Estado do Rio Grande do Sul
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“DOE SANGUE, DOE ÓRGÃOS, DOE VIDA!”
REQUERIMENTO Nº 02/2020
Excelentíssimo Senhor Prefeito Municipal:
A Vereadora Eliana Lanzana vem através do presente requerer ao Executivo
Municipal que, através das Secretarias de Agricultura e Meio Ambiente e da Secretaria de
Educação, viabilize a implantação do Projeto Jardins do Mel no Município de Marcelino
Ramos. O referido projeto deve ser desenvolvido em parceria com as diversas instituições
do município, como EMATER/RS-ASCAR e escolas, bem como todo cidadão engajado na
causa da sustentabilidade.
JUSTIFICATIVA:
Do que se trata o Projeto: hoje, sabemos que a grande responsável pela preservação
das espécies vegetais do planeta são as abelhas, através da polinização que realizam.
Porém são os seres que mais sofrem com os agroquímicos e a industrialização.
Há alguns anos, através de pesquisas e dados científicos, surgiu mundialmente a
preocupação com a preservação das abelhas, das quais algumas espécies correm risco de
extinção.
No Brasil, este movimento vem crescendo consideravelmente e até nas grandes
cidades as pessoas estão criando abelhas, não com interesse comercial somente, mas com
uma preocupação ambiental e sustentável.
O Projeto Jardins do Mel foi uma criação da Secretaria de Meio Ambiente de
Curitiba/PR. O projeto espalhou pelos parques e praças da cidade colmeias de abelhas de
espécies sem ferrão. Envolveu as escolas públicas no Projeto, enfatizando o tema
Sustentabilidade entre as crianças e jovens.
Portanto, a exemplo deste belo Projeto da cidade de Curitiba, visualizo que tal
iniciativa pode representar uma atividade com retorno financeiro para o cidadão
interessado, mas, principalmente, representa um tema fundamental a ser discutido,
aprofundado, ensinado e vivenciado pelas pessoas. É uma atividade que extrapola
gerações, faixas etárias ou poder aquisitivo, pois o seu objetivo principal é educar e
conscientizar para a sustentabilidade do planeta e preservação das espécies. Seguem em
anexo mais informações sobre o tema.
Sala das Sessões, em 31 de janeiro de 2020.
Atenciosamente,
ELIANA LANZANA
Vereadora do PP
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ANEXO
O projeto Jardins de Mel tem como objetivo a divulgação das abelhas nativas sem
ferrão, responsáveis pela polinização de cerca de 90% das plantas brasileiras. Já
começaram a ser distribuídos em áreas verdes do município de Curitiba, como no Parque
Barigui, Bosque Reinhard Maack, Jardim Botânico, Casa de Acantonamento (do Zoológico
de Curitiba) e Museu de História Natural Capão da Imbuia.
As cinco espécies utilizadas são: de guaraipo (Melipona bicolor), manduri (Melípona
marginata), mandaçaia (Melipona quadrifasciata), jataí (Tetragonisca angustula) e mirim
(Plebeia sp).
As abelhas estarão em caixas racionais de criação, colocadas dentro de um
revestimento, visando uma maior proteção e bem-estar dos insetos.
As atividades desenvolvidas pelo projeto ressaltam a sensibilização sobre a importância e
os benefícios dos serviços ecossistêmicos de regulação e equilíbrio do planeta prestados
pelas abelhas nativas.
Ainda serão ofertados cursos de capacitação para Guardiões das Abelhas sem
Ferrão, o que vai contribuir para manter a cultura que vem desde os povos indígenas.
Biodiversidade
Há mais de 20 mil espécies de abelhas espalhadas pelo mundo. A maioria delas tem
comportamento solitário, mas dentro deste universo existem as abelhas sociais nativas sem
ferrão. Entre elas, são aproximadamente 420 espécies no mundo, 300 no Brasil.
As abelhas nativas sem ferrão vivem em ninhos, organizados com três castas - a
rainha, as operárias e os zangões. Seus ninhos podem ser encontrados nos ocos de
troncos de árvores, no chão e em muros. Elas alimentam-se de néctar e pólen, enquanto
fazem a polinização; e armazenam o alimento em potes de cera, mel e pólen. São
responsáveis pela existência da maioria das espécies vegetais, incluindo os alimentos.
Conheça algumas das abelhas nativas:
Jataí
Nome científico: Tetragonisca angustula Tribo: Trigonini Onde encontrar: As abelhas Jataí
são nativas do Brasil e têm abrangente extensão geográfica, do norte da Argentina até o
México. Curiosidade: Ao longo dos anos, um dos mecanismos de defesa desenvolvidos foi
o de ter abelhas sentinelas para combater possíveis inimigos. Elas costumam fechar a
entrada de seu ninho durante a noite e em dias de frio.
