Câmara Municipal de Santa Maria de Jetibá
Estado do Espírito Santo
PROJETO DE LEI N° 56/2022
INSTITUI E INCLUI NO CALENDÁRIO OFICIAL
DE EVENTOS DO MUNICÍPIO DE SANTA
MARIA DE JETIBÁ O “DIA DO SINEIRO” E DÁ
OUTRAS PROVIDÊNCIAS.
Faço saber que a Câmara Municipal aprovou e eu, Prefeito
Municipal de Santa Maria de Jetibá, sanciono a seguinte Lei:
Art. 1° Fica instituído e incluso no calendário oficial do Município de Santa
Maria de Jetibá o “Dia do Sineiro”, a ser comemorado, anualmente, no dia 07
de Janeiro.
Art. 2º Em comemoração a esse dia poderão ser promovidos eventos
beneficentes, educativos, culturais e festivos pelo Poder Executivo.
Art. 3º O Poder Executivo regulamentará a presente Lei, no que couber, por
meio de Decreto.
Art. 4º Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação, revogadas as
disposições em contrário.
Registre-se, Publique-se e Cumpra-se.
Plenário “Doutor Floriano Guilherme”, 09 de dezembro de 2022.
LUCIANO ALVES DA SILVA
Vereador-PTB/1º Secretário
JOEL PONATH
Vereador/PSB
Câmara Municipal de Santa Maria de Jetibá
Estado do Espírito Santo
JUSTIFICATIVA
PROJETO DE LEI Nº 56/2022, INSTITUI E
INCLUI NO CALENDÁRIO OFICIAL DE
EVENTOS DO MUNICÍPIO DE SANTA MARIA
DE JETIBÁ O “DIA DO SINEIRO” E DÁ
OUTRAS PROVIDÊNCIAS.
Senhor Presidente,
Senhores Vereadores e Senhoras Vereadoras:
Inicialmente cabe relatar que no município de Santa Maria de
Jetibá os sinos do templo da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana
foram encomendados da Alemanha no ano de 1904, pelo Pastor Henrich
Wrede e inaugurados no dia 07 de janeiro de 1906, sustentadas por uma
estrutura de madeira.
Durante seu transporte da estrada de Santa Leopoldina à Santa
Maria, em alguns trechos, precisou ser reaberta para que os sinos pudessem
passar. Essa etapa da viagem levou mais de uma semana para chegar às 40
famílias que compunham a comunidade de Santa Maria na época. Palavras do
pastor Valdemar Gaede escritas em seu livro.
Os sinos são maneiras solenes e sacras de anunciar e inteirar os
membros da comunidade de um acontecimento importante. Sinaliza e convoca
para o culto, adoração e gratidão pela graça dadivosa de Deus. O som do sino
penetra profundamente no ouvido até atingir a alma das pessoas. Por isso não
conseguimos ficar indiferentes ao repicar sonoro do badalo na superfície cônica
de bronze.
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A intensidade e o ritmo das badaladas expressa sentimentos: de
alegria, dor, reverencia, saudade, respeito, dignidade, confiança, esperança,
zelo, paz, plenitude, entre muitos outros. E, anuncia uma mensagem que
alcança várias pessoas ao mesmo tempo.
Dessa forma, o Sineiro tem importância fundamental na produção
e reprodução dos toques que caracterizam e diferenciam territórios e
comunidades, contribuindo para a permanência da prática de tocar sino nas
cidades como uma forma de comunicação e identidade. É uma prática
tradicional, vinculada ao ato de tocar os sinos das igrejas luteranas ou católicas
para anunciar rituais e celebrações religiosas, atos fúnebres e marcação das
horas, entre outras comunicações de interesse coletivo.
A tradição do toque dos sinos, se mantém viva nessas cidades
como referência de identidade cultural da população local, e como atividade
afetiva, lúdica e devocional de sineiros voluntários e profissionais. A estrutura,
composição e o saber tocar sinos estão na memória e na habilidade dos
sineiros, que conhecem de cor um repertório não escrito de toques, constituído
de pancadas, badaladas e repiques (executados com o sino paralisado) e de
dobres (executados com o sino em movimento), adequados às ocasiões
festivas ou fúnebres.
Os Sineiros são, portanto, os detentores e os responsáveis pela
reiteração e transmissão da habilidade e do conhecimento requeridos por essa
forma de expressão e do seu repertório, pois essa prática não se aprende na
escola. É aprendizado que requer observação, envolvimento e dedicação
desde a infância, quando os meninos, que não têm acesso às torres, começam
a reproduzir os sons dos campanários em panelas, postes, enxadas, picaretas
e em tudo o mais que possa servir como objeto de percussão.
A atividade de Sineiro é uma prática e uma arte que envolve
criação e aprimoramento dos toques, indo além, portanto, da mera repetição de
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um repertório. Sineiros experientes podem criar adereços para os sinos e
novas técnicas que são incorporadas ao seu trabalho, como é o caso da
colocação de um gancho entre o badalo e a corda. Essa inovação, em
especial, proporcionou significativa valorização do toque dos sinos e destaque
a seus praticantes.
Ressalta-se ainda que os Sineiros se autoclassificam como
antigos sineiros - aqueles que tocam os sinos esporadicamente e são
chamados para esclarecer dúvidas; jovens sineiros - os que tocam os sinos no
dia-a-dia; zeladores sineiros - os que devem dar condição aos jovens sineiros
de executar a sua tarefa e tocar os sinos quando estes não conseguem; e
mestres sineiros - os sineiros já falecidos que fazem parte da história da
localidade e são referências desse saber e do seu ofício.
A paisagem, quer visual ou sonora, deve ser passível de
contemplação por todos. No caso da paisagem sonora sineira, ela é objeto de
audição e transcendência extremamente necessária à vida humana.
Especialmente por ter uma associação direta com a Igreja, os sinos são vistos
como uma forma de comunicação com Deus, acontece muito de a população
telefonar para as paróquias, para as igrejas ou responsáveis para saber por
que o sino tocou pois apenas uma parcela mais idosa da população é capaz de
decifrar essas mensagens.
O mesmo não se pode dizer de grande parte dos meninos que,
hoje, correm às torres que tenham o mesmo interesse dos antigos pelas
questões religiosas. Cabe notar que são esses jovens os responsáveis pela
perpetuação da tradição no futuro próximo. Enfim, para uns os toques de sinos
são agentes de congregação dos moradores em torno de acontecimentos
importantes de seu cotidiano; para outros, elementos essenciais das
celebrações religiosas, para outros ainda, brincadeira ou música.
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De qualquer forma, para grande parte dos moradores dessas
comunidades eles são referências fortes da paisagem e da história desses
lugares. Registrar um bem cultural é reafirmar o direito à memória, ao
patrimônio e ao seu reconhecimento.
Diante de tudo que foi exposto, o projeto visa homenagear todos
os Sineiros do município de Santa Maria de Jetibá, por desempenharem essa
importante função.
Portanto, dada a importância do referido projeto, solicitamos o
apoio dos nobres colegas Vereadores e Vereadoras desta Casa Legislativa
para a aprovação do presente Projeto de Lei.
Plenário “Doutor Floriano Guilherme”, 09 de dezembro de 2022.
LUCIANO ALVES DA SILVA
Vereador-PTB/1º Secretário
JOEL PONATH
Vereador/PSB