| Tipo | Lei Ordinária |
|---|---|
| Número / Ano | 2696 / 2006 |
| Date | 2006-11-07 |
| Ementa | Institui o Plano Municipal de Educação, em conformidade com o disposto na Constituição da República Federativa do Brasil e Lei de Diretrizes e Bases da Educação. |
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aÍ de Pato !Brianco
Institui o Plano Municipal de Educação, em
conformidade com o disposto na Constituição da
República Federativa do Brasil e Lei de Diretrizes e
Bases da Educação.
A Câmara Municipal de Pato Branco, Estado do Paraná, aprovou e eu,
Prefeito Municipal, sanciono a seguinte Lei:
Art. 1° Fica instituído o Plano Municipal de Educação, com duração de 6 (seis)
anos.
Art. 2° O Plano Municipal de Educação foi elaborado com a participação da ,
sociedade, sob a coordenação da Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer,
em conformidade com o Plano Nacional de Educação.
Art. 3° O Plano Municipal de Educação reger-se-á pelos pnnc1p1os da
democracia e da autonomia, buscando atingir o que preconiza a Constituição da República,
como também a Lei Orgânica do Município.
Art. 4° O Plano Municipal de Educação contém a proposta educacional do
Município, com suas respectivas diretrizes e metas, conforme documento anexo.
Art. 5° Compete ao Conselho Municipal de Educação realizar o
acompanhamento e avaliação da execução do Plano.
Art. 6° As despesas decorrentes da aplicação desta Lei correrão por conta das
verbas orçamentárias próprias, suplementadas se necessárias e de outros recursos capitados
no decorrer da execução do Plano.
Art. 7° Esta Lei entra em vigor na data de a publicação.
Gabinete do Prefeito Municipal de P to Br nco, 7 de novembro de 2006.
ASSESSORIA JUR!DICA
Rua Caramuru, 271 Fone/Fax (46) 3220-1544 85501-060 Pato Branco Paraná
ano
------------ Municipal de Educação
Pato ~ Branco fJ
i----
PREFEITURA MUNICIPAL Nossa Terra
·Repensar a educação como espaço póblico implica interrogar criticamente
o ... (o melhor sistema), e compreender as razões que impediram a escola de
cumprir muitas das suas promessas históricas. É a partir deste lugar que
poderemos imaginar propostas que reconciliem a escola com a sociedade e
chamem a sociedade a uma maior presença na escola.
O debate tomou-se inadiável: Como conseguir que as famílias e as
comunidades sintam que a escola lhes pertence sem que, ao mesmo tempo, se
fechem na "sua" escola? Como conseguir que a educação responda aos
anseios e aos desejos de cada um sem que, ao mesmo tempo, renuncie à
integração de todos numa cultura partilhada?"
António Nóvoa
Formação de Professores e Trabalho Pedagógico EDUCA Lisboa - 2002
PREFEITURA MUNICIPAL DE PATO BRANCO
PARANÁ
PATO BRANCO - PR
2006-2012
*
GESTÃO 2005 A 2008
Prefeito Municipal de Pato Branco: Roberto Viganó.
Secretária Municipal de Educação, Cultura Esporte E Lazer: Solange Beatris
Amadori Martins de Oliveira.
Departamento de Educação Infantil: Juliane Cadorin.
Departamento do Ensino Fundamental: Conceição de Maria Barroso Ritzmann.
Departamento de Educação Especial: Lucene Bertol.
Departamento de Educação de Jovens e Adultos: Kelvin Silva.
Departamento de Cultura: Cirene Miotto.
Departamento de Esporte e Lazer: Flávio Krassota.
·COORDENAÇÃO GERAL DO PLANO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO
Representante da Secretaria Municipal de Educação: Beatrici Flora Barrionuevo.
COMITÊ GESTOR CENTRAL
Representante da Equipe Pedagógica da Secretaria Smecel:
Conceição de Maria Barroso Ritzmann.
Representante da Equipe Técnica Administrativa Smecel: Alcides Benato.
Representante dos Diretores das Unidades Escolares: Giovana da Silva.
f3.epresentante dos Diretores da Rede Municipal de Ensino: Lucia Maria Machado.
Representante do Órgão de Representante dos Professores Municipais:
Selma Gaspar.
Representante do Comitê Setorial de Educação Infantil: Juliane Cadorin.
Representante do Comitê Setorial da Educação Fundamental: Elaine Andolhe.
Representante do Comitê Setorial do Projeto de Educação de Jovens e Adultos:
Kelvin Silva.
Representante do Comitê Setorial de Educação Especial: Lucene Bertol.
Representante do Comitê Setorial da Educação de Campo: Linei Gehen.
, Representante do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Criança e do
Adolescente: Marilene Colla.
Representante do Conselho Municipal de Educação: Heloí de Carli.
Representante do Comitê da Educação em Tempo Integral: Marcelo Oltramari.
Assessoria: Prof. Dr. Dirceu Antonio Ruaro
Projeto Gráfico: Eiguel Ribeiro
COMITÊ SETORIAL DE EDUCAÇÃO INFANTIL
Elizangela Kempfer
Neiva Aparecida Pereira
Edriane Aparecida dos Santos Chaves
Juliane Cadorin
Denise Tombíni de Souza
Marilene Benetti
COMITÊ SETORIAL DO ENSINO FUNDAMENTAL
'líaci Cadorin
Marilene Gulgelmin de Almeida
Jusara Santos
Conceição de Maria Barroso Ritzmann
Elaine Andolhe
Giovana Mattei da Silva
lgnês Zachi Silva
COMITÊ SETORIAL DO PROJETO DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
,Sueli Chioquetta
Ana Paula Bet Sendeske
Maria Sonia Garcia
Kelvin Silva
COMITÊ SETORIAL DA EDUCAÇÃO ESPECIAL
Clarmi S. Tonial
Maria Aparecida da Cruz
Maristela V. Pavan
Loreci F. Rubbo
· Lucene Berto!
Cácia Ruaro Webber
Marilu Correa Vendrúsculo
COMITÊ SETORIAL DA EDUCAÇÃO DO CAMPO
Rosilei Puntel Carneiro
Fátima Fontana
Eliane Debastiane
Bernardete Sgarbossa
Rosane Pollon Polazzo
'Linei Benin Gehen
COMITÊ SETORIAL DA EDUCAÇÃO EM TEMPO INTEGRAL
Eliane Gauze
Marcos Antonio Gonçalves
Valdomiro Maciel da Silva
Laura Marli Amadigi Dai Santo
Marcelo Oltramari
APRESENTAÇÃO
Este documento se concretiza e se apresenta como o resultado de
discussões democráticas e participativas na busca de elaboração de um Plano
l\ílunicipal de Educação que, a partir de vários pontos de vista, procurou discutir
valores, princípios, diretrizes, metas e ações necessárias à transformação da
educação do município de Pato Branco visando a construção de uma sociedade
, mais equilibrada, no plano das relações humanas, sociais, familiares e educacionais.
Com certeza a elaboração do Plano Municipal de Educação de Pato Branco
buscou interpretar as ansiedades e desejos dos diversos atores da educação
municipal, considerando como ponto central de atenção o aluno em qualquer uma
das modalidades educativas praticadas no município. As relações vividas por
professores, diretores, coordenadores pedagógicos, pais de alunos e sociedade civil
organizada sobre as ações educacionais no território do município de Pato Branco
revelam as práticas cotidianas que levam esses atores a agir ou a não agir
motivados por seus valores, concepções, culturas, interesses e filosofias que
heterogêneas tecem o cotidiano da escola patobranquense que decide pensar e
fazer o novo, o diferente num esforço coletivo de reflexão e construção.
A questão ideológica perpassa as diversas e inúmeras discussões travadas e,
certamente, se apresenta também nos textos que foram elaborados, porém não são
,as questões filosóficas e ideológicas que importam no contexto do Plano Municipal
de Educação. O que importa é a quem esse plano serve.
Diferentes olhares e visões são contempladas ao longo do plano e refletem a
diversidade dos problemas, desafios e angústias vividas no cotidiano das salas de
aula de nossas escolas.
O Plano converge para metas e ações capazes de estimular o desejo de
transformação, meta final e desejo de todos os que se envolveram de corpo e alma
na elaboração do presente documento.
A metodologia adotada procurou envolver todos os segmentos da sociedade
especialmente as famílias e os professores. Evidentemente, uns mais, outros
menos, participaram, mas o resultado é a soma dos esforços de todos na busca não
de dizer e discutir o que falta, mas com o olhar do futuro, sabendo para onde se vai
apesar de nossos preconceitos e dificuldades ter a possibilidade de propor, de
pensar a ·construção de uma educação nova, de experimentar o novo, admitir
, ~essas deficiências e buscar uma nova educação, apesar de nossos velhos ranços.
Esta é a idéia. Que o Plano Municipal de Educação sirva de caminho, de
ponto de referência para uma política pública de educação que perpasse as
questões quase sempre limitadas de propostas dos partidos políticos. Por isso
mesmo, o Plano Municipal de Educação não se caracteriza como um documento de
um partido político, mas de uma comunidade que quer construir uma escola
cooperativa e comprometida com a qualidade do ensino e. da aprendizagem de
todas as crianças e jovens patobranquenses, independentemente de sexo, idade,
religião ou classe social.
Prof. MSc. Solange Beatris Amadori Martins de Oliveira
Secretária Municipal de Educação, Cultura Esporte e Lazer
PREFÁCIO
Entendendo a educação como bem público, direito do cidadão e dever do
estado e da família é que o município de Pato Branco em obediência à Lei 10.172 de
09 de janeiro de 2001 apresenta seu Plano Municipal de Educação.
Nesse entendimento está subjacente a ação do poder público municipal com
relação às modalidades de ensino sob sua responsabilidade e mais que isso,
, adotando a concepção de que a educação é uma apropriação da cultura humana
produzida historicamente e tendo a escola como instituição sistematizadora desse
conhecimento, era necessário que se tomasse a iniciativa de cumprir com os'
dispositivos legais e organizar as medidas necessárias para que a escola municipal
pudesse estar instrumentalizada para a realização eficiente de seus objetivos.
Assim, ao determinar a elaboração, o Plano Municipal de Educação do
Município de Pato Branco, nossa preocupação foi na direção das especificidades
'próprias de nosso município, pois temos a consciência clara de que nossas escolas
precisam passar por profundas transformações em suas práticas para enfrentar e
vencer os desafios do cotidiano.
Conscientes estamos de que transformar práticas e culturas tradicionais e
burocráticas das escolas que, por meio da retenção e da evasão acentuam a
exclusão social não é tarefa simples e nem para um só governo. O desafio. é educar
,qs crianças e jovens patobranquenses proporcionando-lhes um desenvolvimento
humano, cultural, científico e tecnológico, de modo que adquiram condições para
enfrentar as exigências do mundo contemporâneo. Tal objetivo exige esforço
constante de diretores, professores, funcionários, pais de alunos, sindicato de
professores, governantes e outros grupos sociais organizados.
Não ignoramos que este desafio precisa ser enfrentado em primeiro plano
pelas políticas públicas de governo. Entendemos também que a soma dos esforços
'é que poderá levar a escola patobranquense para o caminho da transformação.
Este Plano é um começo. O convite da Municipalidade é para a participação,
a ação coletiva, a busca do novo, pois o colapso das velhas práticas políticas mostra
que é preciso investir na escola para investir na transformação do ser humano.
Esperamos, pois, que todos sejamos capazes de um grande trabalho coletivo, de
participação, de reflexão e de ação nesse contexto educacional que sabemos
complexo, carregado de conflitos e que exige posturas éticas e políticas.
O Poder Público Municipal espera poder contar com o compromisso de todos,
especialmente dos que atuam na educação municipal, na alimentação, na avaliação
e realimentação do presente Plano.
Roberto Viganó
Prefeito Municipal
SUMÁRIO
Coordenação Geral do Plano ....................................................................... 02
Apresentação ............................................................................................... q4
Prefácio ........................................................................................................ 06
1 - Das Bases Legais .................................................................................. 1 O
2 - Síntese Histórica do Municfpio ............................................................... 13
· 2.1 Origem de Pato Branco .................................................................... 13
2.2 O Contestado e a Colônia Bom Retiro ............................................. 14
2.3 Emancipação do Municfpio ............................................................... 17
3 - Análise Macro Estrutural ........................................................................ 18
, · 3.1 Diagnóstico ....................................................................................... 18
3.1.1 Contexto Geográfico ................................................................ 18
. 3.1.2 Contexto Sócioeconômico ........................................................ 22
4 - Plano de Metas para o Período 2006 a 2012 ......................................... 38
4.1 Educação Infantil ............................................................................ ,. 38
4.1.1 Diagnóstico .............................................................................. 38
4.1.2 Diretrizes .................................................................................. 40
4.1.3 Princípios ................................................................................. 42
4.1 ~4 Concepções ............................................................................. 43
4.1. 5 Objetivos, Metas e Ações ........................................................ 46
4.2 Educação Fundamental-Séries Iniciais ............................................. 51
4.2.1 Diagnóstico .............................................................................. 51
4.2.2 Diretrizes .................................................................................. 54
4.2.3 Princípios ................................................................................. 5.5
4.2.4 Concepções ............................................................................. 56
4.2. 5 Objetivos, Metas e Ações ........................................................ 64
4.3 Educação Especial ........................................................................... 68
4.3.1 Diagnóstico .............................................................................. 68
4.3.2 Diretrizes .................................................................................. 73
4.3.3 Princípios ................................................................................. 76
4.3.4 Concepções ............................................................................. 77
4.3. 5 Objetivos, Metas e Ações ........................................................ 79
4.4 Educação no Campo ........................................................................ 85
4.4.1 Diagnóstico .............................................................................. 85
4.4.2 Diretrizes .................................................................................. 87
4.4.3 Princípios ................................................................................. 89
4.4.4 Concepções ............................................................................. 90
4.4:5 Objetivos, Metas e Ações ......................................................... 93
4.5 Educação de Jovens e Adultos ........................................................ 97
4.5.1 Diagnóstico .............................................................................. 97
4.5.2 Diretrizes .................................................................................. 99
4.5.3 Princípios ................................................................................. 101
4.5.4 Concepções ............................................................................. 103
4.5.5 Objetivos, Metas e Ações ......................................................... 106
4.6 Educação Integral. ............................................................................ 11 O
4.6.1 Diagnóstico .............................................................................. 11 O
4.6,2 Diretrizes .................................................................................. 1-12
4.6.3 Princípios ................................................................................. 113
4.6.4 Concepções ............................................................................. 114
4.6. 5 Objetivos, Metas e Ações ........................................................ 118
5 Bibliografia .............................................................................................. 121
1- DAS BASES LEGAIS
A elaboração do Plano Municipal de Educação está fundamentada nos
seguintes atos legais:
- Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, no seu artigo 214
estabelece o plano municipal de educação de duração plurianual.
- Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96 no seu artigo 09,
inciso 1 determina: "elaborar o Plano Nacional de Educação, em colaboração com os
Est~dos, Distrito Federal e os Municípios".
- Na lei orgânica municipal, no seu artigo 11 O, prevê a elaboração do Plano
Plurianual de educação.
- Lei 10.172, de 9 de janeiro de 2001, aprova o Plano Nacional de Educação.
Artigo 2°: "A partir da vigência desta lei, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios
deverão, com base no Plano Nacional de Educação, elaborar planos decenais
cbrrespondentes".
O Município de Pato Branco, por meio do decreto 4.833 de 15 de abril de 2005
do' Sr. Prefeito Municipal delega e determina a elaboração do Plano Municipal de
Educação pela Secretaria Municipal de Educação.
Para dar cumprimento ao determinado pelo Sr. Prefeito e pela Secretaria
Munic;ipal de Educação, foram criados Comitês Gestores Setoriais e o Comitê Gestor
Central com a finalidade de estabelecer as discussões necessárias para
impl.ementação do processo de construção do Plano Municipal de Educação, que em
sírltese, obedeceu a seguinte metodologia:
1ª Fase
Análise / Diagnóstico
1ª Etapa
Definição dos
objetivos e Missão
2ª Etapa
Avaliação das
políticas e da
performance do setor:
Resultados, pontos
fortes, pontos fracos,
oportunidades e
restrições.
2ª Fase
Políticas / Estratégias
1ª Etapa
Formulação das
políticas e Estratégias
2ª Etapa
Estabelecimento de
metas de longo prazo
3ª Etapa
Definição de papéis e
atribuições dos atores
3ª Fase
Programação
/Acompanhamento /
Controle
1ª Etapa
Elaboração do Plano
Estratégico
2ª Etapa
Elaboração do Plano
Operacional
3ª Etapa
Acompanhamento e
Avaliação
11
Este documento é o resultado de discussões e debates dos professores da rede
municipal de educação, em seminário realizado sobre o Plano Municipal de Educação.
Na oportunidade foram analisados textos pertinentes e elaboradas sugestões.
Debates também aconteceram nas escolas, oportunizando aos pais e
funcionários participarem da elaboração do Plano Municipal de Educação, num
movimento democrático e participativo e com forte sentimento de pertença.
A comunidade, por meio de representantes de Escolas Estaduais e Particulares,
Entidades, NRE (Núcleo Regional de Educação), Associações, Instituições de Ensino
Superior, participou também, contribuindo de forma democrática e participativa.
12
Os textos apresentados são uma síntese deste trabalho participativo, analisados
e. relatados pelas equipes dos comitês setoriais e comitê gestor central (grupos de
trab~lho).
A proposta, após análise deverá ser transformada em lei, para garantir a
qualidade do ensino público do Município de Pato Branco.
O Plano Municipal de Pato Branco, elaborado em 2005 traça objetivos, metas e
ações para o período 2006-2012, quando a comunidade educacional será convocada
novamente para reavaliar e reestruturar um novo Plano Municipal de Educação.
Comitê Gestor Central
13
2- SÍNTESE HISTÓRICA DO MUNICÍPIO
2.1 ORIGEM DE PATO BRANCO
A primeira área a ser povoada, na região, que hoje se conhece como Sudoeste
do Paraná foi os Campos de Palmas. Desde o início do século XVIII (1701-1800) os
Campos de Palmas eram percorridos por tropeiros que faziam o trajeto de Viamão,
perto de Porto Alegre, a Sorocaba em São Paulo, para onde conduziam animais,
bovinos e eqüinos para as grandes e concorridas feiras anuais. A ocupação da área
pelá tropeiro, no entanto, foi insignificante, não passando de fazendas e invernadas ao
longo da "picada", mais para o apoio às tropas em trânsito do que, propriamente, para
o criatório de animais e ocupação organizada de área. Caso típico disso é a origem de
Cleye.lândia, um núcleo batizado "Bela Vista de Baixo", que se formou para abastecer
as caravanas trapeiras.
A posse propriamente dita dos Campos de Palmas, em iniciativa à parte da
ação dos tropeiros, deu-se a partir de 1839, com a chegada simultânea de duas
expedições organizadas em Guarapuava e Palmeira, sem que uma soubesse da outra,
para se apossar da área. Comandados por José Ferreira dos Santos e Pedro de
Siqueira Cortes. Esses dois grupos estiveram às vias de entrarem em luta pela posse
da área, ao se encontrarem, de surpresa, nos Campos de Palmas. ·Um padre -
Ponciano José de Araújo - do grupo de José Ferreira dos Santos, conseguiu
convencer os litigantes para a partilha do território, definida por arbitramento de
representantes da Comarca de Curitiba. Assim surgiram, em 1840, os Campos de
Palmas de Cima e os Campos de Palmas de Baixo, tendo como linha divisória o rio
Caldeiras, afluente do rio Chapim. Os Campos de Palmas de Cima - rumo às
nasçentes do rio Chapim, passaram para o grupo comandado por José Ferreira dos
Santos; os Campos de Palmas de Baixo - rumo à foz do rio Chapim, ficaram para
Pedro de Siqueira Cortes e os integrantes de sua bandeira.
Note-se que a esses primeiros desbravadores do atual Sudoeste do Paraná só
interessavam os campos naturais para pastagem e formação de grandes fazendas
14
para criatório, sem muitos custos. "Era só cercar". Terras com vegetação alta,
capoeiras e matas não interessavam. Não tinham valor nenhum. Área de pinhal,
então ... dada era cara. Diante disso, a ocupação das terras do Sudoeste do Paraná
deu~se em duas fases distintas: a dos campos gerais, a partir de 1840, com a
implantação das primeiras fazendas para o criatório; e a da área coberta com
vegetação arbórea, no início do séc. XX (1901 ... ) .
. As primeiras penetrações nessa segunda área, a de vegetação alta, ocorreram
sem nenhuma programação oficial e mesmo sob a forma de invasão, como ocorreu na
zona fronteiriça com a Argentina, onde levas de gente daquele país se instalaram pela
região, trabalhando na extração (contrabando) de erva-mate. Outra rota ligava a região
ao Rio Grande do Sul, usada, de início, como forma de fuga de condenados e
procurados pela Justiça daquele Estado, ou fugitivos implicados em disputas políticopartidárias, como por exemplo, entre litigantes da Revolução Federalista, do final do
séc. XIX. João Arruda, ligado ao nome do rio Pato Branco, era um maragato que,
jurado de morte no Rio Grande e para escapar da execução veio se refugiar no interior
do' Município de Clevelândia, lá por 1910. Veio também gente (empregados e escravos
fugitivos) das fazendas de criatório de Palmas e Clevelândia.
Especificamente para a região de Pato Branco, ocupada, após 1918, pela
Colôn.ia Bom Retiro, vieram moradores da área do Contestado. O fato vem explicado a
seguir:
2.2 O CONTESTADO E A COLÔNIA BOM RETIRO
O Oeste de Santa Catarina e o Sudoeste paranaense, até 1916, constituíam-se
numa só área, com 48 mil quilômetros quadrados e pertencendo ambos ao Estado do
Paraná Em 1901, Santa Catarina requereu, no Supremo Tribunal Federal, anexação
de toda essà área ao seu Estado, obtendo parecer favorável da Suprema Corte. Foi o
que bastou para dar início a "brigas diplomáticas e contestações" que atravessaram 15
anos, passando essas terras para a História como "O Contestado". Às desavenças
15
entre os dois estados - se e PR - sobre o domínio territorial somaram-se distúrbios
religiosos, sociais, fundiários, envolvendo a região em lutas fratricidas sangrentas.
Política e administrativamente, o episódio teve epílogo em 1916, por
arbitramento do Presidente da República, Wenceslau Braz, que dividiu, no Sudoeste, a
área entre os dois litigantes com base no divisor de águas dos rios Uruguai e Iguaçu,
originando-se disso a atual linha limítrofe entre os dois Estados, em nossa região.
· A partilha, no entanto, criou descontentamento entre muitos moradores da
região, especialmente na que coube a Santa Catarina. Não se conformavam eles em
passar para a administração do estado catarinense, preferindo morar no Paraná. Para
atendê-los em sua aspiração, o Governo do Paraná, criou, em 1918, a Colônia Bom
Retiro, no interior do Município de Clevelândia. Configurando um triângulo, a área da
colônia, com 1.587,50 quilômetros quadrados, apresentava as seguintes
confrontações: cabeceira do rio Santana até a barra com o Chapim; por este, subindo
até a foz do rio Pato Branco; subindo pelo Pato Branco e pelo seu afluente Lajeado
Grande até a linha divisória com Santa Catarina e seguindo por esta, rumo à cabeceira
do· Santana.
No mesmo ano, ficou incumbido o engenheiro civil Francisco Gutierrez Beltrão,
para a mediação da área, divisão em lotes e o assentamento dos migrantes do .
Contestado, uma vez que já mantinha escritório em Clevelândia, tendo vindo para a
região em 1917, para integrar, como representante do governo paranaense, comissão
federal de demarcação dos limites entre Santa Catarina e o Paraná
' · Em 1940 e 1950 - Colônia Bom Retiro, com seu povoado Villa Nova, começou a
se desenvolver graças a grandes projetos do Governo Federal, que visavam o
desenvolvimento da região. Dentre esses projetos pode-se destacar:
. • o Território do Iguaçu, em 1943, e que, por pressão política dos governos do
Paraná, de Santa Catarina e seus representantes no Congresso Nacional, foi extinto
em 1946;
• e a Instalação da CANGO - Colônia Agrícola Nacional General Osório, em
1943, para coordenar o assentamento de migrantes oriundos, na maioria, do Rio
Grande do Sul, na Gleba Missões, que ocupava quase toda a área do Sudoeste, do rio
16
Santana até a fronteira argentina. A sede da CANGO ficou em Villa Nova por 4 anos,
até se abrir a estrada para chegar ao destino: Marrecas (Francisco Beltrão), trazendo
bom desenvolvimento para a vila.
