Clínica de Fisioterapia Ronerson Epifanio de Oliveira da APAE
de Reserva do Iguaçu - PR
Um lugar onde a esperança
se renova e a reabilitação acontece.
Reserva do Iguaçu – PR, 27 de novembro de 2025
Memorial biográfico (resumido) de;
Ronerson Epifanio de Oliveira
EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL:
- APAE de Pinhão - PR (março de 2004 a junho de 2006) - Clínico e domicílio
-APAE de Inácio Martins - PR (junho de 2004 a julho de 2007) - Clínico e
domicílio
- APAE de Pinhão - PR (janeiro de 2006 a março de 2010) Clínico e domicílio
- APAE de Reserva do Iguaçu - PR (agosto de 2007 ate fevereiro de 2022)
Atuando Responsável técnico
- CAPS Pinhão (ano 2007) Voluntário
- Hospital Santa Cruz de Pinhão - PR (ano 2007)
- Clínica Municipal de Reserva do Iguaçu - PR (novembro de 2011 a maio de
2012) Fisioterapeuta
- Clínica municipal de Foz do Jordão - PR (dezembro de 2011 a meados de
maio de 2023) – Neuropediatra
- Atendimento a domicilio em Fernandes Pinheiros- PR (março de 2017 a maio
de 2019) – pacientes neurológicos
- Clínica Particular - Guarapuava - PR (agosto de 2016 a meados de maio de
2023) - Atendimento em pediatria, Atendimento domiciliar Neuropediatra
FORMAÇÃO E CURSOS:
- Fisioterapia – UNIPAR
- Método Bobath Adulto
- Método de Avaliação e tratamento de pacientes adulto com Disfunção
Neurológica AVC
- Método Cuevas Medek nível 1, 2 e 3
- Terapia para Estimulação Motora em Pediatria
- Terapia Reabilitação Continua Infantil Pediatria
- Método Balance Estratégia e Equilíbrio
- Fnp (facilitação neuromuscular Proprioceptiva) módulo 1 e 2
-Kinesio Tap método K1 e K2
ESTÁGIOS:
- Método Cuevas Medek nível 1, 2, 3 (06 a 10 outubro 2014, 19 a 23 de agosto
2019, 11 a 15 novembro 2019 e 02 a 06 março 2020, Novembro de 2022)
SANTIAGO - CHILE
OUTRAS INFORMAÇÕES:
- Faixa Preta de Judô Nidan, Competidor, Professor de judô, fundador do Judô
de Reserva do Iguaçu – PR, Atleta e professor de judô da Academia Municipal
de Pinhão – PR, membro do departamento de saúde da FPRJ (Cursos da área
e credenciamento técnico).
TRAJETÓRIA;
Homenagear este fisioterapeuta é mais do que um gesto de reconhecimento; é
um ato de gratidão por uma trajetória marcada pelo amor ao próximo, pela
dedicação incansável e pela entrega genuína ao cuidado humano.
Durante muitos anos de atuação na APAE, ele acolheu cada paciente com
sensibilidade e respeito, oferecendo não apenas tratamento, mas também
esperança, coragem e dignidade.
Ronerson foi sinônimo de Esperança, Força e Resiliência.
Seu trabalho ia além da técnica, baseado na dedicação, abdicação e no
proposito que tinha em Mudar vidas, fez inúmeras especializações para
entregar o melhor aos seus pacientes. Com profissionalismo exemplar,
humildade rara e um coração profundamente comprometido com o bem-estar
de cada pessoa que atendia, ele transformou vidas, fortaleceu famílias e deixou
uma marca afetiva indelével em todos que tiveram o privilégio de conviver com
ele.
Mesmo diante dos desafios pessoais, enfrentou a luta contra o câncer com a
mesma bravura e serenidade com que conduzia sua missão profissional, ainda
que sua luta contra o câncer tenha sido insustentável, conseguiu realizar o
impossível; Atender seus pacientes em seus últimos dias de tratamento.
Sua partida deixa um vazio, mas também um legado que inspira e motiva: o
legado de servir com amor, humanidade e propósito.
Além disso, Ronerson foi um grande judoca nos tatames, conquistou vários
títulos nacionais e internacionais, levando a região para o alto nível do esporte,
além de centenas de discípulos (alunos), que se inspira em sua jornada de
atleta e Profissional Fisioterapeuta.
