PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 02/2026
Concede Título de Cidadão Bananeirense (in
memoriam) ao Venerável Padre José Antônio de
Maria Ibiapina..
Vereadora Lucivânia Barbosa Oliveira da Silva, usando as
atribuições que lhe conferem a Lei Orgânica Municipal e o Regimento
Interno da Câmara de Vereadores, apresenta o seguinte Projeto Decreto
Legislativo:
Art. 1º – Fica concedido (in memoriam) ao Venerável Padre José
Antônio de Maria Ibiapina. o Título de Cidadão Bananeirense.
Art. 2º – A Mesa da Câmara Municipal de Bananeiras fica autorizada a
providenciar a honraria que será entregue em Sessão Solene, previamente
marcada e convocada para esse fim.
Art. 3º – Este decreto entrará em vigor na data de sua publicação.
Art. 4º – Revogadas as disposições em contrário.
Sala das Sessões da Câmara Municipal de Bananeiras, 22 de Abril de 2026
Lucivania Barbosa Oliveira da Silva
Vereadora PSB
Venerável Padre José Antônio de Maria Ibiapina (1806–1883)
O Venerável Padre José Antônio de Maria Ibiapina nasceu no dia 5 de agosto
de 1806, na cidade de Sobral, Ceará. Foi o terceiro filho de Francisco Miguel Pereira e
de Tereza Maria de Jesus, família profundamente marcada pela fé e pelo espírito de
trabalho. Desde cedo revelou inteligência viva, sensibilidade religiosa e forte senso de
justiça. Iniciou seus estudos em Icó, na escola de primeiras letras do mestre José
Filipe, e posteriormente seguiu para Olinda, onde prosseguiu sua formação
intelectual.
Antes do sacerdócio, Ibiapina destacou-se como homem público e jurista.
Formou-se em Direito em Olinda, na primeira turma, exercendo com brilho a
advocacia, inclusive com atuação marcante em Areia, na Paraíba. Ao longo de sua vida
civil, exerceu relevantes funções como professor, advogado, deputado geral do
Império e juiz de direito em Quixeramobim, no Ceará. Seu talento jurídico e sua
retidão moral eram amplamente reconhecidos. Contudo, no auge da carreira,
experimentou um profundo chamado interior que o levou a abandonar a vida pública
para dedicar-se inteiramente a Deus e aos pobres.
Após um período de discernimento e vida recolhida, recebeu a ordenação
sacerdotal em 3 de julho de 1853. A partir desse momento iniciou a fase mais fecunda
de sua missão. Como sacerdote, percorreu incansavelmente o Nordeste —
especialmente Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte — tornando-se
conhecido como o Peregrino da Caridade.
Padre Ibiapina não foi apenas pregador; foi verdadeiro construtor de
esperança. Suas missões populares reuniam multidões e produziam frutos concretos
de transformação social e espiritual. Entre suas principais obras destacam-se a
fundação das Casas de Caridade — sendo a primeira em Gravatá do Ibiapina, atual
Jaburú, no ano de 1860 —, a construção de igrejas e capelas, a abertura de açudes e
cacimbas para enfrentar os efeitos da seca, a criação de cemitérios para o
sepultamento digno dos pobres, a promoção da educação de órfãs e jovens e a
organização do trabalho das beatas (superioras) e dos beatos, seus principais
colaboradores. As Casas de Caridade tornaram-se verdadeiros centros de promoção
humana e cristã, acolhendo órfãs, educando meninas e socorrendo os mais
necessitados.
Aqui, em Parari, antiga povoação de Pombas, o Venerável Padre Ibiapina
deixou também uma marca viva de sua caridade missionária em solo paraibano.
Movido pelo zelo pelos mais pobres, promoveu entre nós a construção de uma das
maiores Casas de Caridade de toda a sua obra, contando com o apoio generoso dos
proprietários da região. Inaugurada em outubro de 1866, a casa tornou-se sinal
concreto de esperança para o nosso povo, acolhendo necessitados, educando e
promovendo vidas. Seu trabalho prestado à nossa cidade de Parari permanece como
herança luminosa de fé e caridade. Até hoje, essa presença do Venerável é patrimônio
espiritual de Parari e motivo de legítimo orgulho para todos nós que reconhecemos a
grandeza de sua missão.
Uma das grandes intuições do Venerável foi estruturar uma ampla rede de
colaboradores. As beatas, como superioras, eram responsáveis pela educação,
disciplina e cuidado das órfãs, enquanto os beatos se encarregavam dos trabalhos
externos, da agricultura, da criação de animais, das construções e, em alguns casos,
também do magistério. Essa organização permitiu que sua obra se expandisse por
amplas regiões do Nordeste, mesmo em contextos de extrema pobreza.
Nos últimos anos de vida, já enfermo e fisicamente limitado, Padre Ibiapina
retirou-se para Santa Fé, em Solânea, na Paraíba, onde viveu seus últimos sete anos.
Ali continuou orientando espiritualmente sua obra até falecer em 19 de fevereiro de
1883, deixando fama de santidade profundamente enraizada no coração do povo.
Segundo a piedosa tradição, em seus momentos finais foi consolado pela visão da
Santíssima Virgem Maria.
A memória de sua vida santa nunca se apagou no Nordeste. Após o processo
canônico, a Igreja reconheceu oficialmente a heroicidade de suas virtudes e, em 28 de
março de 2025, declarou Padre Ibiapina Venerável, propondo-o como modelo seguro
de vida cristã e de caridade heroica. Seu legado permanece vivo de modo especial no
Memorial e Santuário Venerável Padre Ibiapina, em Santa Fé, Solânea-PB, que
continua a acolher romeiros e devotos, mantendo acesa a chama da caridade que
marcou toda a sua existência.