| Tipo | Moção |
|---|---|
| Número / Ano | 66 / 2025 |
| Date | 2025-09-19 |
| Ementa | Moção de Aplausos aos Amigos do Parque do Palácio, pela dedicação, resistência e exemplar mobilização comunitária em prol da preservação e doação do Parque do Palácio ao Município de Canela, garantindo a proteção do último remanescente de campo nativo do centro da cidade, a valorização da memória coletiva e a salvaguarda de um patrimônio ambiental, cultural e histórico essencial para as presentes e futuras gerações. |
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Moção /2025 Canela, 19 de setembro de 2025. Ao Exmo. O Sr. Presidente da Câmara de Vereadores Ver. Luiz Felipe Caputo Taulois Canela – RS A Vereadora GRAZIELA HOFFMANN, no uso de suas atribuições legais e na forma do art. 1411 do Regimento Interno desta Casa de Leis, apresentam o seguinte requerimento, a fim de que, após aprovação do Plenário, seja encaminhada a quem de direito a seguinte MOÇÃO: “Moção de Aplausos aos Amigos do Parque do Palácio, pela dedicação, resistência e exemplar mobilização comunitária em prol da preservação e doação do Parque do Palácio ao Município de Canela, garantindo a proteção do último remanescente de campo nativo do centro da cidade, a valorização da memória coletiva e a salvaguarda de um patrimônio ambiental, cultural e histórico essencial para as presentes e futuras gerações.” 1 Art. 141 Moção é a proposição em que é sugerida a manifestação da Câmara sobre determinado assunto. JUSTIFICATIVA: Em um tempo em que as cidades crescem devorando seus espaços verdes, em que o concreto sufoca a terra e as gerações futuras herdam paisagens áridas, surge uma história de resistência, amor e pertencimento que merece ser contada e celebrada. Esta é a história dos Amigos do Parque do Palácio, guardiões incansáveis do último reduto de campo nativo no coração de Canela. O Parque do Palácio não é apenas mais uma área verde urbana, mas o último testemunho vivo da paisagem original que um dia cobriu nossa região. Em seus 9,1 hectares, preserva-se o único remanescente de campo nativo no centro de Canela, um ecossistema raro e precioso que abriga espécies vegetais que nossos filhos e netos só conhecerão se conseguirmos preservá-las hoje. Quando se caminha por esse espaço, respira-se não apenas ar puro, mas a própria história da nossa terra. As gramíneas nativas balançam ao vento contando histórias de séculos, as araucárias centenárias estendem seus galhos como braços acolhedores, e cada trilha sussurra memórias de quem passou por ali antes de nós. Este não é apenas um parque, é o coração natural que mantém viva a alma de Canela. A história do Parque do Palácio se confunde com a própria história de Canela. Suas estruturas arquitetônicas, construídas com o mesmo carinho artesanal que caracteriza nossa cidade, são testemunhas silenciosas de décadas de eventos, celebrações, encontros e momentos especiais na vida dos canelenses. Quantos casamentos foram fotografados ali? Quantas crianças brincaram em suas trilhas? Quantas famílias fizeram piqueniques à sombra de suas árvores? Quantos jovens tiveram ali seu primeiro encontro? Quantas pessoas encontraram consolo e reflexão caminhando por seus caminhos em momentos difíceis? O parque não guarda apenas plantas e árvores, guarda memórias, sonhos, histórias de amor, risos de crianças, conversas de amigos. É um arquivo vivo da alma canelense, um lugar onde gerações se encontram e onde o passado dialoga com o futuro. Isabel Scheid e todos os demais membros dos Amigos do Parque do Palácio não apenas salvaram um espaço verde, eles salvaram a própria essência do que significa ser canelense. Estes homens e mulheres são gigantes da nossa época. Em um mundo onde o individualismo impera, onde cada um cuida apenas do seu, onde a indiferença se tornou norma, eles escolheram um caminho radicalmente diferente: dedicaram suas vidas, seu tempo livre, seus recursos pessoais, suas energias físicas e emocionais a algo que não lhes pertencia legalmente, mas que sabiam pertencer ao coração