| Tipo | Requerimento |
|---|---|
| Número / Ano | 55 / 2025 |
| Date | 2025-05-22 |
| Ementa | Moção de Congratulação pela passagem dos 40 anos de fundação do Balneário Mostardense, celebrados neste ano de 2025. |
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CÂMARA MUNICIPAL DE VEREADORES DE MOSTARDAS ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL REQUERIMENTO Autor: Todos os Vereadores Encaminhamento: Balneário Mostardense Data: 22 /05/2Z075 Hora: IS: 2L EXPEDIENTE N.º 055/2025 Recebido por: Exmo. S.º JUNIOR PEREIRA DD. Presidente da Câmara Municipal de Vereadores Mostardas/RS Os vereadores que este subscrevem requerem, nos termos regimentais, que seja encaminhada Moção de Congratulação pela passagem dos 40 anos de fundação do Balneário Mostardense, celebrados neste ano de 2025. É fundamental destacar que o Balneário Mostardense, como território de vivência, resistência e produção de saberes, antecede em muito sua formalização como balneário turístico. Essa região, tradicionalmente chamada de Praia Nova, foi e continua sendo o lar de inúmeras famílias de pescadores artesanais, que ali consolidaram seus modos de vida, suas culturas, suas memórias e laços comunitários profundos. Desde a Praia do Coqueiro até a altura do Pai João, estendia-se uma faixa litorânea marcada pela presença constante das famílias Vieira, Tomásia, Teixeira (do Maneca), entre outras, que se fixavam nas barrinhas e praticavam a pesca de beira de praia, de cabo e na Lagoa do Peixe. O comércio era feito pela beira-mar, com escambo e venda de pescado a compradores de todo o estado e até de fora, em uma época em que o acesso por estrada inexistia. A pesca artesanal e a salga do peixe eram atividades econômicas centrais, sustentando as famílias e moldando uma cultura de profundo respeito ao território e à coletividade. As crianças caminhavam até 4 “ km para estudar na escola do Coqueiro, onde lecionava a professora Bete, esposa de pescador. Depois, a escola foi transferida para a Praia Nova e, posteriormente, adaptada como posto de saúde, mostrando a capacidade de adaptação e resiliência dessa comunidade. Entre os episódios que marcaram a história local está o do falecimento do esposo de dona Tomásia, seu Joao Manoel Vieira, cujo corpo precisou ser levado até Cidreira em um caminhão de peixe por falta de estrada, o que motivou a mobilização da comunidade por infraestrutura digna. Neste contexto de mobilização e transformação para criação do Balneário Mostardense, destaca-se a figura de Etilo Manoel de CAMARA MUNICIPAL DE VEREADORES DE MOSTARDAS Araújo, vereador na 5º Legislatura (1983-1988), suplente nas 6º e 102 Legislaturas, nas quais atuou pelo PDT e pelo PTB, respectivamente. Nascido em 6 de janeiro de 1940, filho de Patrocínio Manuel de Araújo e Virgínia Maria de Araújo, Etilo foi orizicultor, líder comunitário, presidente da Sociedade Amigos do Balneário Mostardense e um dos grandes idealizadores da abertura da estrada do Balneário, sendo esse um marco definitivo para o desenvolvimento da região. Casado com Ana da Silva Machado Araújo, teve os filhos Giordane, Gilberto e Silvio (adotivo), e os netos Giandra, Gilvan, Manoela, Gabriela, Rodrigo, Isadora e João. Etilo estudou na Escola do Valim com a professora Cecília e deixou uma contribuição inestimável à vida pública e comunitária de Mostardas. Liderou, junto à comunidade, a doação de equipamentos(tratores, troles), madeira e insumos para a abertura da estrada, coordenou a instalação da rede elétrica de Mostardas ao Balneário, símbolo de união e protagonismo popular. Também foi dirigente da APAE e concorreu ao cargo de vice-prefeito na 9º Legislatura ao lado de Gilmar Sessim Gil. Sua trajetória é símbolo de compromisso com o bem comum e com a consolidação do Balneário Mostardense como espaço de vida e cidadania. A formação do Balneário Mostardense se dá sobretudo por um processo eminentemente