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materia nº 18/2024

Tipo Projeto de Lei do Legislativo
Número / Ano 18 / 2024
Date 2024-10-10
EmentaDenomina Rua Professora Vicentina de Jesus Carneiro, neste Município.
native_id5512

Autoria

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DateResultadoSimNãoAbst.
2024-12-04T10:44:18.361316-03:00 Aprovado em 2ª Votação 5 0 0
2024-12-03T09:09:36.262373-03:00 Aprovado em 1ª Votação 5 0 0

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PROJETO DE LEI Nº 18/2024
Ementa: Denomina Rua: Professora. Vicentina
de Jesus Carneiro, neste município.
Autor: Vereadora Mirian Rodrigues: Bonomo
Montanheiro (Mirian)
CÂMARA MUNICIPAL DE SANTO ANTÔNIO DA PLATINA
Palácio do Poder Legislativo “Vereador José Corrêa Gomes”
Av. Cel. Oliveira Motta, 715, Centro — C.P. 81 — CEP: 86430-000 — Fone: (43) 3534-1220
site:www.santoantoniodaplatina pr. leg.br — e-mail: protocolo(Qsantoantoniodaplatina.pr.leg.br
PROJETO DE LEI Nº 18/2024
Denomina Rua Professora Vicentina de Jesus Carneiro,
neste município.
A Câmara Municipal de Santo Antônio da Platina,
Estado do Paraná, aprovou, e eu, Prefeito Municipal, sanciono a seguinte
Lei, de autoria da Vereadora Mirian Rodrigues Bonomo Montanheiro:
Art. 1º - Fica denominada Rua Professora Vicentina
de Jesus Carneiro a atual Rua 6 do Distrito do Monte Real, neste
Município.
Art. 2º - Esta Lei entra em vigor na data de sua
publicação.
SECRETARIA DA CÂMARA MUNICIPAL DE
SANTO ANTÔNIO DA PLATINA / ESTADO DO PARANÁ, em 10 de
outubro de 2024.
di
MIRIAN RODRÍGU OMO MONTANHEIRO
CÂMARA MUNICIPAL DE SANTO ANTÔNIO DA PLATINA
Palácio do Poder Legislativo “Vereador José Corrêa Gomes”
Av. Cel. Oliveira Motta, 715, Centro - C.P. 81 — CEP; 86430-000 — Fone: (43) 3534-1220
site:www.santoantoniodaplatina. pr. leg.br — e-mail: protocolo(a)santoantoniodaplatina.pr.leg.br
JUSTIFICATIVA AO PROJETO DE LEI Nº 18/2024
A propositura de projeto de lei para nomear ruas no município é de
competência dos vereadores, conforme determina a Lei Orgânica do Município.
A homenageada foi reconhecida como Cidadã Honorária Platinense, por meio
da Lei Municipal nº 1.899/2020, também de autoria da Vereadora Mirian.
Foi batizada com o nome de Vicentina de Jesus Machado. Nascida em 5 de
outubro de 1930, em uma fazenda no município de Brazópolis, sul de Minas Gerais.
Filha de José Soares Machado e Geralda de Jesus Machado.
Sua infância na fazenda foi marcada pelo nascimento dos irmãos e pela
convivência com as alegrias e agruras da vida na zona rural dos anos 40. Pai, trabalhador
rural, era um herói, sonhava em dar estudo para os filhos, sacrificava a vida, levantando
de madrugada, colocando a comida na marmita e indo trabalhar nas fazendas. Chegando à
noite em casa, nuncareclamava.
Conseguiu morar mais perto de um Grupo Escolar, teve acesso ao ensino para
si e os irmãos, mas com as mudanças de serviço do pai, chegou a levantar às quatro da
manhã, para chegar à escola dez minutos antes. Era a hora em que começava as aulas.
Isto foi até 1943, quando terminou a 4º série no Grupo Escolar Coronel Francisco Braz
Pereira Gomes, na cidade de Brasópolis, sul de Minas Gerais. Ia à escola pela manhã,
chegava em casa a uma e meia até duas horas da tarde e ainda ia capinar arroz (carpir).
Terminou os estudos, até a 4º série, e foi trabalhar na roça. Carpia arroz, também carpia
eucalipto, mandioca, colhia café, lavoura de arroz.
Trabalhou na roça de manhã até o sol entrar, de segunda à sexta-feira. No
sábado, ficava em casa, socava o café, depois de limpo, torrava-o e socava no pilão,
coava na peneirinha e guardava numa lata para fazer café a semana inteira. Depois
passava toda a roupa que foi lavada durante a semana, com ferro de brasa.
De vez em quando ela auxiliava uma professora da Escola Rural a dar aulas.
Ela, às vezes, precisava sair e ficava como substituta. Começava seu gosto pela educação.
