| Tipo | Projeto de Decreto Legislativo |
|---|---|
| Número / Ano | 150 / 2013 |
| Date | 2013-10-17 |
| Ementa | OUTORGA TÍTULO DE CIDADÃ HONORÁRIA E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS. |
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PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 150 / 2013 OUTORGA TÍTULO DE CIDADÃ HONORÁRIA E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS. A Presidente da Câmara Municipal de Rio Pomba, Estado de Minas Gerais, no uso de suas atribuições regimentais; tendo em vista o art. 22, inciso XIV, da Lei Orgânica Municipal; bem como o disposto no art. 48, inciso V, alínea "e", do Regimento Interno da Câmara; observadas as disposições da Resolução nº 256/2006; faz saber que a Câmara Municipal, em Sessão Plenária, aprovou, e ela promulga o seguinte Decreto Legislativo: Art. 1º A Câmara Municipal de Rio Pomba outorga o Título de Cidadã Honorária à professora Maria Marotta. Art. 2º A entrega do título acontecerá em sessão solene, ficando a Presidência da Câmara autorizada a tomar as providências necessárias. Art. 3º As despesas decorrentes da execução deste Decreto correrão à conta própria do orçamento vigente. Art. 4º Este Decreto Legislativo entra em vigor na data da sua publicação. Rio Pomba, Estado de Minas Gerais, Plenário Presidente Tancredo de Almeida Neves, 30 de setembro de 2013; 246º da Fundação e 181º da Emancipação. VEREADORA MARIA DO CARMO VIEIRA DA SILVA GOMES - Projeto de Decreto Legislativo nº 150/2013 BIOGRAFIA: MARIA MAROTTA. Naturalidade: Ponte Nova/MG. Filiação: Leônidas Marotta e Maria Meirelles Marotta. Cursos: - Primário: Concluído no Grupo Escolar São José, Rio Pomba. - Ginasial: Ginásio Pombense, Rio Pomba. - Curso Normal: Escola Normal Oficial de Ouro Preto. - Pedagogia: Administração Escolar, pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora. - Aperfeiçoamento dos Funcionários Municipais - Secretaria de Estado dos Negócios do Interior — Belo Horizonte, MG. Estágios: - Técnicas de Ensino, Centro de Estudos de Pessoal do Exército - Forte Duque de Caxias/ RJ. - Atualização para Secretários Escolares — Colégio Agrícola de Muzambinho/MG. - Curso de DAI-110 - Ministério do Trabalh, Brasília/DF. - Curso de Relações lnterpessoais para o Trabalho — SENAC. - Preparação de Economia Doméstica para Jovens e donas de Casa do Meio Rural pela SEAV - Ministério da Agricultura em Pinheiral/RJ. - Seminário de Recursos Audiovisuais da CADES – Barbacena/MG. - Legislação de Ensino para Chefes da TURAE pela SEAV-CONTAPII, Rio de Janeiro. - Encontro de Estabelecimentos de Ensino Médio do Sistema Estadual, pela Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais. - Curso de Aperfeiçoamento para Secretários de estabelecimento de Ensino Comercial, pela Fundação Educacional Machado Sobrinho — Juiz de Fora/MG. - Curso Nacional de Cooperativa Escolar, pela Universidade Federal da Paraíba. Locais de Trabalho: - Ginásio Pombense, hoje, Escola Estadual Professor Jose Borges de Morais. - Escola Técnica de Comércio de Rio Pomba. - Escola Agrotécnica Federal de Rio Pomba, hoje, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais - Campus Rio Pomba. Funções Exercidas: - Professora - Secretária Escolar - Diretora de Divisão de Atividades Técnicas. Títulos Honoríficos Recebidos: - Titulo de Pombensidade conferido pelo jornal ―O Imparcial‖. - Menção honrosa pela Câmara Municipal de Lavras/MG, proposto pelo Vereador Sérgio Possatto. - Vulto histórico de Rio Pomba, pela Academia Rio Pombense de Ciências, Letras e Artes. - Titulo de Melhor Secretária conferido pelo jornal ―O Imparcial‖ e pela Prefeitura Municipal de Rio Pomba. - Diploma de Honra ao Mérito conferido pela Comissão Organizadora das comemorações do Jubileu de Ouro da Escola Estadual Professor José Borges de Morais, de Rio