Santa Maria de Jetibá-ES, 14 de Setembro de 2022.
MENSAGEM Nº 059/2022
ENCAMINHA PROJETO DE LEI Nº 059/2022, QUE
DISPÕE SOBRE A CRIAÇÃO DIA DO FUNDADOR DE
SANTA MARIA DE JETIBÁ - FREDERICO GRULKE E A
SEMANA DO IMIGRANTE POMERANO.
A Sua Excelência o Senhor
Vereador ELMAR FRANCISCO THOM
Presidente da Câmara Municipal de Santa Maria de Jetibá
Senhor Presidente, Senhores Vereadores e Senhoras Vereadoras.
O Projeto de Lei ora submetido à apreciação desta Casa Legislativa, tem por objetivo criar o “Dia do
Fundador de Santa Maria de Jetibá - Frederico Grülke, e a Semana do Imigrante Pomerano”.
No dia 28 de junho de 1859, aportaram no Porto de Vitória, os primeiros imigrantes vindos da Província
Prussiana da Pomerânia. Estes imigrantes eram em sua grande maioria diaristas, que buscavam ser
proprietários de suas terras em solo brasileiro, vez que estes trabalhavam para grandes latifundiários em
sua Pátria querida. Neste dia, chegaram 117 (cento e dezessete) imigrantes pomeranos, divididos em 27
(vinte e sete) grupos familiares, todos de confissão luterana.
Estes imigrantes subiram pelo Rio Santa Maria até a Colônia de Santa Leopoldina, fundada em 1857, e se
estabeleceram em lotes denominados prazos. Neste primeira viagem, vieram os Bielke, Graunke, Krause,
Küster, Raasch, Reinholz, Schulz, Schmidt, Schumacher, Schroeder, Schwantz, Zumach, entre outros.
Até o ano de 1860 vieram outros 46 (quarenta e seis) imigrantes, porém, o maior fluxo migratório se estende
entre 1868 e 1874 e, ao todo 2.223 (dois mil, duzentos e vinte e três) colonos pomeranos chegaram ao
estado, sendo o maior número de imigrantes de origem germânica, estabelecidos no Espírito Santo.
Conforme mapa dos terrenos ocupados da Colônia de Santa Leopoldina, oferecida ao Imperador Dom Pedro
II, no ano de 1860, mostra a área ocupada por imigrantes pomeranos destacada de cor amarela. Esta área
passaria a se chamar “Pomerânia”.
Mapa de terrenos ocupados na colônia de Santa Leopoldina. 1860. Pertence a Biblioteca Nacional.
Com a chegada de mais imigrantes, foi necessária a demarcação de novos loteamentos e, com isso a
Colônia de Santa Leopoldina se expande até a localidade de Caramuru e Jequitibá, que é mencionada no
mapa de 1872 como “Alta Pomerânia”.
Mapa da Colônia de Santa Leopoldina com loteamento. 1872. Arquivo Público do Estado do Espírto Santo
Podemos destacar neste mapa os lotes demarcados com nome das famílias que já os ocupavam, bem como
os demarcados para novas famílias que aportariam no Espírito Santo, naquele ano. Além disso, aparecem
nitidamente os nomes “Pomerânia”, hoje Rio das Farinhas e parte de Caramuru e “Alta Pomerânia”, hoje a
Vila de Caramuru e parte de Jequitibá. Até este ano de 1872, a região estava ocupada pelas famílias Jastrow,
Lemke, Plaster, Raasch, Gabrecht, Braun, dentre muitas outras.
Não podemos deixar de destacar a importância na edificação das localidades para quais os imigrantes se
estabeleciam. Era fundamental para estes, a construção de um local para realizar celebrações religiosas,
bem como, lecionar e fazer reuniões. Então era construída uma pequena escola/capela para este fim, que
mais tardar daria lugar a Igrejas maiores, com escola nas proximidades, sendo, muitas vezes, uma
construção pequena e rústica.
No ano de 1869, a Igreja Luterana de Luxemburgo foi inaugurada. No ano de 1872, na localidade de São
Sebastião de Belém, que também era chamada de Alta Pomerânia, foi construída uma pequena capela, a
qual foi utilizada até meados dos anos de 1880, mesmo com a construção da Igreja Luterana de Jequitibá.
Cemitérios também faziam parte deste crescimento expansionista realizado pelos imigrantes. Estima-se que,
nas regiões que hoje compreendem os municípios de Santa Leopoldina e Santa Maria de Jetibá, foram
construídos mais de 40 (quarenta) cemitérios, sendo que estes, em sua grande maioria, estão em uso até
os dias atuais.
