CAMARA MUNICIPAL DE PATO BRANCO
Exmo. Sr.
ESTADO DO PARANA -. _ ... -· \ EB\DOo R E C Ü. __ ;SJ.Jd.-- ~o.: J __ ~ .. _o.:\, ' ........... ; <-' o l~~··:·~l TO \\~•.N- .•
\-\ora.... .. ""(I~ "l
'- ~ M~.t. >A\!
Ilirio Antonio Toniolo
DD. Presidente da Clmara Municipal de Pato Branco
O Vereador adiante assinado, DANIEL CATTANI,
no uso de suas atribui,5es regimentais, vem, respeitosamente
à V. Exa. requerer, apds os trimites regimentais, seja
submetido à aprecia,lo do douto Plenirio o anexo Projeto de
Lei que denomina Complexo Esportivo Municipal.
Nest si termos, pede deferimento.
Da
VE
Bn~nc<), 04
r -A-t cVif l/
iel Cattani
EADOR
de novembro de 1992.
JUSTIFICATIVA: A denomina,io sugerida, FREI GONÇALO HORT,
além de homenagear um dos grandes baluartes do
desenvolvimento do nosso Município, cujas li~5es de
humanidade e caridade marcaram indel~vel o seu convívio
durante seis anos em Pato Branco, deixando uma obra que hoje
é o símbolo m'ximo de nossa cidade, qual seja o Templo da
Igreja Matriz Slo Pedro de Pato Branco, resgata uma
homenagem que a sociedade pato-branquense ji lhe havia
prestado quando em vida.
Com efeito, o local onde atualmente est~
localizado parte do complexo poliesportivo objeto da
denomina,lo, estava instalado o Estidio do Esporte Clube Int(:~\"r\acional, cuja <hmomina(;:ão <~ra "Est:ádio Ft~<Ü Gon~al<:>".
Ainda hoje ~ comum as pessoas referirem-se ao
centro paliesportivo como Frei Gan(;:ala.
A insistincia da comunidade em chamar aquele
local de Frei Gon(;:alo, demonstra que a referido nome i
aceito, consagrado, respeitado, digno e merecedor dessa h<)m(~nagem.
Anexamos histórico da vida desse Grande
Cidadão, falecido em data de ee de abril de 1912, após uma
vida de amor e dedica~lo aos seus semelhantes.
Rua Arariboia, 491 - Telefax (0462) 24-2243
PATOBRANCO-PARANA
CAMARA MUNICIPAL DE PATO BRANCO
ESTADO DO PARANA
PROJETO DE LEI N2 9~/92
SÚMULA: Denomina Complexo Poliesportivo
e dá outras providincias.
Art. 19 - O complexo poliesportivo municipal,
situado no alto da Rua Ararib6ia, Bairro La Salle, na cidade
de Pato Branco, constituído de um campo de futebol, pistas
ele at let j.smo, c:anchas pol iespo1·t j.vas, ginas:i.c> "Patão",
piscina e sede administrativa da FESPATO, passa a denominarse COMPLEXO POLIESPORTIVO MUNICIPAL FREI GONCALO.
Art. 29 - No prazo de 90 <noventa> dias, contados
ela publicação da presente Lei, o Executivo Municipal mandari
afixar placas indicativas contendo a denominaçlo
estabelecida no artigo anterior.
Parágrafo único. A1a p 1 aca1s l"e·Fer idas n<:> "c;J.put"
deste artigo em ntlmero nlo inferior a duas, serio afixadas
no complexo poliesportivo referido no artigo 1Q, em locais
de maior fluxo de pessoas e de ficil visuali2açlo.
Art. 39 - A presente Lei entrari em vigor na data
de sua publica~io, revogadas as disposi~5es em contririo.
Rua Arariboia, 491- Telefax (0462) 24-2243
PATOBRANCO-PARANA
Câmara 1flunicipal de Pato Branco
Estado do Paraná
COMISSÃO DE JUSTIÇA E REDAÇÃO
PROJETG DE LEI Nt 91/92
SÚMULA: Denomina complexo .-..-•1- , A portivo e da outra• providencias.
P A ll E C E R
A matéria em apreçe preenche os requisitos de oràem le
aal e formal eatando em condições de ser apreciado pelo Plenário.
É o parecer SMJ.
- PDS
,//,;:_.?//I c1óvf~vp~dro De raveri - Relator
Rua Ararigbóia, 491 Fone (0462) 24-2243 85500 Pato Bronco Paraná
Câmara 111,unicipal de Pato 13ranco
Estado do Paruná
COMISSlO DE MÉRITO
Parecer ao Projeto de Lei n• 91/92
' , Sunnala Denomina Complexo Pol•esportivo e da outras providencias
AMÃLISE Busca e eminente Vereador DANIEL CATTANI,deneminar •
atual Centro Polieaportivo Mun1eipal,onde localiza-se
a FESPATO de Complexo Polieaportivo Municipàl Frei Gon
qaloilloe~t
Rua Ararigbóia, 491
Justifica tal proposição, por aer o referido local,e!
nhecido pepulannente de Frei Qon9alo, o que se entende
c•mo ·ua "bati&110~ expontâaeo.
lata Comissão, analisando a presente propeaição,peroebe ~ue tal argumentação é válida e reflete o entendiaento da sociedade, que ao longo da história da 'formação cultural e aâportiva de Pate Branco,aooat\Jlllou-se
a chamar o alto da colina como "eatadi• Frei Gonçãlto, , indicallOa por fim que o chama11ento popular e Frei
Goaçalo, sem o apêndice de seu aebrenome Hort, que nos
pareee,coaduna •lhor com oMbati•o•popular. Se esta
... indicac;~o for de agrado ."9 proponente. ,
1 o parecer
Branco •• 23 de nove•bro à• 1912
Fone (0462) 24-2243 85500 Pato Bronco Paraná
Câmara 1!flunicipal de Pato Branco
Estado do Paraná
ASSESSORIA JUR!DTCA = ~---.., .... ~. =;:::::
Através do Projeto de Lei em téla, busca o Vereador Daniel Cattani, apoio do douto Plenário desta Casa, para denominar o
Complexo Poliesportivo Municipal;de "Frei Gonçalo Hort".
Acompanha a proposição, biografia do homenageado,
porém não encontra-se no corpo da matéria, as respectivas certidões de
nascimento e Óbito, podendo essas serem dispensadas, se o homenageado se
enquadrar no que dispõe as allneas "a" e flb" do inciso II do artigo 59
da Lei nQ 1.100/92, que institui normas para a identificação de oróptios,
vias e logradouros públicos de nosso Município.
No caso de não se configurar as hipótes estipuladas no dispositivo acima indicado, será necessário a juntada das respectivas certidões, para que a matéria possa seguir o seu curso normal, cabendo ao douto Plenário a decisão de mérito.
Rua Ararigbóia, 491
~o parecer, SMJ.
Pato Branco, 16 de novembro de 1.992.