da comunidade. O que eles fizeram foi admirável em cada detalhe: dedicaram fins de semana, feriados e momentos de descanso para cuidar de um espaço coletivo. Enquanto muitos aproveitavam para descansar, eles estavam cortando mato, organizando reuniões e buscando soluções reais. Mostraram coragem política excepcional ao enfrentarem pressões, resistências e até hostilidades de quem não entendia sua luta. Compareceram a dezenas de sessões da Câmara Municipal, audiências públicas, reuniões com autoridades, sempre com a mesma dignidade, sempre com os mesmos argumentos sólidos, sempre com a mesma paixão inabalável. Demonstraram competência técnica admirável, pois não eram apenas ativistas de coração, eram estudiosos da causa. Elaboraram projetos detalhados, estudos ambientais, propostas de gestão, orçamentos. Apresentaram muita resistência, quantas vezes não ouviram "não vai dar em nada", "vocês estão perdendo tempo", "desistam dessa ideia" ? Quantas vezes não sentiram o desânimo bater à porta? Mas nunca, em momento algum, permitiram que a desesperança vencesse. Foram faróis de esperança quando tudo parecia perdido. Exerceram pedagogia incansável, pois não guardaram conhecimento para si. Educaram a comunidade sobre a importância ambiental do parque, explicaram pacientemente para cada pessoa que encontravam por que aquele espaço deveria ser preservado. Foram professores voluntários de cidadania e ecologia. Demonstraram visão de futuro brilhante. Enquanto muitos viam apenas um terreno abandonado, eles enxergavam o que poderia ser: famílias felizes, crianças brincando, idosos caminhando, jovens namorando, artistas se apresentando. Tinham a capacidade rara de ver o possível onde outros viam apenas o problema. Durante seis longos anos, eles foram muito mais que zeladores, foram verdadeiros estadistas da causa ambiental. Enquanto políticos profissionais faziam discursos, eles faziam acontecer. Enquanto burocratas tramitavam papéis, eles moviam montanhas com as próprias mãos. Enquanto céticos duvidavam, eles construíam certezas com trabalho diário e dedicação absoluta. Eles são o melhor da natureza humana em ação: generosidade sem limites, persistência sem descanso, amor sem interesse próprio, fé sem garantias, trabalho sem recompensa material. São exemplos vivos de que ainda existem pessoas dispostas a lutar pelo bem comum, de que ainda há quem coloque o interesse coletivo acima do próprio conforto. Os Amigos do Parque são pessoas de uma têmpera rara. Líderes naturais que souberam reunir ao seu redor pessoas de igual valor, que transformaram indignação em organização, que converteram frustração em projeto de vida. São o tipo de pessoa que faz a diferença real no mundo, que deixa o planeta um pouquinho melhor do que encontrou. Todo o grupo representa o que há de mais nobre na alma humana: a capacidade de se dedicar a algo maior que nós mesmos, de trabalhar para pessoas que nem conhecemos ainda: as crianças que nascerão amanhã e que brincarão no parque graças ao que eles fizeram hoje. O que faz uma cidade ser mais que um conjunto de ruas e prédios? O que transforma um lugar em lar? São os espaços onde as pessoas se reconhecem, onde criam vínculos, onde sentem que pertencem. O Parque do Palácio é um desses espaços para Canela. Quando uma criança canelense cresce brincando no parque, quando uma família faz ali suas comemorações, quando um idoso encontra paz em suas caminhadas, está se criando algo invisível mas poderoso: o sentimento de pertencimento. O trabalho dos Amigos do Parque foi muito além da preservação ambiental, foi a preservação da própria identidade canelense. Eles entenderam que uma cidade sem seus espaços de memória e convivência é como uma pessoa sem alma. Lutaram não apenas por árvores e gramados, mas pela possibilidade de que as próximas gerações também pudessem se sentir verdadeiramente "em casa" em Canela. O parque sempre foi muito mais que contemplação, foi palco de manifestações culturais, oficinas educativas, apresentações artísticas e festivais comunitários. Os