Projeto de Lei 10 96/2021
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DISPÕE SOBRE A CINOTERA IA OU TB=C- TERAPIA
FACILITADA POR CÃES- "PROJETO MEDICÃO", NOS
LOCAIS QUE ESPECIFICA NO MUNICÍPIO DE VARGINHA E
DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS.
O Povo do Município de Varginha, Estado de Minas Gerais, por
seus representantes na Câmara Municipal,
APROVA:
Art. 1° — Fica instituído, no âmbito municipal, o Projeto
"MEDICA0', que visa proporcionar atendimento a pacientes de todas as faixas
etárias. com auxílio de cães como instrumento facilitador de abordagem e de
estabelecimento de terapias contribuindo na socialização de pessoas. na
psicoterapia. em tratamentos médico-hospitalares, bem como diminuição da
ansiedade provocada por causas diversas.
Parágrafo Único — O Projeto que trata o caput" permite o
ingresso de cães adestrados nos Hospitais Públicos cadastrados no Sistema
Único de Saúde (SUS), no Hospital da Criança e nos CAPs—Centros de
Atendimento Psicossocial, objetivando auxiliar no tratamento dos munícipes
assistidos por essas instituições.
Art. 2° — Considera-se corno benefícios da terapia facilitada por
cães:
1— O desenvolvimento de sentimentos positivos;
II — O contato e troca de afeto;
III — O amor incondicional, sem julgamentos:
IV — O prazer em rir e brincar com o animal;
V — A sensação de conforto e bem-estar; e.
VI — O estímulo físico, psicológico e emocional.
Art. 3° — Fica facultado ao Município celebrar parcerias de
forma voluntária com pessoas e Instituições de Ensino Superior que tenham
Curso de Veterinária, que possuam cães adestrados. proprietários de canis. bem
como celebrar convênios com entidades. associações, hospitais veterinários,
Corpo de Bombeiros Militar de MG, organizações não-governamentais, visando
dar cumprimento ao disposto nesta lei.
Praça Governador Benedito Valadares. 11 Centro CEP 37002 020 Varginha - MG - Telefax (35) 3219 4 757
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Art. 4° — A seleção e recomendação dos cães a serem
utilizados na atividade de cinoterapia deve ser realizada por equipe
multidisciplinar composta por profissionais que possuam habilitação adequada de
acordo com o perfil do paciente a ser tratado, obrigatoriamente, por um médico
veterinário que atestará as condições de saúde do animal.
Parágrafo único. Estes profissionais devem possuir registro
junto aos respectivos conselhos de classe e estarem devidamente cadastrados
no programa.
Art. 5° — Para a correta realização das atividades relacionadas
à cinoterapia desempenhada tanto com cães voluntários adestrados como com
os cães de estimação do próprio paciente. deve-se observar:
- O ingresso de animais para a visitação de pacientes internados
deverá ser agendado junto à administração, respeitando os critérios
estabelecidos por cada instituição de saúde e observar os dispositivos desta Lei.
II — Deverá haver a determinação de um local específico
autorizado dentro do ambiente hospitalar ou CAPs, para o encontro entre o
paciente e o animal. sem prejuízo ao bom andamento aos demais atendimentos
locais;
III — O paciente deve ter autorização expressa para a visitação.
expedida pelo médico responsável pelo tratamento:
IV — O animal deve apresentar aptidão para o trabalho de
facilitação terapêutica:
V — O animal deve ser domesticado, de índole pacífica,
temperamento dócil e deve estar em perfeito estado de saúde, com essas
comprovações atestadas através de laudo emitido por médico veterinário
cadastrado pelo programa e com registro no órgão regulador da profissão.
apresentando inclusive, a carteira de vacinação atualizada, com a anotação da
vacinação múltipla e antirrábica, vermifugação e medicação contra ectoparasitas
(pulgas, carrapatos e piolhos).
VI — O animal deve estar em perfeitas condições de higiene,
seguindo um protocolo de higienização (banho) antes de cada sessão, realizado
por um médico-veterinário e/ou pet shop voluntários. cadastrados pelo programa:
VII — O animal deve ser conduzido com equipamento de guia,
composto por coleira, preferencialmente do modelo -peitoral".
