Câmara Municipal de Santa Maria de Jetibá
Estado do Espírito Santo
MOÇÃO DE CONGRATULAÇÃO N° 01/2024
CONGRATULA A SENHORA MARINEUZA
PLASTER WAIANDT.
Senhor Presidente,
Senhores Vereadores e Senhoras Vereadoras:
A presente homenagem realizada por meio da Vereadora Ana Paula
Alves de Azevedo, tem o objetivo de parabenizar a senhora Marineuza Plaster
Waiandt (professora).
A homenageada nasceu como todas as crianças camponesas daquela
época, em casa e sem assistência médica, apenas com a presença de sua
bisavó Luiza Fink que era parteira, numa madrugada fria do mês de agosto. O
dia era 24, o ano 1963 e o lugar fazia jus ao nome que tinha: “Queira Deus”!
Isso mesmo, Queira Deus! Queira Deus que eu sobreviva mais um dia. E a
vida era um sobreviver a cada dia com aquilo que tinham, que nem sempre
dava para se alimentar. O primeiro conflito do qual passou, foi a escolha do seu
nome, pois seu pai queria que se chamasse Maria e sua mãe, Neuza. Como
não conseguiram chegar num acordo, resolveram deixar os dois, e por um erro
do cartório, se tornou Marineuza, cujo nome a homenageada tem orgulho.
Como filha mais velha, desde cedo teve que assumir tarefas domésticas
e acompanhar seu pai na lida do campo. E foi no colo dele que aprendeu as
mais sábias lições de vida: o respeito, a gratidão, a coragem, a persistência, o
amor. Com sua mãe aprendeu a fazer seus próprios brinquedos, as bonecas
de sabugo de milho e de pano, as vasilhas de barro com as quais brincava de
cozinha, os bordados e o artesanato. Mas, sem dúvida, os melhores momentos
de sua infância passou no colo de sua avó, ouvindo as histórias, as lendas,
parlendas e outras manifestações da cultura pomerana.
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Por volta dos 7 (sete) anos de idade, seu pai começou a lhe ensinar a
ler, os quais durante os momentos de descanso, sentados debaixo dos pés de
café, rabisca as primeiras letras no chão de terra que absorvia como se fossem
um néctar. Assim aprendeu a ler, mas não conseguia escrever pois não tinha
coordenação motora e nunca havia pegado no lápis.
Assim, no início do ano de 1971, foi matriculada na 1ª série primária e
toda feliz, foi para o seu primeiro dia de aula. Logo descobriu que aquele
ambiente não era tão maravilhoso como imaginava, pois todos os seus colegas
eram descendentes de italianos e falavam português fluente, enquanto a
homenageada era a única pomerana e não sabia falar português. O forte
sotaque a fez motivo de chacota e piadas para toda a turma. Logo foi
abandonada à sua própria sorte, e dessa forma passou quase todo o seu
primeiro ano de escola, pois sua professora não se importava.
Só conquistou o respeito dos colegas quando provou sua capacidade
intelectual. Assim, concluiu a 4ª série, mas teve que parar de estudar pois não
havia nenhuma escola com ensino além dessa série na redondeza. Passou 03
(três) anos em casa e só em 1978 pôde continuar os estudos num internato
destinado à crianças luteranas, a Fundação Diacônica Luterana em Afonso
Cláudio. Mas, seu sonho durou pouco, pois naquele mesmo ano sua família
mudou-se de Itaguaçu para Santa Maria de Jetibá, comunidade de Alto Santa
Maria. No final do ano, se juntou à sua família e teve que interromper seus
estudos por falta de acesso à escola.
A comunidade onde foi morar estava sem acesso à educação por falta
de professores que, vindos da Grande Vitória, não se adaptavam à
comunidade local pela pura impossibilidade de se comunicarem, uma vez que
seus moradores falavam somente pomerano.
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Por meio de um movimento comunitário que exigia escola para os filhos,
com apenas 15 anos de idade, foi nomeada professora e em 19 de março
começou sua trajetória de educadora. Tinha o mesmo tamanho e quase a
mesma idade dos seus alunos e juntos, descobriram a maravilha de
compartilhar conhecimentos. Passou 03 (três) anos nessa situação, ensinando
o que sabia apenas pela intuição.