Amigos do Parque entenderam que cultura e natureza não são elementos separados, mas faces da mesma moeda preciosa. Suas ações mantiveram viva a vocação cultural do espaço mesmo durante o fechamento oficial, organizando saraus e apresentações artísticas, oficinas de educação ambiental, atividades para crianças e famílias, eventos comunitários que fortaleceram os laços sociais e ações de conscientização sobre a importância da preservação ambiental. Transformaram cada evento em uma aula prática de cidadania, cada atividade em uma demonstração de que é possível cuidar coletivamente dos bens comuns, cada encontro em uma semente de esperança. São verdadeiros visionários ambientais. Enquanto muitos viam apenas custos de manutenção, eles enxergavam benefícios incalculáveis para a saúde pública. Em tempos de crescente urbanização e estresse urbano, o Parque do Palácio representa muito mais que beleza paisagística, é uma farmácia natural a céu aberto. Estudos científicos comprovam que o contato com áreas verdes reduz a pressão arterial, diminui os níveis de cortisol, fortalece o sistema imunológico e melhora significativamente a saúde mental da população. Para os canelenses, especialmente para nossas crianças e idosos, este espaço oferece ar puro e microclima saudável em meio à poluição urbana, espaço para atividade física natural através de caminhadas, corridas e exercícios ao ar livre, ambiente de socialização saudável para todas as idades e educação ambiental prática para as futuras gerações. Quantas famílias encontraram no parque um refúgio para aliviar as tensões do dia a dia? Quantas crianças descobriram ali o amor pela natureza? Quantos idosos encontraram paz caminhando entre suas árvores? O Parque do Palácio é, literal e metaforicamente, um remédio gratuito e permanente para nossa comunidade. Todo o grupo representa uma escola de virtudes cívicas: paciência para lidar com a lentidão burocrática, inteligência para formular propostas técnicas viáveis, carisma para conquistar apoios, resistência para suportar derrotas temporárias, humildade para celebrar vitórias coletivas, e acima de tudo, uma fé inabalável na possibilidade de mudança através do trabalho conjunto e bem-intencionado. Eles são heróis reais, de carne e osso, que vivem entre nós. Não precisaram de superpoderes para salvar o mundo, usaram apenas as ferramentas da cidadania consciente, do trabalho voluntário dedicado, do amor genuíno pela comunidade. Provaram que pessoas comuns podem realizar feitos extraordinários quando movidas pelo propósito correto e sustentadas pela determinação inabalável. O exemplo dos Amigos do Parque do Palácio deveria ser ensinado em todas as escolas de Canela, do Rio Grande do Sul e do Brasil. Seus nomes deveriam constar nos anais da história municipal como os cidadãos que provaram que é possível, sim, fazer a diferença. Que pequenos grupos de pessoas determinadas podem mudar o destino de cidades inteiras. Que o amor pela terra onde vivemos é capaz de mover governos e transformar leis. Eles são a prova viva de que ainda existem pessoas dispostas a lutar por causas maiores que elas mesmas. Em tempos de individualismo exacerbado, de descrença nas instituições, de cinismo político generalizado, eles restauraram nossa fé na capacidade humana de construir coletivamente um futuro melhor. – O Parque do Palácio voltou a ser nosso. Mas nunca deixou de ser deles, daqueles que o mantiveram vivo em seus corações mesmo quando ele parecia perdido para sempre. – Que esta história inspire outros grupos, em outras cidades, a não desistir daquilo que consideram essencial. Que o exemplo dos Amigos do Parque do Palácio seja como as sementes que o vento espalha, germinando em outros corações o mesmo amor, a mesma determinação, a mesma certeza de que vale a pena lutar pelo que faz nossa vida mais bela, mais saudável, mais humana. Em nome de todos os canelenses, os de hoje e os de amanhã, nosso mais profundo reconhecimento e nossa eterna gratidão aos Amigos do Parque do Palácio. GRAZIELA HOFFMANN Vereadora do PDT