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ot. n.o 67 9 / 86
Proo. tr.o 45 . 5za-45, 854-45 . 994-
46 .023-46. 03 r . -
EAÍAOO OO RIO OEANDE DO SUL
cÂMÀRÂ MUNICIPÂIJ Do RIo GRANDE
Rio Grande 2/ de novembro de 1.986.
E:rmo. §r.
RUBENS EMIL CORRÉA
DD. Prefeito Munlcipal
Nesta.-
Teoos a honra de paerar àe Eitos de V. r-xa., pâra os devido8 fins, a(õ)
lnolu.§a(s) cópiu(s) do(s) proce6so(s) âprovado(§) po? eÊte Legisl8tivo Municipal, em
seesâo reallz{da, ontem .
Apraz-nos, com o eDsejo, reDovor a V. Exa. or protestos de nrreeo elevado apreço e distiDts coneideragáo.
/\(. L c(
Ç
C.
VET. RENATO ESPÍNDOLA ATBUQ
Presidente
ANEXO
Proj . de LeÍ que
Proj . dê Lei que
Proj . de Lei que
Froj. de Lei. que
Proj . de LeÍ que
cc Procetso (DS )
sNH/.-
,DÁ A DENoMTNAÇÃo DE WTLMAR TAVAREÍ;, A uMA I
VIA PÚBLICA DO NOSSO MUNICÍPIO.I'
UDÁ A DENoI.{INAÇÃo DE ELEUTISRIo @iÁVIo DE
CARVAI,HO A UMA VIA PÚBLICA DO D]STI:ITO DE FO
vo Novo. n
ÍDÁ A DENol4tNAçÃo DE ,ALEXANDRE EM,ES,, A rrMA VIA PÚBLICA Do I{UNICÍPfO.''
,'DÁ A DENoMINAçÃo DE AVENTDA PRESTDEI{|E TAN_
CREDO NEVES A UMA VIA PÚBLICA DO NOSSO MUNI- cÍPfo.
"
"DÁ ].IoVA REDAçÃo Ao ARTTGo 19 DA L},f N9 3983 DE f5 DE JULIIO DE L985."
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8OO - 03 /84
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PARECER
ESTAOO OO RIO GRANDÊ DO SUL
CÂMARA MUNICIPAIJ DO RIO GRANDE
comrt§Ão DE coNSflTUrçÃo E JUrÍrçÂ
Attunlo
PROCESSO NA
Estâ Cool,asão, apóe apreclsr o ProJeto de Lel,
tcate do Processo acÍns oenclottado, dêclÉrâ tratar-ge de
térle CONSTITUCIO}IAL"
Este o Parecer deete conlsrõo, quê o suboetê
apreclação ito Pleúrlo.
êoeooccoooêooo
( b. 025
de198
coqg
nât:
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sâ1a êas C 880es, de taoo§êG
DT ?re sldeate
EDES S DA CU}T}TA VLce-PresÍdente
JoÃo HENRIGIrE cosTA RoI,{ERo secretárlo
sÉneo ÁLT srr"vÁ &Iênbro
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FôrE. u
500-09-8a
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ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
CÂMARA MUNICIPAL DO RIO GRANDE
.rXUJIg U ]J'5 .L§1
uà a alenoaiaeç ao dlc Aveuida
Presialeate'.tÀIroílsuu l{.EViͧ a
uae vLe públlca alo nosÊo nlrIll
clpio.
Ârtlgo 19 - .r!.lca o Poder Executlvo autorlzealo â.
dlar a tlenonlaeçao ale â.venlala Presldente reacreclo Neves a uroa vla pú -
b]-ice alo nosso muÀiclplo .
Àrtigo 29 - Eeta lel entra en vigor na data ale
suB public.çào.
Ártigo Jc - xevoga-§e BS ôisposiçóes en coatrâ
rio .
1985
Ver9 s Curüe
Form. 1-G
-..-.-rrii€
s.§
úo - 10/75
Sale al&s Conissoes,
I
]a'--., ESTAOO OO RIO GRANOE OO SUL
PREFEITURA MUMCIPAL DO RIO GRANDE
GABINETE DO PREFEITO
LEI N, 4r-46
DÃ A DENOMINAÇÃO
SIDENTE TANCREDO NEVES''
CA DO NOSSO MUNICÍPIO.
DE "AVENIDA PREA UMA VIA PÚBLI
RUBENS EMIL CORRÊA, Prefeito Municipal do
Rio Grande, usando das atribuições que lhe confere a Lei Orgânica, em seu artigo
62' inciso ll'
Faz eaber que a câmara Municipal aprovou e ele
eanciona a seguinte Lei:
cbntnánio.
Artigo 19
NIDA PRESIDENTE TANCREDO NEVES" A
c].pr-o.
data de sua publ icação .
MGN. -
cc. : SMF/SMCP/UCU/SMSU
sMr/Ecr/-pubr.
Projeto de Le i. CM
- É dada a denominaÇão de I'AVE
uma via púbIica do iLosso MuniArtigo 29 Esta Lei entra em vigor na '
Artigo 39 - Revogam-se as disposições em
GABINETE D0 PREFEITO r 15 de dezernbno de f986 :-
RUBENS EMI CORR
Pre fe ito
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Ele amava seu
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à sua volta,
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nossa história.
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Trapaça do destino
Enfim vencido pela doença no dia de
Tiradentes, Tancredo Neves mõrre, na hora mais
ingrata que a má sorte poderia escolher
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versando enúe risadas e tapinhas nas costas. Falou_se em moíe como se pode falar dc qualquer coisa, numa roda como essa, ê, quando o assunto vcio à baila, Tancredo Neves continuou alegre e brincalhâo como sempÍe. Mas encaiiou
um comcntário que. agora, pode ser incôrporado uo et"n"À @. suas inúmeras frases de cspírito. ..Só quero deixar umi
corsa bem clara", disse o prEsidentc, recém-saído do triunfo das umas. "Quando eu moÍTcr, quero uma láoide oue aFrr_
met Aqui jaz, muito a con raeosto, iancredo Neier.., - - '--'
Nâo há dúvida de que ele
da cuforia. à desgraça de forma tâo abrupta. traiçoeira e in compreensível? Trata-se de um desses momentos em que sr
assiste ao assassinato de tudo quanto é lógico e .u.loúi. §,
mesmo,a mone. esta velha trapaceira, para enganar o douto lancrcdo Neves, ele que náo se deixiva engãnar por qual
quer um, e roubar.lhe o gozo da suprema v-itória.'Muiio r
contragosto, elc morreu. E muito a conEagosto os brasileirol
também. se sentiram roubados pelo destinã, ptvaAos Oi ii,
na Presidência da República o homem que. àmbora nâo tc.
nha recebido a unçáo do voto direto. chégava ao Dosto mâi!
alto do país envolvido na maior unanimidãde ja vista na tris. tória republicana.
Os funerais de Tancrcdo, na semana passada, superaruÍ
amava a vida. Amava seu trabalho, ter pessoas à sua volta.
existir e, sobrctudo. amava
ser Tancredo Neves. Ele semprc se mostÍou à vontade e
mui(o satisfeiro consigo própno. e mals razóes ainda (eria
para se senlir assim nos últimos meses, quando a con- fluência das circunstâncias
com seu talento acabou pnr
apresêntar-lhe, de bandeia. a
chance dc concluir com uma
piacelada dourada uma vida rica e dar o justo arrcmate a
uma das vocaçócs políticas
mais brilhantes que o Brasil iá
conheccu. Nâo há dúvida ác
que ele andava muito alegÍE,
até o dia êm quc a emeÍgêncr8 o arastou ao Hosoital de
Base dc Brasíia. AasL bmtrar rs imagcns dc sua viaçm pclo mundo
-
scmore soÍÍidcnr c triunfante, seja
nos grcssos capotóes com que
dcscmbarcou cm Roma, seja
na ccrimônia cm quc foi conlcmplado com o barrcrc dos doutoÍes da Universidadc de
Coimbra.
Vistas hoje, estas imagens,
de apcnas dois meses atrás,
adquirem o pcso do absurdo
em toda a sua terÍiÍicante dimcnsáo. Como se pôdc passar
ilncffi
O eterno reoomsço
Em 1947, o
ex.vereador de
Sáo Joáo det-Rei
que tivera a
carreira lruncada
pelo Estado Novo
retoma â
trajetória ao
longo da qual
veria sempre
interrompidas as
tarefas que iniciara
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Caprtulo I
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eílo Nevcs do Scnado. em 1983
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A vitoria final
EA mortea um pasodopoder
Traído pelo destino poucas horas antes de
assumir a Presidência da República, Tancredo
Neves não pôde dar o arremate numa das
mais longas e brilhantes trajetórias
políticas que o Brasil já conheceu (pás. 6)
EO homem que sabia transigir
-Afável, elegante, capaz de encontrar pontos
de convergência quando as divergências
.
pareciam insanáveis e sempre lembrado em
horas difíceis, ele se tomou um especialista
na terapia de cúses políticas 1ros. rzy
E Um consêÍvadorcasado conr a libêÍdede
No fundo, era o conservadorismo que iluminava
Tancredo. Poucas de suas tarcfas ele concluiu,
mas no fim pode-se dizer que teúa fechado
com uma vitória a parábola de sua vida, ao
ser homenageado na morte pelas mulüdóes Oig. 2s)
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 enormê bandeira que Íesteiou
o lriunlo no Cole8io volta
a tremular fta ultinra despedida
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@Ohomemquegal*r rclbür
InflexÍvel na defesa dos seus princípios,
ficou em peÍÍnanente oposição ao regime
de 1964 e, perto da vitória no Colégio
Eleitoral, avisou ao general Walter Pires
que haveria reação a um golpe militar tple. zo)
vE A-SUPLEMENTo xrsrónrco
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Em setembro de 1984, posãndo
para a capa de VEJA ja
como tayorito na sucessào
do a que o paÍs já assistira em acontecimentos do gênero.
IrraÍam até or dj seu fiu:stÍe e outrora protetor Getúlio
âÍgas
-
cuJo enteÍÍo, até há pouco. era considerado como
mais concoÍrido c emocionado da história políticâ bÍasilei-
. Ao ser conduzido, na s€mana passada, em seu caixão, pao Palácio do Planalto
-
puxado por militarcs que, ironicac e, ao longo de sua vida, só fizeram apeá-lo dos postos
,r tinha no podcr
-,
Tancredo o fazia na condiçáo de preJente que, mcsmo náo tendo exercido o cargo, mais me-
!u com os §€ntimentos íntimos do povo e mais arrcbatou
u apoio. "Ei, ei, ei, Tancrcdo é nosso rci", gritava-s€ nas
rs. Até monarca Tancredo Nevcs,foi feito, além de heói
r nacionalidadc, tão cstigmatizado pclo dcstino quc lhc cou-
: moneÍ no mesmo dia dc TiradcÍ cs
-
"aquclc ha6i enlouquecido da esperança". que, como elc disse em seu discurso no Colégio Eleitoral, sonhava fazcr do Brasil uma
grande naçâo.
