br-locleg corpus explorer

← Montes Claros (MG)

materia nº 19/1983

Tipo Projeto de Lei
Número / Ano 19 / 1983
Date 1983-04-19
EmentaFlash 2416. PROJETO DE LEI Nº 09/83. Denomina a "Avenida Aminthas Jacques de Moraes" , localizada no bairro Jardim Eldorado. (Referente à Lei nº 1.408, de 13/05/1983). José Nardel Alves de Almeida (Presidente).
native_id377

Autoria

Documents (1)

texto original #

status: extracted · method: ocr · backend: tesseract · confidence: 0.85 · pages: 19

ar
CÂMARA MUNICIPAL DE MONTES CLAROS
Arquivo Público Vereador Ivan José Lopes
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DE MONTES CLAROS
FLASH 2416
Presidente da Mesa Diretora: José Nardel Alves de Almeida
Espécie: Projeto de lei
Categoria: Denominação de vias públicas, centros comunitários, centros
de convívio, alas oftalmológicas, salas, etc
Autoria: José Maria Francisco de Oliveira
Data: 19/04/1983
Descrição Sumária: PROJETO DE LEI Nº 09/83. Denomina a "Avenida Aminthas
Jacques de Moraes”, localizada no bairro Jardim Eldorado. (Referente à Lei nº 1.408, de
13/05/1983).
Controle Interno — Caixa: 08 Posição:0 4 Número de folhas: 18
6a) atue : Pl
Loliomia Duo,
lt: 0$
die ad (ne L SO, DM 207 EG
NA
Câmara Munici alo de Montes de Montes Claros
E mn TAS
Autor. Vereador José Maria Francisco de Oliveira.
Assunto :-
-Renominando. avenida. Aminthas. Jacques de Moraes . Gl
Ceciro
a .
22% Câmara Municipal de Montes Claros
PROJETO-LEI Nº
a a ER
Denomina via pública nesta cidade
A Câmara Municipal de Montes Claros (MG) de-
creta e eu sanciono a seguinte Lei :-
Artigo 1º -:Passa a denominar-se Avenida *
Aminthas Jacques de Moraes a via pública que, partindo do *
final da Avenida João XXIII, em direção à MATSULFUR, demanda
até a linha que delimita o perímetro urbano desta cidade.
Artigo 2º - Revogadas as disposições em con-
trário, esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação.
Mandamos, portanto, a todas as autoridades a
quem o conhecimento e execução desta Lei pertencerem, que a *
cumpram e a façamcumprir tão inteiramente como nela se contém
e declara.
Sala das sessões, 19 de abril de 1983.
de Oliveira
Vereador
JUSTIFICATIVA
Através da presente proposição de lei, buscamos homenagear ,
por justiça e merecimento, um dos mais ilustres cidadãos que
realmente teve uma participação ativa em favor do desenvolvi
mento desta cidade e desta região, Empresário de ampla visão
erraro dinamismo, personalidade conhecida e respeitada a ní-
vel nacional, o Dr. Aminthas Jaques de Moraes, mineiro de '*
Jaguarassú, nasceu a 02 de julho de 1898 e faleceu a 04 de"
getembro de 1977. Participou de inúmeros e grandes empreendi
mentos em Minas Gerais e outros Estados da nossa Federação |,
tendo sido o primeiro Presidente da AÇOMINAS, Foi um dos gran
des batalhadores pela ligação rodoviária do norte de Minas com
Brasília, através da BR-479. Na vizinha cidade de Januária
fundou a Minas Pastoril , interessando-se inclusive pela explo
ração de prata naquela região. Em decorrência de sua larga vi-
são, foi um defensor do sistema de captação do Rio VerdeGrande
a
**» Câmara Municipal de Montes Claros
É
como solução para o abastecimento de água a Montes Claros, ao tem-
po em que ainda esse serviço era prestado pela CARMC, Fundador da
Companhia de Materiais Sulfurosos Matsulfur, hoje uma das grandes*
e mais sólidas empresas do nosso Estado, gerando recursos para o
nosso Município e absorvendo mão de obra desta cidade e de toda 8
esta região. Por essas e outras razões e por reconhecermos na pes-
soa do ilustre e saudoso empresário, cidadão digno do nosso respei
to, apreço e profunda gratidão é que pretendemos vincular o seu *
nome a uma via pública de nossa cidade, na certeza de que encontrã
remos na sensibilidade dos nossos pares o apõio necessário à apro-
vação desta nossa proposição,
CÂMARA MENCIPAL DE
APROVADO ENZSD),
CÂMARA MUNICIPAL DE
A COMISSÃO DE
pe eia MUNICIPAL DE MONTES CLAn..
À sanção.
te fo amd
pião oi elo iai E o;
o full asd
"AURELIANO CHAVES"
AMINTHAS JACQUES DE MORAES
+ + « CONTEMPORÂNEO DO AMANHÃ...
RM»...
AMINTHAS, . JACQUES. DE, MORAES
Data Nascimento: 02 de julho de 1898
Filiação E Josê Luciano Coelho de Moraes, Tenente Farmacêu
tico do Exêrcito Brasileiro e depois fazendeiro
em Jaguarassú,
e Felisberta Jacques de Moraes
Local Nascimento: Fazenda do Grama, em Jaguarassú-MG.
Graduado em Engenharia Civil pela Escola Politécnica do Rio de Ja
neiro em 1927, tendo estudado os primeiros três anos na Escola de
Minas em Ouro Preto.
Órfão aos treze anos com dificuldade e muita disposição custeou
seus estudos lecionando aulas particulares, trabalhando em Topogra
fia, e como Auxiliar Técnico da Inspetoria de Obras Contra as Se -—
cas.
