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materia nº 67/2022

Tipo Projeto de Lei Ordinária
Número / Ano 67 / 2022
Date 2022-05-12
EmentaDenomina de Rua Padre Reinaldo Wiest a atual rua B do Loteamento Schroeder que está localizado a partir da Rua Paulo Bettin Filho, na Vila Guido Otto.
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Autoria

Tramitação (latest 8)

DateStatusTurnoTexto
2022-07-13 Ao Arquivo para as Providências Cabíveis Sancionado pela lei nº 5.330/2022.
2022-06-20 Aguardando sanção governamental Encaminhado pelo ofício nº 184/2022/SCV.
2022-06-20 Proposição aprovada
2022-06-14 Aguardando discussão e votação em plenário Incluída na ordem do dia 15/06/2022.
2022-06-14 Aguardando a inclusão na ordem do dia
2022-05-25 Aguardando emissão de parecer da comissão
2022-05-12 Para Conhecimento e Envio às Comissões Incluída na ordem do dia 16/05/2022.
2022-05-12 Aguardando a inclusão na ordem do dia

Votações

DateResultadoSimNãoAbst.
2022-08-03T13:51:26.551573-03:00 Aprovado por Unanimidade 14 0 0

Documents (1)

texto original #

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PROJETO DE LEI ORDINÁRIA





SENHOR PRESIDENTE; SENHORES VEREADORES:



CONSIDERANDO, o disposto no Art.14, Inc.XIV da Resolução Nº 034/2008;

CONSIDERANDO, o disposto no Inc. III do § 1º do Art. 182 da Lei Orgânica do Munícipio;

CONSIDERANDO, que objetivo do projeto visa unicamente regulamentar o que já esta previsto em projeto aprovado junto a Prefeitura Municipal.

CONSIDERANDO, que já existe via no mesmo sentido.

Diante do Exposto o vereador signitário apresenta incluso projeto de lei que: Denomina de Rua Padre Reinaldo Wiest a atual rua B do Loteamento Schroeder que está localizado a partir da Rua Paulo Bettin Filho, na Vila Guido Otto.













Sala de Sessões Joaquim de Deus Nunes Canguçu/RS, 12 de maio de 2022.





Jardel Souza de Oliveira

Vereador Bancada PSDB









PROJETO DE LEI ORDINÁRIA





Denomina de Rua Padre Reinaldo Wiest a atual rua B do Loteamento Schroeder que está localizado a partir da Rua Paulo Bettin Filho, na Vila Guido Otto.

Jardel Souza de Oliveira, Vereador da Bancada

do PSDB, no uso de suas atribuições apresenta o presente Projeto de Lei.

Art. 1º Fica Denominada de Rua Padre Reinaldo Wiest a atual rua B do Loteamento Schroeder que está localizado a partir da Rua Paulo Bettin Filho, na Vila Guido Otto, conforme bibliografia da pessoa em anexo. 

Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.



























12 de maio de 2022, Canguçu/RS





MARCUS VINICIUS MULLER PEGORARO

Prefeito Municipal













RESUMO BIOGRÁFICO DO PADRE REINALDO WIEST

(26/07/1907 – 27/01/1967)







Nascido em 26 de julho de 1907, numa localidade chamado Morro Reuter na cidade de Dois Irmãos, região serrana do Estado do Rio Grande do Sul, nascia Vicente Reinaldo Wiest. Seus avós eram emigrantes da Região Hunsrück, na Alemanha, aportaram em são Leopoldo em meados do Século XIX. Seus pais Felipe Wiest e Carolina Kieling Wiest, eram colonos e praticantes do catolicismo e fixaram morada em Dois Irmãos na subida da Serra Gaúcha.  Reinaldo Wiest era o 11° de um total de 15 filhos, dos quais três se consagraram ao serviço eclesiástico.  Em 1921, Reinaldo se matriculou no Seminário Menor de São Leopoldo, e no dia 3 de dezembro de 1933, Dom Joaquim Ferreira de Mello lhe conferiu a Ordenação Sacerdotal na Matriz de São Miguel em Dois Irmãos. No início do ano seguinte, foi nomeado coadjutor da Catedral de Pelotas, iniciando assim sua missão sacerdotal. Dedicava-se particularmente à catequese, à assistência aos doentes e às visitas às famílias da periferia da paróquia.



