| Tipo | Lei Ordinária |
|---|---|
| Número / Ano | 786 / 2004 |
| Date | 2004-12-09 |
| Ementa | INSTITUI O PLANO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DO MUNICÍPIO DE ÁGUA BOA |
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Anexo Lei Municipal N° 786, de 09 de dezembro de 2004. PLANO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE ÁGUA BOA Água Boa-MT, dezembro de 2004. 2 COMISSÃO EXECUTIVA PODER EXECUTIVO MUNICIPAL Irene Wentz Manhães – Secretária Municipal de Educacão Dalci de Jesus Bagolin – Secretário Municipal de Planejamento PODER LEGISLATICO MUNICIPAL Vereadora Oneide Aparecida Santana Mundim Vereador Edilson Pedro Spenthof SINDICATO DOS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO Lino Schaefer INSTITUIÇÕES PRIVADA DE ENSINO Geneci Bartz Kuhn Maria da Silva Maciel ALUNOS DA REDE PÚBLICA DE ENSINO Cladir Stafen Rosana Sakadauskas Santana Alves de Sousa SEGMENTO PAIS DO CONSELHO DELIBERATIVO Salete Gewer Eva da Silva Pereira ASSESSORIA PEDAGÓGICA DO MUNICÍPIO Sílvia Regina Zanardi 3 COMISSÕES TEMÁTICAS ENSINO FUNDAMENTAL Irene Wentz Manhães Eva da Silva Pereira Salete Gewer EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS Coraci Machado Araújo Sílvia Regina Zanardi EDUCAÇÃO ESPECIAL Janete Pegoraro Fernanda Furini Eliane Bresolin EDUCAÇÃO INFANTIL Maristela Marchioretto Nilva Paula Stein Vanice Selke da Luz EDUCAÇÃO INDÍGENA Elaine Beatriz Erpen Anderson Siruiá Elizangela Gunsch Cruvinel FINANCIAMENTO E GESTÃO FINANCEIRA Dalci de Jesus Bagolin Alceu Busanello Oneide Aparecida Santana Mundim VALORIZAÇÃO DO MAGISTÉRIO Lino Schaefer Denice Dresch Claudinei Ap. Lozano Ruth Pinto Camargo Noeli Capitânio Bregitte Margot Zittlau Verania R. Volpi ENSINO MÉDIO Mara Lúcia Sampaio Nunes da Silva Vera Lúcia Debarba Cogo Inez trentim Zandoná Geneci Bartz Kuhn Meire de Melo Lourenço Garcia Helena Dorotéia Schegosheski Ir. Maria da Silva Maciel ENSINO SUPERIOR Angelina Alves do Nascimento Odila Maria Zampirollo 4 APRESENTAÇÃO O município de Água Boa construiu seu Plano Municipal de Educação, tendo como pontos de partida o Plano Nacional de Educação e o Plano Estadual de Educação. O Plano Municipal de Educação é uma proposta que beneficiará a sociedade de Água Boa, pois foi pensado não só por profissionais da área como também pelo conjunto da comunidade. Trata-se de uma proposta debatida, questionada e calcada num diagnóstico real. Será a linha de ação para os gestores municipais conduzirem a Educação buscando sua melhoria, pois aponta mecanismos para corrigir distorções e responder demandas do presente, mas principalmente, enfrentar desafios do futuro. A formulação da política educacional a ser expressa neste Plano Municipal de Educação, para a próxima década, exige que as conquistas históricas expressas na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9394/96) sejam efetivadas através de objetivos reais da administração pública. Para tanto, as metas estabelecidas neste Plano Municipal de Educação em relação ao atendimento escolar, financiamento e desenvolvimento do ensino expressam as referências mínimas a partir da situação atual. Há que se debater a Educação e buscar soluções em diversos setores da sociedade, pois a co-responsabilização e participação efetiva de cada cidadão no processo de desenvolvimento do município será fundamental no processo de desenvolvimento da educação em Água Boa. O Plano Municipal de Educação é uma versão preliminar e está sendo apresentado com o objetivo de receber sugestões para o seu aperfeiçoamento, pois este será o instrumento máximo na implementação da política educacional no município. Selso Lopes de Carvalho Profª Irene Wentz Manhães Prefeito do Município de Água Boa Secretária Municipal de Educação 5 1 – CONTEXTO NACIONAL Um grupo de educadores lançou, em 1932, um manifesto ao povo e ao governo, que ficou conhecido como “Manifesto dos Pioneiros da Educação” onde expressavam a necessidade de um plano amplo e unitário para promover a reconstrução educacional no país. O documento teve grande repercussão e motivou uma campanha que resultou na inclusão de um artigo na Constituição Brasileira de 16 de julho de 1934 determinando como competência da União fixar o Plano Nacional de Educação. Assim surge a primeira idéia de se construir um Plano de Educação, mas não se concretizou. Com exceção da Carta de 1937, todas as constituições posteriores, incorporaram a idéia de construção de um Plano Nacional de Educação. Entretanto o primeiro Plano Nacional de Educação surgiu em 1962, elaborado já na vigência da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 4.024, de 1961. Ele não foi proposto na forma de um projeto de lei, mas apenas como uma iniciativa do Ministério da Educação e Cultura, aprovada pelo então Conselho Federal de Educação. Era, basicamente, um conjunto de metas quantitativas e qualitativas a serem alcançadas num prazo de oito anos. Em 1965, sofreu uma revisão, quando foram introduzidas normas descentralizadoras e estimuladoras à elaboração de planos estaduais. Em 1966, sofreu uma segunda revisão, que se chamou Plano Complementar de Educação, introduzindo importantes alterações na distribuição dos recursos federais, beneficiando a implantação de ginásios orientados para o trabalho e o atendimento a analfabetos com mais de dez anos. Com a Constituição Federal de 1988, cinqüenta anos após a primeira tentativa oficial, ressurgiu a idéia de um Plano Nacional de longo prazo, com força de lei, capaz de conferir estabilidade às iniciativas governamentais na área de educação. O art. 214 contempla esta obrigatoriedade ao fixar como objetivos nacionais: Erradicação do analfabetismo; Universalização do atendimento escolar; Melhoria da qualidade de ensino; 6 Formação para o trabalho e promoção humanística, científica e tecnológica do país. Por outro lado, a Lei nº 9.394, de 1996, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, determina nos artigos 9º e 87, respectivamente, que cabe à União a elaboração do Plano, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os municípios, e institui a Década da Educação. Estabelece, ainda, que a União encaminhe o Plano ao Congresso Nacional, um ano após a publicação da citada lei, com diretrizes e metas para os dez anos posteriores, em sintonia com a Declaração Mundial sobre Educação para Todos. Em 10 de fevereiro de 1998, o Deputado Ivan Valente apresentou, no Plenário da Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei nº 4.155, de 1998. Em 11 de fevereiro de 1998, o Poder Executivo enviou ao Congresso Nacional a Mensagem 180/98, relativa ao projeto de lei que institui o Plano Nacional de Educação e sua tramitação na Câmara dos Deputados como Projeto de Lei nº 4.173, de 1998, apensado ao Projeto de Lei nº 4.155/98. Na Exposição de Motivos, destaca então o Ministro da Educação a concepção do Plano, que teve como eixos norteadores, do ponto de vista legal, a Constituição Federal de 1988, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996, e a Emenda Constitucional nº 14, de 1995, que instituiu o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério. Em 9 de janeiro de 2001, o Presidente da República sancionou a Lei nº 10.172 que institui o PNE, com vetos a nove metas, propostos pelo Ministério da Fazenda e do Planejamento, orçamento e gestão, que ainda não foram submetidos à votação do Congresso Nacional. OBJETIVOS E PRIORIDADES O Plano Nacional traz como objetivos fundamentais: ● A elevação global do nível de escolaridade da população; ● A melhoria da qualidade do ensino; em todos os níveis; ● A redução das desigualdades sociais e regionais no tocante ao acesso e à permanência, com sucesso, na educação pública; e. ● Democratização da gestão do ensino público, nos estabelecimentos oficiais, 7 obedecendo aos princípios da participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e a participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. Considerando que os recursos financeiros são limitados e que a capacidade para responder ao desafio de oferecer uma educação compatível, na extensão e na qualidade à dos países desenvolvidos, foram estabelecidas prioridades no Plano Nacional de Educação, segundo o dever constitucional e as necessidades sociais. a) Garantia do Ensino Fundamental obrigatório de oito anos a todas