comunitário. Esta foi a descrição dada por seu José Dias Machado, o seu Zé Machado, filho de Waldemar Vitorino Machado e Miguelina Inácia Machado e seu sobrinho Paulo Ronaldo Machado da Costa, mais conhecido como Paulão, em um relato repleto de memórias e lembranças de tempos difíceis, mas que a solidariedade e o espírito cooperativo ajudaram a superar as adversidades. Segundo eles, “a história do Balneário Mostardense começou com o esforço coletivo da comunidade, na base da união e do trabalho voluntário” mas que a primeira semente foi plantada pelo prefeito Luiz Chaves Martins, que sempre disse que toda cidade tem que ter um acesso para o mar. Quando o avanço das dunas ameaçava os primeiros núcleos, a solução foi construir esteiras de cisco para segurar os combros. A prefeitura colaborava, e quatro tratores trabalhavam com pessoas contratadas para coletar e espalhar o material. Após a colheita do arroz, formou-se um grande mutirão de cerca de três meses, no qual moradores cediam tratores, combustível ou contribuíam financeiramente com o que podiam. Toda essa organização era liderada por Etilo Manuel de Araújo, que coordenava as frentes de trabalho com liderança e visão comunitária. Para seu Zé, quem fundou o Balneário foi a própria comunidade. Antes da Praia Nova, a praia mais frequentada eram o Farol e depois, o Pai João, acessada por carretas de boi. Quando Zé Machado chegou, existiam apenas dois ranchos: o de Adolfo Galvão e o de Antônio Lica. Com a chegada de mais moradores, começou-se a cercar terrenos, fundar a vila e até criar um clube. O Pai João era uma comunidade viva, com festas, visitas, licor, merengue, Ternos e muita convivência. Seu Zé lembra com saudade de quando tudo era simples e comunitário. Foi um dos primeiros associados do clube local, presidido por Luiz Pinido, frequentado por moradores de Mostardas, Viamão, Porto Alegre e Canoas. Luiz Penido sugeriu, inclusive, a simbólica imagem da garrafa de Velho Barreiro como símbolo da Praia. CÂMARA MUNICIPAL DE VEREADORES DE MOSTARDAS A Praia Nova só surgiu mais tarde, com terrenos sendo vendidos não para lucro, mas para arrecadar recursos para instalar a rede elétrica, adquirida pelo esforço da própria comunidade. Jair Garcia foi o responsável pela medição dos lotes e pela abertura das ruas, planejadas de forma ampla e funcional. A estrada de acesso começou a ser traçada quando os moradores precisavam deslocar o gado para os campos — Luiz Paulino e Moreno foram abrindo trilhas que depois se consolidaram como caminho viável. O depoimento da professora Aura Stephanou também ilumina essa história, ao narrar que, em 1984, quatro mostardenses apaixonados pela terra — Amaury Guerreiro Teixeira, Antônio Lucas, Etilo Manoel de Araújo e Homero Velho Guerreiro — ousaram sonhar com um acesso ao mar defronte à cidade de Mostardas. Na época, o então prefeito Telmo Lemos os chamou de loucos, pois seria necessário atravessar um imenso banhado. Mas a união fez o impossível acontecer. Com o apoio da comunidade, que reuniu tratores, tombadeiras e força de trabalho, foi realizado um mutirão. Um abaixo- assinado garantiu da prefeitura um carregador, fundamental para iniciar o aterro. Os primeiros caminhões de aterro desapareciam no banhado, sendo preciso colocar paus e madeiras para firmar o terreno. A travessia do banhado durou cerca de 10 dias, permitindo finalmente o acesso precário à praia. Com a mobilização crescente, a prefeitura fez convênio com a empresa Companhia Intermunicipal de Estradas Alimentadoras do Rio Grande do Sul - CINTEA, que deu continuidade ao trabalho, enquanto o plano de loteamento ficou a cargo da administração municipal. A comunidade, por sua vez, organizou campanhas para contenção das dunas, eletrificação e construção da sede social e da capela, sempre com a liderança ativa de Etilo Manoel de Araújo. A energia elétrica chegou em 1987, fruto direto desse esforço