O desenvolvimento inicial da região deveu-se ainda especialmente:
1) à extração da madeira (pinheiros) e erva-mate, que desenvolveu o comércio, a
prestação de serviços e oferta de mão-de-obra, proporcionando o aumento da
população;
2) à instalação, em 1940, de um destacamento policial, construção de cadeia pública
e subdelegacia, oferecendo mais segurança à população;
3) 'ém 1945, Villa Nova recebeu Agência Postal, Telegráfica, para ampliar o serviço de
comunicação externa, existente desde 1938;
4) em 1946, Dr. Silvio Coelho Viciai Leite Ribeiro abriu o primeiro hospital em Villa
Nova - o "Hospital Santa Margarida";
5) em 1950, abriu-se o segundo hospital, do médico Harri Valdir Graeff;
6) oferta de ensino em Pato Branco com a implantação do Grupo Escolar Professor
'Agostinho Pereira (1943), hoje Colégio Estadual Agostinho Pereira, e do Instituto
Nossa Senhora das Graças, em 1949, hoje Colégio Vicentino Nossa Senhora das
Graças;
7) em 1948, instalação da Paróquia São Pedro Apóstolo, dirigida pelos padres
franciscanos;
8) de 1947 a 1948, fez-se a instalação de Agência da Coletoria Estadual, sendo o
primeiro titular o coletor Plácido Machado, que em 1952, se tornaria o primeiro
prefeito de Pato Branco;
9) de 1940 a 1950, surgiu a maioria das comunidades rurais, com a chegada de
migrantes gaúchos, catarinenses e sul-paranaenses;
10) em 10 de outubro de 1947 (lei 02), Bom Retiro passou a ser Distrito Administrativo
fazendo jus à figura do subprefeito;
11) a mudança dos nomes Bom Retiro e Villa Nova para Pato Branco, foi espontânea,
sendo oficializada em 14 de novembro de 1951, pela mesma lei que criou o
Município;
17
12) a medição de Terras de Bom Retiro foi realizada por Duílio Trevisani Beltrão, que
c;lividiu a. região em onze núcleos rurais. O Núcleo Bom Retiro, com 86
propriedades rurais, teve ainda reservada uma área de 750 hectares para a
urbanização de Villa Nova.
O Governador Bento Munhoz da Rocha Neto, pela lei 790/51 de 14 de
novembro de 1951, criou cinco municípios, entre eles Pato Branco, sendo os demais:
Francisco Beltrão, Barracão, Santo Antônio, Capanema.
2.3 EMANCIPAÇÃO DO MUNICÍPIO
Pato Branco pertencia ao município de Clevelândia. Foi emancipado em 14 de
novembro de 1951, pela lei nº 790, sancionada pelo governador do Estado, Bento
Munhoz da Rocha Neto.
Em 4/12/1952 foi instalada a sede do Município de Pato Branco com a posse do
primeiro Prefeito Municipal Plácido Machado.
Até 1960, Pato Branco conservou a sua área original de 1.876,30 km2
.
• Em 25 de junho de 1960, foram criados os municípios de Renascença e
Marmeleiro, a que foi repassada área de 131 km2 do território de Pato Branco.
• Em 1962; o território do Município de Pato Branco cedeu 718 km2 para o Município
de, Dois Vizinhos, que por sua vez, passou partes dessa área para os municípios de
Verê, Cruzeiro do Iguaçu e para Boa Esperança do Iguaçu.
• Em 28 de abril de 1964, o território de Pato Branco diminuiu mais 216 km2
, com a
criação do município de ltapejara d'Oeste.
•. Em 1° de Janeiro de 1990, o município de Bom Sucesso do Sul ficou com mais
área de Pato Branco, precisamente, 21 O km2
.
• , Hoje Pato Branco possui área de 562,30 km2 , sendo 16,22Km2 deles, área urbana.
3.1 DIAGNÓSTICO
3.1.1
Geográfico
Localização
18
3. ANÁLISE MACRO ESTRUTURAL
Regiões do Brasil Contexto
O Município de Pato Branco localiza-se na Região Sul do Brasil, conforme se vê
no Mapa 1.
19
A Região Sul, formada pelos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande
do Sul, caracteriza-se por uma formação étnica de imigrantes europeus, com clima
subtropical, tendo bem distintas as estações do ano, verões não muito quentes,
geadas freqüentes e chuvas bem distribuídas.
O Paraná ocupa 199.324 km2, o equivalente a 2,3% do território brasileiro. Em
2002, segundo a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE -, a
população paranaense era de 9. 798.006 habitantes, com uma distribuição espacial
estimada de 81, 41% na área urbana e 18,59% no meio rural.
O território do Paraná, para fins administrativos, políticos, econômicos e
geográficos principalmente, está dividido em 10 REGIÕES: Região Metropolitana de
Curitiba; Região Sudoeste; Região Centro Oriental; Região Norte Pioneiro; Região
Norte Central; Região Noroeste; Região Centro Ocidental; Região Oeste; Região
Cento Sul; REGIÃO SUDOESTE, conforme se vê no Mapa 2.
MATO
GROSSO
DO SUL
PARAGUAI
ARGENTINA
Cu>cavcl ~
Lat. 22º30'S
Long.52"06'\V
SÃO PAUi.O
Maríngá Londrina --ii--8-----
(iuarapuava
~
Lat. 26"43'S
'Lon5 I º 24'W.
PontaGmssa ~
SANTA C:\:tARlNA
Localização do Sudoeste no Paraná
20
Pato Branco integra a Região Sudoeste, com outros 41 municípios, como se vê
no Mapa 3. Atualmente, existe cerrada polêmica em torno dos municípios de Palmas,
Coronel Domingos Soares, Honório Serpa, Mangueirinha e Clevelândia pertencentes à
Região Sudoeste e que, segundo o IPARDES (Instituto Paranaense de
Desenvolvimento Econômico e Social) pertencem à Região Centro Sul e a ela devem
passar, fato este que se opõem frontalmente todos os segmentos da sociedade
sudoestina. A situação, no entanto, ainda não está resolvida e nem existe perspectiva
para que lado vai pender.
Localização de Pato Branco no Sudoeste do Paraná
O Município de Pato Branco está localizado no Sudoeste do Estado do Paraná,
com altitude de 760 metros e a 429 quilômetros de distância de Curitiba.
Pato Branco, por rodovia, interliga-se com a região, com o Estado do Paraná e
com as demais regiões do País:
*pela PR 280: com o Sul, rumo União da Vitória - PR. .. Santa Catarina ... Rio Grande
do Sul;
• pela PR 280: com o Oeste, rumo Francisco Beltrão ... Barracão ... Argentina;
Cascavel ... Foz do Iguaçu ... Paraguai, Argentina;
• pela Br 158: com o Norte e Leste, rumo Coronel Vivida ... BR 277 (Três Pinheiros);
• pela PR 4 73: com o Norte, rumo Dois Vizinhos;
21
• para Curitiba, há duas opções: via União da Vitória/São Mateus/Lapa/Araucária; via
BR 277/Guarapuava/lrati (ou Ponta Grossa).
Por via aérea, a comunicação é possível através do aeroporto Juvenal
Cardoso, dotado com pista de 1.620 x 30 m, sinalizada para vôos noturnos.
Ao Norte limita-se com os municípios de Coronel Vivida e ltapejara D'Oeste; ao
Sul, com o Município de Mariópolis; a Leste, com os Municípios de Clevelândia e
Honório Serpa; a Oeste, com o Município de Bom Sucesso do Sul. O Mapa 4 mostra a
localização do Município de Pato Branco no Estado do Paraná.
Município de Pato Branco
Área urbanizada do município
Pato Branco PR= 147,69 km2
Localização: 326727,77 e
337078,68 m Sul 7092255,35 e
7106496,90 m Este UTM Fuso
22s
D Perímetro
Urbano
•
Distrito de
São Roque do Chopim
22
3.1.2 Contexto socioeconômico
• População
Desde os tempos do desbravamento, início do século XX (1901 ), as terras da
região de Pato Branco passaram por fases distintas pela origem da sua população. A
primeira fase, limitada entre 1901 a 1935, mais ou menos, a população era
acentuadamente de origem portuguesa e foi apelidada de "população cabocla", vinda
doRio Grande do Sul, da região do Contestado (Oeste de Santa Catarina), de Palmas,
de Clevelândia. A presença indígena era rara. A segunda fase, de 1935 a 1970, mais
ou menos, a população passou a ser de origem italiana e polonesa - apelidada de
"gringa", vinda da colonização italiana do Rio Grande do Sul e polonesa do Centro-Sul
dp Paraná A mudança ocorreu porque os "gringos" vieram e compraram as posses da
tem~ da maioria dos "caboclos" que foram embora até satisfeitos pela quantia de
dinheiro que iam levando com a venda da terra, sendo a população cabocla substituída
pela gringa em quase 90%. A terceira fase, da década de 1970 em diante, a população
aumentou com gente vinda de todos os recantos do Brasil-Sul e mesmo de outras
regiões do país, composta das mais diversas etnias, motivada pela oferta das boas
p~rspectivas de vida do Município de Pato Branco e da região.
Segundo fonte do IBGE, senso 2000, a população era de 67.588 mil habitantes.
Devido ao êxodo rural, a população urbana tornou-se acentuadamente mais elevada,
62.160 mil habitantes e a população rural diminuiu com 5.428 habitantes. O aumento
rápido da população urbana pela migração trouxe problemas de infra-estrutura,
desemprego, habitação, entre outros.
O aumento da população - 1991/2000 foi de 3,33% na área urbana e MENOS
6,03% na área rural.
' · Densidade demográfica - 125, 13 habitantes por km2 . Os gráficos a seguir
mostram a distribuição populacional.
População do município de 1960 a 2005:
80000
70000
60000
50000
40000
30000
20000
10000
o
Demonstrativo Populacional
2 3 4 5 6 7 8 9 10
23
A população de Pato Branco estimada em 68. 735 habitantes em 2005
possui os seguintes indicadores quanto ao Sexo, Média de Idade da População e
distribuição por Faixa Etária.
Indicadores da População por Sexo
SEXO
52% •
• 48% •masculino
•feminino
Média de Idade da População
11 mínimo
•médio
o máximo
o 30,8
População por Faixas Etárias
·---------
Faixas Etárias
não informado ·-2,70%
60 anos ou mais •••••••• 9.60%
50a59anos ••••••• 9.10%
40a49anos ••••••••••• 13,80%
30 a 39 anos 14,60%
20 a29 anos 15,80%
10a19 anos ••••••••••••••• 18,80%
5a9anos ••••••• 8.40%
O a4 anos •••••• 7,40%
24
A população de Pato Branco possui a seguinte distribuição ocupacional:
Situação Ocupacional
Não Informado
Te01>0rário
Estagiário
Desefll>regado
Não trabalha por opção ou idade
Autônomo
Aposentado
Erll>resário
•••••• 17,70%
5,10%
••••••••• 24,90%
••• 7,60%
••• 8.70%
Btl>regado •••••••••• 28,60%
A-ofíssional Liberal
25
A remuneração média por trabalhador e a média per capita possui os seguintes
índices.
Remuneração Média Mensal
142,03 •média por
..
Trabalhador
• Média per capita
481, 11
26
No município de Pato Branco a rede de água e esgoto atende a população de
acordo com os indicadores:
Rede de Esgoto
nao
informado; nao existe; 10,8
... 29,8
existe; 59,3
a nao existe
•existe
o nao informado ~------
Abastecimento de água
90
80
70
60
50
40
30
20
1l
o Rede Encaiada Água de poço Rio Ot.tras Não
Informadas
A separação do lixo no domicílio apresenta os seguintes dados:
Lixo
11%
• Não lnforrmdo
•Separa
e Não Separa
27
Os programas governamentais que beneficiam as famílias do município são os
seguintes, de acordo com os índices apresentados:
Benefícios Concedidos
Não Informados •••••••••• 35, 7
BPC
Auxilio Doença 1 O
BolsaFanília 50,3
+---~--~--~------.---,-----1
o 10 20 30 40 50 60
Obs.: (BPC - Benefício de Prestação Continuada, concedida para idosos e deficientes
com renda comprovada inferior a meio salário mínimo)
Famílias beneficiadas com programa Federal:
Famílias Beneficiadas por Programa
Federal
15%
11%~ • Não é beneficiária
• Não informado
o É beneficiário 74%
Outro dado estatístico importante que deve ser considerado para o atendimento
educacional a partir de 2007 é o número de gestantes no município. De acordo com o
censo sócioeducacional 2005, o município possui aproximadamente 365 mulheres
grávidas.
28
,• Saúde
O Município de Pato Branco é ponto de referência em saúde na região
Sudoeste do Paraná. As ações de saúde desenvolvem-se em dois grandes sistemas:
1) Saúde Pública: O Sistema Único de Saúde - SUS - atende a população com
consultas, exames, internações. São dezesseis unidades de saúde, funcionando,
atualmente, em Pato Branco, com um Programa de Saúde da Família - PSF - e
quatro programas de agentes comunitários de saúde.
. 2) Saúde Privada - Pato Branco possui dois grandes centros hospitalares, com
médicos, tratamentos e procedimentos especializados, tornando o nosso município um
~entro Regional de Saúde, atraindo pessoas de toda região do Estado e estados
vizinhos.
• Economia
Segundo dados do IBGE-2000, a renda "per capita" do município de Pato
Branco foi de R$ 360,00 em 2001. No IDH - Índice de Desenvolvimento Humano, Pato
Branco é de 0,851 - 3° do Paraná, 40° do Brasil.
A economia do município está baseada na agricultura, comércio, indústria e
serviços. Em 2002/2003, Pato Branco produziu 113.847 toneladas de grãos (soja,
milho, trigo e feijão), sendo que a maior produção foi a de milho. A safra dos rebanhos
em 2002/2003 foi de 433.813 kg (aves, bovinos e suínos) sendo que a maior produção
foi a de aves.
Pato Branco possui comércio diversificado, atraindo compradores de toda a
região.
Pato Branco está se tornando grande centro industrial, com indústrias se
instalando a cada ano, gerando empregos (10.846 empregos formais em 2000). Entre
elas: moveleiras, calçados, metalúrgica, eletrodomésticos, esquadrias, agroindústrias
(açúcar mascavo, embutidos, queijo, doces, conservas).
29
Pato Branco possui uma rede considerável de hotéis, oferecendo conforto aos
nossos visitantes. Também é um centro de gastronomia: pizzarias, panificadoras,
oferecendo serviço de qualidade à população e às pessoas que transitam pela cidade.
• Educação
Contexto Geral
O Município de Pato Branco é referência regional em Educação. As redes
municipal, estadual, federal e particular contemplam escolas de qualidade e
professores capacitados. A Universidade T ecnológíca Federal do Paraná - Campus do
Sudoeste, as Faculdades Particulares Mater Dei e Pato Branco - FADEP, oferecem
cursos superiores colaborando para que os nossos jovens não necessitem se
deslocarem para outras cidades para cursarem o terceiro grau.
O número de alunos de acordo com as redes está assim distribuídos:
-
Redes de Ensino
2% 14% m Rede Municipal
.. 36% •Estadual
o Particular
48% o Federal
Os níveis e modalidades de ensino apresentam um decréscimo nas matriculas
do Ensino Fundamental para o Médio. Este afunilamento se deve à situação
socioeconômica das famílias. Os jovens ao concluírem o Ensino Fundamental
ingressam no mercado de trabalho e deixam os estudos. Reverter esse quadro é o
grande desafio do município para o período vigente deste Plano Municipal de
Educação 2006-2012.
30
A população estudantil é de 20.655 alunos matriculados da Educação Infantil ao
Ensino Superior, representando 36,46% da população do município. Esses estudantes
estão assim distribuídos:
Níveis de Ensino --1 1
2%12% 15%
20%~
51%
•Infantil
m Fundamental
o Médio
o Especial
• Jo\ens e Adultos
Rede Pública
Rede Pública Municipal
A Rede Pública Municipal de Educação de Pato Branco coordenada pela Secretaria
Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer - SMECEL - pertence ao Sistema
Estadual de Educação, possui alunos matriculados pertencentes aos níveis e
modalidades de ensino: Educação Infantil, Ensino Fundamental, Educação de Jovens
e Adultos, Educação Especial e Educação do Campo.
O município mantém: 23 escolas urbanas de Ensino Fundamental (1ª a 4ª séries), 3
escolas no campo de Ensino Fundamental (1ª a 4ª séries) totalizando 26 escolas.
Todas elas possuem Educação Infantil: 9 com atendimento de O a 6 anos; 5 com
atendimento de 4 a 6 anos e 12 escolas com atendimento de 5 a 6 anos.
O Município mantém inclusive 10 Centros de Educação Infantil com atendimento de
O a 6 anos.
1 O salas para a Educação de Jovens e Adultos, e 1 escola com atendimento em
Educação Especial.
O número de alunos está assim distribuído:
~--------------~----~--
Rede Municipal de Ensino
2%
~34%
62%-.%
11 Infantil
• Jowns e Adultos
o Fundamental
o Especial
31
Os profissionais de educação - professores pertencentes ao quadro do
município - compreendem:
Quadro de Professores
Babás 66
Estagiários 61
Professores e/ habilitação Magistério 09
Professores em formação (superior) 102
Professores licenciados (graduados) 82
Professores especialistas 191
Leigo 01
Total 512
Rede Pública Estadual
A Rede Pública Estadual de Educação no Município de Pato Branco é coordenada
pelo Núcleo Regional de Educação. Os alunos da Rede Estadual, são matriculados no
Ensino Fundamental { 5ª a 8ª série), Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos.
No município existem 14 escolas de Ensino fundamental, dessas, 08 oferecem
também Ensino Médio.
Uma Escola de Educação de Jovens e Adultos (CEEBJA).
32
O número de alunos matriculados na Rede Estadual de Ensino, está assim
distribuido:
18%
4%
Rede Estadual de Ensino
1% •Fundamental
mMédio
o Jovens e Adultos
77% o Especial
Os professores pertencentes ao quadro Estadual compreendem:
Quadro Professores
Professores com formação magistério (1ª a 4ª série) 01
Professores Bacharéis 05
Professores Licenciatura Plena 97
Professores Especialistas 247
Total 350
O total de profissionais que atuam na Rede Publica Estadual no Município de Pato
Branco é de 350 professores.
Rede Pública Federal
O Município de Pato Branco está contemplado com a Universidade Tecnológica
Federal do Paraná - Campus do Sudoeste. A Rede Federal compreende: Ensino
Médio, com 442 alunos e Ensino Superior com 1. 776 alunos assim distribuídos:
33
Rede Pública Federal
20%
a Médio
a Superior
Os professores que atuam nesta unidade de Educação têm a seguinte
formação:
Professores com Aperfeiçoamento 02
Professores Graduados 17
Professores Especialistas 77
Professores Mestres 117
Professores Doutores 24
Total 237
Rede Particular
Ensino Superior
O Município de Pato Branco conta com duas Faculdades Particulares:
Faculdade Mater Dei e Faculdade de Pato Branco - FADEP, com os seguintes cursos
e número de alunos:
60%
-------------
Rede Particular Superior
11Mater Dei
•Fadep
34
Os professores que atuam no Ensino Superior da Rede Particular de Ensino
possuem as seguintes formações:
Quadro Professores
Professores em formação - especialistas 06
Professores em formação - mestrandos 04
Professores graduados 04
Professores especialistas 73
Professores mestres 52
Professores doutores 03
Total 142
Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio.
O Município de Pato Branco conta com 1 O escolas particulares que ofertam
Educação Infantil, Ensino fundamental e Ensino Médio.
As matriculas da Rede Particular estão assim distribuídas:
37%
m Infantil
m Fundamental
o Médio
35
Os professores que atuam nestes niveis e modalidades de ensino possuem as
seguintes formações:
Quadro Professores:
Professores com formação em magistério 09
Professores com formação superior incompleto 22
Professores graduados 109
Professores pos graduação 66
Professores especialistas 24
Professores mestres 07
Professores doutores 02
Total 239
A situação de escolaridade da população de Pato Branco apresenta os seguintes
dados gerais :
Situação Escolar
3% 29%
g está estudando
~,,,,. •não está
estudando
o não Informado
Grau de Instrução Geral:
Ft.rdamental lncoltl'leto de fl' a 8ª série
Ft.rdamental lncoltl'lelo de 1' a 4ª série
Não Informado
Especialização
SUperior Coltl'leto
SUperior lncoltl'lelo
Médio COltl'leto
Médio lncoltl'leto
Ft.rdamental Coltl'leto
Escola especial
Educação Infantil
Analfabeto
Grau de Instrução
-2.2
4,1
5,1
5,6
• 0,3
4,7
4,1
o 5
36
15,2
21,2
1),2
15,2
11,1
---.---,
15 20 25
Nível Educacional da População Adolescente e Jovem:
Atendimento educacional do adolescente e jovem
18 e 24 anos no curso superior
18 e 24 anos com menos de 8 anos de estudo
·-·21,2
•1111120
18 e24 anos com menos de4 anos de estudo g 4,1
18 e24 anos analfabetas 0,3
15e17 anos com menos de 8 anos de estudo ·--26,1
15e 17anos com menos de4 anos de estudo l 3.2
15 a 17 anos analfabetas O ,3
15a17 anos na escola ••••••••••••• 80
o 20 40 60 80
37
t>O
4. PLANO DE METAS PARA O PERÍODO DE 2006 a 2012
METAS E OBJETIVOS GLOBAIS - PLANEJAMENTO SETORIAL
4~1 EDUCAÇÃO INFANTIL
4.1.1 Diagnóstico
38
No Município de Pato Branco, até o início de 1990, não havia instituições
municipais para atender as crianças até seis anos, apenas existiam estabelecimentos
privados. As primeiras creches municipais surgiram sem uma proposta pedagógica,
sendo atendidas sob os auspícios do então departamento de Assistência Social.
Em 1997 o departamento de Assistência Social foi transformado em Secretaria
Municipal de Ação Social, promovendo pequenas mudanças nas creches que
passaram a ter uma coordenação pedagógica e os funcionários eram contratados
pelas Associações de Bairros.
Em 2001 foi realizado o concurso para "babás" prorrogado por dois anos até
17/09/2005, para cuidar as crianças dos Centros de Educação Infantil assim
designados pela Resolução Estadual SEED 3.120/98. Além de contar com babás os
centros hoje possuem uma professora e uma coordenadora pedagógica da rede
municipal de ensino em cada um deles.
O Município conta com 19 Centros de Educação Infantil atendendo crianças de
O a 6 anos. Desses, 08 estão anexados às Escolas Municipais de Ensino
Fundamental. A Educação Infantil municipal está embasada nos Referenciais
Curriculares Nacionais de Educação Infantil e cada centro tem seu Projeto Político
Pedagógico que é reelaborado anualmente.
Os Centros de Educação Infantil são custeados por um fundo de gestão
municipal que apresenta um quadro de insuficiência de verbas e, por isso, há falta de
materiais didáticos e de manutenção. Os C.E.l.s não contam com bibliotecas,
brinquedotecas e informatização. No que se referem à infra-estrutura física os centros,
em sua grande maioria, são pequenos, com salas de aulas, cozinhas e banheiros mal
39
projetados, sem áreas de lazer, bebedouros altos, com pouca ventilação, sem áreas
cobertas, refeitórios e lactários.
O quadro de pessoal dos Centros de Educação Infantil é composto por 117
(cento e dezessete) profissionais conforme se vê no Quadro 1.
Quadro 1 - Pessoal - Centros de Educação Infantil
Rede de Babás Em Habilitação Licenciados Especialistas Total·
ensino formação Magistério (graduados)
Municipal
66 24 01 15 11 117
Quadro 2 - Número de Centros
Nº. de Centros de Nº. de escolas que TOTAL
Rede de Ensino Educação Infantil oferecem Educação
Municipal Infantil
11 08 19
Quadro 3 - Número de Vagas
O Quadro três apresenta vagas disponíveis a serem preenchidas em alguns
Centros de Educação infantil.
Total de Programas Número de Total de vagas
de Ed. Infantil. vagas não oferecidas
Rede de ensino preenchidas.
Municipal. O a 3 anos 58 646
', 4 e 5 anos 87 821
5 a 6 anos 61 1138
TOTAL 206 2605
40
Quadro 4 - Nú.mero de crianças na lista de espera.
O quadro cinco apresenta a situação de alguns Centros de Educação infantil
nos _quais se verifica que faltam vagas para abrigar todas as crianças do bairro.
Lista de Espera
Oa3 4a5 6 anos
65 79
Quadro 5 - Resumo da situação da educação infantil
Modalidade Idade Feminino Masculino Total
Berçário Oa2 146 157 303
Maternal 2a3 128 154 282
Jardim 1 3a4 210 190 400
Jardim li 4a5 234 278 512
Jardim Ili 5a6 540 505 1045
Total 1258 1284 2542
'
4.1.2 Diretrizes
· A sociedade brasileira de forma geral, e especialmente as comunidades
menores, têm revelado uma constante preocupação com a primeira infância e
interferido na construção de idéias e ações sobre a importância das primeiras
',
experiências na infância, o que tem provocado uma crescente demanda de
atendimento por parte, especialmente, do poder público.
Ao pensar as diretrizes para esta fase da vida de seus munícipes, o município
de Pato Branco considera que a educação infantil é a 1ª etapa da EducaÇão Básica, e
é. um direito da criança e dever do estado da sociedade civil.
Entende, também, que os primeiros anos de vida é a base para o
desenvolvimento da aprendizagem. Por isso, as políticas públicas devem priorizar a
educação da criança de O a 6 anos.
