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materia nº 4/2021

Tipo Moção
Número / Ano 4 / 2021
Date 2021-06-25
EmentaDE APOIO À REPOSIÇÃO DAS PERDAS SALARIAIS DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS DA REDE ESTADUAL DE EDUCAÇÃO.
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2021-06-29T09:46:35.772085-03:00 APROVADO 8 0 0

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Excelentíssimo Senhor
DIRLEI DAMA CORDEIRO
Presidente da Câmara Municipal de Vereadores
Serafina Corrêa - RS
Daniel Morandi, Dirlei Dama Cordeiro, Eleandro Timoteo Moreschi, Francisco Bernardo
Mezzomo, Gilmar Facco, Jairo Vidmar, José Carlos Betinardi, Lídio Francisco Oldoni e Morgana de Fátima
Tecchio, Vereadores na Câmara de Serafina Corrêa, Estado do Rio Grande do Sul, requer nos termos
regimentais e ouvido o Plenário, à apreciação da
MOÇÃO Nº 4/2021
DE APOIO À REPOSIÇÃO DAS PERDAS SALARIAIS DOS TRABALHADORES E
TRABALHADORAS DA REDE ESTADUAL DE EDUCAÇÃO.
Justificativa:
Os Vereadores abaixo signatários, apresentam esta Moção de Apoio à reivindicação dos
trabalhadores(as) da rede estadual de educação por reposição das perdas inflacionárias de seus salários.
Os(as) profissionais pleiteiam o exposto amparados(as) nas razões abaixo coadunadas:
I. Como é público e notório, a categoria dos(as) trabalhadores(as) em educação amarga
um intenso processo de empobrecimento, sem qualquer reposição salarial desde novembro de 2014,
São quase sete anos de congelamento, agravados pela recente perda de direitos com a aprovação de
mudanças nos planos de carreira, eliminação de vantagens, redução de adicionais e alterações na
Previdência;
II. Por mais de 60 meses, os profissionais da educação receberam salários atrasados e
parcelados, desprovidos do direito de conhecer o dia do pagamento do próprio salário com o mínimo de
antecedência. Esta política inviabilizou a programação pessoal e financeira dos trabalhadores(as) e
empurrou a categoria ao endividamento;
III. De acordo com o INPC, a inflação acumulada entre novembro de 2014 e março de
2021 chega a 44,18%. Professores(as) e funcionários(as) de escola - na ativa e aposentados(as)
perderam, portanto, quase metade do seu poder aquisitivo;
IV. Não conceder a inflação fere a previsão constitucional de irredutibilidade salarial,
pois negar este repasse possui o mesmo efeito prático da redução;
V. No mesmo recorte temporal, o preço da Cesta Básica - calculado pelo Dieese com
base nos custos médios da capital - aumentou de R$ 342,62 para R$ 636,96; o equivalente a 86%. Cabe
lembrar que os alimentos têm um peso maior no orçamento daqueles que ganham menos. Portanto, se
a inflação é mais elevada nestes itens, trabalhadores(as) da educação - entre os servidores(as) mais mal
remunerados do Estado - perdem mais;
VI. Com a aprovação das Reformas Previdenciárias no país e no estado, os
aposentados(as) que possuem os menores salários da folha de servidores(as) passaram a pagar pesadas
e abusivas contribuições, que podem somar um salário inteiro perdido ao longo de um ano de
descontos;
VII. Além do arrocho salarial sem precedentes, os educadores(as) também amargam um
auxílio-refeição extremamente defasado, de R$ 10,11. Neste item, até 2018, o Estado vinha realizando
reajustes de acordo com o Índice geral da inflação. Nos dois anos do governo Leite, no entanto, nem
esta correção foi concedida;
VIII. Em 2020, após travar uma dura greve para defender seus direitos e carreiras, os(as)
educadores(as) gaúchos honraram o compromisso com os(as) mais de 800 mil alunos que dependem da
escola pública estadual, recuperando as aulas devidas e concluindo o ano letivo. Não obstante, seus
salários foram cortados como forma de retaliação ao movimento grevista;
IX. Dados organizados pelo Dieese demonstram que as despesas com pessoal do Estado
em 2021 atingiram o menor comprometimento das receitas em sete anos, ficando abaixo do limite
prudencial estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Desde 2015, a folha dos ativos da Secretaria
da Educação encolheu nominalmente 21%, e a sua participação nos gastos de pessoal do Estado caiu de
33% para 22%, com redução de 24 mil servidores(as) na ativa.
X. Apesar de a LC 173 - aprovada pelo Congresso - vetar reajustes, o texto não menciona
reposição salarial e já existem casos concretos de concessão desde a sua promulgação. Por outro lado,
caso o Estado efetive sua intenção de aderir ao Regime de Recuperação Fiscal, a categoria será
condenada a mais nove anos sem qualquer reposição, o que imprime urgência ao pleito desta moção;
XI. Cabe aludir ao grave momento que atravessamos, que inclui despesas extras com a
saúde e evidencia a importância da renda dos servidores(as) para o sustento familiar em um período de
crise e desemprego, bem como para fazer girar o comércio local e a economia dos municípios;
XII. Outrossim, esta é uma categoria que está trabalhando dobrado desde o início da
pandemia, arriscando-se nas aulas presenciais e, quando no ensino remoto, utilizando equipamentos
pessoais e pagando Internet e luz com os próprios recursos para não deixar desassistidos os estudantes
que dependem da escola pública;
XIII. Por fim, salientamos que a educação não pode ser considerada essencial apenas
para forçar a abertura de escolas em meio à mais grave pandemia em mais de 100 anos. Se a categoria
realiza uma atividade essencial, sua valorização salarial e profissional devem ser prioridades para o Rio
Grande do Sul.
Diante do exposto, após aprovação do soberano Plenário, requer-se que seja
encaminhada a presente moção à Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul e ao Palácio Piratini,
pleiteando pela reposição das perdas salariais acumuladas pelos(as) trabalhadores(as) da rede estadual
de educação.
Serafina Corrêa, em 25 de junho de 2021.
Daniel Morandi
Dirlei Dama Cordeiro
Eleandro Timoteo Moreschi
Francisco Bernardo Mezzomo
Gilmar Facco
Jairo Vidmar
José Carlos Betinardi
Lídio Francisco Oldoni
Morgana de Fátima Tecchio

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