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materia nº 22/2020

Tipo Projeto de Lei Ordinária
Número / Ano 22 / 2020
Date 2020-12-07
EmentaPROJETO DE LEI Nº 22. DE 02 DE DEZEMBRO DE 2020. Autoria: EXECUTIVO CRIA O ARQUIVO HISTÓRICO MUNICIPAL "MAJOR ERNESTO GUILHERME YOUNG", E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS.
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Autoria

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- Estância Balneária
MENSAGEM
A SUA EXCELÊNCIA, SENHOR CLAYTON APARECIDO NEGRI,
DD. PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE IGUAPE
Senhor Presidente,
Cumprimentando Vossa Excelência, encaminho a essa Casa o anexo Projeto de
Lei dispondo sobre a criação do Arquivo Histórico do Município de Iguape.
Iguape é o quinto município mais antigo do Brasil, fundado em 03 de dezembro
de 1538, contando, portanto, com 482 (quatrocentos e oitenta e dois) anos. A sua vasta riqueza
histórica foi determinante para o tombamento do seu Centro Histórico no ano de 2009 pelo
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que passou a ser parte do patrimônio
histórico nacional.
Reunir todo o material documental, histórico, fotográfico e jornalístico do
Município em um único órgão público destinado ao armazenamento e à conservação desse
acervo é fundamental para preservação da história do povo brasileiro e, em particular, da
sociedade iguapense.
Neste sentido, o projeto tenciona criar do Arquivo Histórico Municipal como
NA
Avenida Adhemar de Barros - 1.070 - Fone/Fax (13) 3848-6810 - CEP 11920-000 - Iguape - SP
equipamento público destinado à preservação da cultura e fomento do turismo.
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O Arquivo Histórico Municipal receberá o nome do “Major Ernesto Guilherme
Young”, (1850-1914) historiador e membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo,
que a seu tempo empreendeu portentosa cruzada pela história de Iguape.
Em virtude da relevância pública do respectivo projeto, solicito a sua
apreciação e aprovação, em caráter de urgência.
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WILSON ALMEIDA LIMA
o | PREFEITO
/
AO EXCELENTÍSSIMO SENHOR
Vereador CLAYTON APARECIDO NEGRI
DD. PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE IGUAPE (SP).
Avenida Adhemar de Barros - 1.070 - Fone/Fax (13) 3848-6810 - CEP 11920-000 - Iguape - SP
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PROJETO DE LEI Nº 22,
DE 02 DE DEZEMBRO DE 2020.
Autoria: Executivo
CRIA O ARQUIVO HISTÓRICO MUNICIPAL “MAJOR
ERNESTO GUILHERME YOUNG”, E DÁ OUTRAS
PROVIDENCIAS.
WILSON ALMEIDA LIMA, Prefeito de Iguape — Estância
Balneária, no uso de suas atribuições legais, FAZ SABER que a Câmara Municipal aprovou e
ele sanciona e promulga a seguinte Lei:
Art. 1º - Fica criado o Arquivo Histórico Municipal “Major Ernesto Guilherme Young”, órgão
administrativo vinculado ao Departamento Municipal de Cultura.
Art. 2º - O Arquivo Histórico Municipal “Major Ernesto Guilherme Young”, órgão
administrativo da estrutura da Prefeitura Municipal de Iguape, tem como finalidade:
I — reunir, preservar, catalogar e exibir qualquer espécie de documentação, escrita ou oral,
relacionada à história de Iguape;
II — custodiar os documentos históricos, tanto do passado remoto como recente, dando-lhes
tratamento técnico;
HI — estender a custódia aos documentos de origem privada considerados de interesse público
municipal, diante do juízo de conveniência e oportunidade;
IV — estabelecer diretrizes e normas, com articulação e orientação técnica às unidades que
desenvolvem atividades de protocolo e arquivo corrente no âmbito do Poder Executivo
Municipal;
V — garantir acesso às informações contidas nos documentos sob sua guarda, de forma ampla
e irrestrita;
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Avenida Adhemar de Barros - 1.070 - Fone/Fax (13) 3848-6810 - CEP 11920-000 - Iguape - SP
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VI — promover e incentivar a realização de cursos, seminários, eventos e exposições,
destinados a estudantes, pesquisadores e à população, com o intuito de proporcionar
conhecimento e divulgar a memória de Iguape.
Art. 3º - O Arquivo Histórico Municipal será dirigido pelo Diretor do Departamento
Municipal de Cultura, assessorado por Conselho Municipal, que terá a definição de sua
estrutura organizacional, regulamentada por decreto.
Parágrafo único - O Conselho Municipal do Arquivo Histórico será composto por membros
com conhecimento em assuntos culturais, nomeados pelo Chefe do Poder Executivo e não
remunerados pelos serviços.
