| Tipo | Título de Cidadão |
|---|---|
| Número / Ano | 11 / 2026 |
| Date | 2026-05-15 |
| Ementa | Concede o Título Honorífico de Cidadão do Município de Amargosa ao Sr Kevin Felix da Costa. |
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PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO N°. 000/2026
CONCEDE O TÍTULO HONORÍFICO DE CIDADÃO DO MUNICÍPIO DE AMARGOSA AO SR KEVIN FELIX DA COSTA.
O PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE AMARGOSA, Estado da Bahia, no uso de suas atribuições legais,
DECREТА:
Art.1°. Fica concedido o Título Honorífico de Cidadão do Município de Amargosa ao Sr. Kevin Felix da Costa.
Art. 2°. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 3º. Revogam-se as disposições em contrário.
Plenário da Câmara Municipal de Amargosa, em xx de maio de 2026.
Autor:
José Vaz Sampaio Filho
Vereador
JUSTIFICATIVA
Kevin Felix da Costa, 31 anos, nasceu em Feira de Santana, Bahia, em 25 de setembro de 1994. Atualmente sou investigador da Polícia Civil, lotado no município de Amargosa-BA.
Fui adotado por uma família maravilhosa, da qual não posso deixar de citar minha mãe, Dona Márcia, uma verdadeira guerreira, que sempre lutou muito para me proporcionar uma ótima educação e me ensinar valores fundamentais. Foi ela quem me mostrou o que significa ser um homem de verdade, além de representar um grande exemplo de honestidade, honra e caráter. Meu avô, Seu Luiz, também foi um grande exemplo de homem. Cuidou de mim como um pai, e foi exatamente isso que ele representou enquanto esteve neste plano: meu avô e meu pai, meu “avôhai”, como está marcado em minha pele. Minha avó, Dona Didi, também teve papel essencial em minha criação, sendo realmente uma segunda mãe para mim. Não posso deixar de mencionar minha irmã, Josi, que ajudou a me criar, me ensinou desde cedo o que era certo e sempre esteve ao meu lado como companheira e confidente.
Foi ela também quem me apresentou um grande amigo: meu cunhado Anderson. Tenho ainda muita gratidão por minha tia Edneide, sempre muito presente em minha vida, contribuindo diretamente para minha educação e criação. Como é possível perceber, fui muito agraciado desde criança. Recebi uma ótima educação, tanto acadêmica quanto pessoal, e todas as pessoas ao meu redor sempre buscaram me transmitir o melhor delas. No antigo bairro Jardim Cruzeiro, fiz dois grandes amigos: Sandoval e André. São amizades verdadeiras e duradouras que preservo até hoje. Com eles vivi momentos inesquecíveis na infância. Apesar de serem mais velhos, sempre brincaram comigo, e juntos descobrimos uma paixão que carrego até hoje: a natação. Nadamos, competimos e construímos uma parceria muito forte.
Outra figura fundamental em minha infância foi meu primo Danilo, que não sei definir se é primo, irmão ou pai. Com ele vivi momentos marcantes, como aprender a andar de moto,
sair para lugares duvidosos como toda boa juventude e aprender, de fato, como a vida funciona.
Nunca fui um excelente aluno na escola, ficando de recuperação praticamente todos os anos. Ainda assim, foi lá que fiz um grande amigo, hoje meu compadre: Marcos, mais uma amizade verdadeira que pretendo levar para toda a vida. Após a escola, fui abençoado por Deus com a aprovação no curso de Bacharelado em Ciências Exatas e Tecnológicas e, posteriormente, em Engenharia Mecânica, na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Com essa aprovação, precisei morar em Cruz das Almas, onde vivi ótimos momentos da juventude. Estudei, fui a festas e construí grandes amizades, entre elas Tasso, Jorda e Joshua. Foi também em Cruz das Almas que conheci o amor da minha vida: minha esposa, Jamille, hoje mãe da nossa filha Valentina. Com ela, ganhei uma segunda família, da qual já me considero filho. Vieram mais duas mães, Telma e Vera; um grande amigo e sogro, Índio; uma irmã, Verônica; outra avó que amo muito, Vó Zulmira; e uma pessoa especial que preencheu um espaço vazio desde 2014: Val, meu sogro, que hoje considero como um pai. Quando decidi realmente estudar e concluir minha formação, veio a pandemia, em 2020.
