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materia nº 96/2021

Tipo Projeto de Lei Ordinária do Legislativo
Número / Ano 96 / 2021
Date 2021-10-27
EmentaDISPÕE SOBRE A CINOTERAPIA OU TFC- TERAPIA FACILITADA POR CÃES- "PROJETO MEDICÃO", NOS LOCAIS QUE ESPECIFICA NO MUNICÍPIO DE VARGINHA E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS.
native_id423

Autoria

Tramitação (latest 16)

DateStatusTurnoTexto
2023-11-20 Proposição arquivada — —
2023-11-20 Proposição transformada em lei por promulgação — —
2023-09-28 Redação Final / Autógrafo — —
2023-09-27 Proposição aprovada pelo Plenário em 2º turno G —
2023-09-27 Proposição aprovada pelo Plenário em 1º turno G O vereador Joãozinho Enfermeiro requereu a dispensa dos interstícios legais para deliberação do Projeto de Lei na presente sessão em 1ª e 2ª discussões e votações. Requerimento aprovado por todos os vereadores.
2023-09-26 Proposição inclusa na Ordem do Dia P —
2023-09-25 Parecer favorável da comissão — —
2023-02-08 Proposição distribuída às Comissões — —
2022-12-21 Devolução — EXTINÇÃO DO MANDATO DAS COMISSÕES PERMANENTES.
2022-08-17 Informações recebidas do Poder Executivo — —
2022-06-10 Informações solicitadas ao Poder Executivo — —
2021-11-17 Parecer favorável da comissão — —
2021-11-17 Proposição distribuída às Comissões — —
2021-10-27 Proposição distribuída às Comissões — —
2021-10-27 Proposição apresentada em Plenário — —
2021-10-27 Proposição protocolada — —

Votações

DateResultadoSimNãoAbst.
2023-09-27T19:21:28.609018-03:00 Aprovado 13 0 0
2023-09-27T19:19:56.693872-03:00 Aprovado 13 0 0

Documents (1)

texto original #

status: extracted · method: native · backend: pypdfium2 · confidence: 1.00 · pages: 18

Projeto de Lei 10 96/2021 
.a-t2p444112-1 
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DISPÕE SOBRE A CINOTERA IA OU TB=C- TERAPIA 
FACILITADA POR CÃES- "PROJETO MEDICÃO", NOS 
LOCAIS QUE ESPECIFICA NO MUNICÍPIO DE VARGINHA E 
DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS. 
O Povo do Município de Varginha, Estado de Minas Gerais, por 
seus representantes na Câmara Municipal, 
APROVA: 
Art. 1° — Fica instituído, no âmbito municipal, o Projeto 
"MEDICA0', que visa proporcionar atendimento a pacientes de todas as faixas 
etárias. com auxílio de cães como instrumento facilitador de abordagem e de 
estabelecimento de terapias contribuindo na socialização de pessoas. na 
psicoterapia. em tratamentos médico-hospitalares, bem como diminuição da 
ansiedade provocada por causas diversas. 
Parágrafo Único — O Projeto que trata o caput" permite o 
ingresso de cães adestrados nos Hospitais Públicos cadastrados no Sistema 
Único de Saúde (SUS), no Hospital da Criança e nos CAPs—Centros de 
Atendimento Psicossocial, objetivando auxiliar no tratamento dos munícipes 
assistidos por essas instituições. 
Art. 2° — Considera-se corno benefícios da terapia facilitada por 
cães: 
1— O desenvolvimento de sentimentos positivos; 
II — O contato e troca de afeto; 
III — O amor incondicional, sem julgamentos: 
IV — O prazer em rir e brincar com o animal; 
V — A sensação de conforto e bem-estar; e. 
VI — O estímulo físico, psicológico e emocional. 
Art. 3° — Fica facultado ao Município celebrar parcerias de 
forma voluntária com pessoas e Instituições de Ensino Superior que tenham 
Curso de Veterinária, que possuam cães adestrados. proprietários de canis. bem 
como celebrar convênios com entidades. associações, hospitais veterinários, 
Corpo de Bombeiros Militar de MG, organizações não-governamentais, visando 
dar cumprimento ao disposto nesta lei. 
