CÂMARA MUNICIPAL DE GARÇA
ESTADO DE SÃO PAULO
Rua Barão do Rio Branco, 127/131, Centro, Garça/SP, CEP 17.400-082
Telefone/Fax: (14) 3471-0950 / (14) 3471-1308 – CNPJ 49.887.532/0001-81
Site: www.garca.sp.leg.br / email: camara@cmgarca.sp.gov.br
J U S T I F I C A T I V A
Senhores Vereadores:
Apresentamos para a apreciação dos nobres pares o incluso
Projeto de Decreto Legislativo, que tem por finalidade outorgar o título de Cidadão
Benemérito ao Sr. José Lourenço. Garcense, nascido na Sentinela do Planalto em 07 de novembro
de 1939, José Lourenço é, de fato, um empreendedor. Sua ousadia, seu empreendedorismo, seu ‘tino’ comercial foram (e são) fundamentais para dar um novo rumo no setor industrial
garcense. Na terra do café e dos cafeicultores o Engenheiro Industrial- voltado à área da
Mecânica – construiu o seu espaço e mudou o cenário industrial garcense. “Eu me formei em 1963. Em 1959 a Volkswagen veio para o
Brasil. A questão da Mecânica era recente no Brasil, que até então vivia somente de café. Foi
uma formação difícil, só tinha a FEI, Mackenzie e ITA”, comentou ele, ao lembrar os
primeiros passos de sua formação. Segundo o empresário, a formação não foi muito boa, não
haviam professores capacitados. Alguns tinham vindo da guerra e muitos falavam alemão, o
que dificultava o entendimento. Ainda assim, com todas as dificuldades, ele finalizou a formação, numa época em que o polo industrial de Garça era limitado. Numa época em que a
concorrência com a cafeicultura não era bem-vinda. José Lourenço diz que “não tinha expressão, mas tinha
pensamento industrial” e, por isso, não o queriam. “Aqui tinha o Pastifício Paulista, a Fábrica de Balas Ogawa, a
Deusa. Tinha também uma fábrica de sapatos voltada para crianças. Eu, vindo e tendo a
mentalidade industrial não foi bom. Não me queriam aqui. Era uma concorrência, pois a
Indústria paga mais que a cafeicultura. Iam perder mão de obra. Me tornei professor e
lecionei na Escola Técnica Lauro Gomes, em São Bernardo do Campo, onde fiquei até ser
demitido. Briguei com o diretor e fui demitido. Me enquadraram em falta grave. Os alunos
fizeram greve para eu voltar. Dei aula meio ano”, disse ele, lembrando-se de algumas
turbulências vividas. Mas o meio acadêmico não era o espaço para o garcense, que
por cinco anos ficou em colégio interno, crescer. Como frisou, antes de entrar para a
faculdade, já pensava em empreender. O empreendedorismo sempre foi sua meta. Já de volta à terra natal, o espírito empreendedor aflorava em
todas as atividades. Começou com a empresa Grampos Darma. Ele e Dorides compraram uma
máquina em Jaú. Fui objeto de felonias. Os amigos tomaram o que eu tinha a
ponto de não ter dinheiro para o café”, comentou sem demonstrar mágoa ou outros
sentimentos como raiva ou desejo de vingança. Contou os fatos, apenas os citando como uma
passagem da vida. Nessa época, segundo o empresário, ele passava em frente aos
bares e não tinha dinheiro para o café. Os amigos saiam quando ele chegava. Foi também a
época em que recebeu um convite de uma multinacional de São Paulo.
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E a cada tombo, a necessidade de um recomeço, um reencontro
e uma superação. Começou a fazer uma peça para um senhor de Londrina. Uma encomenda
de 5 mil peças mensais. Peças que ele adaptou, refez, aprimorou. Peças pelas quais cobrou o
equivalente a 15 reais, enquanto o cliente pagava até 195 reais. Ainda assim não foi fácil entrar no mercado. Fabricava peças em
plástico enquanto os concorrentes faziam em alumínio. Tinha que haver o convencimento de
que a praticidade e a eficiência não se perdiam com a mudança da matéria de confecção. Eram
os pulverizadores para postos de gasolina. O empresário garcense é descendente de português. O pai, Bernardino Lourenço, nasceu em 06 de junho de 1890 em Miranda do Corvo. A mãe, Maria
da Missão, também nasceu em província portuguesa. Sem dinheiro, sem cultura, sem
expectativas, migraram para o Brasil em busca de novas oportunidades. Na peregrinação, trabalhando com caminhão, acabaram em Garça em 1922. “Eles poderiam ter migrado para outro país, mas em Portugal
tinham condições baixíssimas. Sem nenhuma formação, só sabiam plantar batatas, por isso
não tinham como ir para outro país. Ele foi trabalhar no porto, depois em bondes. Tornou-se
sócio do meu tio. Era muito econômico e acabou comprando seu primeiro sítio. Minha mãe
era muito humilde. Meu pai foi um gênio, era muito bom, se não falasse de dinheiro. Para
meu pai e minha mãe, emprego, trabalho, era carpir café”, falou José Lourenço. Em 1946 o pai comprou a propriedade que hoje está restrita a
1/12 avos do que era. O Sitio São Lourenço, onde nasceu o entrevistado, num território que ia
até a base do tratamento de esgoto do Serviço Autônomo de Águas e Esgoto (SAAE). Trouxeram uma pessoa de Portugal para cuidar dos negócios. Meu pai era bom, desde que não
falasse em dinheiro” Seu Bernardino e dona Maria da Missão, certamente, desconheciam a
veia empreendedora do filho.Formado engenheiro José Lourenço se viu, num primeiro
momento, sem saber para onde ir. Garça vivia do café e não havia espaço, ou contexto, para
um engenheiro. “Garça vivia do café. Dava dinheiro. Na faculdade um professor
disse que Garça era cidade de pessoas ricas. Até que era verdade. Aqui o café corre nas veias”, disse ele. No entanto José Lourenço não titubeia em dizer que “a desgraça
de Garça foi o café”. Os grãos. A cultura cafeeira não permitiu que outras empresas se
instalassem no município. “Os americanos mantinham a cafeicultura. Os baixos salários
continham o movimento social. Há 15 anos se falasse para um fazendeiro ‘torra e vende’, ele
brigava com você. Hoje tem uns 10 vendendo”, colocou o empresário relatando a influência
da cafeicultura na economia garcense. Parece, de fato, que não havia espaço para ele. Mas ele
o construiu. Hoje, com a mudança do cenário, Garça vive da indústria, principalmente com a
instalação da PPA. Em 1976 José Lourenço inaugurou a Mac Loren Máquinas Para
Agricultura LTDA, mais um empreendedorismo na Sentinela do Planalto. A empresa foi uma
das primeiras indústrias metalúrgicas da região.