VIII — O animal deve possuir adestramento para este fim por
adestrador qualificado, supervisionado pela equipe multidisciplinar e com devida
comprovação.
Art. 6° — Os animais a serem utilizados na atividade de
cinoterapia devem receber tratamento adequado de forma a não sofrerem
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maus-tratos ou serem submetidos a condições de trabalho prejudiciais ou
inadequadas, devendo ser examinados com periocidade semestral por médico
veterinário devidamente registrado no respectivo conselho de classe.
Art. 7° - Fica vedada a aquisição comercial do animal utilizado
em cinoterapia pelo paciente ou por seus familiares, de forma a que se preserve
a sua função de facilitador terapêutico.
Parágrafo Único — As despesas gerais de manutenção da
saúde do animal e de honorários pelos serviços do seu treinador poderão ser
patrocinados ou subsidiados por empresas ou entidades que detenham interesse
na plena atividade dos cães.
Art. 8° — Todas as sessões de terapia que se utilizem do
método da cinoterapia deverão ser realizadas com a presença do dono do cão;
ou, nos casos de o referido animal ser de uso de pessoas jurídicas listadas no
artigo 3° desta Lei, a presença de seu garantidor far-se-á imprescindível.
Art. 9° — O Poder Executivo regulamentará a presente lei no
prazo de 90 (noventa) dias.
Art. 100— Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação,
revogadas as disposições em contrário.
Sala das Sessões da Câmara Municipal de Varginha,
em 27 de outubro de 2021.
RODRIGO SILVA NAVES
Vereador
LUCAS GABRIEL RIBEIRO "Dr. Lucas"
Vereador
JUSTIFICATIVA
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A CINOTERAPIA ou TFC — TERAPIA FACILITADA POR CÃES
é um método que utiliza cães ou outros animais como coterapeutas em
diversos tratamentos de saúde. A origem da técnica é antiga, surgiu no século
XVIII na Inglaterra, com o objetivo de contribuir para ❑ tratamento de pessoas
com doenças mentais.
Dessa experiência, descobriram o poder "curativo" dos
animais. Observou-se que o convívio com os cães trazem benefícios
psicológicos, sociais e pedagógicos para os pacientes.
Segundo J. Dotti, autor d❑ livro "Terapia e animais", os gregos
criavam cães como terapeutas auxiliares, pois acreditavam que eles tinham
capacidade de curar doenças.
Brincar, interagir com animais e ao mesmo tempo conhecer
sobre eles é também uma maneira de despertar e externar os aspectos
emocionais, transformando o ambiente hospitalar em um espaço mais
acolhedor, tornando o tratamento mais produtivo e proporcionando melhora no
quadro clínico dos pacientes, que muitas vezes acabam apresentando
inclusive mais tolerância à dor.
Muitas pacientes internados têm o desejo de verem seus
animais de estimação, que em muitas ocasiões são considerados como
verdadeiros membros da família. Esse contato tem uma grande contribuição
no tratamento, permitindo que recebam alta mais rápido.
E levantamentos apontam que alguns pacientes com doenças
crônicas que ficam internados em hospitais ou clínicas por longos períodos,
nunca tiveram contato com cães, tendo seu primeiro contato com esses
animais através de projetos que incluem a visitação de pets em ambientes
hospitalares. Isso pode inclusive, estimular a adoção de animais abandonados
à espera de um novo lar.
Além dos benefícios aos pacientes, os cães facilitam o
trabalho dos enfermeiros, promovendo uma quebra na barreira d❑ estresse
existente nestes locais.
O projeto de Cinoterapia a ser instituído, "MEDICÃO", visa a
utilização de cães nos tratamentos dos pacientes assistidos pela rede
municipal hospitalar e nos CAPs — Centros de Atendimento Psicossocial e é
pautado em um dos objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da
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ONU, o de n° 3 — "ASSEGURAR UMA VIDA SAUDÁVEL E PROMOVER O
BEM-ESTAR PARA TODAS E TODOS, EM TODAS AS IDADES".
