Duque de Caxias". 
Pedi a Dom Clemente José Carlos Isnard, bi$pO de Nova Friburgo, uma 
palavrinha sobre Frei Gonçalo. E ele me envioµ esta bel(L página: 
"Frei Gonçalo Orth foi vigário de Conceição d~ Macabu de 1967 a janeiro 
de 1974. Sua presença na paróquia durante set~ anos foi verdadeiramente 
abençoada. 
Frei Gonçalo era um frade austero, piedoso 1 e cumpridor de suas obriga~ 
cões. Sucedeu a Frei Fausto Pereira de Souza, que tinha, a duras penas, 
.v organizado a Rádio Popular Fluminense, pequen~ emissora de rádio com apena 
-~ 100 watts de capacidade. Quando Frei Fausto fnstalou a emissora, utili￾zou a casa paroquial para is~o. Frei Gonçalo,:com visão do futuro da cida-
~ de de Conceição de Macabu, percebeu que a pri~eira necessidade era constru 
! 
uma casa paroquial o'nde dois ou três frades ppdessem morar. Ajudado pelos 
paroquianos, corajosamente pôs mãos à obra, e hoje Conceição de Macabu 
tem uma das melhores casas paroquiais da Diocese. Essa casa paroquial já 
permitiu a presença de dois ~rades em Conceição durante certo tempo. 
' ;~ 
'~· ~ J ' : ' 
/:) 
Além disso, Frei Gonçalo construiu no bairro da Calçadinha, bairro 
de periferia, uma boa capela, e colocou na fachada a cruz de São Francisco 
Na zona rural construiu a capela de Santa Catprina, no lugar denominado 
Curato. Para essa construção encontrou um ben!feitor, e a capela é muito 
bonita. 
A grande'luta, porem, de Frei Gonçalo foi a emissora de rádio, sempre 
deficitária. Frei Gonçalo utilizou no máximo a emissora para fins de evan￾gelização e, corajosamente, enfrentou as dívidas, chamando-me para ajudar 
em dua~ ou três ocasiões. \ 
Frei Gonçalo tinha um defeito na visão, que o impedia, às vezes, de 
reconhecer as pessoas. Com isso teve alguns djssabores, pois os mais des￾confiados achavam que ele não os queria cumpr,imentar. 
Introduziu na igreja matriz a Celebração d~ Palavra de Deus, para 
poder celebrar Missas nas capelas do interior. Num domingo, celebrava 
na matriz a missa da manhã e, à tarde, havia celebração. No domingo se￾guinte, o inverso. Assim pôde dar uma boa assistência ao povo simples da 
roça, pondo em vigor, antes de Puebla, a "opção preferencial pelos pobres" 
Com isso, acostumou o povo de Conceição a aceitar a Celebração da Palavra 
de Deus, na ausência do padre. 
Sua saúde frágil não permitia que continuasse a reger uma paróquia tão 
trabalhosa como Conceição. Foi com pesar que o vi partir. Receava eu que 
a emissora de rádio acabasse, e pensava nas comunidades rurais tão bem 
cuidadas por ele. Felizmente, seus sucessores continuaram a desenvolver 
a paróquia . 
. ,. Dedico a Frei Gonçalo imensa gratidão. Lamento nao ter podido dernonstra1 
.; a ele nos anos de sua enfermidade o que estav1
a no meu coração". 
O clima quente de Duque· de Caxias lhe foi um tormento. O Ministro 
Provincial o transferiu alguns meses depois ~ara Guaratingueti, Graças, 
corno cooperador da paróquia de Nossa Senhora da Glória do Pedregulho. 
Pouco mais de um ano depois, lhe foi pedido um imenso sacrifício: subs￾tituir em São Lourenço a Frei Osrnar Dirks, gravemente enfermo. Assume a 
paróquia no dia 22 de fevereiro de 1976. Era urna situação delicada e irn-
~ portante. Delicada pela presença de Frei Osrnar, que so em maio de 77 via~ 
.. jou para a Alemanha.Queridíssimo de todos, F~ei Osrnar tinha várias obras • 1 
em andamento, que era preciso terminar, corno ,1 por exemplo, a reforma da 
Ermida do Bom Jesus, a Igreja das Graças, no ;bairro Carioca. A paróquia 
. ,; i se preparava para celebrar o cinquentenário de criação. E tinha toda a 1 
'· preparação da Ordenação e Primícias de Frei J;oão Jorge Ribeiro ( + 1990) • 
Em.setembro de 1977 conseguiu realizar um sonho: visitar a Terra 
Santa. A esta peregrinação Frei Gonçalo se referiu inúmeras vezes depois. 