No ano de 1880, Frederico Grülke veio morar onde é atual sede do município de Santa Maria de Jetibá, se
tornando o primeiro morador da localidade. Frederico, que empresta seu nome para a avenida principal da
cidade, nasceu na pequena vila de Seidel no município de Köslin, na Pomerânia. Era filho de Guilherme
Grülke Matilda Wruck.
Frederico Grülke chegou no dia 26 de maio de 1872, com 11 (onze) anos de idade, à bordo do navio
Guttenberg, junto com seus pais, duas irmãs e um irmão. O navio partiu de Hamburgo, no dia 07 de abril
daquele ano.
Cinco meses após sua chegada, a família Grülke recebeu o lote nº 772, no mês de novembro de 1872, cinco
meses após sua chegada, o pai de Frederico Grülke faleceu repentinamente, vítima de Febre. Frederico,
por ser o filho mais velho, lutou junto com a mãe pela sobrevivência da família. Fato esse que moldou
Frederico como um ser obstinado e lutador.
Algum tempo depois, sua mãe se casou com o viúvo Guilherme Zülske.
No ano de 1883, já com a propriedade organizada, Frederico se casou com a jovem Albertina Jacob.
Albertina era nascida na Pomerânia, na região de Cartzin. Chegou ao Espírito Santo com 09 (nove) anos
de idade, com seus pais, o diarista Augusto Jacob e Guilhermina Knaack, em 1872.
Frederico e Albertina tiveram 22 (vinte e dois) filhos. Apenas uma filha de nome Albertina Grülke sobreviveu.
Mapa do ano de 1879, com lotes 1541, 1542, 1571 e 1572 - Atual sede do município de Santa
Maria de Jetibá - Arquivo Público do Estado do Espírito Santo
Frederico e Albertina, além de agricultores, construíram uma pequena casa comercial, localizada na atual
propriedade dos Schönrock.
No ano de 1905, adquiriram a pequena casa comercial da viúva Frederika Krüger, onde fica o Supermercado
“Super Show”.
Frederico e Albertina prosperaram no comércio, chegaram a ter 10 (dez) tropas, com mais de 100 (cem)
mulas para o transporte de mercadorias.
No ano de 1919, foi inaugurada a primeira estrada de rodagem no municipío de Santa Leopoldina. A estrada
que ligava Santa Leopoldina a Santa Teresa. Nos anos de 1923 a 1924, foi construída a estrada de rodagem
que ligava Santa Teresa à Figueira de Santa Joana, atual município de Itarana.
Frederico e Albertina quiseram modernizar o transporte de mercadorias do seu comércio. Para tanto, no ano
de 1926, mandou construir a primeira estrada de rodagem ligando Santa Maria a Caldeirão. Adquiriram um
caminhão importado da marca Saurer. Para dirigir o caminhão, mandaram vir da Alemanha o motorista Max
Schulze. Para os reparos, veio da Alemanha, o ferreiro Guilherme Miertschink. Em seguida veio também
Hermann Miertschink que se tornou Guarda livros (contador) do comércio.
No ano de 1928, os municípios de Itarana e Itaguaçu construíram uma usina hidroelétrica no rio Santa Joana.
Logo depois, Frederico contratou o engenheiro alemão, Ernst Pohl, para construir a primeira usina
hidroelétrica em Santa Maria de Jetibá. Essa usina foi construída no rio São Luiz, onde hoje encontra-se a
ponte que liga a rua Hermann Miertschink à Rodovia Afonso Schwab, que liga Santa Maria a Santa
Leopoldina, logo na saída da cidade. Com a energia gerada, cedeu luz elétrica gratuitamente para o templo
da comunidade luterana e para a família do pastor Hermann Roelke. Com a vinda de mais moradores, por
exemplo, a família do primeiro fotógrafo de Santa Maria de Jetibá, Erwin Kerckhoff, continuou ampliando a
iluminação para as demais famílias.
No ano de 1929, uma grande e grave crise internacional surgiu, com a quebra da bolsa de valores de Nova
Iorque. Os preços do café, principal produto de exportação e fonte de renda dos agricultores, caiu a ponto
de não haver mais comércio de café. O governo brasileiro comprou café para queimar, para evitar uma
quebradeira geral.
Frederico e Albertina, junto do genro Emílio Arnholz e única filha também Albertina, foram duramente
atingidos. Além das perdas financeiras, a única filha de Frederico Grülke faleceu. O genro Emílio Arnholz
colocou a sua parte dos terrenos e a casa comercial a venda e mudou-se para a região de Pancas.
Frederico e Albertina incentivaram a única neta, Sophia Arnholz, ainda viva, a adquirir a propriedade do pai.
Sophia era recém casada com Florêncio Augusto Berger. O jovem casal Florêncio e Sophia adquiriram a
casa comercial e, com o auxílio de Frederico, continuaram o trabalho. Frederico Grulke havia dito que:
“Santa Maria de Jetibá ainda seria um lugar de grande prosperidade”.