Fundou com seus cunhados Alberto Woods Soares e Antonio Faria Ri -
beiro a ASAMAR (nome formado com as iniciais dos nomes dos tres en
genheiros), empresa construtora que mais tarde se transformaria na
Cia. Serviços de Engenharia - SERVIENGE.
Permaneceu na Presidência da SERVIENGE até 1970, e ao longo de 40
anos participou das principais obras de engenharia do pais.
Tendo como base a SERVIENCGE e atravês de outras associações percor
reu o Brasil inteiro deixando em toda parte a marca de sua presen
ça e do seu espírito de iniciativa. Como empreendedor suas ativi-
dades foram tantas que sua história se confunde com a história da
indústria nacional.
Em Goiãs fundou a Cia. Niquel Tocantins e a Cia.de Cimento Brasi -
lia:
No território do Amapã orientou o então governador Janary Nunes na
exploração das jazidas de manganes e conseguiu junto ao Banco da
Lavoura apoio financeiro ao Dr. Augusto Trajano Azevedo Antunes
para que iniciasse as atividades da ICOMI.
Em Pernambuco foi um dos pioneiros na extração de Gesso nos munici
pios de Ouricuri e Bodocó.
Na Bahia iniciou a exploração de magnesita do Curral das Éguas, ten
do mais tarde em acordo com a MAGNESITA entrado com esse ativo pa-
ra compor o capital da empresa.
-—2-
Em Minas Gerais coordenou a mobilização e instalação das seguintes
empresas:
- Companhia Brasileira de Mineração e Siderúrgica - primeira empre-
sa brasileira a exportar minério nos fins da década de 30. Esta em
presa seria mais tarde encampada pelo Governo Getúlio Vargas atra -
vês do Decreto Lei nº 4.352 de 01.6.42, transformando-se na Cia. Va
le do Rio Doce sem qualquer benefício aos seus originais fundadores
- Aços Especiais Itabira - ACESITA, aonde atuou como Presidente e
Presidente do Conselho Fiscal por vários anos. Doou em 01.3.45 . a
concessão de lavra que tinha das minas de Itabira a ACESITA confor-
me escritura pública lavrada no Cartório do 29 Oficio de Notas do
Rio de Janeiro e decretos nºs 15.644 e 15.645 de 24.5.44, e 19.708e
19.709 de 3.10.45.
- Mineração e Usina Wigg (juntamente com o Dr. Magalhães Pinto)
- Companhia Mineira de Metais, que explora o zinco de Vazantes com
instalação industrial em Tres Marias.
Engenheiros Consultores Metminas S/A.
- Foi Diretor da Companhia Estrada de Ferro Vitória - Minas.
- Foi Diretor do Banco da Lavoura (hoje Banco Real), tendo ocupado
a Presidência do Conselho Geral.
- Foi diretor da Companhia Real de Comércio Exterior, a convite es-
pecial do Dr. Alovsio de Andrade Faria, Presidente do Grupo Real.
- Foi o primeiro Presidente da Açominas S/A. e durante alguns anos
aceitou o cargo com a condição de não receber um centavo ao menos
pelos serviços prestados que foram grandes e muitos.
- Foi um dos idealizadores e planificadores da USIMINAS.
- Doou a Cia. Siderúrgica Belgo Mineira as minas de Alegria e Morro
Agudo através de ato de transferência por escritura pública. As mi-
nas de Alegria vieram a ser base da SAMITRI, - empresa de mineração
ligada a Belgo Mineira.
Mais especificamente com relação ao Norte de Minas, também aqui dei
xou suas marcas de homem incansável e de grande visão.
Fundou a Cia.Materiais Sulfurosos Matsulfur (Cimento Montes Claros)
que hoje coloca Montes Claros como o 29 maior produtor de cimento
do Brasil.
Interessou-se profundamente por Januária aonde comprou terras e fun
dou a MINAS PASTORIL, empresa ligada a agro-pecuária.
=
| Estudou por vários anos as possibilidades da exnloração de prata tam
bêm em Januária, o que mais tarde se revelou inviável,
Lutou para conseguir a ligação do Norte de Minas com Brasília atra -
vês da BR-479 (Brasilia-Januária). Sob suas expensas mandou estudar
a ligação ferroviária do Norte de Minas com o litoral, de Janaúba
atê Porto Seguro-BA.
Acompanhou de perto a instalação da Hidrelétrica de Pandeiros em Ja -
nuária.
,
Sempre defendeu a construção do sistema de abastecimento de água de
Montes Claros atravês do Rio Verde Grande, como a solução definitiva
para o problema de água da cidade, isto muito tempo antes da existên-
| cia da COPASA.
Apesar de toda sua genialidade sempre foi um homem simples e como ra
j fo
| No] ros ele soube praticar a religião da bondade para com o próximo. Sen
tia o mal alheio como o próprio. Gostava mesmo de promover a felici-
dade dos outros. Agradava-lhe oferecer-se. Fazendo favores nada pedia.
, Foi um modelo de discrição e de reserva.
Mas, acima de tudo isto a maior e melhor de todas suas obras, a sua
obra-prima é a sua família.
| Juntamente com D.Albertina Soares de Moraes, mulher forte, corajosa ,
fiel e dedicada companheira, fundou e presidiu um lar em que todas as
virtudes domésticas e sociais, cívicas e religiosas estão frutifican-
do nos seus oito filhos e trinta e um netos.
Falecido em 04 de setembro de 1977, deixou um exemplo de vida. Sim
ples, incansável, perseverante e uma incrível capacidade de antever o
futuro, dom só mesmo presente nos grandes empreendedores.
/ M.Claros, 28.3.83 FSC/arn
- -—primeira no Governo Epitácio Pessoa.
CURRICULUM VITAE
NOME: Anynthas Jacques de Moraes
DATA DO NASCIYENTO: 02 de julho àãe 1898
FILIAÇÃO: José Luciano Coelho de Moraes e Felisberta
Jecques de Xoraes, ambos falecidos. Ele, Ten.