Praça Governador Benedito Valadares. 11 Centro CEP 37002 020 Varginha - MG - Telefax (35) 3219 4 757 
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Câmara Municipal de Varginha 
Art. 4° — A seleção e recomendação dos cães a serem 
utilizados na atividade de cinoterapia deve ser realizada por equipe 
multidisciplinar composta por profissionais que possuam habilitação adequada de 
acordo com o perfil do paciente a ser tratado, obrigatoriamente, por um médico 
veterinário que atestará as condições de saúde do animal. 
Parágrafo único. Estes profissionais devem possuir registro 
junto aos respectivos conselhos de classe e estarem devidamente cadastrados 
no programa. 
Art. 5° — Para a correta realização das atividades relacionadas 
à cinoterapia desempenhada tanto com cães voluntários adestrados como com 
os cães de estimação do próprio paciente. deve-se observar: 
- O ingresso de animais para a visitação de pacientes internados 
deverá ser agendado junto à administração, respeitando os critérios 
estabelecidos por cada instituição de saúde e observar os dispositivos desta Lei. 
II — Deverá haver a determinação de um local específico 
autorizado dentro do ambiente hospitalar ou CAPs, para o encontro entre o 
paciente e o animal. sem prejuízo ao bom andamento aos demais atendimentos 
locais; 
III — O paciente deve ter autorização expressa para a visitação. 
expedida pelo médico responsável pelo tratamento: 
IV — O animal deve apresentar aptidão para o trabalho de 
facilitação terapêutica: 
V — O animal deve ser domesticado, de índole pacífica, 
temperamento dócil e deve estar em perfeito estado de saúde, com essas 
comprovações atestadas através de laudo emitido por médico veterinário 
cadastrado pelo programa e com registro no órgão regulador da profissão. 
apresentando inclusive, a carteira de vacinação atualizada, com a anotação da 
vacinação múltipla e antirrábica, vermifugação e medicação contra ectoparasitas 
(pulgas, carrapatos e piolhos). 
VI — O animal deve estar em perfeitas condições de higiene, 
seguindo um protocolo de higienização (banho) antes de cada sessão, realizado 
por um médico-veterinário e/ou pet shop voluntários. cadastrados pelo programa: 
VII — O animal deve ser conduzido com equipamento de guia, 
composto por coleira, preferencialmente do modelo -peitoral". 
VIII — O animal deve possuir adestramento para este fim por 
adestrador qualificado, supervisionado pela equipe multidisciplinar e com devida 
comprovação. 
Art. 6° — Os animais a serem utilizados na atividade de 
cinoterapia devem receber tratamento adequado de forma a não sofrerem 
2 
Praça Governador Benedito Valadares. 11 Centro CEP 37002 020 Vargenha • MG r&etax (35) 3219 4757 
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Câmara Municipal de Varginha 
maus-tratos ou serem submetidos a condições de trabalho prejudiciais ou 
inadequadas, devendo ser examinados com periocidade semestral por médico 
veterinário devidamente registrado no respectivo conselho de classe. 
Art. 7° - Fica vedada a aquisição comercial do animal utilizado 
em cinoterapia pelo paciente ou por seus familiares, de forma a que se preserve 
a sua função de facilitador terapêutico. 
Parágrafo Único — As despesas gerais de manutenção da 
saúde do animal e de honorários pelos serviços do seu treinador poderão ser 
patrocinados ou subsidiados por empresas ou entidades que detenham interesse 
na plena atividade dos cães. 
Art. 8° — Todas as sessões de terapia que se utilizem do 
método da cinoterapia deverão ser realizadas com a presença do dono do cão; 
ou, nos casos de o referido animal ser de uso de pessoas jurídicas listadas no 
artigo 3° desta Lei, a presença de seu garantidor far-se-á imprescindível. 
Art. 9° — O Poder Executivo regulamentará a presente lei no 
prazo de 90 (noventa) dias. 
Art. 100— Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, 
revogadas as disposições em contrário. 
Sala das Sessões da Câmara Municipal de Varginha, 
em 27 de outubro de 2021. 
