PROJETO DE RESOLUÇÃO Nº 13/2021
Concede o Título “post mortem” de Cidadã Honorária
de Itaúna à Irmã Benigna Victima de Jesus
Faço saber que a Câmara Municipal de Itaúna aprovou e eu, Alexandre Magno
Martoni Debique Campos, Presidente, promulgo a seguinte RESOLUÇÃO:
Art. 1º Fica concedido o título “post-mortem” de “Cidadã Honorária de Itaúna” à
Irmã Benigna Victima de Jesus, pelos relevantes e destacados serviços prestados ao povo
itaunense.
Art. 2º A entrega do título será feita na Sessão Solene da Câmara Municipal de
Itaúna, especialmente convocada para esta finalidade.
Art. 3º Revogadas as disposições em contrário, esta RESOLUÇÃO entra em
vigor na data de sua publicação.
Sala das Sessões, em 05 de abril de 2021.
Aristides Ribeiro de Carvalho Filho
Vereador
Alexandre Campos
Vereador
JUSTIFICATIVA
Irmã Benigna (Maria da Conceição Santos), nasceu em Diamantina, no dia 16 de
agosto de 1907. De família simples, recebeu de seus pais os valores cristãos da religião Católica.
Sua vocação para a vida religiosa foi se revelando desde sua infância, crescia na fé e nas virtudes.
Em sua terra natal, fez o curso primário e aprendeu a tocar vários instrumentos
musicais. Como catequista e professora de violão, evangelizava crianças e adultos. As pessoas
que conviveram com ela dão testemunho da sua maneira especial de ser, acolher as pessoas e lidar
com as situações do dia a dia, já dócil à vontade de Deus.
Com o desejo de servir a Deus como religiosa, a primeira Congregação à qual
procurou ingressar foi em sua terra natal, na década de 30. Por ser de origem negra e pobre, ela
não foi aceita.
Nessa época, o Cardeal Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, Bispo Auxiliar
em Diamantina, sendo amigo da sua família tomou conhecimento do fato e, reconhecendo a sua
vocação, apresentou-a à Congregação das Irmãs Auxiliares de Nossa Senhora da Piedade –
Ciansp, a qual ele conhecia.
A caminho para a vida consagrada, no dia 11 de fevereiro de 1935, dedicado à
Nossa Senhora de Lourdes, Maria da Conceição ingressou na Congregação das Irmãs Auxiliares
de Nossa Senhora da Piedade, fundada pelo Servo de Deus Monsenhor Domingos Pinheiro. Nessa
data, ela recebeu o hábito próprio da Congregação e entrou para o Noviciado, em Belo Horizonte.
Após o período do Noviciado, em 19 de março de 1936, dia dedicado a São José, ela
professou os primeiros votos religiosos: pobreza, castidade e obediência, com a disposição de
servir a Cristo e à Igreja de acordo com os princípios do Fundador. A Missa da profissão foi
presidida pelo Cardeal Motta, o mesmo que a ajudou a ingressar na Congregação. Nessa
celebração, Maria da Conceição Santos recebeu o nome religioso, passando a se chamar Irmã
Benigna Victima de Jesus. Por amor e inspiração divina, ela escolheu esse nome entregando-se à
plena vontade de Deus.
Irmã Benigna cumpriu sua missão como religiosa, trabalhando em diversas cidades
conforme era designada. O primeiro local onde Irmã Benigna trabalhou foi no Hospital “Casa de
Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira”, em Itaúna, prestando serviços junto aos mais
carentes e necessitados.
Nessa cidade, a Serva de Deus diplomou-se em enfermagem. No Hospital, ela fazia
todos os serviços necessários, e quando não havia médico, era parteira. Ajudava a todos.
Providenciava roupinhas para os bebês que iam nascer, medicamentos e curativos para que os
pacientes pudessem dar continuidade ao tratamento em suas casas. Acolhia também as pessoas
pobres e doentes e, quando recuperadas, ela as ajudava a conseguir emprego no próprio hospital
ou em outras instituições. As pessoas carentes da região também recebiam dela o alimento para
suas famílias e o amparo para suas necessidades. Ensinava a todos o valor da fé, da oração, a
confiança na Providência Divina e rezava com todos a Salve Rainha.
A presença da Irmã Benigna levou muitos à Casa de Caridade, não só para tratar da
saúde física, mas também para buscar Deus e Nossa Senhora. Muitos iam até lá para participar das
Missas, procissões e orações que eram realizadas na Capela, que havia no seu interior. Nas festas
religiosas, a Serva de Deus fazia procissão, com os pacientes que podiam acompanhar, passava
pelas enfermarias, por todo o hospital, dava volta ao redor do Cruzeiro, que existia na época, em
frente ao hospital e encerrava na Capela.
Irmã Benigna tornou-se reconhecida pelos seus dons e virtudes. Inúmeras pessoas a
procuravam pedindo orações e conselhos. Sem fazer distinção, ela acolhia e rezava com todos.
Em 1940, a Serva de Deus participou do Capítulo Eletivo Geral da Congregação e
foi eleita conselheira local. No dia 6 de janeiro de 1941, ela fez os votos perpétuos, entregando-se
cada vez mais ao serviço de Deus e dos irmãos. Pelo seu exemplo de vida consagrada, no dia 01
de janeiro de 1943, foi nomeada superiora da comunidade onde residia. Em meio aos trabalhos,
ela não se esquecia das coirmãs. Ela cuidava de cada uma, atendia, dava orientações e conselhos.
Como diretora da casa, trabalhou para construir uma maternidade para dar
assistência e conforto às mães carentes, onde ensinava as mulheres a cuidar dos filhos, orientandoas na saúde, higiene, alimentação e afeto.
