CÂMARA MUNICIPAL DE PEDRALVA
ESTADO DE MINAS GERAIS
PROJETO DE LEI Nº 036/2022
Denomina a pista de caminhada em frente
à Rodovia MG-347, na entrada da cidade
sentido norte, de Pista de Caminhada
Amado José da Silva, o Amadinho
Afonso.
O PREFEITO MUNICIPAL DE PEDRALVA, MINAS GERAIS.
Faço saber que a Câmara Municipal decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º - Fica denominada a pista de caminhada localizada em frente à Rodovia
MG-347, na entrada da cidade sentido norte, de Pista de Caminhada Amado José da Silva, o
Amadinho Afonso.
Art. 2º - Faz parte integrante da presente Lei a imagem em anexo, que indica a
localização da pista de caminhada.
Art. 3º - Esta Lei entra em vigor na data de sua Publicação.
Pedralva, de de 2022.
JUSTIFICATIVA
Biografia de Amado José da Silva, o Amadinho Afonso
Amado José de Silva, nasceu em 25 de abril de 1922, em São José do Alegre,
na época, Distrito de Pedra Branca. Filho de José Afonso da Silva e Ana Carvarina de Jesus.
O pai, português de nascimento, da região do distrito de Leiria (no interior de Portugal),
nasceu em 23 de março de 1888, A mãe, veio da família de Antenor Carlos de Faria, (casado
com a parteira Dona Menina).
Amadinho casou-se com Maria de Lourdes Vilela da Silva, em 12 de junho de
1948, no dia dos namorados. Ela, filha de João Monteiro Vilela (o Zico Vilela) que era irmão
do Davi Vilela.
Tiveram 13 filhos: Marilda, Maurício, Mauri, Marilza, Maurílio, Marcílio,
Marina, Murilo, Marileia, Marcelo (falecido em setembro de 2002), Mauro, Márcio, Marília.
Desde pequeno, começou a trabalhar na lavoura de arroz. Primeiro, no Alegre,
no local onde hoje passa a Av. das Palmeiras, na saída para o Distrito de Olegário Maciel, no
Brejão. Depois, perto dos Motas, no bairro Bento. Em seguida, veio para a Fazenda
Campestre, em Pedralva, quando casou-se com Dona Lourdes. Isso nos anos 1948, 49 e 50.
Na sequência, por volta de 1951/52 foi para Monte Sião. Nos anos de 1953, 54 e 55, cultivou
arroz no bairro Floresta, município de Brazópolis. Em 56 voltou para o bairro Campestre, em
Pedralva, onde permaneceu até 1963. Nesse ano mudou-se com toda a família para o bairro
Vargem Alegre (Cristina), onde plantou arroz até 1972. Quando solteiro também havia
morado na Vargem Alegre, em 1941, 42. Naquela época, pegou a doença de tifo. Começou a
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cuidar da enfermidade em Cristina, onde foi desenganado por dois médicos. Quem realmente
o curou foi o Dr. Bacha em Pedralva.
E finalmente, a chegada ao porto seguro, o bairro do Anhumas, em 29 de julho
de 1972. Intensificou a plantação de arroz, pela primeira vez, nas suas próprias terras. Antes,
eram só terras arrendadas. Por isso, fazia a defesa intransigente da reforma agrária. A nova
propriedade foi adquirida do Amado Firmino que depois da venda mudou-se para Jacareí. A
área foi aumentada com compras de Joaquim Garcia e de Pedro Faustino.
Plantou arroz desde 1997, ou seja, por mais de 50 anos. Plantava, colhia e
vendia arroz em casca para Pouso Alegre, Zé Bernardo e depois para o Chicão.
Na década de 90, os próprios filhos, Marcílio, Mauri, Marcelo e Mauro
começaram a beneficiar e a empacotar o arroz. Criaram a marca “Arroz Irmão Vilela”. A
várzea era enorme, com 12 hectares, com altíssima produtividade. Por isso, foram premiados
várias vezes. Depois que o Amadinho repassou o cultivo de arroz para os filhos, dedicou-se
mais ao café.
