| Tipo | Resolução |
|---|---|
| Número / Ano | 11 / 2015 |
| Date | 2015-12-15 |
| Ementa | INSTITUI COMO DISTINÇÃO HONORÍFICA DA CÂMARA MUNICIPAL DE VEREADORES DE PINTO BANDEIRA E MEDALHA "JOSÉ FRANCISCO PICCOLI". |
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'I \.I PROJETO DE RESOLUÇÃO N° 11/2015, DE 16 DE OUTUBRO DE 2015 Institui como distinção honorífica da Câmara Municipal de Vereadores de Pinto Bandeira a medalha" José Francisco Píccoli". Art. 1° - É instituída, na Câmara Municipal de Vereadores de Pinto Bandeira, com distinção honorífica, a Medalha "José Francisco Piccoli", que será outorgada a pessoas que tenham se distinguido por sua ação em favor do Município e outras que se hajam tomadas merecedoras do reconhecimento de Pinto Bandeira, assim como a visitante ilustre. Art. 2° - A distinção honorífica de que trata o Art. anterior, será cunhada em bronze, com a efígie do ilustre pintobandeirense, tendo a espessura de 01 (um) milímetro e diâmetro de 4,5 (quatro vírgula cinco) centímetros, a inscrição "CAMARA DE VEREADORES DE PINTO BANDEIRA - MEDALHA" JOSÉ FRANCISCO PICCOLI" e local específico, no verso, para identificar o homenageado e data da outorga. Art. 3° - Conferida a medalha, esta será registrada em livro especial, no qual conste, detalhadamente, os motivos que deram origem à homenagem, bem como uma síntese biográfica de personalidade homenageada e as assinaturas dos membros da Mesa do Poder Legislativo de Pinto Bandeira e do homenageado. Art. 4° - Anualmente, não poderão ser concedidas mais de três (03) medalhas. Parágrafo único: Haverá exceção ao disposto - neste artigo, quando um acontecimento extraordinário justificar a homenagem ou ainda quando a Câmara estiver em período de recesso parlamentar e não houver tempo hábil à convocação de Sessão para aprovação da outorga. Art. 5° - O Presidente da Câmara fará a entrega da distinção honorífica em qualquer reunião da Câmara, seja ela Solene, Extraordinária ou Ordinária. Parágrafo único - A entrega poderá acontecer fora do recinto da Câmara de Municipal de Vereadores de Pinto Bandeira, no local onde acontecer a solenidade. Art. 6° - A medalha será concedida após aprovação, pelo plenário, de Projeto de Resolução apresentado por 1/3 (um terço) dos Vereadores ou pela Mesa da Câmara de Vereadores. Art. 7° - A despesa decorrente deste Projeto de Resolução, correrá por conta de dotação orçamentária própria da Câmara Municipal de Pinto Bandeira. Art. 8° - Este Projeto de Resolução estrará em vigor na data de sua promulgação, revogada as disposições em contrário. GABINETE DA PRESIDÊNCIA DA CÂMARA MUNI CIPAL DE VEREADORES DE PINTO BANDEIRA, aos dezesseis dias do mês de outubro de dois mil e quinze V~r.ADA '(r sidente Registrada e Publicada em 16 I P.. I l~ ._,- ._,---- , HISTORIA DA VIDA , JOSE , FRANCISCO PICCOLI 'RIMERIIS CURASDI CURATI sll 'AUll A,OSTlll EMSilVA 'INTI 1. Pe. José Francisco Píccoli (10 Cura de Silva Pinto"] Parece que oriundo de Mântua (Mantova - Vive), foi franciscano com o nome de Frei Atanásio, pertencente à Província de Veneza. Dele se sabe que foi missionário na Albania, em Scopie, e em Épiro na Grécia desde 1867 a 1880. Depois estabeleceu-se em Mântua. Sua conduta nunca merecera censura. Tendo seus pais e irmãos emigrados ao Rio Grande do Sul e encontrando-se em muita pobreza, pediu a Roma o breve de secularização (1888), suplicando que fosse despachado grátis por falta de meios. Escreveu ao cardeal Prefeito da Propaganda, em data de 23/07/1888, com atestado do bispo de Mântua Dom José Sarto, futuro São Pio X, para que pudesse partir com faculdades de Missionário Apostólico, pois iria exercer o ministério num Curato entre os imigrados italianos na Arquidiocese de Porto Alegre, RS. Mas a propaganda, 08/08/1889 diz que não poderia receber tal título por ter alcançado breve de dispensa da Ordem Franciscana e que como Padre secular não depende mais daquele Dicastério. Aceito na Arquidiocese de Porto Alegre, em 1889 foi nomeado Coadjutor de Garibaldi, RS. Depois passou a Capelão de Silva Pinto2 (19/04/1890 - 10/09/1892), hoje Pinto Bandeira, RS. Finalmente, foi provisionado Cura de São Francisco da Linha Zamith, logo chamada Montebello, hoje Monte Belo do Sul, onde paroquiou de 1892 a 1904, com exceção do ano de 1894, quando substituiu o Pe. Bartolomeu Tiecher em Garibaldi. Em Montebello o Pe Francisco José Piccoli trabalho com zelo e sucesso, construiu a igreja matriz, adquiriu os sinos e fundou o colégio da Sagrada Família, sob a direção das Irmãs do Puríssimo Coração de Maria. Dele não temos em mão outras notíeras, O Padre Francisco José Piccoli era Franciscano. Com autorização dos superiores, tornara-se sacerdote Diocesano. Não conhecemos a data de sua chegada ao Brasil. Em 1899 foi nomeado Coadjutor de Dona Isabel, passando a residir junto à Capela de São Pedro Situada no n" 28 da Linha Jansen, hoje Capela de São Pedro no 28 em Pinto Bandeira). Ocupando tal cargo, ajudou muito os colonos da atual Paróquia de Silva Pinto, que trabalhavam com afinco para conseguir um padre que permanecesse junto a eles. Deve ter muitas vezes, visitado os moradores e sentido as necessidades da localidade. 