| Tipo | Ata Audiência Pública |
|---|---|
| Número / Ano | 3 / 2022 |
| Date | 2022-04-14 |
| Ementa | ATA DA AUDIÊNCIA PÚBLICA DA FRENTE PARLAMENTAR EM DEFESA DOS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA (14/04/2022). |
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ATA DA AUDIÊNCIA PÚBLICA DA FRENTE PARLAMENTAR EM DEFESA DOS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA. Aos quatorze dias do mês de abril de dois mil e vinte e dois, às dezesseis horas, no Plenário Vereador Cesar Augusto Leoni, nas dependências da Câmara Municipal da Lapa, foi realizada Audiência Pública da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, sob a Presidência do Vereador Gustavo Ribas Daou, os demais membros, Vereadora Brenda Ferrari da Silva e Vereador Vilmar Fávaro Purga, não puderam se fazer presente. Tal Audiência é para apresentação da Frente à comunidade, discutir e ouvir as demandas de acessibilidade, saúde, educação, emprego, cultura e assistência social aos portadores de deficiências. Inicialmente o Presidente Gustavo Daou informou que foram convidadas várias entidades assim como a APM e todo o setor da Prefeitura. Em seguida fez a apresentação da Frente Parlamentar em defesa dos direitos da pessoa com deficiência, a qual foi constituída com a finalidade de criar um espaço de debate com destaque aos temas que afetam os cidadãos no aspecto social, profissional e para desporto. Nos termos do Projeto de Resolução 07/2021, considera-se pessoa com deficiência, aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdades de condições com as demais pessoas. Assim, a pretensão e competência para discussão e providências no que possa valorizar toda essa sociedade, prisma em, acompanhar as políticas públicas de transporte, mobilidade urbana e acessibilidade dentro do Município da Lapa; monitorar a execução de planos e projetos relacionadas à temática das pessoas com deficiência; acompanhar e estimular o desenvolvimento social, pessoal e profissional das pessoas com deficiência na melhoria da qualidade de vida, na geração de empregos e oportunidades; discutir propostas que contribuam para o desenvolvimento e promoção do esporte, em todas as áreas, para as pessoas com deficiência; acompanhar, discutir e sugerir proposições legislativas correlatas às pessoas com deficiência, em especial no que se refere à acessibilidade de prédios públicos e privados situa dos no município da Lapa; atuar em colaboração com entidades representativas para encaminhar sugestões e estudos deliberados pela respectiva Frente Parlamentar aos órgãos competentes. Parabeniza a Prefeitura, por mais que ainda não é Lei, mas já apresentaram nesta Casa o Projeto de criação do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, o qual foi protocolado nesta semana na Câmara Municipal, e com certeza terá a devida celeridade na tramitação, para tão logo formarem esse importante Conselho, não só com a Frente, mas que possam unir forças. E ninguém vai ser demagogo em dizer que irão resolver todos os problemas do dia pra noite, mas pensaram em criar, por isso do convite a APAE e representantes de pessoas com deficiência, para que apontem em que pode melhorar, discutir e criar algumas prioridades, porque o que pode ser prioridade pra um não é para o outro e assim por diante. Essa é a importância de um trabalho que deve ser sério e justo pra todos no Município, em que deve ser usada a empatia, ver a limitação e se colocar um pouco que seja na condição do próximo. Espera que esse pequeno passo que estão dando venha a honra-los muito futuramente. Em seguida deixou livre a palavra às pessoas convidadas. Com a palavra o senhor Cledson Czarneski, representante dos portadores de necessidades especiais, dizendo que falar sobre a questão das pessoas com deficiência é falar de si próprio e de cada um que necessita ser olhado, não somente como um deficiente e sim como uma pessoa que produz, que corre atrás dos sonhos e tem objetivos na vida. Assim como este, tem outras pessoas nesta cidade que não estão tendo esse direito. Há a algum tempo atrás, na gestão passada, já veio nesta Casa, conversou com alguns Vereadores e Audiência Pública Fl. 02 a promessa foi boa, mas de lá pra cá nada foi cumprido. Hoje na cidade tem apenas três locais para estacionar que são devidamente por Lei, e nesses três locais a pessoa com deficiência nunca consegue estacionar nessas vagas, porque sempre tem alguém que é rapidinho, é só por um minuto, com pisca alerta ligado, carros fazendo entrega próximo as vagas de deficiente, e quem realmente precisa nunca pode utilizar. No encontro passado, quando esteve aqui, prometeram que iriam resolver conversando com a Polícia para que visitassem aqueles locais dando maior apoio as pessoas com deficiência, mas isso não foi feito. Não tinha uma