Por todo o exposto, contamos com a sensibilização e o
apoio dos nobres "Edis" para a aprovação desse importante Projeto de Lei.
Sala das Sessões da Câmara Municipal de Varginha,
em 27 de outubro de 2021.
RODRIGO SILVA NAVES
Vereador
LUCAS GABRIEL RIBEIRO "Dr. Lucas"
Vereador
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CINOTERAPIA: UMA
TERAPIA PARA PESSOAS
COM NECESSIDADES
ESPECIAIS COMO FORMA
DE REABILITAÇÃO
RESUMO
No presente artigo, propomos analisar a
eficácia da Cinoterapia, corno método educacional e terapêutico, que utiliza o cão, a
partir de urna abordagem interdisciplinar
entre as áreas da saúde e educação, buscando o desenvolvimento global dos praticantes, atendidos pelo Centro de Equoterapia da Escola de Aperfeiçoamento de
Sargentos das Armas/Universidade de
Cruz Alta, no município de Cruz Alta- RS.
A Cinoterapia é uma técnica inovadora,
Carine Nascimento da Silva'
Aimê Cunha Arruda'
Candida Elisa Manfio3
Paulo Sergio Felipe Alves'
Vaneza Cauduro Peranzoni5
que visa realizar o desenvolvimento humano e incentivar a relação homem e animal
(cão), contribuindo para que os praticantes
estimulem suas capacidades físicas, cognitivas, sociais e funcionais necessárias
para seu desenvolvimento biopsicossocial,
contribuindo assim, para a sua educação.
Essa prática pontua, principalmente, a
necessidade de estabelecer vínculos com
animais, os quais são conhecidos como
objetos transacionais, estabelecendo a segurança do praticante.
1 Carine Nascimento da Silva, Académica do Curso de Fisioterapia- Universidade de Cruz Alta.
Bolsista PIBEX-UNICRUZ. kaca_nascimento@hotmail.com; 2 Aimè Cunha Arruda, Acadêmica do
Curso de Fisioterapia- Universidade de Cruz Alta. Bolsista PIBIC-FAPERGS. airnecunha4@grnail.
com: 3 Candida Elisa Manfio, Pós-Doutora em Melhoramento Vegetal - Professora Adjunta da Universidade de Cruz Alta. cmanfio@unicruz.edulr; 4 Mestrado em Estado Maior — Coronel de Cavalaria —Comandante da Escola de Aperfeiçoamento de Sargentos das Armas - EASA (2014-2015).
paulosergiofelipealves@yahoo.com.br.; 5 Professora Doutora em Educação , orientadora da pesquisa,
pós doutoranda em educação da UFSM. Prof. Da Universidade de Cruz Alta. vaneza.cauduro@
terra.com.br
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Na Cinoterapia há a atuação de uma
equipe multidisciplinar, das áreas da saúde
e educação, que usufrui desse instrumento
corno reforçador, estimulador e facilitador
da reabilitação dos praticantes.
Essa técnica utiliza o cão durante as
sessões, através do contato. possuindo
uma prática educacional e social, buscando a reeducação global de pessoas com
necessidades especiais. fobias, dificuldades escolares e transtornos de déficit de
atenção com hiperatividade, assim como
a incentiva a responsabilidade, melhora a
autoestirna. autocontrole e propicia o estreitamento ou a realização de relações sociais à medida que facilita o contato físico
e verbal.
A descoberta da técnica de Cinoterapia
foi realizada por Boris Levinson. no século XVIII na Inglaterra. sendo que em 1953,
atendendo seus pacientes no consultório.
Bons percebeu que na presença do seu
cão, alguns pacientes introvertidos perdiam todas as suas inibições e medos, o
que favorecia a comunicação entre o psiquiatra e os seus pacientes. Boris também
observou que o convívio com os cães trazia benefícios psicológicos, pedagógicos e
sociais.