Art. 4º - Incumbe ao Arquivo Histórico Municipal “Major Ernesto Guilherme Young”, entre
outras tarefas típicas de sua finalidade:
I — garantir acesso às informações contidas na documentação sob a sua custódia, ressalvados
os casos de sigilo protegidos por lei;
II — receber, por transferência ou recolhimento, os documentos produzidos e acumulados pelo
Poder Público municipal;
II — receber, por doação ou compra, documentos de origem privada de interesse municipal;
IV — produzir, a partir de fontes não convencionais, documentos que registrem expressões
culturais de interesse municipal;
V — promover interação sistêmica com os arquivos correntes e protocolos das repartições
municipais;
VI — manter intercâmbio com instituições afins, nacionais e internacionais;
VII — custodiar, por intermédio de acordos previamente firmados e, caso exista conveniência e
oportunidade, documentos de outras esferas e poderes governamentais.
Parágrafo único — As competências específicas de cada unidade do Arquivo Histórico
constarão do seu regimento próprio.
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Art. 5º - Ao responsável pelo Arquivo Histórico Municipal compete planejar, supervisionar,
orientar, coordenar e controlar o desempenho das atividades próprias das unidades que lhes
são pertinentes.
Art. 6º - Aos colaboradores cabe coordenar, orientar e controlar a execução das atividades
técnicas e administrativas das áreas de sua competência.
Art. 7º - O Arquivo Histórico Municipal poderá, mediante convênio com a Câmara
Municipal, manter a custódia de seus documentos de valor permanente.
Art. 8º - No prazo de cento e vinte dias da publicação desta Lei, o Chefe do Poder Executivo
criará o regimento inteno do Arquivo Histórico Municipal “Major Ernesto Guilherme
Young”.
Art. 9º - O Arquivo Histórico Municipal “Major Ernesto Guilherme Young” será instalado em
dependências culturais do Município, designada para tal fim e que atenda às necessidades de
suas atividades.
Art. 10 - As despesas decorrentes da execução da presente Lei correrão por conta das verbas
consignadas no orçamento vigente, suplementadas se necessário.
Art. 11 - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em
sentido contrário.
GABINETE DO SENHOR PREFEITO MUNICIPAL DE IGUAPE
EM 02 DE DEZEMBRO DE 2020
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WILSON ALMEIDA LIMA
PREFEITO
Avenida Adhemar de Barros - 1.070 - Fone/Fax (13) 3848-6810 - CEP 11920-000 - Iguape - SP
Ernesto Guilherme Young
Engenheiro, historiador, jornalista e político, Emesto Guilherme Young nasceu em
Londres no dia 10 de setembro de 1850. Era filho de Carlos Henrique Young (natural de
Kidderminster, falecido em Iguape, aos 81 anos, em 12 de Janeiro de 1892), sendo irmão
de.Henry George, Edward e Alfred.
Após se formar em engenharia, foi recebido como membro do conceituado Institut Civil
Ingenners. Em 1871, com apenas 21 anos, embarcou para o Brasil, atraído pelas grandes
possibilidades de um país em pleno desenvolvimento. Escolheu São Paulo para se
estabelecer, tendo vindo em seguida para Iguape, onde se fixou definitivamente. Em
seguida, os seus irmãos também imigraram ao Brasil.
Ernest William Young era o seu nome de batismo, passando a assinar Ernesto Guilherme
Young após adotar a nacionalidade brasileira. Na época em que chegou ao Brasil, Iguape já
era uma cidade cuja decadência econômica se insinuava claramente, mas ainda possuía
uma vida agitada, um comércio relativamente abastado e um porto no qual inúmeros
navios faziam escala.
Foi representante na cidade de várias companhias de navegação, como a Hammond e a
Companhia de Navegação e Mineração Sul Paulista, que pertencia ao poeta e jurista
santista Vicente de Carvalho, grande amigo de Iguape.
A FAMÍLIA
Ernesto Guilherne Young casou-se na Inglaterra com Esther Baynes Young e, já no Brasil,
foi patriarca de uma família numerosa, constituídas por dez filhos: Alice Young Petters,
casada com Augusto Petters (avós da poetisa Adelaide Petters Lessa): Ernesto Carlos
Young, casado com Sílvia Rebello Young; Júlia Esther Young Gatto, casada com Antônio
Ribeiro Gatto; Eduardo João Alfredo Young, casado com Eufrosina Gatto Young; Isabel
Adelaide Young Teixeira, casada com Antônio Zacharias Teixeira: Fernando Guilherme
Young. casado com Maria Vieira Young; Sarah Young Moraes, casada com Salvador Vital
de Moraes; Horácio Baynes Young, casado com Maria Amaral Young: Bertha Young,
falecida criança; e Augusto Young.
Durante toda a vida Emesto Young residiu com a família em sua bela chácara, que ficava
na antiga rua Direita (hoje 9 de Julho), em cujo prédio atualmente funciona a Casa da
Sopa. A residência era decorada com pesados móveis vindos da Inglaterra, como também
as vestes e as louças. Sobre uma mesa de tripé, Esther Young pousava a sua Bíblia inglesa
para a leitura nos fins de tarde.
Alguns de seus descendentes ainda se encontram em Iguape, enquanto outros se
estabeleceram em São Paulo e até mesmo nos Estados Unidos.
O ENGENHEIRO
Em 1873, recentemente chegado ao Brasil, Ernesto Young trabalhou como guarda-livros
interino da colônia de Cananeia. Naquela localidade, havia sido estabelecida pelo Governo
da Província de São Paulo uma colônia de imigrantes. Como engenheiro, Emesto Young
realizou importantes trabalhos em diversas cidades do Estado de São Paulo como
Descalvado, Campinas, Atibaia, Pirassununga, Porto Ferreira, principalmente na
construção de pontes e outras obras de engenharia.
