| Tipo | Moção |
|---|---|
| Número / Ano | 21 / 2022 |
| Date | 2022-11-07 |
| Ementa | Requer Moção de Aplauso à Matteo Beltrão pelos relevantes serviços prestados no município de Varginha. |
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MINUTA DA MOÇÃO A Vereadora que abaixo subscreve vem, respeitosamente, à presença de V. Exa. e com aprovação dos nobres Vereadores desta Edilidade, requerer Moção de Aplauso à Matteo Beltrão pelos relevantes serviços prestados no município de Varginha. JUSTIFICATIVA Nascido em seis de agosto de 1983 em Varginha, filho de Dr Gilson Rossi Beltrão e Marisa Rossi Beltrão. Criado com muito amor e cuidado com participação dos avós que também foram grandes pilares na formação do caráter e dos princípios. Infância tranquila e bem aproveitada em uma época que ainda não havia tecnologia de internet, celulares e computadores. Um bom aluno e praticante de esportes, chegando até a ter êxito ficando em segundo lugar do Estado em uma competição em Belo Horizonte no Minas tênis clube aos 11 anos de idade. Aos 12 anos justamente por essa facilidade em amizades com todos acabei por acompanhar colegas de escola dois ou três anos mais velhos que faziam o uso de cigarro atrás da escola, como eu era muito curioso com tudo novo acabei eu mesmo pedindo para experimentar o cigarro, eu sentiu uma sensação bem legal de liberdade e prazer, em pouco tempo eu já fumava todos os dias comprava cigarro com a minha mesada e já estava matando aula para ficar fumando. A cada dia eu acabava me afastando mais dos meus colegas e amigos da mesma idade, logo veio o convite dos supostos amigos para experimentar o primeiro cigarro de maconha, não tive dúvidas em aceitar aquela galera era tão descolada e tão legal que eu queria fazer parte deles em todos os sentidos, e outra eu iria só experimentar que mal poderia ter... quando fumei senti um prazer muito grande,e tudo ficou diferente meu corpo parecia flutuar, sem saber eu estava começando um caminho que seria muito difícil para sair depois, e que por muito pouco não custou a minha vida. Logo a maconha se tornou um hábito quase que diário quando eu fumava era tudo melhor e mais fácil, porém eu comecei a ir mal na escola e parei com os esportes. Meus pais já perceberam que algo não ia bem, dormia demais faltava muito a escola e me viram fumando cigarro na rua, tentaram por várias vezes conversas, marcaram um tratamento psicológico e eu prometi a eles que era só o cigarro, mas quem não iria mais fazer isso. Como toda a família que ama seu filho tentaram acreditar e ter esperança que era verdade, porém a cada vez eu fumava mais cigarro e mais maconha. Aos 14 anos comecei a frequentar festas com essa galera mais velha, até que um dia em uma dessas festas me ofereceram a cocaína, tive um pouco de medo mas os amigos disseram que não tinham perigo, e outra coisa era de graça, trouxemos uma presença especialmente para você ...quando eu usei achei que tinha conhecido a melhor coisa da minha vida, parecia que eu tinha três metros de altura e tudo na vida começava a fazer sentido! perdi a timidez de vez e foi a melhor sensação que eu já tinha sentido no outro final de semana com a mesma galera eu queria de novo porém dessa vez já falaram que eu tinha que ajudar nos gastos porque o negócio era muito caro sem pensar duas vezes dei todo o dinheiro que eu tinha pois eu queria sentir aquilo de novo quando usei a segunda vez já não era a mesma sensação que é a primeira era um pouco menos aquela alegria e euforia então usei mais para chegar naquela primeira onda e quando acabou a droga e a festa parecia que eu não estava satisfeito e sentindo já uma vontade de ter mais daquela substância porém naquele dia foi embora mesmo de uma semana depois eu descobri que no meu bairro bem pertinho da minha casa tinha pessoas que vendiam a cocaína e resolvi pegar sozinho corri para casa e usei trancado no quarto a partir daquele dia comecei a usar para ir na escola para ir ao clube e para não deixar a família desconfiada porque eu estava pedindo muito dinheiro comecei a trocar algumas coisas no início coisa simples com uma jaqueta um boné porém não estava mais dando para suprir então comecei a pegar dinheiro na bolsa da mãe na carteira do pai até que ele desconfiaram pois estava subindo sumindo muito eu também não dormia mais não comia Bia estava emagrecendo muito levaram até em médicos para saber se eu estava com algum tipo de doença mal sabiam eles que a doença que eu estava era bem mais bem maior do que aqueles imaginava como começaram a esconder o dinheiro tive que partir para as outras coisas e objetos minha mãe tinha uma coleção de joias de gerações na família e eu fui pegando uma uma até conseguir acabar com tudo objetos valiosos que na madrugada tocava por uma trocava por uma quantidade insignificante de droga nada mais importava para mim só ter aquela sensação nessa altura a família já tinha certeza do uso os amigos da mesma idade já tinham medo de mim e nenhuma família aceitava eles andarem comigo até aquela galera toda descolada que me apresentou a droga não queria mais saber de mim pois eu tinha virado um completo viciado roubava tudo da minha família tudo que tinha pela frente não podia esquecer nada que eu pegava comecei a roubar também na casa dos familiares em festinhas de família lembro-se