as crianças de 7 a 14 anos, assegurando o seu ingresso e permanência na escola e a conclusão desse ensino. Essa prioridade inclui o necessário esforço dos sistemas de ensino para que todos obtenham a formação mínima para o exercício da cidadania e para o usufruto do patrimônio cultural da sociedade moderna. O processo pedagógico deverá ser adequado às necessidades dos alunos e corresponder a um ensino socialmente significativo. Prioridade de tempo integral para as crianças das camadas sociais mais necessitadas. b) Garantia de Ensino Fundamental a todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria ou que não o concluíram. A erradicação do analfabetismo faz parte dessa prioridade, considerando-se a alfabetização de jovens e adultos como ponto de partida e parte intrínseca desse nível de ensino. A alfabetização dessa população é entendida no sentido amplo de domínio dos instrumentos básicos da cultura letrada, das operações matemáticas elementares, da evolução histórica da sociedade humana, da diversidade do espaço físico e político mundial e da constituição da sociedade brasileira. Envolve, ainda, a formação do cidadão responsável e consciente de seus direitos e deveres. c) Ampliação do atendimento nos demais níveis de ensino, a Educação Infantil, o Ensino Médio e a Educação Superior. Está prevista a extensão da escolaridade obrigatória para crianças de seis anos de idade, quer na Educação Infantil, quer no Ensino Fundamental, e a gradual extensão do acesso ao Ensino Médio para todos os jovens que completam o nível anterior, como também para os jovens e adultos que não cursaram os níveis de ensino na idade própria. Para as demais séries e para os outros níveis, são definidas metas de ampliação dos percentuais de atendimento da respectiva faixa etária. A ampliação do atendimento, neste plano, significa maior acesso, ou seja, garantia crescente de vagas e, 8 simultaneamente, oportunidade de formação que corresponda às necessidades das diferentes faixas etárias, assim como, nos níveis mais elevados, às necessidades da sociedade, no que se refere a lideranças científicas e tecnológicas, artísticas e culturais, políticas e intelectuais, empresariais e sindicais, além das demandas do mercado de trabalho. Faz parte dessa prioridade a garantia de oportunidades de educação profissional complementar à educação básica, que conduza ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva, integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, à ciência e à tecnologia. d) Valorização dos profissionais da educação. Particular atenção deverá ser dada à formação inicial e continuada, em especial dos professores. Faz parte dessa valorização a garantia das condições adequadas de trabalho, entre elas o tempo para estudo e preparação das aulas, salário digno, com piso salarial e carreira de magistério. e) Desenvolvimento de sistemas de informação e de avaliação em todos os níveis e modalidades de ensino, inclusive educação profissional, contemplando também o aperfeiçoamento dos processos de coleta e difusão dos dados como instrumentos indispensáveis para a gestão do sistema educacional e melhoria do ensino. O Plano Nacional de Educação define, por conseguinte: ● As diretrizes para a gestão e o financiamento da educação; ● As diretrizes e metas para cada nível e modalidade de ensino; ● As diretrizes e metas para a formação e valorização do magistério e demais profissionais da educação, nos próximos dez anos. Tratando-se de metas gerais para o conjunto da nação, será preciso, como desdobramento, adequação às especificidades locais, definição de estratégias adequadas a cada circunstância, e a elaboração de planos estaduais e municipais. 2 - CONTEXTO ESTADUAL A Constituição do Estado de Mato Grosso, de 1989, não faz referência ao Plano Estadual de Educação (PEE), ainda que a Constituição Federal, de 1988, em seu art. 214, estabeleça a necessidade de formulação do Plano em nível 9 nacional, o que, por analogia, se estende aos Estados e municípios brasileiros. O principal marco histórico jurídico-político-educacional para a criação do PEE-MT, é a Lei Complementar Nº 49/98 . Lei do Sistema Estadual de Ensino, de 1º de outubro de 1998. Este instrumento jurídico situa o PEE-MT como um processo em permanente construção. Enquanto tal é que deverão ser definidos os mecanismos, as relações e os processos que nortearão a elaboração e execução do referido Plano. Enquanto processo, o PEE-MT deverá ser construído partindo de um diagnóstico das questões que serão tratadas, definindo suas diretrizes, prioridades, objetivos, metas, sujeitos, espaços, tempos, fontes, recursos, custos e forma de gestão. O Art. 23, da Lei Complementar 49/98, estabelece que o Fórum Estadual de Educação integre a organização do Sistema Estadual de Ensino e que, nos termos do Art. 50, ele tenha por objetivo: I - promover, trienalmente, Conferência Estadual de Educação; e II - propor diretrizes e prioridades para a formulação da Política Estadual de Educação, na perspectiva da valorização do ensino público. Lê-se, ainda, no § 1º deste artigo: A elaboração do Plano Estadual de Educação será sempre precedida de reunião do Fórum, que poderá, ainda se reunir extraordinariamente, sempre que motivo relevante ligado à educação exigir, ou por solicitação de duas ou mais das entidades promotoras. Em Mato Grosso, a Gestão Democrática do Ensino, (Art. 51, da Lei Nº 49/98), entendida como ação coletiva, princípio e prática político-filosófica, alcançará todas as entidades e organismos integrantes do Sistema Estadual de Educação e da Gestão Única de Educação Básica, abrangendo: I - Conselho Estadual de Educação; II - Fórum Estadual de Educação; III-Conselhos Deliberativos das Comunidades Escolares, com participação da comunidade escolar, na forma da lei. OBJETIVOS O Plano Estadual de Educação será revisto a cada 3 (três) anos, como prescreve o Parágrafo Único do Art. 9º da Lei Complementar Nº 49/98 e traz, 10 em sua versão preliminar, os seguintes objetivos: I) erradicação do analfabetismo; II) melhoria das condições e da qualidade do ensino, em todos os níveis; III) universalização do atendimento ao ensino obrigatório, compreendendo o Ensino Fundamental e o Ensino Médio (Constituição do Estado de Mato Grosso, art. 242, I); IV) formação humanística, científica e tecnológica; V) progressiva ampliação do tempo de permanência na escola do aluno do Ensino Fundamental; VI) progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade do ensino; VII) redução das desigualdades sociais e regionais, no tocante ao acesso e à permanência, com sucesso, na educação pública; VIII) implementação do regime de colaboração entre o Estado e os municípios; IX) valorização dos profissionais da educação e democratização da gestão do ensino público, nos estabelecimentos oficiais. PRIORIDADES A garantia do atendimento às demandas pressupõe, neste Plano, o estabelecimento de prioridades, que dependem, por sua vez, da construção do regime de colaboração entre Estado e municípios, nas dimensões de repartição de responsabilidade, estabelecimento de normas e planejamento, quais sejam: a) Garantia de Ensino Fundamental obrigatório de oito anos, na cidade e no campo, para todas as crianças de 7 a 14 anos, de diferentes culturas e etnias, assegurando-lhes o ingresso e permanência na escola e a conclusão deste nível de ensino. Essa prioridade objetiva impedir a expansão do analfabetismo, através da implantação de um processo pedagógico de qualidade, adequado às diferentes relações entre cultura/natureza, com o intuito de colocar a aprendizagem como uma ferramenta básica capaz de elevar o exercício da cidadania do aluno. b) Garantia de Ensino Fundamental a todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria ou que não o concluíram. Essa prioridade objetiva, de forma sólida, não só erradicar o analfabetismo na população jovem e adulta, mas conferir a todos a possibilidade de aquisição de valores, conhecimento, domínios e práticas necessários à vida em sociedade e ao exercício crescente de cidadania. c) Ampliação do atendimento nos diferentes níveis de ensino: a 11 Educação Infantil, o Ensino Médio e Educação Profissional e a Educação Superior. Essa prioridade, que se inicia pelo compromisso de escolaridade obrigatória para as crianças de seis