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Do tradicional produto (e único), o pulverizador de ar P01, hoje
são mais de 100 produtos em todo o Brasil. E, em meio a tanta diversidade José Lourenço não
aponta nenhum produto como ‘carro chefe da empresa’. Para ele, o carro chefe é sempre o
que vende mais, o que pode mudar de acordo com o momento. Se a Mac Loren é uma referência na indústria em Garça, José
Lourenço é referência de empreendedorismo e fez parte da história de outras empresas na
cidade. “Montei a fábrica de grampos e quando a PPA começou fiz
serviço para a empresa”, comentou, lembrando que, no mundo dos negócios, nem sempre as
coisas acontecem como queremos. Começou a fazer ferramentas para a PPA: 30 peças mensais. Ficou sem oito de seus 15 funcionários. Mais uma vez teve que recomeçar. José Lourenço usa um ditado popular para explicitar a relação
de amizade no meio. Algo como “o negócio é ferrar mesmo os amigos, visto que os inimigos
não te deixam chegar perto”. Pronuncia o ditado em meio a risos, na certeza de que seu
espaço foi conquistado. Embora galã e galanteador, José Lourenço se rendeu ao amor e
casou-se com a fonoaudióloga Olga Kazue Takazak Lourenço. Segundo ele, a melhor
profissional de toda região. Formada pela Escola Paulista de Medicina, e mesmo figurando
entre as melhores, José Lourenço afirma que a esposa enfrentava as dificuldades de uma
cidade pequena, cuja população tinha poucos recursos. “Em Garça, quem tinha dinheiro ia para São Paulo se tratar, não
pagavam uma profissional aqui. Os que ela atendia tinham baixo poder aquisitivo. Um dia ela
chegou chorando e dizendo que estava cansada, pois Deus não paga conta, e as pessoas por
ela atendidas só diziam ‘Deus lhe pague’. Foi quando montei a fábrica de torneiras para ela”, relembrou o empresário. Voltando à época em que trabalhou em São Paulo, num de seus
muitos recomeços, José Lourenço afirmou que achava a cidade um “inferno”, com muito
barulho e poluição, algo muito diferente de Garça. Aqui, disse ele, se prima pela qualidade de
vida. Ao ser questionado se Garça é uma cidade promissora não titubeia em dizer que
depende. Depende das pessoas para desenvolver produtos. “Eu amo a FAEF. Ela está ligada a atividade agrícola, que é o
que temos aqui: água, solo, sol. Temos também a FATEC, na área da informática”. Mas o homem empreendedor, mesmo tendo sido político
universitário, diretor de centro acadêmico, atuado na União Estadual Estudantil e na CIESP
(que vê como um clube de amigos), não se aventurou na política. Ao contar os tropeços e os avanços tidos em sua caminhada, José Lourenço relatou várias desventuras, mas não citou o nomes daqueles que, por acaso, seriam considerados inimigos.O homem, que chega as oito décadas sem sentir saudades já que, segundo ele, a vida é um fluir constante, fala sobre ética e moral e diz não desejar mal a
ninguém.
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“Ética para mim está ligado ao travesseiro. Não desejo o mal a
ninguém. O que foi feito foi, é normal e nem tudo o que é moral é ético. Ética não é crime e
tem os aspectos a serem considerados”, finaliza ele
Sendo assim, nada mais justo do que o Sr. José Lourenço ser
homenageado com o Título de Cidadão Benemérito pelo Poder Legislativo. S. Sessões, datado e assinado eletronicamente. TENENTE ALMEIDA
Vereador – PL
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P R O J E T O D E D E C R E T O L E G I S L A T I V O
(de autoria do Vereador Tenente Almeida)
OUTORGA O TÍTULO DE CIDADÃO BENEMÉRITO AO SR. JOSÉ LOURENÇO. Faço saber que a Câmara Municipal aprovou e eu promulgo o
seguinte Decreto Legislativo:
Art. 1º Fica concedido o título de “Cidadão Benemérito” ao Senhor “José Lourenço”, por relevantes serviços prestados à comunidade. Art. 2º O título será entregue no decorrer de sessão legislativa
extraordinária, a ser convocada pela Presidência da Câmara, após consulta ao homenageado. Art. 3º As despesas decorrentes deste Decreto serão suportados por
dotações orçamentárias próprias. Art. 4º Este Decreto Legislativo entrará em vigor na data de sua
publicação. Art. 5º Ficam revogadas as disposições em contrário. S. Sessões, datado e assinado eletronicamente. TENENTE ALMEIDA
Vereador – PL
Documento assinado eletronicamente pelo(s) autor(es), nos termos da Medida Provisória nº 2.200-1, de 27 de julho de 2001, em conformidade com as regras da infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil).