PROJETO DE LEI 001 DE 20026
Ementa: Fica nomeada a Policlínica Dr. Aldo
Mota
Art. 1º Fica nomeada a policlínica do Município de Carpina como Dr. Aldo
Mota, localizada na Avenida Presidente Getúlio Vargas no bairro São José.
Art. 2º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 3º Fica revogada todas as disposições em contrário.
Sala das sessões da Câmara Municipal de Carpina em 23 de janeiro
de 2026.
Júnior de Salete
Chic do Camarão
Dr. Fernando Augusto
Dr. Paulo Fernando
Dr. Wagner
Wedja de Bila
Faraó
Gaspar da Ambulância
G Motos
Guilherme de Lia
Heitor Lapa
Neto de Kakai
Preto do IPSEP
Xandinho
Cássia do Moinho
Biografia de Dr. Aldo Azevedo Mota
Médico e humanista pernambucano
Nascido em 6 de dezembro de 1936, na Fazenda Cajueiro, em Sanharó,
Agreste pernambucano, Dr. Aldo Mota era o filho mais velho de Sr. Arthur Mota
Valença, agricultor, e de dona Alayde Azevedo Mota, do lar. Teve três irmãos:
Adilza, Adail e Almir.
Iniciou seus estudos em escolas municipais e concluiu o primário ainda
em Sanharó. Mais tarde, já morando em Recife, foi aprovado no Colégio
Oswaldo Cruz, onde cursou o Ginasial e o Científico, concluindo-os em 1959.
Nesse mesmo ano, prestou vestibular para Medicina, sendo aprovado na
Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e na Faculdade de Ciências
Médicas. Optou pela UFPE, formando-se em dezembro de 1964.
A escolha pela Medicina surgiu ainda aos dez anos de idade, quando
perdeu seu irmão mais novo, Almir, vítima de apendicite aguda e de imperícia
médica. O episódio marcou profundamente o menino Aldo, que decidiu dedicar
sua vida a aliviar o sofrimento das pessoas, “foi achado pela Medicina”, como
costumava dizer.
Durante a graduação, participou de cursos e estágios em maternidades,
emergências e clínicas cirúrgicas, ortopédicas e obstétricas, em hospitais de
Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. Ao retornar a Pernambuco, prestou concurso
público e iniciou sua carreira como médico cirurgião na Unidade Mista de
Carpina, em 1965, onde chegou a ocupar o cargo de diretor.
Em 1967, foi transferido para o Hospital Pronto Socorro, no Recife, e logo
participou da transição para o novo Hospital da Restauração (HR). Lá, construiu
uma trajetória exemplar, atuando como cirurgião auxiliar, cirurgião chefe, chefe
de emergências, diretor médico e vice-diretor. Por insistência dos colegas e
funcionários, assumiu a Direção Geral do hospital, onde exerceu liderança com
ética, sensibilidade e firmeza.
Durante sua gestão, coordenou uma grande reforma estrutural e funcional
no HR, sem interromper os atendimentos de emergência, tanto adultos quanto
pediátricos. Ao final de seis anos e meio de direção, deixou o hospital com
Biografia de Dr. Aldo Azevedo Mota 1
duas emergências plenamente equipadas e uma estrutura de atendimento
reconhecida em todo o estado.
Visionário, fundou e dirigiu dois hospitais privados, o Hospital de Paudalho
e o Hospital das Clínicas de Carpina, onde continuou atuando como médico e
diretor. Em 1983, a convite do então governador Roberto Magalhães e do
presidente da Assembleia Legislativa, Dr. João Ferreira Lima, passou a integrar
o Departamento Médico da ALEPE, onde exerceu as funções de diretor e,
posteriormente, de superintendente de saúde, cargo que manteve com
dedicação e profissionalismo exemplar.
A rotina de Dr. Aldo era admirável. Seus dias pareciam ter mais de 24
horas. Acordava às 5h30, cuidava dos seus animais de estimação, tomava um
café rápido e seguia para o hospital, todos os dias, inclusive feriados e fins de
semana. Às 7h já estava atendendo pacientes, cerca de 20 por manhã, todos
com a mesma atenção e empatia. Nos dias de cirurgia, pedia a conta de quantas
horas passava no bloco cirúrgico. Quase nunca almoçava na hora certa;
costumava juntar o almoço com o jantar para não “perder tempo” com a digestão.
Seu dia terminava por volta das 21h, às vezes mais tarde.
A única exceção à rotina incansável eram as manhãs de domingo, quando
fazia questão de tomar café da manhã com o seu filho, Aldo Mota Jr. Embora à
tarde já voltasse ao trabalho, ou então seguisse para a Fazenda Cajueiro, em
Sanharó. Mesmo após uma cirurgia de revascularização cardíaca, já aos 72
anos, recusou a aposentadoria, dizendo: “No dia em que eu parar, estou morto.”
Essa frase traduzia sua essência: disciplina, amor à profissão e
generosidade. Pai e avô dedicado, Dr. Aldo foi também um exemplo de
humanidade.
Ao longo da vida, conquistou o respeito dos colegas e a gratidão dos
pacientes. Soube unir técnica, liderança e compaixão. Desde que deixou a
Fazenda Cajueiro, levou consigo os valores herdados dos pais, valores que
enobrecem e dignificam o ser humano. Dr. Aldo Mota foi médico, cirurgião,
gestor, pai, avô e, acima de tudo, um exemplo eterno de dedicação à medicina
e à vida.
Texto de Maria Clara Mota, neta
Biografia de Dr. Aldo Azevedo Mota