anos, na perspectiva de elevar o Ensino Fundamental para nove anos de escolaridade obrigatória e gratuita, estende-se ao compromisso de atendimento aos jovens e adultos trabalhadores que não cursaram o ensino nas idades próprias. Insere-se, nesta prioridade, a garantia de oportunidades de educação profissional complementar à educação básica, que conduza ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva, integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, à ciência e à tecnologia, inclusive, no Ensino Superior. d) Valorização dos profissionais da educação. Essa diretriz dará atenção especial à implantação, implementação, execução, desenvolvimento e avaliação da Lei Complementar Nº 50, de 1º de outubro de 1998, que dispõe sobre a Carreira dos Profissionais da Educação Básica de Mato Grosso. Essa prioridade é colocada com a finalidade de organizar, estruturar e estabelecer as normas sobre o regime jurídico dos profissionais da educação do ensino básico mato-grossense. e) Desenvolvimento da Gestão Democrática do Ensino. Esta prioridade deverá nortear todas as ações de planejamento, elaboração, organização, execução e avaliação das políticas educacionais em todas as entidades, órgãos e instâncias da organização do Sistema Estadual de Ensino. 3– CONTEXTO MUNICIPAL UM BREVE HISTÓRICO Mesmo que sucinto, um breve relato histórico sobre a formação do município de Água Boa possibilitará a elaboração deste instrumento de política educacional - Plano Municipal de Educação – efetivamente voltado para as características e peculiaridades locais. A evolução da expansão populacional de Água Boa, remonta à época pré-colombiana, com a ocupação do território pelos índios Xavantes. Durante a primeira metade deste século foram feitas várias expedições à região, em busca de ouro e diamantes, cidades perdidas, índios, o que deu origem a várias lendas sobre a região. 12 A primeira iniciativa governamental a ocupar a região foi a Expedição Roncador - Xingu, através da Fundação Brasil Central. A Expedição realizada na década de 40 adentrou o município de Água Boa, seguindo pelo traçado atual da BR158 do Rio Areões até a região central do município, daí seguindo para o Garapu até o Rio Culuene. A Expedição foi responsável pela identificação do Rio Sete de Setembro, bem como da construção de um campo de pouso no Garapu. Durante as décadas de 50 e 60 a política de ocupação do governo foi a doação de áreas de cerca de 10.000 ha para produtores e empresários do sul e sudeste do país. Grande parte do município de Água Boa ficou sob domínio do Sr. Alfredo Floriano Toneto, fazendeiro no Rio Grande do Sul, e outras pessoas de seu grupo. Nesta época muda-se para Água Boa o primeiro morador vindo do sul do país, Sr. Paulo Jacob Thomas, que aqui chegou em 15 de setembro de 1 958. A partir do final da década de 60 o governo passa a incentivar a vinda de grandes empresas, ocasião em que se instalam na região as Fazendas SuiaMissú, Brasil, Guanabara, Saudade, Taquaral, Alvorada, Bonança, Cedro, Santa Maria entre outras. Em 1970 é realizado o primeiro projeto de colonização no município, na localidade denominada Vau dos Gaúchos, através da COMAGRA - Comercial Agrícola e Colonizadora Ltda, constituída pelos sócios Ernesto Martinho da Cruz, Floriano Toneto e Paulo Juarez Pereira. Devido aos problemas fundiários existentes no sul do país, produtores da região de Tenente Portela - RS, se organizam, sob a liderança de Norberto Schwantes, através da COPERCOL - Cooperativa de Colonização 31 de Março Ltda, para colonizar terras no Mato Grosso, o que teve início em 1972 com o projeto de colonização Canarana I. Estes projetos tinham amplo apoio do Governo Federal através dos financiamentos do PROTERRA e POLOCENTRO. Em 1974 a COPERCOL realiza o primeiro projeto de colonização no município de Água Boa, o Garapu I, e em 1975 são implantados os projetos Água Boa I e Água Boa II, cuja agrovila formada junto com o projeto é a atual sede do município. Boa parte dos colonos destes dois projetos vieram da região do município de Não Me Toque - RS. Posteriormente vieram os projetos Areões, Serra Dourada, Água Boa III, estes dois últimos já sob realização da CONAGRO (empresa criada por 13 Norberto Schwantes para realizar a colonização) e outros projetos particulares como o Jaraguá, Visão e Princesa. A partir da colonização, a principal atividade econômica do município passa a ser a cultura do arroz, cultivada pelos colonos dos projetos. Para auxiliar o processo produtivo foi criada a COOPERCANA - Cooperativa Agropecuária Mista Canarana Ltda que embora sendo uma iniciativa dos colonos de Água Boa passa a atuar em toda a região. Esta primeira fase é de muitos sacrifícios, devido às dificuldades de estradas, comunicação, habitação, saúde, etc. Em 26 de dezembro de 1979 é promulgada a Lei n ° 4.166 que eleva Água Boa, até então distrito de Barra do Garças, à categoria de município. A partir do início dos anos 80, com a descoberta de jazidas de calcário no município vizinho Cocalinho, tem início o cultivo da soja. A década de oitenta é um período de grande desenvolvimento para o município, com a implantação e expansão da cultura da soja e também expansão da cultura do arroz. No final deste período a área plantada do município já era de 100.000 ha. Neste período também se implantou grande parte da infra-estrutura básica do município, como asfalto na BR-158, telefone, armazéns, escolas, prédios públicos, etc. Foi um período de grande importância para o município. Ao lado disso dois processos ocorriam. Um era a continuação de implantação de grandes fazendas pelo projeto SUDAN e outros incentivos. E outro, em contrapartida, nesta mesma década e início dos anos noventa, tem início um processo de ocupação de áreas por posseiros, o que ocorre na comunidade de Serrinha, Jatobazinho, Borecaia e Santa Maria. Isto muda o perfil populacional e fundiário do município, que até então era formado basicamente por sulistas, e passa a contar com nordestinos, goianos, mineiros, etc. Este grande contingente de pequenas propriedades gera grande demanda aos órgãos públicos. O ano de 1989 é marcado pelo início da crise. Os planos econômicos atingem em cheio a agricultura, principalmente a cultura da soja, através de interferências nos preços dos produtos e nos juros bancários. Com isto o endividamento aumenta, muitos produtores vendem as suas terras, viram posseiros ou voltam para sua Terra. A área plantada diminui e a economia municipal entra em recessão. Meio a esta crise, afloram os problemas administrativos da Coopercana, que entra em regime pré-falimentar. Nesta época começa a haver um afluxo de paulistas para o município, atraídos pela imagem da cidade e pelas terras baratas 14 para a criação de gado. A pecuária passa então a ser uma das atividades mais importantes do município, pois alem dos paulistas muitos colonos deixam de plantar para criar gado. Água Boa passa a ser o município com o maior rebanho bovino do Vale do Araguaia. A partir de 1993, o município da soja volta a ter expansão de área plantada e ocorre, mesmo que em escala ainda pequena, a diversificação de culturas e criações. Porém, o impacto negativo que o Plano Real causou à agricultura, repercutiu negativamente na economia do município e regional. Observa-se também um incremento na agro-industrialização. Novas perspectivas se abrem agora com a Hidrovia Rio das Mortes-Araguaia, que vai diminuir o custo do frete. Some-se a isso a securitização das dívidas agrícolas, que dará novo fôlego aos produtores. Desta forma, Água Boa volta a ser um grande potencial de crescimento e desenvolvimento. ASPECTOS FÍSICOS NATURAIS Localização Geográfica: Latitude 13,6° a 14,6° Sul. Longitude 51,5° Oeste. Clima: Por estarmos localizados numa região onde o clima é tropical A temperatura média anual é de 32°c com correntes de ar frio vindo da região sul do país, nos meses de junho a agosto. O clima do município é classificado como AW: inverno seco Regime Pluviométrico: Período das secas: Maio a Agosto, período das águas: Setembro a Abril apresentando uma pluviosidade média entre 1800 a 2200 mm anuais. No mês de janeiro ou fevereiro costuma ocorrer um veranico. Altitude: 430 m acima do nível do Mar Superfície: 11.566,20 km2 15 Relevo: É constituído por uma formação de planalto denominada