CÂMARA MUNICIPAL DE VEREADORES DE SANTA HELENA
ESTADO DO PARANÁ - CNPJ: 77.881.449/0001-30
MOÇÃO DE PESAR Nº 03/2026
Assunto: Apresenta a Moção de Pesar em reconhecimento ao senhor Emílio Da
Costa.
COLENDA CÂMARA,
O Vereador que esta subscreve, no uso de suas atribuições regimentais que lhes
são conferidas e após ouvido o Egrégio Plenário, na forma regimental, vem respeitosamente
requerer que seja consignada na ata dos trabalhos dessa Sessão Ordinária uma Moção de
Pesar ao senhor Emílio Da Costa.
Emílio Da Costa
Emílio da Costa natural de Crissiumal/RS, nasceu no dia 12 de maio de 1953. Filho
de Pedro Leopoldino da Costa e Josefina da Costa. A família era constituída de 09
irmãos. Pedro da Costa faleceu em Crissiumal/RS quando Emílio tinha dezoito meses
de vida. Com o falecimento do esposo, coube à Josefina da Costa, tarefa de zelar pelo
bem estar de toda família. Em Crissiumal, trabalhavam na agricultura, numa pequena
propriedade rural que lhes pertenciam.
No ano de 1960, a família da Costa transfere domicílio para Capanema (sudoeste
do Paraná), e em 1961, resolveram conhecer o oeste do Paraná, diga-se, Linha
Gaúcha, interior de Santa Helena. A localidade lhe agradou, por isso, adquiriu de uma
área de terras, sendo esta uma posse.
De Capanema até Santa Helena vieram de caminhão Chevrolet, percurso (na
época) de muitos desafios, primeiramente, cruzar o Rio Iguaçu por balsa, na
sequência percorrer 18 km da Estrada do Colono em meio ao Parque Nacional do
Iguaçu. O trajeto da Estrada do Colono era ladeado de densa floresta, por isso, a
família da Costa tiveram que retirar galhos, árvores ali caídas e desobstruir
atoleiros/lamaçais que encontravam no caminho para continuarem a viagem.
Percorreram os 18 km da Estrada do Colono em dois dias, mais um dia até Santa
Helena. Importante destacar o seguinte, a estrada que passava em Santa Helena,
terminava em Entre Rios do Oeste. PS
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Não havia estrada “vicinal” entre a perimetral de Santa Helena à posse de terra
de Deodato, obrigando-os acomodar os utensílios domésticos sob lonas nas
proximidades da atual Pedreira Municipal até abrirem uma “picada” em meio à mata
ligando à propriedade apossada. Utilizaram nesta empreitada, foice, machado,
enxada e picareta. Aberta a “picada”, transportaram partes dos pertences nos ombros
e partes com auxílio de um carroção puxados a bois de canga até a improvisada
residência construída em meio a floresta.
Os desafios continuavam rondar Josefina da Costa e familiares, pois, a Linha
Gaúcha e adjacências, compunham territórios de conflitos entre grileiros e posseiros
que procuravam dominarem as terras da região.
Os acirramentos conflitantes entre estes grupos, intensificaram a partir de 1969,
quando os posseiros passaram a serem cotidianamente afrontados por jagunços dos
Alegretti e lfrain, persuadindo-os a abandonarem a posse das terras que pretendiam
trabalhar, produzir alimentos e criar suas famílias. Pressionados pelos jagunços, os
agricultores/posseiros da Linha Gaúcha, foram forçados a unirem na tentativa de
defenderem do iminente perigo de expulsão das terras que entendiam lhes
pertencerem de fato. Por “sorte”, confronto armado entre jagunços e posseiros da
Linha Gaúcha não ocorreram, somente ameaças entre os grupos rivais.
Por outro lado, relembrava sempre Emílio da Costa (criança na época) que seu
irmão, Amaro da Costa (apelido Maruco) e de outras pessoas que residiam na Linha
Gaúcha e região, comentavam a respeito dos confrontos bélicos entre
grileirosjagunços X posseiros, nas localidades conhecidas pelos nomes: Braço do
Norte e Fazenda Mesquita (atualmente, estes locais integram os territórios dos
municípios de São José das Palmeiras, Diamante do Oeste e Santa Helena). Nos
confrontos armados entre os citados grupos/personagens sociais, houveram mortes,
principalmente de posseiros.