rampa de frente ao Correio, falaram que iriam fazer e no dia que o pessoal da Prefeitura fosse fazer iriam chamar alguém com deficiência pra mostrar como seria mais fácil, acabaram que não chamaram e fizeram a rampa, e se forem ver, a placa está bem no canto, a rampa no meio, tem um amplo espaço, mas é no meio da vaga, tem algumas dificuldades para quem é cadeirante ao sair do carro, então não é só fazer o negócio pra dizer pra sociedade que está sendo feito, e sim é pensar naquela pessoa com deficiência. E ao passar em frente ao Correio, tem carros e motos de empresas estacionadas na vaga de deficiente, sendo que um pouco mais pra frente tem vaga de moto pra estacionar. Também as calçadas não dão direito as pessoas com deficiência de utiliza-las, a cidade já é paralelepípeda, não tem condições de andar. Tem prótese nas das pernas e sente dificuldade ao andar nessas calçadas, e não é só os deficientes, tem as pessoas idosas, as mães com carrinhos de criança, existem várias pessoas que utilizam esses espaços. A Lapa é considerada uma cidade histórica, muitas vezes visitada por pessoas de idade. Podem dizer que é responsabilidade do dono do imóvel, mas se ele não faz nada, alguém tem que tentar fazer, porque senão irão viver a vida toda assim, não tendo acesso a nada. Tem alguns locais na cidade que não tem uma rampa pra entrar, tem escada, mas não tem uma rampa. Já falou sobre ter uma rampa móvel no Teatro pra pessoa com deficiência também ter direito ao entretenimento, assistindo uma peça de teatro. A acessibilidade na cidade da Lapa é muito difícil, as pessoas com deficiência não estão sendo assistidas, mas na hora de cobrar o voto, o imposto ou qualquer outra coisa são cobrados como iguais. Ao ir num mercado, tem vaga de deficiente sendo ocupada por uma pessoa que também é rapidinho, e dias atrás discutiu com um senhor que estava numa vaga de deficiente, e no mercado ninguém diz nada. Dias atrás foi estacionar na vaga de deficiente do mercado Barcelona, próximo ao Zarur, e estava ocupada, teve que estacionar próximo a rua e foi multado pela Polícia, e a pessoa que estava na vaga de deficiente não era deficiente, não pôde utilizar a vaga e ainda foi multado, então, muitas das vezes, as pessoas colocam o carro ali sem se preocupar. As vagas pra deficientes não é pra bonito, e não adianta ter o pessoal da Polícia cobrando e multando se não passam pelos locais, pode ligar dez vezes pra Polícia, mas nunca podem. A pergunta é, quando vai ser feito alguma coisa, quando serão respeitados, e não é questão de ser coitadinho, é questão de direito, a vaga é uma Lei, mas ninguém está respeitando. E como irão fazer, teria que colocar anúncio na rádio, fazer com que a Polícia comece a cobrar, e não podem fazer o espaço das vagas pra deficiente como se fosse pra carro normal, precisam de espaço ao sair do carro. Essas são algumas dificuldades que estão tendo na cidade, fora a questão de trabalho e de estudo. Ficou admirado ao passar em frente ao Colégio São José e ver uma rampa de acesso ali fora, era uma coisa que sempre comentava com a direção, porque cansou de ver alunos cadeirantes sendo carregados pelos responsáveis, para a pessoa com deficiência é vergonhoso, porque ele quer fazer aquilo ali sozinho e não ser carregado, ele quer ter autonomia. Outro caso é de uma aluna do Caic, ela precisava do transporte e o motorista a deixava no portão da escola e ela tinha que andar oitenta metros pra dentro da escola, porque o motorista não queria entrar dentro do estacionamento da escola, ele dizia que não tinha, mas a diretora falou que tem, depois ele falou que era um galho de árvore que estava atrapalhando, o galho foi cortado Audiência Pública Fl. 03 e assim mesmo não entrou, foi ligado para o Secretário responsável pelo transporte e não foi feito nada, e em muitos dias de chuva a aluna não podia ir pra escola porque se molhava inteira, por quatro anos falou que a aluna tem que ser atendida. São essas situações que as pessoas com deficiência têm sofrido na cidade e muitas pessoas podem dizer que o problema é de cada um, é do deficiente, mas não é assim, mais tarde pode ser qualquer um ao ficar mais velho ou acontecer um acidente e ficar inválido, ninguém sabe do dia de amanhã, e as vezes se colocar no lugar daquela pessoa e tentar buscar algo melhor é pensar na própria vida. Quando fala que as calçadas precisam ser melhoradas não é um pedido individual, e sim é porque cada cidadão vai precisar. Hoje agradece ao Presidente Gustavo a oportunidade de estar aqui e poder falar um pouco, teria muito mais coisas pra falar, mas com essa nova ideia do Conselho Municipal da pessoa com deficiência, acredita que será melhor trabalhado e possam ser reconhecidos como cidadãos, como alguém que faz parte dessa cidade que amam, e a única coisa que pedem