,loisa curiosa aconteceu com Tancredo de Almeida
I -
Neves, nesse aspecto da adesào apaixonada e esmagaYoo. que acabori obtendo do povà brasileiro nos rieses fioais de sua vida. "Seu talento é sem par", já diagnosticava, observando o jovem bacharcl, rccém-egrcsso da Faculdadc de Direito dc Belo Horizonte, o prinriro chcfe político
dc Tancrcdo, Augusto Vicgas
-
sob cuja pÍoreçáo o futuro
ministo da Justiça, primeirc.ministro, scnador, govemador
dc Estado c guasc prcsidentc gaúaria a primeira eleiçâo dc
sur vida, para a Câmara de VeÍcsdoÍcs de Sáo Joâo del-Rci,
A últirna artancada
Em agosto de 1984, o
governador se de§pede dos
mineiros com úm discurso
da sacada do Palácio da
Liberdade, em Belo
Horizonte. Nm meses
seguintes, o legendário
negociador comandaria
a aliançâ oposicionistg
que derrubou o regime de
1964, numa escalada
vitoriosa que só seriâ
eslancâda pela doença,
algumas horas antes da
subida da rampa do Planalto
]JA-SUPLEMENTO HISTORICO
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A viagem do adeus
Em fevereiro de
1985, o presidente
eleito visita a
Europa, os Estados
Unidos e a América
Latina, num giro
que incluiria
conver§as com o
presidente francês,
François Mitterrand,
e e cerimônia em
Coimbra para a
cntrega do título de
doutor honoris causa
em 19í. A vcrdade, poÉm, é que essc "talcnto sem paÍ",
quasc o tempo todo, foi reconhecido mais nas Íodas políücas
do que pclo povo. Assim como existcm os "escritoÍts para
cscritorcs" ou os "músicos para músicos", aqucles privilegiados cujas nuanccs ú podcm scr devidamente aprcciadas
por scus parcs, Tancredo foi, durante a maior partc dc sua
carrcira, um polÍüco para polÍticos
-
um virtuose cujas qualidadcs cram aprcciadas sobÍÊtudo pclos cspccielistrs.
lI o cntanlo, cstc mago dos gabinctcs e das aniculaçóes,
ll o úbio dos cochichos c das arnan-açóes prodigiosas,
I I acabaria sua vida dc uma mancira quc escancarcu, dcfrnitivamentc, os limitcs dos bastidores c o tsansformou cm
hcói popular. Sua campanha para a Presidência, um rcpctcco da campanha pclas cleiçócs diretas, foi um desscs momcnlos raÍos cm quc se scntia quase um liame fÍsico a unt sua
figua às aspiraçócs populares do momcnto. Depois, durantc
o mâÍtíÍio imposto pcla doença que o atacou exatarncntc a
poucas horas da possc, essc liamc sc consolidou ainda mais
-
e Tancrcdo trocou a capa de herói por uma espécic dc auréola de santidade. O povo acompanhou suâ agonia como se
acompanha a moíc dc uma pcssoa da família
-
sofrcndo
com ela, rezando c chorando. TÍata-se de uma rajetória surpreeodentc quando sc tem em conta que, deputado na maior
pane da carreira, Tancredo só ganhou sua primeira eleiçáo
majoriúria em 1978, já aos ó8 anos. ao eleger-se senador
por Minas Gerais
-
e mesmo assim ganhou apeíado. Tancrcdo, àquela a.ltur8, já havia ulrapassado os qu:uenta ânos
8
lnÍemo no paraúso
Sc todos dizir-mr, há quasc ID u
Tired.otc§, rquêb hÊói cnlouquociô dc csparnça, '
dcrcnoe frzct das& poÍs uma gntdc nrção. Vrmc
ú*h. Disos pcruau o Congrcsso Naciotul, k
q& su vitórb no Collgb.Ehitoral súre o deptt
Pab Xahl.
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Co o êrtr* c o Effi dc hrvcr rirlo o Gscolhido,
' D dirti'Vcrhiic, cúrgoc ho!: r *rviço rta nç
Idctn,
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Esn foi r tlltiu cbifro ioditttr do Fís. dr,n.
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Ainde çc o mvi@to dc 1964 houvccr trnsfoÍú
r oo6s! paüir cm uo proíro, at nb m urcpcdcrir
b. Er fcilo oporiçf. kr cu idáÍio polÍrico, o u
rbsohilo ô viô é e übcrd&. O paÍ!Í6o, sc cstivcr q
ô, rcrá ccmpt o ioftmo. Ao rvcber o ,fitl,lo dc Pcrso
lidad. do Ato, fu Assuiaçb Brasibira dc Prqaga
cn nuryo de l9U.
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Cada govcrm tcm r oposiçio qrr mrccc. A um
vemo dum, íntransigc c ê itrlolcÍrnb corcspondc r
prc una oposiçIo ryaixoorar, vocoêne c dastuti
VEJÂ-SI.JPLEMENTO HISTÓRI
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VEJA.SUPLEMENTO HISTORICO 9
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Do cntáo dcpwodo, cm 1977, bgo qós o fcclwnenu
do Cmgrcsso Ncioml pclo prcsida* fu Rcpriblico Er-
,ú8b Gciscl.
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O mcu MDB náo é o MDB do tcaba Arrrs c o MDB
do scnho AmÊs Dto é o mc{r, c ús doir lrbcmo disso
Sa muiro tcmpo. is véspaat ü relonu prtüIárü dc
t979, q.. dcw$ado u ctt@ rb PP.
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tlds somoc amigo! hí Edr & riate rnoc c noc úlüm dêz súÍrpr! dispuuna e li&nnçp do prÍtido. Eu
comrodando os modcr.dog c clc os Íldicrir. Ithslc G
E ), só an Eoho r lidmry &s dusr dú. Mss oto
mludscsir r dcixr o lovqm & Minas Gcreir c cntçntr uma clndid!ütrr à Proidtncir da Rcpública sc o
ulysscs nlo mc rpoirssc. Súrc o prcsidentc do PMDB,
Utysscs Guümrde s, cm 1981.
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N& sc tin o sapato sntcs dc'chcgar !o rio. Mrs tambúo ningÉm chcge ao Rubicto para grxr,:r. Muius vezcs,
a otigos, políticos c colabordorcs, 'a
Podcm frcar trrnqüilos. Vot! sct prcsidêntê tros nrcsnros
trÍDos do m&lchsl DcodoÍo: eus ÍninisEos vão podcr fazcr tudo, urcoos o quc cu nlo quiscr quc f4arrl.. A um grupdcpa anacntorcs do PMDB, cm março passado.
dc vida pública, ao longo dos quais scu nome estivcra prcs€nte em praticamente todas as aÍticulaçôes mais impoíantes
da história nacional. Mesmo assim, náo teve mais do que
1,7 milháo de votos, c só com o rcforço dos magros 95 000
dados a um scu companhciro dc MDB, Alfrcdo José dc Campos Melo, inrrito numa sublcgcnda, conseguiu supcrâÍ a soma dos sufrágios dos dois candidatos do cntáo pÊíido do govcrno, a Arena
-
Femando Fagundcs Ncto e Isracl Piúeiro
Filho. QüâtÍo anos depois, nâ disputa pelo governo de Minas, se rcpctiÍiâ o mcsmo paeio e vftória suâda
-
com
Tanacdo pcrfazcndo um total dc 2,6 milhões de votos, contra 2,4 milhócs do govcmista Eliscu RcscndcJá nos passos iniciais dc sua vida pública, Tancrcdo se
mostrava titubeantc nas umas. Ao candidatar-se a dcgttado
estâdual, em 1945
-
depois dc um pcrÍodo em quc o gclo
do Estado Novo o condcnoÜ m cxcrcício da advocacia
-, ele ú sc clcgeu dc raspão, como o último da lista. Msis curiosa ainda, porém, do quc a cscalada dc Tancredo da admiraçáo ÍÊsrrih para a vcncração pogular é ouEa caractcÍística
dc sua carreira: quase nunca ele conscguiu concluiÍ as tarefas quc iniciou. Esta é uma singularidado que assumc foms
dc maldição, quando vista à luz da última c intrÀgávcl peça
que o destino lhe pregou
-
e a verdade é que ela já estavâ
prcsente desde os primeiros tempos, quando de sua eleição
para vereador em Sáo Joáo del-Rei. Empossado na Câmara
Municipal em 1934 e logo feito prcsidcnte da casa por colegas conscientes de scus méritos, o jovem Tancredo cumpriria apenas três anos de mandato. Em novembro de 1937, co.
mo todos os outros legislativos do çnís, a Câmara de Sâo
Joáo del-Rei sena fechada, atingida pclo raio disparado, do
Rio de Janeiro. com o golpe do Estado Novo.
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I s vezes pror vontade própria. ouuas por imposiçoes
!I da sone que fazem suspeitar dc alguma caveira enter- Flr"o" no camlnno qo pol*lco mlnelro, o renomeno vlria a se repetir sistematicamente, á cada passo de Tancrcdo.
Em 1950, ele foi eleito pela primeira vez para a Câmara dos
Dcputados e, empossado em princípios do ano seguintc, interrompcria seu mandato pouco mais dc dois anos depois
- chamado pelo presidente Cetúlio Vargas, em junho de 1953,
para assumir o Ministério da Justiça, no lugar de Francisco
Negrâo de Lima. Pior seria a passagem pelo ministério, embora Tancredo tivesse chamado essc perÍodo, num discuno
de 1983, de "o instanlc mais alto de minha vida pública".
Essê instâotc alto náo duraria mais do quc um arm e dois mescs, brutalmente interrompido, em âgosto de 19í, pclo suicídio de Geúlio Vargas.
Seguiram-se, no diapasáo das missôes e dos mandatos
truncados, os efêmeros nove mcses em que Tancrcdo scrviu
como primeiro-ministso do prcsidentc Joáo GoulaÍt, durante
o pcríodo paÍlamentaÍista, entre 196l c 19,ó2. Caso sc qucira
mais, acrcscentem-se dois saltos mais ̀ccntes da carrcira de
Tancredo: o mandato de senador, quc deixou pela mctade para se candidatar a govemador de Minas, e o próprio mandato de governador, que cumpriu apcnas por pouco mais de
um ano, para concoÍrer à Prcsidência. Enfim, esse rosário
de ironias teria seu ponto de chegada no momento dc suprcma perfÍdia dâ fonuna em que Tancrcdo, eleito prcsidente,
só chegou mono ao Palácio do Planalto. Náo se pense, porém, que ao longo das missôes não cumpridas, ou cumpridas
apenas pela metade, Tancredo teúa sido um mutilado políti
co. Muito pelo contrário, ao Iongo das dificuldades e vicissitudcs poÍ que passou na vida, Tancredo sempÍe somou. A
ponto de ter chegado ao fim da carreira, e da vida, como
um mito
-
o supremo gênio da política brasileira.
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O fli§curso depois tla vitoria no
Cole gio Eleitora[a 15 rle
lanearo de 1985: "Vim para mudar',
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VE'A-ST]PLEMENTO HISTÓRICO
Ao longo 0 da
Yida, ele
construiu a
imagem do
político
dedicado a
costurar os
oontrários
e aparar
l/^a uergenctas.