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= 1624, 101 nomeado membro-correspondente da Comissão Geográfica e Geológica de
São Paulo e, naquele mesmo ano, instalou o primeiro Posto Meteorológico de Iguape,
sendo ele o primeiro a fazer observações sobre o clima do município e região.
Em 1893, organizou o mais completo mapa do município de Iguape e da região, baseado
em trabalhos de cartógrafos anteriores e em suas constantes viagens científicas pelo Vale
do Ribeira.
Foi representante na cidade de várias companhias de navegação, como a Hammond, de
Walter J. Hammond, e a Companhia de Navegação e Mineração Sul Paulista, que
pertencia ao poeta e jurista santista Vicente de Carvalho, grande amigo de Iguape. Sobre a
inauguração do vapor “Isabel” (depois “Vicente de Carvalho”), em 5 de fevereiro de
1893, noticiou a “Gazeta de Notícias”, do Rio de Janeiro, em seu numero 36, de 6/2/1893:
“Iguape, 5 — Houve hoje experiência official do vapor Isabel, da Companhia Sul Paulista,
com numerosa assistência. O vapor, de systema de roda à popa, feito em Inglaterra e
armado aqui pelo gerente Ernesto Young, desenvolveu a marcha de 12 kilometros por
hora contra a correnteza do rio Ribeira. Tem excellentes commodos para passageiros e
mercadorias, iguaes aos vapores de alto bordo. Exito brilhante, satisfazendo plenamente a
população d'esta cidade. ”
Juntamente com o major Ricardo Krone, foi nomeado pela Sociedade Científica de São
Paulo, em sessão de 3 de fevereiro de 1904, para estudarem os meios de proteção às
grutas do Vale do Ribeira, que estavam sendo bastante depredadas. Valiosos foram para
Krone, em seus estudos das cavernas, os conhecimentos técnicos do engenheiro Young.
que desenhou muitos croquis da região.
Em 1904, Emesto Young, juntamente com o tenente Eduardo Augusto Browne, apresentou
ao Congresso do Estado de São Paulo um memorial justificativo de para a construção de
uma estrada de ferro de Iguape a São Paulo. Esse projeto, no entanto, não teve andamento.
Somente dez anos mais tarde seria inaugurada a Estrada de Ferro Santos-Juquiá.
O POLÍTICO
Eleito vereador com expressiva votação nas eleições de 30 de julho de 1895, tomou posse
em 7 de janeiro de 1896, e nesse mesmo dia foi escolhido pelos seus pares para ser o
Intendente de Iguape (cargo hoje equivalente a prefeito).
A Câmara eleita tinha o coronel Agostinho José Moreira Rollo (Coronel Rollo) como
presidente e o tenente-coronel Zacharias Augusto Teixeira como vice-presidente, sendo os
demais vereadores figuras ilustres da época, como o capitão Júlio Fernandes de Aquino, o
vice-cônsul português Antônio Ferreira de Aguiar (que faleceu em 11 de fevereiro de
1896), o tenente José de Souza e Silva e o major Joaquim José Rebello (Major Rebello).
Foi reeleito nesse cargo nos dois anos seguintes.
Em 30 de outubro de 1898, novas eleições são realizadas (naquele tempo as eleições eram
a cada três anos), sendo Young reeleito, tomando posse em 7 de janeiro de 1899, quando
outra vez foi escolhido para o cargo de Intendente.
Permaneceu como governante de Iguape até o dia 3 de janeiro de 1900, quando, devido a
manobras políticas, foi substituído pelo coronel Jeremias Júnior. Retornou ao cargo em 10
de setembro desse mesmo ano, onde permaneceu até setembro de 1901.
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tomo administrador do município, realizou um governo austero e equilibrado, no mais
refinado estilo britânico, tendo se destacado por obras de infraestrutura, saneamento e
educacionais. Note-se que o cargo de Intendente era o único remunerado, porém Young
abriu mão do ordenado a que tinha direito, o que representou para a Câmara, durante os
quatro anos em que administrou o município, uma economia de 4 contos de réis.
Recebeu a patente de major da antiga Guarda Nacional, passando a ser conhecido como
Major Young.
Maçon, fez parte da Loja Maçônica Iguapense, do Grande Oriente do Brasil.
O ROUBO DE SÃO MIGUEL
Um acontecimento inusitado ocorreu em 1897, envolvendo o então padre de Iguape, José
Moreau. Seu nome de batismo era Jean Moreau. Chegando em Iguape, passou a se chamar
José Moreau (ou José Moraes, para alguns). Moreau foi vigário pelos idos de 1896/1897.
Por volta da década de 1860, a Irmandade do Bom Jesus de Iguape doou a imagem de São
Miguel à Capela do Cemitério, onde desde então ficou entronizada. Ocorre que o inquieto
padre Moreau entendeu que essa imagem deveria era ficar na Igreja Matriz de Iguape.
dedicada ao Bom Jesus.