O prefeito de Santa Leopoldina, doutor Napoleão Fontelle da Silveira, que fora agrimensor, conhecia bem a
realidade das propriedades e a monocultura do café. Ele queria evitar a saída das famílias para o norte,
criou, com auxílio do governo federal, a estação de fruticultura, para o cultivo de novas culturas e fonte de
renda para os agricultores. A estação funcionou por anos, na casa onde se localiza o atual Museu da
Imigração Pomerana.
Além de estradas, Frederico adquiriu máquina para beneficiar café, acolheu e incentivou a vinda do primeiro
médico, o doutor Johann Assanger, o dentista Willibaldo Lasse e o Farmacêutico Tércio Correia dos Santos.
Frederico Grülke faleceu com mais de 80 anos, no dia 22 de novembro de 1949. No seu registro de óbito, o
pastor Hermann Rölke, que conviveu muitos anos Frederico Grülke, deixou registrado que, além de
Comerciante, Frederico Grülke foi o “fundador de Santa Maria de Jetibá”.
No ano de 1968, a câmara de vereadores de Santa Leopoldina, aprovou, por unanimidade, o projeto de Lei
nº 180, de autoria do vereador Waldemiro Berger, que criava a Avenida Frederico Grülke.
Florêncio Berger e Sophia Arnholz Berger, que sucederam Frederico e Albertina Grülke relataram no dia da
sua morte que: “Não morria somente uma pessoa, mas que se apagava uma luz que iluminava a todos ao
redor”
Registro de óbito nº 19, Frederico Grülke, com observação do Pastor Roelke: “fundador de Santa Maria”. -
Arquivo da Igreja Luterana
Assim como Frederico e Albertina, que foram os primeiros a chegar a localidade onde é a atual sede do
município de Santa Maria de Jetibá, vários outros imigrantes e descendentes foram chegando e edificando
o nosso município, a fim de torna-lo o que é nos dias atuais.
Desde a chegada, no dia 28 de junho de 1859, até a subida para as regiões de São Sebastião de Belém,
Caramuru, Jequitibá e Recreio, seguindo para região de Rio Possemoser até Garrafão, Santa Maria de
Jetibá se tornou o maior núcleo de pomeranos do Brasil.
Desse modo, o projeto de lei encaminhado propõe a criação do Dia do Fundador de Santa Maria de Jetibá
- Frederico Grülke e a Semana da Imigração Pomerana, com destaque ao dia 28 de Junho, dia da chegada
dos primeiros imigrantes pomeranos, a fim de preservar e respeitar a memória daqueles que tanto lutaram
para tornar esse município a grande potência que é atualmente.
Na expectativa da aprovação do mesmo, apresentamos a Vossa Excelência e aos ilustres Vereadores (as),
os nossos votos de elevado apreço e distinta consideração.
Atenciosamente
FLORENTINO LAUVERS
Prefeito Municipal em Exercício
Processo nº 6208/2022
PROJETO DE LEI Nº 059/2022
CRIA O DIA DO FUNDADOR DE SANTA MARIA DE
JETIBÁ - FREDERICO GRULKE E A SEMANA DO
IMIGRANTE POMERANO.
O Prefeito Municipal de Santa Maria de Jetibá, Estado do Espírito Santo.
Faço saber que a Câmara Municipal aprovou e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º. Fica criado, no município de Santa Maria de Jetibá, o “Dia do Fundador de Santa
Maria de Jetibá - Frederico Grulke”, a ser comemorado todo dia 26 de maio, data da chegada de Frederico
Grulke ao Espírito Santo, no ano de 1872.
Art. 2º. Fica criada, no município de Santa Maria de Jetibá, a “Semana do Imigrante
Pomerano”, a ser comemorada na semana do dia 28 de junho, data da chegada dos primeiros imigrantes
pomeranos ao Espírito Santo, no ano de 1859.
§1º. Será realizada sessão solene, alusiva as comemorações da Semana do Imigrante
Pomerano e ao “Dia do Fundador de Santa Maria de Jetibá - Frederico Grülke”, durante a semana do
Imigrante Pomerana, na semana do dia 28 de junho.
§2º. Nesta sessão, serão homenageados, no mínimo, 02 (duas) e, no máximo 05 (cinco)
pessoas, indicadas pelo executivo municipal, através da Secretaria de Cultura e Turismo.
Art. 3º. O Chefe do Poder Executivo regulamentará esta Lei por meio de Decreto.
Art. 4º. Revogam-se as disposições em contrário.
Registre-se. Publique-se. Cumpra-se.
Santa Maria de Jetibá-ES, 14 de Setembro de 2022.
FLORENTINO LAUVERS
Prefeito Municipal em Exercício