Era o supremo
mago das
articulações
impossíveis, o
homem capaz
de descobrir
a saída quando
todas as
saídas pareciam
ter sido
esgotadas.
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AaÉe da Gonciliação
Ao aprender que jamais sefecham
portas para a ação política, começou a tornar_se
um especialista em missões complicadas
1pe fosse o caso de definir Tancredo Neves com aoenas
Inor -:{â-tJili::'i[:"H.il.JÍi"::;x"":"á:,;:3,:[:: o dettnrna? Imagioe_se um teste de múitipla escolha.
em que .à figura do prcsidenk Tancredo Nevei tiresse-'Je
sc associar uma das seguintes qualidades,
"r.off,iàrr
-.nt.
atgumas. das características que mais se deseja ver nos homens públicos:
r Cârisma;
r Clâreza ideológica ou de princípios:
r Espírito conciliador;
r Capacidade administrativa.
.
Náo há dúvida de que mais de gO% _ talvez até a unanimi.
dade dos consultados
-
cravaÍiam na terceira oocáo: esoírito conciliador. O douror TancÍedo, ao longo aa uiOâ,'conrrÁiu-i
tama de quinressência do político dedicido a costuraÍ os con. trários e aparar divergências. Ele era o supremo mago das arti. culaçôes impossíveis
-
o homem capaz'de enconirar oontos de convergência quando as divergências p"."ir. iÃ"íã".ii
ou de descohrir a saÍda quando as saídas pareciam esgotadas.
láços dahadiçáo
Ao se casar aos 28
anos com Risoleta
Tolentino. sua
primeira namorada.
nascida numa
família de
fazendeiros de
Cláudio, em Minas,
o ',filho de dona
Sinhá" para sempre
se transformaria,
na cidade em que
sua mulher havia
nascido, no ..genro
da dona Quita"
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Tâlvez, .no fun$o, ele até náo fosse assim táo conciliador
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ósso se yeú mais aüiante. Náo há dúvida, poém, de que o traço conciliador é uma caracterÍstica dominante de seu caráter,
Ê tcm razáo o senso comum em associá-lo a Tancredo. Faz
pleno sentido uma frase do govemador do Pará, Jader Barbalho, pmnunciada na semana passada: "Tancredo foi conciliador até na moÍc. MoÍeu devagariúo, para que todos fôssemos nos acostumando à idéia de tê-lo ausente".
,\ traço conciliador de Tancredo tinha origem, em pri- t fi,'it';:ir ,:T;f rí# á3?llffi,f,.'!J111; Í.il
à luz, naquela Sáo Joâo del-Rei encravada no que há de mais
puro e representativo do espírito da velha Minas Gerais. Nascido o quinto de uma família de doze filhos, no dia 4 de março de 1910, Tancredo Neves penencia ao que talvez se possa
chamar de uma aristocracia brasileira. Náo se trata de uma
aristocracia do diüeiro, uma vez que seu pai, comerciante de
*cos e molhados, erâ âpenâs rcmediado, nesse sentido. Norr-se a aristocracia, poÍém, em hábitos como a tradiçáo de ins-
;rever os filhos na Ordem Terceira de Sâo Francisco
-
uma
nstituiçáo à qual Tancredo se associou aos 16 anos. Ou entáo
ro profundo cultivo à unidade e às maÍcas familiarcs reyelado
ra existência de uma coisa como o Solar dos Neves
-
o no-
,Í€ sobrado que, táo simbolicamente, ficou com suas janelas
valhl rfior, cmcAou . bütá-lo c lrrJ(ou qrrvc[ta:
-OscohoÍnioéodootoÍ toÍ c0 Sb Joáo dcl-.RÊi?
-
Sor cu, sim.
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O rcúor sc lÊ' h|Ír dc um tcers, quc mE6 r
mulhcr?
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Icsus An6nio dc Rcccodc. t B crimc büÍotoso.
Eu mm fiz a acusa$o do mah,&, O rcohor o e
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TmcÍrdo, quc fol prooodcsmcntftlo.
Nunca mais o candidab \roltou a ú."rnE: T0oc1tdo.
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Primciru"minisüo dc ,olo Goulat Tancrcdo Nevcr
faz sua prirnein visita a Minas dqsdê quc fora derotado m luta pelo govcrno cctrdual por Magalhics pido,
cm llxo. Ao entrsrem os dois m c&ro ofrcial, Uó6
uma cerimônia, um dos matrifestatrEt que vaiavam Magalhães scm parar cnfiou I cabeça Fh jancla do cano
c berou:
-
CsÍÊcr!
auchanao o cmbonçoao silêrcio quc sc seguiu, Tanocdo pasaou a máo nos pdprios csbclos
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os que rinda lhc rtctavrm
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c corcntou;
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C.oo oos injuriam, ú é, govcrnrdor?
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AD lcr o Ítito çe AlôÉe, s É frv6itr, .scrcHt
pGr r rcvirtr yogra, Do qo Fssrdo
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"Vovô Tancra,
. do, o-m porCvd" --, Tucrcdo, qrrc ia dc avib i cú dúr Rbolcrr naa o Xb, miooó-cc e chorç.
: 1lo sàl|! Go cs o crut col Atrdú, pq{ú, ec j çrú do ú dcomrr rhumr cúoção. -
San thico comcmlrio foi:
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VEIA.SUPLEMEI.TTO HISTÓRICO t3
fechadas e as coninas corridas durante todo o longo período
de agonia do presidente.
A família de Tancredo Neves, náo bastasse ter suas raízes numa cidade que é uma homenagem ao rei, ao monarca, ainda
apÍesentava o requinte de possuir personagens que atendiam
por apelidos como o de "dona Sinhá"
-
a mâe de Tancredo.
Que mais profundo e seculaÍmente brasileiro se poderia ter,
além de uma mãe chamada dona Sinhá? E que mais apropriado
poderia acontecer ao filho de dona Sinhá do que se casaÍ com a
filha da dona Quita? Pois foi com a filha de Quita, uma matriarca do vizinho município de Cláudio, que Tancredo se casou,
aos 28 anos
-
Risoleta, sua primeira namorada. "Aqui em
Cláudio eu não sou o Tancredo", diria ojá presidente eleito numa entrevista que deu na fazenda de sua mulher. no começo do
ano. "Aqui eu sou o genÍo da dona Quitâ. "
Com essas origens Tancredo já podia exibir. de berço. a qualidade número I dos conciliadores
-
a simpatia, a elegância
de maneiras, a disposição educada para as conversas. A conversa sempre foi sua arma mais cara. Ila ação política
-
e seu
amor por ela pode ser avaliado por um episódio oconido em
l98l . durante os funerais do marechal Cordeiro de Farias. Tancredo deu um jeito de, durante a cerimônia, ficar ao lado do general Golbery do Couto e Silva, entáo chefe do Gabinete Civil
do governo João Figueiredo. "E um prazer revê-Io", começou
€ntão a dizeÍ. O diálogo era difícil, nâo só pela circunstância
de estarem ambos diante de um enterro, como pelo fato de se
tÍâtâr de dois notórios adversários políticos
-
mas Tancredo
não pcrdeu uma oportunidade de reanimá-lo. Quando sc ouviu
o toque de silêncio, durante a descida do corpo do marechal à
sepultura, Tancrcdo comentou: "Excelente cometeiro!"
Âí se podia notar o doutoÍ Tancredo conciliador em sua melhor forma. Ele era capaz de tudo, até de uma frase como essa, para manteÍ vivo um diálogo
-
desde que esse diálogo
fosse com um interlocutor que realmente importasse. EIe nunca fechava as portas para a açáo política. Pelo contÍário, estava querendo sempre abri-las
-
e náo é por outÍo motivo que
era sempÍe lembrado para as missóes mais complicadas. "Só
me chamam nas horas difíceis", disse Tancredo ceía vez. no
ano passado, quando seu Íomc começou a ser cogitado para a
Prcsidência. Ele tinha razâo: mais de uma vez. seu nome foi
lembrado. quando o nó das divergências ameaçava levar a naçáo ao colapso. Foi assim em 1961, quando Tancredo recebeu a missão de convencer João Goulaí a aceitar o parlamentarismo. Tancredo se saiu bem da empreitada. levada a efeito
em Montevidéu, onde o vice-presidente aguardava o desfecho
da crise abena com a renúncia de Jânio Quadros e a recusâ
dos ministros militares em dar possc a seu substituto legal.
Tâo bem que. logo em seguida, foi feito primeiro-ministro
-
e só o doutor Tancredo para merecer a confiança de Goulan,
a ponto de ser ferto chefe do gabinete e ao mesmo tempo se
mostrar palatável para uma trinca militar dura como a formada pelo general Odílio Denys. o almiranre Silvio Heck e o brigadeiro Gabriel Grün Moss.
.4\ espirito conciliador de Tancredo era capaz de prodÊ
t lgiár que ficarão registrados nos anais brasileiros. NinY guém, por exemplo, foi fiel como ele a Joâo Coulan. a
quem acornpanhou alé ô fim e a quem se mostrou leal mesmo depois do fim. ao incluir-se na pequena caravana de políticos que paíicipou de seu sepultameoto, em 197ó, em Sâo
Borja. Ao mesmo tempo. porém. ninguém era considerado
mais confiável do que ele, entre os políticos da oposição, peIos arquiinimigos de Goulart que o depuseram do poder e rcinaram durante vinte anos no paÍs. Da mesma forma, nenhum político, individualmente, foi um adversrírio tâo fenenho de Tancredo. ao longo de sua carreira, como Magalháes
Pinto
-
o homem que o condenou à única derÍota eleitoral
de sua carreira, em 196O, na disputa do govemo de Minas,
t4 VEJA-SUPLEMEI.ITO HISTORICO
Umdisciprlofiel
Em agosto de 1954,
o ministro dâ
Justiça do segundo
governo de Getúlio
Vargas chora junto
à sepultura do
seu mestre em sáo
Borja, no Rio
Grande do Sul. Ele
gostava de mostrar
a canetâ que vârgas
lhe dera alguns
dias antes do
tiro no coraçáo
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Oqftodalealdade
O primeiro-ministro
de Joáo Goulaí
no curto período
parlamentarista
acompanharia até
o Íim o presidente
deposto. Em t976,
incorporou-se à
pequena câravana
de políticos que
foi ao enterro de
Jango, para o
discurso de
despedida ao
amigo morto depois
do longo exíio
Parceriaafinada
O candidato à
Presidência da
frenle formada
pelo PMDB e por
dissidentes do
PDS receberia, à
esquerda, o apoio
de Ulysses
Guimarães, amigo
e freqüentemente
rival durante
quatro décadas de
convívio ininterrupto
c.o lÍder civil do moviÍncnto que apcaria GoulaÍ do podcr.
No cotanto, foi. a Magalháes pinto que Tancredo se jüntou,
em 1979, para iniciar a efêmêra empÉitada do pp, oú paíido Popular
-
a âgÍEmiaçáo de cenüo planejada para ocupar
um lugar por ocasiâo da reforma paniàária- promovida filo govcrno João FigueiÍcdo. Sáo cpisódios qué ilusram uma
das máximas prediletas de Tancrcdo Neves: ,.Nâo sáo os hG.
mens, mas as idéias que brigam".