A partir de meados da década de 1970, forças militares do exército e polícia militar
do Estado Brasileiro, interveio nos conflitos agrários no extremo Oeste do Paraná,
encerrando nesta região, um ciclo de intensa luta pela posse da terra. Pacificado os
conflitos agrários, o governo brasileiro, através do INCRA (Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária) agiliza a regulamentação dos documentos oficiais
fundiários das áreas conflitantes. E, os colonos/agricultores que trabalhavam à terra
”
nos locais de conflito, conquistaram o título de proprietário de terra. Assim, em 4
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definitivo as disputas sangrentas pela posse de terras no extremo oeste paranaense,
foram resolvidas.
Porém, a luta, os desafios seguem os passos de Emílio da Costa. Quando
adolescente (15 anos de idade/1968) sonhava ser jogador profissional de futebol de
campo, pois, acreditava que dispunha habilidade no trato da bola que os habilitava
almejar este sonho. Convenceu sua mãe em deixá-lo treinar no Clube Esportivo Tuiti
de Cascavel, no qual permaneceu 45 dias treinando na equipe cascavelense.
O sonho de Emílio de ser jogador profissional fora interrompido, Josefina da
Costa, precisando de pessoa para lhe auxiliar nos trabalhos rurais da família,
requisitou aos dirigentes do Clube de futebol do Cascavel o retorno imediato de seu
filho à Linha Gaúcha. A partir de então, Emílio continuou trabalhando nos afazeres do
campo. Na sequência, Emílio deixou de trabalhar nas terras do irmão e, passou a ser
arrendatário/agregado na propriedade rural de Vivaldino Polla, na Linha Gaúcha.
Este desejava vender a chácara e, propõe negociação da propriedade a Emílio,
que adquire a área, com a promessa de quitá-la em dois anos. No primeiro ano que
comprara as terras, conseguiu obter ótima produção agrícola, aliada à bons preços
dos produtos colhidos, imediatamente quitou na integra a dívida da propriedade com
Vivaldino Polla. Se faz necessário ressaltar, até meados da década de 1970, preparar
o solo, semear as sementes no chão, colher e transportar a produção agrícola aos
locais de armazenamento e/ou, vendê-las, o agricultor utilizava arados atrelados a
bois de canga e carroções puxados por esses animais.
Neste contexto rural, Emílio/Marlise trabalharam a terra por décadas, utilizando os
citados instrumentos agrários.
A partir de meados dos anos 70 intensifica a mecanização das terras no oeste do
Paraná, com isso, os trabalhos no campo que era praticado com auxílio de tração
animal, são rapidamente substituídos pelas máquinas agrícolas, indiferente do
tamanho da área que o agricultor possuía.
Revolução tecnológica que possibilitou aos agricultores maior disponibilidade de
tempo livre, o suficiente, aqueles que desejassem implementar/diversificar o plantio
de lavouras em suas terras. Foi o caso da família da Costa. Além de plantarem soja,
trigo, milho, fumo, mandioca, feijão, algodão, girassol e abacaxi, formaram parreirais
e passaram a produzir uvas.
fe
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Atividade que Emílio trabalhou 20 anos consecutivos produzindo e colhendo
anualmente, entre 8 a 12 toneladas de uvas, que proporcionava excelente
rentabilidade financeira a família da Costa.
Negociava a produção innatura com a gerência dos mercados (Santa Helena),
empresas de Foz do Iguaçu, Entre Rios do Oeste, Pato Bragado, bem como, vendia
a empresários do Paraguai, e estes, transformava a uva em vinho. Ressaltou também
que santa-helenenses (de forma individual) deslocavam até seus parreirais e
compravam uva por kg. Além de terras férteis, existem na propriedade exuberantes
nascentes de água, o que possibilitou a família da Costa construir dois açudes
passaram criar peixes(tilápias).
Além da riqueza do solo e riqueza hídrica existentes na propriedade, encontraram
rochas basálticas em grande quantidade, com possível potencial econômico. Diante
da constatação, Emílio contratou geólogos, estes desenvolveram um projeto que
pleiteava na esfera federal explorar economicamente as rochas, obviamente conforme
leis brasileiras de geologia. Aprovado e liberado o referido projeto o próximo passo
foi trabalhar nas extrações das rochas, praticamente toda pedra brita e de calçamento
extraídas desta pedreira, são utilizadas nas edificações construídas no município de
Santa Helena e municípios circunvizinhos.