E fez conferências ~ deu aulas em escolas sobre o que viu. A viagem demo￾rou quase dois meses, porque serviu também para visitar Frei Osmar que 1 
ainda sobrevivia em tratamento sério na Alemanha (+20.7.78i 
, ... ,,. 
"-;, ·~· 
A1 /:' ... 
Voltou em tempo para a Missa jubilar dos 50 anos da paróquia. Pouco 
depois sofre uma queda, quebra a cabeça do úmero e teve de viver enfaixado 
durante um mês inteiro, ou seja, durante as festas natalinas. E foi nessa 
' situação que recebeu a transferência para Angelina, como superior e paro￾co. 
ÚLTIMA OBRA 
Frei Gonçalo tomou posse como pároco de Angelina no dia 20 de janeiro 1 
.,. de 1980, em cerimônia presidida, por delegação do Arcebispo, pelo vigário 
que o precedera Frei Honorato Brueggemann (+1?92). Era a segunda vez que 
.sucedia a Frei Honorato (em Pato Branco fora a primeira). Frei Honorato 
se retirava de cabeça erguida, depois de construir 10 capelas. Frei Gonça￾lo chegava com fama de grande vigário. 
Enquanto Frei Raul Bunn (+1991) se encarregou das capelas, e Frei Cass~ 
no Schãfers (+1986) do confessionário e dos doentes, Frei Gonçalo assumiu 
sobretudo a sede. 
Nesse tempo o território da paróquia abrangia dois municípios: Angelina 
e Rancho Queimado. Angelina com 6.707 habitantes e Rancho Queimado com 
2.544, segundo o censo do ano. Apenas um quarto da população não era cató￾lica. 
Uma coisa faltava a paróquia: um pavilhão 9e festa e salas de catequese 
e encontros. O Livro de Tombo escreve em fins de 1980:"No apagar das luzes 
do ano de 1980 confraternizaram-se as autoridades civis e religiosas num 
churrasco de ovelha. Marcaram presença os Senhores Prefeito Municipal, 
·~ Vice-Prefeito, Vereadores, Delegado·de Políci~, Padres e todos os Membros 
.', do Conselho Administrativo Paroquial. Nesta o~ortunidade foi apresentado 
um projeto de reforma dos barracões de festa,• com a construção de um cen￾tro catequitico. O plano recebeu aplausos e foi aprovado por todos os pre￾sentes". 
.\.· 
A pedra fundamental foi benta e lançada pelo Arcebispo em visita pasto￾ral, no dia 14 de junho de 1981. Frei Gonçalo anotou no Livro de Tombo: 
"As fundações do Centro Catequitico Paroquial descansam sobre 24 pilastras 
que se apóiam sobre outras tantas sapatas de l20xl20 cm, a uma fundura 
de 3 a 5 metros. 
As aulas de catequese de 1982 já foram no palão novo, ainda inacabado 
em março. A inauguração oficial foi na festa ~a Ascensão, dia 23 de maio, 
com a presença do Arcebispo. As chaves que abriram as portas foram leiloa￾das. 
Durante o triênio de Fre~ Gonçalo, se fez µma Semana Vocacional (agostc 
de 1981) na sede e nas capelas, por ocasião do jubileu de ouro de Frei 
Crispim Back(+l986), filho de Angelina. E se ~ez uma mini-missão pregada 
por Frei Anselmo Fracasso, em fevereiro e março de 1982. 
O oitavo centenário de nascimento de são Francisco foi marcado por 
dois eventos: uma vigília d~ noite inteira na Gruta de Nossa Senhora de 
.! ' 
Angelina (14 para 15 de agosto) e um encontro dos jovens da paróquia,em 1 
,/1 
, i 
outubro, com a participação de 333. 
Foi também durante esse ano de 1982 que Angelina recebeu calçamento e 
a rede de água e esgoto. 
No Capítulo Provincial de dezembro, Frei Gpnçalo recebe nova transferên· 
eia: retorno' a Quissamã, na Baixada de Campos, Estado do Rio de Janeiro. 
DÉCIMA PRIMEIRA ESTAÇÃO 
1 
Não foi boa essa transferência para Frei Gonçalo. Jã nao era o mesmo 
homem de 1966. Chegou a Quissamã como superio~ e vigário. Não conseguia 1 
pormir. Começou a sentir falta de ar. Perdeu 9 apetite. 
Mal chegou ele, Frei Lauro Ostermann - taml;>ém esgotado aproveitou 1 
, para tirar férias de tratamento. A solidão lhEf piorou o estado. Frei Berti￾no Hintemann trocou algumas semanas com ele: ~rei Gonçalo foi a Carapebus, 
que tem um clima um tantinho mais ameno. 