Farmacêutico do Exército Brasileiro e depois
fezendeiro em Jaguarassú, em - Eae Kinas
Gerais. :
LOCAL DE NASCIMENTO: Fazenda do Grama, em Jaguarassú, .Eetado de
i . Minas Gerais.
ENDEREÇO: Rua Gomes “Carneiro, 55 apt. 1101 - Trens =
» : Rio de Janeiro-RJ.
ESTADO CIVIL: Casado, em regime de comnhão de bens.
NOME DO CÔNJUGE: Albertina Soares de Moraes.
Nº DE FILEOS: - -"OB (OITO).
Estudou engenharia, sendo os primeiros três anos na Escola de Hi-
nes de Ouro Preto. Tomou parte na Comissão de Estudos dos Açudes
de Orós-e do Poço dos Péus, no Ceará, como auxiliar técnico da
então Inspetoria de Obras Contra as Secas, em duas temporadas, a
i
a Í
“Graduado em Engenharia Civil, pela Escola Politécnica do Rio de
Janeiro, turma de 1927. |
Empreiteiro da Esirada.de Ferro Leopoldina, e do Estado de Xinas
Gerais.
1
Fundou, com os seus associados Alberto Woods Soares e Antônio Fa-
ria Ribeiro, a Companhia Serviços de Engenharia - SERVIENGE, ocu-
pando a sua Presidência, e, em companhia dos dois, desenvolveu-se
“a empresa, que passou a liderar; e serviu de base a SERVIENCGE pa
ra organização de outras empresas, então necessárias ao Brasil.Pa
ra os empreendimentos criados daí por diante, usou com a SERVIEN-
GE cutros associados. Permaneceu na Presidência da SERVIENGE até
06 de julho de 1970.
Fundou a Companhia Níquel Tocantins, de Niquelêndia, Goiás, no co
meço da 2a. Grande Guerra Nundial, com a SERVIENGE, e outros ami
gos como José de Magalhães Pinto, Virgílio de Xello Frarco, João
Vieira de Macedo, Clemente Faria e outros,
Como Presidente da Compenhia Kíquel Tocantins, detentora das mi -
nes de níquel 'ãe Niquelândia, fundou, com o Grupo José Ermírio de
Moraes, a Companhia Mineira de Metais — COMIDEMET, em Beijo Hori -
zonte, que passou a ser depois a concessionária das minas de
“zinco de Vazantes, em Minas Gerais. Por essa ocasião, o Grupo
Votorantim já exercera o comando acionário destas empresas —- a
CONIQUEL e a COMÍDEKET, das quais é hoje quase que o dono exclu
“ sivo.
Foi Diretor da Companhia Estrada de Ferro Vitórie a Xinas, com
o Senador Ribeiro Junqueira, A. de Oliveira Castro, Francisce FP.
Pereira e outros. . q
Incorporador e Diretor da Cia. Itabira de Mineração - CITABIRAN,
Fundador da Minas Pastoril - MIPASTOR, de Jenuária - Minas “Ge
rais e seu presidente.
Fundador e Presidente da Engenheiros Consultores Metminas S/A.
Foi Diretor do Banro da Lavoura de Minas Gerais, fundado e in-
corporado por Clemente Faria, com o Dr. Eugo Werneck e outros a
migos. A Diretoria era constituída de José Bernardino Alves Jú-
nior, Clemente Faria e Francisco Moreira.
Por ocasião do infausto falecimento de Dr.Clemente Faria, pas -
sou a ocupar Amynthas Jacques de Moraes, a Presidência do Conse
lho Geral e a Diretoria passou a ser constituída de José Bernar
dino tlves Júnior, Aloysio de Andrade Faria e Jcsé Heilbuth Gon
çalves e Miguel Maurício da Rocha.
EXPORTAÇÃO DE MYINÉRIO DE FERRO - Com a SERVIENGE, em fins da
- cada de 1930, empreenceu a exportação de minério de ferro de
dos contrafortes da Serra do Curral, em Belo Forizonte; e do
om É ik
le do Paraopeba, jazida de Jangada, Sarzedo; — pera a Europa
para os Estados Unidos.
Presidente do Sindicato de Minérios e Xetais Eásicos do quel
foi fundador com Carlos Sylla, Ricarão Jaffet, Augusto de Azevedo
Antunes, Jorge Chamas e outros.
Antes da existência da Companhia Vale do Rio Doce, iniciou a ex-
portação da hematita de Itabira, improvisando, para tal, trans-
porte, em caminhões até a Estação de Desembargador Drumond - E.P.
Vitória a Minas (cerca de 42km) adaptando, para isso, uma estra-
da cerroçável, serviços que exigiram variantes e encascalhamento
custoscs, a curto prazo, num esforço inaudito; urgia dar prova
da viabilidade ão minério alcançar o Porto de Vitória para crédito
3.
à operação. hMesmo sem instalações adequadas do porto, consegui-
ram-se mandar os primeiros navios de hematita do Cauê pera os
Estados Unidos e para a Europa, com esforço e boa vontade do En
genheiro Ribeiro Martins, Chefe do Porto. É ressaltada a ajuda
extraordinária daquele competente engenheiro em honra à sua me
mória, porque conseguiu fazer embarques de minério de ferro pum
porto que não se achava aparelhado para tal serviço — quando os
embarques eram essenciais pera crédito do empreendimento. .
Depois desta campanha que exigiu esforços e luta como se fosse
de verdadeira economia de guerra! conseguir, além de outros pa
ra o mercado Europeu, um contrato de venda,em Filadélfia,Penna.,
de 500.000 ton. com a Bethlehem Steel Co., que se propoz a for
necer adiantadamente, 4 locomotivas, 2.000 ton. de trilhos e 25
vegões, elementos que só chegaram quando entrara em operação a
Cia. Vale do Rio Doce. Conseguiu-se depois, num entendimento
com a Companhia E.F.Vitória a Minas e o Governo do Estado do Es
pírito Santo, meio pera construir o primeiro embarcadoúro de mi
nério, mecanizado, em Vitória que funcionou até a operação do
moderno terminal marítimo de Tubarão.