F\a mesma forma como se deu com Joáo GoulaÍ, Tanlr;f.o:,.'"§IT,l"Jj;1,"1#fi :ffi 'j,,".'IH.'#f "":
sepultura. A verdadc é que o doutor Tancreào ira um cavalheiro à antiga, que da mesma maneira como beijava a mão
das senhoras cultivava outros costumes em decadência, como
a fidelidade às pessoas. O cavalheiro Tancrcdo obedecia a impulsos como o que o fez Írcusar, em sua viagem à Europa, já
na condiçâo dc presidentc elcito, a diária qúe o goremb úe
ofereceu, tendo em üsta quc sua missáo já-era qrlase oficial.
Tancredo nâo só Í€cusou o diúeiro como-fez mais
-
proibiu
que sc divulgasse essc falo. Tmtava-s€ dc gcstos de uma no_
brcza natural numa pssoa quc tinha, nuria de suas outras
idiossincrasias, uma avcrsáo incontida pela palavra ..rcsto",
quando aplicada_ a pessoas. Ccna ocasiâo, no aercpono de
Brasflia, TancÍedo s€ cnconEava com um amigo, nu; grupo
dc polÍlicos à espera dc um táxi que os levasse ã ciaa*, !ú- do houve uma ceía indêcisáo a rcspeito dc quem ia em'qual
carro: "Entáo fica assim", rcsolveu o amigô. ,.Nós vúos
nestc caro e o Ícsto vai naqucle outro. " Tancredo atâlhou,
suâvcmcote: "Resto oáo, Íncu cam. Os demais..."
Clar,o que TancÍedo úo crr um satrto, e que, paralelamcntc
a esses úaços elegantcs, demonstrâsse ouúos. mcnos a[adá_
veis para os int€rlocutoÍrs. Como muitos polÍticos, elc cã capaz dc elogiar os artigos dc um jornalista scm jamais té-los lido, ou de cnaltcceÍ as viíudes dc alguém quando era óbvir
que não acreditava no que cstava dizendo
-
caÍacterística
que fazem sq)oÍ que seu instintivo desejo dc persuadir pee
soari e gaÍantir adcsóes era maior que sua sinceridade. Tam
bém cra capaz de negar, da maneira mais pcrcmptória possí
vel, coisas que eÍam verdades cristalinas
-
comô o enôonm
que manteve com o entáo ministro do Exército, general Wal teÍ PiÍÊs, em setembro do ano passado. durantc a camDanhi
eleitoral. Mesmo depois de o póprio ministÍo ter admit'ido r
encontÍo, Tancrcdo continuou a negá-lo
-
como negou cÍr
coito
VEIA.SI.JPLEMENTO HISTÓRICO t6
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A vez do ptofiscitrC
Norso p,Íopósilo é o do pcridir um gr.Dd. lcoído nrcb
nrt pce a traosfcEtç5 !6 l6sit rllrn püÍs rcstsurrdo cO
ror hocs, êm 8u! Íi$rczt o oe Íra dtnid.dÊ. Dirclrr,
u cdw.nsáo b PXDD, 6 og.osto ú l9&4, ao scr lndlt do ofuiabentc @úfub b NriAo à Prcsülência ü
nqúblico.
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A ry é o rhbo p.tinhio rhc dcrcrrhbc, e é d
dr gc rccomo r. arÍÚa,'ó lljetÍgirco d6 &slsG
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gtréo prcn sioal. A tot i*lolbu qu
de inhttvcl b dcptttú Poio Malrl.
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aÍo caAcnfu dC
u tgcriu à luá
FmdeumclJo
No dia seguinte
ao da votaçáo
no Colégio
Eleitoral, o
presidente Joáo
Figueiredo
abriria as portas
do Planalto ao
homem que havia
liderado a aliança
responsável pela
volta dos civis
ao governo
público, até o fim da vida, o encontro secrcto que manteve
com o prcsidentc Joáo Figueiredo, na GÍanja do Toío, em
t981.
Em outros políúcos, traços como esses talvez acabassem
por gerar a pecha de mentiroso ou de insincero. Nâo no doutor Tancredo. Ele negava o encontro com Figueiredo, é verdade, mas nele náo foi vender úansigências em segredo. Pelo
conEário, avisou ao general que, se as regrâs eleitorais fossem mudadas, o PP, a que entáo penencia, lnnderia para a radicalizaçâo paÍidária. Figueircdo nâo acreditou e baixou um
vEJA-SUPLEMENTo gtsróuco
I'i r ' ;' ' - f t:l'f. .'. ! :-:.-:.".18{ry gf}ô j' !'1,4 -r .
- Nqáo &o CooctiEiçáo diiEdi & cxxç5 da,rrr porn
é [rçb wtihdr D. §Il ôlniL.b cÍvir, .vir*mdr oe
rgr cul$Ír c hroilhrda dm ftce dc $r ccciaocie êoo
a*ica. Ao dcspedir-* do Scndo, al nogo de I%i, p.
m as*mir o govtrno da Mirsr.
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ft promovcm, com E!ki!, âs grdos ürnlforr.
.--s quÊ 8 mçIo rcclane co altoo trsdos, quc ú c dcüu.-.adamcno sr[dos não qucttm ottviÍ, ül €ob
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afu
nos iludamo
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drsrE ffirnrçõGs cc fsío à ooss. r+
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rclia, scm nós c d cotrr n6a, I&2.
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, E cn&, vrms convccafr Ms oáo eE sigil,o. Esta é I
mncira mais rÁpida, cfrcir# c rcgura dc se Eopagar por
todo o paÍs qucm dissc, o çc c onde. A un grryo de jormlistos. .a
' Nb é o.da dieso, miúr filh.- Mrbo é hoje uma pclai tra unisscx. A @uú nüh Escfut, d.sculryrdo-t2
;pr tcr üb qE a c@n4nfu clciroral era "uno luta para
' nalps" .
pacote instituindo o voto vinculado de governador a deputado
estadual. Tancredo cumpriu sua prcmessa: fundiu o PP ao
PMDB e gerou a grande vitória oposicionista de 1982.
f o surgir na crista da onda incontida que começou na
A:", ##i' tr'âiTffi :'#:r,;*T t"§,1Íi"'ffi
sua própria campanha prcsidencial, Tancredo acabou se convenendo numa unanimidade irrcsistível até paÍa âlguém teimoso e com dificuldades pírnl superar antigos rancorcs como o
presidente-Figueiredo. Quando se começou a falar da possibilidade da candidatura Tancredo, Figueiredo comentava com
amigos e assessorcs próximos que "Tancredo Never"
-
trocadilho com a palavra inglesa rzver, ot nunca. No fim, digeriu Tancredo a ponto de recebê-lo cordialmente no Palácio do
Planalto, no dia seguinte à votaçâo no Colégio EleitoÍal
-
e
o gesto é hoje ainda mais significativo quando se lembra que
no dia 15 de março, com Tancredo já doente, Figueiredo cometeu a última grosseria de sua vida pública e recusou-se a
passar a faixa presidencial ao vice José Samey, saindo pelos
fundos do Palácio do Planalto.
À sua esquerda, ao mesmo tempo, TancÍedo rccebia o ampam de seu velho amigo e rival Ulysses Guimarâes
-
parceiro
de dobradiúas históricas no jogo de avanços c rccuos contra o
regime militar. Tancredo gostava de se descÍeveÍ como um moderado e de afirmar que tinha feito da conciliaçáo nacional a
grande tarefa de sua vida pública. "Tancredo, no dicionário
dos nomes próprios, quer dizer conciliador, contemporizador,
paciencioso", lembrou ele numa entrevista no começo do ano,
evocando o próprio nome para confirmar a virtude com que seria mais identificado. Seria ele, poÉm, realmente um conciliador? Ou. por outra: estaria neste único traço a chave maior para
explicar o que tbi realmente Tancredo Neves. na sua passagem
de cinqüenta anc)s pela vida política brasileira?
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Sábia intransigência
Emvinte anos de regime militar, o
líder da ala moderada da oposição sempre soube a
hora de ser agressivo e inflexível
llt. dos mais &licados períodos do ano passado, quanN nffi'*';â'T, :ff*?ô,#:",tr,tr .:ffi
cuÍoü o então minisúo do ExéÍcito, gencral Walter pircs, e proàun_
ciou a seguinte Fase:
-
MhisEo, estffios Feocupados com a possibilidade dc um
golpe. Tenho dc aviM-lo de que, se vier o gólpe, virá a resistência, e haverá den-amaÍnento de sângüe.
lnugrne-se agoÍa um ouúo tcstÊ de múltipla escolha. eual, enEe os políticos abaixo, é o autor dessa frase:
r Ulysse.s Guimarâes
. Tarc̀do Neves
r Luiz Inácio Lula da Silva
r l.eonel Brizola
AceÍlou quem optou f,ela segunda altematira: Tanr-redo Neves. O doutor Tancrcdo era capaz de ousâdias coÍno pÍaticaÍnet
encurralar o ministo do ExéÍcito com o gambito que lhe ofelcc
naquele enconEo secÍelo de setembÍo. A frasc, rcvelada por Tt
crcdo a VEJA sem qualquer excitaçáo, @e ter sido proferi
com sercnidade e cautcla. No entanto, era ullu ameaça
-
a am(
ça de um inu'ansigente que desde 1964 esava na oposiçáo ao rc1
Íne, com o objetivo final de derrubá-lo.
Pode-se perguntar, diante disso, onde fica o famoso espíri
conciliadú do doutor Tancredo. A rcsposta é que o espírito c!
liador, embora fone e decisivo na personalidade de TancÍedo, ni
explica tudo. Há algo que náo fecha, a.lgo que fica faltrndo, qur
do se enxerga Tancredo apenixi como cÍrmpeáo da conciliasâo. E
se algo é a l-rrneza e a intransigência diante de cenos prirrÍpi
-
uma característica quc apaÍ€naeÍnente contraria o U'aço concü
tório. mas que na verdade o amplia e o toma operaciona.l.
Rota soliüiria
Quando Castello
Branco dissolveu
os antigos
partidos e criou
apenas duas
agremiações
- uma a favor do
governo, outra
contra _, o
ex-chefe do
gâbinete
pârlamentarista
foi a única
estrela do velho
PSD mineiro a
Íiliar-se ao MDB
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llnitat do 4reço
Em 1964, ao ouvir
de seu amigo
Juscelino um
apelo para votar
no marechal
Castello Branco
na eleiçáo do
primeiro
presidente do
regime militar,
o exJíder do
governo Goulart
iria conÍrariar
a decisáo do
PSD. Preferiu
Yotâr em brânco
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Ec 8ffirt tsm í) m c Frl! dc 2m @rÍ06 e -lp qr_o.-Én{uêdrt _ oÍ8uEnlou. _ O
t5't,g1 -9 R.eúb.t": E0 quc rcÍ-um rrem qú
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.Tqlr6 {ú, Çrmdo cÍa govcmrdoÍ dc Mia.s GÊ- rrú_, l lncrcdo liSoo pora o dcpurado Fcrnando LÀ- e.alao $cÍqárig ü Mcss d! Câanrr, urr carso orá Ii- sl oom o tuDci@trlo & míquiu aamitjtrrti:va a, ct8t.