Fone (0462) 24-2243 85500
do Rosário
Jurídico
Pato Branco Paraná
FREI GONÇALO ORTH,O.F.M.
* Linha: Bonita , , RS, 18 . O 7 . 1914
+ São Paulo,SP, 22.04.92
O MENOR DO SEMINÃRIO
Embora todos os documentos o dêem como nas.cido em Montenegro, na verda-
' de, Frei Gonçalo nasceu na Linha Bonita, que se estendia por 8 quilômetros,
no então distrito de São Salvador, município de Montenegro.
Bem nq meio da Linha, ficava a Capela dedicada a Nossa Senhora que,
na opinião de Frei Joaquim, irmão de Frei Gonçalo, "é considerada uma
das mais lindas da região, devido ao seu estilo romano puro, de linhas
arquitetônicas bem proporcionadas e sua torre com dois sinos harmoniosos".
Os pais eram agricultores como as outras 49 famílias que moravam ao
longo da estrada da Linha Bonita, com suas casas cercadas de laranjeiras,
pessegueiros e pés de figo, seus potreiros, as lavouras de milho, feijão,
lentilha, alfafa e batatinha.
A meio caminho, antes da capela, ficava a propriedade dos pais de
Frei Gonçalo: João Orth Segundo e Elizabetha Schoffen Orth. Frei Gonçalo
era o nono de 12 filhos (7 homens e 5 mulheres), dois anos mais novo que
Frei Joaquim. Além dos dois frades, dois outros ficaram padres diocesanos
e um ficou jesuíta. E duas irmãs ficaram freiras.
No Ba~ismo, Frei Gonçalo reqebeu o nome de Mathias Pedro. Mathias,do
avô paterno e Pedro, do tio que lhe foi padrinho. Apesar de roça, foi
batizado com dois dias, na Matriz de São Salvador. Com um ano e meio foi
crismado.
Família profundamente religiosa, que rezava o terço toda a noite e
não perdia Missa de domingo nem os adultos nem as crianças de colo e
mama: uma vez por mês na capela e as. outras vezes na matriz de São Salvar
dor (atendida por jesuítas), para onde os meninos e as meninas iam a pé,
em clima de festa que lembra o salmo 122:"Alegrei-me quando me disseram
que íamos ã Casa do Serihor!".
O ritmo de vida na colônia foi quebrado. A fama do Vale do Rio do Peixe como ~erras excepcionalmente férteis era grande. Sete famílias da Linha Bonita resolveram migrar em grupo. Em 1920 os pais viajéram a Porto . i
União, compraram várias colônias cada um de ~erra virgem, desmataram,
fizeram plantação e voltaram ã Linha Bonita buscar as famílias.
Frei Joaquim descreve assim a aventura:
"Da estrada-de-ferro foi alugado um vagão,de carga para a mudança e
outro de passageiros para as ~ete famílias.
No dia 6 de setembro de 1921 embarcamos na estação Maratá, ao todo
umas cinquenta pessoas, com rumo a Nova Maratá, no município de Porto
União, em Santa Catarina. A viagem de trem,praticamente a primeira para
a maioria de nós, era bem divertida. Passamo~ a primeira noite em Montenegro, parados, acomodados no próprio vagão. No dia 7 de setembro, pelas
.. 2
-·
9 horas da manhã, o nosso vagao foi engatado no expresso Rio Grande-São
Paulo e seguiu, como último da composição, para Santa Maria, Marcelino
Ramos, Porto União.
Altas horas da noite chegamos a Santa Maria, onde paramos por várias
horas. Como era noite escura, e de medo que alguém se extraviasse e perdesse o trem; os pais não permitiram que saís~emos nem por uns instantes
de nosso refúgio seguro no vagao.
Como era lindo viajar ao longo do Rio Jacu~ com suas cidades e estâncias! Passamos por Cruz Alta, Carazinho e Pas90 Fundo, já no alto da serra.
Campos e pinheirais até se perderem de vista. À noite chegamos a Marcelino
Ramos, já na divisa do Estado do Rio Grande com Santa Catarina. Outra pa1 rada de várias horas, que passamos dentro do vagão. No dia 9, de madrugada, passamos a ponte sobre o Rio Uruguai e en~ramos no Estado de Santa
Catarina.
- '-~·
Subimos, acompanhando sempre o Rio do Peix~ pelo lado esquerdo. O
próprio Vale do Rio do Peixe apresentava ainda um aspecto de mata virgem.
Mesmo do trem dava de ver bandos de macacos, micos e bugias, como fugiam
i
apavorados para o alto das árvores ao aproxim~r-se o trem em sua vertiginosa carreira ofegante. E no rio, tartarugas ~s dezenas, acomodadas, sono-
, lentas em cima de pedras. Em toda parte notava-se que o vale estava sen-
_ do colonizado por emigrantes do Rio Grande do Sul.
Ao pôr-do-sol chegamos a são João (Matos Costa), onde desembarcamos.
São João era apenas um lugarejo de poucas casqs. E era preciso acomodar
' as sete famílias, pelo menos para uma noite. Algumas conseguiram hospeda-
' gem em casa de moradores na vila. A minha familia pernoitou no único hotelzinho, com várias outras. Sempre deu para dormir. Mas foi lá que cheguei •' \_ !'
a conhecer um bichinho vagaroso, que incomoda. Levamos semanas para nos
livrar desse parasita. Ainda não se conhecia um inseticida apropriado con~
tra percevejos
No dia seguinte, a dez de setembro, em car~oças, rumamos para o nosso
novo lar em Maratá, tendo que percorrer ainda 20 quilômetros. Como nos
nao tínhamos ainda casa feita, ficamos com o tio José que, gentilmente,
, nos cedeu, por alguns meses, uma parte de sua:casa ampla, até que estivesse
pronta a nossa. - )
Foram heróis os colonizadores das primeira9 décadas deste século! Ti- : j nham por meta progredir, prosperar e, acima d~ tudo, possuir terras, onde. 1
• ,3 pudessem estabelecer os numerosos fil.hos. Euclides da Cunha diria: O colo,..
nizador, acima de tudo, é um forte" para se d~cidir a uma aventura de dei- • 1 •
xar casa com relativo conforto e ir à procura de novas terras no meio da
mata virgem, sem um mínimo de conforto e sem ~enhuma assistência e .ajuda 1
de alguma entidade ou do Governo, como sói acqntecer nos tempos de agora. . .
De fato, os primeiros meses foram de muita9 privações. Ainda bem que
' havia muita caça - e nao era proibido caçar! -: porco-do-mato, anta, veado,
jacutinga, inhambu, pombas, paca, tatu, capivara. Os macacos, micos e bu-
.. >'.)' l i··
' ·~ ,;
gios, entre nos colonizadores gaúc~os, não er~m considerados como caça,
porque ninguém os comia. Os caçadores que tivessem sorte e competência
conseguiam abastecer a família com carne semp~e renovada. Porco-do-mato
era uma praga. Invadiam as roças de milho ou de batatinha e faziam mais
estrago do que comiam. Houve colonos que prenperam em armadilha oito e
até dezoito animais numa só pancada. E então era uma festa geral. Os animais apresados eram abatidos e distribuídos. ~ão havia meios para conser~
var carne fresca por mais tempo. Tinha que ser consumida, ou então ser i
/ salgada e defumada para conservá-la por mais tempo.