As diretrizes curriculares definidas pelo CNE, conforme a LDB no seu artigo 9°
inciso IV, estabelecem as propostas pedagógicas a serem seguidas. As competências
estão distribuídas nos três níveis do governo; União, Estado e Municípios.
41
A família é a primeira educadora e o Estado complementa a ação da família. A
co-responsabilidade é imprescindível para o financiamento, a, expansão e a qualidade.
A educação infantil não é obrigatória, mas é um direito da criança. As famílias cada
vez mais procuram vagas para os seus filhos, e o poder público tem o dever de
atendê-las.
Para tanto há cada vez mais necessidade de um trabalho pedagógico de
renovação na formação continuada dos profissionais, qualificando os que estão
inseridos sem a devida habilitação.
Para a Secretaria Municipal de Educação de Pato Branco, o binômio "educação
e cuidado" são práticas constantes na Educação Infantil, num processo educacional de
qualidade.
Por isso, as crianças de 6 anos, a partir de 2007, farão parte da Educação
Fun~amental sem que haja ruptura no processo educacional. .
Com relação ao período de permanência das crianças nos Centros de
Educação Infantil é em tempo integral para que as mães de baixa renda possam
trabalhar fora de casa, sem comprometer a educação de seus filhos.
·Também a inclusão das crianças com necessidades especiais será garantida
com programas especiais, programas específicos e capacitação de professores.
Com tais pressupostos, o Município de Pato Branco, Estado do Paraná, adota
como diretrizes de sua ação educativa na modalidade de educação infantil:
• Cumprimento do disposto na Constituição Federal adotando uma política de
educação infantil visando a expansão da oferta e estabelecendo padrões de
. qualidade;
• Estabelecimento de padrões mínimos de infra-estrutura dos estabelecimentos
que ofertam educação infantil atendendo às necessidades de todas as crianças,
inclusive às portadoras de necessidades especiais;
• Consideração do papel fundamental da Educação Infantil como etapa específica
de formação contribuindo para o desenvolvimento integral das capacidades de
. aprendizagem e interação social, como complemento das ações da família;
42
, • Garantia de formação em serviço para os docentes da Educação Infantil
habilitando na dupla perspectiva das funções de educar e cuidar de forma
integrada;
• Garantia da construção de Projeto Político Pedagógico específico. para Centro
de Educação Infantil, com suas especificidades e necessidades próprias;
• Estabelecimento de padrões mínimos de ação pedagógica prevendo formação
permanente e específica não só aos docentes dos Centros de Educação Infantil,
mas a todos os que atuam neles e que de uma forma ou de outra, participam do
processo educativo dessa modalidade de educação.
4.1.3 Princípios
Os pnnc1p1os que norteiam a ação pedagógica e administrativa para a
manutenção da Educação Infantil são garantidos pela Constituição Federal, pela LDB
e pela Lei Orgânica Municipal, visando a expansão e garantia de vagas. A oferta da
Educação Infantil deve ser de qualidade, pois é dever do Estado, independente das
condições sócioeconômicas da família, proporcionar essa modalidade de educação a
todos que a ela tenham direito devendo atender as crianças de acordo com a faixa
etária, observando as especificidades de cada uma.
Os Centros de Educação Infantil deverão ter infra-estrutura adequada,
oportunizando a inclusão das crianças com necessidades especiais. As matrículas
deverão estar no sistema nacional e estadual de estatísticas estaduais (SERE)
garantindo recursos financeiros para essa modalidade de ensino.
A Educação Infantil complementa a ação da família, garantindo a formação
integral desenvolvendo as capacidades de aprendizagem e interação social. Os
profissionais que atuam na Educação Infantil deverão ter no mínimo formação de
ensino médio, Magistério. As "babás" atuais, concursadas, deverão, após sua
qualificação, fazer os concursos específicos para a função de docentes. Deve haver
43
garantias na formação do profissional valorizando seu trabalho com plano_ de carreira e
remuneração digna.
Os projetos políticos pedagógicos deverão ser reelaborados e adaptados de
acordo com a legislação vigente. O calendário escolar da Educação Infantil deve ser
e::;pecífico, com garantia de férias coletivas. O horário de atendimento será das 7h:
30min às 18h:30min, para beneficiar as mães trabalhadoras. Deve haver também
garantia de atendimento em tempo integral (manhã e tarde), para as famílias que
necessitam deixar seus filhos por motivo de trabalho.
Diante do exposto e considerando as especificidades afetivas, emocionais,
sociais e cognitivas da criança de zero a seis anos, o Município de Pato Branco,
Estado do Paraná, assume os seguintes Princípios como norteadores da ação
pedagógica na Educação Infantil:
• O respeito à dignidade e ao direito das crianças, consideradas nas suas
diferenças individuais, sociais, econômicas, culturais, étnicas, e religiosas;
• O direito das crianças brincarem como forma particular de expressão,
pensamento, interação e comunicação infantil;
• O acesso das crianças aos bens socioculturais disponíveis, ampliando o
desenvolvimento das capacidades relativas à expressão, à comunicação, à interação
soçial, ao pensamento, à ética e à estética;
• A socialização das crianças por meio de sua participação e inserção nas mais
diversificadas práticas sociais, sem descriminação de espécie alguma;
• O atendimento aos cuidados essenciais associados à sobrevivência e ao
desenvolvimento de sua identidade;
•O direito de viver experiências prazerosas nessa modalidade de educação.
4.1.4 Concepções
A proposta do município de Pato Branco é de uma educação democrática de
cidadãos iguais não homogêneos para crianças com direitos iguais, porém
heterogêneas na sua essência de pessoas, respeitando sempre a individualidade e as
44
necessidades de cada uma, e, por isso, específica para a idade de O a 6 anos,
respeitando o desenvolvimento e as limitações de cada faixa etária.
Com a inclusão da criança de 6 anos na educação básica, deve-se ter o
cuidado, para não existir rompimento de uma modalidade para outra, mas uma
cpntinuidade na formação, priorizando qualidade da educação ofertada.
A família é responsável na educação dos filhos e, portanto, participa na
formação socioeducacional e deve estar integrada com os Centros de Educação
Infantil.
A Educação Infantil é base para o desenvolvimento integral das crianças,
garantindo a aprendizagem, formação social, cognitiva, psíquica e emocional.
Para dar conta de realizar uma tarefa pedagógica coerente com os princípios, o
Município de Pato Branco adota as seguintes concepções que devem orientar os
Pr9j,etos Pedagógicos dos Centros de Educação Infantil. Assim, as concepções de
educação, família - sociedade, criança, infância, ensino - aprendizagem,
desenvolvimento integral e ação docente devem ser coerentes entre si e articuladas
com os princípios anteriormente apresentados.
·A educação na modalidade de zero a seis anos, no Município de Pato Branco,
é entendida como processo de desenvolvimento humano, que deve atender às
especificidades da faixa etária promovendo a integração· entre aspectos físicos,
emocionais, afetivos, cognitivos e sociais da criança, desenvolvendo um processo
pedagógico harmonioso e articulado entre esses aspectos sem privilegiar um em
detrimento do outro.
· A família e a sociedade é compreendida como uma organização humana
inserida num contexto social, com uma determinada cultura e uma determinada
situação, essa organização, não necessariamente biológica, deve ser· considerada
como ponto de referência fundamental para os projetos pedagógicos dos Centros de
Educação Infantil, apesar da multiplicidade de interações sociais que estabelece com
outras instituições sociais, especialmente a escola. A sociedade em sua complexidade:
interesse na educação, na família e na formação da criança.
45
, , A criança concebida como um ser humano singular e completo, com suas
iner~ncias históricas, sociais, culturais, étnicas, religiosas e familiares, porém em
desenvolvimento, é um ser humano que pensa e sente o mundo de uma maneira
própria.
A infância compreendida como um interregno de tempo no qual o ser humano
tem a seu dispor condições de desenvolvimento pleno, humano, com jeito particular de
ser e estar no mundo respeitando suas individualidades e diferenças.
O ensino - aprendizagem numa concepção de educar e cuidar nos contextos
claramente delineados a partir das situações vivenciais de cada Centro de Educação
Infantil, propicia a todas as crianças, elementos de cultura que enriqueçam e
desenvolvam a identidade delas. A ação pedagógica busca situações de interação, por
meio das quais, as relações interpessoais possam ser construídas num movimento de
COf!Strução de capacidades de apropriação e de desenvolvimento das potencialidades
corporais, afetivas, emocionais, éticas e estéticas na perspectiva de contribuir para a
forrr:iação de crianças felizes e saudáveis. Através de brincadeira uma preciosa
estratégia para que a criança possa exercer sua capacidade de criar e construir seu
conhecimento. A aprendizagem aceita como um processo individual de construção e
desenvolvimento de saberes necessários para o pleno desenvolvimento humano. É
ori~mtada na Educação Infantil, forma integrada, contribuindo no processo de
desenvolvimento das capacidades infantis.
O desenvolvimento integral visto como um processo relacional que envolve
diversas dimensões do ser humano, contemplando as necessidades relativas a
questões afetivas, biológicas e cognitivas de forma que se constitua como ser
autônomo em desenvolvimento capaz de pensar e agir por conta própria em situações
vivenciais.
Por fim, a ação docente construída em competências e habilidades próprias
para esta modalidade de educação. O docente como organizador de situações de
apr~ndizagem orientadas nas quais a criança trabalhe com diversos conhecimentos,
com base nas propostas do currículo próprio, como também num processo de escuta
das necessiqades da criança. Agindo como organizador esse docente deverá provocar
46
momentos especiais de interação, deverão respeitar conhecimentos prévios da
criança, a individualidade e a diversidade, a significância das atividades desenvolvidas
e o incentivo à resolução de problemas. O profissional docente que se concebe para a
educação infantil é, portanto, um mediador polivalente, capaz de comprometer-se com
a. cidadania e com a formação de uma sociedade democrática e não excludente, por
isso, sendo capaz de agir pedagogicamente com todas as crianças, incl1:1sive com as
portadoras de necessidades especiais.
4.1.5 - Objetivos, metas e ações.
Infra-estrutura física.
Objetivos
- Construir . Centros de
Eduq1ção Infantil, atendendo a
demanda dos bairros.
- Ampliar, reformar e adaptar os
Centros de Educação Infantil já
existentes dando condições,
para o atendimento de
qualidade as crianças.
- Estabelecer padrões mínimos
de manutenção e infra-estrutura
para jmplantar metodologias
diversificadas.
Metas
-Construir Centros de Educação
Infantil, conforme o censo
educativo realizado em 2005.
-Construir Centros de Educação
infantil nos bairros Gralha Azul,
Bela Vista, Santa Terezinha, Vila
Esperança.
-Avaliar as condições físicas dos
Centros de Educação Infantil,
realizar reformas e adaptações
necessárias.
Ações
-Construção de dois novos Centros
de acordo com o censo 2005.
-Construção de um Centro de
Educação Infantil por ano, a partir
de 2006, contemplando os bairros
de: Gralha Azul, Bela Vista, Santa
Terezinha e Vila Esperança de
acordo com as necessidades.
-Reforma e adaptação dos Centros
de Educação Infantil União, Três
Marias e Eliza Padoan em 2006.
-Reforma e adaptação do Centro
de Educação Infantil · Madre
Paulina. São João, Pequeno
Príncipe e Alvorada em 2007.
-Avaliação das condições físicas
dos demais Centros e realizar as
reformas e adequações
necessárias em 2008, 2009,201 O.
-Realizar, anualmente,
reformas necessárias.
as -Manutenção de todos os Centros
evitando grandes reformas futuras.
- Adequar 100% dos Centros - Aquisição de parquinhos para
com área de lazer. cada Centro.
Infra-estrutura, móveis e equipamentos.
Objetivos
- Prover os Centros com
móveis e equipamentos para
a implementação dos projetos
educacionais.
Metas
-Equipar os Centros de
Educação Infantil com
computadores e impressoras.
-Revisar os equipamentos
existentes e suprir cada
unidade com TV, aparelho de
som, DVD, caixas de som,
amplificadores e demais
móveis.
Ações
-Aquisição, para cada Centro,
de um computador com
impressora em 2006, para o
trabalho administrativo.
-Aquisição, para cada Centro,
de 1 O computadores para o
trabalho pedagógico a partir
de 2007
-Realização, anualmente de
levantamento das
necessidades de cada Centro
relativo aos móveis e
equipamentos sanando as
necessidades nos anos de
2006 a 2012.
-Prover material
atividades diversas.
para -Aquisição de um data show,
para todos os Centros.
lnfrá-estrutura - materiais didáticos
Objetivos Metas
- Garantir materiais didáticos para - Adquirir materiais didáticos e
todos os Centros. diversificados para salas
ambientes e projetos
educacionais específicos.
',
-Aquisição de uma piscina de
bolinha e uma cama elástica
para cada Centro.
Ações
-Realização de levantamento das
necessidades de material didático
e aquisição anual de acordo com
as necessidades.
-Criação de salas-ambientes e
aquisição de materiais
adequados.
- Aquisição anual de materiais
lúdicos para cada Centro
conforme o nº. de alunos e
projetos educacionais.
47
48
Infra-estrutura - segurança
Objetivos Metas Ações
-Garantir a segurança dos -Avaliar a segurança de cada -Monitoramento com alarmes ou
Centros de Educação Infantil. Centro de Educação Infantil e provendo vigias em todos os
adeauá-la conforme a realidade. Centros a partir de 2006.
Infra-estrutura - transportes
Objetivos Metas Ações
-Realizar o transporte das - Utilizar o transporte escolar - A partir de 2006, realização do
crianças da Educação Infantil adequando-os às crianças de O a transporte das crianças da
com segurança. 6 anos. Educação Infantil de preferência
com o ônibus exclusivo.
-Capacitação dos responsáveis
pelo transporte escolar
Infra-estrutura - alimentação escolar
Objetivos Metas Ações
-Garantir a alimentação de -Servir cinco refeições diárias -Elaboração de cardápios para
qualidade adequando à mesma a para todas as crianças. cada faixa etária.
cada faixa etária.
-Aquisição de produtos
alimentícios de qualidade.
',
-Garantia de produção desses
alimentos com higiene e
qualidade.
-Prover a presença de uma -Contratação de uma
nutricionista itinerante, para nutricionista.
atender os Centros Municipais de
Educação Infantil.
Qúéstões administrativas
Objetivos
- Assegurar autonomia de gestão
nos Centros de Educação Infantil
e recursos suficientes para sua
manutenção.
- Estabelecer critérios para
escolha e contratação das
coordenações e demais
funcionários dos Centros de
Educação Infantil.
-Assegurar formação continuada
para todos os professores e
funcionários dos Centros de
Educação Infantil
-Criar um sistema de informações
on line, por meio da
informatização.
-Dar atendimento especializado
de saúde para as crianças de O a
6 anos.
-Garantir vaga para todas as
crianças de O a 6 anos.
- Garantir férias anuais.
Questões pedagógicas
Metas
-Garantir o fundo de gestão para
a manutenção dos Centros de
Educação Infantil, atualizando o
valor aluno.
-Ampliar a participação do
conselho e da APM, visando uma
gestão participativa e
democrática.
-Garantir a Coordenação dos
Centros por professores do
quadro efetivo da educação.
- Realizar concurso público para
a contratação de profissionais
específicos para a Educação
Infantil.
-Estabelecer um programa de
formação continuada para todos
os profissionais.
-Adotar novos critérios de
avaliação dos profissionais
visando à qualidade no trabalho.
-Realizar parcerias com
instituição de ensino superior e
outros orgãos garantindo
melhoria no atendimento.
-Interligar em rede todos os
Centros de Educação Infantil.
-Oportunizar
dentistas,
fonoaudiólogo
itinerante.
psicólogos,
pediatra e
para atendimento
-Garantir à todas as crianças de O
a 6 anos, o direito à educação
infantil.
- Oportunizar a todos os
funcionários, o direito à férias,
conforme determina a lei.
Ações
-Reajuste anual do fundo de
gestão atualizando os valores.
-Promoção anual de encontros
das APMS e conselhos escolares
para discussões e atividades que
contribuam para a qualidade
educativa.
-No início de cada ano, haverá a
escolha de coordenadores
pertencentes ao quadro próprio
do magistério municipal.
-Concursos
dispositivos
professores,
entrevistas
específicos
Infantil.
atendendo
legais
os
para
com provas,
e com critérios
para a Educação
-Realização de cursos anuais de
formação continuada por meio de
parcerias garantindo o
aperfeiçoamento dos
profissionais.
Implantação de sistema de
informatização, a partir de 2006.
- Disponibilização, a partir de
2006 de profissionais de saúde
para atender de acordo com um
cronograma pré-estabelecidos
todos os centros de Educação
Infantil.
-Matrícula das crianças em tempo
integral cujas famílias possuem
baixa renda e as mães estão
empregadas.
- Trinta dias de férias coletivas
49
Obietivos
- · Instituir um ambiente lúdico
educativo em amplo espaço
apropriado para atividades
diversificadas.
- Efetivar a participação da
comunidade escolar na
reformulação do projeto político
pedagógico.
-Realizar novos projetos para a
Educação Infantil, garantindo a
participação e implementação
educacional.
Metas
- Prover salas especializadas nos
Centros de Educação Infantil.
- Reformular os projetos políticos
pedagógicos atualizando e
garantindo a participação da
comunidade escolar.
-Realizar estudos de
aperfeiçoamento didático
pedagógico.
-Promover encontros com os pais
para discutir a educação dos
filhos.
-Realizar projetos educacionais
integrando a família e a criança.
Ações
-Aquisição de livros, brinquedos,
jogos e outros materiais
pertinentes, garantindo material
adequado para cada ambiente.
-Reformulação dos
políticos pedagógicos ..
projetos
- Promoção de oficinas,
seminários congressos e
palestras, com a participação de
toda a comunidade escolar.
- Realização semestral de
palestra com os pais das crianças
orientando e contribuindo na
educação dos filhos.
-Realização Anual de "praça dos
arteiros", feira literária,
seminários e mostra de
Educação Infantil, integrando os
Centros de Educação Infantil e as
famílias.
50
51
4.2 ENSINO FUNDAMENTAL: SÉRIES INICIAIS
4.2.1 Diagnóstico
O Ensino Fundamental do Município de Pato Branco apresenta uma demanda
de 4647 alunos matriculados, a partir de seis anos de idade, distribuídos entre o 1° e
2º ciclos, que correspondem à 1 ª a 4ª séries, em 26 escolas municipais.
A Rede Municipal de Ensino adotou, desde 2002, como propostas
curriculares, os Parâmetros Curriculares Nacionais, com algumas adaptações
atendendo as diferenças culturais locais.
O planejamento é realizado bimestralmente com os professores divididos por
séries e acompanhados pelas equipes pedagógicas da SMECEL (Secretaria
Municipal de Educação, Cultura, Esporte, Lazer) e das escolas, na avaliação e
sistematização dos conteúdos que serão trabalhados em cada bimestre.
As vinte e seis escolas da rede possuem Projetos Político-Pedagógicos,
Rorém, nem todos os Projetos Políticos Pedagógicos foram construídos
coletivamente. Atualmente está acontecendo uma formação continuada, estudo e
'debates nas escolas para a reconstrução deste, em 2006.
Há certa divergência por parte dos docentes na organização em ciclos.
Alguns afirmam que se a organização escolar fosse seriada, os alunos não
apresentariam defasagem de aprendizagem na passagem de uma série para outra.
Com relação à avaliação dos alunos, os professores questionam os pareceres
descritivos realizados semestralmente, como documento oficial da escola com os
.alunos, não condizem com a realidade da aprendizagem destes.
Segundo os educadores, os livros didáticos oferecidos pelo FNDE, devem ser
estudados e adaptados de acordo com as realidades curriculares. O número de
livros não corresponde com o número de alunos devido a oscilação de matrículas de
um ano para o outro. Servem, no entanto, como material de apoio.
As .escolas estão servidas de material pedagógico, contudo há pouco acervo
bibliográfico para os professores e material esportivo. Falta "sala de recursos" -
' éspecífica para atendimento aos alunos com necessidades especiais.
Os materiais tecnológicos que servem de ferramentas para o ensinoaprendizagem dos alunos, tais como: mimeógrafo, TV, vídeos, retro-projetores e
52
computadores, alguns destes estão danificados e são pouco usados pelos
educadores. Há necessidade de capacitação do grupo de professores
Há · uma grande demanda de alunos com dificuldades e distúrbios de
,aprendizagem, que necessitam de acompanhamento por psicólogos e
fonoaudiólogos, contudo a rede de ensino não dispõe destes profissionais.
Atualmente a rede de ensino apresenta uma acentuada rotatividade dos
professores nas escolas, em virtude dos atestados médicos, licença maternidade e
licença sem vencimentos, por parte dos professores efetivos. Este fato tem
fragmentado a aprendizagem, pelas constantes trocas de professores efetivos por
estagiárias, que apresentam pouca experiência em sala de aula.
Em face da migração de famílias oriundas das zonas rurais e entre os bairros,
existe uma grande rotatividade dos alunos nas escolas da periferia do município. Isto
tem acentuado um baixo rendimento escolar nos alunos, em alguns casos
contribuindo para a retenção destes e não permitindo avançar para o ciclo seguinte.
A demanda de alunos que migram de uma escola para outra, contribuem para
que algumas escolas fiquem com um número elevado de alunos por turma, baixando
,a qualidade de ensino.
A Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer dentro de suas
atribuições têm se comprometido com todas as escolas, no cumprimento da Lei
9394, de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que diz no art. 2° "Educação
dever da família e do estado (A educação é dever da família e do Estado,inspirada
nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana , tem por finalidade
o pleno desenvolvimento do educando , seu preparo para o exercício da cidadania e
sua qualificação para o trabalho . }, bem como no cumprimento da Lei orgânica no
seu Art. 107, § 3° (Compete ao Poder Público Municipal , em consonância com
outros órgãos , recensear os educandos no ensino fundamental , fazer-lhe a
chamada e zelar, junto aos pais e responsáveis , pela freqüência à escola . ) ,que
reza gestão democrática, com eleição para diretores a cada dois anos: Bem como
autonomia financeira para os diretores juntamente com APM e Conselho Escolar,
,gerir o Fundo de Gestão (verba repassada mensalmente para todas as escolas pela
Prefeitura Municipal), com o objetivo de atender os pequenos reparos e compra de
material didático, escolar, material esportivo e outros.
53
O quadro 1 mostra a formação dos professores que atuam no Ensino
Fundamental
Estagiários
Rede de Em Habilitação Licenciados Especialista Leigo Total de
.e.nsino formação Magistério (graduados) Professores
Municipal
56 07 62 157 01 48 331
Prof. de 12 - 02 13 27
Educ.
Física
Total 68 07 64 170 01 48 358
.. Quadro 1 - Pessoal - Escolas Municipais Ensino Fundamental.
O Quadro 2 mostra a distribuição das Escolas.
Nº. de Escolas de Nº. de escolas Urbanas Nº. de escolas Rurais
Rede de Ensino Ensino Fundamental
Municipal
26 22 04
Quadro 2 - Numero de Escolas
O quadro três representa vagas para matrículas em algumas Escolas do
, Ensino Fundamental.
Oraanização Número de Vaaas.
1° serie do 1° Ciclo 107
Rede de ensino Municipal. 2° serie do 1° Ciclo 144
1° serie do 2° Ciclo 206
2° serie do 2° Ciclo 185
TOTAL 642
Quadro 3 - Numero de Vagas
Idade Feminino Masculino Total
'. 6 a 8 anos 1130 1188 2318
9 a 11 anos 1108 1221 2329
TOTAL 2238 2409 4647
Quadro 4 - Crianças de acordo com a faixa etária.
Orçianização Feminino Masculino TOTAL
1° série do 1° Ciclo 533 542 1075
2° série do 1° Ciclo 597 646 1243
1° série do 2° Ciclo 512 552 1064
2° série do 2° Ciclo 596 669 1265
TOTAL 2238 2409 4647
Quadro 5 - Resumo de matriculas do Ensino Fundamental.
54
4.2.2 Diretrizes
A educação escolar vive um dilema: precisa se transformar para atender as
,reais necessidades de formação dos cidadãos brasileiros, cumprir sua finalidade de
assegurar ao educando formação indispensável para o exercício da cidadania e
fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. Porém, é
compelida a manter uma rotina de aulas expositivas voltadas a conteúdos que são
determinados quase imperiosamente pelas disciplinas acadêmicas. Há uma
identificação entre conhecimentos escolares e conhecimentos científicos, quando, a
rigor, estes últimos deveriam se constituir a fonte e o meio para a compreensão da ,. '
realidade.
Apesar dos grandes esforços empreendidos pela sociedade brasileira com
relação à democratização da educação escolar, esta tem ocorrido apenas no que diz
respeito ao ingresso à escola. Pode-se dizer que no Brasil, atualmente, .97% das
crianças em idade escolar conseguem ingressar no sistema educacional. No
entanto, essa possibilidade de ingresso não se concretiza em formação escolar, pois
.a maior parte dos alunos, que inicia a 1ª série do ensino fundamental, não chega a
terminá-lo.
Esse enorme desastre tem como uma de suas principais causas o fato de
que, apesar de permitir a entrada de todos, a escola reproduz a sociedade da época,
prejudicando a formação integral dos alunos.