Em maio de 1936, Dom Joaquim Mello lhe conferiu a Paróquia de Piratini, reconstruindo a Igreja Matriz incendiada e dedicando-se à assistência espiritual, moral e material dos paroquianos daquela localidade. Segundo relatos coletados para este trabalho, Padre Reinaldo viajava constantemente a cavalo às escolas e as famílias do interior do vasto município da Primeira Capital Farroupilha. O Padre Reinaldo demonstrava grande interesse pelas vocações sacerdotais, esmerava-se na formação de seminaristas oriundos de suas paróquias. É lembrado por viver na mais absoluta pobreza, repartindo os poucos bens e recursos que possuía com a população mais humilde. Um dos Projetos assistenciais que o Padre Reinaldo Desenvolveu foi a “Horta da Vitória” implementado ao redor, da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, “Diariamente mendigos e esfarrapados, e famintos subiam as escadas da matriz para pedir ao seu Vigário, um punhado de verduras, e todos saiam satisfeitos”. Além da Horta, criou também uma Escola Agrícola Santo Isidoro, para crianças carentes.  

Segundo o Escritor Luiz Carlos Barbosa Lessa, paroquiano e amigo seu, eminente Intelectual, pensador e folclorista do Rio Grande do Sul, figura esta que também possui raízes em Canguçu/RS, assim o Definiu o Padre Reinaldo, em Junho de 1950, na revista do globo:

“Segundo o Conselho Bíblico ‘vai dá tudo o que tens aos pobres e segue-me’; Padre Reinaldo distribuía entre os seus paroquianos necessitados tudo o que possuía. Tempo houve em que dormia no chão duro, num quartinho que servia simultaneamente de sacristia, sala de jantar, cozinha e dormitório. Ainda hoje só tem uma batina porque as outras ele as distribui entre os indigentes da redondeza. É com essa batina que o vigário de Piratini celebra Missa, disfarçando a sujeira com a sobrepeliz, fazendo suas viagens a cavalo, encobrindo os rasgões com o tapa-pó e eventualmente, trabalha na horta de enxada em punho. É verdade que já possui uma casinha, embora cheia de goteiras, com uma cama e uma mesa. Seu amor ao próximo, no entanto, continua o mesmo e toda sua vida é dedicada não só a salvação das almas do seu rebanho, mas também a melhoria das condições de vida dos seus paroquianos”

Em 02 de Março de 1958, assume a Paróquia Sant’Ana, na Colônia Maciel, localizado no 8º Distrito de Pelotas/RS, por ordem do Bispo Dom Antônio Zattera. Colônia formada principalmente por imigrantes italianos e alemães, aliás, único reduto de imigrantes italianos na região sul do Rio Grande do Sul.

Podemos presumir que as comunidades sentiam-se protegidas pelo padre. A noção de paternidade (“Os pobres chamavam ele de pai”), devia resultar deste tipo de sentimento, um sentimento de proteção. Além disso, é possível destacar que as realizações sociais do pároco podem agregar a chegada do “progresso” às comunidades envolvidas. Distantes dos centros urbanos, estas comunidades tinham dificuldades para receber melhorias de infraestrutura e saúde, de modo que algumas iniciativas do padre proporcionavam melhorias que estes poderiam interpretar como “progresso”. Portanto podemos afirmar que as iniciativas de padre Reinaldo cooperam para o fortalecimento dos grupos étnicos e suas identidades. Visto que estas comunidades em que atuava, em boa parte ainda se compunham à época de grupos que, dada a origem étnica dos povoadores das colônias fundadas no final do século XIX e início do século XX, mantinham uma identidade étnica diferenciada, devido a sua origem como “italianos”, “franceses” ou “alemães”. As melhorias trazidas pelas iniciativas do padre Reinaldo fomentavam a melhoria da autoestima destas comunidades, proporcionando assim um reforço de seu sentimento de pertença ao local, paralelamente ao fortalecimento desses grupos étnicos, aspecto que deve ter contribuído para o forte enraizamento do prestígio partilhado nestas comunidades com relação a padre Reinaldo.