Marlise/Emílio uniram em matrimônio no dia 26 de junho de 1971, na Igreja
Católica Santo Antônio/SH. Permanecem professando a fé cristã/católica.
Desta união matrimonial, foram agraciados com 03 três filhas, Roseli, Rosiclei e
Rosani; 02 filhos, Adilson e Gersosn (inmemorian). Netos (as), Micheli, Karina, Ana
Carolina, Maria Eduarda, Taulini, Maria Júlia, Otávio e Murilo. Bisnetos (a), Nícolas,
Heitor e Bianca.
Participação destes, na comunidade santa-helenense. No início da colonização
da Linha Gaúcha, não havia um local apropriado que pudessem os moradores
reunirem com objetivo de discutirem assuntos de interesses da coletividade local.
Diante disso, Marlise e demais pessoas que ali residam, decidem em reunião
construírem um centro de convivência social que atendessem seus anseios e assim
fizeram. Marlise também colaborou na fundação do Clube de Mães Paz e Amor da
Linha Gaúcha, no qual ocupou por 15 anos a presidência da entidade. E, sem medir
esforços, desempenhou por 17 anos consecutivos a função de secretária do Clube
Feminino de São Clemente e 04 anos, coordenadora do Clube Feminino da Cl?
de Marechal Cândido Rondon.
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Quanto ao Emílio, com apoio de Marlise e família, conciliou os trabalhos de
agricultor e sindicalista rural do município de Santa Helena, onde fora eleito pelos
agricultores, quatro vezes presidente do sindicato, (16 anos), mais 9 anos,
divididos entre vice-presidente e 1º Fiscal da entidade. Portanto, foram 25 anos
prestando serviços no Sindicato Rural, onde reivindicou melhorias aos associados
da entidade, bem como auxiliando na aposentadoria para os agricultores.
Visando também defender interesses dos agricultores da Linha Gaúcha e áreas
próximas, bem como, de Entre Rios do Oeste, Pato Bragado e São José das
Palmeiras, integrou e coordenou o Conselho Consultivo e Conselho Fiscal da
Coopagril (à época) centralizada a administração em Marechal Cândido Rondon.
Tinha como propósito, reivindicar aos gestores da empresa, melhorias aos
associados. Destaca ainda que, por 10 anos esteve no comando da presidência
APMF - Associação de Pais, Mestres e Funcionários da Escola Municipal
Euzébio Queiroz (Linha Gaúcha) e integrante do Conselho Fiscal da Escola
Estadual José Engel de São Clemente. Entidade que tem como finalidade principal,
defesa das políticas pedagógicas da instituição de ensino.
Na condição de desportista, defendeu as agremiações: Nacional de Subsede, União
Sport Clube de Santa Helena e Internacional de São Clemente. Nestas equipes,
disputou diversos campeonatos municipal e regionais de futebol de campo.
Com sua aposentadoria como agricultor, passou também a participar do grupo
de Idosos de Sub Sede, onde sempre participou ativamente, sendo Presidente por
muitos anos, afastando-se após a sua enfermidade.
A família de Emiílio/Marlise da Costa demonstraram atos de coragem, superação,
persistência, determinação, fé, perseverança, construído em solo santa-helenense.
Resumo:
- Emilio da Costa Colonizou Santa Helena chegou em 1961;
- Produziu milho, soja, feijão, fumo, cultivou uvas, criou peixes, explorou
pedreira...entre outros;
- Foi Presidentes do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santa Helena por 16 anos
+ 9 na diretoria, totalizando 25 anos no Sindicato;
- Foi presidente do Grupo de Idosos de Sub Sede por várias gestões;
- Foi presidente de APNVF e Da Igreja da Linha Gaúcha, e demais entidades ado
di
- Paraná
esteve envolvido na diretoria.
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- Emilio residiu em Santa Helena por 68 anos.
- Seus filhos residem em Santa Helena as filhas são Professoras e o filho agrônomo.
Participam ativamente na sociedade, assim como seu pai...
Faleceu no dia 09 de marco de 2025.
Gabinete do Vereador Paulo César Zembrzuski, aos vinte e três dias do mês de
março de 2026.
PAULO R ZEMBRZUSKI
reador Proponente
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