Consciente de que em menor ou maior medida esta também é a realidade do
ensino municipal de Pato Branco. O Município, com a cl.ara determinação de
transformar a situação, assume diretrizes políticas e pedagógicas sinalizando sua
disposição de superação de tal realidade.
Diretrizes políticas
1. Cumprir o dispositivo Constitucional visando a expansão e a garantia da oferta do
Ensino Fundamental de qualidade;
2. Assegurar os recursos públicos necessários à superação do atraso educacional e
ao pagamento da dívida social, especialmente com os mais necessitados;
55
3. Universalizar o Ensino Fundamental gratuito no território municipal considerando
a indissociabilidade entre o acesso, a permanência e a qualidade;
4.Reelaborar os Projetos Pedagógicos das Escolas Municipais contemplando
princípios democráticos e participativos, além de garantir as especificidades de
cada comunidade escolar;
5.Garantir a construção coletiva do currículo escolar atendendo os parâmetros
nacionais e as especificidades estaduais e municipais;
6.lnvestir na infra-estrutura física de modo a dar condições de trabalho, e de
aprendizagem a todos aqueles que atuam nas escolas municipais;
. 7. Realizar formação continuada para todos os professores e profissionais da
educação, motivando, incentivando no aperfeiçoamento profissional.
Diretrizes pedagógicas
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - Lei 9394/96, em seu Art.
32 assim preceitua, a respeito do Ensino Fundamental:
"Art. 32 - O Ensino Fundamental, com duração mínima de oito anos, obrigatório e
'gratuito na escola pública, terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante:
1. desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o
pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo;
li. a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, das
tecnologias, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade;
Ili. o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a
aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores;
IV. o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e
de tolerância recíproca em que se assenta a vida social".
4.2.3 Princípios
O Município de Pato Branco, consoante com o estabelecido na legislação
. educacional, adota os seguintes Princípios norteadores da ação pedagógica nas
suas escolas:
a) Éticos - autonomia, responsabilidade, solidariedade, respeito ao Bem
Comum.
56
b) Políticos - direitos e deveres da cidadania, do exercício da criticidade e do
respeito à ordem democrática.
c) Estéticos - sensibilidade, criatividade, diversidade de manifestações
'ártísticas e culturais.
d) Pedagógicos - garantia do Ensino Fundamental gratuito pra todos os
alunos de 1ª a 4ª séries do município.
- trabalho pedagógico coletivo, democrático e participativo;
- formação de qualidade, ensinar a todos sem distinção, atendendo as
peculiaridades;
- unidade da ação pedagógica na diversidade cultural e social.
4.2.4Concepções
O processo educativo não permite mais que idéias soltas conduzam a ação
pedagógica. É preciso adotar concepções claras que orientem a ação e sirvam de fio
condutor ao processo educacional local. Por isso, ao elaborar seu Plano Municipal
,de Educação, o município de Pato Branco sinaliza para as seguintes concepções no
primeiro segmento da educação básica:
EDUCAÇÃO: Processo de transmissão e construção de conhecimentos e valores
que capacitem o ser humano a uma participação construtiva na sociedade. Espaço
de desenvolvimento total da pessoa, isto é, espírito e corpo, inteligência,
sensibilidade, sentido estético, responsabilidade pessoal, espiritualidade. A
'educação tem como papel essencial conferir a todos os seres humanos a liberdade
de pensamento, discernimento, sentimentos e imaginação de que necessitam para
desenvolver os seus talentos e permanecerem, tanto quanto possível, donos do seu
próprio destino.
Nesse sentido, a educação visa atingir três objetivos que forma o ser humano
P.ara gestar uma democracia aberta.
São eles:
"A apropriação pelo cidadão e pela comunidade dos instrumentos adequados
para pensar a sua prática individual e social e para ganhar uma visão
globalizante da realidade que o possa orientar em sua vida.
57
·A apropriação pelo cidadão e pela comunidade do conhecimento científico,
político, cultural acumulado pela humanidade ao longo da história, para garantirlhe a satisfação de suas necessidades e realizar suas aspirações.
A apropriação por parte dos cidadãos e da comunidade, dos instrumentos de
avaliação crítica do conhecimento acumulada, reciclá-lo e acrescentar-lhe novos
conhecimentos através de todas as faculdades cognitivas humana ... "
Vista como processo de desenvolvimento da natureza humana, a educação
tem suas finalidades voltadas para o aperfeiçoamento do homem que dela necessita
para constituir-se e transformar a realidade.
Pode-se dizer que desde o momento em que o homem se relaciona com a
natureza ou com outros homens, ele está valorando. Atribuir sentido especial às
coisas é, portanto, um ato que exige uma situação concreta, na qual o indivíduo
manifesta sua adesão à determinadas coisas ou repulsa para outras tantas. Pelo
fato de viver o homem está constantemente sendo solicitado a escolher e, ao fazer
suas escolhas, inevitavelmente está atribuindo significado de bom, mau, útil, inútil às
coisas que o rodeiam.
O homem não é um ser passivo. Por isso, perante determinada situação,
cada um reage de acordo com sua escala de valores. Alguns procuram transformar
a situação, pois ela não está de acordo com seus valores. Outros, no entanto, não
querem que seja modificada, pois ela corresponde a seus valores.
Os que querem que a situação permaneça como está, geralmente estão se
beneficiando dela. Essas pessoas, inclusive, estabelecem hierarquias de valores
que procuram impor às demais. De maneira geral, na sociedade, as hierarquias
de valores correspondem aos interesses dos grupos sociais privilegiados.
Por isso, Demerval Saviani propõe substituir o conceito da hierarquia,
tradicionalmente ligado a uma concepção rígida e estática pelo conceito de
propriedade, mais dinâmico e flexível. A propriedade, de acordo com esse autor, é
ditada pelas condições da situação existencial concreta em que vive o homem. E
para esclarecer sua proposta, apresenta o seguinte exemplo:
De acordo com a noção de hierarquia, os valores intelectuais seriam, por si mesmos,
superiores aos valores econômicos. ( .. .) Assim, se vou educar, seja num bairro de elite,
seja numa favela, sempre irei dar mais ênfase aos valores intelectuais do que aos
econômicos. No entanto, a nossa experiência da valorarão nos mostra que na favela os
valores econômicos tornam-se prioritários, dados as necessidades de sobrevivência, ao
passo que num bairro de elite assumem prioridade os valores morais, dada a necessidade
58
de se enfatizar a responsabilidade perante a sociedade como um todo, a importância da
pessoa humana e o direito de todos de participar igualmente dos progressos da
humanidade.
A consciência de que a sociedade está cruzada por oposições de
princípios e valores éticos, com interesses muitas vezes contrapostos, indica a
necessidade de desenvolverem pontos que mostrem como a escola atua e
pretende atuar na realidade, diante do desafio da diversidade de culturas que a
escola está envolvida, onde a qual não é apenas um lugar a mais em que se
repetem os prejuízos, mas sim que reflita sobre como agir para conciliar o
aprendizado, frente a complexa diversidade de identidades, valores e vivências
'culturais, baseando-se neste parecer desenvolvemos metas de Respeito, Amizade e
Competência.
A escola precisa levar a entender que determinados valores e princípios se
constroem na prática social, num processo de relação. E por isso, não há critério
para atribuir mais valor a uma determinada forma de agir, mesmo que, no processo
histórico algumas culturas tenham conseguido impor-se como mais válidas que as
, qutras. Estamos nos propondo motivar os alunos a entenderem como ·foram se
formando tais processos de formação cultural e como é possível redimensioná-los
na prática, isso parece ser um horizonte válido para o processo escolar que nós
enquanto escola, buscando apoio dos pais pretende-se resgatar pontes da formação
cultural dos alunos que ficaram perdidos no tempo.
~OCIEDADE: Quando se questiona o próprio sentido da escola, a sua função social
'é a natureza do trabalho educativo, enquanto docentes, aparecemos sem iniciativa,
"arredados ou deslocados pela força arroladora dos fatos, pela vertiginosa sucessão
de acontecimentos que tornaram obsoletos os conteúdos e as práticas educativas"
(Peres Gómes, 1998). E para que isso não aconteça é que se precisa entender em
que tipo de sociedade se está inserido.
A sociedade é mediadora do saber e da educação, presente no trabalho
,concreto dos homens, que criam novas possibilidades de cultura e de agir social, a
partir das contradições geridas no processo de transformação da base econômica.
Segundo Demerval Saviani, o entendimento do modo como funciona a
sociedade não pode se limitar ás aparências. É necessário compreender as leis que
59
regem o desenvolvimento da sociedade. Obviamente que não se trata de leis
naturais, mas de leis históricas, ou, de leis que se constituem historicamente.
Atilio Boron (1986) questiona, que tipo de sociedade deixa como legado estes
quinze anos de hegemonia ideológica do neoliberalismo? Uma sociedade
hegemônica e fragmentada, marcadas por profundas desigualdades de todo o tipo,
que foram exacerbadas com a aplicação das políticas neoliberais. Essa crescente
fragmentação do social, que potencializaram as políticas conservadoras, foi por sua
vez reforçada pelo excepcional avanço tecnológico e científico e seu impacto sobre
o paradigma produtivo contemporâneo.
Inês B. de Oliveira diz que uma sociedade democrática não é, só aquela na
qual os governantes são eleitos pelo voto. A democracia pressupõe uma
possibilidade de participação do conjunto dos membros da sociedade em todos os
processos decisórios que dizem respeito à sua vida, em casa, na escola, no bairro.
Raul Pont no texto sobre democracia representativa e democracia
participativa conclui que, a convicção fundamenta-se no processo histórico que não
, há verdades eternas e absolutas nas relações entre sociedade e o Estado e que
estas se fazem e se refazem pelo protagonismo dos seres sociais e que a busca de
uma democracia substantiva, participante, regida por princípios éticos de liberdade e
igualdade social, continua sendo um horizonte histórico, essa é a utopia para a
humanidade.
HOMEM: A explosão demográfica e a crescente urbanização são outros fatores que
'desencadeiam transformações nos estilos de vida do homem contemporâneo e
alteram suas expectativas de educação. Os acontecimentos descritos têm deixado o
homem contemporâneo perplexo a respeito de seus valores e das categorias que
utiliza para compreender o mundo e a si mesmo, alterando-lhe de forma
contundente as maneiras de pensar, sentir e agir. Ou seja, poucas vezes ria história
os homens se defrontaram com uma crise de paradigma, o qual é um modelo, um
,conjunto de idéias e valores capaz de situar os membros de uma comunidade em
determinado contexto, de maneira a possibilitar a compreensão da realidade e a
atuação a partir de valores comuns. Essa nova racionalidade vai se configurar nos
mais diversos aspectos:
60
· - Valorização da subjetividade, garantia da autonomia do sujeito, tolerância
religiosa e ética.
· - Valorização da ciência como forma privilegiada de conhecimento, resultando no
desenvolvimento da tecnologia; pretende-se assim expulsar as crendices,
superstições e levar em consideração que "saber é poder", expressão das
promessas de modernidade .
. - Formação do conceito de Estado, que se sustenta nas noções de cidadania e
participação; estas idéias frutificam no anseio de ampliar as noções de liberdade e
igualdade, características da democracia.
Não se está sendo pessimista ao indicar que os prejuízos na qualidade de
vida propriamente humana são fruto das contradições insolúveis do sistema
engendrado na pós-modernidade.
O homem é um ser natural e social, ele age na natureza transformando-a
segundo suas necessidades e para além delas. Nesse processo de transformação,
ele envolve múltiplas relações em determinado momento histórico, assim, acumula
, experiências e em decorrência destas, ele produz conhecimentos. Sua ação é
intencional e planejada, mediada pelo trabalho, produzindo bens materiais e nãomateriais que são apropriados de diferentes formas pelo homem, conforme Saviani
(1992): "O homem necessita produzir continuamente sua própria existência. Para
tanto, em lugar de se adaptar à natureza, ele tem que adaptar a natureza a si, isto é,
transformá-la pelo trabalho".
O homem é um ser social, que atua e interfere na sociedade, se encontra com
'ó outro nas relações familiares, comunitárias, produtivas e também na organização
política, garantindo assim sua participação ativa e criativa nas diversas esferas da
sociedade. O homem, como sujeito de sua história, segundo Santoro " ... é aquele
que na sua convivência coletiva compreende suas condições existenciais
transcende-as e reorganiza-as, superando a condição de objeto, caminhando na
direção de sua emancipação participante da história coletiva, compreende suas
, GOndições existenciais, transcende-as e reorganiza-as superando a condição de
objeto caminhando na direção de sua emancipação, participante da história
coletiva".
61
Partindo do pressuposto que o homem constitui-se um ser histórico, faz-se
necessário compreendê-lo em suas relações inerentes à natureza humana. O
homem é, antes de tudo, um ser de vontade, um ser que se pronuncia sobre a
realidade.
CONHECIMENTO: O conhecimento é uma atividade humana que busca explicitar as
relações entre os homens e a natureza. Desta forma, o conhecimento é produzido
nas relações sociais medidas pelo trabalho.
Na sociedade, o homem não se apropria da produção material de seu
'trabalho e nem dos conhecimentos produzidos nestas relações porque o trabalhador
não domina as formas de produção e sistematização do conhecimento. Segundo
Marx e Engels "a classe que tem à disposição os modos de produção material
controla concomitante os meios de produção intelectual, de sorte que, por essa
razão, geralmente as idéias daqueles que carecem desses meios ficam
subordinadas a ela" (Frigotto, 1993.p.67).
Ainda neste sentido, Andery (1988, p.15) confirma que "Nesse processo do
desenvolvimento humano multideterminado e que envolve inter-relações e
interferências recíprocas entre idéias e condições materiais, a base econômica será
o determinante fundamental". Assim, sendo, o conhecimento humano adquire
diferentes formas: senso comum, científico, tecnológico e estético, pressupondo
diferentes concepções, muitas vezes antagônicas que o homem tem sobre si, sobre
o mundo e sobre o conhecimento.
O conhecimento pressupõe as concepções de homem, de mundo e das
condições sociais que o geram configurando as dinâmicas históricas que
representam as necessidades do homem de cada momento, implicando
necessariamente nova forma de ver a realidade, novo modo de atuação para
obtenção do conhecimento, mudando portanto, a forma de interferir na realidade.
Essa interferência traz conseqüências para a escola, cabendo a ela garantir a
, ~ocialização do conhecimento que foi expropriado do trabalho nas suas relações.
Conforme Veiga (Veiga, lima Passos, Projeto Político da social: Uma Construção
Coletiva - 1995, p.27).
62
"O conhecimento escolar é dinâmico e não uma mera simplificação do
conhecimento científico, que se adequaria à faixa etária e aos interesses dos
,alunos". Dessa forma, o conhecimento escolar é resultado de fatos, conceitos e
generalizações, sendo portanto, o objeto de trabalho do professor.
Para Boff, "Conhecer implica em pois, fazer uma experiência e a partir dela
ganhar consciência e capacidade de conceptualização. O ato de conhecer, portanto,
representa um caminho privilegiado para a compreensão da realidade, o
conhecimento sozinho não transforma a realidade; transforma a realidade somente a
conversão do conhecimento em ação".(2000, p.82).
O conhecimento não ocorre individualmente. Ele acontece no social gerando
mudanças interna e externa no cidadão e nas relações sociais, tendo sempre uma
intencionalidade.
Conforme Freire, "O conhecimento é sempre conhecimento de alguma coisa,
é sempre "intencionado", isto é, está sempre dirigido para alguma coisa"(2003, p.59).
Portanto, há de se ter clareza com relação ao conhecimento escolar, pois como
, destaca Severino, "educar contra-ideologicamente é utilizar, com a devida
competência e criatividade, as ferramentas do conhecimento, as únicas de que
efetivamente o homem dispõe para dar sentido às práticas mediadoras de sua
existência real". (1998, p.88)
ENSINO - APRENDIZAGEM: O ensino, fenômeno complexo, enquanto prática
'social realizada por seres humanos com seres humanos, é modificada pela ação e
relação desses sujeitos, que, por sua vez, são modificados nesse processo. A
identidade não é um dado imutável nem externo, mas se dá em processo, na
construção do sujeito historicamente contextualizado.
A proposta Educacional enquanto desenvolvimento humano deve partir de
fins e valores que sejam fundamentados na teoria e aceitos pelo grupo e este fará a
,proposta educativa a qual, deve explicar a realidade do homem, suas necessidades,
seus valores, seu ser e o ser que virá a ser com a educação. Dependendo do
planejamento, da metodologia usada pelos professores, este homem que hoje está
63
nos bancos escolares poderá tornar-se: passivo, submisso, crítico, incapaz de agir
para transformar a sociedade e compreendê-la.
Ao se definir o papel da escola é preciso acreditá-la como um dos
instrumentos de realidade global, capaz de interferir na modificação dos seres
humanos. Não se pode, no entanto perder de vista os objetivos mais amplos de
educação: desenvolver o ser integral, suas potencialidades cognitivas, afetivas,
psicomotoras e sociais, dando oportunidade ao educando de delinear o seu papel
como ser pensante, consciente, criador, livre, participante e transformador da
realidade.
A educação como transformação da sociedade, é mediadora de um projeto
social. Ela por si não redime nem produz, mas serve de meio para realizá-la. A
educação é crítica, e luta pela transformação da sociedade com perspectivas de
democratização concreta atingindo os aspectos políticos sociais e econômicos.
"Assim se o projeto educacional for democrático, alcança a realização da
democracia plena". A escola deve estruturar-se de maneira a possibilitar a
,construção do conhecimento e a formação da pessoa. Nesta concepção é que se
pensa uma educação dentro de uma realidade e não numa sociedade ideal; uma
educação que tenha como primazia o educando construtor do seu próprio
conhecimento, sujeito de sua história, com direito de explorar, descobrir, ser criativo,
livre, inovador de seu conhecimento, e não um mero repetidor da ciência do
passado.
Diante das transformações vertiginosas, que muda em pouco tempo os
produtos e a maneira de produzi-los, criando umas profissões e extinguindo outras,
ninguém mais pode se formar em alguma profissão, portanto há a necessidade de
uma educação permanente, que permita a continuidade dos estudos, e, portanto de
acesso às informações mediante uma autoformação controlada.
É nesse sentido que "Adam Schaff" se refere ao surgimento de outro homem,
o homo studiosus, que em última análise seria a realização do sonho do homo
, universalis, cuja instrução integral permitiria a mudança de profissão, adaptação a
qualquer situação e ser suficientemente criativo para se renovar sempre.
Como dizia Karl Marx: ( ... ) "mais do que interpretarmos o mundo, importa é
transformá-lo." Isto significa que o conhecimento não serve apenas de enfeite, de
64
adorno, de trabalho aos gênios. A educação não deve se ocupar com qualquer
conteúdo, de qualquer forma. Para se chegar a isto é insuficiente a posição
·metodológica que privilegie apenas a prática, o hábito ou o bom senso e despreze
uma sólida formação filosófica, uma reflexão teórica, a busca dos princípios lógicos
é as bases epistemológicas para constituir a prática educativa.
Esta atuação prática - teórica só pode ser obtida se for compreendido o
trabalho pedagógico a partir da categoria da totalidade.
,AVALIAÇÃO: a avaliação é uma prática social e educativa que tem seus
desdobramentos nos contextos: social, cultural, político e econômico e se realiza
numa dada realidade multifacetada, histórica e dinâmica. Esta configuração faz com
que em todos os lugares, em todos os momentos e, em diferentes espaços, a
avaliação esteja presente ora para regular as diversas atividades, ora para verificar e
certificar a eficácia e a competência de um sem número de pessoas que
desempenham as mais variadas funções na sociedade.
A concepção de avaliação deve considerar o avanço conquistado pelo
educando e não as conquistas que ele ainda precisa alcançar.
4.2.5 Objetivos, metas e ações.
Infra-estrutura física
Objetivos
-Assegurar espaço físico
adequado de acordo com as
demandas dos bairros.
-Oportunizar a inclusão das
pessoas com necessidades
'especiais garantindo a educação
para todos.
-Viabilizar espaços adequados
para a prática desportiva.
Metas Ações
-Construir duas escolas -Construção em 2006, da Escola
municipais, extinguindo as escolas Santos Dumont.
compartilhadas com o estado.
-Conservar, manter e ampliar as
escolas municipais.
-Ampliar e adequar as escolas,
com sanitários, cozinhas, áreas de
serviço e rampas de acesso para
abrigar a demanda dos alunos
inclusos no ensino regular.
-Construir quadras de esporte nas
dependências das escolas que
ainda não possuem.
-Construção em 2007, da Escola
Jardim Primavera e Ayrton Senna.
-Em 2006, ampliação da Escola
São Cristóvão.
- Em 2007 ampliação da Escola
Alvorada.
-Em 2008 ampliação e reforma da
escola São Luis ·
-Manutenção e conservação dos
prédios escolares.
-Readaptação de todas as escolas
até 2009.
-Construção e conservação de
todas as quadras esportivas das
escolas.
65
Infra-estrutura - móveis e equipamentos
Objetivos Metas Ações
,-Equipar todas as escolas com -Realizar levantamento das -Compra e manutenção de
aparelhos e instalações necessidades de aparelhos e equipamentos de informática nas
tecnológicas. instalações tecnológicas. escolas que necessitam, a partir
de 2006.
-Equipar as escolas com aparelho -Listar as escolas pelo porte para -Compras de aparelhos multimídia.
multimídia suprir esta necessidade.
-Aquisição de uma fotocopiadora.
-Criar uma central de fotocópias. -Reprodução de material para
todas as escolas
-Mobiliar todas as escolas com -Realizar levantamento dos -Conserto dos móveis: carteiras,
móveis nas salas de aula e salas mobiliários existentes para suprir cadeiras, armários e outros a partir
especiais. as necessidades. de 2006.
' -Aquisição e, ou substituição dos
móveis sem condições de uso, a
oartir de 2006.
Infra-estrutura - materiais didáticos - materiais de expediente e limpeza
Obfotivos Metas Ações
-Ampliar o acervo bibliográfico em -Realizar levantamento das - Ampliação do acervo bibliográfico
todas as escolas. necessidades nas escolas. - literatura a partir de 2006.
-Compras de livros de pesquisa
para o professor, a partir de 2006.
-Suprir as escolas com material -Realizar levantamento das - Compra coletiva pela prefeitura
didático pedagógico de expediente necessidades de cada escola. diminuindo o custo dos materiais.
e limpeza
Infra-estrutura - segurança
Objetivos Metas Ações
-Implantar sistemas de alarmes em - Realizar levantamento das -Monitoramento com sistema de
todas as unidades escolares. necessidades da instalação de segurança em todas as escolas da
sistema de alarme nas escolas. Rede Municioal, a oartir de 2006.
Infra-estrutura - transportes
Objetivos Metas Ações
-Garantir transporte escolar com -Suprir as linhas de transporte - Compra e manutenção de
qualidade e segurança para todos escolar com motorista capacitado. veículos necessários para garantir
os alunos o transporte escolar, a partir de
2006.
-Cursos de capacitação dos
motoristas sobre relações
humanas.
66
· Infra-estrutura - alimentação escolar
Objetivos
.-Assegurar alimentação escolar de
qualidade com variação de
cardápios para todas as crianças.
Questões administrativas
Objetivos
-Garantir os recursos
financeiros para a escola.
Metas
-Manter as verbas do PNAC
(Programa Nacional de
Alimentação das Creches) e PNAE
(Programa Nacional de
Alimentação Escolar).
-Manter a complementação da
verba da Prefeitura Municipal.
Metas
-Receber o fundo de gestão.a
que tem direito conforme o
porte da escola.
-Reajustar o fundo de gestão
Acões
-Produção dos alimentos com
higiene e cardápios variados.
-Cursos de capacitação das
merendeiras (alimentação,
nutrição, cardápio, higiene dos
alimentos e higiene pessoal).
-Prestações de contas das verbas
recebidas em temoo hábil.
Acões
-Aplicação dos recursos
financeiros de acordo com as
necessidades e normas
vigentes.
pelo índice de aumento do -Prestação de conta mensal de
valor aluno do MEC. acordo com as exigências
legais.
'-Realizar concursos públicos -Proporcionar aos professores -Provimento das vagas
para profissionais que atuam concursos de ingresso. existentes na rede municipal, a
na educação. partir de 2006.
-Reformular o plano de cargos
e salários dos professores.
- Estabelecer plano de cargos e
salários, para os funcionários
da educação.
Questões pedagógicas
Objetivos
-Capacitar os professores para a
inclusão dos alunos com
necessidades especiais.
-Proporcionar concursos para
psicólogos, fonoaudiólogos e
nutricionista, e bibliotecário.
- Estudar e reformular o plano
de cargos e salários,
aumentando o piso salarial de
acordo com o valor aluno,
estabelecido pela esfera do
governo federal.
-Estudar e implantar o plano de
cargos e salários para
funcionários da educação
(serventes, merendeiras,
administrativo).
Metas
-Oportunizar formação continuada
para os professores que trabalham
com os alunos de necessidades
esoeciais.