!
Na nova colônia nao havia médico nem farmáfia. Quem ficasse doente,
se machucasse ou fosse picado por cobra venen~sa, que desse um jeito. Fe- tt lizmente nos dois primeiros anos nada de grav~ aconteceu.
.l Os novos colonos procuraram um professor. Lá morava o Sr. Ambrósio
Ruckert, já idoso, por muitos anos professor no Rio Grande do Sul, forma0 do pelos jesuítas. Ele aceitou desde. que as aµlas fossem na sua casa. Que
·-1 virou escola. E foi nela matriculado o Mathias Pedro. O Sr. Ambrósio era
~ :...J
professor, catequista e orientador do culto dpmiriical. Esse culto funcionava em capela de madeira, que tinha por assoalho o simples chão batido.
Foi desse velho professor, de quem Frei Gopçalo guardava excelente
lembrança, que aprendeu a ser factótum. O professor entendia de tudo e
.! transmitia com jeito o que sabia de música, c~ência e farmácia, de conserto de ossos quebrados a exerto de roseira e ~rvores frutíferas.
Aos colonos gaúchos se juntaram algumas familias alemãs, que chegaram
~ com um padre, Nicolau Schahn (mais tarde inca~dinado i . na 1
única diocese ca~
tarinense e foi at~ o fim da vida paroco de S~o Pedro de Alcântara) •
. , . Com a partida do padre alemão, os frades dr Porto União começaram a
.. { .visitar Maratá. Sobretudo Frei Pacifico Wagenrr (+1975}, a quem tanto
õ 1
Frei Joaquim quanto Frei Gonçalo atribuem suai vocação franciscana.
~.~ · Frei Joaquim seguiu para o Rio Negro em co~eços de 1924. Seguiu-o,
:um ano depois, Mathias Pedro, que
u
chegou ao R~o Negro no dia 19 de jaeniro
[de 1925, com dez anos e meio. !
1
Por algum tempo foi o menor do seminário. fez a Primeira Comunhão no
Seminário, na Quinta-Feira Santa de 1925. - ,/
1
1
i
Repetiu o ano. Numa nota ~utobiográfica escrita em 1982, Frei Gonçalo
'I -' I.:
comenta:"Não que eu fosse muito novo ou desprovido de talento; mas porque
eu me preocupava não só com o estudo programado:queria sempre aprender
muita coisa a mais que futuramente me poderiam ser úteis. Exercitava-me
em artes, pintura, desenho, engenharia, música". De fato, Frei Gonçalo
era plurivalente. Dirigente de coro, tocava v~olino e órgão (foi o organis- 1
ta da turma de noviciado em 1934), era bom mec;:ânico de carro, entendia ' de eletricidade, falava japonês, tinha registro de professor de desenho, 1
canto orfeônico e geografia. Foi administrador de fazenda (Agudos). Tinha 1
paixão por rádio e folheava muito livros de P?icologia. Por curiosidade,
sujeitou-se a testes psicológicos no Rio de J'neiro, qqe o definiu assim:
seguro, sincero, frio, ponderado, extrovertido, tranquilo, impulsivo, 1
monossilábico, antipático, fechado, objetivo, isolado, mentalidade aberta,
dominador. E '.ele .P-:ra :um pouco tudo isso, mas de tudo isso ele se ria.Aliás,
nunca ninguém viu o resultado do te1
ste, sendo: possível até que não tenha
existido, já qµe Fre_·i Gonç.alo .er,a um fino gOZfidor.
JAPONfl'!S QUE bJÃO PROSPEROU ~ Receoeu o haoito e o nome de Gonçalo (Gund1salvus, em latim!) no dia
!
19 de dezembro do ano santo de 1933. Era numerosa sua turma, bem exertada 1 .
com vocações chegadas do Garnstock.
Professou solenemente no dia 20 de dezembro de 1837~ Em 1982, escrevia:
"Fiz a profissão solene com lucidez e liberdade, inscrevendo-me na legião
de voluntários, e queimei a nau que poderia trazer-me de volta".
Ordenou-se na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Petrópolis, no
dia 26 de novembro de 1939, com seus 21 colE~gas.Ano bem marcadc: no dia
10 de fevereiro falecera o Papa Pio XI e no dia 2 de março fora eleito
o Papa Pio XII. No dia 5 de março falecera, inesperadamente, em Nápoles, ' '
Dom Amando Bahlmann, o pioneiro da restauraç~o de nossa Província. Em
julho, no Rio de Janeiro, se realizara o Primeiro Concílio Plenário Brasileiro, com grande repercussão na imprensa e no ambiente eclesial. Em
lQ de setembro fora deflagrada a Segunda Guerra Mundial.
Sua primeira transferência foi para o Conv~nto São Francisco, em São
Paulo, com três incumbências: vigário cooperafior, dirigente do coro, estudante de japonês. Na verdade, constava na tra:psferência:"Munere missiona .... 1
rii inter Japonenses functurus".
O Governo Provincial havia acordado para ur grande problema: o cuidado
pastoral dosijaponeses no Brasil. A imigração! era grande e a maioria absoluta era "pagã". j
Frei Martinho Friese (+1980), da Província! da Turíngia, começou na 1
Páscoa de 1938 a missão japonesa em nossa Província. No início, no bairro 1
de Tucuruvi, depois em Taipas (hoje:Jaraguá) • 1 Lá se construiu uma "Escola
Missionária", com a ajuda de Frei Dâmaso Venk~r (+1959), guardião do Convento sã; Francisco, e Frei Xisto Teuber (+19~0). Pouc9 depois, Frei Xis~o
foi nomeado procurador provincial das missões~ Havia na Província um
prurido de esperança. Até um seminário preparatório só' para japoneses funcionou em Taipas.
•.
l .....
E foi nesse elã missionário junto às colônias japonesas, que Frei Gonçalo aprendeu japonês e foi nomeado primeiro 9uperior da nova residência
de Bastos, no interior de são Paulo. O Bispo criou a paróquia que, na
verdade, era um posto missionário para atender os japoneses nas então
dioceses de Cafelândia e Assis. 1
A igreja era ainda de madeira e abrigava nq máximo 200 pessoas. Ajudava
µ Frei Gonçalo um frade recém-chegado do Japão: Frei Justiniano.
Frei Gonçalo passou a lecionar no ginásio qe Bastos, chamado São José, 1
mantido pela Colônia Japonesa e cujos alunos, 1em sua maioria, eram pagãos.