Apaixonado por futebol, jogou até aos 39 anos. Começou jogando no ataque.
Depois terminou na lateral esquerda. Foi craque do time do Campestre, onde foi
companheiro do Matias, Canhoto, Chico Antônio e Zé Mauro. Também jogou pela Pedra
Batista com a família Braga. Torcedor fanático do Botafogo.
Personalidade forte, rigoroso, possuidor de grande espírito de liderança. Só
gostava das coisas certas. Tem predileção pela letra M. Além de registrar todos os filhos com
a letra no início, os nomes dos seus bois eram: Maranhão, Morango, Modelo, Mazola. Essa
boiada foi levada do Campestre para a Vargem Alegre. A égua de bagageira e a mulata.
Comprou uma colheitadeira de arroz na década de 90, modernizando os
serviços. Ele mesmo a dirigia.
Na política, foi filiado ao PSD, sendo aliado do Geraldo Mota, no Olegário. O
sogro era PSD roxo. Depois, quando em Pedralva, juntou-se ao ex-prefeito Dailton de Paula
e Silva, de quem foi companheiro durante muito tempo.
Sr. Amadinho conta com 30 netos e vinte e cinco bisnetos. Viveu 59 anos com
Dona Lourdes, falecida em 17 de março de 2007, aos 82 anos.
Ele é um dos grandes benfeitores da Conferência de São Vicente de Paulo de
Pedralva. Todos os anos, Ivanzão pegava sua Toyota e junto com Edel e mais o Chinho,
recolhia os mantimentos para suprir a despesa de nossa Vila Vicentina. E o Amadinho pegava
a saca de arroz, punha sobre os ombros e a condizia para a caminhonete do Ivanzão. E ele
sempre nos dizia: “Com esta maravilhosa vargem e meu arrozal, consegui criar e educar
meus filhos”. Para isso, chegou a adquirir uma Kombi, para levar os filhos para Itajubá, onde
os meninos fizeram curso técnico e as meninas, o magistério.
Verdade é que alguns deles queriam mudar a lavoura para o café. Achavam que
dava mais dinheiro. Mas ele insistia: “Enquanto eu for vivo não deixarei esta bendita
lavoura.” Porém, incentivado pelo amigo Bênis, que forneceu as primeiras mudas, no final
dos anos de 1970, passou a cultivar também o café.
Em 03 de setembro de 1999, sobreveio-lhe um forte Acidente Vascular
Cerebral. Passou a ter cuidados médicos especiais. Ficou de cama e entrevado. Apesar de que
nunca parecia se entregar, teve momentos muito difíceis. Mas foi levando, com as bênçãos de
Deus. E ele foi se recuperando, melhorando e se enchendo de disposição e alegria. Vendeu
seu carro. Comprou uma cadeira de rodas motorizada. E com seu veículo, circulava pelas
suas terras, cuidando de suas plantas, ele próprio. E continuava cheio de vida. Muito alegre e
feliz. Nunca se deixou abater pelo desânimo. Depois do AVC, em 99, os filhos continuaram a
cultura do arroz até o ano de 2000.
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À semelhança dos Bandeirantes, Amadinho Afonso embrenhou-se pelos
sertões do sul das Gerais, durante mais de 50 anos, tornando-se, no final do século XX, o
maior rizicultor de Pedralva. Apesar de ter estudado somente até o terceiro ano, inscreveu,
com honradez, seu nome na história de Pedralva. Ele conversava e discorria sobre qualquer
assunto. Diplomado na Escola da Vida.
Em 24 de julho de 2018 veio a falecer, deixando um grande legado.
Câmara Municipal de Pedralva, 3 de maio de 2022.
Tó Papi de Sousa
Vereador
MAPA DE IDENTIFICAÇÃO DA PISTA DE CAMINHADA
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