Sendo assim, resolveu ir até o Cemitério e, de revolver em punho, como se estivesse a
empunhar um turíbulo ou outro objeto santo, intimou, sem mais nem menos, ao zelador do
cemitério a lhe entregar a imagem de São Miguel. O assustado zelador, sem esboçar
qualquer reação, não teve outra alternativa a não ser passar às mãos do padre o santo sob a
sua guarda.
Evidentemente que a notícia desse inusitado “sequestro” de São Miguel se espalhou como
o vento pela cidade, sempre pacata e sossegada. Sabendo do fato, o intendente de Iguape,
major Ernesto Guilherme Young não perdeu tempo e foi se encontrar com o “raptor” no
campo do Rosário e, no meio de várias testemunhas, intimou-o a devolver o santo ao seu
nicho, no cemitério, o que Moreau foi obrigado a fazer por força das circunstâncias. O
major Young requereu a vistoria, exame e auto de corpo de delito na capela e na imagem.
Assim, o desassossegado Moreau teve que amargar não ter conseguido o seu intento.
Pouco depois, os seus superiores eclesiásticos o “convidaram” a procurar outros ares
paroquianos.
AS DIVISAS COM ITANHAÉM
Em princípio de 1896, a Câmara Municipal de Itanhaém resolveu reclamar junto ao
Governo do Estado e à Assembleia Legislativa a posse do território compreendido desde a
barra do rio Una até o canto do morro da Jureia. A Edilidade itanhaense baseava a sua
pretensão de posse num acordo feito, em 1747, entre o padre de Itanhaém, Diogo
Rodrigues de São José, e o de Iguape, Antônio Ribeiro. Ocorre que esse acordo foi tão
somente em nível eclesiástico, não tendo sido oficializado pelas câmaras de ambas as vilas.
Para defender os interesses de Itanhaém foi encarregado o historiador e pintor Benedito
Calixto (1853-1927), e os de Iguape, o historiador Ernesto Guilherme Young.
Assim comissionado, Young pesquisou os arquivos da Paróquia de Iguape e dos cartórios
locais. No Livro do Tombo, encontrou registro feito pelo padre João Crisóstomo de
Oliveira Salgado Bueno que, de fato, os padres das duas vilas haviam feito o referido
acordo; no entanto, o governo da Capitania de São Paulo, em 22 de dezembro de 1817,
NAS
ordenou ao capitão-mor da Vila de Iguape, José Antônio Peniche, que reconhecesse aquele
território como distrito da Vila de Iguape, mandando, em 1818, ao Bispo de São Paulo, D.
Matheus de Abreu Pereira, que, eclesiasticamente, ficasse “por termo dividente a barra do
rio Yuna”, recobrando, assim, a vila e freguesia (paróquia) o seu antigo limite.
No despacho, enviado em 12 de dezembro de 1818, ao padre João Crisóstomo, o Bispo de
São Paulo determinou: “Fique por termo de divisão entre as freguesias de Iguape e
Conceição de Itanhaem o rio Yuna, e os moradores mencionados que se estabelecerem,
sejam fregueses de Iguape. ”
No entanto, os interesses da Vila de Itanhaém não se limitaram apenas ao trecho entre a
barra do rio Una e o canto do morro da Jureia: pretendiam também estender os seus limites
no rumo sueste-noroeste até atingir o rio Juquiá, tomando para si as freguesias de Juquiá e
Prainha (Miracatu). A Vila de Itanhaém não apresentou documentos históricos
comprobatórios de sua pretensão, mas alegou “que a constante e antiga tradicção
affirmava ser a divisa civil, a mesma que a ecclesiastica, vindo a ser na marinha, desde o
rio Mongaguá ao norte, até o cume da Juréa ao sul [..]”. Ou seja, Itanhaém pretendia
valer os seus pretensos direitos baseando-se na tradição.
Após reunir documentação comprobatória suficiente, Emesto Young publicou o resultado
de sua pesquisa no livreto “A questão de divisas de Iguape com a Villa de Conceição de
Itanhaem” (Typographia Castro, 1906, Iguape). Os documentos pesquisados por Young
foram decisivos para que a Assembleia Legislativa confirmasse a posse de Iguape sobre a
região contestada.
O HISTORIADOR
Foi como intelectual que Ernesto Young conquistou o seu maior brilho. Interessado pela
história local, realizou profundo levantamento sobre as origens de Iguape, conseguindo
publicar, em 1896, após anos de pesquisa, na Revista do Instituto Histórico e Geográfico
de São Paulo, do qual será sócio, o seu clássico ensaio “Esboço Histórico da Fundação da
Cidade de Iguape”.
É' o mais completo trabalho histórico sobre as origens da cidade publicado até hoje. Nesse
estudo, Young. após exaustivas pesquisas nos arquivos da Igreja de Iguape e nos cartórios
locais, identificou o Bacharel de Cananeia como sendo Cosme Fernandes, o que foi
posteriormente avalizado por renomados historiadores como Teodoro Sampaio e outros.
Em 20 de junho de 1895, Ernesto Young era admitido como sócio do Instituto Histórico e
Geográfico de São Paulo, recentemente fundado em 1º de novembro de 1894, e que viria a
se tornar uma das mais importantes instituições culturais do País.