é acessibilidade, direito de ter acesso a ir e vir como qualquer outra pessoa. Com a palavra o senhor Lírio Rebelatto, Presidente da APAE da Lapa, iniciou dizendo que a APAE é uma associação de pais e amigos dos excepcionais, pessoas com deficiências não apenas físicas, é uma escola, mas não é a mesma coisa, é mantenedora da Escola Especial Integração a Vida, se a escola deixar de existir, a APAE não necessariamente vai deixar de existir também, ela pode cuidar de outras coisas, atualmente não, a APAE foi criada até pela necessidade que o Município tinha de criar uma escola para atender os deficientes. É uma associação civil beneficente, não visa lucro, tem uma Diretoria composta por trinta e quatro pessoas, são oito pessoas na Diretoria Executiva, quatorze pessoas no Conselho de Administração, seis pessoas no Conselho Fiscal, quatro pessoas como auto defensoras que são alunos que fazem parte da Diretoria, tem dois Procuradores Jurídicos, todos voluntários, ninguém recebe absolutamente nada por isso, pra fazer parte da Diretoria precisa ser sócio e para ser sócio precisa contribuir, embora nem todos os sócios contribuam, tem vários tipos de sócios, o sócio contribuinte e o aluno ou pai de aluno é sócio automaticamente, tem direito a voto, embora não tenha obrigatoriedade de contribuir com mensalidades. Hoje a APAE é mantenedora da Escola Especial Integração a Vida e tem quase cinquenta funcionários, trabalham com um orçamento de aproximadamente um milhão e duzentos no ano no total, as principais receitas são vários convênios, contribuição de associados, eventos, produções próprias e doações, sendo que, o que mais rende é o convênio com a Secretaria de Estado da Educação que é de quinhentos e setenta mil reais no ano, além de convênio com o Fundeb e SUS. Evidentemente tem as despesas, só de Pessoal são setecentos e cinquenta mil reais por ano, somados aos encargos são mais duzentos e cinquenta mil, ai já dá um milhão e mais duzentos e alguma coisa de despesas operacionais, se for somar tudo isso vai fechar no prejuízo, mas boa parte disso vai para o imobilizado que na hora de fechar o balanço acaba arredondando tudo. Antes das eleições os três candidatos visitaram a APAE e passaram pra cada um deles um relatório e histórico das necessidades da APAE, o Presidente Gustavo Daou também esteve lá com a Mesa Diretora. Algumas das necessidades já conseguiram concluir, mas ainda resta muita coisa para atender bem os alunos. Uma das grandes necessidades é uma piscina térmica pra hidroterapia, é de grande importância, quem trabalha com deficientes sabe disso, já tem um local próprio pra isso e o projeto quase pronto, só falta o recurso, também precisam de uma cobertura para a cancha de esportes, banheiros e vestiários. Precisam reduzir custos e uma das maneiras é instalar painéis de energia solar que custam oitenta mil reais. Também precisam aumentar as salas de aula, pelo menos mais duas, também precisam de um espaço mais adequado para a área clinica e para abrigar o Clube de Mães, porque muitas mães vão levar os filhos e permanecem lá por um período, elas fazem lá um trabalho manual em Audiência Pública Fl. 04 uma casinha de madeira que tem lá nos fundos, por isso precisam fazer essa área clínica que já está encaminhado, o projeto está pronto e a Prefeitura tem ajudado muito com recursos também de Deputados, e terá um custo de trezentos e cinco mil reais, o Deputado Fahur também destinou cem mil reais para compra de ar condicionado e computadores. Outra necessidade são os uniformes escolares, já tiveram promessas de Deputados e empresas, não saiu até agora, é uma reivindicação antiga de um custo aproximado de cinquenta mil reais. Também há uma necessidade interessante que é a equoterapia estimada num custo de dez mil reais por mês. Outra necessidade que já está encaminhada em conversa com o Prefeito, é a aquisição de um terreno próximo da APAE, para construir e ampliar as instalações, e já tem parecer favorável do Prefeito para que isso seja efetivado. Também precisam ampliar as equipes, faltam pessoas para ajudar e também um salário melhor para cada um dos profissionais que atendem a APAE, e pelo trabalho que fazem lá merecem um salário melhor, mas infelizmente faltam recursos pra isso. Precisam também de um espaço de convivência para a família, a Casa Lar, e tem alunos lá que nasceram com a escola, eles entraram quando a escola foi criada há trinta anos, tem alunos com mais de sessenta, daqui a pouco a família não existe e eles estarão sozinhos, não é uma coisa da APAE, o Município também precisa cuidar disso. Quanto ao Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, toda vez que conversam com os candidatos a Prefeito, e já conversou com a Mesa Diretora da Câmara Municipal, demandam sobre isso e graças a Deus isso está