CÂMARA MUNICIPAL DE DOM EXPEDITO LOPES
ESTADO DO PIAUÍ
CNPJ: 07.450.711/0001-07
Praça Francisco Belo, S/N, Centro, 64620-000, Dom Expedito Lopes/PI
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PROJETO DE LEI Nº 020 / 2025
“DISPÕE SOBRE A ALTERAÇÃO DE DENOMINAÇÃO
DA RUA, E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS”.
RAMON COSTA BELO DE LIMA, VEREADOR DO PT, Presidente da Câmara
Municipal de Dom Expedito Lopes – PI, no uso de suas atribuições legais, trouxe para Esta Casa
Legislativa Municipal para apresentação, discussão e votação o presente Projeto de Lei:
Art. 1º - Fica alterado a denominada da Rua Timoleão de Brito para Rua Ana Rosa
Pereira de Moura (DONA ANI), conforme os termos do Anexo I desta Lei, nos inícios e limites
estabelecidos pelas coordenadas demarcadas para a referida Rua desta cidade.
Art. 2º - As despesas decorrentes com a execução da presente Lei, correrão por conta de
dotações orçamentárias próprias, ou suplementadas, se necessárias.
Art. 3º - A presente Lei entra em vigor na data da sua publicação.
Dom Expedito Lopes - PI, 02 de junho de 2025.
________________________________________________________
RAMON COSTA BELO DE LIMA
VEREADOR DO PT
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JUSTIFICATIVA
Por tudo o que representa para a história da educação, da dignidade humana,
da construção social e do desenvolvimento do município de Dom Expedito Lopes – PI, é mais
do que justo e necessário que a memória da Professora Ana Rosa Pereira de Moura – Dona
Ani seja eternizada através da designação de seu nome a um logradouro público da cidade.
Propõe-se, portanto, a nomeação da rua onde atualmente residem três de
seus filhos biológicos, todos nascidos, casados e ainda moradores de Dom Expedito Lopes,
como Rua Professora Ana Rosa Pereira de Moura (Dona Ani).
A escolha desta rua se justifica pelo forte vínculo histórico, afetivo, familiar e
territorial que a homenageada e seus descendentes mantêm com essa via pública e com a
cidade. Trata-se de um reconhecimento justo à mulher que marcou a história da educação
local, contribuiu com a organização social do município e cujo legado ainda pulsa na vida de
seus filhos, netos e ex-alunos — muitos dos quais hoje são cidadãos honrados e profissionais
formados sob sua orientação.
Conclusão
A vida de Dona Ani transcende a biografia de uma professora. Ela é símbolo
de fé, dedicação, amor ao próximo e ao saber. Seu nome representa resistência, compromisso
e transformação social. Dar o nome dela a uma rua é dar nome à própria história da cidade,
reconhecendo o valor dos que, mesmo sem jamais buscarem recompensa, foram pilares da
nossa formação coletiva.
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ANEXO I
Projeto de Lei nº. 020/2025 – Rua Ana Rosa Pereira de Moura
PONTO 01 6°57'36"S 41°38'52"W e PONTO 02 6°57'10"S 41°38'45"W
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Biografia de Ana Rosa Pereira de Moura (Dona Ani)
Uma vida de serviço, amor e educação
Ana Rosa Pereira de Moura, conhecida com carinho por todos como Dona Ani, nasceu em 8 de maio
de 1926, em Pedro II, Piauí. Filha de Joana Rosa Pinheiro e Antônio Pereira de Sousa, formou-se
professora primária ainda jovem, profissão à qual dedicaria toda a sua vida com paixão, vocação e um
inabalável espírito de missão.
Em 1944, casou-se com o militar José Francisco de Moura, natural de Picos, Piauí — homem simples,
viúvo e pai de quatro filhos. Na época, a família de Dona Ani resistiu ao casamento, mas o amor falou
mais alto. O soldado teve que pedir baixa da Polícia Militar para se casar com ela, mas, após o
matrimônio, por sua forte vocação, reintegrou-se à corporação, servindo à Polícia Militar do Piauí com
honra, zelo e integridade ao longo de sua carreira.