Tembém assumiu-se o compromisso do prolonga-ento da estrada de
ferro da ponta dos trilhos em D.Drumonãd até o embarcadouro em
Itabira. | - o
A exportação continuava vencendo todos os obstáculos, para a
construção do prolongamento da ferrovia.
- Decidiu-se fundar, para tal, uma nova comparhia associada: A
Companhia Melhoramentos Ferroviários, resuliante de uma associa
ção da SERVIENGE com os irmãos Lemos Rache, liderados pelo eng?
Athos de Lemos Rache. E a luta continuava, rum esforço e com u-
ma coragem, diziam, de âsidoi até conseguir-se um pequeno Liam
ciamento auxiliar do Panco da Lavoura de Niras Senai,
O ESFORÇO DE GUERRA, na verdade, exigia mais rapiãês na produ —
ção. l
Veiu, após o recebimento dos primeiros n2vics de minério, enten
der-se com Amynthas Jacques de Noraes e coma Companhia Bresi -
leira de Mineração e Siderurgia, o Presidente ão Export & Import
Bank, Mr. Waren Pierson e o Dir. Karryweather, da Bethlehem Steel
Co., com o propósito de se associer no Grupo brasileiro.
Da impossibilidade de uma sociedade com 51% de Americanos (U.S.)
(exigência usual àquele tempo),em face do nosso Código de Kinas,
Amynthas Jacques de Morses levou-os ao linistro Souza Costa que
tratou do assunto com o Presidente Getúlio Vargas.
.Resultou o Presidente Vargas incumbindo o Sr. Valentim Boças de
,
preparar o Decreto-lei que fundou a atual Companhia Vale ão Rio
Doce, com dispositivo expresso de pagar sete mil ações aos de
tentores da Cia. Brasileira de Mineração e Siderurgia (3,5%) do
Capital original, obrigação que vergonhosarente, até hoje não
foi cumprida (Decreto-lei nº 4.352, de Ol de junho de 1942).
Com outros companheiros, Carlos Pereira Sylla, José Fillensen
“Júnior, Nário KReves, Valois Souto e Nello Crocchi, foi Diretor e
Incorporador da Cia. Nacional de Ferro-Ligas, que alimentou o mer
cado doméstico de ferro-ligas e ferro-mangenês aliviando de importa
ção, dest'arte, a balança comercial exterior. E
Estuãou com José de Magalhães Pinto, atual Zanqueiro e Senador,
e adquiriu as propriedades da viúva D. Alice Wigg; e com SERVI-
ENGE, seus Diretores, Faulo Auler. e outros amigos, e fundou-se,
dest'arte, a Usina Wigg S/A.
Foi o primeiro Presidente da Açominas S/A, estudada pelo Engenhei
ro Paulo José de Lima Vieira, com a Assistência técnica do Eng?
Athos de Lemos Rache, Tecnometal e outros, como Usina do Paraope
ta, no Governo Estadual Nagalhães Pinto; e fundada no Governo
Israel Pinheiro, para implantação em Igarapé, a 30 km ãe Belo Ho
rizonte, junto ao Rio Paraopeba, sendo a Diretoria constituída
de Amynthas Jacques de Koraes, presidentes Nário Renó, Márcio
Drumond e W.P.Coronha, diretores. '
A Cia. Aços Especiais Itabira-ACESITA, incorporou-a Amynthas Jac-
“ques de Moraes, Percival Farquhar e Athos Lemos Rache, Diretores,
onde atuou como Presidente mais tarde. Eminentes brasileiros foram
acionistas de fundação, dentre eles: Dr. João Vieira de Xacedo, seu
primeiro Presidente, Luciano Jacques de Koraes, Diretor, Manoel
Thomaz de Carvalho Brito, Algerico Rodrigues de Paula, Ribeiro Jun
queira, Genaro Vidal Leite Ribeiro, Benjamim Ferreira Guimarães,
Antônio Mourão Guimarães, José Jacques de Koraes, José Theodoro
da Silva, Alberto Woods Soares, Antônio Faria Ribeiro, Cel. Fran-
be
cisco Moreira, Clemente Faria, Altivo Drumond de Andrade, Kauro
Alvarenga, Porthos de Lemos Rache, Joaquim Lage, Acrísio Alva -—
renga, é muitos outros brasileiros altamente qualificados.
Atualmente, Amynthas Jecques de Noraes é Presidente ão Conselho
Fiscal da mesma ACESITA. .
“Amynthes Jacques de Moraes, baseado na aquisição em New York Ci
ty, doe direitos de preferência da Brazilian Iron & Steel Co.
ãetentora das terras de um importante grupo de jazidas de miné-
rio ãe Itabira, de outro em Morro Agudo, perto de lontlevade e
ão de Alegria, nas fraldes da Serra do Caraça, próximo a Naria-
va, Minas Gerais, obteve a Concessão de Lavra do grupo das mi
pas de Itabir=; ficcu, pela Brazilian Iron & Steel, obrigado a
“ser interveniente na transferência das propriedades ecima fora
de Itebira. l
“ais tarde, Amynihas Jacques de Xoraes doou à ACESITA a conces-
são sua das minas de Itabira, como consta de escritura pública,
lavrada no Cartório do 20º Ofício de Notas, em 1º de março de
1945, no Rio de Janeiro, e decretos Kºs. 15.644, de 24 de maio
ãe 1944, e 15.645, de xesma data, retificados pelos decretos
Nºs. 19.709 e 19.708, ãe 03 de outubro de 1945, e averbados.
