Câmara Municipal de Domingos Martins
Estado do Espírito Santo
Avenida Senador Jefferson de Aguiar, n° 27 – Domingos Martins – ES CEP: 29260-000
Telefone: (27) 4042-4849
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PROJETO DE LEI Nº 19/2023
Declara o “Casamento Pomerano”,
Patrimônio Cultural Imaterial do
Município de Domingos Martins.
CÂMARA MUNICIPAL DE DOMINGOS MARTINS, ESTADO DO ESPÍRITO
SANTO, no uso das atribuições legais, aprova:
Art. 1° Fica declarado o “CASAMENTO POMERANO”, como Patrimônio
Cultural Imaterial do Município de Domingos Martins.
Art. 2° Para fins do disposto nesta Lei, o Poder Executivo Municipal de Domingos
Martins procederá aos registros necessários nos livros próprios do órgão competente.
Art. 3° Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação
Sala das Sessões, 25 de maio de 2023.
JOHNEI CLAUDIO DEGEN
Vereador
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JUSTIFICATIVA
O casamento tradicional pomerano ainda acontece nos Municípios do Espírito Santo e guarda
uma relação de continuidade com o passado. Os proclamas ocorrem cerca de um mês da
oficialização da união matrimonial, período em que tem início os preparativos para a festa:
construção do forno e galpões. Tudo é feito coletivamente por amigos, vizinhos, parentes,
cozinheiras e por copeiros e copeiras. A época ideal para casamentos é o mês de maio, o mês das
noivas. Evita casar-se na quaresma, no mês de agosto, no período das doze noites e em ano
bissexto. Quando são realizados nesse período, os casamentos acontecem em janeiro ou no mais
tardar, início de fevereiro. A Festa dura três dias e é realizada na casa dos pais da noiva. O
convite é feito pelo convidador que é irmão caçula da noiva. Ele parte de cavalo, motocicleta ou
bicicleta, levando garrafa de vidro pequena, contendo cachaça e enfeitada no gargalo, com um
pingente de fitas coloridas de cetim e ramos de tuia ou alecrim. Ao aproximar-se da casa,
anuncia-se com três gritos característicos. O convidador entra na sala de estar sem saudar as
pessoas e em pé ou andando em círculos, profere a sua fala convite para o casamento, em forma
de versos. Após a fala, o proprietário ou outro membro da casa toma um gole de bebida, selando
deste modo o compromisso de comparecimento. Antes de partir, o rapaz vai com um lenço
colorido preso nas suas costas, que ganha da família visitada e usa no dia do casamento. Se o
convidador encontrar ele solta gritos em falsete, anunciando assim sua chegada a família. As
festividades têm início na quinta-feira, véspera do casamento. São feitos os pães, biscoitos e
variedades de linguiça. As cozinheiras preparam tudo para o dia seguinte.
A noite é realizado o ritual do quebra-louças, presenciado por parentes, vizinhos e os
colaboradores. Galinha é um ingrediente indispensável na festa de casamento, pois ingeri-la
significa que todos os presentes interiorizam a percepção da ave: denunciar os elementos que
porventura quisessem se aproximar do jovem casal. No dia seguinte começa o casamento
propriamente dito. Na sexta-feira, por volta das 9 h, os noivos e convidados dirigem-se ao
cartório, onde é realizado o casamento civil e depois seguem para a igreja, onde ocorre a
cerimônia religiosa. Este trajeto é feito em um caminhão enfeitado de ramo, todos participam de
alegre e ruidosa, com fogos de artifício e músicas de baile. Depois, seguem para a casa dos pais
da noiva, onde é servida uma refeição farta. No início da noite, há um jantar e ao fim deste,
segue-se a dança dos noivos, seguido dos pais, testemunhas e convidados. No final da dança, os
homens dão uma quantia em dinheiro, como gratificação. Por volta da meia-noite tem a dança da
grinalda e o conjunto de danças rurais encerra-se com a dança da vassoura. No último dia de
festa, há a participação de um número expressivo de convidados que tem por finalidade
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encontrar-se para visitar os recém-casados, comer e beber. O jovem casal residirá na terra dos
pais dos noivos.
Quebra-louças
No ritual do Quebra-louças, faz-se muito barulho e algazarra. Quebra-louças de porcelana,
afugentam-se os maus olhares, que espiritualmente possam rondar o matrimônio. O quebralouças é conduzido por uma mulher, geralmente idosa, parente de um dos nubentes. Em meio à
sua fala cerimonial, que tem como objetivo desejar felicidades ao jovem casal, a mulher quebra
as vasilhas de porcelana que traz no bolso do avental ou na mão. Em cima dos cacos tem início o
baile, enquanto os noivos tentam varrer os cacos para fora do salão, ao mesmo tempo em que os
copeiros procuram varrê-los ou chutá-los para o interior do recinto. Os noivos em conjunto,
simbolizando que as decisões na família serão tomadas por ambos. Os cacos são guardados para
trazer sorte. Para o ritual do quebra-louças, linguiça de bucho-de-boi e para a festa de casamento,
na sexta feira, faz-se linguiça de boi mista. A comida servida na noite do Quebra-louças é a sopa
de miúdos e outros ingredientes. Antigamente, o trajeto dos noivos para a igreja era feito a
cavalo, que era enfeitado com ramos de ciprestes e flores de papel colorido. A noiva era
arrumada por sua mãe e trajava vestido preto de cetim com uma faixa verde na altura da cintura e
uma coroa verde, tecida de murta, alecrim ou cipreste, adornada com flores de laranjeira. No
Espírito Santo, este costume perdurou até a década de 1940, quando as noivas passaram a usar
vestido branco. Há várias tentativas de explicar o uso do preto pela noiva. Vejamos algumas:
1 – Quando uma moça se casava, sua primeira noite não era com o marido, mas com o Senhor
Feudal. Elas começavam a vestir-se de preto em sinal de protesto. A tradição de casar-se de preto
nasceu como protesto, no tempo em que a noite de núpcias era com o Senhor Feudal. O vestido
preto recorda o sofrimento da noiva quando era violentada.
2 – A noiva trajava vestido preto por causa do clima frio da Pomerânia.
3 – Aqui no Espírito Santo o vestido preto era por falta de recursos.
Os rituais nupciais marcam o momento da separação da noiva de sua família, pois diante da regra
de residência, a mulher se desloca da casa paterna, para as terras do marido. As primeiras
semanas do casamento, evoca um alimento muito apreciado e desejado: o pão de trigo de
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padaria, ao qual o casal está se adequando à nova vida. Trata-se dos primeiros tempos do
casamento, quando o relacionamento corre bem entre ambos, conhecido também como semanas
dos beijos e assim cada etapa vai se consolidando.
Sala das Sessões, 25 de maio de 2023.
JOHNEI CLAUDIO DEGEN
Vereador