Pariquera-Açu
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MOÇÃO DE APLAUSOS n.º 05/2024
Sr. Presidente
CONSIDERANDO o trabalho de excelência em prol do progresso e
desenvolvimento do Município.
CONSIDERANDO a inspiradora trajetória de sucesso dos irmãos Alves,
conforme biografia em anexo.
Face aos considerandos, APRESENTO à Mesa Diretora, ouvido o Plenário,
nos termos dos artigos 187, inciso III, 203 e seguintes do Regimento Interno, a
presente MOÇÃO DE APLAUSOS aos Srs Antônio Eduardo Rocha Alves e Manuel
Rocha Alves pelos relevantes serviços prestados ao município.
Pariquera-Açu, 15 de agosto de 2024
MILTON TICACA
Vereador
1
Assinado por 1 pessoa: MILTON JOSÉ LAURIANO
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BIOGRAFIA
“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.”
Esta é a história dos irmãos, Antônio Eduardo Rocha Alves, nascido em
27/07/1936, e Manuel Rocha Alves, nascido em 01/10/1938. Portugueses, oriundos
do norte do país, região de Trás-os-Montes, filhos dos humildes lavradores, João
Alves e Maria de Jesus Rocha Alves. Uma jornada inspiradora, que poderia ter seu
título baseado na frase de Fernando Pessoa, entre aspas, acima.
Meados de 1930...
Eram tempos difíceis para o casal de agricultores que plantava somente
para colher e se alimentar, em pequenos pedaços de terra, como forma de
subsistência, naquela época em que atividade agrícola lucrativa era possível somente
às grandes fazendas da região, que produziam vinho para comercialização. Assim, no
período pré-guerra, a vida seguia tacanha e sem horizontes para o casal João e Maria,
que, por sinal, também eram primos – algo extremamente comum naquela época. No
ano de 1938, começou uma nova fase da família Rocha Alves. Em Portugal, seguiam
trabalhando para subsistência, Maria, a mãe, e seus dois pequenos filhos, Antônio e
Manuel, que já na fase da primeira infância davam sinais de suas características
marcantes e os traços de personalidade que os acompanhariam até os dias de hoje. Os
meninos ajudavam a mãe e a avó na labuta diária e pastoreavam ovelhas da
vizinhança para ganhar algumas moedinhas no final do trabalho. Porém, com tudo
isso, ainda sobrava tempo para os estudos e as brincadeiras. Antônio,
invariavelmente, tomava broncas ao chegar em casa com sua camisa faltando os
botões, algo perfeitamente compreensível e fácil de justificar sob a inocente ótica
infantil e a precoce sapiência da dupla: os botões eram brinquedos para meninos sem
brinquedos, portanto jogavam botões com a mesma alegria de meninos que abriam
lindas caixas de presentes com novíssimos trenzinhos movidos a pilha ou foguetes
coloridos. Enxergavam a beleza da vida, a grandeza das coisas possíveis e, assim,
exercitavam o poder de olhar sempre o lado positivo. No Brasil, há algum tempo, já
estava João, que partiu após aceitar o conselho da esposa e abandonar o trabalho de
extrativismo na “Mina dos Ingleses”, onde os dias eram de competitividade, brigas 2
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violentas e surtos de tuberculose seguidos de mortes. A princípio, ele chegou à terra
descoberta por Cabral para trabalhar com um parente distante, que era proprietário de
uma fazenda produtora de café no estado de Minas Gerais. Porém, de súbito, João
mudou novamente o rumo da história e partiu para a cidade de São Paulo, que,
naquele tempo, já despontava como uma terra de oportunidades entre os milhares de
imigrantes de várias regiões do mundo, que chegavam para reconstruírem suas vidas.
Em sua nova morada, João foi logo aproveitando a sua primeira oportunidade:
trabalhar em um balcão de bar no tradicional bairro do Brás, que também recebeu
muitos imigrantes italianos nessa mesma época. Nesse novo ofício, aprendeu serviços
e tarefas simples, que seriam muito úteis futuramente. Após passagem por alguns
bares, já com bem mais experiência no ramo, troca de emprego e passa a trabalhar em
uma grande padaria chamada Panamá, situada na região sul da cidade de São Paulo.
Sempre com muita dedicação, humildade e perseverança, o recém-chegado imigrante
português absorve a cultura dos brasileiros e realiza muito bem as diversas tarefas do
estabelecimento. Cuida do balcão de atendimento, como aprendeu nos bares, e ainda
executa trabalhos extras. De forma voluntariosa, passa também a cuidar do estábulo
da padaria com 28 carroças da Freguesia do Pão, que vendia os pães da Panamá pelas
ruas da região. João lavava e alimentava os cavalos depois da sua cansativa jornada
na padaria. Com isso, conseguiu moradia gratuita em uma casinha de madeira ao lado
do estábulo. Não havia conforto, tampouco estrutura para viver ali, porém a economia
que conseguiu fazer durante um bom tempo o permitiu realizar uma promessa e um
sonho. A promessa era pagar uma dívida que tinha com o amigo que emprestou o
dinheiro para a passagem de vinda para o Brasil. O sonho era trazer a esposa e os
filhos, que já estavam distantes há tantos anos. Muitas vezes, ficaram
incomunicáveis, sem João dar sinal de vida. Promessa e dívida pagas. Sonho
realizado. A família Rocha Alves passa a viver em São Paulo no ano de 1947.