~sse ginásio, pouco depois, passou a ser um g~násio missionário e administrado pela nossa Província (lá passaram Frei ~dmundo Binder, Frei Apolônio
Weil, Frei Timóteo Krupp, Frei Xisto Teuber, até Bastos e Frei Xisto passa·
, rem ao Comissariado de Garça) .
O ano de 1946 Frei Gonçalo passou na paróq~ia de Votuporanga, diocese
de São José do Rio Preto. Uma paróquia que tinha capelas a 100 km de distância. Lá ficou um ano apenas, porque a paró~uia foi entregue aos francis·
canos italianos do novo Comissariado de Garça.
O ·~ÃROCO CONSTRUTOR
Deixando as missões japonesas, por quase três anos trabalhou em são
u Lourenço, onde também dirigiu .o coro. Internpe$tivamente, em agosto de 49,
/ e mandado para Três Arroios, no Rio Grande do Sul, com a incumbência de
pároco em Sever!ano de Almeida, a pouco mais de oito quilômetros de Três Arroios.
Como ainda nao houvesse matriz, Frei Gonçalo se dispôs a levantá-la. Comprou uma olaria e empregou
o Nono do Frei Luís Sassi na confecção de tijolos. Comprou toda a madeira necessária e um caminhão. Rasgou o chão e pôs os fun~amentos. Quando a Igreja despontava visível, a paróquia foi entregue ao Bispo
diocesano (junto com Tres Arroios) e Frei Gonçalo se transferiu para Xaxim.
Em fevereiro de 1952, é nomeado superior e pároco de Xaxim, onde construiu a casa paroquial.
Com a chegada do primeiro cinema em Xaxim (em meados de junho de 1952r~
Frei Gonçalo, como pároco, fez aluns sermões o.rientativos aos fiéis. O
dono do cinema se sentiu atingido por terem diminuído, segundo ele, os 1 : •
~ freq~entadores. E entrou na sub-delegacia de Xaxim, solicitando os ofícios
do delegado "no sentido de convidar o Revmo.Frei Gonçalo, operoso vigário
desta paróquia de Xaxim, a ~ntrar num entendimento comigo ••• "
Estranho pedido! A certa altura, diz o querelante:"A minha atitude e
~ mais preventiva do que acusadora. O meu desejo é que a paróquia local se
ponha de viver comigo assim como eu, seu humilde paroquiano, sempre me pus
para com ela". E mais adiante:"Ninguém ignora a eloq{;.ência do Revmo. Frei
Gonçalo nem a energia com que ele se há em relação às cousas da fé. Isso
" p confirma .uma gra~de força que ele tem dentro da cosciência de seus paroquianos".
Frei Gonçalo aproveitou a ocasião e escrev~u quatro páginas (em oito co
lunas) sobre o bom e o mau cinema, em linguag~m muito clara, direta, depoi
de recordar que não é a delegacia de polícia o foro para discutir princípios de moral e religião. O pocumento saiu com a aprovação da Prelazia de
..
·.i
. '' b
---
Palmas, de que Xaxim era então território. Transcrevo um dos Últimos parágrafos:
"Como sacerdote católico e ministro de Deus, como vigário e guarda
responsável do tesouro moral e espiritual da Igreja em Xaxim, lutarei,
se preciso for, em defesa da Igreja, seja onde for, e denunciarei o vício
para castigã-10 e exterminá-lo, e com isto e~ me sinto orgulhoso de faze+
verdadeira obra de brasilidade e mostrar um grande amor desinteressado
para com o povo desta Freguesia".
Em Janeiro de 1956, Frei Gonçalo e escolhido para guardião e paroco 1
de Rodeio, o que significa: Guardião do Noviciado. Saiu de Xaxim e, via
Maratá, desceu a Rio do Sul onde pegou o tre~ para Ascurra. Era o dia 20
de fevereiro. Deixou a bagagem na estação e seguiu a pé para Rodeio.
Na estrada se encontrou com o antecessor Frei Ceciliano Meurer (+1989)
que, de jeep, ia fazer o último pagamento a um fornecedor de batatas. Vol·
taram juntos.
No convento já estava o novo reitor do Seminário Frei Câncio Berri
(+ 1979); o novo vice-mestre de Noviços Frei José Cafasso. E na mesma
tarde chegou Frei Jacinto Bensing (+1969), completando a Fraternidade.
Frei Gonçalo assumiu o guardianato no mesmo dia. E a paróquia no dia
26 de fevereiro. Encontrou seu auxiliar Frei Humberto Zeller (+1962)
.L no hospital, se recuperando de pequeno derrame cerebral; o noviço Frei
Tobias Thier ausente e hospitalizado em Curitiba para extração de pedras
nos rins; e recebeu Frei Jacinto em convalescença.
. "
Mas quem estava doente mesmo era o prédio do Noviciado e a igreja. A
situação estava tão difícil que, no dia 12 de março, chegaram o Ministro
Provincial e seu Vice para discutir se valia a pena reformar a casa.ou
construir uma nova, em Rodeio ou em outra localidade. A discussão continuou no Definitório, que levou dois anos para tomar uma decisão.
Já nos primeiros meses de governo, Frei Gqnçalo reuniu o discretório
e tomou a decisão de· reconstruir as antigas ~strabarias; em abril entrou
o primeiro lote d~ vacas leiteiras. Substitu~u os animais de tração por
um trator; foi buscar em Luzerna um caminhão, para servir a Fraternidade
de Rodeio. Comprou em Gaspar (fevereiro de 1957) um velho. engenho de
açúcar e o remontqu em Rodeio, para produção.de·melado e açúcar. Sempre
na perspectiva de baratear as despesas.
Em janeiro de 1957, Rodeio se alvoroçou toda de curiosidade: pela pri,·
meira vez um Cardral chegava à cidade. Dom J~ime de Barros Câmara foi re·
cebido com pompas, para pr~gar o retiro as Irmãs Catequistas. Dom Jaime
celebrou na matri~ e pregou em todas as Missas do domingo, dia 13 de janeiro.
E por falar em .Irmãs Catequistas, foi também em 1957, no roes de fevereiro, que Frei D~sidério Kalverkamp, refundiu por inteiro as Constituições da Congregação para adaptá-las ao Direito Canônico,com a finalidade
!
de transformar a Companhia das Irmãs Catequistas em Congregação. Para isso Frei Desidério ficou em Rodeio 10 dias e retornou várias vezes.
Nesse ano os Padres Capuchinhos pregaram M~ssões em Rodeio. E o nosso
Frei Tadeu Hoennighausen, que era definidor, ~regou, auxiliado por Frei
Argemiro Schmitt, missões em Timbó. No encerrqmento das Missões em Rodeio,
no dia 3 de novembro, foi publicado e executado com toda a solenidade o
decreto do Governo Municipal, consagrando o município de Rodeio ao Sagrado
Coração de Jesus e ao Sagrado Coração de Mari~. E, em memória, ficou decretado, para sempre, feriado municipal.