RODRIGO SILVA NAVES 
Vereador 
LUCAS GABRIEL RIBEIRO "Dr. Lucas" 
Vereador 
JUSTIFICATIVA 
3 
• -- - - ----- • 
Praça Governador Benedito Valadares, 11 Centro CEP 37002 020 - Varginha - MG - Telefax' (35) 3219 4757 
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Câmara Municipal de Varginha 
A CINOTERAPIA ou TFC — TERAPIA FACILITADA POR CÃES 
é um método que utiliza cães ou outros animais como coterapeutas em 
diversos tratamentos de saúde. A origem da técnica é antiga, surgiu no século 
XVIII na Inglaterra, com o objetivo de contribuir para ❑ tratamento de pessoas 
com doenças mentais. 
Dessa experiência, descobriram o poder "curativo" dos 
animais. Observou-se que o convívio com os cães trazem benefícios 
psicológicos, sociais e pedagógicos para os pacientes. 
Segundo J. Dotti, autor d❑ livro "Terapia e animais", os gregos 
criavam cães como terapeutas auxiliares, pois acreditavam que eles tinham 
capacidade de curar doenças. 
Brincar, interagir com animais e ao mesmo tempo conhecer 
sobre eles é também uma maneira de despertar e externar os aspectos 
emocionais, transformando o ambiente hospitalar em um espaço mais 
acolhedor, tornando o tratamento mais produtivo e proporcionando melhora no 
quadro clínico dos pacientes, que muitas vezes acabam apresentando 
inclusive mais tolerância à dor. 
Muitas pacientes internados têm o desejo de verem seus 
animais de estimação, que em muitas ocasiões são considerados como 
verdadeiros membros da família. Esse contato tem uma grande contribuição 
no tratamento, permitindo que recebam alta mais rápido. 
E levantamentos apontam que alguns pacientes com doenças 
crônicas que ficam internados em hospitais ou clínicas por longos períodos, 
nunca tiveram contato com cães, tendo seu primeiro contato com esses 
animais através de projetos que incluem a visitação de pets em ambientes 
hospitalares. Isso pode inclusive, estimular a adoção de animais abandonados 
à espera de um novo lar. 
Além dos benefícios aos pacientes, os cães facilitam o 
trabalho dos enfermeiros, promovendo uma quebra na barreira d❑ estresse 
existente nestes locais. 
O projeto de Cinoterapia a ser instituído, "MEDICÃO", visa a 
utilização de cães nos tratamentos dos pacientes assistidos pela rede 
municipal hospitalar e nos CAPs — Centros de Atendimento Psicossocial e é 
pautado em um dos objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da 
4 
Praça Governador Benedito Valadares. 11 Centro CEP 37002 020 Varginha - MG - Telefax (35) 3219 4757 
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Câmara Municipal de Varginha 
ONU, o de n° 3 — "ASSEGURAR UMA VIDA SAUDÁVEL E PROMOVER O 
BEM-ESTAR PARA TODAS E TODOS, EM TODAS AS IDADES". 
Por todo o exposto, contamos com a sensibilização e o 
apoio dos nobres "Edis" para a aprovação desse importante Projeto de Lei. 
Sala das Sessões da Câmara Municipal de Varginha, 
em 27 de outubro de 2021. 
RODRIGO SILVA NAVES 
Vereador 
LUCAS GABRIEL RIBEIRO "Dr. Lucas" 
Vereador 
5 
Praça Governado/ Benedito Valadares. 11 Centro - CEP 37002 020 Varginha - MG Tetefax-(35) 3219 4757 
httpliwww camaravarginha mg gov br email imprensa@camaravarginha mg gov br 1 secretaria@camaravarginha mg gov br 
CINOTERAPIA: UMA 
TERAPIA PARA PESSOAS 
COM NECESSIDADES 
ESPECIAIS COMO FORMA 
DE REABILITAÇÃO 
RESUMO 
No presente artigo, propomos analisar a 
eficácia da Cinoterapia, corno método edu￾cacional e terapêutico, que utiliza o cão, a 
partir de urna abordagem interdisciplinar 
entre as áreas da saúde e educação, bus￾cando o desenvolvimento global dos pra￾ticantes, atendidos pelo Centro de Equo￾terapia da Escola de Aperfeiçoamento de 
Sargentos das Armas/Universidade de 
Cruz Alta, no município de Cruz Alta- RS. 