sendo encaminhado. Também comentou com o Prefeito que não se sabe exatamente quantas pessoas com deficiência física e intelectual tem no Município, e é preciso fazer um mapeamento pra saber qual é a demanda, porque tem muitas famílias que tem filho deficiente em casa e escondem, mas tenham condições de pesquisar e chegar perto da realidade, para isso precisam contar com os Agentes de Saúde, com a Igreja, enfim, com a comunidade como um todo. Com a palavra a senhora Jussara Ramos Sampaio, representando a Secretaria de Educação do Município, agradeceu o convite e que é uma representação muito gratificante, porque como professora está atualmente como Gestora da Educação Especial que veio como um fortalecimento na carreira da educação, são vinte e dois anos frente a Educação Especial. Inicia com um pequeno relato, já é a quarta gestão frente a Educação Especial, a educação inclusiva assegura o acesso, participação e aprendizagem de todos os indivíduos sem qualquer exceção, é uma modalidade de ensino que permite a convivência e integração das pessoas com deficiência dentro da escola regular, garantindo todos os direitos a escolarização. Neste ano de 2022 o número de crianças com deficiência matriculadas nas instituições de ensino desde educação infantil e ensino fundamental é de 211 crianças. Dessas 211 tem 58 TEA, 75 DI (deficiência intelectual), 6 FISI, 13 visual, 2 com surdez e 4 mental. A Secretaria de Educação faz uma parceria com contratos de estagiários para apoio com os TEAS, tem 40 estagiários e 11 professores de apoio, ainda falta, mas é satisfatório. Entre os anos de 2017 e 2021 a Secretaria de Educação ofertou formações para profissionais da Educação Especial e demais profissionais em parceria com a Uninter, com o Centro de Atendimento Especializado (CAE), Fórum de Gestores de Educação Especial, UFPR, Tuiuti, FAEL, Clinica de Terapia Especializada e Formação de Libras, para alunos professores, funcionários da Prefeitura e sociedade em geral. E neste ano além das formações com parcerias já citadas a Secretaria de Educação tem como projeto a realização de formação para avaliação pedagógica aos professores especialistas e salas de recursos multifuncionais, visando adquirir competência para identificar as necessidades educacionais especificas dos estudantes e flexibilizar ação pedagógica para atender os objetivos propostos. Nas 21 escolas tem uma sala de recurso infantil na modalidade de estimulação e 14 salas de recurso atuantes que trabalha com as crianças em contra turno. O Audiência Pública Fl. 05 trabalho desenvolvido na rede com os alunos com deficiência, acontece através da adaptação curricular com os professores da sala de recurso, onde elas trabalham com as professoras de classe comum, dando adaptação e orientação. Tem também a sala de recurso visual e surdez que funciona no CAE onde se encontra também o corpo clinico que é a fonoaudiologia e a psicologia, eles fazem um grupo técnico para avaliar as crianças. Tem também o trabalho com as classes especiais, em que tem uma turma de crianças que estão passando pelas salas comuns, mas não há um desenvolvimento satisfatório, então ela é incluída nas classes especiais e passa por essa revisão dos conteúdos onde atinge, e quando está apta volta pra sala regular. A classe especial são conteúdos interdisciplinar contextualizados envolvendo todas as áreas de conhecimento, e as adaptações que tem nas 18 escolas fundamental-1, no momento estão num processo de realizações, estão quase todas com o arquitetônico satisfatório tanto de grande como de pequeno porte, e agora estão na educação infantil fazendo também uma acessibilidade nos banheiros e todos os acessos. Os desafios perante a defesa dos direitos da pessoa com deficiência são muitos, mas é importante lembrar que a política de inclusão essencialmente dos alunos com deficiência é de responsabilidade de vários atores sociais, principalmente dos formuladores e gestores de políticas públicas. E nesse momento alguns objetivos e sugestões com relação a educação especial são o Centro de Atendimento aos TEA’s, contato com a equipe técnica completa como fono, psicólogo, psicopedagoga e assistente social, contar com mais profissionais capacitados para o Centro de Atendimento Especializado (CAE) que no momento está com uma equipe técnica de um profissional de psicologia e de fonoaudiologia pra quatro mil e seiscentos alunos, também tem que contar com mais continuidade com o projeto de libras nas escolas, em que foi iniciado um projeto em 2017, que são cursos de libras pra sociedade e professores, mas o curso tem que ser com um professor surdo e no momento estão apenas com um profissional porque os alunos surdos que foram alunos na escola regular se aperfeiçoaram, foram a procura de conhecimento e fizeram Faculdade, os quatro