Anos depois, compareceu, também, ao ato de transferência, por es
critura pública, dos grupos de Korro Agudo e Alegria, para a Cia,
Siderúrgica Belgo Mineira.
As minas de Alegria vieram a ser base da SAMITRI, então subsidiá
ria da Cia. Siderúrgica Belgo Xineira.
Fundador da Companhia Materiais Sulfurosos Hatsulfur, da qual as
sumiu a Presidência, cor o objetivo de usar a matéria prima, gip
so (gipsita), de Pernambuco em forno rotativo para, de um. só
complexo, retirar o cimento e o ácido sulfúrico, técnica já cor-
rente na Ingleterra.
Depois de colher na Inglaterra, pessoalmente, as bases do proje-
to, foi este então exposto à SUDENE,- quanão Superiniendente Cel
so Furtado — que se mostrara sem condições para tomar decisão ;
transferiu-se, então, ainda com base na participação da SERVIER-
GE, a Sede da MATSULFUR para hontes Claros, MG, já então territó
. rio da SUDENE; introduziram-se as alterações necessárias no seu
Estatuto e aumentou-se o capital social; na mesma ocasião entrar
rem para a diretoria o Eng? Alberto Luiz Gonçalves Soares (atual
6.
diretor-presidente da empresa) e outros elementos de destaque do
GRUPO SERVIENGE
Apresentou novamente, o projeto para já simples fábrica de Cimen-
to Portland, de cuja aprovação resultou a FÁBRICA DE CIMENTO MON
TES CLAROS, 'e, em boa hora, acertada com a decidida aprovação da
SUDENE e cooperação das demais autoridades goverramentais envol-
vidas.
A
Diretor da Companhia Real de Comércio Exterior, e convite espe -
cial e honroso do Dr. nlegeto de Andrade Faria, Presidente do
Grupo Real.
Empreendeu viagens de estudo e de negócios à Europa e aos Esta -
I PD
dos Unidos.
Proferiu conferência sobre Metais Não-Ferrosos na Escola Superior
de Guerra, apreciando a situação brasileira mínero-metalúrgica ,
atualizada em 1958.
Participou, como homem de empresa privada, dos dois únicos e fa
mosos Congressos Mundiais de Metalurgia, nos Estados Unidos. As
viagens de estudo e de negócio ao estrangeiro, como estas, sempre
preferiu as custear por si mesmo,
É membro do Clube de Engenharia e da Sociedade Mineira de Enge -
nheiros (sócio fundador). Faz parte do Iate Clube do Rio de Ja -
neiro, do Jockey Clube do Rio de Janeiro, do Clube Comercial do
Rio de Janeiro, do Rotary Clube do Rio de Janeiro e da ADECIF.
NOTA: Os decretos nºs. 15.644 e 15.645, de 24 de maio de 1944, .
foram publicados no Diário Oficial ãe 27 Ge maio de 1944.
Preferi não relacionar equi os serviços reelizados por mim
entes e derois da minha estaãa na SERVIENCE.
Não constem, tembém, desta relação, os serviços e contra —
tos reelizados direta LE e pela SERVIENGE.
SRS Ee E: ad
Faleceu no Rio de Janeiro aos 04 de setembro de 1977
PALAVRAS DO GOVERNADOR AURELIANO CHAVES POR OCASIÃO DA
OUTORGA DO TÍTULO "EMPRESÁRIO PIONEIRO DO ANO", CONCEDI
DO PELA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE MINAS GERAIS AO ENGENHEI
RO AMYNTHAS JACQUES DE MORAES =
"Por mais que se repitam no tempo, ha
sempre uma nota de singular e significati
va beleza em cerimônia como esta. Tem si
do feliz a Associaçao Comercial de Minas
nesta promoção, que visa mostrar a Minas
e ao Brasil aqueles que, no setor empresa
rial, deram mais de si, nao apenas em be-
neficio de si mesmos, mas em beneficio da
coletividade como um todo.
fia Este ano, entre as inúmeras figuras a
qui justamente premiadas, hã que se-desta
car, sem nenhum favor, primeiramente a fi
gura de um engenheiro ilustre, cotempora-
neo, do amanha, que. ao longo de sua vida
nao apenas jfoi capaz de mostrar ser capaz
na especificidade da sua profissao, mas
que foi mais além. Viu Minas .e o Brasil
com a visao de quem tem fé nos destinos
desta patria, que Deus fez grande e que
nós, brasileiros, temos o dever de fazer
maior: AMYNTBAS JACQUES DE MORAES.
Antônio Aureliano Chaves de Hendonça
EB = PniRD,
Ed Amynthas Jhoques de Mor
Seu grande nome rompeu
as fronteiras de Rag
reis e conseguiu no as:
inteiro um aoolhimento de
sâmiração e de simpatis.'
Seu caráter de homem de
bem granjeou-lhe boa fama,
Desde jovem, nele campea-
ram os bons costumes. -
Pelo nascimento, estava
vinculado a famílias tbem
qualificadas, que construíram
2 sua grandeza e elevaram o
seu home à custa de incan-
sáveis trabalhos. Famílias
que sabiam ser ese o pri-
meiro mandamento saído da
própria boca de Deus: «Tu
-omerás o teu pão no suor
teu rosto». E que foram
«crieis em vergônteas que se
desenvolveram e distingui-
ram-se na ciência e na téc-
nica, na lavoura e na pecuá-
ris e em muitos outros seio-
res de honrosas atividades.
Para ele, as vantagens do
berço, com que nos engana a
vaidade, não passam de um
adomo exterior e esirenho à
nossa verdadeira personalida-
de. -O valor do homem está:
nas excelenies qualidades, que
lhe são próprias.
Católico, na prática da re-
Hgião enconirou o seu apoio,
o seu centro, a sua alegria.
