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materia nº 99/2025

Tipo Indicação
Número / Ano 99 / 2025
Date 2025-04-28
EmentaINDICA a criação de um projeto de lei denominando a nova creche do município em homenagem à Prof.ª Arlette Martins da Silva.
native_id4092

Autoria

Tramitação (latest 2)

DateStatusTurnoTexto
2025-05-05 ✔ Indicação Lida em Plenário — | 14ª Sessão Ordinária de 2025
2025-04-28 ○ Aguardando Leitura em Plenário — —

Documents (1)

texto original #

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Propositura INDICAÇÃO - 099/2025
De: Milton L. - PCM
Para: SGP - Secretaria Geral e Protocolo 
Data: 28/04/2025 às 15:12:02
Setores envolvidos:
PCM, SGP
Indico denominação para nova creche no centro
Documento de Origem: 
Protocolo
Senhor Presidente:
INDICO ao Excelentíssimo Senhor Prefeito de Pariquera-Açu, WAGNER BENTO DA COSTA, a denominação da
nova creche construidá no centro da cidade, próxima à rodoviária, como Creche "Profª ARLETTE MARTINS
DA SILVA".
JUSTIFICATIVA
Tal pleito se faz necessário, por tratar-se de um reconhecimento justo e merecido à trajetória de uma mulher
extraordinária que dedicou sua vida à educação, ao cuidado e ao desenvolvimento humano. Sua biografia retrata
valores e ações que se alinham perfeitamente com a missão de uma creche, que é acolher e formar as futuras
gerações.
Milton Ticaca
Vereador
BIOGRAFIA
Prof.ª ARLETTE MARTINS DA SILVA
“Uma história de vida e amor”
Arlette Martins da Silva nasceu em 22 de janeiro de 1937 em Pariquera-Açu, filha única de
Hormena Martins, teve uma infância humilde, mas muito feliz, no então vilarejo de Pariquera.
1Doc: Propositura INDICAÇÃO - 099/2025 1/3
Cursou os primeiros anos escolares, no chamado “primário”, entre 1944 a 1947 no Grupo Escolar
Getúlio Vargas (atual EMEF Presidente Vargas). Por incentivo de sua mãe e após muitos estudos,
Arlette foi aprovada para cursar o chamado Ginásio na época, na cidade de Registro, e após cursar
os 04 (quatro) anos do “Ginásio”, finalmente iniciou o Curso Normal para se formar “Professora” na
escola “Dr. Fábio Barreto”.
Como naquela época não haviam estradas e tantos meios de locomoção, Arlette passava a
semana lá estudando, retornando para Pariquera aos finais de semana. Durante o curso, ficava
hospedada em casa de família, onde foi muito bem acolhida pela Dona Palmira.
Arlette sempre foi muito corajosa e até ousada, pois naquela época raramente as mulheres da sua
idade estudavam e ficavam fora de casa, mas ela foi persistente no seu objetivo, sempre com o
incentivo de sua mãe, que a criou sozinha, com seu trabalho no Correio de Pariquera-Açu e
realizando costuras pra outras famílias para custear seus estudos e sua permanência em Registro.
No ano de 1958 Arlette finalmente concluiu o Curso Normal, retornando definitivamente para sua
casa, em Pariquera-Açu.
Já em 1962 Arlette foi trabalhar como Professora primária no bairro Senador Prado, estrada velha
que ligava Pariquera-Açu à Jacupiranga, cuja escola foi construída pelo Sr. Pedro Ponsoni em seu
sítio. Seu deslocamento diário era feito de bicicleta. Trabalhava com classe multisseriada, ou seja,
alunos de 1º, 2º e 3º anos, todos em uma mesma sala, ensinando ao mesmo tempo crianças em
diferentes níveis de aprendizagem.
Oportuno destacar que naquele tempo, a figura do Professor era muito respeitada, pois os homens
tiravam o chapéu para cumprimentar uma Professora, que era considerada uma autoridade.
No ano de 1963, a convite do diretor, pois uma professora estava de licença, Arlette iniciou como
Professora primária substituta, agora na Escola Presidente Vargas, onde trabalhou a maior parte
de sua vida, até se aposentar em 1984.
Sua missão foi alfabetizar, ensinar as letras, levar o conhecimento a centenas de crianças que
passaram por ela. Ensinava com amor, tendo trabalhado por mais de 20 (vinte) anos, somente com
alfabetização, com classes de 40 alunos, e ao final do ano todos estavam alfabetizados.
Arlette foi muito guerreira, incansável, pois antigamente não era fácil ensinar, não havia muito
material didático e as condições eram precárias, porém, era muito respeitada e querida pelos
alunos e seus pais.
Exercia sua função com maestria, sempre muito dedicada, comprometida com o trabalho e
cumpridora dos seus deveres. Sempre colaborou com todas as atividades da sua escola, como por