alunos que tinha fizeram a UFPR e agora estão no Mestrado, isso é uma alegria muito grande e espera tê-los como professores. Também darão continuidade do curso de libras nas escolas que foi iniciada em 2020 onde as crianças do primeiro e quinto ano estão aprendendo, continuidade também no projeto triagem multidisciplinar feito pelo CAE, e a sugestão de ter um neurologista pediatra só para as crianças que é uma necessidade muito grande. Realização e aprovação do projeto de contratação de profissionais intérpretes e surdos para fazerem parte do quadro de profissionais da Educação, esse Projeto de Lei seria pra ter professores surdos no quadro de professores, e intérprete de libras, porque no momento tem apenas uma professora habilitada pra isso, pois muitos foram se aposentando. A educação especial está em processo, tem muitas parcerias e conseguem fazer um trabalho com as escolas, é preciso ter essa união de escola, saúde, família e sociedade juntos. O objetivo da educação inclusiva não é tornar todas as crianças iguais e sim respeitar a valorização das diferenças. Então, esse é um apanhado da educação especial que dentro da Secretaria de Educação levam muito a sério e querem sempre estar trabalhando juntos. Com a palavra a Secretária Municipal de Saúde, Gabriela Sampaio comentou que hoje a saúde do Município é dividida em duas linhas de cuidado, que são a atenção primária e a especializada. A competência do Município da Lapa é apenas em atenção primária em saúde, são plenos em gestão primária, mas ofertam vários serviços especializados como, por exemplo, a Clinica de Terapias Especializadas que hoje desenvolve um trabalho com os portadores de TEA, e atualmente tem uma defasagem na equipe, mas isso se dá por conta da demanda crescente de pacientes. A atenção primária hoje vem desenvolvendo, através da Secretaria Estadual de Saúde, fortalecendo algumas linhas de cuidado, o Ministério da Saúde já tem um plano Audiência Pública Fl. 06 nacional de atendimento a pessoa portadora de deficiência e também vem trabalhando na elaboração de uma rede de atenção a essas pessoas, já estão em discussão há algum tempo em relação a esse assunto, o Município inclusive já desenvolveu um plano municipal de atenção a pessoa com deficiência, isso vem sendo discutido sendo uma coisa que vai ser fortalecida. E como falou o Presidente Gustavo, “não podem ser demagogos e achar que vão resolver todos os problemas”, e acredita realmente que não podem da noite para o dia resolver tudo, e sim estar abertos para essa discussão e plantar sementes para o longo do tempo ser estruturado. O senhor Lírio falou da real deficiência no Município hoje em relação ao atendimento, na dificuldade da contratação de profissionais, a senhora Jussara citou também a dificuldade de contratação de neurologista. Gostaria de expor que a Secretaria de Saúde está tentando novamente abrir um credenciamento pra contratação de médicos especialistas, entre eles um neurologista, irão fazer uma alteração nesse valor, já tinha um credenciamento em aberto, porém o valor estava defasado, estão falando de SUS e não de particular, acredita-se que com essa alteração de valor consigam futuramente ter sucesso porque é uma demanda muito grande, e hoje pra incluir um usuário, seja ele criança ou adulto, dentro de um serviço ou da APAE, ou até de uma sala de recurso pra ter o atendimento especifico tem que ter o diagnostico fechado, pra isso ele precisa do especialista, e a Secretaria está trabalhando para que isso aconteça futuramente. A SESA está desenvolvendo um projeto que é o Planifica SUS, que é uma readequação da atenção primária, hoje se pensa em unidade de saúde como somente uma consulta no postinho de saúde, e não é, a atenção primária é uma linha de cuidado em que atende o idoso, o hipertenso, o diabético e a pessoa com deficiência, se a atenção primária não consegue resolver o problema, ai entra a atenção especializada. Esse projeto é muito interessante porque hoje não sabem o real número de pessoas com deficiência que tem no Município, apenas sabem os que estão atendendo, mas e aqueles que não estão sendo atendidos, então, esse projeto Planifica vai proporcionar isso, com a estratificação trabalham fortemente dentro das unidades de saúde, é um trabalho de quatro meses em cada unidade para trabalhar em conjunto com a equipe, médico, enfermeiro, auxiliar e agente comunitário principalmente, porque é ele que conhece a comunidade e vai na casa da pessoa saber como ela vive, se tem na casa um hipertenso, um diabético, um idoso, um acamado e um portador de deficiência, seja intelectual ou física. Acredita que com esse trabalho conhecerão realmente a população e a partir dai desenvolver futuros projetos. Com a palavra a senhora Amélia Carvalho, Enfermeira, atualmente está na Coordenação