Em Itaúna, fez o curso de Voluntária Socorrista, pela Escola de Enfermagem da
Cruz Vermelha, buscando atender melhor a sua missão.
Dedicou doze anos de trabalho a essa cidade, encerrando, com louvor, sua missão.
Por onde passou, foi incansável e levou inúmeras pessoas e famílias à conversão. Nunca mediu
esforços para socorrer e amparar a todos que a procuravam. Seus exemplos e ensinamentos são
lembrados na cidade e grande é o número de amigos e devotos.
A exemplo dos Santos, Irmã Benigna também sofreu calúnias, tais como os rumores
de uma possível gravidez e a acusação de ser uma freira comunista, sendo, pois, no ano de 1948,
transferida em uma viatura policial para o Asilo São Luiz, em Caeté (MG). Estando nesse asilo,
foi informada sobre a demolição da maternidade em Itaúna. O Cardeal Motta continuou sendo o
amigo presente e lhe ofereceu grande suporte espiritual nesses momentos de dor.
Após ser transferida de Itaúna, Irmã Benigna trabalhou nas seguintes cidades: Caeté,
Lambari, Sabará, Lavras e Belo Horizonte.
Após uma vida de entrega, doação e partilha, a Serva de Deus faleceu em 16 de
outubro de 1981, em Belo Horizonte. As flores que a cobriam no caixão foram levadas pelos
devotos e amigos e em seu lugar colocados bilhetes com pedidos de graças.
Em vida, ela já era considerada Santa. Após seu falecimento, sua fama de santidade
se espalhou e são inúmeros os relatos de graças alcançadas através da sua intercessão. Para os
devotos, ela já é reconhecida como Santa da Hora, Santa da Salve Rainha e Santa da Fartura.
O Processo de Beatificação da Irmã Benigna foi aberto em 15 de outubro de 2011,
na Arquidiocese de Belo Horizonte, a pedido do povo que já a aclamava como Santa, tendo à
frente a Associação dos Amigos da Irmã Benigna – Amaiben, fundada pelos seus amigos, tendo à
frente Dona Maria do Carmo Mariano, sua presidente, e da Congregação das Irmãs Auxiliares de
Nossa Senhora da Piedade, que tem como atual superiora a Madre Teresa Cristina Leite. Em
janeiro de 2013, encerrou-se a fase diocesana realizada na capital mineira e toda documentação
foi enviada para o Vaticano. Em abril do mesmo ano, deu-se início à fase romana na Congregação
para as Causas dos Santos, no Vaticano. Com a impressão da “Positio”, o processo deu mais um
passo. Após a análise e aprovação desse volume por um grupo de teólogos, bispos e cardeais,
chegará ao Papa, que dará a última palavra. Somente Sua Santidade, o Papa Francisco, decretará
as virtudes heroicas da Serva de Deus e ela será declarada Venerável.
A Devoção em Itaúna
Através do trabalho das representantes da Amaiben nesta cidade, Sras. Derli Maria
de Oliveira e Deisiane Carla de Oliveira Silva, e o apoio dos coordenadores dos grupos de oração,
a devoção à Serva de Deus cresce a cada dia, inclusive entre jovens e crianças. Todos se dedicam
para que a Irmã Benigna seja elevada às honras dos altares.
Em homenagem e agradecimento por tantos serviços prestados em Itaúna, por
iniciativa do então vereador Hélio Machado Rodrigues e com apoio das representantes da
Amaiben, no dia 16/07/2016, foi inaugurada e abençoada pelo Pe. José Luiz de Freitas a “Praça
Irmã Benigna”.
Desde 2013, as Missas em ação de graças pela vida e santidade da Serva de Deus
Benigna e pela sua beatificação têm sido celebradas na cidade. Na Matriz de Sant'Ana, Dom
Francisco Cota de Oliveira, Bispo da Diocese de Sete Lagoas-MG que, na época, era o Padre
responsável pela Paróquia, presidiu as Missas em 26/05/2013 e 16/07/2016. Em 17/08/2015, na
Capela do Velório Central e em 03/09/2017, na Igreja Nossa Senhora da Piedade, o Pe. José Luiz
de Freitas presidiu as celebrações. As Missas foram celebradas novamente na Matriz de Sant’Ana,
em 16/02/2018, presidida pelo Pe. Jair Simão, em 16/02/2019 e 16/02/2020, presididas pelo Pe.
Everaldo Quirino Ferreira, atual Administrador Paroquial. Durante a Missa do dia 16/02/2020, foi
apresentado e entregue às representantes da Amaiben, o estandarte confeccionado em homenagem
à Irmã Benigna pelo artista plástico Marcelo Brant, para acompanhar as celebrações da Serva de
Deus na cidade. Em 16/08/2020, data do 113º aniversário de nascimento da Irmã Benigna e em
16/01/2021, as Missas foram celebradas na Igreja Nossa Senhora das Graças, presididas pelo Pe.
Agnaldo Antônio Gomes.
No dia 5 de junho de 2020, foi inaugurado o Centro de Convivência Irmã Benigna,
no Hospital Manoel Gonçalves, antiga Casa de Caridade. Seu nome foi escolhido em
reconhecimento por todo trabalho prestado ao Hospital no período em que lá morou e trabalhou
(1936 - 1948).
Homenagear a Irmã Benigna é reconhecer sua dedicação ao município de Itaúna.
Sala das Sessões, em 05 de abril de 2021.
Aristides Ribeiro de Carvalho Filho
Vereador
Alexandre Campos
Vereador