A formatura atrasou e minha mãe, sempre muito sábia, me incentivou a estudar para concursos. Desde criança, meu sonho era ser policial, e tenho certeza de que meu avô Luiz teria muito orgulho disso. Naquela época, eu fabricava móveis de madeira para ganhar algum dinheiro, pois ainda não tinha emprego fixo. Estudava pela manhã e trabalhava à tarde, em uma fase da vida da qual sinto muita saudade. Estudei intensamente e, após quase um ano, veio o tão sonhado concurso da PRF. Infelizmente, não fui aprovado. Hoje acredito que talvez ainda não fosse o momento certo. Confiei em Deus e continuei estudando. Após essa reprovação, eu estava sem trabalho, mas queria continuar perseguindo meu sonho. Apesar de todo o apoio da minha mãe, havia algo dentro de mim que não permitia deixar esse peso apenas sobre ela. Foi então que Diego, um amigo da faculdade, me chamou para trabalhar com internet. Trabalhamos juntos até 2023. Durante todo esse período, Jamille esteve ao meu lado, me apoiando, cuidando de mim e fazendo
o possível para que eu não desistisse dos meus sonhos. Ela foi um dos pilares fundamentais de tudo o que construímos até hoje. Vivemos muitas coisas juntos, aproveitamos cada fase e fomos muito felizes. Após uma viagem de trabalho para São Paulo, em outubro de 2021, decidimos nos casar, durante uma passagem por Morro de São Paulo. A data escolhida foi 28 de janeiro de 2022. Quem me conhece sabe que sou um pouco esquecido, então preferi deixar aniversário de namoro e casamento no mesmo dia para evitar futuros conflitos. Tínhamos apenas três meses para organizar tudo. Foi uma correria enorme, mas deu certo. Tudo ficou ainda melhor do que imaginávamos: uma festa linda, cercada de amigos e familiares, da qual guardamos memórias inesquecíveis. Depois de casado, saiu o tão esperado edital da Polícia Civil da Bahia. Eu sabia que aquela era minha oportunidade e que precisaria de dedicação máxima. Conversei com Jamille, e ela compreendeu que eu precisaria abdicar de muitos momentos juntos para estudar. Mais uma vez, foi minha parceira em tudo. Veio a prova, consegui ser aprovado, e ao mesmo tempo estávamos tentando engravidar, porém sem sucesso. Foi então que procuramos um médico. Após exames, descobrimos a causa da infertilidade. Precisei passar por uma pequena cirurgia e, três meses depois, recebemos a notícia de que Jamille estava grávida. Foi uma felicidade imensa para toda a família. Deus havia nos presenteado com nossa filha, que já sabíamos que se chamaria Valentina. As fases do concurso avançavam, fui aprovado em todas elas, e a gravidez seguia seu curso. Precisávamos viajar constantemente para Salvador para acompanhamento médico.
Então chegou o dia 20 de outubro de 2023, uma data que jamais esquecerei. Nossa pequena nasceu, mas precisou ir para a UCI devido a um desconforto respiratório, enquanto Jamille foi encaminhada para a UTI por questões cardíacas. Quem é próximo de mim já ouviu a história da corrida mais difícil da minha vida. No dia seguinte, saí para correr tentando aliviar a mente. Vi um lindo dia de sol, o mar azul, pessoas praticando esportes e sendo felizes, enquanto minha filha estava hospitalizada. Aquilo me abalou profundamente, e precisei parar para chorar. Com o passar do tempo, ambas voltaram para casa. Nessa época, eu ainda estava no curso de formação e passava a semana em Salvador, vindo para Amargosa apenas aos finais de semana.
Pouco tempo depois, durante um exame de rotina solicitado pela pediatra, recebemos a notícia mais difícil das nossas vidas: nossa filha era portadora de retinoblastoma, um câncer na retina. Eu sequer conhecia essa palavra até então. Quando achei que voltaríamos à normalidade, Deus nos mostrou um novo desafio. Valentina precisou realizar tratamento em São Paulo, no GRAACC (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer), instituição pela qual tenho eterna gratidão. Lá vivi os piores e também os melhores momentos da minha vida. Jamille e Valentina permaneceram quase cinco meses em São Paulo sem retornar para a Bahia.
Nossas famílias se uniram e fizeram muito além de suas possibilidades para nos apoiar naquele momento tão difícil. Após dez sessões de quimioterapia, nossa filha entrou em remissão fase que eu já considero como cura. Deus nos concedeu essa vitória após tanta luta. Ainda precisamos viajar periodicamente para exames, mas hoje, graças a Deus, ela não sofre mais como antes.
Mesmo em meio a tudo isso, consegui realizar meu grande sonho: me tornar policial, no dia da formatura, chorei muito... Cheguei a comentar com minha mãe que a única pessoa que eu queria que estivesse ali para me abraçar não estava mais fisicamente presente. Ainda assim, tenho certeza de que, onde quer que esteja, meu avô continua olhando por mim. Minha primeira lotação foi na 24ª DT, em Vera Cruz, um lugar intenso, mas que me apresentou grandes amigos: Sóstenes, Aníbal, Carlos, Thiago, Caio, Gel, Sameque, Ericlis e Léo. Permaneci lá por seis meses até conseguir transferência para Amargosa.
Mais uma vez, Deus encaixava as peças do meu quebra-cabeça. Meu compadre Roberto me ajudou muito nesse processo, sempre me tranquilizando e dizendo que tudo daria certo. Ao chegar em Amargosa, fui muito bem recebido pelos colegas Reinildo, Maurício e Álvaro, além do chefe Dr. Maia. Eles me apresentaram uma nova visão da polícia. Depois, conheci Lacerda, um amigo que pretendo levar para toda a vida e que também considero como um pai. Com muito mais tempo de polícia do que eu tenho de idade, ele sempre busca me orientar, transmitir ensinamentos e me ajudar a me tornar um policial melhor. Não posso deixar de citar Thaís, uma irmã que a polícia me deu! Bom, amigos, até aqui é isso.
Agradeço a Deus por todas as vitórias e, principalmente, por nunca ter me abandonado nos momentos difíceis, sempre segurando minha mão. Agradeço também a todos os citados nesta história. Vocês foram e continuam sendo fundamentais para que eu me tornasse quem sou hoje.