- Realização de mudanças
necessárias e implantação do
plano de cargos e salários até
outubro de 2006.
- Implantação do plano de
cargos e salários para todos os
funcionários de educação, a
partir de 2007.
Acões
-Cursos de capacitação nas áreas
especificas.
'
-Integrar professores e alunos do
segundo ano do segundo ciclo
com os da quinta série.
·-Garantir acesso e permanência de
todos os alunos do município em
idade escolar no ensino
fundamental (1° e 2° ciclo).
-Implantar o 1° ciclo do ensino
Fundamental de 3 anos.
-rntegrar, família e escola.
Realizar horas de estudo nas
escolas (fora do horário de aula),
validadas como formação
continuada.
-Garantir ao aluno o pleno domínio
da leitura, da escrita e do cálculo.
-Erradicar a evasão escolar e a
repetência.
-Capacitar os profissionais da
educação.
-Reformular a proposta curricular
para garantir uma aprendizagem
de qualidade.
-Promover projetos educacionais
de comum acordo com as escolas.
-Promover concursos nas escolas
sem objetivo comercial e de forma
democrática.
-Aproximar os alunos das escolas
para outra no sentido de diminuir o
impacto com a mudança.
-Matricular 100% das crianças em
idade escolar.
-Implantar o Ensino Fundamental
de 9 anos, para os alunos com 6
anos completos.
- Ofertar matrículas, se houver
vagas, para os alunos que
completarem 6 anos até primeiro
de março.
- Realizar programas de integração
com as famílias, para
acompanhamento na educação
dos filhos.
-Proporcionar horas de
capacitação aos professores nas
escolas.
-Avaliar as aprendizagens dos
alunos periodicamente.
-Fazer acompanhamento direto
dos alunos e suas famílias.
-Proporcionar formação continuada
para os professores, diretores,
equipes pedagógicas, assistentes
administrativos e outros.
- Efetuar a reformulação curricular.
- Apoiar e orientar a execução de
projetos educacionais pertinentes.
- Realizar concursos
alunos, pertinentes à
escolar, voltados
aorendizaaem do aluno.
com os
realidade
para a
67
-Encontro de professores e alunos
que atuam nos ciclos diferentes do
ensino fundamental.
- De acordo com o censo todas as
crianças deverão estar ·na escola,
a partir de 2006.
-Reformulação dos currículos, a
partir de 2006.
-Reorganização dos ciclos, a partir
de 2007.
-Projetos, palestras e eventos de
orientação aos pais na educação
dos filhos.
-Hora de estudos,
-Cronograma específico,
-Programas especificas com
conteúdos aprovados pela equipe
da SMECEL (Secretaria Municipal
de Educação Cultura, Esporte e
Lazer).
- Acompanhamentos nas escolas
sobre:
-motivação das aulas,
-projetos educacionais,
-capacitação dos professores,
-biblioteca na escola.
A partir de 2006.
-Serviço de psicólogos e
assistentes social.
-Aulas de reforço (contraturno).
-Avaliações e encaminhamentos
para tratamento, quando
necessário.
-Monitoramento das migrações.
-Cursos de formação.
-Avaliações periódicas de
desempenho e produtividade
profissional da educação.
-Anualmente
avaliações
curricular.
fazer
sobre
estudos e
a proposta
-Elaboração de projetos que vem
de encontro às necessidades de
complementação curricular e
extracurricular, a partir de 2006.
-Concursos livres.
68
4.3 EDUCAÇÃO ESPECIAL
4.3.1 Diagnóstico
Centro de Atendimento Especializado Municipal
O atendimento de Educação Especial no município de Pato Branco é centralizado na
~scola Municipal Rocha Pombo sendo oferecidos os seguintes atendimentos: centro de
atendimento área da surdez, centro de atendimento deficiência física não sensorial, centro de
atendimento área deficiência visual., Classe Especial na área mental e Salas de Recursos.
'Álunos que freqüentam o Centro de Atendimento Especializado estão inclusos no ensino
regular nas escolas do município.
Os educandos com necessidades especiais que freqüentam o Centro de
Atendimento Especializado, nas áreas da visão, surdez, mental, física e sala de
recursos são atendidos por meio de programas e/ou cronogramas estáveis. A
avaliação desses alunos é realizada por equipe multidisciplinar (pediatra,
,oftalmologista, neuropediatra, psicólogo, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, assistência
social, terapeuta ocupacional, pedagogos, professores).
Na Escola Municipal Rocha Pombo existe um Centro de Reabilitação física
que resultou da parceria da APDEERP (Associação dos Portadores de Deficiência
da Escola Rocha Pombo), SMECEL (Secretaria Municipal de Educação Cultura,
Esporte, Lazer), ROTARY CLUBE, SMS (Sistema Municipal de Saúde), que atende
os alunos quanto à reabilitação e terapias conforme suas necessidades.
Atualmente a demanda de educandos é de 160, além dos alunos da Escola
Rocha Pombo, são atendidos alunos de todo o município. Para esse trabalho é
previsto transporte adaptado, modalidade de ensino, horários e atividades
específicos e flexíveis. Estes alunos são oriundos de nível sociocultural e econômico
· com predominância da classe baixa e um pequeno índice da classe média segundo
dados cadastrais. A escola é de porte médio, conforme modalidades oferecidas,
,estando em consonância com LDBEN (Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional), e suas parcerias.
No centro de atendimento, os profissionais possuem especializações nas
áreas especificas ou estão cursando. Além dos professores, há envolvimento de
todos os profissionais, coordenadores, direção e demais funcionários que auxiliam
69
no avanço ensino-aprendizagem. Há também envolvimento contínuo com as famílias
integrando-as com a escola.
As salas de aula estão adequadas para o atendimento dos educandos,
porém, sempre necessitam de ampliações nos aspectos físicos e atualizações
pedagógicas devido à diversidade de patologias que os alunos apresentam. O
Centro de Atendimento Especializado dispõe de material para a construção do
conhecimento seleção e aplicação do lúdico em sala de aula.
Há um relacionamento excelente entre professores e alunos e integração
.harmoniosa de alunos da Educação Especial com os alunos do Ensino Regular.
A escola disponibiliza laboratório de informática, CDs educativos e biblioteca.
Os currículos são flexíveis, e adaptados para cada área, necessitando s~mpre de
atualização.
Existe na Escola Municipal Rocha Pombo, projeto de LIBRAS (Língua
Brasileira de Sinais) para ouvintes nas salas do ensino regular Uardim Ili a 4ª série).
As aulas de LIBRAS possuem cronograma específico para os alunos surdos,
formação continuada devido a complexidade da língua.
Os professores do ensino regular são capacitados por meio de cursos de
L.:I BRAS, visando estimular e facilitar a inclusão de alunos surdos nas demais
escolas e Centros de Educação Infantil do município. O instrutor e monitor surdo
auxiliam no processo pedagógico e apóia os professores e alunos.
A Escola recebe apoio da APDEERP (Associação dos Portadores de
,Deficiências da Escola Rocha Pombo), nos aspectos: econômico, social e cultural.
Existem equipamentos tecnológicos com softwares (Dos Vox) multimídia completo.
Há produção de material em Braille, dispondo de recursos, impressão de livros e
apostilas que serão utilizados pelos alunos no ensino regular (Educação. Infantil -
Ensino Fundamental-Ensino Médio e Graduação). Existe também instrutora de
orientação e mobilidade no atendimento de locomoção de alunos dependentes (com
guia vidente) independente (com bengala longa).
Para desenvolver um trabalho de qualidade é necessário:
• Espaço adaptado para realização de atividades de vida diária (AVO)
na área de Deficiência Visual.
70
• Acesso a Internet para realizar pesquisas dos alunos nos vários níveis
de escolaridade.
• Impressora colorida na sala de aula para impressão de trabalhos.
• Sala com equipamentos apropriados para o atendimento da Educação
Infantil Especializada (O a 6 anos).
• Equipamento Thermoform na sala de produção de material em Braille.
• Adaptações de rampas, corrimões, permitindo o acesso nos diversos
espaços da escola.
• Pistas táteis (placas indicativas em Braille) nos diferentes ambientes
da escola.
• Sinalizador luminoso para alunos surdos.
• Equipamentos específicos (máquinas perkins, bengalas, lupas).
• Um número maior de professores especializados na área de
Deficiência Visual e Deficiência Física.
• Ampliação da carga horária dos técnicos (psicólogos, fonoaudiólogos,
fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais) para atender um número
maior de alunos.
• Cobertura da quadra de esportes da escola.
• Professor de Educação Física com capacitação na área de Educação
Especial.
• Organização e participação em campeonatos esportivos.
• Adaptações e softwares específicos em cada área tecnológica.
• Professores itinerantes por área, para auxiliarem os alunos inclusos e
seus professores nas escolas.
• Atendente com designação e perfil para atuar com a professora
regente da área de Deficiência Física.
• Aplicar a LDBEN (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), a
lei de inclusão nos PPP (Projeto Político Pedagógico) da rede
municipal de ensino e centros de atendimento de Educação Infantil.
• Encaminhamento precoce de alunos com necessidades especiais para
o atendimento especializado.
71
Quadro 1 - Pessoal - Educação Especial
Rede de Professores Em Habilitação Licenciados Especialistas Total
ensino formação Magistério (graduados)
Municipal
05 01 02 10 18
Quadro 2 - Crianças de acordo com a faixa etária - dados estatísticos
' Alunos 2005
O a 3 anos 01
04 a 05 anos 02
06 a 10 anos 82
Mais de 1 O anos 80
TOTAL 165
, , Quadro 3 - Resumo da situação da educação especial
Deficiências Feminino Masculino Total
DA 10 11 21
DV 06 13 19
DM 17 28 45
DF 05 14 19
Sàla Recursos 18 43 61
Total 56 109 165
Escola de Educação Especial Recanto Feliz APAE (Associação de Pais e
,Amigos dos Excepcionais)
Pato Branco possui uma ONG Escola Especializada para os portadores de
necessidades educacionais especiais. Esta escola Possui 263 alunos, conforme
mostra a tabela:
Faixa Deficiência Autismo Síndrome Múltiplas Condutas Alunos
Etária Mental de Down Típicas por
Faixa ', Etária
Oa3 03 00 4 10 00 17
4a6 04 00 03 13 00 20
7 a 14 24 02 08 15 05 54
15 a 16 26 00 01 03 01 31
Aoós 16 98 02 15 24 02 141
Total 155 04 31 65 08 263
Alunos
72
Ensino Profissionalizante: 176 alunos
Estimulação Precoce, Pré-Escola, Ensino Fundamental: 108 alunos (21
alunos participam do Ensino Fundamental e do Programa de Iniciação Profissional).
O município de Pato Branco apresenta um percentual de 1, 7% da sua
população com alguma necessidade especial.
A tipologia dos portadores de necessidades especiais possui os seguintes
indicadores:
~-----------------------·----
Tipologia PPD
Outras ·----15,3 Visual ·--·10,8 Mental ·-------·28 Auditiva --·8,5 Física ·-----------37,3
Esta população portadora de deficiência foi na maioria dos casos
diagnosticada e tratada conforme cada caso.
Diagnóstico de Pessoas Portadoras de Deficiência
Diagnóstico do PPD
17%
83%
unca foi
alizado
oi r:~~~~~~~
73
OS PROFISSIONAIS DESTA ESCOLA - APAE - são em número de 25
profissionais, todos graduados com especializações nas diferentes áreas de
atuação:
• 08 profissionais especializados em D.M (deficiência mental);
• 01 profissionais especializados em Ensino de Matemática;
• 01 profissional especializado em Saúde Mental;
• 01 profissional especializado em D.A (deficiência auditiva).
• 01 profissional especializado em Metodologia aplicada em Educação
Especial;
• 04 profissionais especializados em Educação Inclusiva;
• 06 profissionais especializados em Educação Especial;
• 01 profissional especializado em Português, Estudos Adicionais em
D.M (deficiência mental);
• 02 profissionais especializados em Educação Física Escolar e
Especial.
Esta escola oferta as seguintes modalidades de ensino: Educação Infantil,
Ensino Fundamental, Educação de Jovens e Adultos - EJA e Educação
Profissional.
A escola possui oficina profissionalizante, preparando os alunos para o
exercício de uma profissão. Esses jovens são colocados no mercado de trabalho,
exercendo desta forma a sua cidadania.
4.3.2 Diretrizes
. Pode-se certamente dizer hoje que a criança está no centro do mundo. E este
estar no centro do mundo traz novos significados e novos paradigmas para a
educação. A educação, em suas concepções atuais tem se direcionado para a
·criança como ser único, ativo, criativo e responsável. No entanto, sabe-se que nem
sempre foi assim, ou melhor, que durante muito tempo a idéia de "proteção
extremada" esteve presente nas ações educacionais que em última análise
formavam os paradigmas em vigor.
74
Se. essa foi a realidade da educação para crianças ditas "normais", as
crianças com necessidades especiais, ao longo do processo histórico sofreram
'riiuito mais um processo de exclusão do que um processo educativo pleno. O ser
humano, quando nasce, é bruscamente lançado num modo inteiramente novo que
requer dele, de imediato, uma série de adaptações. Assim, na verdade, o
nascimento torna-se apenas o começo do nascimento em sentido mais amplo. E ao
nascer, como nenhuma outra criatura é extremamente dependente de outrem, por
isso, talvez, a concepção de "cuidar" e/ou "proteger" que foi tão cara a pedagogos e
·sistemas de ensino.
Se diante dessa realidade a criança dita "normal" tem dificuldades de
sobrevivência e adaptação, que dizer daquela que nasce com necessidades
especiais? Talvez a sensação de estar sozinha e indefesa num mundo
potencialmente hostil seja maior ainda. Uma gama de fatores, ambientais ou não
podem aumentar essa sensação de impotência e um sentimento de insegurança.
Assim, os novos paradigmas que estão surgindo para d.ar sustentação à ação
pedagógica na Educação Especial sinalizam na direção da construção de uma
sociedade inclusiva, orientada por relações de acolhimento à diversidade humana,
de aceitação das diferenças individuais buscando a qualidade em todas as
dimensões da vida.
Nesse sentido percebe-se em todas as instâncias da sociedade uma
ressignificação da Educação Especial no sentido de entendê-la como uma
·modalidade da educação escolar definida numa proposta pedagógica, que assegura
um conjunto de recursos, apoios e serviços educacionais especiais, organizados
institucionalmente para apoiar, complementar, suplementar e, em algur:is casos,
substituir os serviços educacionais comuns, de modo garantir a educação escolar e
promover o desenvolvimento das potencialidades dos educandos que apresentam
necessidades educacionais especiais, em todos os níveis, etapas e modalidades da
educação.
Diante desse contexto, o Município de Pato Branco, estabelece as seguintes
diretrizes para a Educação Especial:
75
• Cumprimento do disposto no artigo 208 da Constituição Federal, com o
Decreto Federal nº 3.298/99, que regulamenta a Lei 7.853/89 sobre a Política
Nacional para a integração da pessoa portadora de deficiência.
•A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, 9394/96 no seu Cap V,
trata a Educação Especial como modalidade de Educação, passando a ser
inerente à educação escolar integrante da educação básica.
• Na regulamentação contida na Resolução CNE/CEB n. 02/2001 e .o contido
na Deliberação 02/03 do Conselho Estadual de Educação do Paraná.
• Na Lei 10.172/01 (Plano Nacional de educação), na Lei 7.853/89 dispõe
sobre o apoio a pessoas com deficiências; na Lei 8.069/90 dispõem sobre
ECA; no Decreto 3.298/99 que regulamenta Lei 7.853/89; na Portaria MEC
1.679/99 - Acessibilidade; na Lei 10.098/00 - normas gerais e critérios para
acessibilidade; na Declaração Mundial de Educação Para Todos e
DeClaração de Salamanca (Brasil 1994 ) - Conferência Mundial sobre
Necessidades Educacionais Especiais : Acesso e Qualidade (Espanha -
1994); na Declaração de Jomtiem (Tailândia - 1990) ; e na Legislação
Estadual e Municipal;
• Estabelecimento de infra-estrutura mínima seja na questão física e/ou
pedagógica para a oferta da Educação Especial;
• Organização do sistema de ensino para o atendimento aos alunos que
apresentam necessidades educacionais especiais;
• Operacionalização pelos sistemas de ensino;
• Implantação e implementação de serviços de educação especial nas
escolas da rede municipal de ensino especialmente aos alunos que
apresentam dificuldades acentuadas de aprendizagem ou limitações no
processo de desenvolvimento que dificultam o acompanhamento das
atividades curriculares não vinculadas a uma causa orgânica específica ou
relacionadas a distúrbios ou algum tipo de deficiência na rede regular de
ensino;
• Implantação de etapas de escolarização para alunos com necessidades
especiais em qualquer espaço escolar;
76
• Cónstrução de Currículo com terminalidade específica para portadores de
necessidades especiais visando à educação profissional do aluno com
necessidades educacionais especiais;
• Elaboração dos Projetos Pedagógicos das Escolas Regul~res que
contemplem os alunos com necessidades especiais.
4.3.3 Princípios
Os princípios que norteiam a ação educativa do Município de Pato Branco, na
área da Educação especial levam em consideração princípios pedagógicos que
favoreçam a escolarização, possibilitando o pleno desenvolvimento humano do
educando, contemplando suas competências e habilidades.
A questão da inclusão escolar supera a simples questão do acesso de
,pessoas com necessidades educacionais especiais aos bancos escolares. A
inserção de educandos com necessidades educacionais especiais, no meio escolar,
é uma forma de tornar a sociedade mais democrática. Da mesma forma, a
transformação das instituições de ensino em espaço de inclusão social é .tarefa de
todos que operam com a alma e o corpo das crianças especiais.
Dessa forma o conceito de escola inclusiva implica uma nova postura da
escola comum, que propõe no projeto pedagógico - no currículo, na metodologia de
ensino, na avaliação e na atitude dos educadores - ações que favoreçam a
interação social e sua opção por práticas heterogêneas. A escola capacita seus
professores, prepara-se, organiza-se e adapta-se para oferecer educação de
quÇ1lidade para todos, inclusive para os educandos que apresentam necessidades
especiais. Inclusão, portanto, não significa simplesmente matricular todos os
educandos com necessidades educacionais especiais na classe comum, ignorando
·suas necessidades específicas, mas significa dar ao professor e à escola o suporte
necessário a sua ação pedagógica.
Para dar conta dessa nova postura a respeito da educação especial, o
Município de Pato Branco reafirma os princípios da:
77
• Participação - entendida como envolvimento de todos os s~tores da
'Sociedade no desenvolvimento das atividades educativas para uma ação conjunta
na área de Educação Especial
• Integração - caracterizada como um processo dinâmico e orgânico,
envolvendo esforços dos diferentes segmentos sociais, para o estabelecimento de
condições que possibilitem às pessoas com deficiências que apresentam problemas
de conduta e superdotadas, tornarem-se parte integrante da sociedade como um
todo.
• Normalização - definida no sentido de proporcionar às pessoas com
deficiências, com problemas de conduta e superdotadas, condições de vidas
similares às das outras pessoas, dando-lhes possibilidades de uma vida tão normal
quanto possível.
• Interiorização - concebida como expansão do atendimento a todas as
escolas municipais sejam da área urbana ou rural valorizando as iniciativas
'éomunitárias relevantes.
• Simplificação - definida como a opção por alternativas simples para os
processos de ensino-aprendizagem em Educação Especial, sem prejuízos dos
padrões de qualidade.
• Individualização: entendida como o atendimento das características
pessoais, maneira e tempo de aprendizagem de cada um.
4.3.4 Concepções
Em termos educacionais, a sociedade brasileira tem apresentado avanços em
termos de uma educação voltada para todos e para a inclusão social plena e efetiva
de pessoas com necessidades especiais. Uma das principais mudanças ocorridas
diz respeito à ampliação na forma de abordar a deficiência, que passa a ser
'éncarada, também, sob uma perspectiva social. Nesse sentido, procura-se mostrar
que a sociedade, em suas diferentes organizações, em muitos casos, cria· barreiras
à participação dos indivíduos, por não estar estruturada para atender às
necessidades das pessoas com deficiência.
78
Portanto, assumir uma posição diante da Educação Especial inclusiva
,envolve não apenas uma reflexão sobre currículos e organização escolar. Implica,
igualmente, uma revisão das bases de trabalho de todos os educadores dedicados à
educação especial e à criação de oportunidades de uma formação que os auxilie a
reorientar seus papéis para trabalhar em um contexto inclusivo. Tal contexto exige
mudanças, não só em conhecimento e competências pedagógicas, mas também em
atitudes e valores.
A deficiência não deve ser tomada, isoladamente, como obstáculo ou
impedimento que impossibilita o pleno desenvolvimento das potencialidades de uma
pessoa.
A escola inclusiva (escola que deve acomodar todas as crianças
incJ.ependentemente de suas condições intelectuais, sociais, emocionais, li17güísticas
e outras - Salamanca - 1994) deve promover uma educação de alta qualidade a
todos os educandos, modificando atitudes discriminatórias, criando comunidades
,acolhedoras e desenvolvendo uma sociedade inclusiva. Deve ser adaptada às
necessidades dos alunos, respeitando-se o ritmo e os processos de aprendizagem.
Deve contrapor-se à sociedade que inabilita e enfatiza os impedimentos, propondo
uma pedagogia centrada nas potencialidades humanas.
A concepção da escola inclusiva aproxima-se dos eixos norteadores da
Escola Plural, em cujos fundamentos reconhecem-se as diferenças humanas como
normais e a aprendizagem centrada nas potencialidades do sujeito, ao invés de
impor aos educandos rituais pedagógicos preestabelecidos. Nesse sentido, todas as
crianças devem aprender juntas, sempre que possível independente de qualquer
dificuldade ou diferença que possam ter. As escolas devem responder às
necessidades diversas de seus alunos, incorporando estilos e ritmos de
aprendizagem por meio de arranjos organizacionais, currículos apropriados,
estratégias de ensino, recursos e parcerias com as comunidades.
4.3.5 Objetivos, metas e ações.
Infra-estrutura física
Objetivos
- Adaptar o espaço físico das
escolas conforme as normas de
acessibilidade.
-Viabilizar espaço físico para
oficina profissionalizante.
Metas
-Realizar levantamento em todas
as escolas municipais das
necessidades de adaptação de
cada uma.
-- A partir de 2007, organizar e
equipar oficinas
profissionalizantes
Ações
- Em 2006, adaptação de 20%,
das escolas municipais, em 2007
30%, em 2008 30%, e em 2009
20%.
- Realização de projetos de
engenharia.
Construção de espaço físico para
desenvolver atividades
profissionalizantes
-Ampliar a sala de libras. - Ampliar e mobiliar sala de libras -Ampliação do espaço existente.
para as aulas.
-Criar um Centro de convivência
para os alunos na área de
surdez.
- Criar espaços específicos da
vida diária para as pessoas com
DV se tornarem independentes.
. -Viabilizar espaço adequado para
a prática de atividades físicas.
-Oferecer espaço
para conversação
pessoas surdas.
apropriado
entre as
-Orientar as pessoas DV da
rotina da vida diária.
-Criar um espaço apropriado no
Centro de atendimento
especializado para alunos com
necessidades educacionais
especiais e demais escolas.
- Viabilização no Centro de
Atendimento Especializado,
espaço adequado para os
surdos, em 2008.
-O espaço ou sala deverá ser
equipado com móveis e
utensílios domésticos, a partir de
2006 .
-Construção de uma quadra
coberta com piso antiderrapante
em 2006.
Infra-estruturas - móveis e equipamentos
Objetivos
- Atualizar e
equipamentos
, e.specializadas.
manter os
das salas
- Equipar as salas de aula
com mobiliário e aparelhos
eletrônicos e tecnologias
adequadas às áreas
trabalhadas
Metas
-Fazer a manutenção
periódica dos equipamentos.
-Anualmente prover o Centro
de Atendimento Especializado
com aparelhos necessários.
- Anualmente conforme a
demanda, adaptar os móveis
de acordo as necessidades
dos alunos.
-Equipar a oficina -Comprar móveis e
. profissionalizante. equipamentos para oficina
profissionalizante.
Infra-estrutura materiais didáticos
Objetivos Metas
- Produzir e adaptar material -Atualizar materiais para as
pedagógico nas diversas áreas atividades desenvolvidas nas
de àtuação. diferentes áreas da educação
especial.
Ações
- Manutenção dos equipamentos
e atualização quando necessário,
a partir de 2006.
- Aquisição de aparelhos
eletrônicos e tecnológicos de
acordo com as necessidades de
cada área.
- Adequação dos móveis
conforme as necessidades
especiais dos alunos.
-Montagem das oficinas, a partir
de2007.
Ações
- Produção de material didáticopedagógico para todas as
escolas que tiverem alunos
inclusos a partir de 2006.
79
-Disponibilizar de softwares nas
diferentes áreas de acordo com
as necessidades de Educação
'Éspecial.
-Atualizar materiais pedagógicos,
biblioteca e de informática,
motivando os alunos para
obtenção de melhores resultados
na aprendizagem.
-Adquirir biblioteca digital
incentivando · a leitura das
pessoas de necessidades
, e_speciais.