1 Livro Tombo nº 02, fI. 01 2 Rubert, Arlindo. Clero Secular Italiano no RioGrande do Sul(1815 - 1930) - Padresdos ImigrantesLiv. Editora Pallotti, Santa Maria - RS- Brasil-1977. Pág.82 e 83. ----- • Depois de muitos esforços, viu finalmente, para imensa alegria dos que tanto havia ajudado para conseguirem uma Paróquia em Silva Pinto, realizada sua grande aspiração. No ano de 1890, um Decreto do então Vigário Capitular, Monsenhor Vicente Ferreira da Costa Pinheiro, criava o Curato de São Paulo da Linha Silva Pinto. O decreto foi assinado no dia 17 de março. O próprio Padre Piccoli foi nomeado primeiro Cura. Moraria ele interinamente junto à Capela da Anunciata, existente desde 1882 no n? 12 da mesma Linha Silva Pinto. A casa canônica não estava em condições de ser ocupada. Escreveria ele mais tarde: "Esperando eu que ficasse pronta a casa no n° 12 da Linha Silva Pinto, não pude fazer meu ingressoformal antes do dia 16de abril, o qualfoi muito festivo para esta população. Iniciei logo o trabalho de unir asfacções e serenar os ânimos. Visitei todas asfamílias do Curato. Adquiri definitivamente o terreno onde seria construída a Capela de São Paulo, que custou 132.000 réis, incluídas as despesas de cartório. Construí a capela de madeira, onde celebrei nos diasfestivos". Sabemos, por testemunhas, que não foi fácil o trabalho de "unir as facções e serenar os ânimos". Sofreu terríveis dissabores e mesmo perseguições, a ponto de ter que passar dias escondido debaixo de peráus, onde pessoas caridosas lhe levavam o que comer. A visita que fez a todas as famílias, tampouco deverá ter sido fácil. Andando pelas primitivas picadas, sempre retas, não desviando aclives e declives, dando a impressão, muitas vezes, de verdadeiras escadarias, seria para desalentar até os mais hábeis cavaleiros. Padre Piccoli a tudo enfrentou, pois além do mais, conheceria as dificuldades do seu povo. Passou família por família, tomando nota do nome da Linha, número da Colônia, nome e idade dos pais e de todos os filhos, que na época, não eram poucos. Anotou ainda, quem já tinha feito a primeira comunhão e havia sido crismado. Foram visitadas 303 famílias. O número de pessoas era 1.725. O resultado do levantamento é conservado no arquivo paroquial. A mudança de residência, embora todos soubessem que era provisória, da Capela da Anunciata para a de São Paulo, não deve ter sido muito pacífica. Debates e controvérsias sempre acontecem em momentos assim. Deverá ter tido paciência e caridade, mas também muita energia, para poder superar todos os embaraços que se lhe opunham. Além da construção da Capela de São Paulo, iniciou a casa canônica, por sinal muito espaçosa, conforme atestam as fotografias que ainda se conservam. Não teve a felicidade de vê-las concluídas, pois em 1892 foi transferido para a Linha Zamith de Montebello, hoje Monte Belo do Sul. No dia 30 de julho de mesmo ano, tomou posso da nova Paróquia, permanecendo até o dia 25 de março de 1894, quando foi transferido para a Paróquia de Conde D'Eu, hoje Garibaldi. Aos 13 de setembro de 1895, reassume a Paróquia de Montebello até 19 de dezembro de 1903. Atendeu, por vezes, também a paróquia de Santa Tereza, pois durante sua gestão em Montebello, a vinha paróquia ficara vacante. Em 1898 conseguiu que as Irmãs do Imaculado Coração de Maria se instalassem em sua paróquia. Cedeu a elas a própria casa de pedra, com sobrado. Reservou para si, apenas uma pequena sala ou quartinho para guardar o milho para os seus animais. Podemos afirmar, com toda a razão, que o Padre Francisco José Piccoli, sem sombras de dúvidas considerando o fundador da sede do distrito de Pinto Bandeira, hoje município, é uma das figuras mais injustiçadas do distrito. Não há nada, mas nada mesmo, que recorde seu nome. Oxalá chegue o dia em que justiça seja feita. É muito belo e patriótico homenagear os heróis nacionais; não podemos, porém, esquecer que não existiria o herói nacional ou mesmo mundial, se não houvesse o herói regional. É das diversas localidades que se forma a pátria, e é das pátrias que se forma o contexto das nações.