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Manduri
Nome científico: Melipona marginata Tribo: Meliponini Onde encontrar: As abelhas Manduri
são encontradas desde a América Central até a Argentina. Curiosidade: Mandirituba, cidade
da Região Metropolitana de Curitiba, tem esse nome pela grande ocorrência destas abelhas
por lá. Quando ameaçadas, elas enrolam-se nos cabelos e pelos, sem, no entanto,
representar perigo para os seres humanos.
Mirim
Nome científico: Plebeia sp Tribo: Trigonini Onde encontrar: América Central e América do
Sul. Curiosidade: É uma abelha muito pequena, mansa e discreta. Seu própolis é produzido
com resinas de característica pegajosa, armazenadas em bolas nos cantos da colmeia; e
usadas para defesa quando a abelha se sente ameaçada. Além de imobilizar os inimigos
que queiram entrar na colmeia, o própolis serve para vedá-la contra de luz e vento.
Mandaçaia
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Nome científico: Melipona quadrifasciata Tribo: Meliponini Onde encontrar: Esta espécie
está em todos os estados com ocorrência de mata atlântica. Curiosidade: Em tupi guarani,
seu nome significa Vigia Bonito. Outras subespécies podem ter diferenças nas formas das
listras amarelas.
Guaraipo
Nome científico: Melipona bicolor Tribo: Meliponini Onde encontrar: Está em toda região
Sul e Sudeste do Brasil Curiosidade: A espécie adora locais úmidos próximos aos rios e
matas densas. Ela altera todo o conceito sobre as abelhas, já que é comum encontrar até
cinco rainhas irmãs trabalhando juntas em uma colmeia. Dentre as abelhas sem ferrão, é
uma das mais calmas. Sua cera é muito apreciada por ter textura aveludada.
Jardins Melíferas
Para ajudar as abelhas nativas, é preciso plantar árvores nativas melíferas, frutíferas,
hortas sem veneno e flores. Também é necessário manter os rios limpos para que as
abelhas sobrevivam e repovoem a cidade, trazendo ainda mais vida aos bosques.
Diversos conceitos a respeito do desequilíbrio ecológico despertam a preocupação
com o meio ambiente e exigem, tanto da sociedade civil quanto acadêmica, estudos,
observações e consenso para o melhor convívio geral.
A sociedade humana vive em interdependência com o meio ambiente. No entanto, há
estudos que apontam a extinção gradual das abelhas nativas, importantes para a
continuidade cíclica de grande parte da flora.
A Constituição Federal em seu Art. 225, define como um direito fundamental, o meio
ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia
qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e
preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Com base nisso, propõe-se a ideia de
utilidade pública dos Jardins Melíferas.
Método de Propagação
Árvores
Astrapeia (Dombeia spp.) Estaca Introduzido
Butia (Butia spp.) Semente Nativo
Jerivá (Syagrus flexuosa) Semente Nativo
Inga (Inga spp.) Semente Nativo
Tucaneiro Semente Nativo
Pau-formiga (Triplaris spp.) Semente Nativo
Olandi (Calophyllum brasiliensis) Semente Nativo
Moringa (Moringa oleifera) Semente e
Estaca Introduzido
Arbustos Ocna (Ochna serrulata) Semente Introduzido
Ipoméia (Ipomoea carnea) Estaca Nativo
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Método de Propagação
Dracena (Dracaena fragrans) Estaca Nativo
Cordiline (Cordyline terminalis) Estaca Nativo
Ora-por-nobis (Pereskia spp.) Semente e
Estaca Nativo
Ervas de Floração
Perene
Maria gorda/beldroega (Talinum paniculatum/ T.
fruticosum)
Semente e
Estaca Nativo
Salvia-cidreira (Lippia alba) Estaca Nativo
Alfavaca anizada Semente Nativo
Manjericão Estaca Introduzido
Ervas de Floração
Anual
Mirra (Tetradenia riparia) Estaca Introduzido
Boldo (Vernonia condensata) Semente e
Estaca Nativo
Conheça as Plantas Melíferas usadas nos Jardins de Mel
Calliandra brevipes
Fucksia regia
Lantana camara
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Lantana fucata
Justicia floribunda
Stachytarpheta cayenensis
Rhododendron simpsii
Abelia x grandiflora
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Brunfelsia pilosa
Euphorbia pulcherrima
Jasminum mesnyi
Hydrangea macrophylla
Abutilon megapotamicum
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Buddleja davidii
Salvia splendens
Salvia guaranitica
Odontonema tubaeforme
Gaylussacia brasiliensis
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Schinus engleri
Ixora coccínea
É preciso cuidar enquanto há tempo. Os Jardins de Mel fazem parte do grande
tesouro brasileiro que é a biodiversidade. As abelhas são fundamentais para a perpetuação
das espécies vegetais e os humanos têm muito a aprender com a sua organização e
cooperação.
Remover enxame de um local seguro nidificado naturalmente, sem a real
necessidade é colocar o enxame em risco e crime ambiental. Remoção é crime: Lei nº 9605
de 1998.
Disponível em: https://www.curitiba.pr.gov.br/conteudo/jardins-de-mel/2944