Serra do Roncador, pela planície denominada Depressão do Araguaia e por planícies da bacia do Xingu. O relevo predominante é suavemente ondulado, ocorrendo em menor escala o relevo plano e ondulado. Raramente ocorre relevo montanhoso. A Depressão do Araguaia ocupa a parte leste da área municipal. Esta unidade encontra-se esculpida em rochas do Pré-Cambriano Indiferenciado (gnaisse e granitos), do Pré-Cambriano (micaxistos e quartizitos) e ainda rochas do tipo filito (com intercalações de quartizito), sericítos e calcários. Conta ainda com uma grande extensão de cobertura detritico-laterítica e depósitos aluvionares e coluvionares pleistocênicos. Caracteriza-se pela regularidade das cotas altimétricas, em torno de 300 m e pela magnitude da rede de drenagem e pelas feições geomorfológicas que apresenta. Esta área apresenta duas feições morfológicas: áreas de acumulação inundáveis e extensas planícies fluviais. A Serra do Roncador que é formadora do Planalto Dissecado dos Parecis, além de apresentar-se como uma porção contínua à oeste e noroeste do município, ocupa uma limitada área no interior da Depressão do Araguaia. A principal característica deste Planalto é sua grande continuidade e a relativa homogeneidade, com predominância de formas dissecadas tabulares. Nesta unidade, as litologias apresentam-se diferenciadas, podendo apresentar rochas sedimentares e cristalinas. Solos: O solo predominante no município é o Latossolo Vermelho Amarelo entre 20 e 40 % de argila. Também são encontrados Lateríta Hidromórfica, Solos Cocrecionários, Latossolo Vermelho Escuro, Areia Quartzosa entre outros. Para melhor caracterizar as classes de solo existentes no município, no Anexo I, apresentamos o Mapa de Solos, bem como o Mapa de Aptidão Agrícola. Estes mapas foram extraídos e ampliados dos mapas correspondentes para o Estado de Mato Grosso. Vegetação: Em Água Boa a cobertura vegetal é constituída basicamente pela 16 vegetação de cerrado. Esta estende ao longo da área municipal e se apresenta sob várias fisionomias. Cerrado Arbóreo Aberto com Floresta-de-Galeria, representa a subformação mais importante e recobre a maior parte do município. Sua estrutura apesar de desenvolver em ambientes diferentes é em sua maioria, compostas de espécies comuns a todas áreas de Cerrado. A predominância de um ou outro elemento florístico não altera de sobremaneira a fito-fisionomia geral. Dentre as espécies mais comuns figuram o pau-terra (Qualae parviflora), bananeira-de-campo (Salvetia convallariodora) e quina-do-campo (Strychnos pseudoquina), além de outras. Cerrado Arbóreo denso ou Cerradão não ocupa áreas contínuas. Ocorre disseminada em pequenos núcleos em meio a Savana Arbórea Aberta, onde os solos possuem melhores teores de fertilidade natural, ou em locais protegidos de interferência humana. As espécies mais comuns são as sucupiras (Bowdichia sp e Pterodon sp), o carvoeiro (Sclerolobiun sp) Cerrado Parque com Floresta de Galeria ocorre em áreas de acumulações inundáveis, com nível altimétrico em torno de 300 m. De modo geral apresenta elementos florísticos similares aos dos campos cerrados, podendo, entretanto, apresentar certas associações mais características. Nessa subformação as espécies mais comuns são: lixeira (Curatella americana), Angelin-de-morcego (Andira sp) e Ipê-Caraíba (Tabebuia caraiba), além de outras. Completando o quadro fitogeográfico do município aparecem as associações resultantes do contato entre Cerrado/Floresta Estacional. Estas, são representadas pela Floresta Semidecidual Submontana, pela Floresta Semidecidual Aluvial e pela Cerrado Arbóreo Denso, senda que as duas ocorrem na Depressão do Araguaia e a última no Planalto do Parecis. Há também a ocorrência de vegetação típica de várzeas. Hidrografia: Estando o município de Água Boa, assentado sobre a Serra do Roncador, serve esta de divisor de águas das bacias do Rio Araguaia e Xingu, sendo a primeira responsável pela drenagem da porção leste e a segunda da parte centrooeste. A Bacia do Araguaia é constituída pelo Rio das Mortes que drena 17 toda a porção leste, desenvolvendo o seu curso no sentido norte-sul. Dentre os seus principais afluentes sobressaem os Rios Borecaia, Areões, Água Suja e Curuá. O Rio das Mortes, banhando a Depressão do Araguaia, caracteriza-se como rio de planície e constituirá importante via de navegação a partir do início dos trabalhos da Hidrovia Rio das Mortes-Araguaia. Integram a Bacia do Xingu, neste município, o Rio Couto Magalhães (afluente do Culuene) que banha a porção ocidental da área, e o Rio Sete de Setembro que serve toda a parte central do território. População: Pessoas residentes 17.000 habitantes (IBGE/2004) Eleição Municipal 11.600 eleitores (Cartório Eleitoral/2004) Dados do IBGE (2004). Limites Geográficos: Norte: Canarana Sul: Nova Xavantina (Rio Areões) Leste: Nova Nazaré Oeste: Campinápolis/Paranatinga (Rio Couto Magalhães) ATIVIDADES ECONÔMICAS Agricultura e Pecuária: A base da economia do município de Água Boa se alicerça na agricultura, representada pela cultura de soja, arroz, milho, feijão, sorgo, milheto e, demais culturas, dada a grande quantidade de terras férteis. A produção vem crescendo a olhos vistos e muitas de suas áreas vêm sendo ocupadas por lavouras de arroz. A cultura da soja vem destacando-se a partir da safra 1982/83, quando teve seu plantio intensificado, representando atualmente 60% (sessenta por cento) da área cultivada em grãos. A cultura do milho esta em crescimento, pois as atividades de pequenos animais vêm absorvendo toda a produção dando assim uma maior sustentação às famílias dos produtores rurais e que terão um grande incremento com a instalação da Fábrica de Ração para bovino, suíno e aves. 18 Industria: Indústria Nº Capacidade Marcenaria 03 Industria Ração 04 Cerâmica 01 Confecção 02 Ind. de Sal Mineral 02 Ind. de Calcário 03 Serrarias/Madeireiras 03 Beneficiadoras de Arroz 06 30.000 ton/ano Metalúrgicas 03 Indústria de Palmito 01 Laticínio 01 10.000 lts/dia Frigorífico 01 600 cab. /dia Serviços Bancários: Banco do Brasil S/A Bradesco Sicredi – Cooperativa de Crédito do Leste de Mato Grosso Transportes: Duas importantes rodovias federais cortam o médio Araguaia: BR – 158 (Norte: Pará e Sul: Goiânia/Brasília/Cuiabá); BR – 242 (Oeste: Sorriso-MT). Além dessas, outras rodovias estaduais facilitam o acesso a todas as regiões do país. Transporte de passageiros rodoviário estadual Cuiabá – 3 linhas diárias (Barratur e Xavante). Transporte de passageiros rodoviário interestadual Goiânia – 4 linhas diárias (Barratur, Xavante e Maia); 19 Brasília – 1 linha diária (Xavante); Região Sul – 4 linhas semanais (Ouro e Prata, Lopes Sul e Real). Transporte de passageiros aeroviário interestadual Água Boa possui um aeroporto com 1.800 m de extensão (pista), em fase de homologação no DAC. Em Barra do Garças a empresa SETE taxi aéreo realiza vôos regulares para Goiânia, Rio Verde, Jataí, Primavera do Leste, Cuiabá e viceversa. INDÚSTRIA E COMÉRCIO Água Boa possui comércio forte e competitivo, atendendo a demanda da população local e regional. Conta com 3 agências bancárias, sendo uma Cooperativa de Crédito – Sicredi - a primeira no estado, e está em discussão a vinda da Caixa Econômica Federal. Possui ainda grande estrutura de supermercados, farmácias, lojas de vestuário e calçados, móveis, automóveis, colheitadeiras e tratores, implementos agrícolas, produtos veterinários e agrícolas e o segundo maior parque industrial do Vale do Araguaia (2 distritos), prontos para receber novas industrias). Água Boa realiza anualmente uma das maiores feiras agroindustriais do estado, a Expovale. Uma promoção da Prefeitura Municipal, a Expovale se destaca no cenário nacional a cada ano, com grandes shows artísticos e exposição de várias empresas do Brasil, atraindo um público de cerca de 60 mil pessoas, movimentando cerca de 4 Milhões de reais em negócios, beneficia agricultores e pecuaristas da região do Vale do Araguaia com grande concentração de produtores. Além da pecuária e agricultura, esta região destaca-se também na exploração de calcário e britas. A Expovale é um evento de grande importância dentro das atividades da região, pois oportuniza o encontro de produtores e técnicos, buscando novos conhecimentos, troca de informações e experiências. Indústria