A Cinoterapia é uma técnica inovadora, 
Carine Nascimento da Silva' 
Aimê Cunha Arruda' 
Candida Elisa Manfio3 
Paulo Sergio Felipe Alves' 
Vaneza Cauduro Peranzoni5 
que visa realizar o desenvolvimento huma￾no e incentivar a relação homem e animal 
(cão), contribuindo para que os praticantes 
estimulem suas capacidades físicas, cog￾nitivas, sociais e funcionais necessárias 
para seu desenvolvimento biopsicossocial, 
contribuindo assim, para a sua educação. 
Essa prática pontua, principalmente, a 
necessidade de estabelecer vínculos com 
animais, os quais são conhecidos como 
objetos transacionais, estabelecendo a se￾gurança do praticante. 
1 Carine Nascimento da Silva, Académica do Curso de Fisioterapia- Universidade de Cruz Alta. 
Bolsista PIBEX-UNICRUZ. kaca_nascimento@hotmail.com; 2 Aimè Cunha Arruda, Acadêmica do 
Curso de Fisioterapia- Universidade de Cruz Alta. Bolsista PIBIC-FAPERGS. airnecunha4@grnail. 
com: 3 Candida Elisa Manfio, Pós-Doutora em Melhoramento Vegetal - Professora Adjunta da Uni￾versidade de Cruz Alta. cmanfio@unicruz.edulr; 4 Mestrado em Estado Maior — Coronel de Ca￾valaria —Comandante da Escola de Aperfeiçoamento de Sargentos das Armas - EASA (2014-2015). 
paulosergiofelipealves@yahoo.com.br.; 5 Professora Doutora em Educação , orientadora da pesquisa, 
pós doutoranda em educação da UFSM. Prof. Da Universidade de Cruz Alta. vaneza.cauduro@ 
terra.com.br 
161 
Na Cinoterapia há a atuação de uma 
equipe multidisciplinar, das áreas da saúde 
e educação, que usufrui desse instrumento 
corno reforçador, estimulador e facilitador 
da reabilitação dos praticantes. 
Essa técnica utiliza o cão durante as 
sessões, através do contato. possuindo 
uma prática educacional e social, buscan￾do a reeducação global de pessoas com 
necessidades especiais. fobias, dificulda￾des escolares e transtornos de déficit de 
atenção com hiperatividade, assim como 
a incentiva a responsabilidade, melhora a 
autoestirna. autocontrole e propicia o es￾treitamento ou a realização de relações so￾ciais à medida que facilita o contato físico 
e verbal. 
A descoberta da técnica de Cinoterapia 
foi realizada por Boris Levinson. no sécu￾lo XVIII na Inglaterra. sendo que em 1953, 
atendendo seus pacientes no consultório. 
Bons percebeu que na presença do seu 
cão, alguns pacientes introvertidos per￾diam todas as suas inibições e medos, o 
que favorecia a comunicação entre o psi￾quiatra e os seus pacientes. Boris também 
observou que o convívio com os cães tra￾zia benefícios psicológicos, pedagógicos e 
sociais. 
Mais tarde. no ano de 1966, na Alema￾nha. foram utilizados cães como terapias. 
e no ano de 1967, na Noruega, Erling Sto￾dahl, um músico com deficiência visual, 
fundou o Centro Beitostolen, para a reabili￾tação de cegos e incapacitados. 
No Brasil. nas décadas de 50 e 60. o 
uso de cães e gatos, corno facilitadores no 
processo terapêutico de pacientes, iniciou 
com a Psiquiatra e Terapeuta Ocupacional, 
Dra. Nice da Silveira. Ela notava que es￾quizofrênicos se relacionavam melhor com 
o cão, observando que haviam pontos de 
apoio seguros e os pacientes podiam se 
organizar psiquicamente. 