Pomba. - Certificado de Honra ao Mérito conferido pelo Diretor da Escola Agrotécnica Federal de Rio Pomba. - Diploma pelo apoio à Campanha Pró-Biblioteca Municipal de Rio Pomba. - Certificado de Mulher Cidadã, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. - Certificado pela participação no dia de homenagens aos Servidores Aposentados, em comemoração aos 47 anos do IFET, Campus Rio Pomba. COMENTÁRIOS DA AUTORA: A apresentação do curriculum vitae de Maria Marotta nos mostra uma pessoa extremamente dedicada aos estudos e ao trabalho na área da educação. Pelos títulos honoríficos a ela concedidos, percebemos que ela possui algo mais em sua pessoa, em seu caráter, pois, como a Câmara Municipal o faz agora, diversas instituições lhe renderam homenagens. Para nos revelar Maria Marotta, recorri a quem lhe conhece melhor e apresentou-se sua sobrinha Júlia Márcia, que muito atenciosamente nos brindou com belíssimas palavras e uma forma de escrever que deixa transparecer a alma da homenageada e apresenta os dons que lhe tributaram tanto reconhecimento. VEREADORA MARIA DO CARMO VIEIRA DA SILVA GOMES ―Foi-me dada a incumbência de escrever algumas palavras para descrever a D. Marotta. Mais do que uma incumbência, é uma responsabilidade absurda, mas se aceitei esse desafio é bom começar logo e vou cumpri-lo sem pressa de terminar. Uma mulher que nesses seus quase noventa anos nunca perdeu a Fé em Deus, nunca se mostrou temerosa, nunca perdeu seu foco de servir, servir e servir. Não é possível descrever todos os feitos dessa mulher com meia dúzia de palavras. Maria Marotta, a caçula de cinco irmãos do primeiro casamento de Maria Meirelles e Leônidas Marotta, nasceu em Ponte Nova no dia 23 de fevereiro de 1927. Com pouco mais de um ano de idade ficou órfã de pai. Começou muito cedo a experimentar as dificuldades de uma vida que seria extremamente dura. Pouco tempo depois da morte do pai, a mãe se casou com Joaquim Alves Araújo e fixou residência em Rio Pomba. A pequena filhinha (como era tratada na intimidade) passou uns tempos em Silveirânia na casa de um dos filhos do padrasto. Quando ele faleceu, foi levada novamente para Ponte Nova. A infância, nem um pouco lúdica, impôs-lhe um amadurecimento precoce, uma grande capacidade de adaptação diante de tantas idas e vindas e trocas de moradia. Menina estudiosa, aplicada e inteligente, brilhava com seus cadernos confeccionados na máquina de costuras com o papel que embrulhava pão, na escola rural da fazenda onde os avós residiam. Nessa escola, cursou até o terceiro ano. Em 1938, mais uma mudança: terminou o quarto ano no Grupo Escolar São José em Rio Pomba. Essa menina, de cuca brilhante, sofreu por longos anos com um eczema no couro cabeludo. Como sofreu!...Essa enfermidade a fez passar por sérios preconceitos. O mais marcante foi ter sido impedida de matricular-se no Regina Coeli mesmo sendo a primeira colocada na prova de admissão. Ficou um ano sem frequentar os bancos escolares. Em 1940, como aluna bolsista, ingressou no ―Ginásio do Pomba‖ para continuar seus estudos, sempre se destacando com suas excelentes notas e suas habilidades esportivas. No vôlei, sobressaiu-se, como não poderia deixar de ser, na posição de levantadora... E ali já estava ela, levantando a bola para alguém brilhar. Terminado o curso ginasial, transferiu-se para Ouro Preto para cursar o magistério. Na bagagem, toda a coragem e os sonhos de uma adolescente que amava dançar, estudar, ler e ir ao cinema. Entretanto, como sempre, a vida era dura, e o dinheiro curto. Entre bordados e bolos que fazia para fora, numa jornada que começava nas madrugadas geladas e terminava altas horas de frias noites, a jovem estudante mantinha as notas máximas e chamava a atenção dos professores. No término do magistério, foi convidada para trabalhar no Instituto