Padre Reinaldo ainda é idealizador da Sociedade Rural de Assistência Médica, criada em março de 1961, e que funcionava na casa canônica. A sociedade tinha por objetivo que seus associados não tivessem que se deslocar até as cidades de Pelotas ou Canguçu para consultas médicas.  Padre Reinaldo também menciona esta sociedade, sem porém se colocar como responsável pela iniciativa. Sociedade de assistência médica que foi fundada com 68 sócios contribuintes.  Dr. Saul Katz foi o médico indicado e ia uma vez por semana até a Colônia Maciel onde funciona o consultório hospitalar na Canônica casa provisoriamente (LIVRO TOMBO PARÓQUIA SANT´ANA, 1961, p.44/B).

Dom Antônio Zattera avaliava positivamente o paroquiado de padre Reinaldo na Vila Maciel, em razão de manter com bom número de fiéis assíduos na paróquia e nas comunidades, de garantir bom estado de conservação da igreja e capelas, e por assegurar apoio, vindo das comunidades, às instituições amparadas pela Diocese de Pelotas. Os colonos necessitavam também de auxílios médico-previdenciários, que não eram fornecidos de maneira gratuita àqueles que não contribuíssem ao INPS. Assim, sempre engajado na luta por esses direitos, o Padre Reinaldo foi um dos criadores da Sociedade Rural de Assistência Médica e responsável pela aquisição de leitos na Santa Casa de Misericórdia de Pelotas, uma vez que o seu sonho, era ver um hospital na Vila Maciel. Vemos, entre os moradores da região mesmo nos dias atuais, tanto em Piratini/RS, como na Vila Maciel, bem como noutras localidades do Interior de Pelotas/RS, e até mesmo no Interior do Município de São Lourenço do Sul na localidade chamada de São João da Reserva, onde por um breve tempo, o Padre Reinaldo trabalhou há um sentimento de preservação da memória do pároco como demonstração de respeito à sua figura, pela importância histórica do legado que o mesmo deixou.  O povo da Colônia sempre o amou muito!

Além de todo este empenho nas iniciativas acima mencionadas, o Padre Reinaldo tinha uma preocupação muito grande com a juventude e seus afazeres, na colônia Maciel, observando que os jovens trabalhavam e iam aos bailes, tratou logo de convencer os paroquianos a se organizarem e criarem um campo de futebol, para que a prática destes esporte também fosse uma alternativa a juventude daquela localidade. Registro importante, que o Padre através da Paróquia Sant’ana, fazia significativas doações ao Instituto de Menores de Pelotas, que educava meninos carentes e de rua.