Por tudo isso, e por tudo o que representa em nossa comunidade, esta
homenagem é justa, necessária e repleta de significado. Ela celebra não
apenas o profissional brilhante, mas o Sensei que voluntariamente deu
perspectiva aos jovens judocas sonhadores, o filho exemplar, irmão exemplar,
tio exemplar, esposo exemplar, o ser humano extraordinário que dedicou sua
vida a fazer o bem.
APAE é uma instituição comprometida com a inclusão e o desenvolvimento
integral de pessoas com deficiência. Nesse contexto, o fisioterapeuta
Ronerson Epifanio de Oliveira destacou-se como um profissional
profundamente dedicado e vocacionado, cuja atuação deixou contribuições
relevantes e duradouras para a instituição pelo período que trabalhou.
Infelizmente, sua valorosa trajetória foi interrompida pela difícil luta contra o
câncer, que resultou em sua partida. Ainda assim, permanece entre nós o
legado de seu trabalho exemplar, marcado pela competência, sensibilidade e
compromisso humano.
Objetivo:
- A homenagem é uma forma de reconhecer seu trabalho e legado, inspirando
outros profissionais e beneficiários. A clínica de fisioterapia é um espaço
importante para a reabilitação, é o local onde ele trabalhou e mudou vidas por
muitos anos.
-Reconhecimento do profissionalismo e dedicação para com os pacientes além
da contribuição com a instituição durante o tempo que permaneceu.
- Promover a inclusão e a reabilitação através da clínica de fisioterapia.
Proposta:
- A clínica de fisioterapia da APAE passará a ser denominada "Clínica de
Fisioterapia Ronerson Epifanio de Oliveira" em homenagem ao fisioterapeuta
Ronerson Epifanio de Oliveira, será um símbolo de inspiração e motivação.
- A clínica continuará a oferecer serviços de fisioterapia de qualidade, com foco
na reabilitação e inclusão de pessoas com deficiência.
DEPOIMENTOS DE ALGUNS PACIENTES:
- ¨Me chamo Claidizane, mãe da paciente Brenda, e hoje, ao recordar sua
trajetória, é impossível não sentir uma mistura de saudades e gratidão. Você
não foi apenas um fisioterapeuta — foi um instrumento de cura, um consolo
para quem chegava fragilizado e uma inspiração para todos que tiveram o
privilégio de cruzar seu caminho.
Sua dedicação aos pacientes ultrapassava qualquer definição profissional.
Você enxergava além da dor, além da limitação física; via sonho, luta e
esperança. Nunca tratava ninguém como caso clínico, mas como ser humano.
Era por isso que tantos se sentiam seguros ao seu lado.
A cada atendimento, você não entregava apenas conhecimento técnico, mas
paciência, escuta, empatia e respeito. Seu olhar sereno acolhia, suas palavras
tranquilizavam e suas mãos, tão precisas, devolviam movimento, autonomia e,
muitas vezes, alegria de viver.
Mesmo nos dias difíceis, nunca lhe faltou amor pela profissão. Trabalhava com
brilho nos olhos, acreditando profundamente no poder da reabilitação e na
força de cada paciente. Muitos diziam que você tinha um dom… o de
transformar dor em esperança.
Hoje, sua ausência é sentida nos corredores, nas salas de atendimento e nos
corações daqueles que foram tocados por sua humanidade. Mas seu legado
permanece vivo — em cada pessoa que voltou a caminhar, em cada família
que encontrou alívio, em cada colega que aprendeu a ser melhor ao observar
sua ética e devoção.
Você se foi, mas deixou um rastro luminoso de compaixão e cuidado. Sua
missão foi cumprida com honra, e sua memória seguirá inspirando aqueles que
continuam o trabalho que você tanto amava. Que sua dedicação jamais seja
esquecida e que seu exemplo siga vivo em cada gesto de cuidado e cada vida
transformada.
Saudades eternas.