- -- Como vai, Fcmendo? Voca üu quc tristêzr? o Múucl úoctrt
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dbsê Trqtdo.
Lyra, $& ofo rabi! quca cÍr Manucl, levou r coo_ YGÍsa adiu!Ê.
..- Foir é, doua TaDcÍêdo. elrc coisa ,nri. dcergn_ dÉtll
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rc.podcrr.
Dgnis dc Eocra c@ddêtrcia! poÍ dguD, einr. tc, Lyn cdlo frqr rabado qua lr{io,rcf ;n uDGffi,trtrT" de aridr'ao gã a; d;;
_ ; O ryttqr, Fcrarae, é qrr, untodo o M!- 1?,l ITgo eb, I tíd+ pcadc a criúr fuirrf qE_c!Ê. ODÀs@... :- FoltOSTiu Trocrcdo, ctUo fi_ [llElü m oáttodorruô.
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B@, d e cril fica dn, cmplicaô _ d.vol_ ttcu Lyn.
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O r& Éc mnio Êo a'alr"ilâ çcó crrl qu* drcrn,..
_:^.P 1l,l hl6:.Tú gco rràe ! t@ !b da
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- _;.]-?,.lGTrgo, ã Dro qEo É. O qrr co qua tot ql& . Müa ó llra r ca._-.
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Fdic qúà oI& ilc tíolct foerc mrú.
Pêdndoscm pedr
Reoalho
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Essa combinaçáo exiscntc em TancÍEdo Nevcs talvcz fiolE
mais clara quando sê tem em coota o meio ". q* .L .r.;, ãii ticaírente, enre as liçôês e a prática d, .r-il.ü*ü. Li#; Iustoílcos coÍno Milon Campos e pedro Aleixo ou lcsendários ;_
tucrosos como José MaÍia Alkmin e Bcnedio Vaflãdares \ foram
seus contemporâneos, arnigos c adversifuios em roOo o rrid
que var. do-tstado Novo à Repríbüca dê l%6. mas de Odos eles
-r
ülcltoo útenu. L)e todc TancrEdo foi amigo, embora a todG
rusogasse com sua ironia morú2, observando-os nos mínimos de- a{H dê. sy atuaçáo _ e observá_los, em seu início de carreira- vaJeu m s do quc qualquer universidade.
Nffi iffi h*J,'ffi,gHi#Tffi1# ! ,! r{Ddos- paradigmas dc honcns púbücos brasüetos. por
um lú bá_o potÍtrco ÍnatEiro, cspeíto poÍ úrôh c xodisioso €m §ra capoctdsdE & sobcvivência _ squcla eQóct circ, te-,Éo Va- ladarts c.Alkmin mnro *p"o* p*irio. ;;"1;;;;;tmar e "mposas pollticas.'. Valladares, cr_govcmador e ex_senâ-
:Tlg: ,qrh..qr ficeva ..Íouco de rrno ouvü',. Alkmin, alvcz
o pomt@ DÍas cllo & mais rico rrxrdotâb, cra capaz dc saffas
VE'A.SUPLEMENTO TíISTÓRICO
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Esperar é preciso
O paciencioso
Tancredo Neves
sabia esperar
em seu cânto âté
que surgissem
as oportunidades.
Quando elas se
apresentavâm,
sabia temperar
o espírito
conciliatório com
um repertório de
intransigências
e seguir em frente
omo a que apÍes€ntou a um jomalista' quando ocupava a viceresidência m govemo do marechal Castello Branco. O govemo
Itsavessava uma crise, e o jomalista queria saber. ao têlefone. sê
llknin assumiria, csso ocoílss€ algo a Castello. "O quê? A liga-
;âo esuí ruim". Í€clamou Alknin. "O seúor assurne? '' insistiu
r jomalista. "Ah, sim. Sumo sim", ltspondcu Alkmin.
§ dúvida, Talrcrcdo tiúa muito das velhas raposas' suâs
otnhrt eira. no PSD de tantâ infltÉncia nuÍna larga psÍre da vids Epublicanâ brasileira. EIe tâÍnbém eÍa caPoz de mâlândragens
c diúimulaç6€s históricas. Entenderá Ínâl Tmccdo Neves, po'
rém, quem éntcldê-lo apenas do lado da asÚcia. Pois Tancredo úúa tÂmbém. em alto grau. os componenlcs da outa Yeícnte de
pohiticm que viu aoaÍ dcsde a sua csdiâ na vida pública
-
os po-'
ifricos caiazes de pejudicar-se poÍ teÍcm p,rincÍpios. e dos guais
cra paradigma a Íigura do ex{cprtado, cx-govcmador e, ex'minisro áa Jusúça Milton CaÍnPo§. O púfio Talrrcdo confessou' em
mais de uma entsEú§â, que no conrcço dc sua caneira se scntia
mais prúximo de Milton Campos, Pcdm Àeüo e ouras esuelas
da UDN do que dos criqucs do PSD. Elc rabou indo Para o
PSD mais por conveniências locais, diladas pcla polÍtica de Sáo
Joáo del-Rei .
Talvez se possa dizer que, tendo um pé numa das venentes da
grande escola política mineira, c o ouuo na scgunda, TancÍEdo tenha sido astuto no varejo da política e inErnsigente no atacado. O
Tancredo malandro e dissimulado sê nota cm epiúdios como a
ocasiâr em que recebeu um gnrpo rcsrio dc joma.listâs em seu gâbiÍEte de deputado, noe arps 70. No meio da conversa, surgiu alguém com á notÍcia de que o entáo ministÍ'o do Exércio, Sylüo
kda, acrbarâ de emiú urna notâ contra a infiluação comunista
na imF€nsa
-
e estendeu a nota p6ra o dc?trtado mircto. Como
todG cstavam interessados no assrmto, Tancedo acabou pot lcr a
notr em voz alta, e quando EÍminou a leiora um dos joÍnalistrs
peÍgurtor.r: "E o senhor. doutor Tancredo, o qrrc rha disso?"
Tancrcdo dcsconversou: "Acha do qÉ?" O jonulista insistiu:
"Da Ínla, doutor Tancr€do. O que o scnhor acha dela?" Tancrcdo crrcrrou: "Como posso achar alguma coisa? Nâr a Ii".
f)e fossc só asNto, poíÉm, Taruedo se contênlaÍia com o
\n- último dos astutos: cons€ryaÍ scmprc o nrlhor para si
Yc sc rnrnter m @er, fmsc qual fosse o regime. Ele rrir sido um Benedito valladâÍ€s
-
que, fcito inteÍvenior no Eslado NG
vo, continuaria em bons teÍnos com todos os Í€gimês deÍnocráti23
VE'A-SUPLEMENTO HISTÓRICO
,,.'
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cos- da Constituinte dc 1946 e ainda teÍmharia a caÍreira coÍno se- nadoÍ.pclâ AIna, o partido do regime núüar de 1964. Ol;o; .aürrxn, vrce de um marecha.l. Tarrrtdo, pq,Ém, apesar de toda a
sua_üsccral Ínodcf,açtu e do seu cspíriro ónciüatúio, .ra àii"rrn_
I J* oryi* T" csava a saviço de ga.antir_lhÊ um lugaÍ ercÍno na loca do podeÍ
-
muito pclo coorráÍio. Em 19,ó4. oúrdo ,. rcatizâÍam no Congrcsso as elciçôcs destimdas a lesiúm; no É ÍbÍ o marcchal Humbcío Castcllo Branco, ele foi ã único nJm_ bío da Fncada do PSD a não votaÍ na
"hrp"
,rnp"rrd";;-t"n_
ques. Na ocasião, dois de seus futuros comiantriiros d. pr""ú
linha nas hostês opocicionisus, bem conn seus colcq$ no sabinê_
te- palamentarista
-
os dcpiâdos Uysses CrimaEs e i.anm Montorc
-,
votamm em Castcllo. Mesmo o ex_prcsidenE Juscelino Kubitschek, então senador com a cabcça p"i
" , ,rd-ã-*t
novo regirne, votou em Castello _ e chêgou a'peOi, ao
"eUrc
c'om-
!11:.tt TlT.redo.que íuesse o ,e..õ. Taircre<to. #;:;;- nT-l]tT*ju" ô fqi"" padaÍEntaÍista e tíder áb govemo
::ulaí.T C-àmara. c fiel ao pÍ€sidente deposto a ponro de-levá-lo
atê o avtao que o coírduziÍia ao caminho do exílio, não o atendeu.
Menos de dois meses depois, JK era cassado pelo mar.cU ôartet_ lo Branco.
M*ia:Hümr*ffii#f.u{g-'i.Ê}1
opar pelo MDB oposicionista. ..Eu
sou pragrrÀico e conciliador
T Tão:.m âo mesrxl tempo inflexívél em maÉria de orincí- pros ,
(tlsse ele cerla vez, numa enuevista. ..Sempre
oue vaê EârNgeim princÍpios, garüa num episódio. ,^
sodro. PeÍde em substâÍrcia, e peÍmãEnEÍnente.,, "É;;;;;.;; Oeclarac&.
como essa, amparadás na pura Í€alidade d€ sua açáo mlÍtica-'co
moçam a demrbar a iÍnagem do TaÍrÍEdo concitiairor'pa.a àa, iugar I um ouúo Tancrcdo, inransigentê c inlleúvel. Oü. rb rne_
nos, começam a subetiruÍ o Tancredo só conciliador por Lm Tan_
credo nnis completo, em quc à concüa{áo se sobrcpunha a finrr
za con qllc ele qrrava.
Essc otlüo Trrrrdo é, por cxcmplo, o Tancredo minisuo d
Jusig de Getúlio VaÍgas
-
ocasiib em que, em ÍnÊio à cÍisê ou
levaria ao suicídio do píEsidrntc. ele agiu sempre "o. ,áric
graus de agesriúdade rima do prúprio chefe. Tancredo insisti
continuaíEnE junao a Geirilio, por exemplo, que ele prEndessc tc
dos os brigadcim, quando cstcs se rcbcl-aram-e subscrcueram ur ynfcsg @ina9 1 rcnúrrcia do prcsidcnte. em scguida ao atenE
do qrc tirou a.vida do najc Rubcns Vaz. Geúlio freferiu conrcn
porizar e náo dcu orvidoe a scu minis.oo.
.