Na fazenda onde morava, tinha uma colônia com muitas crianças, mas quem
queria estudar precisava andar até oito quilômetros. Então, o patrão resolveu abrir uma
escola na fazenda. Ele mesmo pagava a D. Vicentina, porque ela tinha só 14 anos e não
podia trabalhar pela prefeitura. Então, ele arrumou uma sala na casa do administrador e
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ela lecionava lá, só para os filhos dos colonos. Quando chegava o tempo da colheita do
café, começava as aulas às sete horas da manhã e dispensava os alunos às dez horas, para
eles irem colher café. Então lecionava na parte da manhã e colhia café na parte datarde.
Mas, àquela escola só funcionou por quatro meses, porque não tinha um
prédio próprio, nem carteira e funcionava na casa do administrador. Continuou a dura
lida do serviço na roça.
Em 1943, conheceu um rapaz de nome Benedito da família Bernardes
Carneiro de Brazópolis, que foi seu esposo. Namoraram quatro anos, e com muita
dificuldade e ajuda dos pais foram comprando o mais necessário para se casarem. No dia
19 de julho de 1947, foi o grande dia do seu casamento. A igreja não era enfeitada, não
tinha tapete, nem música, nem fotógrafo.
Terminando a cerimônia na igreja, e ida ao cartório, os noivos foram embora
a pé andando uns seis quilômetros. Ela, vestida de noiva, arrastando areia com o vestido
comprido. A recepção era um latão de cinquenta litros de café com leite, mais biscoitos
de polvilho, broas de fubá, brevidade e pão. Depois, teve um baile até a meia-noite,
porque, pela tradição, o casal não podia dormir junto antes da meia-noite.
Mas a vida continuou dura, trabalhando na roça com o seu sogro e as
cunhadas. Logo engravidou.
Parou de trabalhar na roça, tinham o que comer e não faltava nada. Só ficava
em casa e preparava o enxoval do nenê que estava para chegar. No mês de fevereiro de
1948, arrumaram uma escola para Vicentina lecionar e chegou a ter até 80 alunos. A
escola era pequena, tinha dez carteiras, nas quais cabiam vinte alunos. Os demais se
sentavam no chão ou em bancos. Naquele tempo, usava-se uma bolsa de madeira que as
crianças colocavam no colo para poder escrever.
Grávida de cinco meses, lecionou três meses e entrou em licença-
maternidade. O seu filho nasceu em 8 de junho de 1948, foi batizado com cinco dias e
recebeu o nome de José Maria Carneiro Neto.
No dia 1º de julho entrou as férias escolares e seu esposo resolveu voltar para
o Paraná. Então ele foi atrás dos outros parentes ver se eles queriam vir embora,
arrumando uma lotação para um caminhão, que era chamado de caminhão gigante, para o
dia 22 de julho. Reuniram onze famílias num caminhão. Cada família levou um pouco de
mudança. Colocaram os caixotes empilhados na parte da frente e colocaram umas tábuas
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para servir de banco, colocando mais caixotes debaixo dos bancos, nos quais não se podia
nem esticar as pernas.
Saíram de Minas Gerais em julho de 1948, às quatro horas da manhã e
viajaram até chegar à Serra da Mantiqueira, onde desceram do caminhão e atravessaram a
serra a pé, pelo atalho, porque a estrada estava em construção e a estrada antiga era de
terra e muito perigosa.
Chegaram à cidade de Piquete no estado de São Paulo, subiram no caminhão
e foram até Aparecida. A maioria das estradas não tinha asfalto.
Continuando a viagem, de Piraju a Andirá levou o dia todo. Entre Piraju e
Cambará mais dificuldades e de Cambará a Andirá que se faz com 20 minutos no
máximo, gastaram o resto do dia. Chegaram ao lugar onde iam morar, a fazenda Duas
Covas, isto é, cada rua de café tinha dois pés de café juntos.
Vida difícil, pegar água numa mina a uns cem metros do rancho e lavar a
roupa, também, naquela mina. A roupa era difícil de lavar, precisava ferver para poder
limpar aquela terra roxa.
Começaram a vida aqui no Paraná, entre julho e agosto de 1948.
Problemas de seca, baixa do preço do feijão, ulcera na vista dela, perda de
uma visão...verdadeiras sagas passaram nos primeiros meses de Paraná.
No dia 15 de fevereiro de 1950, começou a lecionar no povoado da Barra do
Jacaré. Ia da fazenda até a escola, uns três quilômetros a pé.
Rotina puxada, tirar água do poço logo cedo, arrumar almoço, cuidar criança
nova, da casa, ir para escola lecionar, voltar e corrigir os cadernos.
Onde lecionava tinha a primeira, segunda e terceira séries e a primeira série
sempre tinha as classes A, Be C.
Em 1951, Sr. Benedito arrumou para trabalhar numa colheita de algodão. Ele
arrumava os colhedores e ia buscá-los de madrugada em Cambará e pegava também
trabalhadores na Barra do Jacaré. Ganhava um cruzeiro por arroba de algodão que os
trabalhadores colhiam.
