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Câmara Municipal de Américo Brasiliense
MENSAGEM
Aos Nobres Pares,
Tenho a honra de submeter à elevada apreciação dessa Colenda Câmara o incluso
Projeto de Lei que denomina de "ESTAÇÃO CULTURAL MARIA LUCINDA
BENTO" o anexo da Estação Ferroviária, localizado na Rua Toledo Pizza, contíguo à
Praça Pedro de Toledo, no município de Américo Brasiliense.
JUSTIFICATIVA
A matéria em questão insere-se no âmbito do poder de iniciativa legislativa
parlamentar, conforme disposto no art. 13, inciso XIV, da LOMAB, em conformidade com
reiterados pareceres exarados em projetos de lei de natureza semelhante.
O perfil da homenageada, conforme demonstrado em seu currículo anexo, alinha-se
perfeitamente à homenagem proposta, constituindo-se em um justo reconhecimento
póstumo.
Para atender às exigências formais, segue junto à proposição o currículo de vida da
homenageada.
Na expectativa de que a presente proposição seja acolhida pelos Nobres Edis que
compõem essa Augusta Casa de Leis, envio meus protestos de estima e consideração.
Sala de Sessões "Dr. Elias Leme da Costa", 29 de janeiro de 2025.
Rua Manoel Borba, 298 - Centro - CEP 14820-003 - Américo Brasiliense - SP
www.arnericobrasiliense.spleg.br- Fone: (16) 3392-3444
Câmara Municipal de Américo Brasiliense
PROJETO DE LEI N°001 /2025
Autor: Vereador Diego Viveiros
Dá denominação de "ESTAÇÃO
CULTURAL MARIA LUCINDA BENTO"
ao anexo da Estação Ferroviária que
especifica e dá outras providências.
Art. 1° Fica denominado "ESTAÇÃO CULTURAL MARIA LUCINDA BENTO" o
anexo da Estação Ferroviária, localizado na rua Toledo Pina contíguo à Praça Pedro de
Toledo, no município de Américo Brasiliense.
Art. 2° As despesas com a execução desta Lei onerarão verbas próprias do
orçamento vigente.
Art. 3° Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 4° Revogam-se as disposições em contrário.
Sala de Sessões "Dr. Elias Leme da Costa", 29 de janeiro de 2025.
Rua Manoel Borba, 298 - Centro - CEP 14820-003 - Américo Brasiliense - SP
www.americobrasiliense.sp.leg.br- Fone: (16) 3392-3444
MARIA LUCINDA BENTO
A trajetória de Lucinda
Maria Lucinda Bento foi artesã, artista plástica, professora, coordenadora da Oficina de
Tecelagem Sinhá Prado e presidente da UNIAART (União dos Artistas e Artesãos de Américo
Brasiliense).
Pela Oficina de Tecelagem Sinhá Prado representou Américo Brasiliense em eventos
nacionais, “Revelando São Paulo”, “FACIRA”, “Mostra de Arte e Artesanato do SESC” e eventos
internacionais, “L’ Artigiano in Fiera” em Milão, Itália. Ensinou a milenar arte da tecelagem
com fibras naturais e lã para mais de 100 alunos, ajudando a melhorar a economia familiar e
promovendo as habilidades artísticas e manuais.
O processo de criação dos tapetes kilins da oficina começa na fazenda, da tosquia das ovelhas.
A lã é cortada, lavada, cardada, tingida e confeccionam-se os fios em rocas. Nos teares, a lã é
trançada formando desenhos, transformando em tapetes.
Foi essa vivência orgânica e de sabedoria humana, das aulas, das exposições, nos encontros
com outros artistas, que permitiu a Lucinda
aprender e ensinar a generosidade. No tecer o futuro junto, nasceu a idéia da UNIAART, de
compor com outros artistas um ideal de cultura ameriliense.