A veÍdrde é que TancÍEdo combinou os dois modelos que tiú
à sua frente, oa política mirrcim, nus nunca se encaixou 'perfeiE
Ínente nem em um nem em outso. Raposas como Alkmin'e Vú
dares cumpriram até o Írm o destino dé sê contentar com a mlíti(
miúda e provar do afrodisíaco do poder _ ,^ nraa ãUro
disso, além do gosto de nomear dónos de caíório. por ouü lado, embora Tancredo se dissesse no fundo mais "úa" i
los paladinos da UDN, teve a sone e o tirocínio de escaoari trágico fim do udenismo, ponador de um liberalismd e i
uma altivez desmoralizados na cumplicidade apaixonada coi oj golpês e o matrimônio com a àitadura dó AI-5. Milrc
Campos tomou-se ministro da Justiça de Casteuo Brancosua ligura suave. arcnciosa, quase patemal, foi tisnada oelo s
lêncio em que ficou dianre das viólaçoes de dircitos hümani
e do nascimentoda anarquia militar. iancrcdo seguiu em frer te, no aÉs. l9ó4. c_omo um político que jamiis transigt
com o pau-de.arara. Pedro Aleixo, o outro uàenish de sua vr
neraçáo
-na
juvcntude, viu Mihon Campos sair do rcgim,
mas preferiu ficar. Tomou-se o segundo vice de marcchj, a
sinou o Al-5, proclamando a ditadura e, em 1969. foi imoed do de assumir a Prcsidência aúavés de um solDe a.ao If,
fi€s minisros militares. O rÊgime de excecãõ qüe ornlo'jri
celino cassando-o puniu os udenistas destniandolÉes o par
mônio biográfico.
Escolas üzinhas
Capaz, como Jose
Maria Alkmin, de
dissimulaçóes
históricas, fora
tamMm um
âplicado aluno
da escola dos
políticos que se
prejudicam por
terem princípios,
encârnada Por
Milton Campos
24 VEJA.SUPLEMENTO HI§TóRICC
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Astucioso como uma raposa. Taucredo poderia ter acabado
num "bo cuno como o de Atkmrn e Valladares. Severo como t
um udcnista. podra ter sucumbido no serviço ao regime de exceçáo. Se conseguiu evitar os dois desfechos lamentáveis, isso se deveu exclusivamcnte às suas características pessoais.
Há mais de duas décadas 'ensina-se no Brasil que os homens
em si náo têm muita importância na história, Pois o que Prevaicce, ao fim das contas, são as forças sociais. Tancredo é o
desmcntido exato dessa teoria, pois as forças sociais que agiram ao longo de sua vida eram as mesmas que passavam dian'
te dos olhos de Alkmin, Valladares, Milton Campos e Pedro
Aleixo. Até um determinado período pod€-se argumenbr que
Tancredo, exatamente por Perceb€r a Yilalidade das forças so'
ciais, foi intransigente com um ÍÊgime que ele sabia condenado a uma mone triste, ainda que lenta. Pod€-se supoÍ que essa percepçáo alimenta a intransigência de Tancredo alé 1914,
quando a priÍncira eleiçâo livre mosÚa a debilidade da ditadurà. Nessc ponto, cntra de novo o conciliador, PÍocurando âíi'
cular a oposição moderada sem jamais desligá-la, em última
instância, do radicalismo libêíáÍio. Ao aniculaÍ duas posiçóês aparcntemente opostas, Tancrcdo armava nâo só o fim
de um regime, mas as bases de outro. E quase nâo sc peÍce'
bia, mas esse novo rcgime, discrctamente, só seria possÍvel,
no seu aspecto ideal, com Tancrcdo Nevcs à frente.
I
VEJA.SUPLEMENTO HISTóRICO 25
Ás a.lr rradas da libcrdadc fr "rryc. *.0 IÜ
ac{rtocrmcnto nrnlIal. Ar Eat .h libcrdadc r Í}
zcm com a vigilia coÍrÍ)sa dfl bú quc cxorcirrÚ
com sua fé os fiotasmü de 6Írda. Ao üiro o rovclr,
ru de Miaas Gcrais, en agoslo di l9El, pora encup!
rer à Prcsidêttcio. i1
E,
l!IE4 foi o am ü rhrcde, úúcit ror d.t'rrad#
Eudüçú q G &vcÍiE oooalü co t5 tlc tr{§o af
1985, mar qur jÍ 3áo üúrcis c FofrI!&t c ê,nclà! ü
orplho todr r saicdade brlsiLiÍr. No otigo çe $
crevcu para o scçáo Por@ d. Visu do úhina cdl#
dtYElAdootuwsú.
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1
Putidos
dcvct dc
úlo são
Crttica à üci.tu b 7f d. nao cplry#' ft
É tapar o nsÍiz com o lenço G ir ao Colégio Elcitô
ral, sc isso for nooessíÍb. Podo ccr n';m, mas náo L
podc ser péssirn. En Julu dt 1984, quado sw call.
difutura indirca à Pnsldêneia ü Rcpública jó era f*
,o consvrrah . !i .
' .]+
Pra a ccqurrda crr rlo vou. Náo dhúr @fü
Doa*c a relonubçbeor .Wb dc 199. .#
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Colégio Eleitoml. 1lLllffi
Po,r favor, nr dcixcra cJ e"r. xao
"ro"
,"Ur a #
zcr. Náo qucro ser a Súa Bú do MDB, A gn g+;
po de ioraalista. ti . Etl
A c8bc{. do M.Srh}. ilosbor co no un iir*'j
bldio, ondc tr! scftrc algúm rtirado dgumr oj{ê,'
rz. Abonecido com o deputú Magollúcs Piú ry: cle ter pregab utr golpc, em 1981.
Prra dcscanrr, *'"t"oú.o * *rrrr$F
anigot, polÍriat. colúorúra. .: [,?
A gr"DdÊ occtpflo de i"fl. 1c.*. c $!J.chü&
mos qüc r dcnocrrir ctavr ffidtivrocnlc uscfÉ|ff
da no peÍs. Hoje vm $c.F tiúa rezlo cn-(i].
Otíúo Mangabeirr. DÍf qurf ossa dcmocracie q§Hr
runa plantiúa mui6 cre. Nüo entra,isu cm 19f,17.:
prcgotdo a volú @s Fürry boctáticot. ,;{ \
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I9D.
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O pnocaco
üto o gcÍ[!
poccrso au$itrkb
i!ÍiâIições c anbü
Disanno m 19E2.
dillrdi.l. o ÊuteitáÍio, tr, eí
dr O quc axisc Ac ruim.ia
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é elc mdo I
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EEá
VEJA.SUPLEMENTO HISTÓRICO I I (
l{o primeiro g.ande comrcio das diretas, na Praca da Se. em
Sao Pauto, a 25 de ianeiro de 19g4
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Nos seus
cosfumes, nos
gestos
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como
nas conucçoes,
ele era um
conserYador.
Cultivava laços
com a tradição
e o passado.
Sem alaridos de
erudição nem
proclamações
de coragem,
percebGU,
muito cedo,
que a história
do Brasil,é
singularmente
generosa
para com os
conservadores.
vEJA-SUPLEMENTo ntsróntco 21 i f
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Capitulo lV
Estofo de conseryador
C onvicções fundadas no tradicionalismo
e uma profunda ligaçao com o passado completavam a
pe r s onalidade do p olít ic o T anc re do
S*ülÍ*?Hfr'ffiil':.ffi.;i
:ulso-s era meio. a.ntiqueda. sempre com a roz rremida. MesT ^::j -f._11i,.".19
tinha patavras anriquarla.i .orno faia,
-
que ete pronunctava inslstentemenle. scm medo de.par.e_ cer fora de moda. E sua lc era crmcntada no tgr.la urit[à.
a
- Moío
lgreja milcnar dos paramenros. da., proci..,oei al, S.nf;ã, e do dever de ir à missa _ como aqucla a que com_ fY.y l" véspera do que seria o dra da 'posse, ;-il ;
converlena no último ato Dúblico " que r. fez presente. Ti_ úa honor a matrimônim rompidos, palavrâo e ir,fii.. -U"--
lhcnta.
-
No T, -l'ancÍedo caso. as apaÉrrcias nâo enganavam _ o doutor
era rêalmen& um conserr"d-or. na intimiaaãã-àl
suas mais profundas convicçóes. O r"ç. .rr**ãioràril plcta o ciclo. Junramcnr órn ,.u .rpírito .on.iiiü.io,".
com.os principios quc batizavam sua açáo, o .onr.*"dorisl
mo de Tancrcdo arrÊrnâ&r a sua Írgura _ e exptica por iue, l:i_ef,T.,pd. rrcmenlo, ele era o homem iauol pri. I
qu€dr:r_ hrstónca. vivida pclo Brasil, como .aras uezcs os ho- trrcDs roÍam hlhados para o rmrncnto histórico, no paÍs, ô raoo conscrvador era a áncore oue Tancredo podia lançar pa_ ra todo um lado do Brasil
-
do emprcsarial'ao miliú _ e
garanür sua adesáo ao pÍojcro de tànsiçao ãà;;i; qr; clc cncamavaO conservadorismo de Tancrcdo náo se confundc- Dorém
com .o. desgasle dcssa palavra posterioÍ ao dil filül llc tiúa talvez tanto hôrror ao'comunisr. ;;;; Ncwton Cruz ;;;;i
-
mas nunca mandana prcnder ou esDâncâr
:T -n9T. dessa sua convicçáo, nem de nenhuma ;;;: p.[
conuano, num citso coÍno csse, Tancredo ficaria _ ao_o ti- cou cm numemsas ocasiôes em sua vida _
"o tado dos À
Tln§!§ e contra os Euculentos que tentassem abatêJos. "O MDB está cheio de comunistas"', diri";-';9ii, ':.;;;
enquanto houver um rcgime de exceção nada direi conua elcs." Truculência ou prÉpotência sáo iraços qr. ..r..."ã]i
a ser.associados, e às veze! até confundiáos.:", o ;;;;r: vaoonsmo, depois da instiauiçáo dos regimes militares direi_ tisaas. O doutor Tancredo náda trnha à' ,er ..;-"_.-i;; conscwadorismo semprc esreve embasado ,, iiriii*çaÀ'-ã
na lci à antiga.
Mas que era conservadorismo, era. euando lhe oersunta- v8rq,po-Í exemplo, qual era o maior problema do ";i;:i;;_ 3yo9.I1" responderia_que era a injusiiça ou " a.rigráOuí". trc oma que era a inÍlaçâo _ e aré aplicaria oara e-ta ., rcto que os conservadores tradicisnaiÍn6n6 "ii_ âpticam, o-ãe "flagclo sTial". o douror Tancrcdo detestavá ;;.àii"; moncúria. Detcstava a desordem, em geral. Co.t r"-d"-à[a2t
VEJA.SUPLEMENTO HISTóRICO
I
(
cntos eguilibrados e ausleridade
-
todas características
f conservadores.