A primeira experiência objetivando vis￾tas terapêuticas, com animais no Brasil, 
foi realizada em 1997, peio Dr. Hannelore 
Fuchs. No entanto, ele utilizava apenas a 
presença do cão no espaço hospitalar, não 
existindo interação entre paciente e cão. 
Um animal de estimação sempre dará a 
atenção e terá tempo para brincar com as 
crianças, servindo muitas vezes como um 
refúgio emocional, um ouvinte paciente e 
um elo. que proporciona à familia, sejam 
quais forem as dificuldades, um senso de 
propósito e integração. 
1. Por que o cão como terapia 
O cão é coterapeuta no tratamento físi￾co, psíquico e emocional de pessoas com 
necessidades especiais e, consequente￾mente. precisa atender a diversos requi￾sitos para que o trabalho tenha êxito. não 
comprometendo a relação cão-paciente. 
Qualquer raça de cachorro poderá ser 
utilizada como um coterapeuta. inclusive 
cães sem raça definida. porém a excelên￾cia no temperamento e sociabilidade fize￾ram do Labrador e do Golden Retriever as 
raças ideais nestas atividades terapêuticas 
(BUSSOTI. p. 21, 2005). 
Os animais utilizados para a Cinoterapia 
passam obrigatoriamente por uma ava￾liação. devendo atender os requisitos de 
saúde animal, o que é praticado por um 
médico veterinário, sendo reavaliados e 
monitorados. com frequência. 
Dentre as avaliações, estão os testes 
quanto ao comportamento. obediência. so￾cialização e aptidão. O cão também preci￾sa ter agilidade e ser treinado. no entanto 
para que o cão seja considerado um co￾terapeuta. existem 4 (quatro) etapas que 
precisam ser atendidas: treino de obediên￾cia (adestramento). completo diagnóstico 
do veterinário, teste de temperamento e 
estar com a vacinação em dia. 
Com estas características o cão é um 
ótimo coterapeuta. pois não dá atenção à 
idade ou à habilidade física das pessoas, 
sendo que aceita as pessoas como elas 
são, sem qualquer preconceito. agindo de 
modo auxiliar e não trazendo um olhar cri￾tico ao caso do praticante. 
O cão não é só um excelente animal de 
companhia. como também pode ter um pa￾pel fundamental no dia a dia de pessoas 
162 
com dificuldades motoras, auditivas, 
visuais. Um cão apto para terapias pode 
receber treinamento específico. como ob￾jetivo de realizar tarefas que aumentem a 
autonomia e a funcionalidade de uma pes￾soa com necessidade especial. 
Estas características podem ser adapta￾das a necessidades de cada indivíduo. o 
cão pode ser adestrado para realizar de￾terminadas habilidades, nomeadamente. 
Assim como há os cães de assistência, 
que atuam como cão-guia, cão de alerta, 
cão para surdos e cão de serviço. 
O cão-guia auxilia pessoas com deficiên￾cia visual a se locomover a qualquer lugar 
e, por estar a trabalho, costuma ser aceito 
em locais públicos. Por este motivo o trei￾namento é rigoroso. pois ele nunca deve 
obedecer a qualquer comando que possa 
colocar o seu acompanhante em perigo. 
O cão de alerta avisa as pessoas, por 
exemplo, que possuem epilepsia, da proxi￾midade da ocorrência de uma crise. O cão 
de alerta é selecionado de acordo com a 
sua personalidade e temperamento, de￾vendo ser capaz de realizar tarefas como 
permanecer junto do dono durante o caso 
de perigo. 
O cão para surdos indica fontes sonoras 
a pessoas com deficiências auditivas, ou 
seja. é treinado para responder ou alertar 
para ruídos do dia a dia. 
E por fim, o cão de serviço que ajuda 
pessoas com incapacidades motoras ou 
com problemas do foro psiquiátrico, poden￾do executar algumas tarefas como: acen￾der e apagar luzes, abrir e fechar portas, 
puxar cadeiras de rodas, sacar dinheiros, 
apanhar objetos caídos e "chamar" ajuda. 