Raízes no Sertão e Missão no Magistério
Logo após o casamento, o casal mudou-se para a Colônia de Oeiras, nas chamadas Fazendas Estaduais
(Saco Nacional), onde o sargento foi designado e Dona Ani começou a lecionar. Em 1949, diante de
conflitos e desordens locais nas obras da estrada que ligaria Picos a outros municípios, José Francisco
de Moura — já conhecido por todos como Zé Maroto — foi removido para o povoado Cabeço, a 26 km
de Picos, sua terra natal.
Dona Ani o acompanhou com os dois filhos pequenos, Marilene (nascida em 1947) e Edvaldo (em
1948). Ao chegarem, ela se tornou a primeira professora do povoado Cabeço, e ele, o responsável pela
segurança pública local. Ali se estabeleceram e passaram mais de 50 anos dedicados à comunidade,
atuando como educadora e policial, mas também como enfermeira, conselheira, religiosa e agente do
bem comum.
Muito além da sala de aula
Dona Ani não se limitava à função de ensinar. Andava léguas a pé ou montada em animais para aplicar
injeções, visitar alunos ou atender a comunidade. Organizava celebrações religiosas, levava bispos e
padres à cidade, promovia leilões e festividades para angariar recursos para a escola e a igreja. Era
referência moral e intelectual.
Foi ainda a primeira educadora de muitos cidadãos de Dom Expedito Lopes, inclusive de seus próprios
filhos. Preparava seus alunos para o Exame de Admissão, que permitia o ingresso ao antigo ginásio,
geralmente em outros municípios.
Além disso, era escolhida para receber autoridades políticas e religiosas, graças ao seu prestígio,
postura ética e capacidade de representar com dignidade a comunidade. Atuou como professora,
diretora e coordenadora. Após meio século de ensino, aposentou-se com honra, mas continuou sempre
disponível — substituía colegas, assumia turmas e nunca deixava seus alunos desassistidos.
Participação histórica na política local
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Em uma época em que poucas mulheres ousavam participar da política, Dona Ani fez história ao
integrar a primeira chapa política que lutou pela emancipação do povoado Cabeço, ao lado de Manoel
de Regina. Foi candidata a vice-prefeita, representando com coragem, clareza e compromisso o desejo
da população de se ver transformada em município. Sua participação ativa nesse processo foi crucial
para o nascimento de Dom Expedito Lopes, refletindo sua liderança natural e sua profunda ligação
com a terra e com o povo.
Uma mulher, um exemplo
Mãe de nove filhos (sendo oito biológicos e um adotivo), Dona Ani soube equilibrar o papel de mãe,
esposa, professora e cidadã exemplar. Seu marido, José Francisco de Moura, também teve trajetória de
destaque: foi conhecido como Sargento Maroto e atuou como delegado de Dom Expedito Lopes, tendo
forte atuação na segurança e pacificação da região.
O casal viveu com simplicidade, bravura e profundo amor à missão de servir. Jamais esperaram
reconhecimento, mas o povo não os esqueceu.
Um legado eterno
Hoje, é mais que justo que seu nome seja eternizado em ruas, praças ou instituições da cidade que
ajudou a construir. Dom Expedito Lopes, que ela viu nascer e florescer, guarda em suas raízes a história
de uma mulher que ensinou, cuidou e inspirou. Três de seus filhos ainda moram na cidade — onde
nasceram, se casaram e decidiram permanecer, honrando a terra dos pais.
Ana Rosa Pereira de Moura — Dona Ani — não foi apenas uma professora: foi uma força de vida, de
fé e de formação humana. Um nome que merece ser lembrado com respeito, orgulho e gratidão.