PROJETO DE LEI Nº 28/2024
Denomina Logradouro Público Rotatória
“João Evangelista da Silva-João da Cuíca”.
O povo do Município de Itaúna, por meio de seus representantes, aprovou e eu, Prefeito,
sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º. Denominar-se-á Rotatória “João Evangelista da Silva -João da Cuíca”, o
logradouro público desta cidade de Itaúna – MG, localizado no Bairro Aurora Village, Zona
02, Setor 12, com área de 208,67 m² entre a Rua Luci Gonçalves Pacheco e Rua José Augusto
Vasconcelos, entre as Quadras 07 e 08.
Art. 2º. A Administração Pública Municipal providenciará a colocação de placas
indicativas, bem como a comunicação à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, o Serviço
Autônomo de Água e Esgoto de Itaúna e a Companhia Energética de Minas Gerais.
Art. 3º. As despesas decorrentes desta Lei correrão por conta de dotações próprias do
orçamento vigente do Executivo Municipal.
Art. 4º. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Sala das Sessões, 22 de abril de 2024.
Antônio José de Faria Júnior- Da Lua
Vereador
JUSTIFICATIVA
João Evangelista da Silva ou simplesmente Seu João da Cuíca, como era conhecido por muitos ou os mais
apaixonados por carnaval, era um homem muito simples e de muitos amigos. Nascido em Igaratinga, em 1º de
julho de 1932, veio morar em Itaúna, precisamente no bairro das Graças, ainda muito jovem. Filho de Antônio
Jacinto e D. Geralda, era o segundo dos nove filhos. Irmão da Dunga, cantora, Mariana, rainha conga, e de Dora,
passista da Escola de Samba Zulus.
Casou-se com Rosa Amélia aos 32 anos, com quem teve três filhas: Heliete, Elizete e Elizabeth. Sua
segunda filha nasceu com síndrome de Down. Numa época de poucos recursos e conhecimento, ele com sua
esposa, a partir do nascimento desta filha, passaram a viver para cuidar dela. Teve também quatro netos: Tamires,
Letícia, Felipe e Giovana. Sempre foi um marido, pai e avô muito amoroso.
Trabalhou na roça, fábrica de tecidos, em loja, como padeiro e como rádio técnico, como era chamado
quem consertava aparelhos eletrônicos antigamente. Com isso chegou a dar assistência técnica para uma grande
loja de Belo Horizonte chamada “Bemoreira”, uma loja de departamentos. Nessa época poucas pessoas tinham
esse ofício na cidade.
Homem de uma boa prosa e sorriso largo, conseguiu fazer muitas amizades: Tiaca da tia Luzia, Célio da
Volks, Cilico da padaria, Luiz e Marcelo Guimarães, Pedro Calambau, Márcio da Brasiliana, Bethoven e Célio da
Joia. Seu João era autodidata. Aprendeu tocar vários instrumentos, dentre eles flauta, acordeom, violão e a famosa
cuíca. Era um apaixonado por música. Gostava de colecionar discos e ouvir música, principalmente de boleros,
samba, música popular e de bandas de música militar. Fez parte de duas bandas de música da cidade, nas quais fez
também grandes amizades, como seu Fernando, Moacir, Zé Ribeiro, Seu Afonso, Seu Nôca, Algodão e muitos
outros.
Em Meados dos anos de 1.980, ele passou a dar a sua contribuição para o carnaval de Itaúna. Primeiro
tocando a famosa cuíca na Escola de Samba “Os Castores”, onde tinha uma ala que deram o nome de “Ala Show”,
depois sendo mestre de bateria. Começou como mestre de bateria em um bloco do bairro de Santanense chamado
“Demorô”; e no mesmo ano conseguiu ajudar o bloco a conquistar o primeiro lugar. Depois disso ensaiou também
as baterias dos Unidos da Ponte, Escola de Samba 796 (antigo bloco Demorô) e Zulu.
Nos ensaios que precediam o carnaval era muito dedicado em conseguir sempre um melhor resultado para
a escola que estava defendendo. Comandava os ritmistas com apenas uma batuta, como se fosse um maestro do
samba. Uma inovação para o carnaval da cidade. Sempre foi muito respeitado e admirado por todos que o
conheceram nesse meio. Contribuiu grandemente na época em que o carnaval de Itaúna, com blocos e escolas de
samba, fazia sucesso.
Seu João da Cuíca faleceu em 18 de fevereiro de 2022, aos 89 anos, deixando saudades entre seus
familiares e amigos. A ideia de colocar seu nome em uma rua de Itaúna, mesmo que a geração de hoje não o tenha
conhecido, vai ser uma honra para seus familiares mais próximos, principalmente suas filhas, netos e genros, que
sabem do valor que ele tinha para eles e todos que o conheciam, e ele, com certeza, ficaria emocionado como
sempre ficava com tudo.
Sala das Sessões, 22 de abril de 2024.
Antônio José de Faria Júnior- Da Lua
Vereador