ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
CÂMARA MUNICIPAL DE MONTENEGRO
Montenegro Cidade das Artes * Montenegro
ERMARE RUNICIPAL GE MONTENEURO
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PROJETO DE LEIN.º 016/12 | 24, 06 une
Denomina de ISOLINA MARIA
BONDAN a Pediatria da Secretaria
Municipal da Saúde.
Art, 1.º A Pediatria da Secretaria Municipal da Saúde, localizada na Rua
Campos Neto, passa a denominar-se Pediatria ISOLINA MARIA BONDAN.
Parágrafo único. Na placa indicativa deverá constar, logo abaixo do
nome, “Parteira”.
Art. 2.º Faz parte integrante da presente lei o anexo I, contendo os
dados pessoais da Sra. Isolina Maria Bondan.
Art. 3.º A presente Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Sala de Sessões, 26 de junho de 2012.
| CAMARA UNICA
É Discutido e votado CLEO
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ÊO: Votos a favor
a Abstenções.
Edente TT. Votos contra.
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LS/DEB
“DOE ÓRGÃOS, DOE SANGUE: SALVE VIDAS”
ANEXO I
CURRICULUM VITAE
Isolina Maria Bondan
Nasceu em 12 de fevereiro de 1910, em Machado, interior de Farroupilha, distrito de
Montenegro; tendo por pais, João Baptista Neis e Maria Filomena Martinazzo, ambos
agricultores.
Isolina Maria viveu até os 16 anos com seus pais. Em 1927, aos 17, anos casou-se
com Pedro Maurício Bondan. Residiram, inicialmente, no salão de baile em São Vendelino
(7.º distrito de Montenegro), onde, em 1928, nasceu seu primeiro filho, Braulino Antônio
(Bancário Aposentado). Em 1930, nasceu, na residência de seus avós maternos, Maurício
Emílio (falecido em 2011). Residiram, logo após, em um bairro mais afastado do centro
onde, em 1932, nasceu a terceira filha, Nayr Maria (Professora Aposentada).
Viviam até então da produção agrícola, quando surgiu para seu esposo, Pedro
Maurício, o convite para exercer o serviço de estafeta dos correios e telégrafos, no trajeto
entre as localidades de São Vendelino e Montenegro. Esse percurso era realizado a cavalo,
levando três dias para a ida e volta.
Passaram-se cinco anos — 1932 a 1937, quando a comunidade de São Vendelino
sentiu a necessidade de ter a presença de uma parteira prática. Padre Alfredo Kaspary, o
Pároco de São Vendelino, encabeçou a decisão e reuniu um grupo de famílias moradoras da
vila para encontrar uma candidata para o cargo. A escolha recaiu em Isolina Maria, tendo
ela prontamente aceitado o convite, Porém, para isso, teria que se afastar da família, pois o
curso seria realizado na Santa Casa de Misericórdia, em Porto Alegre.
Com quem deixar os filhos
de nove, sete e cinco anos, uma
vez que Pedro Maurício ficava
ausente por três dias na semana? A
solução apareceu junto a três irmãs
de Pedro Maurício. As cunhadas de
Isolina Maria se prontificaram em
acolhê-los.
Isolina então foi. Voltou
cerca de um ano após para assumir
o desafio no trabalho de parteira.
R Iniciou seus atendimentos nas
proximidades, deslocando-se sempre com a utilização de um cavalo.
ax
A primeira providência foi o retomo de seus três filhos, indo todos residirem no
centro da vila onde Pedro Maurício já estava estabelecido. Em 1948, Pedro Maurício foi
transferido para Montenegro, tendo Isolina
permanecido ainda até 1951, quando então
decidiu também ir para Montenegro. Atendeu
ainda as últimas parturientes que já
acompanhava e seguiu para organizar a sua nova
morada.
Em Montenegro, a notícia sobre sua
atividade espalhou-se rapidamente entre a
vizinhança que possuíam familiares grávidas.
Após uma parada de quase um ano, Isolina
começou a atender, definitivamente, em
Montenegro e o primeiro parto realizado foi o
nascimento da filha da esposa de Policarpo da
Silva, em 1952. O 6.º parto foi feito na filha de
sua vizinha, Neida Becker Lerch, esposa de
Ricardo Lerch, em 23 de dezembro de 1952,
totalizando, de outubro a dezembro daquele ano,
sete partos.
Realizava atendimentos domiciliares,
hospitalares, pela Legião Brasileira de Assistência
e pela Prefeitura Municipal.
Quando realizava o primeiro
contato com as pacientes, fornecia seu
endereço para que pudessem encontrá-la
facilmente. No sétimo mês de gravidez,
realizava um exame para constatar se a
criança estava na posição correta para o
parto normal. Caso isto não ocorresse,
era necessário fazer a “versão”. Por
vezes, até o sexo ela antecipava!
5 Nas residências, acompanhava
com muita atenção o transcorrer da gestação antecipando, muitas vezes, a necessidade de
conduzir as pacientes até o hospital em busca de mais recursos. Atendia a todos que a
procuravam, acompanhando posteriormente e ficando responsável pelos banhos até o
cordão umbilical cair.
Com o tempo, os médicos começaram a
realizar os partos nos hospitais, porém, ainda
eram as parteiras que atendiam nas
residências. Quando ocorriam casos mais
graves, acompanhava as pacientes até o
hospital, para que fossem atendidas por um
médico. Atuava dessa forma, em conjunto
com os médicos, tendo tido um grande
entrosamento com o Dr. Ubirajara Rezende
Mattana.
Em sua vida profissional em Montenegro, de
outubro de 1952 a 08 de julho de 1967, atendeu 2.538 gm mero DE
partos, sem contar os gêmeos. Somente em um mês, : «SB Posto DE Horexe MONTENEORO
de 1.º a 30 de junho de 1966, fez 38 partos. Todos -.- Notiidigão DE TnasomaNio
eles estão registrados e guardados até hoje. Cada parto -naijaá pominização
realizado era registrado e notificado ao Posto de Saúde | Det fo nascimento:
que, por sua vez, carimbava o comprovante. Algumas :
parturientes atendidas: Eni Biúhler, Elita Leipnitz
Griebeler, Norma Hummes, Sônia Roeh. Atendeu
também o parto de suas duas noras, Ana Dulce
Oppermann Bondan e Ivone Bondan. Em outras
oportunidades, devido a muitas “encomendas”, atendia
a mais de um parto por dia, como os casos de Ione
Dornelles e Áurea Joaquina de Oliveira, realizados em
atendimento domiciliar, na data de 02 de fevereiro de 1960.
Faleceu após uma cirurgia na coluna, em 04
de fevereiro de 1982, com 71 anos. Isolina Maria
encontrou nesta profissão a realização de sua vida,
tendo sido lembrada até hoje por montenegrinos
nascidos através de suas mãos, por sua dedicação,
competência e o amor à profissão que lhe era
peculiar.