❑este modo, o cão aceita as pessoas 
com as suas características, oferecendo 
relevante apoio emocional, com um com￾portamento dócil e adestrado, proporcio￾nando aos praticantes momentos de tran￾quilidade, alegria e segurança. Além disso. 
a presença do animal poderá diminuir a 
pressão sanguínea e o estresse, cativando 
o praticante e estimulando o psicológico e 
emocional. 
2. Os benefícios da Cinoterapia 
❑e acordo com OLIVEIRA (p.1, 2007) o 
ritmo frenético atual tem causado grandes 
problemas não somente aos adultos, mas 
também às crianças, que têm sido grandes 
vítimas deste processo. 
Por esta razão, e em decorrência dos 
resultados de pesquisas científicas que 
mostram que o convívio com animais é 
altamente benéfico, alguns profissionais 
pensaram em desenvolver, a partir daí, 
uma terapia alternativa para auxiliar no 
tratamento de pessoas que necessitam de 
auxílio psicológico com o fim de proporcio￾nar-lhes uma melhor qualidade de vida. 
Segundo DOTTI (p. 8, 2005) a Cinotera￾pia proporciona benefícios diversos, den￾tre eles: 
Mentais como, estímulo ã memória da pes￾soa, exercícios de cognição por meio de ma￾terial usual do animal, da alimentação e de 
higiene. Dentre os benefícios emocionais, 
estão o amor incondicional e atenção, es￾pontaneidade das emoções, redução da soli￾dão, diminuição da ansiedade, relaxamento, 
alegria, reconhecimento de valor e troca de 
afeto. Benefícios sociais como, oportunidade 
de comunicação, sentimento de segurança, 
socialização, motivação, aprendizagem. Be￾nefícios físicos como, exercícios e estímulos 
variados relativos á mobilidade: estabiliza￾ção da pressão arterial e reaçães químicas 
positivas, bem-estar, afastamento do estado 
de dor, e encorajamento das funções da fala 
e das funções físicas. 
Segundo BECKER (p.4, 2003) as crian￾ças e os cães estabelecem uma comuni￾cação recíproca que possibilita um de￾senvolvimento da autoestima, respeito, 
companheirismo, visão de futuro e ainda 
estimula a liberação de substâncias que 
podem ser benéficas ao organismo, como 
endorfina e adrenalina. 
OLIVEIRA (p. 3, 2007) relata que ani￾mais de comportamento dócil trazem ao 
ser humano momentos de tranquilidade e 
alegria. 
As pessoas deixam de lado seus proble￾mas, dores, insatisfações, seus momentos 
183 
de solidão e tristeza, sentem-se mais dis￾postas a falar com os animais, pois estes os 
retornam um olhar não julgador. 
3. O uso do cão corno terapia 
Alan Entin (1989 apud BECKER. 2003), 
um psicólogo de Richmond. Virgínia. que es￾tudou os efeitos dos animais sobre a estrutu￾ra familiar, acredita que o bicho de estimação 
da família pode servir como uma tela para a 
projeção de emoções. 
Da mesma forma, Becker (p. 2, 2003) re￾lata que um bicho de estimação pode servir 
como refúgio emocional, um ouvinte pacien￾te e um elo, que proporciona à família, quais￾quer que sejam as dificuldades, um senso de 
propósito e integração. 
Observamos. atualmente, que a vida de 
pais. ditos contemporâneos, é de muito tra￾balho, restando pouco tempo para o convívio 
e a interação diária com seus filhos. Neste 
contexto familiar, que de maneira geral se 
tornou acelerado, o vínculo com um animal 
pode desempenhar um papel vital. 
O vinculo afetivo que o paciente logo es￾tabelece com o animal é o primeiro passo 
para o sucesso da terapia, pois abre cami￾nho para a comunicação com o terapeuta. 
sendo relatado em estudos de Oliveira (p. 6. 
2007). que se o paciente tiver a oportunidade 
de presenciar a atitude do terapeuta com os 
animais, isso claramente servirá de exemplo, 
gerando. por consequência, maior confiança 
no desenvolvimento da relação com o profis￾sional. 
De acordo com David Niven (p.10. 2001), 
autor do livro -Os 100 segredos das pessoas 
felizes" um dos fatores que contribui para a 
felicidade do ser humano é conviver com um 
animal de estimação. 