Antônio já estava com 11 anos de idade e Manuel com 9. Foram mais de seis anos de
espera até o reencontro. Rapidamente, passam a morar no bairro da Vila Nova
Conceição, próximo à Padaria Panamá. O trabalho continua árduo, unindo ainda mais
a família, que passa a cooperar com João em suas inúmeras tarefas. Antônio e Manuel
acordavam cinco e meia da manhã para irem à missa, às sete horas entravam na
escola, e quando voltavam das aulas, já começavam suas tarefas de cortar capim para
alimentar os cavalos e limpar as cocheiras do estábulo. Após três anos morando na
Vila Nova Conceição, a família passa a morar no bairro do Brooklin. Antônio, com 3
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11 anos, já ajudava seu pai a entregar pão de porta em porta, e com apenas 15 anos,
ganhou uma carroça para fazer, ao lado do irmão mais novo, entregas de pão nos
bairros próximos, como Moema e Alto da Boa Vista. E foi nessa época que nasceu
Maria Teresa, a filha mais nova do casal. No ano de 1955, Antônio, com 19 anos, e
Manuel, com 17, empreendem pela primeira vez, adquirindo uma pequena padaria no
bairro da Aclimação, e começam a trajetória de muita garra, força e determinação. Os
dias difíceis foram superados com a força de trabalho e perfeita sintonia entre os dois
irmãos. Com muito suor e economia, melhoram a padaria da Aclimação, ganham
freguesia e a revendem por um preço maior do que pagaram. Os jovens padeiros
entendem que isso pode dar certo mais uma vez e passam a aprimorar este modelo de
negócio. Da padaria da Aclimação, passam para uma padaria em São João Climaco,
que precisa de ainda mais dedicação da dupla por ser mais simples e situada em uma
região mais isolada. Os irmãos se empenham e economizam ainda mais. Passam a
dormir dentro da padaria sobre caixas de pães para otimizar o tempo e gastar menos
com as idas e vindas à padaria distante. A técnica e dedicação da dupla, mais uma
vez, dão certo. Eles vendem a padaria em São João Climaco e compram uma ainda
maior e melhor na esquina da avenida Tiradentes, região central muito movimentada
na cidade. O trabalho dos irmãos começava a aparecer aos olhos do paulistano. A
nova padaria dos jovens Alves se chamava São Paulo Moderno e foi palco de muitos
encontros e muitas histórias durante um bom tempo. Porém, nada que esteja bom, que
Antônio e Manuel não possam melhorar. Os dois partem para um novo e
transformador projeto: a Padaria 15, no Largo 13 de Maio, atrás da igreja de Santo
Amaro. O estabelecimento, que já era bem movimentado, passou a ser um verdadeiro
ícone na cidade. Um lugar frequentado por políticos, pessoas influentes e a elite
paulistana, que muito mais do que tomar um café perfeito e saborear produtos de
qualidade, queria “ver e ser vista”. A Padaria 15 foi a prova da competência e da
pujança de Antônio e Manuel, que inclusive recebeu a importante Medalha Anchieta
e o Diploma de Gratidão da Cidade de São Paulo, devido à sua relevância e
influência nas associações comerciais de São Paulo, além das incontáveis ações
beneméritas. O Mané da 15 ficou eternizado na memória do paulistano após 35 anos
de muito sucesso da lendária padaria, que pode ser considerada o estopim para a
formação de um dos grupos empresariais mais bem-sucedidos do Brasil.
Em 20 de setembro de 1974, compraram seu primeiro posto, na cidade de
Registro, onde nasceu a Rede Graal, hoje com mais de 60 unidades.
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Experientes, seguros, estáveis financeiramente. Entrosados e estimulados
como nunca, podemos imaginar que o céu era o limite para os irmãos portugueses?
Sim! Depois da Padaria 15, Antônio e Manuel constituíram família na solidez dos
seus caracteres e grandeza de suas almas. Hoje, em 2022, Antônio e Manuel, com
mais de 80 anos, trabalham 12 horas por dia, de domingo a domingo. Seus muitos
filhos aprendem, todos os dias, com seus pais e ajudam a perpetuar os valores
absorvidos desde João e Maria, no começo desta história. Este é o legado que permite
o sucesso de um grupo empresarial com 15 mil colaboradores e gera pertencimento a
todos eles. É a razão da liderança e admiração de marcas, como rede Graal, postos
PetroGraal, hotéis Graal In, restaurantes Rancho Português, Barbacoa, America, Due
Cuochi, Adega Santiago, padaria Santa Marcelina, Empório Moema e outras que têm
as assinaturas de Antônio e Manuel. Citando Fernando Pessoa, mais uma vez: “Tudo
vale a pena quando a alma não é pequena.
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VERIFICAÇÃO DAS
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MILTON JOSÉ LAURIANO (CPF 316.XXX.XXX-86) em 15/08/2024 15:42:18 (GMT-03:00)
Papel: Parte
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