da atenção primária do Município, relatou que esse assunto chama muito atenção, desde que veio morar na Lapa percebeu que tem muitas calçadas com dificuldades para os deficientes por ser uma cidade histórica. E como representante da atenção primária no Município realmente não tem todos os dados reais, mas tem um pouco do levantamento de cada comunidade em que tem o Agente Comunitário da Saúde, infelizmente o Município ainda não conseguiu repor todos os Agentes, mas tem um levantamento de todas as comunidades e tem uma noção de pacientes que necessitam de ajuda. Como cidadã se preocupa muito com isso e gostaria muito que esse Conselho aconteça e seja feita alguma coisa de imediato porque tem pacientes que irão ficar sozinhos porque a família já é idosa e não consegue mais dar conta desse familiar, pois requer muito cuidado. Quanto as unidades de saúde, infelizmente nem todas tem acessibilidade porque são construções antigas e não era pensado nisso, mas hoje nas novas construções isso já está sendo pensado, nas do centro já estão tentando adequar, inclusive foi recente a rampa feita no Postão que era uma coisa de muitos anos e já deveria ser feito, as vezes passa batido, mas um paciente chamou atenção pra isso e conseguiram fazer, e se alguém mais perceber, que chame a atenção, porque as vezes é uma coisa simples e como Prefeitura conseguem resolver rapidamente e facilitar a Audiência Pública Fl. 07 vida de muita gente. Quanto ao atendimento das pessoas nas unidades de saúde já foi feito banners identificando as deficiências, mas infelizmente nem todos são atendidos da forma que gostariam, e devem chamar a atenção dos profissionais da saúde pra isso na Ouvidoria, porque precisam saber o que está acontecendo nas unidades, inclusive incluíram no banner, que o Município hoje fornece bolsa para pacientes ostomizados que também é considerado uma pessoa deficiente, portanto é importante que isso seja trazido pela comunidade. Com a palavra a senhora Franciely Piovezan, Assistente Social da Secretaria Municipal de Saúde, disse que atualmente é tutora do projeto Planifica, que é uma linhagem nova que será iniciada na atenção básica e primária, é um programa em parceria com o CONASS, Ministério da Saúde e Hospital Albert Einsten, está iniciando agora toda a tutoria, programação e incentivo pra implantação em todos os municípios. Então, cada Prefeito da região metropolitana fez a adesão e terão quatro meses para iniciar em cada unidade do Município, foi sugerido a unidade da Vila São José para iniciar e será a unidade modelo, agora o primeiro passo é as reuniões e o treinamento, como tutora irá passar todas as informações a unidade de saúde. Na unidade de saúde irão iniciar com as ACS a territorialização que já é feita na unidade, terão que retomar o cadastro dessas famílias, todo território vai ter que ser estratificado e conhecido novamente, isso vai gerar um trabalho imenso. Com isso irão conhecer o território e a realidade, tendo conhecimento da população e dos pacientes, dessa forma irá ter toda a parte de estratificação de risco desses pacientes, irão levantar todas as doenças crônicas como hipertensão, diabetes e pessoas com deficiência, assim terão um olhar de qualidade e diferenciado. Isso não quer dizer que a unidade de saúde não faça, ela faz todo esse trabalho, apenas irão reorganizar, identificar e com isso poderão fazer mais pela população, e quando se identifica um paciente crônico dentro daquela unidade de saúde ele vai ser olhado não somente como um paciente, e sim como pessoa e indivíduo, e não mais somente ele, a família vai passar a ser acompanhada como um todo, passando esse cadastro e descobrindo que aquele paciente é um doente crônico, irão traçar um plano de cuidados pra ele e já vai ter um agendamento na sua unidade de saúde tendo um acompanhamento mensalmente. Tudo isso é a longo prazo, não é da noite para o dia, na verdade querem acabar com as filas nas unidades de saúde porque muitas vezes o paciente hipertenso ou com doença crônica vai na fila para renovar receita, e com a estratificação de risco e um plano de cuidado ele já vai ter o seu agendamento, consulta programada e renovação de receita. Com tudo isso irão passar a ter um olhar diferente pra população, esse programa é um desafio pra comunidade e pra saúde, mas vem pra agregar e trazer frutos para que consigam melhorar a atenção primária, porque muitas vezes tem aqueles pacientes que são os assíduos e hiperutilizadores da unidade de saúde e muitas vezes toma a vez daquele que realmente necessita da consulta médica, e com o Planifica irão dar um jeito de estratificar, reorganizar e tentar auxiliar mais a população. Já teve o privilégio de trabalhar na APAE da Lapa como profissional de assistência social, então já conhece bastante essa realidade e