PROJETO DE LEI Nº 31/2011
Declara Patrimônio Cultural
do Povo Itaunense a Escola de
Samba Clube dos Zulus
A Câmara Municipal de Itaúna, Estado de Minas Gerais, aprovou, e eu, Prefeito
Municipal, sanciono a seguinte lei.
Art 1º Fica declarada como “Patrimônio Cultural do Povo Itaunense” a Escola
de Samba Clube dos Zulus.
Art 2º A entrega da condecoração que registra o título referido no artigo anterior
será feita no mês de setembro de 2011, juntamente com as demais entidades e
personalidades homenageadas pela Câmara Municipal de Itaúna no corrente ano.
Art 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Itaúna, 25 de fevereiro de 2011
Delmo Gonçalves Barbosa
Vereador
JUSTIFICATIVA
Este projeto tem por objetivo Declarar Patrimônio Cultural do Povo Itaunense a Escola de Samba
Clube dos Zulus, por sua importância social e cultural para a Cidade de Itaúna e de nossa região.
1- HISTÓRICO DA ESCOLA DE SAMBA CLUBE DOS ZULUS
Em 1963, um grupo de jovens itaunenses resolveu sair às ruas no carnaval, fantasiados de bebês. A
fantasia consistia em fralda, toca, babador e mamadeira.
Nesse ano, iniciou-se no movimento do carnaval de rua de Itaúna, a participação de todas as elites, e
surgiu deste grupo de jovens que participava do “BIGORRILO`S COITÉS CLUBE” (devido ao mascote
do Clube, um cágado que era chamado de bigorrilho). O clube se reunia nos bares de Itaúna, e todo
associado era obrigado a portar um “coité”, para os “goles” , e nesta época os participantes eram: Artur
Bitela, Camelo, Délio, Jairo do Dezir, Moranguinha, Oto, Paquinha, Passarinho, Ramé, Ricardo Pinta,
Roberto Brigite, Sérgio Lacel, Tarefa, Valmir Falcão e Zé Maria, todos estes iniciadores dos Zulus.
Em 1964, a turma, já aumentada, saiu vestida com o famoso “TUBINHO” (modelo de vestido da
época), com os rostos exageradamente pintados, alguns usando peruca e outros lenço na cabeça e sapatos
altos.
Em 1965, a turma saiu vestida de baralho. A fantasia consistia em uma mortalha curta, feita de saco
de farinha de trigo, com as cartas de baralho coladas ou bordadas. O Grupo saiu com o rosto pintado em
duas ou mais cores, em formas de quadrados ou triângulos, ou ainda pintando somente meia face, nas
cores preta, amarela e vermelha. Usou também chapéu de palha com as cartas de baralho coladas.
Em 1966, o grupo saiu de “ZULUS”, pintados de preto, amarelo e vermelho, usando ráfia, palha e
outros apetrechos, como cabeça de boi, gaviões empalhados, tamanduás, berrantes, etc..
Em 1967 o grupo saiu novamente de “ZULUS”, enriquecendo o visual com alegorias e carro
alegórico, e ainda com um gaiolão e vários gaviões vivos e um canhão de confetes, iluminações à bateria,
etc..
Em 1968, o grupo saiu com a TRIBO “ZULUS”, ainda mais bem elaborada e aumentada, desta vez
homenageando o associado Ramé, que havia falecido.
Em 1969, a agremiação desfilou como bloco pela última vez, ainda como Tribo dos Zulus, desta vez
mais bem elaborada e mais enriquecida.
Em 1970, a agremiação desfilou pela primeira vez como ESCOLA DE SAMBA, formalmente
organizada, com estatutos, registros e toda a papelada necessária à legalização da Escola, elegendo a
primeira diretoria, e apresentando o enredo: “ENGRANDECIMENTO DE ITAÚNA”, homenageando a
UNIVERSIDADE DE ITAÚNA, na pessoa de seu então Reitor, Dr. Guaracy de Castro Nogueira, e ainda
a arquitetura e a construção, na pessoa do Engenheiro Arquiteto Dr. Marcelo Dornas de Lima, primeiro
patrono da Escola de Samba recém fundada, que já em seu primeiro ano, consagrou-se campeã do
carnaval de 1970.