Nº Capacidade Marcenaria 03 20 Industria Ração 04 Cerâmica 01 Confecção 02 Ind. de Sal Mineral 02 Ind. de Calcário 03 Serrarias/Madeireiras 03 Beneficiadoras de Arroz 06 30.000 ton/ano Metalúrgicas 03 Indústria de Palmito 01 Laticínio 01 10.000 lts/dia Frigorífico 01 600 cab. /dia Fonte: Secretaria Municipal de Controle e Gestão Financeira/2004 Comércio e Serviços: O Comércio vem se desenvolvendo significativamente a cada ano e a prestação de serviços está bem estruturada. ✔ 03 Agências Bancárias: Banco do Brasil, Banco Bradesco e SICREDI; ✔ 07 Hotéis; ✔ 02 Motéis; ✔ 02 Hospitais; ✔ 07 Postos de Gasolina; ✔ 02 Depósitos de Combustível; ✔ 06 Panificadoras; ✔ 03 Panificadoras anexas; ✔ 01 Agência de Correio; ✔ 06 Escritórios de Planejamento Agropecuário; ✔ 18 Oficinas Mecânicas; ✔ 02 Cartórios ( 1º e 2º Ofício); ✔ 05 Restaurantes; ✔ 16 Pizzarias/Lanchonetes/Choperia; ✔ 11 Sorveterias; 21 ✔ 05 Farmácias; ✔ 05 Escritórios de Contabilidade; ✔ 09 Serviços Médico e Odontológico; ✔ 02 Funerárias; ✔ 01 Posto DETRAN/MT; ✔ 01 Exatoria; ✔ 30 Supermercados; ✔ 06 Casas de Carne; ✔ 12 Armazéns de Cereais, com capacidade para 250.000 toneladas; ✔ 06 Revendas de Máquinas Agrícolas; ✔ 08 Revendas de Produtos Agrícolas; ✔ 06 Lojas de Produtos Veterinários; ✔ 05 Casas de Materiais para Construção; ✔ 03 Vidraçarias; ✔ 05 Cooperativas; ✔ 01 Posto INDEA/MT; ✔ 01 Escritório REDE/CEMAT ✔ 01 Escritório EMPAER/MT; ✔ 01 Escritório DEMAE; ✔ 03 Revendedores de Automóveis; ✔ 03 Indústrias de Esquadrias Metálicas; ✔ 06 Indústrias de Beneficiamento de Arroz; ✔ 02 Indústrias de Sal mineral; ✔ 01 Indústria Cerâmica; ✔ 02 Fábricas de Confecções; ✔ 01 Frigorífico para abate de bovinos e suínos; ✔ 01 Indústria de beneficiamento de Palmito; ✔ 05 Escritórios de assessoria e Planejamento Agrícola; Comércio Nº Hospital 02 Hotéis / Restaurantes 10 22 Bancos (Banco do Brasil, Bradesco e Sicredi) 03 Transportadoras 14 Insumos Agropecuários 06 Insumos Veterinários 03 Maquinas e Equipamentos 06 Assistência Técnica Agropecuária 06 Comunicação 06 Armazéns: Nº Capacidade (t) Armazéns Convencionais 18 81.904,00 Armazéns Graneleiros 10 115.242,00 Total 28 197.146,00 Fonte: Conab/2001 Empresa Granel (t) Ensacado (t) Cargill 60.000,00 18.000,00 APRAB 6.780,00 2.400,00 Semear 48.000,00 15.000,00 Planalto 6.000,00 3.600,00 Camargo Soares 14.400,00 6.000,00 LC 0,00 30.000,00 Caramuru 40.000,00 0,00 Triunfo 0,00 8.000,00 Pietá 5.000,00 0,00 Serra Dourada 1.500,00 0,00 23 COINBRA 60.000,00 0,00 TOTAL 241.680,00 83.000,00 CONDIÇÕES DE VIDA Educação: Escola Estadual Antônio Gröhs Escola Estadual 9 de julho e EJA Escola Nova Esperança (Pestalozzi) Escola Rui Barbosa - Cooperensino Colégio Jesus Maria José Escola Municipal de Ed. Infantil Cantinho da Alegria Escola Municipal de Ed. Infantil Jacy Kuhn Escola Municipal de Ed.Infantil Edna Lane de Oliveira Barbosa Escola Municipal Cristalino Escola Municipal Cecília Meireles Escola Municipal Guarujá Escola Municipal Vila Nova Escola Municipal Terra Viva Escola Municipal Apóstolo Paulo Escola Municipal Agrovila Central Escola Municipal Bela Vista Escola Municipal Buritizal Escola Municipal Campo Alegre Escola Municipal José Elias Abdalla Escola Municipal Bom Princípio Escola Municipal Santa Cecília Escola Municipal Nossa Senhora Aparecida Escola Municipal Brinquedos Bandeirantes Escola Municipal 7 de Setembro Escola Municipal Indígena Tripá Escola Municipal Indígena Babaçu 24 Saúde: Hospitais Hospital São Francisco com 40 leitos Hospital Regional com 29 leitos adultos e 7 de pediatria Postos de Saúde Três Postos do Programa de Saúde da Família - PSF (Vila Nova, Guarujá e Primavera) Três Postos de Saúde Rurais (PA Jaraguá, Pa Santa Maria, Pa Serrinha) Posto de Saúde Central Laboratórios Laboratório São Francisco Laboratórios Padrão Laboratório BIOMASTER Laboratórios do Centro de Saúde (Público) Comunicação: Brasil Telecom Tim Celular Vivo Celular Correios Televisão: 02 Receptoras local Rádios: Rádio Seriema 104,9 Mhz Instituições Públicas: Indea - Classificação e Fiscalização Vegetal e Animal REDE/CEMAt - Centrais Elétricas Mato-grossenses S/A INSS - (benefício) Cartório Eleitoral Ciretran Exatoria Estadual Cartório de 1° e 2° Oficio Fórum 25 Brigada Militar Delegacia de Policia Escola Pestalozzi (Escola Especial) Empaer-MT Energia: Energia Sistema Interligado – linhão 138 kV Abastecimento de Água e Saneamento Básico: O município é abastecido por uma central de captação e 7 poços artesianos, 5 na sede e um no Projeto Jaraguá e 1 na Vila Borecaia e um posto de tratamento d’água na sede. Na vila Serrinha, a água é canalizada de uma nascente. A coleta de lixo é realizada diariamente e vai para o aterro sanitário, estando sendo implantado uma usina de reciclagem. Não existe rede de esgoto. Segurança Pública: Delegacia de Polícia Brigada Militar DADOS DEMOGRÁFICOS 1 - POPULAÇÃO RESIDENTE POR GRUPOS DE IDADE - 2000 Especificação Total Menos de 1 ano 1 a 3 anos 4 a 6 anos 7 a 14 anos 15 a 17 anos 18 a 19 anos 20 a 24 anos 25 a 39 anos 40 a 59 anos 60 a 64 anos 65 anos acima Mato Grosso 2.504.353 48.866 151.635 163.907 431.473 108.841 108.419 250.684 615.856 425.354 52.760 91.558 Água Boa 16.737 271 889 946 2.539 1.032 622 1.490 3.702 2.560 280 424 Fonte: IBGE 2 - POPULAÇÃO RESIDENTE E POPULAÇÃO DE 5 ANOS OU MAIS DE IDADE - ALFABETIZADA E NÃO ALFABETIZADA – 1991 E 2000 Ano BRASIL População Residente Total População Residente 5 anos ou mais de idade Total Alfabetizada Não Alfabetizada 1991 146.825.475 130.304.361 97.535.783 32.768.578 2000 169.799.170 153.423.442 127.758.049 25.665.393 Fonte: IBGE Ano MATO GROSSO População Residente Total População Residente 5 anos ou mais de idade Total Alfabetizada Não Alfabetizada 1991 2.027.231 1.772.868 1.343.694 429.174 2000 2.504.353 2.249.988 1.913.591 336.397 Fonte: IBGE Ano AGUA BOA População Residente Total População Residente 5 anos ou mais de idade Total Alfabetizada Não Alfabetizada 26 1991 16.561 14.368 10.256 4.112 2000 16737 14.963 12.724 2.239 Fonte: IBGE INVENTÁRIO DE DEMANDAS E OFERTAS DE VAGAS 1 - Educação Básica - Número De Escolas, Alunos e Função Docente - 2003 Dependência Administrativa Total de Escolas Total Função Docente NÚMERO DE ALUNOS MATRICULADOS Total Ed. Infantil Classes de Alfabetização Ensino Fundamental Ensino Médio Ed. Especial EJA (Supletivo Total) Creche Pré Escola 1ª a 4ª séries 5ª a 8ª séries Estadual 2 110 2.949 - 23 - 528 1.059 502 8 829 Municipal 19 117 2.285 201 540 10 1.152 376 - 6 - Privada 3 25 674 - 90 33 200 176 90 85 TOTAL 24 252 5.908 201 653 43 1.880 1.611 592 99 829 Fonte: MEC/INEP – Censo Escolar 2 - Educação Básica: Evolução da Matrícula Inicial – 1 998 - 2003. Ano Ed. Infantil Classe de Alfabetização ENSINO FUNDAMENTAL Ensino Médio Ed. Especial Ed. de Jovens e Adultos Total Geral Total 1ª a 4ª série 5ª a 8ª série 1 998 342 259 3.482 2.226 1.256 323 103 770 5.289 1 999 585 220 3.749 2.263 1.486 355 77 707 5.693 2 000 643 18 3.952 2.256 1.696 368 80 725 5.786 2 001 774 27 3.548 1.986 1.562 389 90 732 5.560 2 002 817 19 3.648 2.056 1.592 475 84 927 5.970 2 003 854 43 3.491 1.880 1.611 592 99 829 5.908 Fonte: MEC/INEP – Censo escolar SEDUC - MT 3 - Número de Escolas, Função Docente e Matrícula Inicial no Ensino Regular – 2003. Dep. Administrativ a Localização Escolas EDUCAÇÃO INFANTIL ENSINO FUNDAMENTAL ENSINO MÉDIO CRECHE PRÉ-ESCOLA FD M FD M FD M FD M Estadual Urbana 2 - - 1 23 70 1.587 17 502 Rural - - - - - - - - - Total 2 - - 1 23 70 1.587 17 502 Municipal Urbana 7 22 201 19 445 37 827 - - Rural 12 - - 12 95 49 801 - - Total 19 22 201 31 540 86 1.628 - - Privada Urbana 3 - - 6 90 19 376 21 90 Rural - - - - - - - - - Total 3 - - 6 90 19 376 21 90 TOTAL GERAL 24 22 201 38 653 175 3.591 38 592 Fonte: MEC/INEP – Censo escolar Legenda: FD –função docente M - Matrícula 27 28 4 - Nome das Escolas Municipais, Endereço/Localização, Função Docente e Nível de Ensino Oferecido – 2003. ESCOLA ENDEREÇO LOCALIZAÇÃO Clãs. Alfabe-tização EDUCAÇAO INFANTIL ENSINO FUNDAMENTAL EDUCAÇÃODE JOVENS E ADULTOS(Presencial) EDUCAÇÃ ESPECIAL TOTAL U R CRECHE PRÉ-ESCOLA Sala Especial FD M M EM Agrovila Central Assentamento Jaraguá X 1 18 200 11 218 EM Buritizal Assentamento Água Boa X 1 5 95 4 100 EM Cantinho da Alegria Rua 19 Qd. 139 x 11 257 54 2 311 EM Indígena Babaçu Reserva Indígena Areões X 1 3 19 1 22 