do Patrimônio Histórico de Ouro Preto, emprego rejeitado para atender o chamado da mãe, novamente viúva.... Mais uma vez, retornou para Rio Pomba. Aqui, em 1951, foi nomeada para a Prefeitura. Paralelamente lecionava no Ginásio Pombense. Em 1954 o ginásio passou a ser uma Escola Estadual. Para não acumular dois cargos públicos optou por ser ―somente‖ professora. Nessa época, já arrimo de família e para complementar o orçamento doméstico, abriu um curso de admissão ao Ginásio onde trabalhou por oito anos. Ela vibrava com seu ADMISSÃO, mas o orçamento doméstico chiava... Sabem por quê? Porque boa parte dos alunos estudava sem pagar e outros pagavam a quantia que coubesse no bolso dos pais. Felizmente em 1962, começou a trabalhar na Escolha Agrícola. Nas palavras do ex- aluno Professor Joaquim Carlos de Sousa ― Marota foi polivalente : - foi mestra fora de sala - foi mãe que estava distante - foi a irmã que faltava - foi musa que guiava - foi a amiga e incentivadora - foi esperança personificada... - para uma redação bonita, um elogio - para uma nota máxima, um incentivo - para uma cara triste, um afago - para uma ausência, a preocupação - para uma rebeldia, uma correção - para um tropeço, um aperto de mão, - sem nunca fazer diferença entre o filho do patrão e do filho do peão... - foi secretária, só que com alma, confiança e coração...‖ Nessa mesma época, sua casa transbordava de sobrinhos e agregados e ela, firme, carregando o piano com total elegância. Força não lhe faltava. Em 1975, (surpreendentemente) voltou aos bancos escolares. Fez vestibular e foi aprovada em segundo lugar. Brilhou na faculdade de Pedagogia cursada em Juiz de Fora. Durante quatro anos, todas as noites, depois de um dia de trabalho, fazia uma viagem de ida e volta. Que mulher é essa que cuidou da mãe, dos irmãos, criou sobrinhos, doou-se anonimamente para tantas pessoas, fez amizades sinceras, construiu uma casa, driblou um câncer? Que mulher é essa que começa de lugar nenhum, que chega e vence tantas batalhas? Essa mulher é a nossa tia Marotta, aquela que nos completa, que nos entende e nos é leal. Aquela que lê pensamentos e enxuga lágrimas. Aquela que faz um bolo pra alegrar, mesmo quando não estamos tristes. Aquela que não sabe a falta que faz. Aquela que foi a melhor, e sempre assim será intitulada. Aquela que sempre foi sincera, com toda sua delicadeza. Aquela que possibilitava fazer tudo, ou nada, e experimentar a verdadeira felicidade. Aquela que se não existisse teria que ser inventada! Aquela que é lembrada todo dia, pois é impossível esquecer. Aquela que já passou por todas as fases, e permaneceu. Aquela que supera os anos, que nos faz sentir como se o ontem fosse sempre hoje, e não há nada de novo para ser contado, porque tudo que é de fato importante vocês já sabem, sempre souberam. A que dividiu toda aquela alegria, e hoje, divide todas as memórias... Todas as virtudes da vida fizeram moradia no coração dessa filha, dessa irmã, dessa cunhada, dessa amiga, dessa mestra. Por isso Deus lhe concedeu a dádiva de uma idade tão invejável. Quem a conhece respeita a sua maravilhosa caminhada e sabe que as suas lições práticas de vida dispensam dedicatórias. Você conseguiu fazer da sua vida uma melodia afinadíssima enquanto carrega o piano para todos nós. Professora Maria Marotta, você é tantas ao mesmo tempo... Poderia ser muito mais, mas o destino a fez TIA. Não sei se ele é legal para você ... para nós sim, pois tê-la como tia é essencial em nossas vidas. Se ―ser sobrinho‖ pudesse ser decisão própria, eu aconselharia a todos que fossem sobrinhos da Marotta. Não há nada mais gratificante do que contar com um amor tão grande e tão incondicional. Como FOI, é, e está sendo bom COMER...MORAR e VIVER com você... OBRIGADA TIA. NÓS TE AMAMOS MUITO!‖ JÚLIA MÁRCIA CARVALHO ALVIM