Com a instabilidade do serviço do marido nas colheitas, ora empregado ora
sem nenhum trabalho, assumiu as despesas da casa.
Em fevereiro de 1955, mudou-se da Barra do Jacaré para uma fazenda
chamada Frutal, no município de Santo Antônio da Platina. Deu baixa no seu serviço em
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Jacarezinho e foram morar no Frutal. No dia seguinte da mudança, foram a Santo
Antônio da Platina para assinar o contrato com a Prefeitura. O prefeito não quis dar o
contrato para assinar, dizia que lá não cabia escola. Para sair daquele lugar, para ir à
cidade era longe, andava uns cinco quilômetros para pegar o ônibus para Santo Antônio
da Platina.
Em 1956, houve eleição para prefeito. Ela foi contratada pela Prefeitura.
Lecionou na fazenda Água da Volta de propriedade de Garibaldi Reale. Era uns dois
quilômetros de Monte Real e uns doze quilômetros de Santo Antônio da Platina. Daquela
fazenda mudaram-se para Monte Real. Novos momentos difíceis e nascimento de mais
uma filha.
Outro fazendeiro, Sr. José Eleutério, proprietário da Fazenda Santa Verônica,
resolveu construir um terreirão para secar café e também uma escola para os netos dele e
os filhos dos colonos foi então contratada por mil cruzeiros por mês.
Mudaram para aquela fazenda. O marido fez uma reforma numa casa da
fazenda, construiu um salão grande em anexo, no qual funcionava a escola, três quartos,
uma sala e uma cozinha. O fazendeiro arrumou com a Prefeitura umas carteiras, um
quadro-negro e uma mesa. Foi a volta ao magistério por conta do fazendeiro.
Quando o novo prefeito entrou, começou a lecionar pela Prefeitura. Em 1960
ela foi transferida para o Grupo Escolar de Monte Real.
Só em 1963, tive o primeiro banheiro (até então, os banhos eram em bacia),
com água encanada, vaso sanitário e chuveiro!
Em 1966, uma professora resolveu criar um cursinho para as professoras sem
habilitação, isto é, as professoras que lecionavam sem ter o magistério. Então, nas férias
de fim de ano e nas de julho, as professoras ficavam fazendo aquele curso. D. Vicentina
foi uma delas.
Mudaram para a cidade, mas durante um ano tinha ainda de lecionar em
Monte Real. Saía de casa de madrugada num caminhão, que transportava leite das
fazendas e voltava de carona para a cidade. Às vezes ficava em Monte Real até à tarde e
voltava de ônibus. Grávida, voltou a morar em Monte Real, pois o sacrifício era demais
para morar na cidade. Teve outras gestações e depois do nascimento de gêmeos (1973),
mudam-se para a cidade de Santo Antônio da Platina, para filhos poderem continuar os
estudos.
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Ela permaneceu lecionando em Monte Real e em 1º de agosto de 1976, deixa
a escola de Monte Real e vai lecionar na cidade, em uma escola com o nome de Escola
Rotary, lá ficou por dois anos até ser transferida para o centro da cidade, num colégio
para lecionar para adultos, o supletivo.
Em 1981, se aposentou do magistério após 37 anos de luta e labuta
incansável.
Uma vida voltada à família, e ao ensino dos seus 14 filhos: José Maria
Carneiro (falecido); Jurandir Everaldo Carneiro; Jailson Everaldo Carneiro; Jorilda
Lindonor do Carmo; Jaime Eraldo Carneiro; Julcinéia Lucilia Carneiro Pereira; Jucelda
de Jesus Carneiro (falecida); Jucélia de Jesus Carneiro Colaço; Julcimara de Jesus
Carneiro Alves; Jairo André Carneiro (falecido); Janderley Eriberto Carneiro; Julciney
Antônio Carneiro; Josiane Aparecida Carneiro e Josiney Aparecido Carneiro.
D. Vicentina, a Vó Tina Infelizmente no dia 02 de outubro de 2023 a D.
Vicentina, ou apenas a Vó Tina, como era carinhosamente chamada pelos netos, sempre
deixará a lembrança de quanto somos privilegiados e abençoados com tantos recursos e o
quanto devemos ser mais gratos e generoso!
Este projeto de lei busca honrar e reconhecer a memória da D. Vicentina,
destacando sua importância e seu legado duradouro para Santo Antônio da Platina e seus
habitantes. Que sua história continue a ser lembrada e celebrada como exemplo de
dedicação, trabalho árduo e amor pela comunidade.
Desta forma, tendo em vista a justificativa apresentada, solicitamos o apoio
dos nobres colegas Edis para aprovação do presente projeto de lei.
MIRIAN RODRIGUES MONTANHEIRO
Vereadora
CAMARA MUNICIPAL DE SANTO ANTÔNIO DA PLATINA
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