Em reconhecimento aos serviços prestados ao IHGSP, no dia 20 de agosto de 1901, foi
aceito como sócio honorário dessa respeitável instituição. A esse respeito, escreveu em
1908 o ilustre Dr. Edmundo Krug, sócio do IHGSP e presidente da Sociedade Cientifica de
São Paulo:
“Ernesto Guilherme Young prestou tão relevantes serviços ao nosso Estado, que o
Instituto Histórico e Geográfico de S. Paulo achou-se na agradável contingência de
conferir-lhe o título de sócio honorário. ”
O JORNALISTA
A
AJNIA
til 1072, julitamente com o major Abel Alves Fortes, publicou o antológico “Almanach
Iguapense”, editado por Francisco Eduardo de Castro, que foi um marco da imprensa
local, onde, além de matérias variadas, incluiu seus trabalhos “Descrição da Zona do Rio
Ribeira de Iguape” e “Uma Amostra da Nossa Entomologia”.
Também ao lado do inseparável companheiro de letras major Abel Fortes, fundou, no dia
18 de fevereiro de 1900, o semanário “Comarca de Iguape”, um dos mais importantes
jornais da história da imprensa iguapense, que reunia a nata da intelectualidade da época.
A “Comarca de Iguape” era impresso pela Tipographia Castro, situada no Largo da
Matriz. Esse periódico veio substituir ao “Município de Iguape”, editado anteriormente
pela mesma tipografia.
O jornal contava com a colaboração de ilustres iguapenses da época, como o coronel
Agostinho José Moreira Rollo, o major Ricardo Krone, o poeta José Emílio Fortes
(Jocelyn), o major Gentil Moreno Fortes, o poeta Fernando Álvaro Rebello, entre muitos
outros.
Era um “semanario dedicado ao progresso da Comarca”. Depois passou a ter Antônio
Marques Teixeira do Amaral como secretário. Funcionou regularmente até fins de 1901.
O POETA
Em sua juventude, Emesto Young escreveu, à mão, em um pequeno caderno pautado,
dezenas de poemas, e também algumas reflexões, sempre em inglês, seu idioma materno.
Conforme lembrou a poetisa Adelaide Petters Lessa, bisneta de Young:
“Usava o verso como professor de humanismo, ecologia e ética. Nasceu poeta. De cada
poema retira-se um ensinamento, cada um é educativo.” Os versos descrevem “jogos de
cricket, viagem de vapor, as estações que ele percorreu no trem na Paulista, a história do
testamento cheirando a whisky strong, a luta do Lagarto com a Serpente e o sintomático
título In this wide world all alone ”.
Vários de seus poemas foram dedicados à esposa Esther. Segundo Adelaide, esses versos
“deixam transparecer a simplicidade, a ternura e a confiança com que eles se tratavam: “
know who”, “Kind lov I send you Esther dear”. Pode-se notar como ele percebia a saudade
que ela sentia de suas amizades na Inglaterra, bem como a festa que era para a família o
regresso dele ao lar após suas viagens de engenheiro-pesquisador, coletor de mostras de
madeira e de borboletas, ecólogo por amor à natureza do Brasil”.
Continua Adelaide:
“São textos poéticos de mais de um século, datados, assinados. Ele anotava o número de
sílabas do verso, o ritmo e as rimas desejadas. Sobreviveram cerca de 50 poemas, vários
sem título, outros inacabados, quem sabe legando á bisneta vindoura algum fragmento de
gene-para-a-poesia... Alguns são versiprosa, crônicas de fiel observador da vida social e
esportiva ao seu redor. Em caderninho de bolso ele desenhava as curvas de rio, as
altitudes do terreno, delimitando as fronteiras de Iguape e dos vizinhos municípios. Talvez
o mais raro dos intendentes, foi ele o agrimensor, o prefeito-poeta. ”
O APRENDIZADO AGRÍCOLA
No mês de agosto de 1901, o Governo do Estado resolveu organizar um Campo de
Experiências em Iguape, num terreno doado pela Câmara, localizado ao pé do Morro da
Espla, à cua administração incumbiu O lr. Lourenço tsranato, inspetor do O Listrito
Agronômico.
Já em 18 de março de 1903 o secretário da Agricultura aprovava as instruções apresentados
pelo Dr. Lourenço Granato para o funcionamento, anexo ao Campo de Experiências, do
Aprendizado Agrícola “Dr. Bernardino de Campos”, assim denominado em homenagem ao
ilustre paulista que foi presidente do Estado de São Paulo em duas ocasiões. 1892-1896 e
1902-1904. Esse aprendizado foi o primeiro criado no Estado de São Paulo, sendo o
segundo em São Sebastião (SP), em 1905, denominado “João Tibiriçá”, outro notório
político paulista.
O Aprendizado Agrícola tinha por finalidade: difundir os preceitos e as práticas mais úteis
à agricultura, por meio de lições teóricas elementares sobre as diversas disciplinas que
constituíam o seu programa de ensino e as demonstrações essencialmente práticas a elas
correspondentes, formando cultivadores práticos aptos para dirigir os diversos trabalhos
das propriedades rurais.
