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materia nº 16/2025

Tipo Projeto de Lei Ordinário
Número / Ano 16 / 2025
Date 2025-06-05
EmentaInstitui a Medalha Comemorativa “Francisco Antônio da Costa - Chico Sudário”, em homenagem aos 80 anos do Reinado de Cláudio/MG e dá outras providências.
native_id936

Autoria

Tramitação (latest 5)

DateStatusTurnoTexto
2025-07-16 Lei promulgada encaminhada à Câmara Municipal
2025-07-10 Proposição de Lei encaminhada à Prefeitura Municipal
2025-07-07 Encaminhado para confecção de Proposição de Lei
2025-06-16 Encaminhado para discussão e deliberação
2025-06-05 Encaminhado para análise e emissão de pareceres

Votações

DateResultadoSimNãoAbst.
2025-07-26T11:27:14.780528-03:00 Aprovado 9 1 0
2025-07-26T11:26:06.363765-03:00 Aprovado por Unanimidade 10 0 0

Documents (1)

texto original #

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PROJETO DE LEI N.º 16, DE 05 DE JUNHO DE 2025.
Institui a Medalha Comemorativa “Francisco 
Antônio da Costa - Chico Sudário”, em 
homenagem aos 80 anos do Reinado de 
Cláudio/MG e dá outras providências.
O Prefeito do Município de Cláudio, Estado de Minas Gerais, no uso de suas 
atribuições legais, propõe a seguinte Lei:
Art. 1º Esta Lei institui a Medalha Comemorativa Francisco Antônio da Costa 
―Chico Sudário", na forma que especifica. 
Art. 2º Fica instituída a Medalha Comemorativa ―Francisco Antônio da Costa -
Chico Sudário", destinada a reconhecer o mérito de cidadãos claudienses, ou não, que tenham 
contribuído de forma relevante para a preservação, valorização e promoção das tradições 
culturais do Reinado de Cláudio..
Parágrafo único. A Medalha de que trata este artigo terá, em uma das faces, o brasão 
do Município de Cláudio e, na outra, a coroa símbolo do Reinado, acompanhada dos dizeres 
―MEDALHA CHICO SUDÁRIO‖, sendo acondicionada em estojo de veludo.
Art. 3º A Medalha Comemorativa Francisco Antônio da Costa ―Chico Sudário" será 
outorgada, excepcionalmente, no ano de 2025, em comemoração aos 80 (oitenta) anos do 
Reinado de Cláudio, limitada à concessão de até 40 (quarenta) medalhas.
Art. 4º A Medalha será acompanhada de diploma contendo menção honorífica 
alusiva à homenagem, a ser entregue em sessão solene especialmente convocada pela 
Assessoria Municipal de Cultura e Turismo.
Art. 5º A seleção dos agraciados será realizada por uma Comissão composta por:
I – 2 (dois) representantes do Poder Executivo;
II – 2 (dois) representantes do Poder Legislativo; e
III – 4 (quatro) representantes da sociedade civil.
§1º A Comissão será instituída por Decreto do Poder Executivo e sua composição 
deverá ser amplamente divulgada.
§2º Caberá à Comissão definir os critérios para a escolha dos homenageados, 
observada a finalidade desta Lei.
Art. 6º As despesas decorrentes da execução desta Lei correrão por conta de dotações 
orçamentárias próprias, consignadas no orçamento vigente.
Art. 7º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Cláudio, 05 de junho de 2025.
JOSÉ RODRIGUES BARROSO DE ARAÚJO
Prefeito do Município
Cláudio, 05 de junho de 2025.
Mensagem nº. 16/2025
Assunto: Encaminha Projeto de Lei n.º 16/2025.
Excelentíssimo Senhor Presidente, 
Encaminhamos a essa Egrégia Casa de Leis, para apreciação dos Senhores 
Vereadores, o incluso Projeto de Lei que ―Institui a Medalha Comemorativa “Francisco 
Antônio da Costa - Chico Sudário”, em homenagem aos 80 anos do Reinado de Cláudio/MG 
e dá outras providências.‖.
O presente Projeto de Lei visa instituir a Medalha Comemorativa ―Francisco 
Antônio da Costa – Chico Sudário‖, como forma de reconhecimento público àqueles que, ao 
longo do tempo, contribuíram de maneira significativa para a preservação, valorização e 
fortalecimento do Reinado de Cláudio, manifestação cultural que, neste ano de 2025, 
completa 80 anos de existência.
A Medalha, criada de forma excepcional para esta data comemorativa, busca não 
apenas homenagear, mas também enaltecer os valores culturais, a religiosidade, a tradição e a 
identidade do povo claudienses, representados no Reinado e na atuação de personagens 
históricos como Francisco Antônio da Costa – Chico Sudário, importante figura na história 
dessa celebração, cuja biografia segue anexa a esta mensagem.
Certo da colaboração dos nobres Edis na valorização da cultura popular e 
reconhecimento daqueles que mantêm vivas as tradições locais, submeto o presente Projeto de 
Lei para análise e aprovação.
Qualquer dúvida suscitada poderá ser esclarecida através da Advocacia Geral do 