Mais tarde. no ano de 1966, na Alemanha. foram utilizados cães como terapias.
e no ano de 1967, na Noruega, Erling Stodahl, um músico com deficiência visual,
fundou o Centro Beitostolen, para a reabilitação de cegos e incapacitados.
No Brasil. nas décadas de 50 e 60. o
uso de cães e gatos, corno facilitadores no
processo terapêutico de pacientes, iniciou
com a Psiquiatra e Terapeuta Ocupacional,
Dra. Nice da Silveira. Ela notava que esquizofrênicos se relacionavam melhor com
o cão, observando que haviam pontos de
apoio seguros e os pacientes podiam se
organizar psiquicamente.
A primeira experiência objetivando vistas terapêuticas, com animais no Brasil,
foi realizada em 1997, peio Dr. Hannelore
Fuchs. No entanto, ele utilizava apenas a
presença do cão no espaço hospitalar, não
existindo interação entre paciente e cão.
Um animal de estimação sempre dará a
atenção e terá tempo para brincar com as
crianças, servindo muitas vezes como um
refúgio emocional, um ouvinte paciente e
um elo. que proporciona à familia, sejam
quais forem as dificuldades, um senso de
propósito e integração.
1. Por que o cão como terapia
O cão é coterapeuta no tratamento físico, psíquico e emocional de pessoas com
necessidades especiais e, consequentemente. precisa atender a diversos requisitos para que o trabalho tenha êxito. não
comprometendo a relação cão-paciente.
Qualquer raça de cachorro poderá ser
utilizada como um coterapeuta. inclusive
cães sem raça definida. porém a excelência no temperamento e sociabilidade fizeram do Labrador e do Golden Retriever as
raças ideais nestas atividades terapêuticas
(BUSSOTI. p. 21, 2005).
Os animais utilizados para a Cinoterapia
passam obrigatoriamente por uma avaliação. devendo atender os requisitos de
saúde animal, o que é praticado por um
médico veterinário, sendo reavaliados e
monitorados. com frequência.
Dentre as avaliações, estão os testes
quanto ao comportamento. obediência. socialização e aptidão. O cão também precisa ter agilidade e ser treinado. no entanto
para que o cão seja considerado um coterapeuta. existem 4 (quatro) etapas que
precisam ser atendidas: treino de obediência (adestramento). completo diagnóstico
do veterinário, teste de temperamento e
estar com a vacinação em dia.
Com estas características o cão é um
ótimo coterapeuta. pois não dá atenção à
idade ou à habilidade física das pessoas,
sendo que aceita as pessoas como elas
são, sem qualquer preconceito. agindo de
modo auxiliar e não trazendo um olhar critico ao caso do praticante.
O cão não é só um excelente animal de
companhia. como também pode ter um papel fundamental no dia a dia de pessoas
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com dificuldades motoras, auditivas,
visuais. Um cão apto para terapias pode
receber treinamento específico. como objetivo de realizar tarefas que aumentem a
autonomia e a funcionalidade de uma pessoa com necessidade especial.
Estas características podem ser adaptadas a necessidades de cada indivíduo. o
cão pode ser adestrado para realizar determinadas habilidades, nomeadamente.
Assim como há os cães de assistência,
que atuam como cão-guia, cão de alerta,
cão para surdos e cão de serviço.
O cão-guia auxilia pessoas com deficiência visual a se locomover a qualquer lugar
e, por estar a trabalho, costuma ser aceito
em locais públicos. Por este motivo o treinamento é rigoroso. pois ele nunca deve
obedecer a qualquer comando que possa
colocar o seu acompanhante em perigo.
O cão de alerta avisa as pessoas, por
exemplo, que possuem epilepsia, da proximidade da ocorrência de uma crise. O cão
de alerta é selecionado de acordo com a
sua personalidade e temperamento, devendo ser capaz de realizar tarefas como
permanecer junto do dono durante o caso
de perigo.
O cão para surdos indica fontes sonoras
a pessoas com deficiências auditivas, ou
seja. é treinado para responder ou alertar
para ruídos do dia a dia.
