CÂMARA MUNICIPAL DE PEDRALVA
ESTADO DE MINAS GERAIS
PROJETO DE LEI Nº 042/2018
Denomina Logradouro Municipal.
O PREFEITO MUNICIPAL DE PEDRALVA, MINAS GERAIS.
Faço saber que a Câmara Municipal decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º - Passa a denominar-se Avenida Geralda de Lima Souza, trecho da via pública
localizada no Bairro Anhumas, atualmente denominado “estrada Cubatão”, tendo seu início na
junção com a Avenida Claudio Rodrigues de Souza, de onde segue à esquerda por uma extensão
de 700m.
Art. 2º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Pedralva, de de 2018.
JUSTIFICATIVA
Biografia de GERALDA DE LIMA SOUZA
Geralda de Lima Souza nasceu no bairro Cubatãozinho, no ano de 1924, e ao longo
de sua vida marcou a sociedade.
O bairro Cubatãozinho era um bairro pequeno e com poucos moradores. Porém, os
poucos moradores que tinham possuíam muitos filhos. Dona Geralda era a terceira filha do casal
Ana Cândida de Carvalho e Emesto José de Lima.
Dona Geralda nasceu com muita saúde e viveu bem sua infância. Por volta dos 10
anos de idade, um incidente marcou sua vida impedindo-a momentaneamente de realizar alguns
de seus sonhos. Era julho, inverno rigoroso, Geralda e alguns de seus irmãos acordaram e como
de costume logo cedinho foram sentar-se a taipa de fogão a lenha enquanto a mãe preparava um
café. O pai de dona Geralda estava na várzea tocando a criação. Aconteceu que um boi saiu e
estava indo em direção ao arrozal, foi aí que ele gritou: “Geraldinha, toca o gado! Toca o gado!"
A menina saltitou do fogão e foi correndo em sentido a água congelante que estava na plantação.
Tocou o gado e voltou pra perto de sua mãe com muitas dores pelo corpo todo.
Consequentemente foram estalando ossos da perna direita e na face da menina.
A família a levou para cidade. O médico receitou injeção para tirar a dor, mas não
era suficiente. Na cidade havia somente dois médicos. Eles não sabiam do que se tratava e nem
imaginavam que o diagnóstico futuro se tratava de reumatismo. A mãe, usando todo o senso
comum da época, fazia compressas. Os ossos de uma perna e do rosto ficaram expostos e
inflamou. A família a levava no curador do bairro.
Com o tempo as dores foram amenizando, mas dona Geralda ficou acamada. Foram
10 anos sem andar. Os amigos e familiares a visitavam e com tempo ela conseguiu sair de casa.
Carregavam em cima de um banco e colocava para que ela pudesse sair do quarto um pouco.
Com toda religiosidade da época, numa dessas visitas sugeriram a ela que rezasse
bastante e principalmente para um santo em específico, São Gonçalo, protetor dos membros
inferiores e superiores. E aí ela começou a rezar por ele. la às grandes festas do bairro e região
em que era comum a dança de São Gonçalo. Em um desses encontros religiosos, dona Geralda
fez uma promessa. Disse que contava com a cura do santo e que estava preparando uma festa. E
chegou o grande dia. E dona Geralda estava sentada próxima dos santos. Foi aí que ela se
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Tel.0**.35.3663-1464 Fax. 0**.35.3663-1678 e-mail: empedralva(obol.com.br ou adm(a pedralva.cam.mg.gov.br
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levantou em direção ao pequeno altar preparado no meio do terreiro. Foi dando os primeiros
passos, lentos, cambaleando e escorando nas pessoas. Dentro de cinco anos ela ainda tinha muita
dificuldade para se locomover. Andava escorando um porrete e foi se adaptando as muletas.
Já, aos 25 anos, dona Geralda queria muito estudar. Disse aos pais que queria ser
professora, era um sonho de tempo e agora que tinha reconquistado sua liberdade novamente
gostaria muito de realizá-lo. No bairro, havia um único homem que veio de fora que sabia ler e
escrever. Seu pai o pagou durante dois meses para passar um pouco do seu conhecimento. Todos
no bairro eram analfabetos. E ela foi praticando sozinha. Com o tempo, um deputado veio visitar
o bairro. O pai conversou com o político e disse que a filha tinha vontade de lecionar, explicou
que no bairro não tinha escolas. Foi assim que uma professora da cidade, Dona Henriqueta
Monte foi convidada para dar aula.
As pessoas da comunidade se juntaram e montaram uma pequena escola, fizeram um
mutirão e construíram uma pequena sala. Os pais compravam, com muito custo, o material
escolar. Eram muitas crianças e em diferentes idades.
A família de dona Geralda buscava a professora na cidade, de carro de boi, na
segunda e levava na sexta-feira. Ela ficava hospedada na casa do seu Emesto. Dona Geralda
ficou estagiando com ela durante um ano. Até que chegou a vez de assumir as turmas, pois a
professora regente não viria mais. O prefeito foi ao bairro e fez uma reunião. Ficou definido que
se ela fosse à prefeitura fazer a prova e passasse, podia dar aula para a primeira e segunda série
do primário. Ela passou na prova, não tinha diploma, mas começou a lecionar regente na
escolinha do bairro. De inicio alfabetizou mais de 30 alunos naquela pequena sala. E foi assim
que passou os próximos 10 anos de sua vida. Ela contribuiu com a aprendizagem de mais de 150
alunos do bairro e região.
O tempo foi passando e vieram professoras formadas para a escolinha e assim dona
Geralda não poderia dar aula mais. Ela continuou na escola, porém como sopeira.
Já aos 40 anos, tinha um sonho em ter filhos, porém ela ainda não tinha um parceiro
e sua família se preocupava muito com ela por andar mancando. Veio um rapaz passear no
bairro, ele era de Itajubá, mas tinha parentes ali. Eles se conheceram e se casaram em outubro de
1964. Dois anos depois tiveram um filho, José Marcos de Souza. Tiveram três netos.
Dona Geralda contribuiu muito como voluntária da igreja do bairro, deu catequese
para muitas crianças e ajudava nas missas e rezas. Ela também foi costureira, fazia ternos e
vestidos de casamento. Ela aprendeu tudo sozinha.
Sua história sempre motivou a todos do bairro e ela sempre foi uma figura muito
importante, reconhecida e querida. Ainda super consciente e saudável, porém com a idade já
avançada, ela foi internada aos 87 anos e faleceu de falência múltipla dos órgãos. Será
eternamente lembrada por todos que a conheceram. Nossa eterna professora!
Conto com a compreensão e aprovação deste Projeto por todos os colegas
Vereadores, para que a memória desta mulher fique registrada para a posteridade.
Câmara Municipal de Pedralva,/16 de agosto de 2018.
Lima Lopes
Vereador
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e) ESTADO DE MINAS GERAIS
ANEXO I- MAPA DE IDENTIFICAÇÃO DA RUA
Estrada Anhumas, 4
477; Pedralva Es
*
Estrada Anhumas, 4
477 - PedrGoOgle
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