Em 1981, se casou com Helmut Waiandt e a partir daí sua vida mudou.
Helmut, apesar de não ter estudado, sempre primou pela educação, e já em
1982 começou a estudar no Projeto HAPRONT (Habilitação para Professores
não Habilitados), onde se formou em 1985. Em 1987, a homenageada prestou
seu primeiro Concurso Público, sendo aprovada em 7° (sétimo) lugar. Depois
fez mais 02 (dois) concursos sendo aprovada em ambos, mas optou em
assumir duas cadeiras na rede Municipal de Ensino no Município de Santa
Maria de Jetibá. Assim, atuou por 30 (trinta) anos na docência, sendo 29 (vinte
e nove) na escola Fazenda Emílio Schroeder.
Em 2009, assumiu direção da EMEIEF Antônio Gonçalves e por motivo
de aposentadoria se afastou em 17 de novembro de 2013. Marineuza é mãe de
5 (cinco) filhos, sendo e 3 (três) biológicos e 2 (dois) adotivos. É avó de 4
(quatro) crianças e como na vida, as histórias se repetem, 2 (dois) são netos
biológicos e 2 (dois) adotivos.
Quando adotou Paloma e Samuel, seus filhos já eram adultos e nesse
dia viveu uma experiência ímpar, foi intimada a comparecer ao fórum por causa
de dois bebês abandonados pelos pais cuja guarda estava em discussão.
Durante a audiência, nenhum familiar próximo se dispôs a cuidar das crianças
e elas seriam conduzidas a um orfanato para uma futura adoção. Estavam
Marineuza, Helmut e seu filho Humberto Rafael. Todos os outros presentes
assinaram a desistência da guarda e se retiraram da sala e eles
permaneceram. Não podiam sair dali se declarando incapazes de cuidar de
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duas crianças e permitir que elas fossem conduzidas ao orfanato. Conversaram
muito com a Juíza, o Promotor e os membros do Conselho Tutelar e decidiram
assumir a guarda das crianças por 90 (noventa) dias, enquanto se realizasse o
processo de condução para uma nova família.
Assim, por volta das 22 (vinte e duas) horas, levaram aos seus braços
dois pequenos seres que nunca havia visto. Samuel, aos 06 (seis) meses de
idade já dormia e foi entregue para Helmut e; Paloma com 01 (um) ano e meio
foi colocada nos braços de Marineuza, a qual lhe olhou por um instante, passou
os braços em volta de seu pescoço e segurou com tanta força que ninguém
mais a tirou dali. Ela havia escolhido Marineuza como mãe e cabia a ela aceitála como filha. Uma semana depois, entraram com o pedido oficial de adoção,
que foi expedido 2 (dois) anos depois.
No final do ano 2009, a família foi atingida por uma tragédia, na qual
perderam sua casa num incêndio. Começaram do zero e reconstruíram tudo.
Foi um período muito difícil, pois ficaram dependentes de doações e
solidariedade de desconhecidos, mas superaram, pois, como dizem os
pomeranos: “Deus não dá a ninguém uma carga maior do que seus ombros
suportam”.
Hoje vive com muita alegria, no seu cantinho pomerano. Se tivesse que
voltar no tempo, não mudaria nada em sua vida, pois até mesmo os episódios
mais difíceis da sua vida foram importantes e decisivos para fazer da
homenageada quem é hoje: uma mulher pomerana que tem orgulho de seu
povo e toda aquela dor da discriminação, hoje vive com muita alegria, no seu
cantinho pomerano e pelo fato de ser pomerana, transformou em conhecimento
que hoje usa no atendimento aos turistas que recebe na Waiands Huus, seu
memorial.
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Diante do exposto, conto com o apoio dos nobres Vereadores e
Vereadoras para a aprovação da MOÇÃO DE CONGRATULAÇÃO e, sendo
aprovada, requeiro que seja enviada uma cópia à homenageada, bem como ao
Poder Executivo Municipal, dando-lhes ciência do reconhecimento e da justa
homenagem prestada por este Legislativo.
É a Moção.
Plenário “Doutor Floriano Guilherme”, 04 de março de 2024.
ANA PAULA ALVES DE AZEVEDO
Vereadora- PSD