lembro como se fosse hoje cheguei em uma festa de Natal familiar e ouvir uma tia falando para outra bem baixinho esconde as bolsas que ele chegou hoje isso me dói muito mas na época eu não tava nem aí com 15 para 16 anos veio a primeira resposta da família a temida internação a força estava saindo de casa para tentar trocar mais um objeto roubado da família quando três caras gigantes de branco me agarraram na porta de casa na época eu tive muita raiva porque minha mãe tava fazendo isso comigo depois de muito tempo fui entender que aquilo viria salvar a minha vida que estava totalmente fora de controle fui para um hospital de dependentes químicos e pessoas com problemas mentais então quando minha família me ligava eu dizia vocês me puseram junto com pessoas loucas acham que eu sou louco porém hoje entendo que abstinência me fazia falar qualquer coisa para sair dali e voltar a usar era uma aula particular no hospital eu tinha de tudo crédito ilimitado na cantina tudo que pudessem fazer para que eu tivesse um pouco para que eu tivesse um pouco de conforto e aceitar seu tratamento quando terminei o tratamento dois dias depois e muitas promessas de melhora eu já estava usando de novo e mais pesado do que antes daí para frente vieram 18 internações fiquei nas melhores clínicas do Brasil até cheguei a ficar alguns meses limpas porém qualquer frustração mais forte faziam voltar a usar nisso meus pais já estavam doentes minha mãe em depressão eu tinha sozinho destruído não só a minha vida mas a vida de toda a minha família psicológica financeiro uma verdadeira devastação minha irmã mais nova não entendia porque as amigas dela não queriam ir na minha casa destruir também a infância dela foi quando em uma noite de uso não achei a cocaína para comprar e me ofereceram o craque tu já estava tão insano que compra aí para usar aí sim o fundo do poço chegou sair de casa achando que resolveria alguma coisa perambulando de cidade em cidade como andarilho e pedinte fui parar entre caronas caminhadas e passagens ganhadas em mato grosso na cidade de Rondonópolis onde foi morador de rua por uns cinco meses cheguei a comer da lata de lixo de lanchonete várias vezes pois o dinheiro que eu conseguia pedindo mal dava para comprar a droga chegou um dia que eu já estava tão debilitado tão magro cheio de feridas no corpo devido à falta de higiene que realmente eu achei que tinha chegado ao fim pensa em várias vezes em suicídio mas eu era tão covarde comigo mesmo que nem isso eu conseguia foi uma manhã eu tomando café em uma entidade que ajudava moradores de rua que lá chegou um pastor e perguntou a todos alguém aqui que era a salvação quer sair dessa vida imunda ninguém deu atenção para ele mas eu já estava tão desacreditado de mim mesmoe o meu fim trágico já estava tão próximo que resolvi ouvir aquele homem e disse moço eu já estou morto por dentro o senhor acha que pode fazer alguma coisa por mim sou um caso perdido ele disse venha vou te mostrar o que Deus ainda tem para você como eu não tinha mais saída juntei um saco de lixo que carregava algumas roupas sujas e entrei no carro com ele assim ele me levou para uma pequena comunidade terapêutica constituída basicamente por moradores de rua pessoas que já tinham perdido tudo chegamos próximo à hora do almoço quando tocou o ensino da alimentação me puseram em primeiro da fila e disseram que eu era a pessoa mais importante porque eu tinha chegado naquele dia quando me entregaram um prato tinha umas três colheres de arroz e um pé de frango por cima do arroz naquele momento lembrei de todos os banquetes que eu já tive nas clínicas boas e da comida da minha casa e faço um filme na minha cabeça de toda a minha trajetória tudo que eu tinha passado até ali naquele momento senti uma coisa muito grande e muito e muito forte eu estava tendo um despertar espiritual daquele dia em diante comecei a ajudar a pequena comunidade na horta na limpeza E no acolhimento de pessoas que chegavam logo eu já estava saindo para rua para vender sacos de lixo que era o que mantia mantinha a instituição e ali pela primeira vez sem ser forçado permaneci todo o tratamento e com pouco que eu ganhava pelas vendas dos saquinhos de lixo na rua comecei a juntar o dinheiro para ir embora isso demorou aproximadamente uns 7 meses de muita luta muito suor mas eu estava feliz porque eu estava limpo e não queria mais voltar para aquela vida após um longo período de tratamento e trabalho consegui juntar o dinheiro para voltar para casa quando cheguei os olhos de minha mãe brilharam não só porque eu voltei mas porque quem tinha voltado era aquele Mateus lá do início da história aquele carinhoso amoroso honesto em uma semana ganhei um curso básico de coordenação de clínica quando eu terminei esse curso conseguiu um emprego em uma clínica em Barretos onde fiquei por alguns anos e vi que aquilo era o que eu gostava e sabia fazer fui salvo para salvar comecei a fazer mais cursos especializar em uma clínica maior em São Paulo foram alguns anos de muito trabalho esforço para que eu conseguisse juntar o dinheiro para voltar para casa mais uma vez e montar minha própria clínica hoje eu consigo ver que Deus permitiu eu passar tudo por aquilo que eu passei para hoje saber o que eu faço sou Mateus Beltrão terapeuta em tóxico ou dependência e também sou um milagre