E por fim, o cão de serviço que ajuda
pessoas com incapacidades motoras ou
com problemas do foro psiquiátrico, podendo executar algumas tarefas como: acender e apagar luzes, abrir e fechar portas,
puxar cadeiras de rodas, sacar dinheiros,
apanhar objetos caídos e "chamar" ajuda.
❑este modo, o cão aceita as pessoas
com as suas características, oferecendo
relevante apoio emocional, com um comportamento dócil e adestrado, proporcionando aos praticantes momentos de tranquilidade, alegria e segurança. Além disso.
a presença do animal poderá diminuir a
pressão sanguínea e o estresse, cativando
o praticante e estimulando o psicológico e
emocional.
2. Os benefícios da Cinoterapia
❑e acordo com OLIVEIRA (p.1, 2007) o
ritmo frenético atual tem causado grandes
problemas não somente aos adultos, mas
também às crianças, que têm sido grandes
vítimas deste processo.
Por esta razão, e em decorrência dos
resultados de pesquisas científicas que
mostram que o convívio com animais é
altamente benéfico, alguns profissionais
pensaram em desenvolver, a partir daí,
uma terapia alternativa para auxiliar no
tratamento de pessoas que necessitam de
auxílio psicológico com o fim de proporcionar-lhes uma melhor qualidade de vida.
Segundo DOTTI (p. 8, 2005) a Cinoterapia proporciona benefícios diversos, dentre eles:
Mentais como, estímulo ã memória da pessoa, exercícios de cognição por meio de material usual do animal, da alimentação e de
higiene. Dentre os benefícios emocionais,
estão o amor incondicional e atenção, espontaneidade das emoções, redução da solidão, diminuição da ansiedade, relaxamento,
alegria, reconhecimento de valor e troca de
afeto. Benefícios sociais como, oportunidade
de comunicação, sentimento de segurança,
socialização, motivação, aprendizagem. Benefícios físicos como, exercícios e estímulos
variados relativos á mobilidade: estabilização da pressão arterial e reaçães químicas
positivas, bem-estar, afastamento do estado
de dor, e encorajamento das funções da fala
e das funções físicas.
Segundo BECKER (p.4, 2003) as crianças e os cães estabelecem uma comunicação recíproca que possibilita um desenvolvimento da autoestima, respeito,
companheirismo, visão de futuro e ainda
estimula a liberação de substâncias que
podem ser benéficas ao organismo, como
endorfina e adrenalina.
OLIVEIRA (p. 3, 2007) relata que animais de comportamento dócil trazem ao
ser humano momentos de tranquilidade e
alegria.
As pessoas deixam de lado seus problemas, dores, insatisfações, seus momentos
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de solidão e tristeza, sentem-se mais dispostas a falar com os animais, pois estes os
retornam um olhar não julgador.
3. O uso do cão corno terapia
Alan Entin (1989 apud BECKER. 2003),
um psicólogo de Richmond. Virgínia. que estudou os efeitos dos animais sobre a estrutura familiar, acredita que o bicho de estimação
da família pode servir como uma tela para a
projeção de emoções.
Da mesma forma, Becker (p. 2, 2003) relata que um bicho de estimação pode servir
como refúgio emocional, um ouvinte paciente e um elo, que proporciona à família, quaisquer que sejam as dificuldades, um senso de
propósito e integração.
Observamos. atualmente, que a vida de
pais. ditos contemporâneos, é de muito trabalho, restando pouco tempo para o convívio
e a interação diária com seus filhos. Neste
contexto familiar, que de maneira geral se
tornou acelerado, o vínculo com um animal
pode desempenhar um papel vital.
O vinculo afetivo que o paciente logo estabelece com o animal é o primeiro passo
para o sucesso da terapia, pois abre caminho para a comunicação com o terapeuta.
sendo relatado em estudos de Oliveira (p. 6.
2007). que se o paciente tiver a oportunidade
de presenciar a atitude do terapeuta com os
animais, isso claramente servirá de exemplo,
gerando. por consequência, maior confiança
no desenvolvimento da relação com o profissional.