O amor que os cães oferecem, incondi￾cionalmente, revitaliza aquelas pessoas que 
muitas vezes se sentem isoladas e abando￾nadas pelos familiares. 
Oliveira (2007) cita que a psicóloga Sandra 
Salgado. integrante do Instituto de Psicotera￾pia Comportamental. nos casos de crise de 
depressão e síndrome do pânico. o paciente 
fica obcecado pelo seu problema. A presen￾ça do animal desvia o foco da atenção da do￾ença para algo que lhe faz bem. 
Para a psicóloga Débora Gil. especializada 
em crianças. os pequenos aprendem a ter res￾ponsabilidade, já que precisam cuidar do cão 
durante a terapia. sendo assim a criança que 
tem seu lado afetivo bem explorado e desen￾volvido terá grandes chances de se tornar um 
adulto bastante equilibrado efetivamente. 
Observa-se, nesses jovens, o desenvolvi￾mento da capacidade de se colocar no lugar 
do outro. pois é preciso interpretar as neces￾sidades do cão. O resultado: crianças menos 
egoístas e mais seguras. 
Em reportagem sobre os benefícios da inte￾ração com animais, o adestrador Denis Martin. 
da Universidade de Southamptom, na Inglater￾ra. enfatiza que o simples ato de fazer carinho 
em um cachorro ajuda a eliminar a carga elétri￾ca proveniente da tensão e consequentemente 
diminui a agressividade. Os pelos dos animais 
agem como condutores de energia, e isso não 
afeta o animal de forma negativa. Ele não ab￾sorve essa carga de tensão (OLIVEIRA. 2007). 
De acordo com Becker (p. 13, 2003) os 
animais oferecem à criança uma maneira de 
experimentar o mundo físico e social. A com￾preensão de que há uma criatura com senti￾mentos diferentes afasta as crianças de seu 
ponto de vista egocêntrico. A concepção dessa 
diferença é a base do desenvolvimento da per￾sonalidade. Quando convivem com animais as 
pessoas tornam-se mais sociáveis, interagindo 
melhor com outras pessoas. 
Jerson Dotti (p.4, 2005), fundador do Proje￾to Cão do Idoso e Presidente da Organização 
Brasileira de Interação Homem-Animal Cão 
Coração (OBIHACC), relata em seu livro que 
idosos através da Cinoterapia melhoram a sua 
saúde, aceitando outros tratamentos. 
Segundo Dr. Bons Levinson. as pessoas ge￾ralmente falam com os animais, compartilhan￾do com eles seus pensamentos, sentimentos e 
lembranças. 
Além do mais, quando um animal está en￾tre duas pessoas, ele sem querer as aproxima. 
pois tem algo de que possam falar. A mera pre￾sença de um cão pode facilitar uma interação 
terapêutica com os pacientes, que possuem 
164 
tencial para a resposta adaptativa ne￾cessária na organização das tarefas coti￾dianas (saúde. lazer e educação). 
OLIVEIRA (p. 37, 2007) relata, em mui￾tos estudos, que através da Cinoterapia, 
os idosos riem mais, se comunicam me￾lhor, sentem menos dor, trabalham a me￾mória, observando-se, também, melhoras 
nos casos de depressão. Os idosos se 
sentem úteis ao cuidar do cão, sentem-se 
mais empolgados e relaxados para realizar 
o tratamento, possuindo a noção de estar 
no comando, havendo uma diminuição da 
dor, do estresse e aumentando a seguran￾ça. 
Portanto, a Cinoterapia tem inúmeros 
benefícios e efeitos eficazes, sendo váli￾da para todas as idades e circunstâncias, 
sendo que em crianças e em pessoas com 
transtorno global do desenvolvimento, de￾ficiência mental, dificuldades escolares 
os resultados são mais satisfatórios, ofe￾recendo-lhes benefícios no processo te￾rapêutico, agindo de modo coadjuvante e 
promovendo uma melhor socialização en￾tre os pacientes e o meio em que vivem. 