EM Indígena Tripã Aldeia Tripa X 1 5 12 1 17 EMEI Jacy Kuhn Salamoni Rua 16 – Centro x 22 201 - - 201 EM 7 de Setembro Faz. Camargo Soares X 1 6 22 1 28 EM Terra Viva Rua Buriti – Vila Nova X - 70 4 70 EM Apóstolo Paulo Vila Serrinha X 1 25 193 8 218 EM Bela Vista Gleba Santa Maria II X 1 17 159 8 176 EM Bom Princípio Gleba Martins X 1 3 26 1 29 EM Brinquedos Bandeirantes Faz. Brinquedos Bandeirantes X 1 6 8 1 14 EM Campo Alegre Fazenda Campo Alegre X 1 11 43 2 54 EM Cecília Meirelles Rua 06 Qd B 15 x 4 94 221 3 1 6 321 EM Cristalino Cristalino X 10 1 16 52 4 78 EM Elias José Abdalla Projeto Jaraguá X 1 4 9 1 13 EM Guarujá Rua 21 – Guarujá X 2 45 142 4 187 EM Santa Cecília Fazenda Mata Verde x 1 1 15 1 16 EM Vila Nova Rua 31 – Vila Nova X 1 24 188 10 212 Total Municipal 22 201 31 540 1528 67 1 6 2285 Fonte:Censo Escolar/Secretaria Municipal de Educação Legenda: U – Urbana R – Rural FD – Função Docente M - Matrícula 5 - Nome das Escolas Estaduais, Endereço/Localização, Função Docente e Nível de Ensino Oferecido – 2003. ESCOLA ENDEREÇO LOCALIZAÇÃO EDUCAÇAO INFANTIL ENSINO FUNDAMENTAL ENSINO MÉDIO EDUCAÇÃODE JOVENS E ADULTOS(Presencial) EDUCAÇÃ ESPECIAL TOTAL U R Sala Especial FD M M EEPG 9 de Julho Rua 11, Quadra 71 X 1 23 29 857 - 19 829 1 8 1.717 EEPSG Antonio Grohs Rua 7 - Centro x - 39 750 17 502 - - 1.252 Total 1 23 68 1.607 17 502 19 829 1 8 2.949 Fonte:Censo Escolar/Secretaria Municipal de Educação Legenda: U – Urbana R – Rural FD – Função Docente M - Matrícula 29 6 - Nome das Escolas Rede Privada, Endereço/Localização, Função Docente e Nível de Ensino Oferecido – 2003. ESCOLA ENDEREÇO LOCALIZAÇÃO Clãs. Affabetiz ação EDUCAÇAO INFANTIL ENSINO FUNDAMENTAL ENSINO MÉDIO EDUCAÇÃODE JOVENS E ADULTOS(Presencial) EDUCAÇÃ ESPECIAL TOTAL U R Sala Especial FD M M Centro de Promoção Huma. E Soc. Sagrada Família Rua Doze – Centro X - 3 54 14 173 8 17 - 244 EPG Nova Esperança Soc. Pestalozzi Av. Tropical – Guarujá X - - - 11 85 85 EPSG Rui Barbosa Rua Dois - Centro X 33 3 36 16 203 13 73 - 345 Total 33 6 90 30 376 21 90- 11 85 674 Fonte:Censo Escolar/Secretaria Municipal de Educação Legenda: U – Urbana R – Rural FD – Função Docente M - Matrícula 30 EDUCAÇÃO INFANTIL 1 – DIAGNÓSTICO A Educação Infantil é um dos segmentos mais importantes no processo educativo na vida do cidadão. A Constituição Federal de 1988 veio firmar essa concepção ao assegurar o direito da criança ao ensino obrigatório e gratuito. No entanto, entre o patamar jurídico e a prática no campo das políticas sociais e educacionais existe uma distância que deve ainda ser percorrida. Em 1996, ano da promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, o atendimento do alunado da Educação Infantil em Água Boa era de 155, 286, e 434 alunos, respectivamente, nas redes estadual, particular e municipal. Com a promulgação da Constituição Federal em 1988, fica afirmado o direito à Educação Infantil, no seu Inciso IV, do artigo 208, o qual explicita que o dever do Estado com a educação será efetivado [...] mediante a garantia do atendimento em creches e pré-escolas às crianças de zero a seis anos de idade. Este direito é reafirmado no Estatuto da Criança e do Adolescente, em seu artigo 54, inciso IV. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB 9.394/96 apresenta a Educação Infantil como a primeira etapa da Educação Básica, com a finalidade de assegurar o desenvolvimento integral da criança, a sua socialização e a preservação de sua individualidade. Nela, fica determinado que a Educação Infantil será oferecida em creches, para crianças de zero a três anos de idade, e, em préescola, para crianças de quatro a seis anos. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB estabelece que o papel a ser desempenhado pelas instituições de Educação Infantil deve ser complementar ao da família e da comunidade, devendo, com isso, ter como sentido a ampliação dos conhecimentos e experiências das crianças, seu interesse pelo ser humano, pelo processo de transformação da natureza e pela convivência em sociedade, através do desenvolvimento de seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social. As metas aqui propostas buscarão a interação entre as diversas áreas do conhecimento e dos aspectos da vida cidadã, como conteúdos básicos para a constituição do conhecimento e de valores. Desse modo, os conhecimentos sobre espaço, tempo, comunicação e expressão, natureza e sociedade devem estar articulados com os cuidados e a educação para a saúde, a sexualidade, a vida familiar e social, o meio ambiente, a cultura, as linguagens, o trabalho, o lazer, a 31 ciência e a tecnologia. Tal processo deve ocorrer numa dimensão lúdica que, respeitando o jogo como o fazer infantil, possibilita a observação da realidade, a elaboração de noções, o desenvolvimento das linguagens de representação, das estruturas lingüísticas, a ampliação do vocabulário, enfim, a construção do conhecimento necessário à compreensão da realidade. Nessa linha de reflexão, a Educação Infantil, para além da formação de habilidades e de hábitos higiênicos, se redefine como uma etapa sistemática do processo de desenvolvimento da criança, ampliando o seu universo cultural, tornando-a cada vez mais capaz para agir com independência e autonomia. A base central no processo de definição dessas metas é as diretrizes curriculares nacionais para a Educação Infantil, instituída pelo Conselho Nacional de Educação através da Resolução nº 01, de 07/04/99. Embora a Constituição Federal e a LDB/96 coloquem na esfera municipal, a prioridade de oferta da Educação Infantil, em ambas fica evidente que a União e os Estados têm suas responsabilidades. Além disso, é fundamental considerar que a LDB explicita o regime de colaboração entre União, Estados e municípios, na constituição de seus sistemas de ensino. Desse modo, a Lei prevê atribuições específicas, campos de competências, mas também compromisso entre as instâncias de governo, nos seus artigos 8º e 10º. Apesar de a legislação brasileira, reconhecer o direito da criança à educação nos seus primeiros anos de vida, o atendimento efetivo desse direito se defronta, na atualidade, com uma série de desafios, dentre os quais podemos destacar: o acesso, a permanência e a qualidade do atendimento. A demanda para a educação infantil, que abrange crianças de 0 a 6 anos em instituições específicas, vêm crescendo no Brasil inteiro em ritmo acelerado demonstrando a necessidade das famílias que, em geral, trabalham fora de casa, em obter apoio institucional efetivado nas políticas públicas. Considerando a inserção da mulher no mercado de trabalho e as novas teorias que norteiam a educação, que afirmam ser esta fase, o alicerce de formação do ser adulto, os espaços criados para a Educação Infantil possui o mérito inegável de colocar a criança em contato com ambiente socialmente construído, que extrapola o convívio familiar, pois conforme VIGOTSKY (1998), o convívio social e cultura entre os pares da mesma faixa etária e adulto do mesmo grupo a qual pertence a criança, contribui de forma relevante para seu desenvolvimento e 32 aprendizagem. A necessidade de construir uma identidade própria para as instituições de Educação Infantil e assegurar sua especificidade, faz necessário estabelecer um diálogo com a família, investir na formação e qualificação do profissional do magistério e possibilitar um espaço físico adequado a esta modalidade de ensino. De acordo com a Constituição Federal/88 em seus artigos 206 e 208 que trata, respectivamente, dos princípios da educação brasileira e do dever do Estado com a educação na garantia do atendimento em creche e pré-escola às crianças de 0 a 6 anos de idade. E com base na Lei nº 9394/96, nos seus artigos Art. 1º, que trata da educação como um processo que abrange aspectos formativos da vida familiar, da convivência humana; Art. 11, Inciso V, o município em oferecer a Educação Infantil em creches e pré-escolas, e Art. 29 que especifica o alunado a ser atendido na educação infantil, os aspectos a serem desenvolvidos: físico, psicológico, intelectual e social, sendo a educação infantil oferecida na modalidade creche para crianças de 0 a 3 anos, e pré – escola para crianças de 4 a 6 anos. O art 31 da LDB, que fixa a necessidade da avaliação mediante acompanhamento e registro do desenvolvimento da criança, porém sem objetivo de promoção. E conforme a Lei nº 8069/90 Estatuto da Criança e do Adolescente, Art 54 inciso IV, que trata do atendimento das crianças de 0 a 6 anos em creches e pré-escolas. De acordo com o art 1º da resolução nº 276/2000 – CEE/MT, que fixa normas para oferta de educação no sistema estadual de ensino, ressalta que educação infantil, primeira etapa da educação básica constitui direito da criança de 0 a 6 anos, ao que o estado e a família tem dever de atender. Como podemos observar nas tabelas 1 e 2 a Educação Infantil é predominantemente oferecida pela esfera administrativa municipal que atende 741 alunos. A rede privada atende 90 alunos e a rede estadual 23 alunos. 