De acordo com David Niven (p.10. 2001),
autor do livro -Os 100 segredos das pessoas
felizes" um dos fatores que contribui para a
felicidade do ser humano é conviver com um
animal de estimação.
O amor que os cães oferecem, incondicionalmente, revitaliza aquelas pessoas que
muitas vezes se sentem isoladas e abandonadas pelos familiares.
Oliveira (2007) cita que a psicóloga Sandra
Salgado. integrante do Instituto de Psicoterapia Comportamental. nos casos de crise de
depressão e síndrome do pânico. o paciente
fica obcecado pelo seu problema. A presença do animal desvia o foco da atenção da doença para algo que lhe faz bem.
Para a psicóloga Débora Gil. especializada
em crianças. os pequenos aprendem a ter responsabilidade, já que precisam cuidar do cão
durante a terapia. sendo assim a criança que
tem seu lado afetivo bem explorado e desenvolvido terá grandes chances de se tornar um
adulto bastante equilibrado efetivamente.
Observa-se, nesses jovens, o desenvolvimento da capacidade de se colocar no lugar
do outro. pois é preciso interpretar as necessidades do cão. O resultado: crianças menos
egoístas e mais seguras.
Em reportagem sobre os benefícios da interação com animais, o adestrador Denis Martin.
da Universidade de Southamptom, na Inglaterra. enfatiza que o simples ato de fazer carinho
em um cachorro ajuda a eliminar a carga elétrica proveniente da tensão e consequentemente
diminui a agressividade. Os pelos dos animais
agem como condutores de energia, e isso não
afeta o animal de forma negativa. Ele não absorve essa carga de tensão (OLIVEIRA. 2007).
De acordo com Becker (p. 13, 2003) os
animais oferecem à criança uma maneira de
experimentar o mundo físico e social. A compreensão de que há uma criatura com sentimentos diferentes afasta as crianças de seu
ponto de vista egocêntrico. A concepção dessa
diferença é a base do desenvolvimento da personalidade. Quando convivem com animais as
pessoas tornam-se mais sociáveis, interagindo
melhor com outras pessoas.
Jerson Dotti (p.4, 2005), fundador do Projeto Cão do Idoso e Presidente da Organização
Brasileira de Interação Homem-Animal Cão
Coração (OBIHACC), relata em seu livro que
idosos através da Cinoterapia melhoram a sua
saúde, aceitando outros tratamentos.
Segundo Dr. Bons Levinson. as pessoas geralmente falam com os animais, compartilhando com eles seus pensamentos, sentimentos e
lembranças.
Além do mais, quando um animal está entre duas pessoas, ele sem querer as aproxima.
pois tem algo de que possam falar. A mera presença de um cão pode facilitar uma interação
terapêutica com os pacientes, que possuem
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tencial para a resposta adaptativa necessária na organização das tarefas cotidianas (saúde. lazer e educação).
OLIVEIRA (p. 37, 2007) relata, em muitos estudos, que através da Cinoterapia,
os idosos riem mais, se comunicam melhor, sentem menos dor, trabalham a memória, observando-se, também, melhoras
nos casos de depressão. Os idosos se
sentem úteis ao cuidar do cão, sentem-se
mais empolgados e relaxados para realizar
o tratamento, possuindo a noção de estar
no comando, havendo uma diminuição da
dor, do estresse e aumentando a segurança.
Portanto, a Cinoterapia tem inúmeros
benefícios e efeitos eficazes, sendo válida para todas as idades e circunstâncias,
sendo que em crianças e em pessoas com
transtorno global do desenvolvimento, deficiência mental, dificuldades escolares
os resultados são mais satisfatórios, oferecendo-lhes benefícios no processo terapêutico, agindo de modo coadjuvante e
promovendo uma melhor socialização entre os pacientes e o meio em que vivem.
A Cinoterapia pode não promover a cura
do praticante, mas traz tranquilidade, alegria e segurança, reduzindo o impacto e o
estresse gerados pela doença.