Daí em diante, a Escola cresceu e foi ganhando experiência em samba, em desenvolvimento de
enredos, em organização, enfim, tornando-se cada vez mais uma ESCOLA DE SAMBA. Foram vários
carnavais em que a Escola de Samba Clube dos ZULUS participou e em muitos foi consagrada campeã:
Em 1971, com o enredo “HISTÓRIA DO SANTANA DO RIO SÃO JOÃO ACIMA “ - CAMPEÃ.
Em 1972, com o enredo “BRASIL, RIQUEZAS DE NORTE A SUL “ - CAMPEÃ.
Em 1973, com o enredo “REI ZUMBI DO QUILOMBO DOS PALMARES” - CAMPEÃ.
Em 1974, com o enredo “UM SONHO NUM PAÍS DE SOL” - VICE-CAMPEÃ.
Em 1975, não houve carnaval de rua em Itaúna, devido a um surto de meningite.
Em 1976, com o enredo “ÚLTIMO BOÊMIO DO IMPÉRIO”- CAMPEÃ.
Em 1977, com o enredo “ABUNÔ – A escola foi CAMPEÃ.
Em 1978, com o enredo “AMENO RESEDÁ, O RANCHO QUE FOI ESCOLA” - CAMPEÃ.
Em 1979, não houve participação das escolas de samba no carnaval de rua de Itaúna.
Em 1980, com o enredo “A CASA DA FANTASIA” - CAMPEÃ
Em 1981, com o enredo “FOLGANÇAS E CRENÇAS DE UM POVO” - CAMPEÃ.
Em 1982, COM O ENREDO “BRASIL COM Z” - CAMPEÃ.
Em 1983, não houve participação das escolas de samba no carnaval de rua de Itaúna.
Em 1984, com o enredo “VINTE ANOS DE GLÓRIA”, foi a única escola a desfilar.
Nos anos de 1985 a 1991 não houve desfile das escolas de samba no carnaval de rua de Itaúna.
Em 1992, com o enredo “ZAMP” , quando não houve disputa entre as escolas.
Em 1993, com o enredo “DA OPERETA À RETRETA”, de Walmir Falcão,. quando não houve
disputa entre as escolas.
Em 1994, com o enredo “EU PASSEIO...” de Ibsen Carneiro– a escola foi VICE-CAMPEÃ.
Em 1995, com o enredo “CHEGA DE SAUDADE”, de Fábio Matos, a escola foi novamente
CAMPEÃ.
Em 1996, com o enredo “As Mil e Uma noites e mais uma...”, de Fábio Matos, a escola foi
novamente CAMPEÃ.
Em 1997, com o enredo “As águas vão rolar...”, de Fábio Matos, a escola foi novamente CAMPEÃ.
Em 1998, com o enredo “Se os homens são de Marte e as mulheres são de Vênus...)”, de Fábio
Matos, a escola foi novamente CAMPEÃ.
Em 1999, com o enredo “Imensidão Azul- Uma viagem do Titanic ao reino de Atlântida”, de Fábio
Matos, a escola foi novamente CAMPEÃ.
Em 2000, com o enredo “Se seu sonho é milenar, seu sentimento é AMAR...”, de Fábio Matos, a
escola foi novamente CAMPEÃ.
Nestes 48 anos de carnaval, a Escola de Samba Clube dos Zulus aprendeu muito, e muito ainda tem a
aprender. O mais importante a destacar nestes anos todos é que a escola de samba funciona bem porque
existe muito trabalho, e trabalho sério, com dedicação, amor, alegria, entusiasmo, e acima de tudo
MUITA HUMILDADE, pensando em levar para a plateia momentos de alegria, diversão e felicidade, com
uma boa pitada de cultura.
Por sua importância e representação social e cultural da Cidade de Itaúna, Estado de Minas Gerais,
solicito aos meus colegas o reconhecimento desse valioso patrimônio tão importante para vida de nossa
gente.
Itaúna, 25 de fevereiro de 2011.
Delmo Gonçalves Barbosa
Vereador