exemplo, nas datas comemorativas, quermesses, desfiles cívicos e outros comuns na época.
Mantinha uma convivência harmoniosa com seus colegas professores.
No anseio de cumprir sua vocação, não foram raras as vezes que chegou a levar alunos para
estudar na sua casa, fora do período de aulas, sempre com muita paciência para ensinar,
literalmente pegava nas mãos dos alunos.
O destino lhe concedeu ser professora de suas três filhas, na 1ª série e carinhosamente também as
alfabetizou. Acreditava que a educação era a solução para o sucesso na vida das pessoas, sempre
defendeu a educação acima de tudo. Incentivava as pessoas a estudarem, dizia que ao se
formarem, sempre deviam continuar se especializando na sua profissão.
Muitos de seus alunos, após concluir seus estudos, vinham agradecê-la por ter se formado e diziam
ser graças ao incentivo dela.
Arlette sempre fazia questão de contar aos amigos e familiares que, no final do ano, vinha um
“inspetor” na escola, aplicar provas para os alunos, e todos os professores queriam que suas
1Doc: Propositura INDICAÇÃO - 099/2025 2/3
turmas fossem aprovadas, e ela toda orgulhosa dizia: “- Minha turma era 100% aprovada”.
 Ministrou também aulas de Desenho Geométrico quando iniciou o Ginásio em Pariquera-Açu, atual
PEI Prof.º Manoel Camillo Junior. Trabalhou também com alfabetização de adultos, no período
noturno, no final da carreira na Escola Presidente Vargas e como voluntária na alfabetização de
idosos no Centro Paroquial, contribuindo muito com Pariquera-Açu.
No ano de 1966 iniciou como professora efetiva. Neste mesmo ano casou-se com Albano Gomes
da Silva com quem teve seus quatro filhos, Andréa, Andreli, Adriane e Anderson, com o passar dos
anos, a família, foi aumentando, passando a compor o genro Mário e a nora Adriana e cinco netos:
Diogo, Karina, seu marido Willian, Kamila, Arthur e Alicia.
Em todos os lugares que ia Arlette era reconhecida como “Professora Arlette”, por todos que
recordavam de terem sido seus alunos e a vinham cumprimentar alegremente, mostrando imensa
gratidão e dizendo: “A senhora foi minha professora”, “A senhora me ensinou a ler” “Estudei com a
senhora, a senhora lembra de mim?” E ela ficava muito feliz, era muito querida por todos.
Um fato interessante que muito a deixou feliz e a marcou é que sua aposentadoria foi publicada no
dia 5 de setembro de 1984, mesmo dia em que seu neto mais velho, Diogo, nasceu.
Já aposentada, cursou ainda a Faculdade da Melhor Idade, em Registro.
Arlette era uma pessoa alegre, gostava de uma boa conversa, de sorriso fácil, fazia amizade com
todos, gostava de passear, viajar, ir a praia, reunir a família. Sempre muito positiva e otimista, tinha
para com todos uma palavra de ânimo e conforto. Gostava também de ajudar as instituições de
caridade, nas atividades como bazares, chás, quermesses, bingo colaborando com prendas.
Além dos estudos, gostava de fazer atividade física, era muito ativa, frequentava assiduamente o
Grupo da 3ª Idade do município, além de frequentar academia, sempre conversando e brincando
com todos com um sorriso no rosto.
Arlette sempre foi muito religiosa, devota de Nossa Senhora Aparecida, participava das missas e
de todas as atividades religiosas da igreja do nosso município. Fazia visitas aos doentes e gostava
de frequentar as festas de padroeiros.
Dedicou a vida a família, sempre muito amável, carinhosa, preocupada com os familiares, gostava
de saber de tudo para poder ajudar. Amava estar com os netos e ouvir suas histórias, muito atenta,
para poder ajuda-los. Como base central da família, Arlette ajudou na criação de todos os netos,
especialmente de seu neto Diogo, sendo para ele uma segunda mãe.
Adorava reunir a família em almoços e pequenas festas de confraternização, além de visitar os
parentes. Era simples, gostava de ser assim, levava uma vida sem luxo.
Infelizmente, no dia 25 de janeiro de 2024, ela partiu, deixando além de muita saudade, muitas
lembranças e ensinamentos de seus 87 anos vividos com muitas alegrias, aprendizado, boas
risadas, muito trabalho, fé, entre muitos outros ensinamentos.
Deixa um legado de amor e esperança na educação e a todos que conviveram com ela, eterna
gratidão. 
_
Milton José Lauriano
Presidente
1Doc: 3/3

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