Nesse ano de 1957 ainda, foi sagrado o novo bispo de Joinvile, a que,
então, pertencia Rodeio. Dom Gregório Warmeling foi sagrado no dia 29 de
junho e tomou posse no dia 21 de julho. Frei qonçalo comandou uma delegação da paróquia em ambas as datas.
Ainda em 1957 várias capelas da redondeza tiveram primícias sacerdotais:
Frei Ambrósio Moretto (Ipiranga), Frei Valmor Cattoni (Alto Pomeranos),
Frei Arcângelo Buzzi (Santa Maria), Frei Gamaliel Devigili (Picadão). Entre estar presente na festa de Frei Ambrósio, ,Frei Gamaliel e Frei Vuni-
' baldo Vogel, as três no dia 29 de dezembro, p+eferiu a festa do sobrinho
Frei Vunibaldo, em Maratá. A de Frei Valmor f9ra em julho, dia 8. Noviço
nenhum de 1957 esquecerá esta data. Frei Gonçalo colocou os noviços no
caminhão e os levou a cantar as Primícias. Tudo bem na ida e na festa. Mas
na volta, numa curva, o caminhão tombou. Sem mortes. Mas com ossos quebrados e alguns ferimentos. Frei Abílio Anderle ficou hospitalizado vários
meses, a ponto de perder o noviciadoi devendo recomeçá-lo no dia 3 de outubro, com nova vestição.
A partir de fevereiro, o convento e a matriz entraram em total reforma.
Do telhadp aos fundamentos. As celebrações pa+oquiais passaram para o salão por espaço de quase quatro anos.
Foi em meio desses trabalhos que Frei Gonç~lo celebrou seus 25 anos de
vida religiosa. E, para surpresa de todos, fo~ transferido para Pato Branco no final do triênio. E não deixou dívidas em Rodeio, mas muita restauração em andamento . . _Frei Gon~çalo chegou a Pato Branco no dia 2 de fevereiro de 1959. Já
no dia 14 de março assistiu a instalação da D;i.ocese de Palmas. Dom Carlos
i
Bandeira (+ 1969), prelado desde 1936, passou~ a bispo diocesano. E isto
na presença do N6ncio Apostólico, que se deslpcara a Palmas. 1
As construções se colocavam na frente de Ffei Gonçalo. Pato Branco qu~-
ria construir sua nova matriz. Foram apresentrdos dois projetos: um da
Firma Marna (a construtora do Seminário de Lu~erna) e outro do arquiteto
Benedito Calixto d,e Jesus Netto (o mesmo da BfisÍlica Nacional de Ap,areciqa) . '
O povo, por voto, escolheu o segundo. A pedra fundamental foi lançada no
dia do padroeiro, 29 de junho de 1960.
Ao longo do ano foi feito o estaqueamento:240 estacas de cimento com
30cm de grossura e 6 a 11 m de profundidade.
Enquanto crescia a construção, não eram de$CUidadas as então 53 capelas. Aliás, enquanto Frei Gonçalo lá estava, foram criadas três novas paróquias, desmembradas da nossa: Vitorino (l0.?.1961, levando 13 capelas);
Itapejara (21.7.64) e Bom Sucesso (16.8.64, l•vando as duas mais 15 cape1las). A matriz ficou com ainda 30 capelas rurais.
Em 1961 foram instaladas nas escolas prim~rias rádios receptores para
a catequese.radiofônica. Esse tipo de pastoral. cresceu muito nos anos
seguintes. A Rádio Celinauta, graças aos esforços de Frei Policarpo Berri,
aumentou sua potência. Assim as aulas passara~ a ser acompanhadas nas escolas de algumas dezenas de paróquias, mesmo fora da diocese .
. J Grandes fatos aconteceram em Pato Branco, dos quais não se esquivava
o pároco: a visita do Presidente João Goulart (17.3.62); a transferência
temporária do Governo do Estado para Pato Branco para que o Governador
(Ney Braga) e seus Secretários pudessem atend~r os Prefeitos dos 18 muni-
' cipios da região. Sem esquecer a Revolução de 64. E sem esquecer que eram
os anos da celebração do Concilio Vaticano II. No dia da abertura, escreveu Frei Gonçalo na Crônica:"Constituirá, sem dúvida, o fato mais importan·
te do siculo vinte!".
- · d t ar a igreja pronta em fins de 1964. A firma construtora nao conseguiu cumprir a promessa e en reg _ d
Sua inauguração teria coincidido com ~ 25 anos de padre de Frei Gonçalo e o termino de seu segun o
tri~~iJ~neir? de 65 foi tr~nsferido. O povo se apaixonara por ele.dQ ~~~~l~~oci~~~ ~~~~:~~c6~~~~'. ~:
-i~~~ ~~~n~~m~n!~~u~~~ ~:m~~~âo~eq~~ ~ g~~~r~~~~n~ci~~ld~~eºo~~~~go~ o título de Cidadão Honorário de
Pato Branco"· ·- · d· 29 de junho de 1965 levando Frei Gonçalo partiu. Mas voltou na inauguraçao solene da Igreja, no 7ª .- ' a representação do Ministro Provincial. A Igreja foi inaugurada com a maior festa da regiao ~,/
.--,,,-·-·
~--~~~~--~~~
-------·------~--·----·---------·--·----·--····
os tempos: foram consumidos 31 bois. Ma.;i.s tarde, Frei Gonçalo comentava comigo:"Maior só a inauguração do tem:plo de Salomão, onde foram
consumidos 12 mil bois e 120 mil ovelhas!"
i FAZENDEIRO FRUSTRADO
Frei Gonçalo seria mais um a tentar arrancar da fazenda de Agudos o
auto-sustento do grande seminário/convento. C~egou em fevereiro de 1965.
Seu antecessor fizera grandes plantações de cana. Como a região intei-
/
ra caminhava por esse lado e cresciam as usin~s, a direção parecia certa ..
e Coube a Frei Gonçalo a tristeza de saber que ?as duas mil toneladas de
, 't cana que a fazenda colheria, só 200 poderiam ~er entregues. o Governo
Federal limitara as cotas dos fornecedores, diziam, para proteger os i
,plantadores do Nordeste.
Frei Gonçalo, que não acreditava na eficiêpcia dos bóia-frias, contratou um grande grupo de cortadores em Gaspar. Çom o decreto da limitação,
só chegaram 8 a Agudos.
'7 . '• ~-··
Funcionou a "factoticidade" de Frei Gonçal9. Excesso de cana, excesso
de laranja. Juntou os dois num grande tacho nf fazenda e fabricou melado
e doce de boa qualidade e bom preço.
Mas não se sentiu bem como administrador ~e uma fazenda difícil. Não
terminou o triênio. Já em dezembro de 1966 reçebeu transferência para
Quissamã, nd Estado do Rio, como pároco de Conceição de Macabu. Onde
- reviveu como pessoa e como pastor.
