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materia nº 15/2004

Tipo PROJETO DE LEI ORDINÁRIA
Número / Ano 15 / 2004
Date 2004-07-30
EmentaDENOMINA PRAÇA PÚBLICA MANOEL ROMUALDO DA SILVA (MANOEL DE JOCA) NO BAIRRO SANTANA EM CABECEIRA GRANDE.
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PROJETO DE LEI Nº015/2004 
Denomina Praça Pública Manoel 
Romualdo da Silva (Manoel de Joca) no 
Bairro Santana em Cabeceira Grande. 
O PREFEITO MUNICIPAL DE CABECEIRA GRANDE, Estado de 
Minas Gerias, no uso das atribuições que lhe confere o artigo o artigo 76, inciso III da 
Lei Orgânica do Município, faz saber que a Câmara Municipal decreta e ele em seu 
nome, sanciona a seguinte Lei: 
 Art. 1º É denominado Manoel Romualdo da Silva – a Praça Pública Municipal 
de Cabeceira Grande, localizado na Rua Joaquim Santana de Melo Filho, - Bairro 
Santana, na Sede do Município. 
 Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. 
Cabeceira Grande (MG), 30 de Julho de 2004. 
VEREADOR ALBERTO MARTINS 
Quem foi Manoel Romualdo da Silva. 
Disse Guimarães Rosa, “as pessoas não morrem, ficam encantadas!” 
Esta frase é bastante inspiradora quando queremos falar de alguém que já se foi, 
deixando apenas seus encantos, suas alegrias e simplicidade. 
Manuel, um ser especial, porém simples e humano, nasceu em 23 de dezembro de 
1924, na Fazenda São Joaquim, Município de Cabeceiras de Goiás, onde viveu sua 
infância de adolescência. 
Manuel ‘de Joca’ como era carinhosamente referenciado pela família e 
amigos, era filho de Antônia Pereira Donato e João Romualdo da Silva, o seu Joca. 
Filho primogênito, teve 3 irmãos e 3 irmãs. Cresceu em meio a muitas pessoas, em um 
constante movimento de acolhida proporcionado pela família. 
Ao final da primeira infância começou a estudar graças à dedicação e 
sabedoria dos seus pais, que diante das restrições educacionais impostas à época, 
acolhiam e mantinham professores em sua propriedade para ensinar aos seus filhos e 
moradores próximos a eles. Alfabetizou-se no tempo em que a palmatória era um 
instrumento pedagógico apreciado pelos mestres na aplicação de corretivos. Cursou 
apenas o primário, e com seu pai aprendeu o ofício de trabalhar a terra e as práticas 
rurais. 
Em 1942, em pleno movimento da 2ª Guerra alistou-se no exército, 
sendo treinados no batalhão de infantaria em Santos/SP, de onde por correspondência 
informava a família das novidades, desafios e saudades. Ao fim de seu tempo, retornou 
à fazenda, mas jamais pode desligar-se deste período, o uniforme verde-oliva havia lhe 
conferido a alcunha que carinhosamente o acompanharia o resto da vida. Manuel 
Jandaia. 
A exemplo da ave, era muito alegre, festeiro e de espírito livre. Foi 
músico autodidata, apreciava muito cantar ao som dos acordes de seu violão. 
Costumava cavalgar léguas participando e promovendo festas. 
Seu esporte preferido foi o futebol, do qual transmitiu a filhos e netos a 
habilidade com a bola. Enfim, como um líder da mocidade da época caçou, pescou e 
fez suas farras como todo rapaz saudável. Nesse movimento apaixonou-se, ou quem 
sabe foi conquistado, pela jovem Maria de Lourdes Costa Vale, formosa pretendente a 
quem veio a desposar em junho de 1949, na Fazenda Palmito, vindo a residir por uma 
ano com sua família na Fazenda São Joaquim. 
Constituiu sua família sempre morando na região e superando o desafio 
de iniciar novas sedes nas fazendas Olho d’água e Trombas. A necessidade de educar 
os seus seis filhos pequenos levou-o a residir na cidade de Cabeceira Grande - MG 
ainda em 1951, onde se por desígnio ou iniciativa, hospedou as professoras Cleuza, 
Madalena e Célia, às quais pioneiramente muito contribuíram na educação dos filhos 
daquela cidade. 
Motivo pela mesma necessidade, visando a continuidade dos estudos 
dos filhos, mudou-se para Unaí/MG. Como era comum à época, durante esse 
movimento de mudanças, mantinha-se trabalhando como fazendeiro. 
Agricultor e pecuarista preservava a diversidade de produção com os 
derivados do leite, da cana-de-açúcar e da mandioca. 
Os eflúvios da Nova Capital fizeram com que trouxesse a família para 
residir em formosa/GO em 1967. Ao vender sua propriedade rural em 1969, assumiu o 
empreendimento de benefício de arroz em Cabeceira Grande, e por longo tempo fez 
deste ofício o sustento de sua família, agora já ajudado pela esposa e filhos mais 
velhos. 
Em 1876 sua família buscou definitivamente o domicílio em Brasília, 
pois ali estavam as únicas faculdades da região e as melhores oportunidade de 
trabalho. Apoiava-os nestes movimentos, mas sua natureza o mantinha residindo em 
Cabeceira Grande. Lá foi Juiz de Paz de 1964 a 1966 e Fiscal de Renda de 1977 a 
1978. 
Apreciador e incentivador dos movimentos políticos, sentia-se como 
mestre de cerimônias, na articulação e composição necessária à realização de suas 
aspirações. De lazer variado, era bom contador de histórias, piadista de primeira e 
mágico amador. Adorava brincar pregando peças àqueles amigos que desde a infância 
o acompanharam. Muitas são as lembranças de pilhérias destas amizades. Acreditava 
em Deus, e na religião Protestante fez seu caminho de fé. Lia diariamente a Bíblia e 
fazia suas orações. 
Em 1979, acometido de derrame, com restrições de movimento e na 
fala, deixa Cabeceira Grande para residir em Brasília, recebendo a atenção da família 
nos seus cuidados. Vive 19 anos reaprendendo um novo jeito de viver e conviver com 
as limitações de seu corpo, porém, sempre sorrindo e fazendo os outros sorrirem, 
agradecia a Deus cada instante de sua vida, jubilando-se sempre que reencontrava um 
de seus numerosos amigos antigos ou fazendo novas amizades. Teve assim a benção 
de ver seus filhos construírem suas vidas, construírem família e trazerem ao mundo 
seus dezesseis netos. 
Aos 73 anos de idade, em 02/12/1998, na companhia de sua esposa, da 
cunhada Iolanda e de sua filha de criação Madalena (Neguinha), a qual lhe dedicara 
nestes anos de invalidez sua atenção e cuidados, Manuel viu televisão, preparou-se 
para dormir, deitou-se e acenou para as três, afirmando que estava indo embora. 
Respirou profundamente e fechou os olhos. 
Morreu. – Não! Ficou encantado! 
Está sepultado no cemitério da família, na Fazenda São Joaquim a onde 
havia nascido há quase 74 anos atrás. 

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