Município, que desde já se coloca à disposição dos Nobres Edis.
Renovamos a Vossa Excelência, nossa distinta consideração.
Atenciosamente,
JOSÉ RODRIGUES BARROSO DE ARAÚJO
Prefeito do Município
Excelentíssimo Senhor
REGINALDO SANTOS DE OLIVEIRA - SIMENTAL
Presidente da Câmara Municipal CLÁUDIO-MG.
Biografia de Francisco Antônio da Costa “Chico Sudário"
O Reinado em Cláudio existe desde antes de 1854, como é possível constatar em uma 
autorização datada de 27 de novembro daquele ano, concedida pelo bispo de Mariana, Dom 
Antônio Ferreira Viçoso, à Irmandade do Rosário, para a realização daquela que, 
provavelmente, é a mais antiga manifestação cultural do município de Cláudio. A festa 
acontecia na antiga Capela da Aplicação do Cláudio, que passou a se chamar Capela de Nossa 
Senhora do Rosário, situada nas imediações do antigo fórum. 
Por muitos anos a Festa do Rosário realizou-se naquela pequena igreja, até ser 
interrompida, provavelmente nos primeiros anos do século XX, por determinação do 
pároco local, Padre João Alexandre de Mendonça, que proibira sua realização devido 
à suspeita de rituais de magia negra entre os ternos.‖ [...] Naquele período, o Reinado 
passou a se realizar nas imediações da fazenda da Praia, tendo sido um dos últimos 
reis daquela época, o Coronel Joaquim da Silva Guimarães - Quinca Barão. Em 
alguns povoados os festejos foram mantidos, destacando-se o Bananal, onde os 
devotos e festeiros fizeram prevalecer o direito de professar sua fé, mesmo sem a 
aprovação da Igreja. Em 1945 era pároco de Cláudio, Padre Manuel da Cruz Libânio, 
que fez cessar a proibição exigindo da Irmandade a extinção de qualquer vinculo com 
rituais de feitiçaria, mantendo obediência aos preceitos católicos.‖ (Revista Estação 
Cultura p. 4 2007). 
Entre os participante do Reinado realizado em Cláudio em 1945, o primeiro desde a 
liberação pela Igreja Católica para acontecer novamente no município, merecem destaque os 
seguintes nomes João Ferreira de Oliveira e Maria Rosalina de Jesus foram coroados como Rei 
Congo e Rainha Conga. No ano seguinte, eles transferiram os títulos para Francisco Antônio 
da Costa, conhecido como Chico Sudário, e Maria dos Santos Neta. Este texto visa 
aprofundar-se nas pessoas que assumiram, ao longo do tempo, o título de reis e rainhas congas 
desta festa tão importante para o município e para a memória local, dando voz a suas famílias 
e a suas histórias.
Na ocasião de retomada da festa outras pessoas de destaque também são importantes 
são elas: Vicente Teodósio Clemente e Orentina Maria da Conceição ocupavam os cargos de 
reis perpétuos. Além de Teodoro Marcelino, como 1º Capitão-General, Pedro Marcelino, como 
2º Capitão-General, Antenor Rezende, exercendo a função de Capitão, Amâncio e Carlota, 
atuando como Capitães da Guarda.
A fim de aprofundar as informações sobre o retorno do Reinado a cidade de Cláudio, 
no dia 27/05/2025 foi realizada um entrevista com Dona Inocência conhecida como Cença, 
quitandeira renomada em Cláudio por suas empadas hoje com 91 anos é filha de Francisco 
Antônio da Costa conhecido em Cláudio como Chico Sudário, reconhecido em Cláudio como 
o primeiro Rei Congo do Reinado do município.
No início da entrevista foi interessante, pois ao pensar no apelido do pai ela chegou a 
chamá-lo por três vezes de Chico Rei - pode ser por lapso de memória, já que pelo adiantar da 
idade a memória de dona Censa não consegue relembrar com exatidão de alguns fatos, mas 
não deixa de ser curioso, considerando que Francisco Rei é uma figura lendária preservada na 
tradição oral de Minas Gerais, no Brasil. De acordo com os relatos populares, ele teria sido um 
rei de uma tribo do antigo Reino do Congo, capturado e trazido como escravizado para o 
Brasil. Após conquistar sua liberdade por meio do trabalho, também ajudou outros 
compatriotas a se libertarem e passou a ser reconhecido como "rei" na cidade de Ouro Preto.
Filho da escrava Sudária, Chico Sudário cresceu na fazenda da família Guimarães. Era 
apaixonado pela Festa do Rosário, que frequentava nas comunidades rurais, sempre 
acompanhado de seus companheiros Jacó, Antônio de Melo, Tião Domingos e Jesus do Israel.
Quando o Reinado voltou a ser celebrado em Cláudio, Chico Sudário assumiu o posto 
de Rei Congo, a mais alta autoridade da festa. Na tradicional chegada do rei — realizada aos 
domingos, o sexto dia da celebração que, no passado, durava sete dias — ele se apresentava 