PASTO~ -·~Tomou posse no d' 22 d · · t d Q · - ia e Janeiro. Es ava ª?rega o a uissama, mas morava em Conceição, como o Frei Corbiniano (+1977) que, também agregado a
-' Quissamã, morava em Carapebus. Em Quissamã pa~toreava~rei Lauro Ostermann
(+1991) e seu coadjutor Frei Adriano Koerner ~+1980).
/ Em janeiro de 1971 foi nomeado superior de:Quissamã, mas continuou
morando em Conceição, já que o vigário nomeadp de Conceição, Frei Benigno
Vodonis (+1991) não quis tomar posse ao ver a paróquia.
Nessa altura, segundo semestre de 71, çomeçam a aparecer sintomas
de doença, que nunca mais superou, apesar de haver consultado médicos
muito bons.
Em fins de 73 pediu ao Ministro Provincial alívio temporário de cargos
e cargas. Foi transferido para Duque de Caxia$ como cooperador.
O Comunicado Mensal, órgão oficial do Bispado de Nova Friburgo, no
n.152 de fevereiro de 1974, escreveu:"Com pesar recebemos a notificação '
da transferência de Frei Gonçalo Orth,O.F.M., que deixa a Paróquia de
Conceição de Macabu e a Gerência da Rádio Popular Fluminense. A saída de
·· Frei Gonçalo representa transtorno bastante grande. Durante 7 anos ocupa-
; ra aqueles postos, mostrando grande senso de :respónsab:,i.lidade, dedicação
ao trabalho e zelo pastoral. Foi ele o consolidador da Rádio Popular Fluminense e o construtor da Casa Paroquial. No $eu paroquiato a rádio foi
' verdadeiramente um instrumento de apostolado. Com saudade e gratidão o
acompanhamos em seu novo destino:Duque de Caxias".
Pedi a Dom Clemente José Carlos Isnard, bi$pO de Nova Friburgo, uma
palavrinha sobre Frei Gonçalo. E ele me envioµ esta bel(L página:
"Frei Gonçalo Orth foi vigário de Conceição d~ Macabu de 1967 a janeiro
de 1974. Sua presença na paróquia durante set~ anos foi verdadeiramente
abençoada.
Frei Gonçalo era um frade austero, piedoso 1 e cumpridor de suas obriga~
cões. Sucedeu a Frei Fausto Pereira de Souza, que tinha, a duras penas,
.v organizado a Rádio Popular Fluminense, pequen~ emissora de rádio com apena
-~ 100 watts de capacidade. Quando Frei Fausto fnstalou a emissora, utilizou a casa paroquial para is~o. Frei Gonçalo,:com visão do futuro da cida-
~ de de Conceição de Macabu, percebeu que a pri~eira necessidade era constru
!
uma casa paroquial o'nde dois ou três frades ppdessem morar. Ajudado pelos
paroquianos, corajosamente pôs mãos à obra, e hoje Conceição de Macabu
tem uma das melhores casas paroquiais da Diocese. Essa casa paroquial já
permitiu a presença de dois ~rades em Conceição durante certo tempo.
' ;~
'~· ~ J ' : '
/:)
Além disso, Frei Gonçalo construiu no bairro da Calçadinha, bairro
de periferia, uma boa capela, e colocou na fachada a cruz de São Francisco
Na zona rural construiu a capela de Santa Catprina, no lugar denominado
Curato. Para essa construção encontrou um ben!feitor, e a capela é muito
bonita.
A grande'luta, porem, de Frei Gonçalo foi a emissora de rádio, sempre
deficitária. Frei Gonçalo utilizou no máximo a emissora para fins de evangelização e, corajosamente, enfrentou as dívidas, chamando-me para ajudar
em dua~ ou três ocasiões. \
Frei Gonçalo tinha um defeito na visão, que o impedia, às vezes, de
reconhecer as pessoas. Com isso teve alguns djssabores, pois os mais desconfiados achavam que ele não os queria cumpr,imentar.
Introduziu na igreja matriz a Celebração d~ Palavra de Deus, para
poder celebrar Missas nas capelas do interior. Num domingo, celebrava
na matriz a missa da manhã e, à tarde, havia celebração. No domingo seguinte, o inverso. Assim pôde dar uma boa assistência ao povo simples da
roça, pondo em vigor, antes de Puebla, a "opção preferencial pelos pobres"
Com isso, acostumou o povo de Conceição a aceitar a Celebração da Palavra
de Deus, na ausência do padre.
Sua saúde frágil não permitia que continuasse a reger uma paróquia tão
trabalhosa como Conceição. Foi com pesar que o vi partir. Receava eu que
a emissora de rádio acabasse, e pensava nas comunidades rurais tão bem
cuidadas por ele. Felizmente, seus sucessores continuaram a desenvolver
a paróquia .
. ,. Dedico a Frei Gonçalo imensa gratidão. Lamento nao ter podido dernonstra1
.; a ele nos anos de sua enfermidade o que estav1
a no meu coração".
O clima quente de Duque· de Caxias lhe foi um tormento. O Ministro
Provincial o transferiu alguns meses depois ~ara Guaratingueti, Graças,
corno cooperador da paróquia de Nossa Senhora da Glória do Pedregulho.
Pouco mais de um ano depois, lhe foi pedido um imenso sacrifício: substituir em São Lourenço a Frei Osrnar Dirks, gravemente enfermo. Assume a
paróquia no dia 22 de fevereiro de 1976. Era urna situação delicada e irn-
~ portante. Delicada pela presença de Frei Osrnar, que so em maio de 77 via~
.. jou para a Alemanha.Queridíssimo de todos, F~ei Osrnar tinha várias obras • 1
em andamento, que era preciso terminar, corno ,1 por exemplo, a reforma da
Ermida do Bom Jesus, a Igreja das Graças, no ;bairro Carioca. A paróquia
. ,; i se preparava para celebrar o cinquentenário de criação. E tinha toda a 1
'· preparação da Ordenação e Primícias de Frei J;oão Jorge Ribeiro ( + 1990) •
Em.setembro de 1977 conseguiu realizar um sonho: visitar a Terra
Santa. A esta peregrinação Frei Gonçalo se referiu inúmeras vezes depois.
E fez conferências ~ deu aulas em escolas sobre o que viu. A viagem demorou quase dois meses, porque serviu também para visitar Frei Osmar que 1
ainda sobrevivia em tratamento sério na Alemanha (+20.7.78i
, ... ,,.
"-;, ·~·
A1 /:' ...
Voltou em tempo para a Missa jubilar dos 50 anos da paróquia. Pouco
depois sofre uma queda, quebra a cabeça do úmero e teve de viver enfaixado
durante um mês inteiro, ou seja, durante as festas natalinas. E foi nessa
' situação que recebeu a transferência para Angelina, como superior e paroco.