 O Padre Reinaldo, tendo ido ministrar a missa em Morro Redondo, na Comunidade Nosso Senhor do Bonfim, em 26 de janeiro de 1967, sentiu-se mal. Na manhã de 27 de janeiro, foi encaminhado ao hospital de Canguçu com muita dor em seu peito, chegando extenuado e lívido e recebido pela enfermeira Julieta Theil, que imediatamente chamou o médico de plantão. O Dr. Francisco Carlos dos Santos, o recebe ajudando primeiramente a tirar as botas do padre e o acomodar na cama, em seguida examinou a Pressão arterial e auscultou o coração, o Dr. Carlos já de pronto vê que a situação é grave e comenta com as demais enfermeiras que se aproximam, que o Padre Reinaldo tem poucas horas de vida... Em Seguida Chamam o Padre Zomar Garcia, que o próprio Padre Reinaldo o tinha enviado ao Seminário, para dar a extrema unção... Logo após o Padre Zomar chega e acontece um encontro comovente... Mestre e Discípulo... Padre Zomar ouvia a confissão e absolvia seu velho Vigário. Padre Reinaldo recebeu em plena lucidez, a Unção dos Enfermos e a Benção Apostólica. Reinaldo Vendo o Dr. Carlos dos Santos ao lado da Cama, agradece por todo esforço, as enfermeiras, depois silencia e fica em oração, logo entrou em agonia, plácido e sereno assistido por um padre, uma freira que ele orientou também para a vida consagrada, do Médico, entregou sua alma a Deus... Eram 13 horas do dia 27 de Janeiro de 1967, ele completara 59 anos de feliz e profícua existência aos seus semelhantes. O Sino da Igreja Matriz de Canguçu, naquela tarde abafada de Verão Dobrou, anunciando a morte do Bom Padre Reinaldo Wiest. O Padre Zomar comunicou a infausta noticia ao Bispado, a Piratini, e a Vila Maciel. A Estação de Rádio de Canguçu, anunciou a sua morte pelos municípios vizinhos. Os Piratinienses acorreram para levar o corpo para Piratini, mas os habitantes da Colônia Maciel, reclamavam os restos mortais de seu santo popular. Contenda resolvida pelo Bispo Dom Ângelo Mugnol, que sentenciou que deveria ser sepultado em sua última paróquia. O velório foi na Paróquia Matriz Sant’Ana, da Colônia Maciel. Os Sinos dobravam quando os fiéis de Piratini, da Vila Maciel e arredores, acompanharam o féretro ao cemitério situado em frente a Paroquia Sant’Ana, outra menção importante, era o grande número de evangélicos luteranos que foram se despedir do Padre, uma vez que Reinaldo falava fluentemente o alemão, assim conquistando a amizade e admiração daqueles cristãos que não eram católicos...



HOMENAGENS PÓSTUMAS

■ Livro “O Vigário da Campanha” escrito pelo Padre Carlos Johanes. Considerado como a Biografia de o Padre Reinaldo Wiest.

■ O projeto de Lei Nº63/67 de autoria do vereador Erotildes Peres Ávila, então presidente da Câmara de Vereadores de Piratini, aprovado e sancionado pelo prefeito Dr. Décio Alberto D´Ávila, denominou de Largo Padre Reinaldo Wiest o logradouro então conhecido como Largo da Matriz. Situado aos fundos da sede da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, entre as ruas Comendador Freitas e 20 de Setembro, este espaço antes de ser denominado Largo da Matriz, havia sido conhecido como Praça do Teatro, por achar-se junto ao antigo Teatro Municipal 7 de Abril.

■ Piratini também tratou de homenagear o pároco colocando seu nome em um dosbairros. O bairro Padre Reinaldo Wiest está localizado na parte sul da cidade, no principalacesso da cidade pela BR 293. A poucos quilômetros pela RS 702 à direita é possívelavistá-lo.

■ A Comunidade Padre Reinaldo Wiest, localizada a rua Hildebrando Garcia, número 81, com missas todos os sábados às 18 horas, em Piratini/RS

■ Existe também um CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), que atende diversos serviços de assistência social para cidadãos em vulnerabilidade social, como habitação, recursos alimentícios e também pessoas com dificuldades de saúde mental, com diversas atividades para o seu desenvolvimento social em Piratini/RS, que leva seu nome.

■ Existe a Escola de Ensino Fundamental Padre Reinaldo que funciona no primeiro distrito da cidade de Piratini/RS, chamado Coxilha Santo Antônio, com cerca de 120 alunos entre ensino infantil e ensino fundamental Municipal. 

■ No núcleo urbano da Vila Maciel, Sétimo Distrito de Pelotas/RS está localizado a Rádio Comunitária Padre Reinaldo FM. 

■ “Um santo pelos braços do povo”: A trajetória e devoção a padre Reinaldo Wiest, em Pelotas e Piratini - RS. Por TICIANE PINTO GARCIA. Dissertação de Mestrado, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Pelotas como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em História. Orientador: Prof. Dr. Fábio Vergara Cerqueira.







Fonte de Pesquisa: Livro “O Vigário da Campanha” escrito pelo Padre Carlos Johanes, e padre Reinaldo Wiest, em Pelotas e Piratini - RS. Por TICIANE PINTO GARCIA. Dissertação de Mestrado, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Pelotas.



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