Preocupado, procurou o médico, que mandou ~o Ministro Provincial o 
aviso:"Atesto que Frei Gonçalo Orth acha-se doente, estado de angústia, i 
e, dada também sua idade, não tem condições 
gião de calor abrasador". 
p~ra residir nesta nossa re￾i 
De fato, em estado lastimável, o médico mandou levá-lo a Petrópolis no 
dia 20 de fevereiro. 
O Dr. Nelson de Sá Earp, depois de vê-lo, determinou internamento e 
soro. "Foi a primeira vez em 30 dias que pass•i a noite dormindo", escreve 
ao Ministro Provincial do Hospital S~nta Tere~a. Prometeu voltar a Quissa￾ma assim que pudesse. Na verdade, não saiu tão cedo do hospital. Sobrevie￾ram complicações intestinais, com dores. 
Alarmado, foi a Guaratinguetá consultar um médico amigo. Sujeitou-se 
uma lavag~m completa dos intestinos e a uma batelada de exames. No dia 
24 de março, de volta a Petrópolis, escreve ao Provincial:"Durmo a base 
de psicotrópicos. Tenho medo de voltar a Quis~amã. Além do mais, queria 1 
operar também as cataratas do olho esquerdo".(O olho direito - o menos 
! 
bom - fora operado, com relativo êxito, em Pato Branco, em 1982). 
A essa altura, Frei Alvaro Machado da Silva o convida para substituí￾lo na capelania da Casa de Saúde São José, durante um mês, dando-lhe assim 
chance de consultar especialistas. Em começos;ae maio escreve ao Provincia: 
"Estou intranquilo e desasspssegado, sem apetf te, nao como nem durmo direi· 
. _, to" • 
O Ministro Provincial lhe oferece transfer~ncia para São Sebastião. No 
dia 22 de maio renµncia ao cargo de superior f paroco de Quissamã e parte 
para São Sebastião~ 
Trabalhou como pô'de e pôde pouco. A operaçc;to do olho nao foi feliz. Con· 
siderava-se cego. Um grande sentimento de inutilidade o invadiu. A angústi. i 
cresceu muito forte. Foi levado para o são Francisco, em são Paulo, em ja-
' .. . .. 
j • .i 
neiro de de 1986. 
Perambulava silencioso e recatado pelo corredor do terceiro andar. Re￾zava muito. Concelebrava na capela. 
Muito lentamente voltou a se interessar pelos acontecimentos. Transfe￾riu o titulo de eleitor para São Paulo. Votou po PT em todas as eleições 
! 
que teve. Lia jornal, para admiração dos que o consideravam cego. Ia a 
todos os atos da fraternidade. Irrequieto. Voltou-lhe o senso de humor. 
Em dezembro de 91 me cercou no corredor, me segurou pelo braço, me fixou 
e disse muito sério:"Estou zangado com Você. Você me tirou minha leitura i 
4e cabeceira!" Estranhei. E ele, malicioso e irônico e feliz:"Você não 
vai mais publicar o CEMtelhas!" 
Não teve ânimo de ir ao Jubileu de Frei Joaquim, em Rondinha, em novem￾bro de 88, apesar de todas as facilidades que lhe oferecemos. Também não 
teve coragem de celebrar os seus 50 anos de p~dre com a turma, no Capitulo 
Extraordinário de Agudos, em novembro de 1989. Mas fez questão de mandar 
fazer o santinho e de celebrar a Eucaristia nq convento. Mandou colocar 
no santinho:"Minha alma glorifica o Senhor!". 
Não foi ao enterro de Frei Joaquim, falecido inesperadamente em Curitiba 
no dia 10 de fevereiro de 1990. 
A tranquilidade lhe voltara. Ficava feliz, quando alguém lhe dava aten￾çao. Começou a atender confissões e, ao menos duas horas por dia, descia · 
a portaria, de hábito, para atendimento. 
E foi numa dessas horas, a tardezinha, que teve certeza de que ia morrer 
·Levantou-se. Deixou a fila de penitentes e mandou procurar o guardião. Leva 
do às pressas ao Hospital são Camilo, não suportou o infarto agudo do mio￾cárdio. Eram vinte e quarenta e cinco do dia 2.2 de abril de 1992. Tinha \.; 
78 anos incompletos. 
Foi velado no Salão são Dâmaso. Depois da Missa exequial às 15 horas, 
os confrades o levaram ao Cemitério do Santíssimo Sacramento. 
Ao ser perguntado, um dia, qual era seu trabalho preferido entre os 
tantos que realizara, respondeu:"Meu trabalho preferido é aquele que 
posso cumprir, quando se trata de uma tarefa que me foi confiada!" Quem 
, o conheceu sabe que, enquanto a saúde lhe permitiu, cumpriu todas as tare.,. 
fas. 
Frei Clarêncio Neotti 


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