Orava com o coração. O que
interesca ao Pai do Céu é o
que o homem lhe quer dizer
no fundo da sua consciência.
Não se cessa de orar se não
se cessa de fazer o bem. Ora-
se melhor pelo coração e pe-
las boas obras do que pela
boca. De Santo Agostinho,
“a observação: «As boas
as são saliérios que can-
iam a glória de Deus».
Como raros, ele soube pra-
ticar a religião às bondade
Dara com o próximo. Bondade
de benevolência e de benefi-
cência, ao mesmo tempo Sen-
tia o mal alheio como pró-
prio. Não negava coisa elgu-
ma Ge conceder-se. Experi-
meniava a doçura de causar
prazer s todos. Gostzva
mesmo Ge promover a fel!-
cidade dos ouiTos. Eemezva
sem contar as sementes. Sa- .
bia fazer o dom do seu co-
ração, Cam seus bons conse-s
lhos, liuminou os. caminhos
Ge mulios foveas. E com ceus
oportunos auxílios, fez com
cue multa gents saíszs vito
riose na lute pia vida. Agra-
à fave-lho clerecse-pr Nio ee
comprazia em receber Sosa
o que fosse, dos beneficiados
por suz generosidade,
Fezendo favores, nada pe-
dia, como resposta 3 sua de-
licadeza, Bastava-lhe a intt-
ma satisfação de ter sido útl
8 quem se encontrava em es-
tado de necessidade.
* , Quanto mais crescia em
bondade, menos semelhantes
ele tinha s
Um modelo de discrição e
Ge reserva, era grave, sem du-
reza, sem rigidez. De pouca
conversa, Me egradava mais
cuvir do que falar, Quando
íelava, tinha recato na boca.
Em poucas palavras, emitia
pensamenios de grande valor
e de profunda ressonância.
Dizia o que era certo, no mo-
mento oportuno. Mas, quando
escutava, a maldade e a vul-
garidade ea sordidez da ima-
ginação, do pensimento e da
lisguagem lhe causavam re-
ância.
P
prio. Conhecis s si mesmo.
Por isso não era orgulhoso.
Não suspirava pelo que era
inatingivel. Nunca pôs a mi-
ra no que lhe era superior
aos méritos. Nunca Jhe spe-
veceu -o que lhe er. im.
possível conseguir. “Não dei-
Xava O seu desejo ficar de
Tédeas soltas.
Connecer-se o homem, exa-
minar e ver Geniro de si &
razão ou a sem-razão de seus
apetites e desejos para repri-
mi-los ou refreí-los e regu-
lar com discreis moderação
as suas ações, é. sem dúvida
a ciência mais necessária e
um dos maiores tens da vida
humana.
Tinha o conhecimento pró
Sam nunca se contradizer,
sem nunca se desmentir, com
2 sólida coerência que lhe era
um dos iraços. mercentas da
fisionomia moral, ele podia
repetir aque! prlavres de
Deus a Moisés: «Sou O que
sou». Ou aquelas ouiras do
inglés que pão «queria. per
mais do que era: « am bom
sor.
Ere um homem simples. A
simplicidade Ge vida sempra
“ESTADO DE MINAS" - de 11.9.77
“es.
Pedro Maciel VI DIGAL
clio pela superioridade que
tem sobre todos..
Inchado de jubliosa valda-
de e supervalorizando-se de-
mais ds conte, o soberbo
procurs obier de qualquer
jeito o que não pode con-
segutr.
Primeiro presidente da po-
minas, durante siguns anos,
Arcsynthas aceltou o cargo
com & condição de não rece
ber um centavo, ao menos,
pelos serviços & ela prestados,
que forem grandes e muitos.
Como industrial, suas ati-
vidades foram tantas e tama-
nhas, que a sua história se
confunde com s história das
indústria nacional. Ele ajudou
a gestação do novo Brasil,
que já estã entre as potências
emergentes.
Mas a maior e a melhor de
todas suas bors obras, sua
obra-prima, construida pum
plano muito mais elevado que
as outras, é a sua família.
Com sus diletissima esposa,
dona Albertina Sosres de Mo-
rees, mulher forte, corajosa e
fiel, a qedicads companheira
de todos os seus dias, o eco-
da sua consciência, a incom-
parável suxiliar Ge todos os
seus trabalhos, o seu conselho,
o seu repouso e & sua aurto-
Ja, ele fundou e presidiu um
Jar em que todas as virtudes
domésticas e sociais, cívicas e
religiosas estão frutificando
nos seus filhos e florindo nos
seus neios para glória de seu
nome, que haverá de Curar
para sempre, pois não será
condenado ao esquecimento.
O que ele quer, antes de
tudo e acima de tudo, € subtr.
Subir mais. Sempre mais. Os
seus pés nho se aquietam em -
Jugar slgum por mais alto que
seja.
Cultivar a modéstia, virtu-
de que retém no Animo a mo
Geração de todos os desejos.
Ela presma todas as suas
ações de ta] modo que não
passavam e excesso nem che-
cavam a tez defeito.
Recusava as honras e dignt-
Gades. Quem as foge, melhor
as merece,
Neste mundo em que muitos
vivem dominados pelas amb!-
ção, nsda encontrando para
mais amar e admirar que eles
mesmos; sÃO capsres de tudo,
menos de abnegação verdar
Beira; e vivem na sede devo
crdors de spotsose, somente
Fuportando à sus volta adora-
Ecres é lrceice homens coma
Amynthas são honrosas exce-
des
ções. z
Com & responsabilidade do
talento, que lhe fo! confiado,
trabalhava porque o trabalho *
lhe desenvolvia as forças,
principalmente as do espírito,
as de sua extraordinária in-
teligência.
Nunca lhe faltou o trabalho.
Não conheceu os dias macios
das férias bem gozadas nas .
alegrias dos divertimentos.