-Oferecer para os professores,
materiais diversos para os
projetos profissionalizantes.
- Modernizar as técnicas didáticopedagógicas, facilitando as
pessoas de necessidades
especiais.
- Revisar o material pedagógico,
atualizando e adaptando às
necessidades.
- Implantar biblioteca digital de
leitura para as pessoas com
necessidades especiais.
-Elaborar projetos pedagógicos
do interesse da clientela.
Infra-estrutura - segurança
Objetivos Metas
- Proporcionar segurança às - Organizar curso para formação
crianças no transporte, no de motoristas e atendentes dos
atendimento emergencial, nos ônibus para proceder
espaços físicos e equipamentos. corretamente em casos
emergenciais.
- Fazer avaliações periódicas das
normas de segurança dos
espaços físicos e dos
equipamentos.
',
Infra-estrutura - transporte
Objetivos Metas
-Possuir veículos adaptados, em -Transportar as pessoas com
n.º. suficiente para o transporte segurança para o período das
das pessoas nas diferentes aulas.
'atividades.
- Transportar as pessoas para
freqüentarem as oficinas
profissionalizantes e demais
parcerias.
- Aquisição de softwares para as
escolas com alunos de
necessidades educacionais
especiais, a partir de 2007.
-Periodicamente, análise,
classificação, organização e
atualização dos materiais
destinando-os para as áreas
específicas.
- Criação da biblioteca digital no
Centro de Atendfmento
Especializado que servirá de
apoio para todas as escolas com
alunos inclusos, a partir de 2006.
-Aquisição, a partir de 2007, de
materiais de apoio para o
desenvolvimento dos projetos
profissionalizantes.
Ações
-Capacitação para motoristas e
auxiliares para o procedimento
correto nos casos emergenciais,
anualmente.
- Adaptação do espaço físico
dentro das normas de
acessibilidade a partir de 2Q06.
-Manutenção dos equipamentos
de forma a dar segurança às
crianças com necessidades
especiais
Ações
- Em 2006, .. - aqu1s1çao de um
veículo (ônibus adaptado), para
transporte. das pessoas.
cAvaliação anual· das
necessidades de transporte.
80
Infra-estrutura - alimentação escolar
'OBJETIVOS METAS
- Servir alimentação saudável e - Oferecer alimentação adequada
variada atendendo as com cardápios variados, para as
necessidades das pessoas. diversas patologias.
- Capacitar as merendeiras nas
escolas para o atendimento dos
alunos inclusos.
-Servir alimentação adequada na - Oferecer alimentação na oficina
oficina profissionalizante profissionalizante.
'
Questões administrativas
Obietivos
-Criar no Centro de Atendimento
Especializado espaço e materiais
apropriados para o atendimento
às crianças de O a 6 anos
. -:Ampliar a oferta de educação
infantil especializada de O a 6
anos em todas as áreas de
atendimento.
,-fazer encaminhamento
profissional de acordo com as
possibilidades de cada pessoa e
de suas necessidades especiais.
-rncentivar as empresas para
contratação das pessoas com
necessidades especiais.
- Organizar palestras para a
comunidade sobre saúde,
prevenção tratamento e
encaminhamento para as
pessoas com deficiências.
Metas
-Oferecer atendimento
diferenciado para crianças de O a
6 anos.
- Construir ambientes
apropriados para a Educação
Infantil.
-Adquirir materiais adequados
para cada área de atendimento.
- Capacitar professores e demais
técnicos para atuarem na
educação infantil especializada
de O a 6 anos.
-Avaliar as pessoas e suas
capacidades profissionais.
-Encaminhar para o mercado de
trabalho conforme a legislação e
as possibilidades de cada
pessoa.
- Favorecer a Integração da
família e escola, orientando os
pais sobre os procedimentos de
saúde.
AÇOES
"Produção de alimentos com
cardápios diferenciados.
-Cursos para merendeira e
pessoal de apoio a partir de
2006.
- Aquisição de móveis,
equipamentos e utensílios para
oferecer alimentação na oficina
profissionalizante.
Ações
- Em 2007, adequação das salas
específicas para as crianças de O
a 6 anos.
- Em 2006, viabilização de
ambientes especiais.
- Aquisição de materiais
especiais de acordo com as
necessidades.
- Cursos específicos para os
profissionais.
-Parcerias com instituições,
empresas públicas e privadas em
2006 e anos subseqüentes.
- A partir de 2006, realização de
campanhas de esclarecimento
com as empresas, para a
contratação das pessoas, de
acordo com a legislação.
-Celebração de parcerias com
empresas.
-Programação anual de
atividades pertinentes à saúde
que envolva a comunidade:
palestras, cursos, oficinas ...
81
-Manter a subvenção da
, Prefeitura Municipal para a
Associação de Deficientes da
Escola Rocha Pombo.
-Disponibilizar pessoal atendente
para auxiliar os professores
regentes das classes de DF.
-Disponibilizar professores
·capacitados nas diferentes áreas,
para atender as escolas com
alunos inclusos.
-Possibilitar atendimento clínico,
terapêutico e assistencial,
mensalmente para as pessoas
que necessitarem.
-Disponibilizar profissional para a
produção de material em Braille,
libras e outras áreas.
-Inserir a comunidade aonde a
escola esta situada.
-Contratar professor de educação
física, com formação especifica
nas áreas de atendimento.
-Estabelecer critérios para
contratação de profissionais.
a
- Celebrar convênios de apoio
(especialmente com a Prefeitura
Municipal) para as despesas
decorrentes do atendimento
especializado.
-Contratar para todas as classes
especializadas em DF, em
caráter permanente, um auxiliar
com perfil para ajudar os
professores no atendimento às
pessoas.
-Prover as escolas de
profissionais capacitados.
Exemplo:
-área Física - escriba;
-área auditiva - interprete
-área mental - professor
facilitador;
- área visual - ledor.
- As escolas deverão ter
profissionais (psicólogo,
fisioterapeuta, dentista,
oftalmologista, assistente social e
de saúde) para atender as
pessoas em horários préestabelecidos.
- Prover o Centro de Atendimento
Especializado, de um profissional
capacitado para a produção
desses materiais.
-Incentivar a comunidade para
participar dos eventos.
-Ministrar aulas de educação
física adequadas às pessoas
com necessidades especiais.
-Realizar concurso público, para
a contratação de profissionais
específicos para a Educação
Especial.
- Questões pedagógicas
Objetivos
- Criar uma biblioteca de
pesquisa para atualização
permanente dos professores.
Metas
-O Centro de Atendimento
Especializado deverá ter uma
biblioteca especifica para atender
todos os professores da rede
municipal.
-Anualmente, renovação da
subvenção da Prefeitura
Municipal com a Associação e a
busca de outras parcerias.
- A partir de 2006, contratação de
pessoal auxiliar para as classes
de DF.
-Contratação de profissionais
para atender os alunos nas
escolas com inclusão a partir de
2006.
-Realização de cronograma de
trabalho para o atendimento de
acordo com as especificidades.
-A partir de 2006, execução de
parcerias com profissionais de
saúde.
-Elaboração de um cronograma
de horários e áreas de
atendimento de acordo com o
número de alunos.
-Contratação de profissional
capacitado a partir de 2006.
-Participação e parcerias com
empresas do bairro.
-Contratação de professor de
educação física capacitado.
-Concursos,
dispositivos
professores
entrevistas,
específicos
Especial.
Ações
legais
com
com
para
atendendo
para os
provas e
critérios
Educação
-Anualmente aquisição de livros
atualizando o acervo.
82
.-Implantar oficina de artes
proporcionando às crianças
atividades práticas de
aprendizagem, desenvolvendo
habilidades no turno oposto às
a.ui as.
-Pmporcionar formação
continuada a todos os
professores das áreas específica
de Educação .Especial.
·-Capacitar os professores do
ensino regular para trabalharem
com os alunos inclusos
garantindo a aprendizagem.
-Formar instrutores para atender
os alunos surdos, com
capacitação em libras.
-Prover professores itinerantes
com especialização nas
•diferentes áreas.
-Avaliar as crianças nos Centros
de Educação Infantil e primeiro
ciclo do Ensino Fundamental
faz€1ndo triagem auditiva e visual.
-Dar continuidade aos cursos de
formação em libras.
- Reestruturar o projeto político
pedagógico das escolas,
incluindo o atendimento dos
alunos inclusos.
-Priorizar aulas de orientação e
mobilidade na aérea física e
visual com professor capacitado.
-Providenciar junto ao Centro de
Atendimento Especializado,
oficina de artes.
- Oferecer formação continuada
para todos os professores de
Educação Especial.
-Prever formação continuada
para todos os professores da
rede municipal.
-Disponibilizar Instrutores
itinerantes para as escolas com
alunos inclusos.
- Disponibilizar professores
especializados para atender os
alunos inclusos.
- Fazer avaliação em todos os
Centros de Educação Infantil e
primeiro ciclo de Educação
Fundamental.
-Encaminhar as crianças que
apresentarem alguma
necessidade auditiva ou visual.
-Capacitar os professores da
rede municipal em libras.
- Reelaborar o P.P.P. (Projeto
Político Pedagógico) constando
políticas de educação inclusiva.
-Adequar os espaços físicos.
-Adquirir material apropriado nas
áreas física e visual.
- A partir de 2007, montagem e
manutenção de oficina de artes.
-Anualmente, fazer cursos de
capacitação e atualização para
os profissionais das áreas,
anualmente.
-Cursos de capacitação
áreas de DV, DF, DA e DM.
nas
-Em 2006, curso de capacitação
em libras para três instrutores,
garantindo nos anos
subseqüentes profissionais
capacitados.
- As escolas com alunos inclusos
deverão receber professores
especializados, itinerantes, nas
áreas especificas com
cronograma pré-estabelecido.
-Anualmente a partir de 2006,
realizar avaliação com todas as
crianças nos Centros de
Educação Infantil.
-Celebração de parcerias com
profissionais para· dar
atendimento preventivo.
-Continuação do curso existente.
-Formação de novas turmas a
partir de 2006.
-Reuniões de pais e professores
cada ano para estudo e
atualização do projeto político
pedagógico.
-Espaços especiais para as aulas
de mobilidade, em todas as
escolas a partir de 2006 ..
-Pessoal capacitado para exercer
essa atividade.
-Cursos de capacitação para
professor de orientação e
mobilidade.
-Anualmente fazer
para verificar o
aorendizaaem.
avaliações
nível de
83
-Adaptar os currículos e
, avaliações nas escolas regulares,
garantindo a aprendizagem, a
terminalidade de acordo com as
especificações e limitações.
-Capacitar profissionais na área
tecnológica e profissionalizante
auxiliando o desempenho e a
aprendizagem.
-Manter salas de recurso para
atender todas as pessoas.
- Adaptar currículos garantindo a
aprendizagem.
-Avaliar periódicamente para
garantir a terminalidade.
- Capacitar pessoal na área
tecnológica e profissionalizante,
para atender as crianças com
atividades pedagógicas
específicas.
-Oferecer nas salas de recurso,
ensino diferenciado para cada
área, de qualidade com
atendimento individualizado.
-Currículos adequados para
todas as necessidades especiais.
- Cursos de capacitação para
professores na área tecnológica
e profissionalizante a partir de
2006.
-Adaptações dos equipamentos
para a utilização nas áreas
especificas.
-Implementação das salas de
recursos existentes e implantar a
partir de 2006, salas de recursos
conforme as necessidades.
84
85
4.4 EDUCAÇÃO NO CAMPO
4.4.1 Diagnóstico
A educação no campo do município de Pato Branco confunde-se com
escola rural. Não há uma política clara de educação para o campo. O Município de
Pato Branco, como historicamente ocorreu no Brasil, não elegeu políticas de
educação para o campo.
No ano de 1993, iniciou-se neste município, um Programa de Nuclearização
das Escolas Rurais, que ao longo dos demais anos foi desconfigurado tendo se
transformado num programa de urbanização dos alunos oriundos das escolas rurais.
Assim, não havendo a continuidade do Projeto original, os currículos das
escolas do campo permaneceram com o mesmo currículo das escolas urbanas, o
que, de certa forma, comprometeu a idéia de respeito à cultura e desenvolvimento
,humano do povo no campo.
Como conseqüência da inexistência de um Projeto Pedagógico específico
para as escolas no campo, também não houve a preocupação com a adequada
formação de docentes para atuação nas especificidades da área rural.
Em decorrência da falta de projeto pedagógico e formação de docentes, o
material didático-pedagógico utilizado nas escolas no campo,, são os mesmos da
área urbana concretizando assim, a incompatibilidade entre o ideal e a realidade.
A questão da gestão da escola apresenta-se confusa e com sobreposição
de funções, não havendo uma equipe gestora com pessoal necessário e suficiente
para as ações, o que acarreta um trabalho deficiente tanto nos aspectos
administrativos quanto pedagógicos.
As tecnologias são inexistentes nas escolas no campo, o contraturno não
funciona devido às questões de transporte escolar, o planejamento escolar é
,desvinculado das disciplinas de artes e de educação física e a comunicação é
deficitária.
'
86
Quadro 1 - Número de Escolas
O Quadro 1 mostra a distribuição de Escolas Rurais
Rede de Comunidade Comunidade Comunidade Distrito TOTAL
Ensino Passo da Ilha Cachoeirinha Sede Dom São Roque
Municipal Carlos do Chopim
1 1 1 1 4
Quadro 2 - Número de Vagas
O Quadro dois representa vagas disponíveis a serem preenchidas nas
Escolas Rurais
Organização Número de vagas não .. preenchidas
Rede de ensino Municipal. Jardim Ili 44
1 ª série 1° Ciclo 35
2ª série 1° ciclo 30
1 ª série 2° ciclo 40
2ª série 2° ciclo 33
TOTAL 182
Quadro 4 - Crianças de acordo com a faixa etária das Escolas Rurais
Idade Feminino Masculino TOTAL
6 a 8 anos 100 102 202
9 a 11 anos 69 59 128
TOTAL 169 161 330
87
Quadro 5 - Resumo da situação da Educação nas Escolas Rurais
Organização Feminino Masculino TOTAL
Jardim Ili 26 34 60
1° série do 1° Ciclo 36 36 72
2° série do 1° Ciclo 38 32 70
1° série do 2º Ciclo 37 24 61
2° série do 2° Ciclo 32 35 67
TOTAL 169 161 330
4.4.2 Diretrizes
Pode-se afirmar que a educação no campo apresenta características e
necessidades próprias, que não pode abrir mão de sua pluralidade como fonte de
conhecimento nas mais diversas áreas. Razões históricas como a infraestrutura das
escolas, a formação docente distante e descomprometida com a realidade do
campo, o papel da agricultura familiar confundido com o papel da agricultura
patronal, a urbanização do aluno da zona rural por meio do transporte escolar, a
visão do urbano como moderno e atraente, a falta de políticas coerentes de fixação
do agricultor no meio rural são algumas das mazelas que precisam ser resolvidas
para se pensar numa escola no campo e dar conta de cumprir o que normatiza a Lei
9394/96, no seu artigo 28:
Na oferta de educação básica para a população rural, os sistemas de ensino promoverão as
adaptações necessárias à sua adequação às peculiaridades da vida rural e de cada região,
especialmente:
1. conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessidades e interesses dos
alunos da zona rural;
li. organização escolar própria, incluindo adequação do calendário escolar às fases do ciclo
agrícola e às condições climáticas;
Ili. adequação à natureza do trabalho na zona rural.
A educação de qualidade é um direito da população no campo. A educação
no campo é bem mais ampla do que simplesmente escola ou educação rural. Ela
visa, sobretudo, o direito ao trabalho, ao lazer, às produções culturais e econômicas,
acesso a terra e capacitação para o trabalho no campo.
88
No campo existe pluralidade cultural, devido à diversidade de seus
'habitantes. Nele habitam assalariados rurais, arrendatários, meeiros, agricultores
familiares, proprietários de granjas e fazendas. A educação no campo deve
assegurar o direito à igualdade com respeito às diferenças.
O direito da educação possui amparo legal na Constituição de 1988 no seu
artigo 205 e na LDB no seu artigo 5°, bem como nas Diretrizes Operacionais para a
Educação no Campo (CNE - CEB) Nº. 1, 3/04/2002, aprovados pelo Conselho
. Nacional de Educação. Na LDB no seu artigo 28 estabelece a seguinte norma:
"Na oferta de educação básica para a população rural, os sistemas de ensino promoverão as
adaptações necessárias à sua adequação às peculariedades da vida rural e de cada região,
especialmente":
1 - A difusão de valores fundamentais ao interesse social, aos direitos e deveres dos
cidadãos, do respeito ao bem comum e à ordem democrática. ·
li - Consideração das condições de escolaridade dos alunos em cada
estabelecimento.
Ili - Orientação para o trabalho.
IV - Promoção do desporto educacional e apoio às práticas desportivas não-formais.
A educação no campo possui especificidades, para tanto deverá ser
observada estas diferenças. O ensino deverá ser adaptado para essas realidades,
sem, no entanto perder a dimensão universal.
A definição das políticas educacionais para a população no campo é definida
para quem a escola se dirige e qual a realidade em que estão inseridas. A
organização do trabalho deve estar voltada aos saberes e à cultura no campo, sem,
no entanto perder de vista o saber e a cultura historicamente acumuladas. A partir
do conhecimento e da cultura no campo, construir novos reconhecimentos,
promover novas relações de trabalho, de vida e de sociedade.
Para garantir as pessoas no campo, o direito à educação respeitando as
especificidades é necessário, mudanças na organização pedagógica e
administrativa da escola, proposta curricular pedagógica e administrativa da escola,
proposta curricular adaptada, produção de material didático pedagógico e formação
,de educadores.
A dicotomia entre campo e cidade deve ser superada não havendo privilégio
de uma em detrimento da outra. A educação no campo deverá ter políticas
permanentes, programas e projetos especiais, sem perder de vista a universalização
da educação básica de qualidade social.
89
As escolas no campo deverão ter boas condições de infra-estrutura, material
pedagógico, tecnologias e equipamentos a fim de não diferenciá-las das escolas
urbanas.
A profissionalização rural deve ser entendida como necessária para garantir a
qualidade de vida das famílias e continuidade na área rural.
O Transporte Escolar deve acontecer intracampo para o ensino fundamental.
O transporte campo - cidade tem contribuído para evasão no campo.
Enfim a educação no campo deve ter uma identidade que assegure as
pessoas do campo, acesso, permanência e qualidade de ensino, respeitando a
diversidade cultural, com mudanças substanciais no que se refere: a organização
pedagógica e administrativa da escola, na proposta curricular, na produção de
materiais didáticos, na formação dos educadores, na infra-estrutura física e
pedagógica.
4.4.3 Princípios
Para dar conta de uma nova proposta educacional no campo, levem em conta
ser necessário que os projetos pedagógicos das escolas no campo levem conta,
segundo o Grupo de Trabalho da Escola no Campo, do MEC, os seguintes
princípios:
a) o princípio pedagógico no sentido da escola para o campo;
b) o princípio pedagógico no papel da escola como formadora de sujeitos e
articulada a um projeto de emancipação e desenvolvimento humano;
c) o princípio da valorização dos diversos saberes no processo educativo;
d) o princípio dos espaços e tempos na formação dos sujeitos da
aprendizagem;
e) o princípio do lugar da escola vinculado à realidade dos sujeitos;
f) o princípio da educação como estratégia para o desenvolvimento
sustentável;
g) o princípio da autonomia e colaboração entre os sujeitos no campo e o
sistema nacional de ensino;
h) o princípio da articulação dos saberes na direção de "circuito pedagógico";
90
i) o princípio da unidade/diversidade que deve estar presente em todas as
esferas;
j) os princípios de aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver
juntos e aprender a ser.
4 .. 4.5 Concepções
Ao elaborar seu Plano Municipal de Educação, o Município de Pato Branco,
entende que é preciso deixar clara a concepção que adota para a educação do
campo. Certamente é diferente de educação rural ou de escola no espaço rural. A
Educação no campo é mais abrangente.
É preciso considerar que as demandas e as experiências de vida devem ser
contempladas na elaboração de um currículo próprio, que respeite a cultura, os
, interesses e o desenvolvimento humano do homem no campo.
Assume-se a concepção de uma educação no campo que afirme a identidade
da vida no campo assegurando a escolarização com respeito à especificidade e
diversidade cultural,com um projeto pedagógico próprio, uma organização
pedagógica e administrativa própria, contempladas na proposta curricular, na
produção de materiais e na formação de educadores.
Pelo disposto na LDB é necessário e urgente que o Estado defina as políticas
'macro para a educação no campo e as unidades da federação e seus municípios
elaborem a partir de suas realidades e contextos situacionais suas próprias políticas
para a definitiva implantação e implementação de uma política para a educação no
campo.
Uma política que, segundo o Grupo Permanente de Trabalho - GPT do
Campo, do MEC deve ter como concepções que:
1- a educação é um direito social e não uma questão de mercado. A
educação enquanto organizadora e produtora da cultura de um povo e é
produzida por uma cultura - a cultura no campo - não permanecer segundo a
lógica da exclusão do direito à educação de qualidade para todos;
2- a educação recria o campo porque por meio dela se renovam os valores,
atitudes, conhecimentos e práticas de pertença a terra. Ela instiga a recriação
91
da identidade dos sujeitos na luta e em luta como um direito social, porque
possibilita a reflexão na práxis da vida e da organização social no campo,
buscando saídas e alternativas ao modelo de desenvolvimento rural vigente;
3- a cidade não é superior ao campo, e, a partir dessa compreensão,
impõem-se novas relações baseadas na horizontalidade e solidariedade
entre campo e cidade, seja nas formas de poder, de gestão das políticas, de
produção econômica e de desenvolvimento;
4- o campo deve ser concebido como espaço rico e diverso, ao mesmo
tempo produto e produtor de cultura. É essa capacidade produtora de cultura
que o constitui em espaço de criação do novo e do criativo e não, quando
reduzido meramente ao espaço de produção econômica, como o lugar do
atraso, da não-cultura;
5- a identidade da escola no campo precisa ser definida a partir dos sujeitos
sociais a quem se destina: agricultores/as familiares, assalariados/as,
assentados/as, ribeirinhos, enfim a toda a sorte de povos que compõe o
grande mosaico do campo;
6- essa identidade da escola no campo deve ser definida pelos seus sujeitos
sociais e estar vinculada à própria cultura que se produz por meio das
relações mediadas pelo mundo do trabalho, interpretando sua realidade e
possibilitando a construção de conhecimentos;
7- as relações de produção do mundo do trabalho, mediado pela educação,
são frutos das relações sociais de sujeitos concretos, de diferentes etnias,
religiões, vinculados ou não a diferentes organizações sociais e diferentes
formas de produzir e viver individual e coletivamente;
8- contemple um currículo que traga os problemas concretos do mundo rural
para dentro da escola, a fim de que ela ensine conteúdos que realmente
ajudem a solucioná-los, propondo, com maior realismo e objetividade, quais
são os conhecimentos, habilidades e atitudes que os alunos necessitam
adquirir; para que, depois de egressos, possam ser produtores rurais mais
eficientes e menos dependentes ou vulneráveis nas suas relações com os
intermediários, as agroindústrias, os super e hipermercados e outros;
92
9- seja uma educação com conteúdos úteis e aplicáveis, pois este é o fator
mais importante e eficaz para melhorar a qualidade de vida dos habitantes
rurais. No entanto, para a absoluta maioria desses habitantes a referida
qualidade de vida depende fundamentalmente da capacidade que tenham os
agricultores para produzir, incorporar valor e comercializar as suas colheitas,
com a eficiência que lhes permita aumentar a sua renda; sem renda suficiente
não terão acesso aos benefícios que acompanham o desenvolvimento.
Enquanto não se ensinar aos alunos como melhorar a eficiência da
agricultura e, através desta, a alimentação, a saúde e a renda dos habitantes
rurais, de pouco servirá ensinar-lhes aqueles conteúdos urbanos, abstratos e
longínquos, que lhes são irrelevantes;
1 O- o agro moderno requer que o agricultor seja independente, desejoso de
superar-se, criativo, solidário e cooperador, eficiente no uso dos ·recursos,
cuidadoso com o meio ambiente, consciente dos direitos e deveres próprios e
de terceiros, possibilitando que as famílias rurais adquiram novas habilidades
motoras e intelectuais, a fim de que estejam melhor preparadas para
solucionar os seus problemas cotidianos;
11- uma cultura e um ambiente escolar que permitam o aprendizado e o
desenvolvimento de atitudes, valores e comportamentos na vida cotidiana da
escola. É necessário que exista coerência entre o que se predica e o que se
pratica nas atividades escolares. Felizmente, muitas destas inovações não
requerem ,decisões governamentais de alto nível, pois dependem dos
valores, das atitudes e dos comportamentos dos diretores, professores e
alunos. Conseqüentemente é possível adotá-las ao nível municipal e fazê-lo
imediatamente;
12- que efetive a capacitação dos professores, para que possam
desempenhar a função de formadores dos futuros agentes de
autodesenvolvimento das famílias rurais.
4.4.6 Objetivos, metas e ações.
Infra-estrutura física
Obietivos
-Reformar as escolas,
melhorando a infra-estrutura dos
espaços existentes adequando
para os alunos com
necessidades especiais.