acredita que tem muitas pessoas com deficiências que ainda não conhecem e que não procuram o serviço do Município, os que procuram a unidade conhece, mas muitos são escondidos pelos próprios familiares, infelizmente isso ainda acontece, e quando tiver um Agente Comunitário em cada ponto, acredita que irão conhecer melhor o público e auxiliar melhor a população. Com a palavra a senhora Alessandra Batista Bueno Matoso, Psicóloga da Clinica de Terapias Especializadas, disse que está na linha de frente no atendimento de pessoas com Autismo, principalmente crianças, adolescentes e público em geral pelo SUS, lá também tem fisioterapia, fonoaudiologia e psicologia, além de consultas com ortopedista e cardiologista. O transtorno do espectro autista entra nessa pauta porque desde 2012 foi instituída uma Lei que Audiência Pública Fl. 08 considera o Autismo como deficiência. Os dados de hoje da Clínica são de 35 pacientes com TEA em atendimento, tem 17 em fila de psicologia e 21 pessoas estão na fila da fonoaudiologia. E tem um controle de doenças que faz levantamentos, em 2010 era 01 diagnóstico de autismo pra cada 110, no ano passado ficou 01 a cada 44, então não é só a falta profissional, também está tendo uma demanda maior, esses são dados oficiais internacionais, não é só da Lapa. Na Clinica realizam o atendimento individualizado, orientação aos familiares e assessoramento enquanto equipe, por exemplo, se está sendo atendido pela psicologia, as vezes precisa da fisioterapia também, então esse trabalho em equipe multidisciplinar conseguem fazer lá. Hoje o objetivo da pessoa com deficiência é que generalize o comportamento, que não seja somente dentro do consultório clinico, que as habilidades se extravasem para outros locais e ambientes. Nesse movimento tem buscado parcerias com a Educação trocando informações com os professores pra atender a demanda deles. Também tem a reunião com os pais que foi bem prejudicada por conta da pandemia, os adolescentes que são atendidos na Clinica são feitas reuniões com os pais uma vez por mês, e agora vai ter o critério opcional, até então era condicionado o atendimento terapêutico com a participação dos pais nas reuniões, agora vai ser opcional e poderão perceber essa mobilização e necessidade deles, porque não é um trabalho terapêutico e sim técnico no sentido de orientar manejo e intervenção com a própria criança com deficiência, que seria no caso o autismo. Também tem reunião com as equipe escolares, tanto Estadual como Municipal, mas se alguma particular os procurar também será aberto pensando num plano terapêutico compartilhado com objetivos em comum. Com relação as outras deficiências que chegam, o atendimento é feito de acordo com a demanda e conforme a avaliação e especificidade, são do atendimento especializado, mas até uma certa altura, quando é preciso de um apoio maior, tem que demandar para as outras, isso vale para o autismo também, que é um espectro e está em níveis, no nível 3 precisa de um apoio muito substancial, então normalmente entra em contato com a equipe técnica da APAE e faz essa ponte, no período da pandemia seguraram até certo ponto alguns pacientes pela questão de afastamento, deram esse suporte e fazem esse direcionamento para o atendimento mais especializado, contínuo e intenso. Também tem os estudos de casos da própria equipe, assim como a psicologia solicita da fisio e da fono, pode acontecer o contrário, além da orientação aos cuidadores e familiares das outras deficiências quando necessário, pois tem que trabalhar muito em família e pensar na formação de pais cuidadores no sentido de que façam a estimulação em casa e aprendam o manejo, porque não é somente com o terapeuta, e a SESA que é a Secretaria do Estado disponibiliza um curso de capacitação para pais, educadores e professores, são vinte horas de formação especifica em ABA, aberta a toda comunidade, e também tem alguns da equipe multidisciplinar da APAE que estão fazendo essa capacitação e duas fisioterapeutas e uma psicóloga da Clinica. Demandas a curto prazo tem muitas, está na Clinica de terapias desde 2017, tinha nove autistas em atendimento e hoje tem 35, então estiveram em um processo de evolução nesse caminhar, e além de ampliar equipes terão que investir em capacitação e formação mais especifica pensando sempre em evidências cientifica, sempre no que é mais comprovado e com mais efetividade. Com a palavra a senhora Ana Karina Azambuja, Diretora de Assistência Social, disse que muito já foi dito por todos que passaram por aqui, e gostaria de reforçar a constituição do Conselho, entraram nesta gestão com essa expectativa, no ano passado já tiveram o segundo encontro da Pessoa com Deficiência, e dali em diante a necessidade da criação desse Conselho. É um desafio no sentido da necessidade de profissionais