CÂMARA MUNICIPAL Dê VEREADORE"^
SERAFINA CORRÊA-RS
Protocolo ro. i
D, -. WiWiM
Ass.
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
PREFEITURA fWUNIClPAL DE SERAFINA CORRÊA
PROJETO DE LEI N" 45, DE 27 DE AGOSTO DE 2004.
CAMARA MUíM„iPAL üt' . c., üORES
EuRAFIMA CORREa-kS
DENOMINA ESCOLA MUNICIPAL DE ENSINO
Vot FUNDAMENTAL.
SELMA LOURDES FÁVERO FINCATTO, Vereadora no Cargo de
Prefeito Municipal de Serafína Corrêa, Estado do Rio Grande do Sul,
Faz saber que a Câmara Municipal aprovou e ela no uso de suas
atribuições legais, sanciona e promulga a seguinte Lei:
A Escola Municipal de Ensino Fundamental, localizada no
quarteirão formado pela Rua João Bellenzier, Rua Piratini, Rua Minuano e Avenida Arthur
Oscar, no Bairro Gramadinlio, em Serafína Corrêa, denomina-se “Escola Municipal de Ensino
Fundamental LEONORA MARCHIORO BELLENZIER.”
Alt. 2° A presente Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 1
Gabinete do Prefeito Municipal de Serafína Corrêa, 27 de agosto de 2004.
Vereadora Selma Lourdes Fávero Fincatto
No Cargo de Prefeito Municipal
Visto SetoRJurídico:
CÂMARA MUNICIPAL DE VEREADORFc
SERAFINACORRÊA-RS
Protocolo no.
Ass.
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
PREFEITURA MUNICIPAL DE SERAFINA CORRÊA
JUSTIFICATIVA:
A denominação proposta para a Escola Municipal de Ensino Fundamental, no
bairro Gramadinho, é uma homenagem a uma personagem que caracterizou e marcou a sua
época de forma positiva, influenciando na construção do local, hoje identificado por
Gramadinho.
A biografia da homenageada, descrita por quem a conheceu na intimidade, revela
a grandeza de alma, a dedicação e responsabilidade dos encargos que assumiu e, sobretudo,
amor à família, á comunidade a que pertencia.
Eis um pouco da vida de Dona Leonora Marchioro Bellenzier:
Nascida em 09 de junho de 1899
Falecida em 10 de novembro de 1980
Filha de imigrantes italianos, nasceu em Caxias do sul, sendo Atílio Marchioro o pai e
Benedita Suzin Marchioro a mãe, estes eram agricultores, trabalhavam no cultivo da uva para
seu sustento.
Leonora era a filha mas velha do casal e cursou o primário em sua cidade natal.
Em 1914, a família mudou-se para Guaporé, onde residiram na Linha Oitava,
continuando as mesma atividades agrícolas.
Em 1920, com 21 anos de idade, casou-se com João Bellenzier, que era ferreiro e
tiveram 9 filhos: Ires, Olídia, Inédia, Elizabetha, Lírio (in memorian), Sadi, leda, Nadir e Darci
(in memorian). Seus 9 filhos lhe deram 27 netos, seus netos lhe deram 42 bisnetos e 2
tataranetos.
Em 1928 mudaram-se para Serafina Corrêa, passando a residir na Linha 11 no atual
Bairro Gramadinho. Nesta época já com 4 filhos e, logo que chegaram à cidade, nasceu o
quinto.
Em 1931, com 32 anos, já com o sexto filho, iniciou seu curso de parteira, em Passo
Fundo, onde ficava alguns dias por semana na casa de sua irmã e, após às aulas, retomava para
sua cidade. Leonora ífeqüentou o curso de parteira todos os meses, durante 3 anos seguidos, e,
ao mesmo tempo, dedicava-se à profissão, pela qual adquiriu muito amor, além de auxiliar nas
despesas da casa.
Sua professora, que também era parteira, nasceu na Itália e fez curso no país de origem,
seu nome era Natalia Bonela.
Leonora ffeqüentemente ia à cidade vizinha, Guaporé, no posto de saúde, para manter-se
atualizada na profissão.
cAmarawm^ye^dores
Protocolo n°.
^—
Ass.
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
PREFEITURA MUNICIPAL DE SERAFINA CORRÊA
Para atender suas parturientes, ela andava até 4 horas à cavalo e, muitas vezes, quando
chegava ao local, encontrava pessoas muito pobres, que não tinham sequer roupas para o recém
nascido. Então, após o parto, ela cedia seu próprio avental para agasalhar a criança, que iria
dormir em palhas com seus pais.
Para chegar onde deveria realizar os partos, a maior parte dos anos que trabalhou ela foi
à cavalo, que as pessoas mandavam para seu transporte e, só mais tarde, começaram a buscá-la
de jipe.
Leonora realizou o parto de 20 netos e alguns bisnetos.
Durante os 45 anos que se dedicou à profissão de parteira houve uma série de fatos
marcante em sua carreira.
Certa vez, houve uma enchente na região, e ela precisou atravessar o rio Carreiro com
pequeno barco, o qual enfrentou a correnteza com muita dificuldade, pois a balsa que realizava
a travessia havia sido levada pela cheia.
Muitas vezes os partos eram difíceis e as parturientes tinham que ser levadas ao hospital,
mas as mulheres não dispensavam a presença da parteira e esta permanecia na sala e auxiliava o
médico.
No período que trabalhou não houve casos de morte das pacientes e raras eram as vezes
que os recém nascidos faleciam, exceto quando tratava-se de excepcionais ou bebês muito
prematuros.
Seu método de trabalho era simples. Apenas fazia a higiene da paciente, esterilizava a
tesoura, que era seu único instrumento, utilizava vaselina esterilizada, ervas medicinais, como a
malva, por exemplo, e fazia compressas de água morna para ajudar na dilatação e facilitar o
nascimento das crianças.
As pessoas confiavam muito em seu trabalho e sempre pediam sua ajuda, principalmente
as mulheres que tinham o primeiro filho, pois ficavam desorientadas pela falta de experiência.
Em sua profissão não havia horário para atender as pacientes, que, muitas vezes,
mandavam chamá-la tarde da noite e, mesmo com chuva ou geada, levantava sem queixas e
nunca negou ajuda aos que necessitavam.
Mesmo quando seu esposo encontrava-se enfermo não deixou de atender suas pacientes,
e, após a morte de João, parou de trabalhar, com 77 anos, porque além da idade, sua visão não
ajudava mais, pois já havia sido submetida a uma cirurgia de catarata.
Seu apelido; “NORINA” surgiu ainda na sua infância, e ainda hoje as pessoas lembram
carinhosamente da “parteira Norina Bellenzier"
Gabinete do Prefeito Municij^l dá Smafina Corrêa, 27 de agosto de 2004.
olâesÇavM Áncatto Vereado^a^S4finai
No Cargo deTrefeito Municipal
CÂMARA MUNICIPAL DE VEREADORES
SERAFINA CORRÊA yRS ^
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