Claidizane e Brenda¨
- ¨Então, o Ronerson foi uma pessoa maravilhosa, tinha um carinho pelo Júnior
Gabriel. Ele cuidou muito tempo dele, ensinando muitas coisas, como golpes
de judô na fisioterapia, e encaminhou ele pra lutar judô. Ele sempre foi uma
pessoa maravilhosa. Sou muito grata a ele. Meu filho Junior levou 4 anos pra
andar, mas graças a Deus e ao Ronerson fazendo as fisioterapia.¨
Delair e Junior¨
- ¨ Meu nome é Jussara da Silva Santos há alguns anos tive um acidente e
lesão no pé, usei gesso e não fiz fisioterapia, não acreditava...Tinha muita dor
no pé, inchaço e estava ficando manca, dois anos sem usar salto. Fui ao
médico e ele disse que teria que fazer fisioterapia e se não melhorasse me
encaminharia para cirurgia. Procurei o Ronerson o qual fui muito atencioso,
fizemos algumas fisioterapias e ele disse; continue fazendo exercícios e assim
fiz... Tambem pedi ajuda a nossa Senhora Aparecida e me curei do pé e hoje
uso Salto, e vou na academia... Gratidão Ronerson.
Jussara da Silva
¨Ronerson mesmo com todos os pacientes nas clínicas, atendia meu pai em
casa, após a recuperação dos movimentos em decorrência do AVC. Ronerson
continuou atendendo o pai com fisioterapia geriátrica. O pai gostava muito dele
pela agilidade, carinho e responsabilidade.
Se preparava para esperar o “Xerife” com carinho e amor. O charmoso como o
pai titulava. O momento de lembrar dá vontade de chorar, pois o pai lembra
com doçura do Ronerson para ele, pedia quando o Xerife vinha ver ele e
mesmo fazendo quimioterapia quando possível Ronerson vinha atender o pai.
Infelizmente Ronerson faleceu e meu pai sentiu muito assim como todos nós.
Mas Ronerson além de excelente profissional tinha “dom” para cuidar do que
dele necessitavam.
Muito carinho, amor e dedicação.
Com certeza Ronerson tornou melhor a vida de muitas pessoas, principalmente
crianças, que sei o trabalho que ele fazia.
Maria Friederich
Operei o Chiquinho da dor de estômago dele, e daí o doutor deu garantia para
nós que iria ficar até 15 anos, que ia viver com nós até 15 anos. E ele foi
operado, mas não ia conseguir se acostumar com a sonda. Falei para ele um
dia, e ele falou: “Não, esse pia vai ficar barbudo com vocês, vai ficar barbudo,
vai ter bigode do lado de vocês, vai ficar homem.”
E está se cumprindo. Hoje é isso: já tem 5 anos que aconteceu o que o médico
falou para mim, que ele ia viver até os 15 anos, e faz 5 anos que o falecido
Ronerson falou para mim, e aquilo ficou comigo até hoje, guardado no peito.
Ele falou que homem ele vai ficar, barbudo do lado de vocês.
Então eu agradeço muito a Deus pelo homem que ele é, e posso falar de
coração aberto que muitos e muitas mães sentem a mesma falta que eu sinto,
porque eu não consigo, não estou conseguindo me adaptar com as outras
terapeutas dele, como eu me adaptei com o terapêutico do Ronerson.
Dirce e Francisco¨
DEPOIMENTOS DA FAMILIA:
Ronerson Epifânio de Oliveira descobriu a fisioterapia aos 15 para 16 anos,
quando uma fratura de clavícula no mundial de judô, nos Estados Unidos,
interrompeu sua trajetória nos tatames de forma temporária e apresentou dia
paixão, o colocou diante de um caminho totalmente novo. Em meio à dor física
e ao luto por deixar o esporte, encontrou na reabilitação um propósito que
transformaria sua vida e tantas outras.
Ele estudava como bolsista no Colégio Júlio Moreira. Passava as tardes
inteiras praticando técnicas de memorização curso de memorização 2000para
enfrentar a dislexia, e à noite seguia para o cursinho. Aprender nunca foi
simples para ele: a dislexia tornava o processo mais lento, e a escrita
prejudicada por fraturas antigas na mão e no braço gerava ainda mais
dificuldade. Mesmo assim, sua disciplina era absoluta. Não havia desculpas, só
dedicação.
Tentou dois vestibulares, na Unicentro e na Unipar. Aprovado primeiro em
Umuarama, mudou-se para estudar fisioterapia. Morou por dois anos no
pensionato da dona Palmira, onde viveu privações que poucos suportariam.