Quando os seres humanos e os animais
estão juntos, num mesmo ambiente, podemos verificar uma gama de benefícios
significativos, o que facilita a relação terapêutica, por intermédio das diferentes
experiências com esses animais, o que
poderá acarretar em novas aprendizagens
para todos os envolvidos. A realidade é
que as possibilidades se mostram infinitas,
em virtude dos diversos benefícios para a
humanidade, ou seja, para a comunidade
em que o paciente vive.
Através da Cinoterapia, busca-se oferecer uma melhor qualidade de vida para
a comunidade, visando desenvolver uma
técnica diferenciada aos pacientes, proporcionando uma reabilitação global.
pouca ou nenhuma comunicação verbal ou
que tenham dificuldades de socialização.
Becker (2003) relata que os cães podem chamar a atenção das crianças autistas.
Nos autistas, a Cinoterapia proporciona melhora na capacidade de comunicação e na sensibilidade, embora muitos desses pacientes
não falem e tenham aversão ao toque.
Johnson (1983 apud GOLDEN, 2004) relatou
os benefícios da Cinoterapia no trabalho com
crianças com necessidades especiais.
A dependência de um cão permite a criança
com necessidades especiais oferecer apoio a
outro ser vivo, revertendo o seu papel de sempre ser apoiada. O contato com o cão providencia senso de autonomia e valor próprio, pois a
criança passa a se perceber corno útil e benéfica.
Segundo Oliveira (p. 18, 2007) a Terapia Facilitada por Cão é benéfica, também, no cenário
educacional.
No ambiente escolar os cães podem servir
como uma base para o desenvolvimento intelectual de uma criança. Há programas nos
quais as crianças lêem para o cão. As crianças
não têm preocupação em ler em voz alta para
o cão, visto que este não poderia censurá-las
ou corrigi-las.
Professores que receberam animais em suas
salas de aula observaram um efeito tranquilizante nos alunos, principalmente naqueles com
dificuldades de aprendizagem e alterações
comportamentais; provocando melhoria na
conduta e concentração, reduzindo o estresse
e melhorando a autoestima (OLIVEIRA, 2007).
Os cães com treinamento especial auxiliam
profissionais da área da saúde a trabalhar a
fala, equilíbrio, expressão de sentimentos e
motivação dos seus pacientes. Esses cães realizam exercícios buscando estimular o paciente
nos sentidos físico e psicológico, trazendo benefícios para o enfermo, providenciando numerosas oportunidades para crescimento pessoal
baseado em benefícios educacionais, recreacionais ou motivacionais, a partir do contato
com o animal (OLIVEIRA, 2007).
Segundo Silva (2014) a Terapia Facilitada por
Cães é provida de oportunidades. pois permite
ao praticante aprender novas tarefas e comportamentos, o que pode levar ao aumento do po165
REFERÊNCIAS
BECKER, M. O Poder Curativo dos Bichos. la ed. São Paulo: Bertrand
Brasil, 2003.
BECKER. M. ❑ poder curativo dos bichos: como aproveitar a incrível capacidade dos bichos de manter as pessoas
felizes e saudáveis. R.J: Bertrand Brasil. 2003
BUSSOTI, E. Assistência individualizada: "posso trazer meu cachorro?".
Revista da Escola de Enfermagem da
USP. São Paulo, v.39, p. 21-27, 2005.
DOTTI, J. Animais & Terapia. São Paulo: Editora Noética. FORLENZA, ❑restes
V. Psiquiatria Geriátrica do Diagnostico
Precoce À Reabilitação. São Paulo: Editora Atheneu, 2005.
OLIVEIRA, G. Cinoterapia: Benefícios
da interação entre crianças e cães. Teorias e Sistemas no Campo, 2007.
SILVA, D. M.: PENTEADO, R. de V. SANTIAGO. R. S. ; RODRIGUES. V.: SMEHA.
L. N. Os benefícios da Cinoterapia para
adultos com deficiência mental. Curso
de Psicologia do Centro Universitário
Franciscano (UNIFRA), Santa Maria-RS.
Brasil. 2014.
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