ÚLTIMA OBRA
Frei Gonçalo tomou posse como pároco de Angelina no dia 20 de janeiro 1
.,. de 1980, em cerimônia presidida, por delegação do Arcebispo, pelo vigário
que o precedera Frei Honorato Brueggemann (+1?92). Era a segunda vez que
.sucedia a Frei Honorato (em Pato Branco fora a primeira). Frei Honorato
se retirava de cabeça erguida, depois de construir 10 capelas. Frei Gonçalo chegava com fama de grande vigário.
Enquanto Frei Raul Bunn (+1991) se encarregou das capelas, e Frei Cass~
no Schãfers (+1986) do confessionário e dos doentes, Frei Gonçalo assumiu
sobretudo a sede.
Nesse tempo o território da paróquia abrangia dois municípios: Angelina
e Rancho Queimado. Angelina com 6.707 habitantes e Rancho Queimado com
2.544, segundo o censo do ano. Apenas um quarto da população não era católica.
Uma coisa faltava a paróquia: um pavilhão 9e festa e salas de catequese
e encontros. O Livro de Tombo escreve em fins de 1980:"No apagar das luzes
do ano de 1980 confraternizaram-se as autoridades civis e religiosas num
churrasco de ovelha. Marcaram presença os Senhores Prefeito Municipal,
·~ Vice-Prefeito, Vereadores, Delegado·de Políci~, Padres e todos os Membros
.', do Conselho Administrativo Paroquial. Nesta o~ortunidade foi apresentado
um projeto de reforma dos barracões de festa,• com a construção de um centro catequitico. O plano recebeu aplausos e foi aprovado por todos os presentes".
.\.·
A pedra fundamental foi benta e lançada pelo Arcebispo em visita pastoral, no dia 14 de junho de 1981. Frei Gonçalo anotou no Livro de Tombo:
"As fundações do Centro Catequitico Paroquial descansam sobre 24 pilastras
que se apóiam sobre outras tantas sapatas de l20xl20 cm, a uma fundura
de 3 a 5 metros.
As aulas de catequese de 1982 já foram no palão novo, ainda inacabado
em março. A inauguração oficial foi na festa ~a Ascensão, dia 23 de maio,
com a presença do Arcebispo. As chaves que abriram as portas foram leiloadas.
Durante o triênio de Fre~ Gonçalo, se fez µma Semana Vocacional (agostc
de 1981) na sede e nas capelas, por ocasião do jubileu de ouro de Frei
Crispim Back(+l986), filho de Angelina. E se ~ez uma mini-missão pregada
por Frei Anselmo Fracasso, em fevereiro e março de 1982.
O oitavo centenário de nascimento de são Francisco foi marcado por
dois eventos: uma vigília d~ noite inteira na Gruta de Nossa Senhora de
.! '
Angelina (14 para 15 de agosto) e um encontro dos jovens da paróquia,em 1
,/1
, i
outubro, com a participação de 333.
Foi também durante esse ano de 1982 que Angelina recebeu calçamento e
a rede de água e esgoto.
No Capítulo Provincial de dezembro, Frei Gpnçalo recebe nova transferên·
eia: retorno' a Quissamã, na Baixada de Campos, Estado do Rio de Janeiro.
DÉCIMA PRIMEIRA ESTAÇÃO
1
Não foi boa essa transferência para Frei Gonçalo. Jã nao era o mesmo
homem de 1966. Chegou a Quissamã como superio~ e vigário. Não conseguia 1
pormir. Começou a sentir falta de ar. Perdeu 9 apetite.
Mal chegou ele, Frei Lauro Ostermann - taml;>ém esgotado aproveitou 1
, para tirar férias de tratamento. A solidão lhEf piorou o estado. Frei Bertino Hintemann trocou algumas semanas com ele: ~rei Gonçalo foi a Carapebus,
que tem um clima um tantinho mais ameno.
Preocupado, procurou o médico, que mandou ~o Ministro Provincial o
aviso:"Atesto que Frei Gonçalo Orth acha-se doente, estado de angústia, i
e, dada também sua idade, não tem condições
gião de calor abrasador".
p~ra residir nesta nossa rei
De fato, em estado lastimável, o médico mandou levá-lo a Petrópolis no
dia 20 de fevereiro.
O Dr. Nelson de Sá Earp, depois de vê-lo, determinou internamento e
soro. "Foi a primeira vez em 30 dias que pass•i a noite dormindo", escreve
ao Ministro Provincial do Hospital S~nta Tere~a. Prometeu voltar a Quissama assim que pudesse. Na verdade, não saiu tão cedo do hospital. Sobrevieram complicações intestinais, com dores.
Alarmado, foi a Guaratinguetá consultar um médico amigo. Sujeitou-se
uma lavag~m completa dos intestinos e a uma batelada de exames. No dia
24 de março, de volta a Petrópolis, escreve ao Provincial:"Durmo a base
de psicotrópicos. Tenho medo de voltar a Quis~amã. Além do mais, queria 1
operar também as cataratas do olho esquerdo".(O olho direito - o menos
!
bom - fora operado, com relativo êxito, em Pato Branco, em 1982).
A essa altura, Frei Alvaro Machado da Silva o convida para substituílo na capelania da Casa de Saúde São José, durante um mês, dando-lhe assim
chance de consultar especialistas. Em começos;ae maio escreve ao Provincia:
"Estou intranquilo e desasspssegado, sem apetf te, nao como nem durmo direi·
. _, to" •
O Ministro Provincial lhe oferece transfer~ncia para São Sebastião. No
dia 22 de maio renµncia ao cargo de superior f paroco de Quissamã e parte
para São Sebastião~
Trabalhou como pô'de e pôde pouco. A operaçc;to do olho nao foi feliz. Con·
siderava-se cego. Um grande sentimento de inutilidade o invadiu. A angústi. i
cresceu muito forte. Foi levado para o são Francisco, em são Paulo, em ja-
' .. . ..
j • .i
neiro de de 1986.
Perambulava silencioso e recatado pelo corredor do terceiro andar. Rezava muito. Concelebrava na capela.
Muito lentamente voltou a se interessar pelos acontecimentos. Transferiu o titulo de eleitor para São Paulo. Votou po PT em todas as eleições
!
que teve. Lia jornal, para admiração dos que o consideravam cego. Ia a
todos os atos da fraternidade. Irrequieto. Voltou-lhe o senso de humor.
Em dezembro de 91 me cercou no corredor, me segurou pelo braço, me fixou
e disse muito sério:"Estou zangado com Você. Você me tirou minha leitura i
4e cabeceira!" Estranhei. E ele, malicioso e irônico e feliz:"Você não
vai mais publicar o CEMtelhas!"
Não teve ânimo de ir ao Jubileu de Frei Joaquim, em Rondinha, em novembro de 88, apesar de todas as facilidades que lhe oferecemos. Também não
teve coragem de celebrar os seus 50 anos de p~dre com a turma, no Capitulo
Extraordinário de Agudos, em novembro de 1989. Mas fez questão de mandar
fazer o santinho e de celebrar a Eucaristia nq convento. Mandou colocar
no santinho:"Minha alma glorifica o Senhor!".