Trabalhava incansavelmente. -
Como aqueles bons servidores
da parábola evangélica, não
escondeu, no fundo ds terra,
a moeda com que s vida o
aquinhoara. Tomoua nas
mãos. Mirouz. Remirou-a. E
fêla multiplicarse.
o sabia O que fazer da
felicidade se ela não lhe ofe-
recesse novos trabalhos a rea-
lzar e novos obstáculos &
transpor. Para ele, nada es
tava feito enquanto faltasse
alguma cousa por fazer.
Se em trabalher consistia a
sua vida, crescer foi a sua re:
compensa.
Nas empresas em que se ma.
teu, sempre foi feliz, porque
a prudência lhe aconselhava
pesar primeiro, com a balan-
“ça da razão, as dificuldades e
medir'as forças com o risco.
Pois se o peso é mais podero- .
so que quem o leva, oprime.
E não proporcionar e empre
sa com o esforço é precipitada
temeridade.
Homem idealista e prático,
Bo mesmo tempo cheio de oti-
mismo, concebia projetos
grandiosos e executavaos to-
dos.
Poucos o excederam no tra- -
balho de cada dia 2 favor do
crescimento econômico do
Bresil, que eie amou e bem
serviu como raros. A prova
do que acabo de afirmar es:
tê nas empresas que ele fun-
Gou com homens iguais a ele:
Alberto Woods Soares, Antô-
nio Faria Ribeiro, os irmãos
Lemos Rache, eic.. E presi
diu com notável competência.
Permitome citar, entre elas:
Companhia Serviços de Enge
nharia, Companhia Niquel To-
cantins, Companhia Mineira
Ge Metais, Companhias Nabira
de Mineração, Minas Pasto
ril, Usinas Wigg, Companhia
Melhoramentos Ferroviários,
Companhias Materiais Sulfuro-
mos — Matsulfur (Cimento
Montes Ciaros), Companhia
Aços Especiais Ttabire — Ace-
aita etc... '
13 SET197
Amynhas Jacques de Morais o missionário eficiente
dos grandes empreendimentos
(Lamartine Godoy)
Amynthas Jacques foi um dos poucos de sua época que
* alteraram o dimensionamento empresarial do Brasil, fixando nor-|
mas e principios que traduziram excelentes resultados na eco-
nomia nacional.
Modesto, sereno, porém seu olhar vislumbrava grandes hori-
zontes, ajustando o compasso industrial da nacionalidade, aos ob-
jetivos estruturados com firmeza e determinação.
Por volta de 1944, ainda no ginásio, tive a felicidade de
conhecê-lo, por meio de meu tio Romeu Godoy, diretor proprie-
tário da Revista Mineira de Engenharia, eficaz órgão técnico dc
rem: que impulsionava as iniciativas industriais da época.
Mário Werneck, Francisco Brandão, Manoel Pimentel Go-
doy, Lenôidas Damásio, Vicente Assumpção e Epaminondas Lage
eram de minha convivência diurna, com os quais saciava minha
intensa curiosidade tecnológica. |
Foi talvez esse nefelibatismo mecanicista que me levou
mais tarde a enfrentar o desafio da organização da Escola de En-
genharia Kennedy, hoje amplamente vitoriosa. |
Minha convivência com esse notável mineiro de Marlié:ia
se tornou um idílio que perdurou por toda a sus laboriosa exis-
tência.
Ainda estudante de engenharia, colaborou i-tensamande te
construção do açude Orós e muitas outras obras de importância.
Desde cedo revelou-se apto a atividades de grande porte, pre-
vendo o panorama continental do pais e seu real posicionamento |
industrial.
Acesita foi idealizada e executada com tenacidade inque- |,
brantável. Construida no vórtice da Segunda Guerra Mundial, en-
frentou obstáculos desafiadores. Paciente como um chinês, absor-
— via as dificuldades como se fossem brincadeiras. Aliás,. Horácio
já recomendava nas coisas dificeis, recorda que deves conservar
fria a cabeça.
Seria um ato de justiça que seu nome passasse a figura
no pórtico daquela cidade. Afinal, Acesita é fruto especifico d
siderurgia festa por Amynthas.
Em 19254, parece-me, quando a primeira comitiva de japo:
neses visitou a região, todos eles acostumados a edificar em li
mitados espaços geográficos, levantaram a idéia de aproveitar um:
taixa de terra disponivel e contigua aos laminadores da Acesita
para a construção da Usiminas. Amynthas, que se achava pre
sente, protestou com veemência: “Não precisamos de japonese
para construir usina neste local. Nosso plano é bem mais ambi
cioso. Desejamos uma siderurgia de grande porte para supri
nosso mercado”. Assim, morreu a Idéia dos japoneses e fez-s:
a Usiminas no local previsto por Dr. Amynthas.
Também a Companhia Vale do Rio Doce recebeu apoio
incentivo de sua poderosa inteligência operacional e crintiva.
Seu relacionamento internacional facilitou amplamente o fluxo d
investimentos nas áreas onde nossas necessidades produtiva
eram mais carentes.
Dai o salto prodigioso do industrialismo atual, fruto de ini-|
ciativas ajustadas e bem conduzidas.
A fábrica de cimento em Montes Claros, Matsulfur, outro
pólo expressivo que sustenta a demanda interna e enriquece 8
arca fiscal de Minas e eleva o poder de mercado de mão de
obra, é mais uma iniciativa arrojada do incansável lidador.
O espirito criador de Amynthas não se detinha na faixa in-
dustrial, Dotado de singular cultura humanística e de alta sensi-
bilidade religiosa, abrilhantava suas conversações revelando vas-
tos conhecimentos da vida dos grandes santos, filósofos e pen-
sadores.
Caráter nobre, em jactância, a estética de vida marcava-
lhe a personalidade. Certa feita Assis Chateaubriand confidenciou-
me: Amynthas Jacques é um lord de elegância e delicadeza. Sua
postura ajusta-se melhor aos salões britânicos.