I São Joâo del-Rei barroca, seculaÍ e paroquial onde
Il roi *.do tem a veÍ, nauralmcnte, com o consÊrvado- Flri.rno de Tancredo. Outra pane Pode ser debitada às
os lcituras e gostos intelectuais. Tancredo nunca leu Marx
cu Diderot, Rousseau e Mo esquieu. Ele era dc um temr. e de um lugar, em que a cultura franccsa ocupava um luÚ sob€rano e inqucstionável, como fonte de saber e guia
) espírito. Durante sua viagem à Europa, Tancrcdo contou
:m órgulho ao pÍesidcntc francês, François Mincrrand, que
ú8 lido DideÍor numa edição râra, Pencnccnte ao acervo
r bibliotcca pública dc Sào JtÉo del-Rci. Romancistas como
VE'A,SUPLEMENTO HISTORICO :9
Anâtole France
-
ou o ponuguês Eça de Queirós, outra de
suas prefeéncias
-
serviram ao mesmo tempo para consolidarJhe um traço que s€ casaria perfeitamcnte com o conservadorismo: o ceticismo. O ceticismo de Tancrcdo às vezes chegava a chocar ceíos interlocutores, dada a maneira chã com que
o levava a cncarar as Pessoas e as coisâs. "Qual será o seu últi
mo alo como govemador de Minas?", pcrguntaram-lhe certa
vcz, às véspcras de clc se desincompatibilizaÍ do cargo para
concorÍcÍ t ltesidência. Tancrcdo fez um muxoxo: "Ora,
provavclmcntc alguma nomcação". Alguns raduziam o cctiêismo dc Tancrcdo como um úaço negativo
-
um sinal de
alhcamcoto ou dcsdém pclas coisas, quando náo de descrença
na natur€zâ humana. Para ouúos, no entanto, tÍatava'se dâquele ccücismo quc, espccialmentc nas pessoas mais velhas, serve
!
Únirnoato
Dotado de uma fé
à antiga, fundada
na Igrejâ dos
paramento§ e das
pnoci§sô€s,
Tamredo Neves foi
à missa, na véspera
do que seria o
dia da posse.
Acabaria sendo
esta sua derradeira
apariçáo pública
ântes da fatâlidade
qu€ o arrâstaria
ao hcpital e
do sofrimento que o
conduziria à moÉe
Cl §r
I
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a a
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Modelos históricos
Getulio Vargas. de quem foi
próximo colaborador. era o
presidente que Tancredo Neves
mais admirava na história
do Brasil. O marquês de
Paraná, grande figura do
Segnndo Imperi o (na paCina
oposla) , era um de seus heróis
do passado
-
um político no
qual via traços com que se
identificava e cuja obra lhe
servia de inspiraçáo
para irrigar a sabedoria e fazê-la crescer. ponanlo, seria um tra_
ço positivo
-
ainda mais que daria a seu possuidor uma perfeitr consciência dos limites , scus e dos outros .
O ceticismo- reforçâva o traço conservadoÍ. Um cético ja_
mais acreditará no poder miraculoso das reformas
-
p.r" íáo
dizer das revoluçôes. Mudanças o doutor Tancredo aá-itia, e
alé as favoreciâ
-
mas sempre denno do quadÍo da continuidade, e náo da ruptura. "Socialismo, no Brásil. seria a distribuiç6o da-potrcza e da miséria", dizia ele, repetindo um argumen_
to usado à exaustâo pelos conseÍvadores .
Flode-se identificar no lado conscrvador de Tancredo, e
Fno gosto pela austeridade que daí decorria, ceías re- ! servits que ele fazia, em privado, a Juscelino Kubits_
chek
-
paradigma no Brasil de govemante gastador, e até
descohüolado em sua tendência para o desenvolvimenüsmo
a qualquer custo. Quando lhe perluntavam qual foi o melhor
pres_idente que o Brasil já teve, Tancrcdo sempre citava dois
-
Juscelino e Geúlio VaÍgas. A verdade, porém, é que de
Juscelino_ ele nâo gostava ianto. A razão frr que o citava
sempre fazia paíe de seu estoque de astúcias: üm mineiro,
segundo Tancredo ensinou ceÍa vez a um correligionário,
Eduardo Toledo. jovem candidato a deputado em M'ínas. ia_
mais poderia esquecer Juscclino Kubitschêk.
Uçao de colfiança
Quando Tancredo Neves cn primciro-ministso, no gover"
no João GoulaÍt, sua mulhcr, dona Risoleta, quis levar dc
Belo HoÍizonE uns quadros srus, púra erfciter a Granja dO
Ipê, ondc mrevam. Tansdo nlo deixou.
-
NiDSuém nG v€ú üaz€údo €úcs qrd6
-
agrr'rÊt
Ul
-,
mâs, $ado fqmm dca, Oda rc vtrb bnÉ.loa.
t,
Uro @ftico pemambucem podiu r Tücrcdo Ncvcr,
qurdo efc êrr govcmador dê MitrG, qrE m@.§sc dguú
,migo. pca cúgrx Dr qêeie ô Brrco do Bsrrdo dc Mi.
ars Gcerir no Rccifc. Tamcdo conoodou.
nrrcotloo dguns diu, o autor do Fdido, qucrtldo mrr.
rr dc vcz rr mcaçõcs, voltoü E Tarcrrdo.
7 Dolr Trogt&, o sGDhoÍ p lcmbra do assunto ô
Bcmgc qE nó6 A8torM orto dh?
-
corcçor.
-
Clrro, claro
-
rcspoadcu T8trcÍcdo.
-
Sabc, doutor Tancrcdo, mcu pcssoal lá cm Pcmrmbu.
co c*á um pouco ansi6o... Elcs tlm me t lcfooado Euilo, querÊÍdo sabaÍ sc üdo cstá ccÍto tncsttro...
-
avançou o
político.
30 VE'A-SUPLEMENTO HISTóRTCO
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rcspoudeu Talcredo na tron.
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dizcr pera clqs quê e?Edircm Dr su! palayrt. Assim como
voct acÍrdits na minhr, não é?
As nomcaçóes saÍr8rD c o político aqcndcu a licão_
''Nunca mais cob,rci ordâ dÊ TuàÊdo'' , ctirfc*:ou Acpoú .
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Noa !êEpo6 do govcrm Modici, Taocrrdo Nevcs Euitlr
vczcs sc cncÀrrrgsvr dc cscrcvcr u notar oficiais do MDB. ! 'as ocasiõcs, abusava dc erpessôcs cmo ..diaÀra mi- lhú" ê-outra! pouco condizcncs cm sua posfo;lo dc crpoctrtr dr ala modcrada do pÊÍtido. Aos qtr-sc rsrusavan
com sua lingurgcm, clc cxplicevr:
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Faço dc p,Íop&ito. Arrim, oc radicais é quc vâo cor- taÍ. Sc ! nosss notr for muio amcna, ctcs vão ircrcr rrçscÊnt r coisas , e vai ficar muilo pior.
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Um êlcitc cm Sto Joáo dct.Rci fui a Tancredo c lhc disc:
-
Vou. contsÍ um-6cgrcdo psÍa o scúor. Mas é ú para o
eúor. Ninguém mais podc sabcr.
-
Entâo nâo coDta nâo, Ecu filbo
-
Ícspondcu imediatarncntc Tancrcdo.
-
Sc vooê, quc é dono do scgÍcdo, nâo é
capaz de guardá-lo, imaginc cu...
A esse mesmo interlocutoÍ, no entanto, quando prensado,
durante a campanha para o Senado, em 1978, a dizer qual
dos dois presidentes, afinal, considerava melhor, Tancredo
rcspondeu: "Olhe, meu filho; Gcúlio foi mclhor". Getúlio foi o mestre definitivo quc Tancredo encontrou na vida.
Qucm sc lembra bem de Gcúlio Í€conheceu a mão do mcstre, inclusive, na última obra-prima de Tancredo, a emprcitada dc cngeúaria políticâ que foi a armaçâo de seu ministério. Ali cstariam pÍEs€ntes a mcsma manha e a mesma caoacidadc dc cosruraÍ os contrários do histórico prcsidcntc'da
caÍta-têstamento. "Vamos dcixar as ondas batercm e depois
cstudamos a espuma", dissc ao seu sobrinho Francisco ômnelles, no mais puro estilo dc GÊtúlio.
A.Vargas, Tancredo devia sua súbita e inesperada asccnsáo à. primeira
-linha_ da política nacional quanào, ainda jo.
vcm deputado fedcra.l em pÍimeiÍo mandato, foi feito minisEo da Justiça, em 1953. Gcnúlio tcve sua atcnçáo dcspeíada
para o entáo pouco coúccido político mineiro quanão cste
aceitou a incumbência de dcfender, no Congresso, c acabou
por fazê-lo com sucesso, um veto prcsidenõial que neúum
outro parlamentaÍ governista se dispunha a dcfendàr, üio difÍ- cil se afigurava a tarefa. L,ogo depois Getúlio quis coúecê_
lo pcssoalmente, e daí às audiências semanais em ouc o DÍ€_
sidentc procurava ouvir o dcputado mineiro e com ele tr&ar
idéias foi um
-passo. Quando. pouco tempo depois, Geúlio
chamou Juscelino. enrâo govemadoÍ de Minas, e disseJhe
que gostaria de entregar a um mineiro a pasta da Justica- iá
:f ..o+".iq _" .
udmiraçáo do presidente pelo deputadt áe
São João del-Rei. A cada nomé que Juscélino
Getúlio opunha uma objeçáo. Até que "pi..ent.ua, chegou ,r,i .o.inü
em que .luscelino foi dieto ao poàto. ..Éstamos perdendo
tempo", disse o govemador. ..O senhor qucr é fazei o Tancrcdo. " Getúlio concordou com a cabcça.
êom toda sua lealdade e sincera admiraçâo pnr Geúlio
L,-: d. quem reccbeu uma canch de oúro que guarda_ Vria como um tÍoféu [bÍ toda a vida _, Tancred-o nunca s€ engiu em seu herdeiro ou continuâdor, como o fizeram Joâo Goulaí e L-eonel Brizola. lsso fazia prn" O. i"u-ú* to. Tampouco TancÍÊdo costumava pintar um Geúlio de-;;_ qucrda, cm lura contra o impcria.lisiro ou ^ .uttin""iãnaii.
Isso lazia paÍle de seu conscrvadorismo. É sintomático ouc
em uma das entrevistas quc concedcu no inÍcio Aestc inÀ
I ancÍedo- teúa pcgado Genilio por um lado tÍadicional c
conservador, ao faJar de sua adúiraçáo peto ,ettro ncstc. "VaÍ€as me marcou muito pcla liçáo ie uus.fa"O" "'ái olo pela coisa pública", disse.
O conscrvadorismo de Tancrcdo tiúa a ver também com su1.-rcveÉncia_ pelo- pâssado, s€u apcgo à herança
politrca do país e às figuras da história. Sabe-ic "uitu""f-. como cle cultuava llradentes. E é curioso conro, tendo convivido com um3 geraç1o.tão rica de polÍticos mincims do prcscntc, clc tenha se referido tantas vczls a um político mineiro ao oa".r_ do, Honório Hermeto Carnciro L,eáb, o marquês de páranã
Presidenre do Conselho de Ministros de Ig53 a lg5ó, pâran.;
formou um-gabinete que. pÍomovendo a unidade .nd." ,*il
sos. atê entao. etemamente em disputa, inauguraria o pcríodo
c9nl':cldo na história do Segundo Imfrrio cõmo a ..Cànciliaçao . b a panrr daÍ que se consolidan as instituiçócs monáÍ- quicas e o parlamentarismo dos tempos d. do. i;d;''U -_
gilares sobre os quais se erigiriam quatro decadas áe faz- politrca intema no país.