Posteriormente, o Dr. Lourenço Granato foi removido para Campinas, onde, já em 1907,
era diretor do conceituado Instituto Agronômico daquela cidade. Em seu lugar, foi
nomeado o major Ernesto Guilherme Young para diretor do Aprendizado Agrícola.
Em 1911, Emesto Young, que também era presidente da Comissão Municipal de
Agricultura, enviou ao “Jornal do Brasil”, do Rio de Janeiro (nº 270, de 26/9/1912),
algumas informações sobre a produção do arroz em Iguape:
“Em Iguape também foi menor do que a anterior a safra de 1911. Prejudicaram-na as
chuvas na occasião das queimas, diminuindo a superfície plantada. As pragas do
“curuquerê” e dos pulgões” poucos damnos causaram. O arroz se exporta beneficiado
para o Rio de Janeiro e Santos. Os preços médios em 1911 foram de 38000 [três mil réis]
a 48000 [quatro mil réis] por alqueire de 40 litros em casca, na casa do lavrador. No
município há 11 machinas aperfeiçoadas, a vapor, para beneficiar e 10 movidas a água,
[pelo] systema de pilões. ”
O Aprendizado Agrícola funcionou regularmente até o início de 1915, sendo então
desativado. O major Young ficou no cargo de diretor até a sua morte.
Nesse local, em 1943, o Ministério da Agricultura criou em Iguape o Posto Agropecuário,
com o objetivo de prestar assistência aos agricultores iguapenses e incrementar a produção
de sementes. Esse posto, sob a direção do engenheiro-agrônomo Dr. Heitor Cordeiro.
funcionou ininterruptamente até 1960, quando foi desativado.
OS ESTUDOS SOBRE O ARROZ DE IGUAPE
Em 1898, o major Young publicou o opúsculo “A Produção do Arroz em Iguape”. onde
faz uma completa descrição desse cereal, então chamado de “legítimo de Iguape”.
Segundo Young, o arroz iguapense possuía casca de cor branca revestida por uma espécie
de pelugem áspera, que os lavradores chamavam de jussu. A semente era alongada, de cor
branca-mate, adquirindo brilho com a brunidura (beneficiamento). Um litro desse arroz em
casca, na média, pesava 615 gramas e continha 21.200 sementes. Já um litro do “arroz
maranhão”, que não era tão branco quanto o de Iguape, pesava menos (560 gramas),
enquanto um litro do “arroz carolina”, que mais se parecia com o de Iguape, pesava 620
gramas e continha 21.000 sementes. De todas essas espécies, o mais apreciado era o arroz
de Iguape.
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A EXPOSIÇÃO MUNICIPAL
Em 1906, foi realizada a I Exposição Municipal Agrícola, Zootécnica, Industrial e
Artística, promovida pela Câmara de Iguape e organizada pelo cientista Dr. Lourenço
Granato, que era o inspetor de Agricultura no Vale do Ribeira, além de ser o diretor do
Aprendizado Agrícola “Dr. Bernardino de Campos”, instalado em Iguape no ano de 1903.
Essa exposição, que durou de 28 de julho a 9 de agosto, além de outros colaboradores. teve
o major Young como diretor técnico dos trabalhos, sendo realizada no Campo de
Experiências, anexo ao Aprendizado Agrícola, no Canto do Morro. Participaram dessa
exposição o Dr. Carlos Botelho, secretário da Agricultura, e o senador Cândido Rodrigues.
AS DIVISAS COM CANANEIA
No início do século XX, existiam grandes controvérsias quanto às divisas entre os
municípios de Iguape e Cananeia. Acalorados debates foram travados entre as câmaras das
duas localidades, que reivindicavam os seus direitos junto ao Governo do Estado.
Comissionado pela Câmara de Iguape, o major Ernesto Young organizou um mapa e
reuniu documentos históricos para comprovar os domínios iguapenses.
Em meados de 1907, entregou à Câmara o resultado de suas pesquisas, intitulado
“Memorial Apresentado aos Ilmos. e Exmos. Snrs. Presidente e Membros do Senado de S.
Paulo pela Câmara Municipal de Iguape Relativamente às Divisas entre os Municípios de
Iguape e Cananéa”.
Finalmente, a causa foi ganha em favor de Iguape (segundo o Parecer nº 190, publicado no
jornal “Correio Paulistano” de 25-12-1907), coroando o trabalho de Young.
O PRIMEIRO MUSEU
Afastado da política a partir de 1902, empenhou-se na criação de um museu para a cidade,
onde pudesse reunir documentos e objetos relacionados ao passado de Iguape. Pela Lei nº
12, de 23 de dezembro de 1906, foi criado o Museu Municipal de Iguape, por determinação
da Câmara local, que tinha como intendente o coronel Jeremias Júnior.
Para diretor do museu, foi nomeado o próprio Young, ficando como zelador Manoel
Antônio da Rocha. A inauguração deste que foi o primeiro museu da cidade ocorreu no dia
5 de janeiro de 1907. Neste mesmo ano, no mês de junho, Young editou o primeiro (e,
provavelmente, o único) número da “Revista do Museu Municipal de Iguape”, onde
publicou completo levantamento da região, intitulado “Apontamentos para os estudos da
Zona do Rio Ribeira e Município de Iguape”.