Com o objetivo de fomentar e garantir aos artistas amerilienses o desenvolvimento de
seus talentos, a UNIAART, com sede na antiga Estação de Trem, atendia crianças, jovens e
adultos. São cursos de dança, capoeira e artes plásticas. Lugar especial, onde artesãos podiam
apresentar e vender suas bonecas, tapetes, customização, macramê, pinturas, esculturas, etc.
O grupo de dança de rua Blackout, por exemplo, que começou seu trabalho dentro da oficina,
era reconhecido por sua excelência, ganhador da edição de 2010 do Mapa Cultural Paulista.
Lucinda Bento estava sempre disposta a lutar pela arte e pelos artistas amerilienses,
acreditava que uma cidade para ter progresso precisa valorizar e incentivar as riquezas
individuais e coletivas locais.
Natural de São Gonçalo do Sapucaí, Minas Gerais, (nascida em 26 de janeiro de 1941) chegou
à cidade em 1984 para trabalhar no Sítio Nossa
Senhora das Graças, antiga Fazenda Paraíso. Foi braço direito na administração de D. Raquel
e Dr. Cássio Moraes Alves. Por influência da
filha do casal, Bernadette Guimarães, começou a frequentar e apresentar seus trabalhos no
circuito de artistas plásticos de Araraquara e região. Em 1997 fundou com Dr. Cássio,
a Tecelagem Sinhá Prado e o Projeto Tecendo o Futuro. Em 2005 fundou a UNIAART.
De família humilde começou a trabalhar aos 9 anos, usava um banquinho para alcançar a pia
da cozinha. Cuidou dos quatro irmãos mais novos, precisou abandonar a escola, mas
aprendeu como educar crianças e os quitutes da cozinha mineira com D. Lalá Brandão.
Em 1959, aos 18 anos, mudou-se para São Paulo, voltou para escola, primeiro na Escola
Primária do SESI, depois Escola de Desenho Mecânico do SESC e formou-se em Técnico em
Contabilidade no Colégio Washington Luís na Lapa.
Em 1965 foi proibida de frequentar a padaria do bairro por seus discursos inflamados contra
o Governo Militar, o padeiro tinha medo do seu posicionamento político. Não entrou para
política (naquele momento), mas começou a pintar quadros e expor sua necessidade de
liberdade. Era grande admiradora dos feitos de JK e da arquitetura de Oscar Niemeyer.
Começou a expôr seus quadros de pintura na Praça da República, Parque Trianon e galerias
da Av. Angélica e Av. Maria Antônia. Em 1977 foi trabalhar para família de Thomas Jacob,
com eles aprendeu Espanhol e visitou a Argentina. A paixão pelo Tango e a Milonga
cresceram ainda mais, Lucinda sempre gostou de dançar, não perdia um Baile no Clube Homs.
Pé de Valsa assumida, dançava como ninguém o Samba Rock e o Forró.
Em 1983 começa sua parceria com a família de D. Raquel, cria seus netos e bisnetos. Depois
em 1984, ingressa no Movimento pelas Diretas Já e filia-se PMDB. Neste tempo podia soltar
os gritos presos pelos anos da Ditadura. E chegou a concorrer à Câmara Municipal de
Américo Brasiliense.
Em 1990 começou a estudar tecelagem de tapetes, visitando artesãs do
Sul de Minas, nas cidades de Campanha e Cambuquira, pertinho da sua terra natal. Em São
Manoel/SP, busca parceria do cuidado com carneiros. E se faz professora em 1996.
por Moema Guimarães
Orgulho de ser Cidadã Ameriliense
Em o9 de novembro de 2012 recebeu o “Título de Cidadã Ameriliense”, mediante Decreto
Legislativo de autoria da vereadora Marly Pavão.
Faleceu em 23 de novembro de 2019, deixando um relevante legado de defesa intransigente
da cultura e da preservação histórica, como valores imprescindíveis para o progresso de
um povo.