1 - Educação Infantil – Matrícula Inicial por Faixa Etária – 1 999 a 2 003 Ano Dep. Administrativa Creche Pré-Escola TOTAL GERAL Matrícula com menos de 4 anos Matrícula entre 4 e 6 anos Matrícula com mais de 6 anos Matrícula com menos de 4 anos Matrícula entre 4 e 6 anos Matrícula com mais de 6 anos 1 999 Estadual - - - - - - - 33 Municipal 81 24 - 8 400 12 525 Privada - - - 6 54 - 60 Total 81 24 - 14 454 12 585 2 000 Estadual - - - - - - - Municipal 91 94 - 46 470 31 732 Privada - - - 13 81 2 96 Total 91 94 - 59 551 33 828 2 001 Estadual - - - - - - Municipal 119 49 - 1 465 44 678 Privada - - - 15 80 1 96 Total 119 49 - 16 545 45 774 2 002 Estadual - - - - 17 2 Municipal 136 53 - 1 468 44 702 Privada - - - 11 81 4 96 Total 136 53 - 12 566 50 817 2 003 Estadual - - - - - 23 23 Municipal 142 59 - 2 534 4 741 Privada - - - 18 69 3 90 Total 142 59 - 20 603 30 854 Fonte: MEC/INEP 2 - Educação Infantil e Classe de Alfabetização- Evolução da Matrícula Inicial – 1999 a 2003 Ano Classe de Alfabetização Educação Infantil Total Geral Municipal Privada Municipal Estadual Privada Creche Pré-Escola Total Creche Pré-Escola Total Creche Pré-Escola Total 1999 177 43 105 420 525 - - - - 60 60 805 2000 - 18 185 547 732 - - - - 96 96 846 2001 - 27 168 510 678 - - - - 96 96 801 2002 - 19 189 513 702 - 19 19 - 96 96 836 2003 10 33 201 540 741 - 23 23 - 90 90 897 Fonte: ME/INEP - Censo Escolar 2 . DIRETRIZES A Educação Infantil é a primeira etapa da Educação Básica. Ela estabelece as bases da personalidade humana, da inteligência, da vida emocional, da socialização. As primeiras experiências da vida são as que marcam mais profundamente a pessoa. Quando positivas, tendem a reforçar as atitudes futuras do ser humano, em todos os aspectos. Nos últimos cinqüenta anos, a ciência que estuda a criança, tende a reforçar a importância dos primeiros anos de vida para o desenvolvimento e aprendizagem posteriores. A pedagogia por si vem acumulando considerável experiência e então definindo métodos adequados, interessantes, desafiantes e enriquecedores oportunidades de desenvolvimento e aprendizagem para oferecer às crianças, pois a Educação Infantil inaugura a educação da pessoa. Essa educação começa na família, na comunidade e nas instituições, que vem se tornando cada vez mais necessárias para a complementação educacional. 34 Considera-se, no âmbito internacional, que a Educação Infantil terá um papel cada vez maior na formação integral da pessoa, no desenvolvimento de sua capacidade de aprendizagem e na elevação do nível de inteligência das pessoas, mesmo porque inteligência não é herdada geneticamente nem transmitida pelo ensino, mas construída pela criança, através de interação social e a ação sobre os objetos, as circunstâncias e os fatos. Avaliações longitudinais, embora ainda em pequeno número, indicam os efeitos positivos da ação educacional nos primeiros anos de vida, e há bastante segurança em afirmar que o investimento em educação infantil obtém uma taxa de retorno econômico superior a qualquer outro. Sendo que as diretrizes curriculares nacionais definidas pelo Conselho Nacional de Educação e Art. 9º, Inciso IV, da LDB 9.394/96, determinam as normas dos sistemas de ensino dos estado e municípios, para a elaboração das propostas pedagógicas para crianças de 0 a 6 anos. Para tanto, requere-se melhoria na qualidade de serviços oferecidos, desde o pedagógico, quanto o administrativo das instituições, bem como decisões e compromissos políticos dos governantes em relação às crianças. Também se prevê medidas relativas a recursos financeiros necessários para articulação dos setores da política social envolvidos no atendimento dos direitos e das necessidades das crianças como: assistência social, justiça, o trabalho, a cultura, a saúde e as comunicações sociais, além das organizações da sociedade civil. As inversões financeiras requeridas para cumprir as metas de abrangências e qualidade deverão ser vistas, sobretudo como aplicações necessárias em direitos básicos dos cidadãos na primeira etapa de vida, as metas estão relacionadas à demanda manifesta, pois a educação infantil não é obrigatória, mas um direito da criança, e os fatores desta necessidade são vigente em nossa cidade, o cuidado na qualidade do atendimento justifica e produz resultados positivos, o que fará a demanda crescer. Então, a formação dos profissionais da educação infantil merecerá uma atenção especial, dada à relevância de sua atuação como mediadores no processo de desenvolvimento e aprendizagem. Para atuar com esta faixa etária de 0 a 6 anos precisa-se de conhecimento das bases científicas do desenvolvimento da criança, da produção de aprendizagem e a habilidade de reflexão sobre a prática. Além disso, requer-se a formação inicial e continuada, inserida no trabalho pedagógico, nutrindo-se dele e renovando-o constantemente. 35 Para orientar uma prática pedagógica condizente com os dados das ciências e mais respeito possível do processo unitário de desenvolvimento da criança constitui em diretrizes importantes na superação das dicotomias creche/pré-escola, assistencialismo/educação, carentes/educação, pois educação e cuidados se designa num todo indivisível para crianças indivisíveis, num processo marcado por etapas ou estágios em que as rupturas são bases e possibilidades para a seqüência. No período dos dez anos descobertos por este plano, o Brasil poderá chegar a uma educação infantil que abarque o segmento etário de 0 a 6 ou 0 a 5 na medida em que as crianças de 6 anos ingressem no ensino fundamental sem os percalços das passagens traumáticas, que exigem “adaptação”. As medidas propostas por este plano decenal para implementar as diretrizes e os referenciais curriculares nacionais para Educação Infantil se enquadram na perspectiva da melhoria da qualidade. No entanto deve ter como prioridade o respeito ás diversidades regionais, aos valores e às expressões culturais das diferentes localidades. Os efeitos positivos da educação infantil sobre o desenvolvimento e aprendizagem das crianças, já constatados, por muitas pesquisas, o atendimento de qualquer criança num estabelecimento de Educação Infantil é uma das mais sábias estratégias de desenvolvimento humano, de formação da inteligência e da personalidade, com reflexos positivos sobre o processo de aprendizagem posterior. Por isso, no mundo inteiro, esse segmento da educação vem crescendo significativamente e vem sendo recomendado por organismos e conferências internacionais. Considerando as condições concretas de nosso país, as instituições deverão atender os locais de maior necessidade, e as famílias de menor renda, priorizando o período integral de permanência na escola para crianças de pais que trabalham fora, bem como não caracterizar a Educação Infantil pública como uma ação para pobres, é questão de dignidade, respeitando o número de alunos em sala de aula, conforme portaria 001/01 SEMEC art. 3º, inclusive o que se refere à inclusão. 3 . METAS E OBJETIVOS 1 - Ampliar a oferta de Educação Infantil, de forma a atender, em cinco anos, a 30% da população de até 3 anos de idade e 60% da população de 4 a 6 anos e, até o final da década, alcançar a meta de 50% das crianças de 0 a 3 anos e 80% das de 4 a 6 anos. * 2 -Atingir em 5 anos o conceito de “Bom” ou “Excelente” no que se refere ao 36 acompanhamento, avaliação, controle e supervisão com maior investimento em todos os aspectos no sistema de ensino do município, proposto na Ação 15, 4. AÇÕES PROPOSTAS Acesso 1. A partir do atendimento da meta 1, adotar, progressivamente, a partir de aprovação deste Plano o atendimento, em tempo integral, para as crianças de 0 a 6 anos. 2. Adotar, progressivamente o atendimento na educação infantil modalidade creche no período noturno para as crianças que tem seus pais comprovadamente matriculados e freqüentando a EJA. Respeitando o que diz a LDB 9.394/96, Art. 8, cap 87, para o noturno. 