com elegância: montado a cavalo e trajando um terno branco impecável. Não havia uma só 
pessoa que não se encantasse com sua presença marcante.
Quando adulto, Chico Sudário continuou trabalhando na Fazenda da Praia, para o 
senhor Quintinho e dona Florescena. Atuava como candeeiro, conduzindo o gado e ajudando 
na formação das lavouras de café. Por um período, morou no bairro Valongo, onde seus filhos 
mais velhos cresceram. Mais tarde, fixou residência nas terras que hoje se estendem da rua 
Aimorés até a rua Tupinambás, nas proximidades do córrego Lava-Pés.
Chico Sudário casou-se com Maria Neves Costa e teve dez filhos: sete homens e três 
mulheres — Francisco, José, Geremias, Antônio, João, Geraldo, Afonso, Maria Inocência e 
Sudária. Atualmente, apenas dona Inocência e dona Sudária estão vivas.
Ele foi um dos grandes colaboradores na construção da atual Igreja de Nossa Senhora 
do Rosário. Trabalhou como digitório e organizou festas com o objetivo de arrecadar fundos 
para a edificação da nova sede da igreja, hoje no bairro do Rosário. No bairro Bicame, onde 
reside dona Inocência, há uma rua que leva o nome de Chico Sudário — uma homenagem 
prestada pelo então prefeito Sebastião Rocha Aladim.
Quando Chico Sudário faleceu, em 1974, a coroa de Rei Congo foi passada a membros 
de sua família. Seu filho, Antônio Neves Costa, conhecido como Bonga, assumiu o posto 
naquele mesmo ano e permaneceu como Rei Congo até 1995. Durante as celebrações do 
Reinado, Bonga se posicionava contra a homenagem à Princesa Isabel, pois não reconhecia 
nela a responsável pelo fim da escravidão — atribuindo essa conquista à luta e resistência de 
seus antepassados.
Posteriormente, o título foi transferido para Francisco Romualdo Costa, conhecido 
como Zé do Bonga. Embora resida atualmente em São Paulo, ele há mais de 30 anos retorna a 
Cláudio para participar da festa do Reinado, em respeito e reverência à tradição. Em conversa 
telefônica realizada no dia 28 de maio de 2025, Francisco Romualdo declarou: "Não há nada 
mais bonito do que ver o terno cantando e rezando aos pés da coroa." Durante três anos, o 
atual Rei Congo precisou se ausentar da celebração por motivos de saúde, sendo 
temporariamente substituído por Paulo Vilaça.
Francisco Romualdo guarda com carinho as lembranças do avô e carrega com orgulho 
o legado da família. Recorda-se de, ainda criança, trabalhar ao lado de Chico Sudário na 
Pedreira do Zé Binga, quebrando pedras — uma memória que, para ele, se mistura ao 
aprendizado e à construção de identidade.
Francisco Romualdo sempre demonstrou preocupação com a preservação dos ritos 
tradicionais da festa do Reinado, especialmente diante da diminuição dos dias de celebração. 
Ele chama atenção para o fato de que, no passado, quando Cláudio ainda apresentava 
características mais rurais, as festividades eram mais longas, intensas e respeitadas. A festa não 
tinha hora para acabar — era vivida com entrega e devoção. No entanto, com o crescimento 
urbano e a industrialização da cidade, os dias de festejo foram reduzidos, e os brincantes 
passaram a ter horários limitados, pois muitos precisam trabalhar cedo no dia seguinte.
Dona Censa lamenta que, nos tempos atuais, o Reinado praticamente ―acabou‖. A 
família reforça que a festa não deve ser marcada por luxo e ostentação, com roupas bordadas e 
pedrarias, mas sim por sua essência: a tradição, a fé e a memória ancestral. Por ser uma 
celebração religiosa, defendem que o foco principal deve ser a devoção e o respeito à história 
do povo que a construiu.
Eles também lembram que, durante muito tempo, a festa do Reinado foi vista de forma 
pejorativa, muitas vezes associada erroneamente ao candomblé, o que gerou perseguições e 
impediu que as pessoas exercessem livremente sua fé — como já evidenciado anteriormente.
Francisco Romualdo, emocionado, conta que já pensou em abandonar a festa ao se 
deparar com certas ornamentações e encenações que o feriram profundamente, como o uso de 
um tronco como decoração e representações que remetiam à escravidão. Em suas palavras: 
“Não quero ver princesa Isabel tirando corrente, não! Não quero lembrar disso! O Reinado 
deve ser uma festa de alegria do negro livre.”
A família ressalta ainda que a figura do Rei Congo fica muitas vezes esquecida ou 
menosprezada diante do que se chamam de reis da ―Coroa grande‖, para a família deveria ser 
reverenciado mais a figura que dá sentido e origem ao festejo.

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