pra contribuir com esse Conselho, as equipes muitas vezes diminutas e com muita demanda, mas irão em frente e a Lei será passada pra Câmara Municipal pra aprovação. Agradece muito por ter participado desse processo e de Audiência Pública Fl. 09 estar aqui com todos que se comprometeram e estão nessa expectativa do Conselho pra esse trabalho que é em rede e integrado, até porque já trabalham no Conselho da Criança, no Conselho da Assistência e Conselho da Saúde com essa temática da pessoa com deficiência de maneira segmentada e sem ouvir o usuário, o principal é fazer a integração desse trabalho e poder fazer os diferenciais. Outra questão importante do Conselho é a questão do fundo que é de onde vem o recurso especifico do Estado e do Governo Federal pra aplicar na política pública da pessoa com deficiência, hoje utilizam o fundo da Infância e o fundo da Assistência ou da Saúde, mas vai ter o fundo especifico. Com relação aos dados da quantidade de pessoas, segundo a Assistência Social do Município é de novecentas pessoas que recebem o BPC como pessoa com deficiência, mas tem muitas pessoas com deficiência que não recebem o BPC e estão fora, mas já fizeram alguns levantamentos também pensando na questão de que a pessoa idosa se torna potencialmente com algumas deficiências, esses números também vão somar no desenvolvimento dessa política. Na política da assistência tem prioridade o público com deficiência a ser atendido, ai vai entrar esses BPC que são pessoas que recebem o beneficio de prestação continuada de um salário mínimo pra se manter, também pessoas com vulnerabilidade, isso vai depender de renda, mas é o benefício pago pelo INSS, no sistema SUAS tem, também tem o atendimento da pessoa no domicílio, e as equipes tiveram capacitação no ano passado pra poder estar acompanhando essas pessoas até mesmo acamadas e com dificuldades de locomoção, também o serviço de convivência tem como prioridade o atendimento com ônibus adaptado para essas pessoas tanto no CRAS como no CREAS. Precisam de mais equipes capacitadas, mas só pra dar um dimensionamento da complexidade que é para o SUAS hoje, o qual vem com um modelo parecido com o do SUS, o CRAS é como se fosse a unidade básica de saúde e o CREAS a média complexidade, e hoje tem mais ou menos no Município 20 escolas entre fundamental, CMEI’s e umas 10 unidades de estratégias da família, e apenas um CRAS, é certo que a política de assistência tem um papel extremamente importante e contribui com essa rede muitas vezes encabeçando a política da pessoa com deficiência no Município, mas é apenas um CRAS pra atender toda a população. Não é uma queixa e sim uma constatação de que precisa de mais equipes volantes, tendo em vista o território da Lapa ser tão extenso, porque se não sempre terão déficit e será muito difícil, então essa é uma das principais demandas, pra poderem chegar realmente na população. Diante desses números percebe-se que a residência inclusiva será para essas pessoas que precisarão se adaptar a viver de repente sem seus cuidadores, e também o CentroDia que é um espaço de convivência em que as pessoas permanecem enquanto os cuidadores conseguem descansar um pouco, porque ser cuidador em tempo integral é muito desgastante, portanto essas duas modalidades irão contribuir com o suporte para os cuidadores. São avanços para o Município que se inicia com a criação do Conselho pra trabalhar com esses direitos e lutar pelas políticas públicas e direitos das pessoas com deficiência. Com a palavra o Presidente Gustavo Daou comentou que fizeram vários apontamentos hoje, pois para uma primeira reunião a pretensão era apresentar de fato a Frente Parlamentar que foi criada e especialmente chamar atenção aos problemas e ouvir sugestões, para garantia dos direitos, e por vezes até falhas que acabam sendo cometidas mesmo sem intenção, mas existem. Portanto, gostaria de convidar a todos que tiverem algum apontamento, sugestão ou demanda, para que as tragam para discutir, tanto na Frente Parlamentar quanto no Conselho, que certamente será criado futuramente, inclusive já se coloca a disposição para participar do Conselho, não apenas por também ter uma deficiência visual de grau leve, mas não deixa de ser, e algumas demandas já anotadas irão dar segmento, não apenas para quem sofre a deficiência, mas também para os profissionais que aqui relataram algumas dificuldades, e tentar de toda Audiência Pública Fl. 10 maneira amenizar essa situação para ir melhorando aos poucos. Nada mais a tratar, o Presidente Gustavo Daou agradeceu a presença de todos e encerrou a presente Audiência Pública. Para constar, eu Marilda Bonczkowski, Auxiliar de Secretaria, lavrei a presente Ata que será assinada pelo Vereador-Presidente, Gustavo Ribas Daou. ___________________________ Gustavo Ribas Daou