coletivo. A criação da Sociedade Amigos do Balneário Mostardense, em 06 de março de 1988, coroou esse espírito comunitário, consolidando o território como espaço legítimo de organização popular e atuação institucional. A história da ocupação e do uso sustentável da região remonta ainda mais longe no tempo. No ano de 1821, o naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire registrou em diário de viagem o seguinte relato sobre a Lagoa do Peixe: “A Lagoa do Peixe se estende por detrás da casa em que nos hospedamos; têm pouca profundidade suas águas salobras. Como fica muito próxima do mar, os moradores da região habituaram-se a abrir, de quando em quando, um sangradouro que comunica com o oceano; a lagoa enche-se de peixes que se apanham sem dificuldade. Nos arredores de Guaritas, as terras são impregnadas de sal, e as pastagens transmitem um excelente sabor à came das reses.” Esse fragmento revela que há mais de dois séculos a população local já manejava com sabedoria os recursos naturais, revelando um modo de vida tradicional e resiliente que perdura até os dias atuais. CAMARA MUNICIPAL DE VEREADORES DE MOSTARDAS Hoje, o Balneário Mostardense passa por um momento de consolidação e transformação com o crescente aumento de moradores. Nos últimos anos, vem enfrentando importantes desafios ligados à regularização fundiária e ambiental, especialmente em decorrência da Ação Civil Pública dos Balneários e da necessidade de licenciamento ambiental integrado. Sua inclusão no Plano Diretor de Mostardas e o Licenciamento Ambiental em 2019 foi um passo estratégico para reconhecer a ocupação consolidada e orientar o crescimento urbano com sustentabilidade. O aumento populacional permanente, o fortalecimento do comércio local e a crescente busca por moradia na região demonstram a vitalidade do Balneário e reafirmam a necessidade de políticas públicas que valorizem seu passado, atendam ao seu presente e preparem um futuro digno para sua população, sobretudo com melhorias na infraestrutura, transporte, comunicação e acesso as políticas de saúde, educação e assistência social. O reconhecimento legal e institucional desse território também se deu em marcos importantes da legislação municipal. A Lei Municipal nº 1.047, de 1993, delimitou oficialmente a área urbana do Balneário Mostardense, reconhecendo sua consolidação como núcleo urbano. Posteriormente, com a evolução do ordenamento territorial, a Lei Municipal nº 4.035, de 2019, acrescentou o inciso VII ao artigo 7º da Lei nº 2.595/2009, criando a Macrozona de Orla Costeira, que inclui o Balneário Mostardense no Plano de Desenvolvimento Físico Urbano (PDFU) do município, conferindo diretrizes específicas para seu desenvolvimento sustentável e integrado, considerando seus aspectos ambientais, culturais e sociais. Celebrar os 40 anos do Balneário é, portanto, valorizar também a ancestralidade das famílias pescadoras, a luta por dignidade, o protagonismo das lideranças comunitárias e a história viva de um território construído pelo trabalho, pela resistência e pelo amor à terra. Com esta Moção, o Poder Legislativo Municipal rende justa e singela homenagem à memória coletiva e às contribuições sociais, econômicas, ambientais e culturais do Balneário Mostardense. Que os próximos anos sejam de valorização de suas raízes, escuta ativa das comunidades tradicionais e fortalecimento de políticas públicas inclusivas e sustentáveis. Parabéns a todos os moradores, pescadores, veranistas, lideranças comunitárias e empreendedores que fazem parte desta história. Atenciosamente, Mostardas, 20 de maio de 2025. sm AR dee ve a) CÃ MUNICIPAL DE VEREADORES DE MOSTARDAS ) M . Ge AMARO MARCELO PEDONE DANGELO MOTTA CESARGALDINO eador PSDB Vereador PSDB Vereador PDT Vereador PDT DUDU VERARDI EDINEI MACHADO GABRIELA SARAIVA JESSICA PEREIRA Vereador PP Vereador PP Vereadora MDB Vereadora PP JUNIOR PEREIRA Vereador MDB