Em sua edição nº 15.584, de 6 de janeiro de 1907, o “Correio Paulistano” publicou
mensagem do major Emesto Young encaminhada ao presidente do Estado de São Paulo.
Jorge Tibiriçá, comunicando a criação do Museu de Iguape:
“Tenho a honra de comunicar a v. exa. ter sido inaugurado hoje, nesta cidade, o museu
municipal creado pela Camara Municipal para activar a propaganda em prol deste
opulento município. Ao acto inaugural compareceram auctoridades locaes,
commerciantes, agricultores, reinando grande animação. Direcção do museu foi-me
confiada. Minhas Saudações. - Ernesto Young.”
Por ato do secretário da Agricultura do Estado de São Paulo, em novembro de 17208,
Ernesto Young foi nomeado presidente da Comissão Municipal de Agricultura, com os
membros Zacharias Augusto Teixeira e Alfredo Fortes.
De 7 a 16 de setembro de 1910, era realizado em São Paulo o II Congresso Brasileiro de
Geografia, que tratou de assuntos relativos à Geografia, Vulcanologia e Sismologia,
Oceanografia, Meteorologia e Climatologia, Magnetismo Terrestre, Antropologia,
Etnografia, Explorações Geográficas, Geografia Histórica, entre outras ciências. Ernesto
Guilherme Young participou desse congresso, ao lado de ilustres cientistas e intelectuais
como Edmundo Krug. Manoel Pio Correa, Ermelino Agostinho Leão, Afonso de Freitas,
Antônio Ludgero de Souza e Castro, Cornélio Schmidt, Domingos Jaguaribe, Eugênio de
Andrada Egas, Guilherme Wendel, Gentil de Assis Moura, Horace Lane, João Pedro
Cardoso, João Carlos Greenhalgh, Ricardo Krone, João Mendes de Almeida Júnior, entre
muitos outros.
Por ato do secretário da Agricultura do Estado de São Paulo de 19 de janeiro de 1913,
Ermesto Young foi nomeado presidente da Comissão Municipal de Agricultura, com os
membros capitão José Anastácio Fortes e capitão Manoel Alves da Costa.
VIDA PÚBLICA
O major Emesto Guilherme Young teve uma vida pública muito intensa. Engenheiro,
pesquisou a geografia, hidrografia, fauna e fauna do Vale do Ribeira, escrevendo trabalhos
históricos e científicos e confeccionando mapas precisos da região. Foi pesquisador e
colecionador de entomologia (ramo da zoologia que estuda os insetos), reunindo uma
valiosa coleção.
Foi vereador e intendente de Iguape, cargos que exerceu gratuitamente, com lisura e
competência. Procurador da Irmandade de Nossa Senhora das Neves. Procurador e depois
provedor do Hospital Feliz Lembrança (Santa Casa de Iguape); presidente do Club
Recreativo e Recreativo Iguapense, fundado em 8 de março de 1891; bibliotecário e
presidente do Gabinete de Leitura de Iguape, fundado em 31 de julho de 1847 e que
funcionou regularmente até o ano da morte de Young.
Foi um dedicado estudioso da Entomologia (ramo da Zoologia que estuda os insetos),
tendo formado uma rica coleção a respeito. Escreveu o estudo “Uma amostra da nossa
entomologia”, publicado no “Almanack Iguapense para o anno de 1899”.
ESTUDOS HISTÓRICOS E CIENTÍFICOS
Ao longo de muitas décadas de estudos dedicados à história, geografia, antropologia,
entomologia e outras áreas científicas, o major Ernesto Guilherme Young escreveu e
publicou inúmeros trabalhos em livros, revistas, jornais e periódicos.
No “Almanach Iguapense para o anno de 1899”, publicou:
— “Descrição da Zona do Rio Ribeira de Iguape”.
— “Uma Amostra da Nossa Entomologia”.
Na “Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo”, publicou:
— “Esboço Histórico da Fundação da Cidade de Iguape” - 1896, volume II, págs 49-151.
Ada
N
— “Subsídios para a História de Iguape - Mineração de Ouro” — 1900-1901, vol.VI, págs.
400-435;
— “Subsídios para a História de Iguape - Seus Fundadores” — 1902, vol. VII, págs 286-
297;
— “História de Iguape” - 1903, vol. VIII, págs 222-375:
— “História de Iguape "(Documentos para a) — 1904, vol. IX, págs 108-326;
— “Apontamentos Genealógicos de Famílias Iguapenses” — 1905, vol. X, págs 3-28.
— “Apontamentos sobre Aleixo Garcia” — 1907, vol. XI, págs. 217-228.
Pelo “Boletim da Agricultura” do Estado de São Paulo publicou:
— “O Arroz de Iguape” — Série 8, nº 9, págs. 421-425; nº 11, págs. 516-523; nº 12, págs.
583-588, São Paulo, 1907.
— “Calendário Agricola para a zona sul paulista compreendendo os municípios de Iguape,
Cananéia e Xiririca” (in Boletim da Agricultura, Série 10, nº 7, págs. 556-567, São Paulo,
1909).