- Construir quatro ginásios de
esporte e parquinhos para a
Educação Infantil.
Metas
-Reformar os banheiros para uso
da Educação Especial e
Educação Infantil.
-Adequar salas especiais:
informática, biblioteca, cozinha e
refeitório.
-Construir espaços para prática
desportiva, nas comunidades de
Cachoeirinha e São Roque do
Chopim, Sede Dom Carlos e
Passo da Ilha.
Ações
-Construção de rampas de
acesso, adaptação das portas e
banheiros apropriados para os
portadores de Necessidades
Especiais e Educação Infantil, a
partir de 2006.
-Construção de sala para
laboratório de informática.
Atender uma escola a cada ano a
partir de 2006.
-Reforma dos refeitórios
adequando-os conforme as
necessidades de cada escola, a
partir de 2006.
-Construção ou reforma de sala
para a biblioteca, a partir de
2006.
-Reforma das salas de aula
melhorando as condições de
ventilação, pintura e quadro de
giz, a partir de 2006.
-Construção de ginásios
cobertos, quadras de esporte e
parquinhos a até 2012.
-Construir
·campo.
duas escolas no -Construir uma escola na -Construção de duas escolas
padrão para todos os níveis e
modalidades de ensino, a partir
de 2006.
comunidade Cachoeirinha.
-Construir uma escola na
comunidade de São Roque do
Chopim.
-Construção da Escola no distrito
de São Roque do Chopim em
2006.
93
Infra-estrutura - móveis e equipamentos
Objetivos
-Adquirir móveis e equipamentos
para as Escolas Rurais
atendendo as necessidades.
Metas
-Fazer um levantamento dos
móveis e equipamentos
existentes e avaliação do estado
de conservação dos mesmos.
Infra-estrutura material didático
Objetivos Metas
-Adquirir material didático, que -Criar uma biblioteca em cada
contribuam para qualidade do escola.
ensino aprendizagem.
-Organizar, confeccionar e
adquirir materiais pedagógicos.
Infra-estrutura - segurança
Objetivos Metas
-Cercar ou murar o terreno -Proteger as escolas, impedindo
pertencente a escola. que os espaços abertos permitam
invasões.
-Contratação de vigias em todas
as escolas.
Ações
-Conserto e conservação dos
móveis existentes, anualmente.
-Aquisição de carteiras e cadeiras
para as escolas que
necessitarem.
-Aquisição de armários para o
material didático pedagógico e
administrativo.
-Compra de equipamentos para
cozinha e refeitório de acordo
com as necessidades.
-Aquisição de computadores,
mesas e cadeiras para o
laboratório de informática, uma
escola por ano, a partir de 2006.
Ações
-Aquisição de livros de literatura
infantil e de pesquisa para os
professores, a partir de 2006.
-Suprimento das escolas com
materiais pedagógicos (mapas,
jogos, materiais para artes e
educação física), pertinentes a
Educação no Campo.
Ações
-Construção de cerca ou muro,
colocando portões de acesso em
2006.
-A partir de 2006, as Escolas
rurais deverão possuir viaias.
94
95
Infra-estrutura - transporte
Objetivos Metas Ações
-Reorganizar a política de -Realizar o transporte do Ensino -A partir de 2006, o transporte da
transporte escolar garantindo Fundamental intercampo e não Educação Fundamental será
transporte para todos. campo-cidade. intercampo e não mais c.:impocidade.
-Garantir do transporte para
alunos do contraturno. -Reuniões para conscientizar as
famílias da importância da
educação nas Escolas Rurais, a
-Usar meio de transporte partir de 2006.
' adequado para as crianças com
necessidades especiais.
-A partir de 2006, veículo
adaptado para o transporte das
pessoas com necessidades
especiais.
Infra-estrutura - alimentação escolar
Objetivos Metas Ações
'-Valorizar o trabalho das famílias -Incentivar a produção -Organização de parcerias com
do campo incentivando plantio de diversificada nas pequenas as famílias, para a produção de
produtos para a merenda escolar. propriedades. alimentos que serão adquiridos
no consumo da merenda escolar.
-Incentivar as crianças, a ter -Cultivar verduras e hortaliças -Desenvolvimento do projeto de
amor no cultivo da terra. nas escolas. horta escolar em todas as
Escolas rurais, a partir de 2006.
-Celebração de parceria com
Instituição de Ensino SÚperior
(curso de agronomia), para
orientacão técnica.
Questões administrativas
Objetivos
-Disponibilizar profissionais
capacitados para auxiliar nas
atividades da escola
-Integrar professores,
funcionários, APMS, e conselho
escolar para uma educação de
'qualidade.
-Integrar a rede Municipal,
Estadual e Casa Familiar Rural
garantindo o acesso e a
permanência dos alunos nas
escolas rurais, com uma
educação voltada para o campo.
-Organizar a gestão da Escola
Rural contemplando uma
educação com características
diferenciadas.
-Assegurar o fundo de gestão
para possibilitar a solução de
pequenos gastos.
Metas
- Preencher os cargos
administrativos e pedagógicos
com pessoal capacitado.
-Aproximar os diferentes
segmentos da comunidade
escolar para discutir sobre a
educação da escola.
- Garantir educação de
qualidade, evitando o êxodo rural.
-Caracterizar a escola através de
projetos específicos que a
identifiquem como Escola do
Campo.
-Dar continuidade à verba de
fundo de gestão da Prefeitura
Municipal.
Questões pedagógicas
Obietivos
-Viabilizar o atendimento dos
alunos com necessidades
educacionais especiais.
-Capacitar os professores que
atuam na Educação do Campo.
-Assegurar ensino de qualidade a
todos, evitando o êxodo para as
escolas urbanas.
Metas
-Adaptar currículos
alunos inclusos.
para
-Capacitar os professores.
os
-Capacitar de forma diferenciada
os professores que trabalham
com a Educação no Campo.
-Elaborar currículo diferenciado
para a Educação do Campo
garantindo educação de
qualidade.
-Reelaborar o Projeto Político
Pedagógico de acordo com a
realidade de cada escola.
Ações
- Cursos de capacitação para
cargos administrativos e
pedagógicos, anualmente.
-Periodicamente as escolas
deverão promover reuniões,
encontros, debates com toda a
comunidade educacional.
-Escolas suficientes de Educação
Fundamental para abrigar toda a
demanda das crianças rurais.
- A partir de 2006, as realizações
dos projetos devem atender as
especificidades da educação do
Campo.
-Realização de debates com a
comunidade escolar para definir
as ações de cada ano.
-Aplicação dos recursos de
acordo com as determinações
legais.
-Prestação de
mensalmente conforme
viaente.
Ações
contas
a lei
-Currículos adaptados, a partir de
2006.
-Cursos de capacitação nas
diferentes áreas.
-Encontros pedagógicos, horas
de estudo, cursos, a partir de
2006.
-Reuniões pedagógicas para o
estudo e reformulação do
currículo em 2006.
-Encontros com toda a
comunidade escolar para debates
e discussões do Projeto Político
Pedagóqico para 2006.
96
97
4.5 EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
4.5.1 Diagnóstico
Ao realizar o diagnóstico, da educação de jovens e adultos, constatou-se que no
município de Pato Branco, segundo o censo de 2001 havia 4,9% de analfabetos no
espaço urbano e 5, 7% de analfabetos no espaço rural.
A Prefeitura Municipal de Pato Branco vem trabalhando através do PEJA (Projeto
de Escolarização de Jovens e Adultos) para atender a essa demanda. O projeto
funciona da seguinte forma: com turmas em 1 O bairros, sendo que as mesmas são
formadas por pessoas oriundas de classe social baixa, onde a maioria são
trabalhadores informais.
O município atende 155 alunos, sendo que os mesmo não são contados no
censo escolar. O quadro de funcionários que trabalha nessa modalidade de ensino é
formado por: 9 professores e 1 coordenadora. Os alunos recebem material escolar
e didático, participam de projetos de natação, aula de qualidade de vida, ministrada
por professores da área.
· A alimentação escolar é oferecida apenas em três turmas nas seguintes escolas:
Rocha Pombo, Lions Clube e Udir Cantu. Esta alimentação, porém, não é adequada
aos jovens, adultos e idosos.
Os pontos fortes levantados foram:
- reuniões pedagógicas semanais, reuniões de estudo, reuniões de planejamento e
trocas de experiências realizadas entre os docentes;
- a flexibilidade de conteúdos, adaptados à realidade do aluno;
- metodologias e horários de planejamento específicos conforme as necessidades
'dos grupos;
- o corpo docente é qualificado;
- atividades extraclasse realizadas, despertam grande interesse e participação dos
alunos.
Os pontos fracos levantados foram:
- há falta de espaço físico para as reuniões e planejamentos;
- escassez de material didático;
98
-pouco material para pesquisa (biblioteca);
- ausência de material para as aulas de qualidade de vida;
- faltam materiais audiovisuais;
- a alimentação escolar não é adequada e não atende todos os alunos.
Há também necessidade de articulações entre a comunidade e órgãos públicos
que garantam o ensino profissionalizante a essa demanda.
A partir de 2006 o projeto de Educação de Jovens e Adultos será transformado
na modalidade de: Educação de Jovens e Adultos - EJA.
O nível educacional da população adulta de 25 anos ou mais apresenta os
seguintes indicadores:
Atendimento Educacional 25 anos ou mais
l
% Frequentando curso superior
%com mais de 12 anos de estudos
%menosde8anosdeestudo ··········••B56 2 '
%menos 4 anos de estudos ·---·30,2
%Analfabetos
Média de anos em estudo
o 1 o 20 30 40 50 60
Quadro 1 - Pessoal - PEJA Projeto de Educação de Jovens e Adultos
O Quadro 1 mostra a formação dos profissionais que atuam na Educação de
Jovens e Adultos.
Rede de Ensino Em Formação Habilitação Licenciados Especialistas Total
Municipal Magistério (graduados)
xxxx xxxx xxxx 10 10
99
Quadro 2 - Número de Turmas
O Quadro 2 mostra a distribuição das turmas por bairros.
Bairros Turmas Numero
Alunos
São João 1 09
Planalto 1 18
São Roque 1 13
Rede de Ensino Centro 1 14
Municipal Alvorada 1 25
São Cristóvão 1 27
Vila Esperança 1 09
Bortot 1 11
'' Industrial 1 08
Novo Horizonte 1 21
TOTAL 10 155
Quadro 3 - Resumo da situação da Educação de Jovens e Adultos.
'' Serie Idade Feminino Masculino Total
Alfabetiza cão 20 a 60 10 17 27
1º 27 a 65 14 14 28
2º 23 a 73 38 21 59
3º 21a40 9 9 18
4º 26 a 60 10 13 23
Total 81 74 155
4.5.2 Diretrizes
A defasagem educacional de parte expressiva da população, decorrente do
abandono precoce da escola por contingências e problemas socioeconômicos
diversos, reflete-se na qualidade das relações que esses excluídos mantêm em sua
prática social, na forma como se inserem em um ambiente em constante mudança
estrutural e no aparecimento de uma massa de jovens e adultos que demandam por
formas alternativas de estudo, que supram suas necessidades educacionais.
A educação de jovens e adultos ocorre num cenário de desafios que exigem
,uma concepção de educação para além da escolarização formal. Ela exige novas
100
fronteiras, pede uma educação baseada na construção do conhecimento, que
aponte para a resolução de problemas, para a auto-aprendizagem, que insista na
reflexão permanente sobre a prática. Uma educação para a vida, porta para a
educação permanente.
Diante dessas considerações o Município de Pato Branco, adota as seguintes
Diretrizes para a Educação de Jovens e Adultos:
• institucionalização da EJA, para a assegurar o direito de todos à educação,
sem perder de vista a história e as lutas dos brasileiros na educação popular
e EJA;
• ressignificação do campo da educação de jovens e adultos, tendo em vista os
contextos e a realidade contemporânea, exigente de novos sentidos para a
aprendizagem e para o conhecimento permanente;
• financiamento adequado à EJA, tendo em vista suas especificidades e seu
público;
• a certificação da EJA deve estar associada intrinsecamente à aprendizagem,
sem que uma se sobreponha à outra;
· • diversidade em contraposição à uniformidade, o que não deve significar
desarticulação/superposição e isolamento de programas, com rupturas entre
os segmentos do ensino fundamental.
• formação inicial e continuada de professores que atuam na área garantindo
educação com qualidade.
• propostas curriculares que contemplem o estabelecimento de relações com o
mundo do trabalho, com os saberes produzidos nas práticas sociais e
cotidianas, e o envolvimento de todos com esse mundo e seus saberes
formais, seja como trabalhadores, como empregados ou como
desempregados;
• articulações intersetoriais, de modo a estabelecer relações entre diversos
projetos educativos que envolvem jovens e adultos no âmbito do Município.
A ressignificação da EJA, tendo em vista essas características, demarca que
ela se refere não a todos os adultos, mas a adultos marginalizados, assim como
deve ser realizada em espaços - casas de cultura, comunitárias, sindicatos etc. -
e em tempos distintos, adequados às particularidades desses adultos.
101
4.5.3. Princípios
A educação de jovens e adultos, visando a transformação necessária, com o
objetivo de cumprir, de maneira satisfatória, sua função de preparar jovens e adultos
para exercício da cidadania e para o mundo do trabalho, necessita de mudanças
significativas.
Essas mudanças foram propostas e apresentadas na Conferência
Internacional de Hamburgo, na Lei 9394/96, no Parecer CEB 11/0, que estabelece
as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos e na
Deliberação 08/00 CEB.
Sendo assim, e de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais para a
.concretização de uma prática administrativa e pedagógica verdadeiramente voltada
para o cidadão, é necessário que o processo de ensino-aprendizagem, na
Educação de Jovens e Adultos seja coerente com:
a) os Princípios Éticos da Autonomia, da Responsabilidade, da Solidariedade
e do Respeito ao Bem Comum;
b) os Princípios Políticos dos Direitos e Deveres de cidadão, do exercício de
cidadania e do respeito à Ordem Democrática;
c) os Princípios Estéticos da Sensibilidade, da Criatividade, e da diversidade
de Manifestações Artísticas e Culturais;
d) Os princípios da Andragogia (arte e ciência de orientar adulto a aprender)
que servem de guia para a seleção dos conteúdos significativos como meio para o
melhoramento dos processos cognitivos, básicos para o desenvolvimento das
habilidades necessárias ao domínio das competências requeridas, privilegiando a
·capacidade de pensar e de processar, bem como a autonomia intelectiva, com
destaque para o fato de que jovens e adultos:
1. têm desejo de pprender;
2. aprendem somente o que sentem necessidade de aprender;
3. aprendem praticando, fazendo;
4. têm o aprendizado centralizado em problemas reais;
5. têm experiência de vida que afeta o aprendizado;.
102
6. aprendem melhor em ambiente informal;
7. demonstram melhor aproveitamento quando são utilizados vários
métodos, recursos e procedimentos de ensino;
8. querem oportunidade para descobrir e construir por si mesmos.
E ainda, conforme as Diretrizes Curriculares Nacionais:
1 - A Estética da Sensibilidade, que deverá substituir a da repetição e
padronização, estimulando a criatividade, o espírito inventivo, a curiosidade pelo
inusitado, e a afetividade. Facilitar a constituição de identidades capazes de suportar
a inquietação, conviver com o incerto e o imprevisível, acolher e conviver com a
diversidade, valorizar a qualidade, a delicadeza, a sutileza, as formas _lúdicas e
alegóricas de conhecer o mundo e fazer do lazer, da sexualidade e da imaginação
um exercício de liberdade responsável.
li - A Política da Igualdade, tendo como ponto de partida o reconhecimento
dos direitos humanos e dos deveres e direitos da cidadania, visando a constituição
de identidades que busquem e pratiquem a igualdade no acesso aos bens sociais e
culturais, o respeito ao bem comum, o protagonismo e a responsabilidade no âmbito
público e privado, o combate a todas as formas discriminatórias e o respeito aos
princípios do estado de Direito na forma do sistema federativo e do regime
qemocrático e republicano;
Ili - A Ética da Identidade, buscando superar dicotomias entre o mundo da
moral e o mundo da matéria, o público e o privado, para constituir identidades
sensíveis e igualitárias no testemunho de valores de seu tempo, praticando um
humanismo contemporâneo, pelo reconhecimento, respeito e responsabilidade e da
reciprocidade como orientadoras de seus atos na vida profissional, social, civil e
pessoal.
Por isso, o Município de Pato Branco, ao assumir os princípios acima
explicitados, assume também que a Proposta Pedagógica e o Currículo da
Educação de Jovens e Adultos, em seu território, visará ao desenvolvimento de
competências básicas, conteúdos e formas de tratamento dos conteúdos que
busquem chegar às finalidades dessa modalidade de educação, a saber:
1 - Desenvolvimento da capacidade de aprender e continuar aprendendo, da
autonomia intelectual e do pensamento crítico.
103
li - Constituição de significados socialmente construídos e reconhecidos como
verdadeiro sobre o mundo físico e natural, sobre a realidade social e política.
Ili - Domínio de competências e habilidades necessárias ao exercício da
cidadania e do trabalho.
IV - Desenvolvimento da capacidade de relacionar a teoria à prática e o
,desenvolvimento da flexibilidade para novas condições de ocupação ou
aperfeiçoamento posteriores.
V - Uso das várias linguagens como instrumentos de comunicação e como
processos de constituição de conhecimento e de exercício da cidadania.
(Pàrâmetros Curriculares Nacionais).
4. 5.4 Concepções
O Município de Pato Branco entende que a Educação de Jovens e Adultos
(EJA) é uma modalidade específica da Educação Básica que se propõe a atender a
um público ao qual foi negado o direito à educação durante a infância e/ou
adolescência seja pela oferta irregular de vagas, seja pelas inadequações do
sistema de ensino ou pelas condições socioeconômicas desfavoráveis.
Para que se considere a EJA uma modalidade educativa inscrita no campo do
'direito, faz-se necessário superar uma concepção dita compensatória cujos
principais fundamentos são a de recuperação de um tempo de escolaridade perdido
no passado e a idéia de que o tempo apropriado para o aprendizado é a infância e a
adolescência.
Nesta perspectiva, é preciso buscar uma concepção mais ampla das
dimensões tempo/espaço de aprendizagem, na qual educadores e educandos
.estabeleçam uma relação mais dinâmica com o entorno social e com as suas
questões, considerando que a juventude e a vida adulta são também tempos de
aprendizagens.
Os artigos 1° e 2° da LDBEN de 1996, fundamentam essa concepção
enfatizando a educação como direito que se afirma independente do limite de idade.
Art. 1 o - "A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar,
na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos
sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais".
104
Art. 20 - '~ educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e
nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do
educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho".
CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
A educação de jovens e adultos é um campo de práticas e reflexão que
inevitavelmente, transborda os limites da escolarização em sentido estrito.
Primeiramente, porque abarca processos formativos diversos, onde podem ser
incluídas iniciativas visando à qualificação profissional, o desenvolvimento
comunitário, a formação política e um sem número de questões culturais pautadas
em outros espaços que não o escolar.
CONCEPÇÃO DE CURRÍCULO DA EJA
Devido as suas especificidades essa modalidade de ensino requer um
modelo pedagógico próprio, com currículo contextualizado, viabilizando o emprego
de metodologias adequadas e proporcionando formação específica aos educadores,
devendo ser considerada como um momento significativo de reconstrução das
experiências de vida articuladas com os saberes escolares, numa concepção de
educação continuada ao longo da vida, cumprindo, simultaneamente as funções
reparadoras, equalizadora e qualificadora.
CONCEPÇÃO DA CLIENTELA DA EJA
São homens e mulheres, trabalhadores/as, empregados/as e
desempregados/as ou em busca do primeiro emprego, filhos, pais e mães,
moradores urbanos de periferias, favelas, vilas e moradores rurais. São sujeitos
'Sociais e culturais, marginalizados nas esferas socioeconômicas e educacionais,
privados do acesso à cultura letrada e aos bens culturais e sociais, comprometendo
uma participação mais ativa no mundo do trabalho, da política e da cultura. Vivem no
mundo urbano, rural, industrializado, burocratizado e escolarizado, em geral
trabalhando em ocupações não qualificadas.
Trazem a marca da exclusão social, mas são sujeitos do tempo presente e
do tempo futuro, formados pelas memórias que os constituem enquanto seres
temporais. São, ainda, excluídos do sistema de ensino, e apresentam em geral um
105
tempo maior de escolaridade devido a repetências acumuladas e interrupções da
vida escolar. Muitos nunca foram à escola ou dela tiveram que se afastar, quando
crianças, em função da entrada precoce no mercado de trabalho, ou mesmo por
falta de escolas ou ainda por serem portadores de necessidades educacionais
especiais.· Jovens e adultos que quando retornam à escola o fazem guiados pelo
,desejo de melhorar de vida ou por exigências ligadas ao mundo do trabalho. São
sujeitos de direitos, trabalhadores que participam' concretamente da garantia de
sobrevivência do grupo familiar ao qual pertencem.
CONCEPÇÃO METODOLÓGICA
A proposta pedagógica é de situar o aluno adulto como sujeito no processo
de ensino-aprendizagem: considerando e (re-)significando . suas experiências e
conhecimentos, idéias e opiniões, resistências e desejos. Oportunizando - ao
viabilizar espaços e instrumentos para sua expressão - o confronto desses saberes
(e não saberes) com os saberes (e não-saberes) do outro. Mediando a n~gociação
dos significados na qual se definem os critérios e as circunstâncias de mobilização
desses saberes.
CONCEPÇÃO DA APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E
ADULTOS
Aprendizagem é a base do estar no mundo de sujeitos, que por esses
processos educativos melhor respondem às exigências de: produzir a existência e
as identidades. Exercer a democracia por meio de práticas cotidianas de
participação e de resistência. Participar das redes culturais e sociais que envolvem o
código escrito, instrumento fundamental, em sociedades grafocêntricas, para o
exercício da cidadania.
106
4.5.5 Objetivos, metas e ações.
Infra-estrutura física
Objetivos Metas Acões
-Possuir espaço físico adequado, -Garantir nas escolas espaço -Compromisso dos gestores
aonde a EJA é ministrada. físico destinado a esta escolares para que os alunos da
modalidade de ensino de acordo EJA possam dispor de toda a
com a necessidade. infra-estrutura da escola, a partir ', de 2006.
- Prever que os espaços
escolares, (cozinha biblioteca ... ),
estejam abertos nas escolas que
possuem turmas de EJA em
2006 e nos anos subseoüentes
Infra-estrutura - móveis e equipamentos
Obietivos Metas Ações
-Ter acesso aos equipamentos -Utilizar a infra-estrutura existente -A partir de 2006, celebração de
audiovisual, tecnológicos e nas escolas que possuem turmas termos de compromisso c9m os
. matérias didáticos das escolas da EJA. gestores das escolas e a
Secretaria Municipal de
Educação para que as turmas da
EJA tenham acesso aos móveis
e eouioamentos das escolas.
Infra-estrutura materiais didáticos
Objetivos Metas Ações
-Adquirir livro didático e material . Providenciar para que cada - Fornecimento anual de material
escolar adequado para essa turma do EJA, tenha seu material pedagógico necessário para os
,íl)odalidade de ensino próprio. professores que trabalham com
EJA.
- Atualização de materiais para
os professores, necessários à
modalidade, a partir de 2006.
Infra-estrutura segurança
Objetivos Metas Ações
-Garantir .segurança nas -Providenciar, no período -Celebração de parcerias com
escolas que possuem turmas noturno, para que os alunos e outros setores da sociedade,
da EJA. professores tenham para implantar segurança nas ', segurança nos locais de escolas e nos bairros (vigia e
estudo. iluminação).
Infra-estrutura transporte
Objetivos Metas Ações
-Viabilizar transporte para os -Garantir transporte escolar para - A partir de 2006, organização
jovens e adultos que residem os alunos aonde as turmas da do transporte para os alunos
distante das escolas. EJA ficam distantes. distantes.
-Adequar o transporte para os -A partir de 2006, utilização de
' portadores de necessidades ônibus adaptados já existentes
especiais. no município, para os portadores
de necessidades especiais.
Infra-estrutura alimentação
Objetivos Metas
-Providenciar recursos para -Garantir alimentação escolar
ofertar alimentação apropriada. para todos os alunos da EJA.
-Organizar com as merendeiras,
cardápios variados e ricos,
adequados aos jovens, adultos e
idosos.
Questões administrativas
Objetivos
-Viabilizar o acesso à escola das
pessoas do espaço rural,
garantindo a todos os munícipes
o direito à educação.
-Diminuir gradativamente o
analfabetismo no município,
oportunizando aos jovens e
adultos do Ensino Fundamental
(1ª a 4ª séries).
-Garantir o acesso e a
permanência das pessoas que
não tiveram oportunidade de
estudo na idade própria.
,-Reduzir o índice de
analfabetismo no município.
Metas
-Verificar as comunidades que
possuem maior número de
analfabetos, de acordo com o
censo de 2005.
-Garantir a EJA para a população
privada de liberdade com
programas especiais.
-Atender a todos os jovens e
adultos dos bairros em situação
de vulnerabilidade social.
-Dar atendimento psicológico e
de assistência social para as
pessoas que freqüentam a EJA.
-Formar turmas que garantem a
qualidade e respeito à
individualidade e o ritmo de cada
aluno.
-Formar turmas oportunizando
educação para todos, de acordo
com o censo 2005.
-Articular ações de ensino
profissionalizante, garantindo aos
alunos formas diversas de
inserção social.
Ações
-A partir de 2006, fornecimento
de alimentação adequada
indicada por nutricionista para
todos os alunos.
-A divisão da merenda escolar
deverá contemplar os alunos da
EJA
Ações
-Abertura de turmas da EJA nas
comunidades rurais atingindo
10% das comunidades a· cada
ano
-Abertura de turmas de
alfabetização e de 1 ª a 4ª séries
nas comunidades de acordo com
a clientela.
-Implantação, a partir de 2006,
conforme a necessidade, turmas
nas instituições onde existem
populações privadas de
liberdade.
-Profissionais de saúde
itinerantes à todas as turmas
para fazer acompanhamento de
saúde.
-Garantia de no mínimo 10
alunos e no máximo 20 alunos
por turma, a partir de 2006.
- Formação de turmas em todos
os bairros que demonstrarem
índice elevado de analfabetismo.
- Criação de projetos
profissionalizantes de acordo
com as necessidades dos alunos,
a partir de 2006,.
-Celebração de parcerias com a
sociedade civil organizada e
poder público para cursos de
capacitação profissional.
-Utilização da Pedagogia da
Alternância como metodologia
profissionalizante.
107
- Analisar o currículo e aptidões
dos professores que pretendem
atuar nesta modalidade de
ensino.
-Criar serviço de monitoramento
para conhecer a situação
socioeconômica de o aluno ir e
'vir garantindo a continuidade dos
estudos.
-Divulgar experiências com êxito
para servirem de referencial a
sociedade, engajados na redução
do analfabetismo.
-Garantir a permanência do
professor capacitado na
modalidade da Educação de
Jovens e Adultos.
-Criar de um banco de dados
verificando a situação
educacional de cada aluno
egresso do EJA.
-Divulgar as atividades realizadas
na EJA.
-Realizar ·campanhas de -Fazer levantamento das
sensibilização no Município. pessoas acima de 14 anos
analfabetas e concluintes da 1ª a
4ª série do Ensino Fundamental,
com as associações de bairros.
-Garantia da vaga para os
professores capacitados que
queiram trabalhar com a EJA.
-Por meio da coordenação da
EJA anualmente os alunos
egressos . serão cadastrados e
acompanhados, in loco, na
continuação dos estudos.
-Anualmente produção
material de divulgação
trabalho realizado na EJA.
de
do
-Periodicamente a partir de 2006,
disponibilização de panfletos,
avisos, . placas, entrevistas,
fazendo a chamada para as
matriculas.
-Divulgação de locais, dos
programas e do calendário para
toda a população.
108
Questões pedagógicas
Obietivos
-Integrar a Educação de Jovens e
Adultos com todos os níveis e
modalidades da educação do
município.
·-Reformular e implementar a
proposta curricular condizente
com a clientela.
-Capacitar os professores para
trabalharem com eficiência na
EJA.
-Incluir nos currículos de ensino
superior temática relacionada ao
EJA.
Metas
-Integrar todas as modalidades e
níveis de ensino através de
encontros, debates e eventos.
-Usar metodologias adequadas
para atender as especificidades.
-Oferecer formação continuada e
específica para os professores
que trabalham nesta modalidade
de ensino.
-Fazer parcerias com Instituições
do Ensino Superior para a
inclusão da EJA em seus
currículos.
Ações
-Anualmente realização de
eventos integrando a EJA, a
comunidade e os demais níveis
de ensino.
-Anualmente fazer adaptações
curriculares necessárias
conforme as turmas organizadas.
-Adaptação dos currículos para
as pessoas com necessidades
especiais
-Organização anual de cursos de
capacitação, aperfeiçoamento e
atualização, para todos os
professores.
-Disponibilização, a partir de
2006, de um professor itinerante
para atender em turno oposto os
alunos que necessitarem de
atendimento individual.
-Realização anual de avaliação
do trabalho pedagógico.
-Realização de programas anuais
com as Instituições do Ensino
Superior de pesquisa estágios e
trabalhos experiências.
109
11 o
4.6 EDUCAÇÃO EM TEMPO INTEGRAL
4.6.1 Diagnóstico
A educação em tempo integral no município está sendo realizada através de
,projetos. As escolas não têm estrutura física e pessoal para desenvolver as
atividades na própria escola.
O município conta hoje com 22 escolas contempladas com projetos extracurriculares. Algumas escolas desenvolvem projetos no próprio ambiente escolar,
como: informática, xadrez e futsal.
Por não possuírem espaço adequados, os projetos são realizados em locais
especiais, para aonde o aluno é transportado, com cronogramas diferenciados e
'elaborados especificamente de acordo com o número.
No Centro Municipal de Artes são desenvolvidos os projetos de:
• Dança - duas vezes por semana,
• Teatro - duas vezes por semana,
• Teatro de bonecos - duas vezes por semana. (neste projeto, as crianças
aprendem a confeccionar os bonecos e a representar).
No Complexo Esportivo Municipal são desenvolvidos os projetos de:
• Atletismo - duas vezes por semana.
• Natação - uma vez por semana.
Na Casa da Música, são atendidos os projetos:
• Coral, flauta doce, teclado, violão e banda, uma vez por semana, de acordo
com o cronograma.
Foi realizado um convênio com a Faculdade de Pato Branco (FADEP) para
desenvolver projetos de Ginástica Artística e Ginástica Rítmica - duas vezes por
semana.
O transporte das crianças é realizado com três ônibus nos horários
determinados dos projetos e nos períodos entre os horários escolares. Isto prejudica
o bom andamento, devido aos horários do transporte escolar que são limitados. As
crianças são transportadas com segurança e todos os ônibus são providos com
·atendentes que dão apoio e auxiliam neste transporte.
111
As refeições (lanches) nas atividades extracurriculares são servidas em
apenas dois locais - no Centro Municipal de Artes e na Casa da Música. Em quatro
escolas são servidos 600 almoços - dia, para as crianças participarem dos projetos
no turno oposto as aulas. Na Escola Municipal Udir Cantu, por sua especificidade,
,localizado num bairro de famílias muito pobres, todas as crianças recebem almoço
diariamente. São servidos 300 almoços diários.
Salienta-se que, para os projetos serem desenvolvidos com eficiência, é
necessária boa infra-estrutura. Exemplo disso cita-se o laboratório de informática, o
Centro Municipal de Artes, Casa da Música. Faltam, no entanto, equipamentos,
manutenção e material de apoio pedagógico.
A execução das atividades pertinentes a cada projeto exige. pessoal
'éspecializado. O quadro efetivo da SMECEL (Secretaria Municipal de Educação,
Cultura, Esporte e Lazer), conta com apenas dois profissionais. Os demais são
contratados temporariamente e ou são estagiários. Esta realidade não dá
consistência a continuidade destes projetos devido a rotatividade de pessoal.
, Quadro 1 - Pessoal - Educação em Tempo Integral
O Quadro 1 mostra a formação dos profissionais que atuam na Educação em
Tempo Integral.
',
Rede de ensino Em formação Habilitação Licenciados Especialistas Total
Municipal Magistério (graduados)
17 - 1 1 19
112
Quadro 2 - Resumo do nº. de alunos da Educação em Tempo Integral.
~ Programas Oferecidos - nº. de alunos
Informática Xadrez Teatro/ Gin. Artistica.
danca Gin. Ritmica
1. Alvorada 419 * 240 60
2. Antônio Cadorin 20
3. Ayrton Senna
4.Bairro Planalto
5.Cachoeirinha
6.Gênesis
7.Gralha Azul 100 80
8.lrmã Dulce
9.Jard. Primavera
1 O.José Fraron 30 10
11.Juve. Cardoso 60 40
12.Lions Clube 50 60 25
13.Mª. Jurema Ceni 20
1'4:01avo Bilac
15.Passa da Ilha
16.Peq. Príncipe 30 25
17.Rocha Pombo 30
18.Santos Dumont
19,São Cristóvão 404 ** 60
20.S. J. B. La Salle
21.São Luis
22.Sede D. Carlos
23.Udir Cantu 240 130 80
24.União 60
25:Vila lzabel 20
26.Vila Verde
27.Casa Abrigo 10
28.Horto Florestal
•. ·"TOTAL: ... · .••. .'12J3c 570 ...• ··• ·.;···.400·.· ·;120.· 1 :; Total de. . !: 1213 510' · ..... 8QO ·: .. .•240:.·'
atendimentos. • ,; . "':'•' '. -">
* São ofertadas mais 100 vagas à comunidade
** São ofertadas mais 45 vagas à comunidade.
Atletismo Futsal
60 140
20
20
40
40
80
40
80 105
40
60
08
15
A88 )•:-::260 ...
976 [. 510 .. . ·· .. · .. ···
Natação Música
20 100
18
40 30
134
78
10 40
55.
72
11
20 03
20 63
20 42
60
40 48
20 42
40 21
62
20 45
10
40 75
40 77
20 16
20 43
. 380' . 1135
te. 380 >1q9 ,·.· ""':
·Nos projetos de teatro/dança, atletismo, futsal e futebol, as crianças são atendidas
duas vezes na semana.
4.6.2 Diretrizes
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) prevê o
aumento progressivo da jornada escolar para o regime de tempo integral (art.34 e
87) ao mesmo tempo em que reconhece e valoriza as iniciativas de instituições que
desenvolvem, como parceiros da escola, experiências extra - escolares (LDB, art. 3,
ítem 1 O). Essas indicações legais respondem tanto às expectativas de ampliação do
113
tempo de estudo, via sistema público de ensino, como ao crescente movimento de
participação de outras organizações, nascidas em geral por iniciativa da própria
comunidade, que trabalham na interface educação- proteção social.
Neste contexto, firma-se a idéia de que a ação de educação na sociedade
,contemporânea, seja na perspectiva quantitativa (educação para todos) ou na
aposta qualitativa (todas as dimensões da vida) necessitam ser articuladas na
parceria Estado-sociedade civil. Pensar a educação hoje exige desvestir certezas
para tentar entender as pistas e os sinais do novo paradigma educacional que está
por ser construído.
A educação se inscreve como um requisito indispensável para garantir
cidadania e como condição central para que uma sociedade possa construir um
',
projeto político, econômico e social que garanta uma vida de respeito e dignidade a
seus membros.
Por isso mesmo o desenvolvimento histórico da concepção de educação
integral evidencia em primeiro lugar a exigência, a pressão e a luta constante pela
popularização da educação, no sentido de uma escola universal de qualidade que
prepare para a vida. No entanto, no contexto sócio-político de agravamento da
'pobreza e da desigualdade, amplia-se a percepção da inexistência real de
oportunidades iguais para todos, especialmente de oportunidades educacionais
universais em termos de uma boa educação que permita ao aluno aprender e
desenvolver-se como cidadão ativo.
4.6.3 Princípios
A educação é hoje uma pauta recorrente na agenda nacional e um tema
capaz de gerar adesões de todas as correntes. Mas o Brasil ainda caminha muito
lentamente para um padrão educacional de qualidade, como se esperaria de um
país que ostenta tão alta posição em termos econômicos.
Entre os muitos consensos sobre a educação está o de que o tempo
dedicado à educação está muito aquém do que seria necessário para dar conta da
'formação de nossas crianças e jovens para os desafios do século XXI.
114
Permanece, entretanto, no imaginário social, a idéia de educação reduzida à
educação escolar e formal apesar das evidências, nas atitudes e respostas das
próprias crianças, de que a aprendizagem acontece em cada experiência com a qual
é confrontada.
Assim, a Prefeitura Municipal de Pato Branco adota os seguintes princípios
norteadores da ação da educação em tempo integral:
• projeto político-pedagógico consistente;
• planejamento coletivo das atividades pedagógicas;
• prédio escolar e merenda com qualidade (com, pelo menos, três refeições
diárias);
• transporte escolar (tanto para escolas da zona urbana como rural);
• materiais pedagógicos em quantidade e qualidade;
• equipamento (mobiliário, utensílios, eletrodomésticos, computadores, etc)
completo e moderno;
• ações de promoção à saúde escolar;
• laboratórios de informática e de ciências equipados;
• biblioteca, acesso à Internet;
• arte, cultura, lazer e esporte na escola, com professores qualificados e
Profissionais da Educação, todos capacitados, motivados e valorizados.
· 4.6.4 Concepções
Até bem pouco tempo, as conseqüências da crise social chegavam
indiretamente à escola, mas agora adentram os muros escolares e desafiam a
competência de educadores de maneira cruel e intransferível.
Nem sempre se tem conseguido avançar para ações educativas que
respondam às expectativas de formação e de aprendizagem e que ajudem na
superação das dificuldades didático-pedagógicas e organizacionais do sistema.
Enquanto em muitos fóruns busca-se discutir alternativas para que a
educação responda à acelerada exigência de atualização tecnológica e ao
processamento da massa de informações que circula na mídia, enfrenta-se também
115
a dura constatação de que um significativo número de crianças de escolas
brasileiras, inclusive no Município de Pato Branco, ainda não sabem ler e
compreender um texto simples.
São essas contradições que fermentam o sentido de urgência na
'concretização das aspirações da Educação Integral e, no entanto, o entendimento
do conceito é ainda diversificado e pouco claro.
Educação Integral: uma aproximação conceituai
Grande parte das propostas existentes no Brasil, com relação à Educação
Integral tem foco centrado, explícita ou implicitamente, na educação integral em
'seus vários aspectos ações complementares à escola, ações comunitárias, arte e
educação, esporte e educação, reforço escolar, meninos de rua, criança em situação
de risco, avaliação de programas, período integral e outros.
De certa forma, isto mostra a complexidade e diversidade de conceitos
utilizados para tais propostas. O Município de Pato Branco, desde 1993, vem
propondo projetos desse tipo, tendo avançado mais ou menos em cada uma das
,gestões municipais que se sucedem.
Educação Integral como formação integral
Entre os caminhos explicativos para o conceito de Educação Integral pode-se
registrar uma perspectiva primeira que focaliza o sujeito e aproxima educação com
formação integral.
Para os que se referenciam neste ângulo de análise, educação integral supõe
o desenvolvimento de todas as potencialidades humanas com equilíbrio entre os
aspectos cognitivos, afetivos, psicomotores e sociais.
Considera-se aí, que, apesar da preponderância eventual de um aspecto, o
homem é uno, integral e não pode evoluir plenamente senão pela conjugação de
suas capacidades globais. Isto requer uma prática pedagógica globalmente
compreensiva do ser humano em sua integralidade, em suas múltiplas relações,
'dimensões e saberes, reconhecendo-o em sua singularidade e universalidade.
116
Educação Integral como articulação de conhecimentos e disciplinas
Para os que utilizam o conceito de educação integral como princípio
organizador do currículo escolar o que se enfatiza é a integração dos conhecimentos
'em abordagens interdisciplinares, transdisciplinares e transversais. Considera-se
que a dinâmica da socialização e os processos educacionais ocorrem em diferentes
lugares e de modos variados e reconhece que não há um só modo de ensinar, um
único processo de transmissão de conhecimentos, mas uma integralização de
experiências e conhecimentos que podem se articular no processo educativo.
A interdisciplinaridade se funda na unidade da realidade cuja apr!=lensão é
compartimentada dentro do modelo de desenvolvimento da ciência moderna.
Essa concepção de educação questiona o paradigma da ciência moderna que
desagrega, fragmenta e formaliza os diversos campos do conhecimento humano em
ciências específicas, estanques e sem visão de totalidade, e propõe uma estreita
articulação curricular que procura contemplar o conhecimento de maneira mais
abrangente, global e, portanto, integral.
,Educação Integral como articulação de aprendizagens a partir de projetos
temáticos
Muitas considerações sobre educação integral remetem a uma preocupação
cor:n a aprendizagem baseada em vivências e experiências e numa ação pedagógica
organizada por projetos ou temas geradores.
Nesta perspectiva, se dá ênfase ao desenvolvimento integral, a partir de uma
,área ou tema do conhecimento como eixo de organização para o desenvolvimento
de outras competências. Neste caso, o trabalho, a arte, o esporte, o lazer, a
sexualidade, o meio ambiente, a saúde, entre outros, não são temas transversais,
mas, ao contrário, constituem um projeto que aglutina conhecimentos e estabelece
conexão com outras necessidades dos sujeitos.
Destaca-se principalmente uma metodologia participativa que envolve a vida
prática comunitária, voltada para a solução de questões que inquietam ou estimulam
''
a vida cotidiana e que, por isso mesmo, exercem forte motivação e interesse.
Os projetos têm relação com o trabalho colaborativo em diversos ambientes
117
de aprendizagem e procuram colocar o aluno como centro, desenvolvendo sua
autonomia.
Educação Integral na perspectiva de tempo integral
Educação Integral aparece também na perspectiva de tempo integral de
atendimento. Diversas experiências brasileiras de extensão da jornada escolar e de
implantação de um período integral nas escolas públicas apresentavam.:.se como
propostas de "Educação Integral".
As duas experiências mais conhecidas de escola pública de tempo integral no
Brasil são: o projeto de escolas-classe e escolas-parque na Bahia (CECR) na
'década de 50 e nos anos 80; os Centros Integrados de Educação Pública (CIEP) no
Rio de Janeiro, cujo nome foi alterado posteriormente para Centros de Atenção
Integral à Criança (CAIC).
O objetivo era o de ministrar o ensino fundamental complementado com
atividades diversificadas, organizando a escola para dar ao aluno a oportunidade de
participar,· como membro da comunidade escolar, de um conjunto de experiências
~sportivas, artísticas, recreativas ou temáticas, em complementação ao currículo
escolar formal.
A descontinuidade desses programas, também no Município de Pato Branco,
é indicativa das dificuldades de implantação e até mesmo de aceitação dessas
propostas.
Embora se reconheça que a formação para a vida extrapola o currículo da
escola formal, a ampliação da jornada escolar é vista por alguns críticos como um
'desvio do papel da escola , quando se considera que o atendimento em período
integral significa assumir o compromisso da proteção social, foco de atuação da
Assistência Social ou responsabilidade de outras políticas públicas, cuja missão é
r~solver os problemas da fome, da violência e do abandono, da doença entre outros.
Enfim o Município de Pato Branco, adota uma linha conceituai de educação
integral, como aquela que é capaz de transformar o educando em sujeito do seu
,próprio desenvolvimento, crítico, criativo, apto a agir e modificar o mundo cultural e a
sociedade em que vive.
118
Resumidamente considera que a educação integral é a formação da pessoa
como um todo. A escola deve assegurar a educação dos seres humanos, fazendo-o
aceder à cultura. O homem, entretanto, só tem cultura quando se torna capaz de
formar uma imagem de si mesmo, de se compreender no mundo e na história, de
dominar o universo por sua ação e por sua técnica
Nesse sentido, considera ainda que a educação integral não pode ser
atingida só pela instrução. Isto será possível somente pelo trabalho integrado de
todas as matérias, através de objetivos comuns que levem o aluno não apenas a
aprender, mas dar significado ao que aprende.
Nessa perspectiva, pretende-se que o aluno seja levado a se conscientizar e
'desenvolver a responsabilidade, a auto-educação, para que se torne agente de sua
própria educação. Pretende-se formar indivíduos críticos, sabedores de sua
importância de homens num processo de transformação do mundo, capazes de
analisar a realidade com tranqüilidade, objetividade, firmeza e justiça.
4.6.5 Objetivos, metas e ações.
, Infra-estrutura - física
Objetivos Metas
-Ampliar, adequar e reformar as -Adequar os espaços físicos das
escolas, a fim de garantir escolas para implantação
espaços apropriados para gradativa da Educação em
desenvolver atividades Tempo Integral.
pertinentes à Educação em
Tempo Integral.
-Reformar os espaços do Centro -Reformar e conservar os
'Esportivo para assegurar a espaços existentes da pista de
prática desportiva com atletismo e piscina.
qualidade.
-Substituir as salas de madeiras
Ações
- Adaptação de 25% das escolas
por ano, a partir de 2006.
-Até agosto de 2006, reforma
dos vestiários da pista de
atletismo.
-Até agosto de 2006, reforma da
piscina do Centro Esportivo.
-Reformar o Centro Municipal de do prédio, por salas de -Em 2006, reforma das salas
Artes, proporcionando espaços alvenarias. adequando os espaços.
adequados.
-Adaptar do prédio para um miniteatro. -Em 2007, construção de um
mini-teatro.
-Construir de um ginásio para
aulas de circo. -Conclusão do ginásio em 2006.
119
Infra-estrutura - móveis e equipamentos
Objetivos Metas Ações
-Equipar e mobiliar as escolas na - Verificar em cada escola os -Aquisição de equipamentos e
medida das necessidades equipamentos e móveis móveis conforme os projetos que
existentes. a escola possui, a partir de 2006.
Infra-estrutura - material didático
Objetivos Metas Ações
-Disponibilizar de material -Confeccionar e organizar -Aquisição de material especifico
didático e de pesquisa, para materiais usados para cada para as escola com educação
cada escola, conforme os projeto. em tempo integral, a partir de
projetos desenvolvidos. 2006.
-Formar biblioteca específica -Criação de uma biblioteca no
para pesquisa. Centro de Artes, para estudo e
pesquisa.
Infra-estrutura - segurança
Objetivos Metas Ações
-Prover sistema de alarme - Possuir alarme monitorado. - A partir de 2006, todas as
monitorado nos espaços escolas em Tempo Integral
destinados aos projetos. deverão ter instalado o alarme
monitorado.
-Garantir a segurança das -Ter pessoal permanente na -Disponibilidade nas escolas
crianças que participam dos condução e organização das com atividade em Tempo
projetos. atividades. Integral, de pessoal para garantir
a sequranca das criancas.
Infra-estrutura - transporte
Objetivos Metas Ações
-Transportar as crianças com -Transportar com segurança e -Em 2006, . realização de curso
.segurança para os projetos fora motorista capacitado, as de capacitação para os
da escola. crianças, nos horários dos motoristas que transportam as
projetos. crianças nos projetos.
-Compra de três ônibus para o
transporte especifico para os
projetos.
Infra-estrutura - alimentação escolar
Objetivos Metas Ações
- Fornecer alimentação de -Garantir três refeições diárias, -Aquisição de alimentos para
qualidade para as crianças em com cardápios variados. todas as crianças em Tempo
Tempo lnteQral. Integral, a partir de 2006.
Questões administrativas
Objetivos
-Implantar a Educação em
:r:empo Integral em todas as
e.scolas municipais.
-Realizar teste seletivo para
preencher as vagas conforme as
especialidades dos projetos.
-Realizar uma mostra ·de artes
dos projetos desenvolvidos para
a comunidade.
-Implantar novos projetos
educacionais para as crianças e
comunidade.
-Dar continuidade aos projetos
educacionais existentes.
Questões pedagógicas
Objetivos
-Proporcionar formação
continuada para os profissionais,
'garantindo a qualidade do
trabalho.
-Avaliar o desempenho dos
participantes dos projetos nas
escolas e nos locais específicos.
- Promover eventos anuais.
Metas
- Ter 100% dos alunos em
Educação em Tempo Integral,
em todas as escolas da rede
municipal.
-Realizar teste seletivo.
-Divulgar o trabalho
desenvolvido pelas crianças.
-Ampliar projetos nas áreas
artísticas, literárias, esportivas,
tecnológicas, saúde e cidadania.
-Oportunizar às crianças com
aptidões, de acordo com a área
de interesse de cada uma,
aperfeiçoamento, no Centro
Municipal de Artes na Casa da
Música e no Centro Esportivo.
Metas
-Capacitar para os profissionais
que atuam nas áreas
especificas.
-Avaliar todos os projetos,
atuação dos profissionais e
participação das crianças.
- Desenvolver eventos de acordo
com as datas comemorativas.
Ações
-Implantação da Educação em
tempo Integral de 4 escolas por
ano até 2012.
-Contratação de . pessoal
necessário para atender os
diferentes projetos de acordo
com a implantação.
-Realização de um evento para
a comunidade, anualmente.
-A partir de 2006, implantação
novos projetos conforme a
capacidade e adequação de
cada escola.
-Ampliação de projetos para a
comunidade (escola aberta),
conforme as possibilidades e
cronograma pré-estabelecido.
-A partir de 2006, garantia de
aperfeiçoamento para grupos
específicos; em artes, esporte e
música, de acordo com as vagas
disponíveis.
Ações
- Cursos de 100 horas de
capacitação para todos os
profissionais que atuam nos
projetos especiais, com
profissionais capacitados,
anualmente.
-Periodicamente (semestral),
avaliação, verificando a
qualidade, desempenho e
produtividade dos projetos em
Tempo Integral.
- Mostra de teatro.
- Semana da Criança.
- Natal de luz.
- Semana da Pátria.
- Participação em Jogos.
- Semana do Meio Ambiente.
120
BIBLIOGRAFIA
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