Muitas vezes passou fome e sede para não preocupar nossos pais, que na
época enfrentavam doença do nosso irmão. Pedia água gelada aos colegas, o
lugar era extremamente quente- comia apenas o necessário, usava roupas
simples e materiais escolares básicos. Nunca reclamou, nunca se
envergonhou, nunca buscou status. Queria aprender. Só isso. Nosso irmão
faleceu, eles eram super apegados, mas ele não desistiu ele seguia em meio
ao luto e dificuldades. Por um período teve problemas sérios de visão, lembro
que ligou chorando dizendo ao meu pai que estava cego, meu pai foi para
atendê-lo e o encontrou tateando voltando da aula.
Mais tarde, dividiu apartamento com amigos. Enquanto a juventude ao redor
vivia festas, ele estudava. Tornou-se referência entre os colegas pela ética,
paciência e solidariedade. Mesmo com notas medianas — consequência direta
das dificuldades de aprendizagem — destacava-se pela eximia prática clínica.
Professores reconheciam sua habilidade rara, e na formatura em meio á um
auditório de 05 pinhaoenses apenas, ele foi ovacionado, amigos, familiares de
amigos, colegas. Gritos, aplausos, respeito, lembro até hoje que me admirei em
ver um estranho ao ninho ser tão respeitado. E-pi-fa-neo eram os gritos que
ecoaram em sua entrada. Quem estava lá viu. Os amigos da faculdade viraram
de vida e até hoje fazem parte das nossas.
Formado, começou em Inácio Martins. Sem carro, ia de ônibus, carona, ou
dormia na rodoviária. Dormiu também nas macas da clínica ou dentro da Chevy
antiga que comprou depois. Nunca deixou seus pacientes. Nunca faltou ao
trabalho mesmo com dificuldades. Mais tarde passou pelo Pinhão, onde
enfrentou olhares desconfiados por ser jovem, magro, “filho de quem era”. Fez
concurso público, ficou bem colocado, mas divergências e a oportunidade de
seguir na APAE o tiraram de lá. Seguiu então somente com Reserva do Iguaçu,
onde encontrou seu chão. Ali desenvolveu seu melhor trabalho e construiu
vínculos profundos.
Foi em Reserva que mergulhou na reabilitação neurofuncional e cognitiva.
Começou pelo Bobath, aperfeiçoou-se por anos e, depois, encontrou no
Método Cuevas Medek Exercises a prática que se tornou sua marca. Sustentou
o trabalho enfrentando incompreensões e até má fé de colegas, mas nunca
rebateu. Nunca atacou ninguém. Nunca ouvi ele reclamar ou falar mal de algo.
Ele continuava. Só seguia.
Estudou o que pode. Viajou ao Chile para conhecer o filho de Ramon Cuevas.
Interrompeu especializações por dificuldades e, ainda assim, buscou caminhos
para continuar crescendo. Trabalhou simultaneamente em Guarapuava,
Pinhão, Reserva, Foz do Jordão. Vivia na estrada. Tinha uma casa em casa
lugar. Mesmo doente, não interrompia os atendimentos. Uma hospitalização
lhe tirou parte da visão, mas não o compromisso. Ia fraco, ia cansado, mas ia.
Seus pacientes eram prioridade.
Crianças eram sua missão. Ele dizia que a autonomia delas era tudo. Vibrava
com cada passo, com cada movimento conquistado. Sofria com regressões,
chorava silenciosamente quando uma família desistia. Organizou campanhas,
conseguiu equipamentos, assumiu batalhas que não eram suas para garantir
dignidade a quem atendia. Jamais iniciava um procedimento sem rigor técnico
e análise cuidadosa. Era justo, ético, seguro.
Seu último passeio em vida foi para atender uma adolescente. Ele estava
debilitado, mas insistiu. Dois dias antes de piorar, ainda orientava, agradecia
por não desistirem dele e pedia que ela não desistisse de si mesma. É
impossível esquecer isso.
Hoje, cada lugar por onde passo ministrando cursos tem alguém que o
menciona. Sempre existe uma história dele esperando para ser contada. Um
paciente que anda. Uma criança que ganhou autonomia. Um profissional que
aprendeu com ele. Ronerson permanece vivo nos passos que ajudou a nascer,
nos movimentos que devolveu, na coragem que demonstrou e no amor real
que colocou no que fazia.
E eu, como irmã, sigo honrada em testemunhar quem ele foi. Um homem
íntegro, disciplinado, profundamente dedicado ao outro. Um profissional sem
vaidade, sem ganância, com uma humanidade que não se aprende em livros.
Ele transformou vidas. E continua transformando.
Jolly D. Oliveira – irmã.