Não foi ao enterro de Frei Joaquim, falecido inesperadamente em Curitiba
no dia 10 de fevereiro de 1990.
A tranquilidade lhe voltara. Ficava feliz, quando alguém lhe dava atençao. Começou a atender confissões e, ao menos duas horas por dia, descia ·
a portaria, de hábito, para atendimento.
E foi numa dessas horas, a tardezinha, que teve certeza de que ia morrer
·Levantou-se. Deixou a fila de penitentes e mandou procurar o guardião. Leva
do às pressas ao Hospital são Camilo, não suportou o infarto agudo do miocárdio. Eram vinte e quarenta e cinco do dia 2.2 de abril de 1992. Tinha \.;
78 anos incompletos.
Foi velado no Salão são Dâmaso. Depois da Missa exequial às 15 horas,
os confrades o levaram ao Cemitério do Santíssimo Sacramento.
Ao ser perguntado, um dia, qual era seu trabalho preferido entre os
tantos que realizara, respondeu:"Meu trabalho preferido é aquele que
posso cumprir, quando se trata de uma tarefa que me foi confiada!" Quem
, o conheceu sabe que, enquanto a saúde lhe permitiu, cumpriu todas as tare.,.
fas.
Frei Clarêncio Neotti
,,
!O
... ""'"·-:--·•r-
'
,. ,;
1
i
1 '
1
1
-~ • - - - -----:--·· ·,1
" 1 . . • 1
!1
;i
' 1
' j
illlll••ilrsh•nrJl."n~~~~llr.~,!1111>1~1• '· 111.• ·-··'""-"· .
..
1 ' .. --- • • • •
'·
----·-·········~···--~- ...... )~ . : .... .
fwto f~.~. ~ u.·~ ,1«tU --·--
1"·~(~~ ... ~ ~.tvtr Ú'\-·
'\)' M . ? ~l.:... . .
·-·~ ··--~-····--- ........... ~. -· ' .. -· ~-
23
·- ·-·---·-·;- .
·- 1
1 •
1
: 1 .· •'
• 1 .• 1
24
' ' ( '' ' \
.. ....-,..,.,;- q•t r · ,,....,~-..1 ~,.;;;;::.;q.;:; '.,,.,.. , , ~ , • 1 ,
'1 . .·· llllt,;J.~: . i . . .. '
1 .
'·
o . 25
...... ----··--··-· ..
·;·•
' . ·-----·--~-·-··· - .
( ,·
r;·--'-"······· 1:--.::·
:' ·;~ ~ ./
"·,,'
.·'' ,;_-.: > 26
...... !
i
1
l
1
. . - - . 1 {) ~---- +·~ ~ "~ 7.J,_,, ~I
~t:~~t·~>::~.-~~c .d" . fl,_ . .,...eo ./1, sr:.,L;._.,, -~~' ~--GÍ·,~- .
. ~-t.-1 ~t.-~1'~ dJc-~i... ~-p ~~. ~1- ~'--~;
~c;t~~f~: · ~ ~ ~· º ~.ft;. tX-i.;~~~-z1 A /"~,~~--p' ~-rto ~ ~ ~1 ~~ ~ pL~~L - ;
.~·a--r..·1L- _Q_ ft~t- ~~;t;._;_.~ ~ ~ )
·-"'·~ D /-.L~ ~~ .. ~ ;; &:.-.'I
,e!~-~, .d. , ~~ ;t..L. r-r .... .. ~~ .. f}~,, c4..J'i> . /2--1.>~ _N. ~~ ~ ~-~~ ....
~ ' 1 .
~~ ~~ -~~··---~.iJ ~ ~ -4~~-J
~ ~~~ ~--V1r~--fe~·T .· ..
. ." fZ.~· f:.:~-~ .Q~~ .. :.: --;g~~ ....
~~~r· ~....: ~ ~,~ L~ ,...t .... ~..-r- .L.c-c...._., .P~, ( ~-.,---..- ~
·~e=· 6),,a-"-7'-·
.. ' : .·~. };'.i ;., . V
: ;l~I'' ·"'"'-'-.,..;.-'-~_.. í"j" 'í
~11_,\,;:~_::~~2 .. ;;:<·:',.-4.:~·ifL. '."•
~:.'._:c~,:.~~..:_,..i~~~
~~...,
~~; I' j
,(~~o °'-'' . . . . . . ... .. • . +-. . . '·-···
''
~l ···--······.,~······- ··t-··-
j
!
.:'. ~--····'"-'W•O- ...
. '~ .,_:
' \• ; 27
'
~ '.
.:·.')
h'ii · Ili; }IJ:,/a-lt't-tA.f. a:i~h-u l1t
· 1 tltettufvn 15 lf
1 ' ~ · • AQJ M :r1111""* a
t·
i
·--··· .
- ·~ . ... ~' '
• • ~ ', ' • ' '·. ' < 28
··r•11rn11111U1111 um=rmn•nrurt:r ertttnetw:re'1t·:tW•1r11
e 1100•n»e ew ... ~ ... ;..-••• ~:··;,·""' ,.,,,.. .. .. -~··" .... _,. .. ,,_, -··~~ .......... . p·. 1
.... ,_.,_,,..~~-·· .. ·; . '~ :
............................... r • .,.7' .. Jª __________ __
'( '. ·. ,, . ';. ' . ' ' .. .. .. ' ~
. . . :
'.
. r .
~ -:
l -
i
1 .
'
1
18
1
'': ~ . -' ! '
. 1 19 1
'· . . l
!
f
1
1
l
~
!
. 1 .. .. -· .... ~.
"'·
20
,,.-
t.
·~ t
'•
\
21 j
·· I
·! . \
: . ·.~I l ..... ··-; j
l
j
·!
j
1
. 1
1
!
1
' l ! l
. 1
í
.. 1
.. ' l
. -· .. --·-=-•-MlllW!llll9o .
. ..
. ,.,...;. ..... .,., •' ..
~·· '
l
' . M
23
24
·i
,· 1
l
.·
i
. !'
i
1
' .
• •• 1 25- ,· , .. , '
i
i . -· -· ....... ,. -····'·--- .... ""····-:·~"---;•~:.:::;:::·.-_::·.·.:...=.-·--- .. .
~, ~ ,~ ~~~;;z
~~IL~~!::;:;.. ~~~Y;::: cefJaff ~~cc, ~ ~ ~ ·~ .. ~ -~· ~
~ ,,,,,_d.,1.~..d. r4 ~~· ~ .,,;,_r.-
µ;; d~fiT~~ ~~€;~~-
§{;" ~~~ ª S:.: . r~ .. f24-·· ~L.::: .d'..
~-vr_~~JL b'rrr ~ ;r, t-e_ de. ~ ~
. ~,wa-.k. ~ ~. ~c_..-o.A} r-~
7c::,, p4--~ ~ ~ ~ ~ .. ·: ~ ,o-r-~·· .
26