Em “O Estado de S. Paulo”, publicou:
“Subsídios para a História de Iguape — Seus Fundadores” — Edição nº 8.638, de
23/7/1902.
Na “Revista do Museu Municipal de Iguape” (Typographia Brasil de Rothscild, São
Paulo, 1907), publicou:
— “Apontamentos para os Estudos da Zona do Rio Ribeira e Município de Iguape”.
— “Quadro Climatológico” (Anos 1895-1903).
Publicou ainda:
— “A Questão de Divisas de Iguape com a Villa da Conceição de Itanhaem” — Typographia
Castro, Iguape, 1896.
— “A Produção do Arroz em Iguape” — Iguape, 1898.
— “Mineração do Ouro - Subsídios para a História de Iguape” — (Separata) — Typographia
do Diario Official, São Paulo, 1902.
— “A Igreja Matriz da Cidade de Iguape” — Publicado na revista “Santa Cruz”, do Liceu
Coração de Jesus, nº 4, ano VI, 1906.
NA

Do TS CE AEMEBCCPIO de Iguape — lypographia Espindola, São Paulo,
1906.
— “Memorial Apresentado ao Illmos. e Exmos. Snrs. Presidente e Membros do Senado de
S. Paulo pela Câmara Municipal de Iguape Relativamente ás Divisas Entre os Municípios
de Iguape e Cananéa” — Duprat & Comp., São Paulo, 1907.
A MORTE
Young dirigiu o primeiro museu de Iguape e também o Aprendizado Agrícola até o dia de
seu falecimento, ocorrido em 26 de outubro de 1914, aos 64 anos. O Instituto Histórico e
Geográfico de São Paulo assim se manifestou sobre a sua morte:
“Hoje não é possível falar do desenvolvimento das ciências histórica e geológica no Brasil
sem a ele associar o nome do inolvidável consócio, que durante quarenta anos
proficuamente se entregou a sérias explorações científicas. ”
Iguape e o Vale do Ribeira perdiam o seu grande estudioso e defensor, que como nenhum
outro soube investigar as origens, a história e a geografia regionais.
Por ocasião de seu falecimento, o “Correio Paulistano “, nº 18.420, de 28/10/1914. então o
mais importante jornal publicado na Capital do Estado, escreveu:
“Major Ernesto Young — Seu Passamento - Falleceu nesta cidade o major Ernesto
Young, director do campo de experiência do Apprendizado Agricola “Dr. Bernardino de
Campos”. Era conhecido naturalista e secretário da junta de alistamento militar. Contava
70 annos de idade e era chefe de numerosa família, mantendo no nosso meio vastas
relações. A sua morte causou grande pesar. Deixa algumas producções sobre trabalhos
agrícolas. Entre os filhos, o finado deixa o sr. Ernesto Carlos Young e Eduardo Alfredo
Young. Era sogro dos srs. Antonio Zacharias Teixeira e Salvador Moraes. ”
Já o “Jornal do Commercio”, do Rio de Janeiro, em seu número 30, de 29/10/1914,
publicou uma nota mais lacônica:
“Falleceu em Iguape o major Ernesto Guilherme Young, Director do Aprendizado
Agricola, daquella cidade. ”
Em 1917, durante o governo do prefeito capitão Augusto Rollo, o nome do ilustre inglês
que adotou o Brasil como a sua segunda pátria, foi dado a uma rua na Beira do Valo. em
Iguape.
ROBERTO FORTES, historiador e Jornalista, é licenciado em Letras e sócio do Instituto
Histórico e Geográfico de São Paulo. E-mail: robertofortes(Quol.com.br
(Direitos Reservados. O Autor autoriza a transcrição total ou parcial deste texto com a
devida citação dos créditos).
LEGENDAS DAS FOTOS
1 - Major Ernesto Guilherme Young, com a farda da Guarda Nacional. no início do século

“ - Ernesto roung, com a esposa Esther.
3 - Família Young, em 1914: Em pé, da esquerda para a direita: Augusto Baynes Young;
Eduardo João Alfredo Young; Ernesto Carlos Young; Ernesto Guilherme Young (com a
neta Maria de Lourdes nos braços); Antônio Zacharias Teixeira; Salvador Vital de
Moraes; Sentadas: Alice Young Petters (viúva de Augusto Petters); Ida Zenóbia (filha de
Alice); Eufrozina Gatto Young (esposa de Eduardo, com Esther nos braços e Eduardinho
em pé à frente); Esther Baynes Young (esposa de Ernesto Young, com a menina Yule, de
costas); Izabel Adelaide Young Teixeira (esposa de Antônio Zacharias Teixira, segurando
o filho); Sarah Young Moraes, esposa de Salvador Vital de Moraes, com bebê no colo;
Júlia Esther Young Gatto (viúva de Antônio Ribeiro Gatto, com Mariana (de colar à
frente, filha de Izabel); os dois meninos à frente são filhos de Horácio Baynes Young, que
não está na foto.
4 - Ernesto Young, com a esposa Esther, na sala de estar de sua chácara, no início do
século XX.
5 - Ernesto Young jovem, em 1890,
6 - Poema escrito por Young, “I know who”, em 15/8/1881.
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