A Cinoterapia pode não promover a cura 
do praticante, mas traz tranquilidade, ale￾gria e segurança, reduzindo o impacto e o 
estresse gerados pela doença. 
Quando os seres humanos e os animais 
estão juntos, num mesmo ambiente, po￾demos verificar uma gama de benefícios 
significativos, o que facilita a relação te￾rapêutica, por intermédio das diferentes 
experiências com esses animais, o que 
poderá acarretar em novas aprendizagens 
para todos os envolvidos. A realidade é 
que as possibilidades se mostram infinitas, 
em virtude dos diversos benefícios para a 
humanidade, ou seja, para a comunidade 
em que o paciente vive. 
Através da Cinoterapia, busca-se ofe￾recer uma melhor qualidade de vida para 
a comunidade, visando desenvolver uma 
técnica diferenciada aos pacientes, pro￾porcionando uma reabilitação global. 
pouca ou nenhuma comunicação verbal ou 
que tenham dificuldades de socialização. 
Becker (2003) relata que os cães podem cha￾mar a atenção das crianças autistas. 
Nos autistas, a Cinoterapia proporciona me￾lhora na capacidade de comunicação e na sen￾sibilidade, embora muitos desses pacientes 
não falem e tenham aversão ao toque. 
Johnson (1983 apud GOLDEN, 2004) relatou 
os benefícios da Cinoterapia no trabalho com 
crianças com necessidades especiais. 
A dependência de um cão permite a criança 
com necessidades especiais oferecer apoio a 
outro ser vivo, revertendo o seu papel de sem￾pre ser apoiada. O contato com o cão providen￾cia senso de autonomia e valor próprio, pois a 
criança passa a se perceber corno útil e bené￾fica. 
Segundo Oliveira (p. 18, 2007) a Terapia Fa￾cilitada por Cão é benéfica, também, no cenário 
educacional. 
No ambiente escolar os cães podem servir 
como uma base para o desenvolvimento in￾telectual de uma criança. Há programas nos 
quais as crianças lêem para o cão. As crianças 
não têm preocupação em ler em voz alta para 
o cão, visto que este não poderia censurá-las 
ou corrigi-las. 
Professores que receberam animais em suas 
salas de aula observaram um efeito tranquili￾zante nos alunos, principalmente naqueles com 
dificuldades de aprendizagem e alterações 
comportamentais; provocando melhoria na 
conduta e concentração, reduzindo o estresse 
e melhorando a autoestima (OLIVEIRA, 2007). 
Os cães com treinamento especial auxiliam 
profissionais da área da saúde a trabalhar a 
fala, equilíbrio, expressão de sentimentos e 
motivação dos seus pacientes. Esses cães rea￾lizam exercícios buscando estimular o paciente 
nos sentidos físico e psicológico, trazendo be￾nefícios para o enfermo, providenciando nume￾rosas oportunidades para crescimento pessoal 
baseado em benefícios educacionais, recre￾acionais ou motivacionais, a partir do contato 
com o animal (OLIVEIRA, 2007). 
Segundo Silva (2014) a Terapia Facilitada por 
Cães é provida de oportunidades. pois permite 
ao praticante aprender novas tarefas e compor￾tamentos, o que pode levar ao aumento do po￾165 
REFERÊNCIAS 
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Brasil, 2003. 
BECKER. M. ❑ poder curativo dos bi￾chos: como aproveitar a incrível capaci￾dade dos bichos de manter as pessoas 
felizes e saudáveis. R.J: Bertrand Bra￾sil. 2003 
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DOTTI, J. Animais & Terapia. São Pau￾lo: Editora Noética. FORLENZA, ❑restes 
V. Psiquiatria Geriátrica do Diagnostico 
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OLIVEIRA, G. Cinoterapia: Benefícios 
da interação entre crianças e cães. Teo￾rias e Sistemas no Campo, 2007. 
SILVA, D. M.: PENTEADO, R. de V. SAN￾TIAGO. R. S. ; RODRIGUES. V.: SMEHA. 
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adultos com deficiência mental. Curso 
de Psicologia do Centro Universitário 
Franciscano (UNIFRA), Santa Maria-RS. 
Brasil. 2014. 
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