O lar, envolvido em ternura e bondade, deu-lhe sustenta-
ção criadora. Albertina, companheira de ricas qualidades, ador-
nava e administrava, guiava e previa. As reuniões de família ful-
guravam um panorama de amenidade e acolhimento. Não havia
os conflitos menores que enfeiam a convivência doméstica. Um
clima de saudável harmonia vicejava puro e benfazejo. Sua casa
era alento e estimulo para os amigos que tiveram a ventura de
trequentá-la.
A natureza timida afastava-o às vezes das turras políticas,
cujo tropel não lhe agradava.
Empresário, estadista, técnico consumado, místico, sabia
conduzir-se em gestos de inigualável afirmação. Havia um pro-
cesso harmonioso e bem ajustado em sua atitude que definiam
pontos de singular beleza.
Seu desenlace foi quase musical. Não dos acordes chelos
de tumultos wagnerianos, mas a placidez amena das tocatas e
fugas bachianas.
Quando o levamos ao túmulo, familiares, empresários ho-
mens de negócio, velhos companheiros de jornada, jornalistas e
diplomatas, o céu entristeceu-se e, junto com as lágrimas dos se-
res, cairam gotas de chuva, em solidariedade aos que choravam.
Então o Criador acolheu em seus braços o filho ditoso
que não descurou do dever familiar, pois criou filhos úteis e bem
preparados; do dever cívico, pois trabalhou em toda a existência
pela Pátria; do dever de cristão puro, pois sua vida foi um tes-
temunho de beleza cristã.
Passado alguns dias, trafegava eu pelas margens do Pira-
cicaba com destino a Belo Horizonte, já alta madrugada.
A feérica iluminação do pátio industrial da Acesita, mais
as fagulhas dos altos fornos e acearias, o lufa-lufa dos lamina-
dores, o tilintar das forjarias, forradas por um brilho das estrelas
incomum, transportaram-me ao plano cósmico e lá se achava o
espírito envolvido em cintilante fulgor que assistia ao espetáculo
decorrente de sua própria operosidade. E
ARTIGO PUBLICADO NA REVISTA
"VIDA INDUSTRIAL", ORGÃO OFI
CIAL DA FEDERAÇÃO DAS INDUS-
TRIAS DO ESTADO DE MINAS GE-
RAIS.
DEZEMBRO 1977
Amynthas Jacques de Moraes,
pioneiro do desenvolvimento
de ditado Sao unida
O engenheiro Amynthas Jacques de Moraes foi o primei-
ro presidente da Açominas
A Estrada de Ferro Vitória-Minas fora implantada
com o auxilio de empréstimos a longo prazo de banquei-
ros franceses, que receberam, em garantia, debêntures
conversíveis em ações. Certo dia, no início da década
de 40, a direção da Estrada de Ferro recebe uma notifi-
cação judicial, comunicando que, de acordo com cláusula
contratual, as debêntures seriam transformadas em ações
e, consequentemente, assumiriam os franceses o con-
trole da EFVM.
VIDA INDUSTRIAL — DEZEMBRO 1977
Isto porque dentro de quatro dias estaria esgotado
o prazo para a Estrada de Ferro iniciar a ligação Desem-
bargador Drimmond-ltabira, em Minas Gerais. Os dire-
tores e principais funcionários estavam nos escritórios,
atarefados com a desocupação das mesas para entregar
os cargos aos novos donos, quando entrou Amynthas
Jacques de Moraes, vindo de uma de suas numerosas
viagens pelo País. EE a
Informado do que ocorria, convocou os companhei-
ros e mostrou que a solução seria iniciarem, nas 96 ho-
ras restantes, a ligação ferroviária exigida no contrato.
Todos se entreolharam sem compreender, pois, além do
anteprojeto topográfico da Estrada, tudo o mais estava
por fazer. Mas ele os convenceu de que valia a pena
enfrentar o desafio.
O fato é que, numa luta titânica contra o tempo e
es dificuldades da época, antes de se completarem as
96 horas, os jornais do Rio noticiavam que, com a pre-
sença do representante do Ministro de Viação e Obras
Públicas e de autoridades estaduais e municipais, a Es-
trada de Ferro Vitória-Minas começara a construção do
ramal de Itabira. A construção não parou mais e hoje,
40 anos depois, ostenta a ferrovia a liderança mundial
no transporte de minério de ferro.
A vida e a obra
Amynthas Jacques de Moraes era um homem de co-
ragem 6 que gostava de enfrentar desafios. Nasceu em
1898, em São José do Grama — hoje Jaguaraçu, peque-
nina vila situada no Vale do Rio Doce, próximo de onde
se erguem os altos fornos da Acesita e Usiminas. Ór-
fão aos treze anos de idade, cedo teve que abrir sozinho
seus caminhos na vida. Para custear os estudos em Ou-
ro Preto dava aulas particulares, que não eram suficien-
tes para mantê-lo. obrigando-o a trabalhar em topogra-
fia. Teve, por isso, que continuar os estudos em Belo
Horizonte para formar-se em Engenharia na Politécnica
do Rio, em 1927, já casado e com dois filhos. De 1927
até sua morte — 50 anos depois — não mais descansou,
pois, como dizia, “para descansar teria toda a eternida-
de”
Percorreu o Brasil inteiro, deixando em toda parte
a marca de sua presença e do seu espírito de iniciativa.
Assim, em Goiés dinamizou a exploração do níquel de
São José do Tocantins — hoje Niquelândia e, também, a
Companhia de Cimento Brasília — atual Companhia de
Cimento Rio Branco, desde a aquisição das jazidas até
a localização de suas instalações industriais.
Em Minas Gerais, coordenou a mobilização e/ou a
instalação das seguintes empresas: Companhia Brasilei-

open original →