-
E evidenre que o conciliador Tancrcdo haveria de se identi_ ficar com Paraná
-
mas náo era só ;nr "i. nu u..aia., qu;-r. poderia encontrar (raços de união entre ambos. paraná era
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VEJA.SUPLEMENTO HISTÓRICO 3t
também, ao mesmo tempo. um políllco dc fundas conric,:óe,. conservadoras _ feito sob medrda para,, la.lo do TancieJo cons€rvador. Enfim, o Tancredo intiansigenre ,rrtÀ".u'ü l:-:1.Ígr"i9 moldado pelo ertadisra dà t*pé;; -_
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::Ilt-,-". g: livros para ver se paraná foi de 'atguma fo i
conqescendente para com os lÍderes da Reroluçãà praieira, a quem coube reprimir durante sua breve p"rr"gÀ p.i;;;;;r:
no de Prrnambuco. paraná morreria ainaã no
-poOei,
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poíanto. do aMômen. Durante sua doenca or parlament"rcs am:n-gar.irm um perído d.
za. "rúdr;;;;;n:: para quem ainda não se fanou de trrtor'p*"t.to. . .ãin.i- dências históricas, na mone de TancreOo, uqr'ii .sa Ãui. ,Á.
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?*.X" ^:r"_-:,"-, l:ld:d.. rp pot ítico tradicional. nasu i-
-1.fi Ê',i.:ii##T:#Í;:'::":'i*:I:ft ',"."':i.,t';
f ,,j::.-":._:Í':9, {o ripo profétic; ; ;;;d ;;;,;;;:
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e. nunca qurs ser. Seu estilo e seu teÍnp"ornanto ara., do polÍtico parlamentar, que vai aos pouquinhàs . na"
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qucs,. tÍabalha mais sentado Ao que aj pé . .*.;.;;;;';;_ clcncra do que posa de porrador das revelaçóes if,rrir"aã.. São Joâo.dcl-Rei e Bclo Horimnte d".--lÉ ;-.i;;;;;,;
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apuro
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na linguagem e o horror as. estridências. úã. ãüiiir,. noçâo.dâ inurilidade das brigas irreparávcis, aá p".iin_ cta
-para.ouvir
e. a capacidadc de sempre tenhr costuÍar o oue PaÍEcra rremcdiavelmenie es8arsado
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a ativiari.- ,'.,irri-.' sooÍEtudo a experiência parlamentar. os uons partaríeniÃ1 aprcndem cedo que náo se briga com quem se convive. oois o que diferencia o Congresso a.-u- .sulàio ã. ir-rJüi;à ;:"ri
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No fim, o prCItêsto
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A cam!.nhs pclas dirctas é neccssária, poÍÉm líÍic
Junho de 1983.
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Sc as csquetdas tivesscrn coodi@ & mobilizar a massa h
9io1 qrE nós wnc ne Praça da Sé, cm Ctriüba e Salvado
Jâ tcÍram tüfa.b o pod€Í DcsE paÍs. Fevereiro dc tW.
Rêrj:uraÍ_s dqneracis e àt uru a Rcpública. É cdií
car r Nov-r Rcpública, mieslo quc cstou Ítàbcndo do mr
c 6c tnttrstormaÍá cD rcatidrdc pcla força úo a6nas dc ur
ryuuco, Tts dc todo6 06 cktadlos brasilcims .'No discurt (U runcmbo de l9&1, cm Vitória. Esplrito httU, cn j
laryou a Now Rcpütica.
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De no(tê a sul do Brasil, cstou Fegando, cm oraca oúbl
ca, a u dâ.tc nacional. prcgo r conórdia, a coiosúcao a
rururc, c Dao mc pícodo roe pa:adclos do passado. /dci.
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povo,é . subctâtrcia 9l Rcpública, cmo prova a raiz I
:99ry1n A Rczúblice dcve, pois, acr ô comprom,sr
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Fodcm oc brasilciroe císÍ rêgutoc dc quc frr,cmos, ca
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VEIA.SUPLEMENTO HISTÓRICO
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bilidadc dc as torcidas convivcrcm no plcnáÍio c, sobrttudo,
nos corredores.
Há políticos quc sabcm história mas nâo a cntendem, como
o scnador baiano Luiz Viana Filho, biógrafo do baráo do Rio
Branco e eleitoÍ de Paulo Maluf. Há outros quc a sabem, a entcndem, mas rccuam quando cla lhcs mostr-a os dentcs. Essc
foi o caso do marechal Castcllo Branco, um inimigo da intcrvençáo mititar no poder, quc úo soubc jogar sua biografia numa só cartada para contê-la. Tancredo, scm alarido de crudiçáo, sem pÍoclamaçócs de coragem, poÍcebu, ainda moço,
que a história do Brasil é singularmente gcnerosa com os consewadorcs. Nâo há nela uma única frgura de primeira linha
que náo seja ao mesmo temln conservadora nas idéias e libcrúria na conduta. Com excoçáo de Geúlio Vargas, ainda o
grande enigma da história do Brasil, a política brasileira só favorece quem govema com um olho à direita e as mãos em
guarda na defesa das liberdades públicas.
IFancredo sabia como poucos alçar vôo acima das conI fusôes do dia-a-dia e se colocar em sintonia com a his- I tória. como aconteceu no seu discurso do dia 15 de novembro do ano passado, aquele em que lançou a idéia da No.
va República. "Neste l5 de novembro de ransiçâo democrática. concito e conclamo os cidadâos à tarefa de constÍuirmos
juntos a Nova República", começou Tancredo, falando perante o encontro da União Parlamentâr lnteÍcstadual, reunida em
Vitória. O que se seguiu foi uma primorosa costura da história passada com a história presente, em que, no fundo, o entáo candidato à Prcsidência da República apresêntava o quc
Sonhoepesadelo
O boneco de
Tancredo durante
s campatrha pare
a kesidência, em
Gniás, e em frcnte
ao Instituto do
Coraçáo, em Sáo
Paulo, nos dias
de vigília: em
pouc(x me§es, o
salto da euforia
para o drama
que comoveu
o Brasil
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VE'Â.SUPLEMENTO HISTÓRICO 33
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igoÍa estou aqui? Ao chcgar ao irltittllo b Coraçfu, ert
Sáo Paulo. para noeos cram*,
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Nâo trode scr depois? Estor táo cansado. Ao ser infornudo fu quc scrio subrwtido à terccira operaçôo.
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Nós vamos Yenccr mais essa. A dona Risolcta. artes do
Íarieira operaçõo
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Sc é necessário, vamos lá. Varnc acabar logo com isso.
Aos ntédicos, quando foi avisado da quana cirurgie.
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Eu náo merccia isso. Áo n Ío Aécio, indo pata a seÍta
oNtaçõo.
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talvcz- teúa sido o maior de scus pÍodÍgios reaentes _ a con- ciliaçáo enft a idéia dc mnsiçáo, e poíanro dc camiúo scm sustos, e- o desejo de mudanças. ., República uan"o . *r- pêrla o lmÉno que ela enccrrou scm violência ncm iniusti- ç8', dlssc 'I'ancredo. E mais adiante: ..A República narceu
para dar ao povo um rcgime no qual ele pro..*'púã*. .._ oolneodo os seus govemantes, cm oposiçâo ao direito'hercdi- úrio dos rcis. vitorioso o movimento,
-uniram-* ;;p;úiil_
nos e monarquistas, scm Íessentimentos o,,."rrris.ós, pã construir a nova ordem".
t::,1T:r.. poÍquc.poucas
_vezes o Brasit esteve ráo p€rE['.: J::§, #1"L1,'] ?*:,:X§:':,ll#TTl:
T",r_:T 5" grande sintonia com seu tempo. scm os quais sena lmposslvel as coisas aconteceEm como aconteceram. fo_
ram poucos na história do Brasil. Talvcz se possa fazer a.lcum psÍalelo.com dom pcdro I, scm o qual ,â"'; ;õ;;ã;';
todepcndêncla como ela foi, dc cena forma conceíida com a
ryTrgri" poíugucsa c a cla tigada por laços "ú"i;;
'ó;
rmsma torma, homcns quc fanão falú como Tancrcdo são pouaoE. talvez, na hislória rÊccnle, um paralelo DossÍvcl scià
:o,f 9 J^ârio.ar4-s qüc se pcnsou asur elcgendã cm iió0'i
o Jàflo QurÍlÍos dc -vcrdadc, cfcüvanrcntc bvúo 8 Brasília.
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r8Íl I arcÍEdo Ncvcs o país coofluÍ8, ncstcs nrcscs ÍGc€n- ]c§, como o povo confluiu, no dia de sua clcieáo, DsÍa 8 si- glntêrca bandciÍa nacional quc o prctcgeu d, :il";-"rq-d;
manhá em -BÍasflia. Daquele dia de sonho para o pesadelo da vrgitta em tÍÊnte ao lÍlsaituto do Coraçáo, em Sâo paulo, deu.
sc o salto mais arordoante da hisrórit das ,r"e..o.s preiiãenciais no Srasil. "Ágora esle é um paÍs que u"t. , p.í"; ,- Uã.
qy"_o d.prfqg Utysses Guimaráes, naquete dia àe glória da eleição no Colégio Eleitoral. Agora, apenas três mãscs de- pois, esr é o paÍs do luto e das indagaçoes. Admiu_se por hi- Étsse que o novo govemo venha a amrmar sua vidá e até
aprumar em dircçáo a um rumo scguro. Estará scmpre faltan_
do,. porém, de forma incxoúvel, cõmo resultado da'armadiú
mais cnrel que o destino poderia pregar ao Brasil, neste mo.
mento, o doutoÍ Tancredo.
Nâo se pode deixar de enxergar, poém, em meio a todos
os azâÍes rcgistrados nesms últimas iemanas, uma est'cie dc triunfo final para Tancredo. poucas das tarefas de ,ru'riàu .t
conseguiu cumpú até o fim
-
mas a verdade é que, com o
cnterro gigantesco c consagrador que meÍ€ceu do oovo brasi- leiro, de ccna forma pode sc considcrar perfeitanráte comoleta e acabada a parábola de sua vida. CeÍtâ vez, ao se fatar Oo lrm dos polÍticos, José Maria Alkmin, aquele mcsmo Alkmin das malandragcns g p"!rpe"l". fantrlsúcis do pSD -
-i;;ü: saru-sc com a scguinte frasc: ,.Mcu filho, a mone Dolítica ú
ocorre depois da mortc ffsica". Nio há dúvidâ dc qüc no caso dc Tancredo Ncves s frâsc csú correta. Sue moíe'rnlítica ú
ocorÍÊú quando os milhôes dc brasilcircs que o hámenalea- ,*. nu .€T-l.q3sada o descjarem _ e náo há sinal dc -quc
vcnhrm a dcsejáJo táo ccdo. 'O
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OutÍo trecho m.nu$Íito do dbcurco d€ dêspedldô d€ Íficredo Í{evee no Senado: 'o Brasil doc noesos dirs rÉo edmite nGrn o cxáusiúeno do governo ncrri o da oo,osicrô. Govcmo r opoeiçà«r, .cimâ dos sôus obiativos xúticoo. tàm dcyon; in.Éüiar-*-ã-,üIã'p"r""
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