3. Apoiar as Instituições Filantrópicas do Município, que atendam crianças de 0 a 6 anos. 4. Implantar o atendimento da creche durante período de férias. Espaço Físico e Equipamentos 1. Elaborar, no prazo de um ano, padrões mínimos de infra-estrutura para o funcionamento adequado das instituições de Educação Infantil (creches e préescolas) públicas e privadas, que, respeitando as diversidades regionais, assegurem o atendimento das características das distintas faixas etárias e das necessidades do processo educativo quanto a: a) Espaço interno, com iluminação, insolação, ventilação, visão para o espaço externo, rede elétrica e segurança, água potável, esgoto sanitário; b) Instalações sanitárias e para a higiene pessoal das crianças; c) Instalações para preparo e/ou serviço de alimentação; d) Ambiente interno e externo para o desenvolvimento das atividades, conforme as diretrizes curriculares e a metodologia da Educação Infantil, incluindo o repouso, a expressão livre, o movimento e o brinquedo; e) Mobiliário e materiais pedagógicos; f) Adequação às características dos alunos portadores de necessidades especiais. ** 1. A partir do segundo ano deste Plano, somente autorizar construção e 37 funcionamento de instituições de Educação Infantil, públicas ou privadas, que atendam aos requisitos de infra-estrutura definidos nos itens anteriores. 2. Adaptar os prédios de Educação Infantil em cinco anos, todos estejam conformes aos padrões mínimos de infra-estrutura estabelecidos. 3. Assegurar, em todas as escolas públicas municipais que atendem a Educação Infantil, o fornecimento de materiais pedagógicos adequados às faixas etárias e às necessidades do trabalho educacional, de forma que, em três anos, sejam atendidos os padrões mínimos de infra-estrutura definidos na meta nº 3. ** 4. Construir novas creches onde a demanda for maior; 5. Ampliar e reformar a creche atual, revendo as barreiras arquitetônicas; Estatística 1. Realizar, no prazo de dois anos após aprovação deste Plano, censo demográfico que indique as necessidades de expansão Educação Infantil. 2. Estabelecer, a partir do 1º ano de vigência deste plano, um programa de coleta de dados para implantação, de um banco de dados que sirva como fonte oficial de pesquisa e consultas. ** _*** Avaliação e Qualidade 1. Assegurar que, em dois anos, a partir da vigência deste Plano Municipal de Educação, todas as instituições de Educação Infantil concluam a elaboração e implantem seus Projetos Políticos Pedagógicos com base nas Diretrizes Nacionais e sugestões dos Referenciais Curriculares Nacionais, com a participação da comunidade escolar, estabelecendo parâmetros de qualidade dos serviços, como referência para a supervisão, o controle e a avaliação, e como instrumento para a adoção das medidas de melhoria da qualidade. 2. No prazo de 02 anos, implantar um sistema de acompanhamento, controle, avaliação e supervisão da Educação Infantil, nos estabelecimentos públicos e privados, visando ao apoio técnico-pedagógico para a melhoria da qualidade e à garantia do cumprimento dos padrões mínimos estabelecidos pelas diretrizes nacionais e municipais. 38 Assistência 1. Estabelecer, até o final da década, com a integração dos setores responsáveis pela educação, saúde e assistência social e de organizações não-governamentais, programas de orientação e apoio aos pais com filhos entre 0 a 6 anos, oferecendo, inclusive, assistência financeira, jurídica e de suplementação alimentar nos casos de pobreza, violência doméstica e desagregação familiar extrema com a colaboração do Estado e da União, em consonância com os programas de garantia de renda mínima como Bolsa Família, através do Cadastro Único.* 2. Garantir a alimentação escolar, para as crianças atendidas na Educação Infantil, nos estabelecimentos públicos municipais e conveniados, através da colaboração financeira da União e do Estado. ** 3. Instituir mecanismos de colaboração entre os setores da educação, saúde e assistência na manutenção, expansão, administração, controle e avaliação das instituições de atendimento das crianças de 0 a 3 anos de idade com a colaboração do Estado e da União. 4. Realizar parcerias com a secretária de saúde, no que se refere ao atendimento dos seguintes especialistas para as escolas : fonoaudiólogo, fisioterapeuta, psicólogo, nutricionista e assistente social. Estendendo progressivamente a todas as escolas do município. Financiamento 1. Assegurar que os 10% dos recursos de manutenção e desenvolvimento do ensino, não vinculados ao FUNDEF, sejam aplicados, prioritariamente, na Educação Infantil, com criação de conta específica e que tenha um Conselho que acompanhe a prestação de contas. 2. Realizar estudos sobre custo da Educação Infantil, com base nos parâmetros de qualidade, visando melhorar a eficiência e garantir a generalização da qualidade do atendimento. 3. Criar o conselho municipal, que fiscalize os repasses financeiros, garantindo o investimento de no mínimo 25% na educação. Geral 39 1. A partir do primeiro ano de vigência desse plano, apoiar os conselhos escolares e outras formas de participação da comunidade escolar e local, para a melhoria do funcionamento das instituições de Educação Infantil e para o enriquecimento das oportunidades educativas e dos recursos pedagógicos. 2. Observar as metas estabelecidas nos demais capítulos deste Plano referente à Educação Infantil. ENSINO FUNDAMENTAL 1 . DIAGNÓSTICO Como estabelece a Constituição Federal/88, o acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo, e seu não oferecimento pelo Poder Público ou sua oferta irregular implica responsabilidade da autoridade competente, nos termos do art. 208, § 11, da Constituição Federal e do art. 237, Inciso I,da Constituição do Estado de Mato Grosso. Conforme preceitua o art. 32 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional o Ensino Fundamental é básico, garantindo o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo constitui meios para o desenvolvimento da capacidade de aprender, de relacionar-se no contexto social e político. Oferecê-lo é prioridade para toda a população brasileira. A exclusão da escola de crianças na idade própria seja por incúria do Poder Público, seja por omissão da família e da sociedade, é a forma mais perversa e irremediável de exclusão social, pois nega o direito elementar de cidadania, reproduzindo e ampliando o círculo da pobreza e da marginalidade e aliena milhões de brasileiros de qualquer perspectiva de futuro. Em Mato Grosso, como ocorre no Brasil, existe um amplo consenso sobre a situação e os problemas do Ensino Fundamental. Três deles são permanentemente debatidos e desafiadores, a saber: a defasagem idade/série, o alto índice de reprovação e o abandono por desistência dos estudos. 1 - Ensino Fundamental – Índice de Crescimento da População Escolarizando 1999 a 2002 Anos População Escolarizando 40 7 a 14 anos Índice de Crescimento 1 999 3.091 - 2 000 3.039 0,02 2 001 2.883 0,05 2 002 2.994 3,85 Fonte: MEC/INEP OBS: Os dados 1999 e 2000 incluí alunos de Nova Nazaré - MT 2 - Ensino Fundamental – Matrícula Inicial –1 999 a 2 003 Dep. Administrativa Localização ANO 1 999 2 000 2 001 2 002 2 003 Estadual Urbana 1.618 1.679 1.563 1.461 1.587 Rural - - - - - Total 1.618 1.679 1.563 1.46.1 1.587 Municipal Urbana 720 752 649 819 827 Rural 1.079 1.184 991 1.020 801 Total 1.799 1.936 1.640 1.839 1.628 Privada Urbana 332 337 345 348 376 Rural - - - - - Total 332 337 345 348 376 TOTAL ANUAL 3.749 3.952 3.548 3.648 3.591 Fonte: MEC/INEP - Censo Escolar Secretaria Municipal de Educação 3 - Ensino Fundamental - Função Docente por Grau de Formação – 2003 Dependência Administrativa Localização Fundamental Ensino Médio Superior Total Completo Incompleto Magistério Completo Outros Completo Licenciatura Completa Completo sem licenciatura Com magistério Sem magistério Estadual Urbana - - 19 - 51 - - 70 Rural - - - - - - - - Total - - 19 - 51 - - 70 Municipal Urbana - 1 16 8 12 - - 37 Rural 1 8 14 25 - 1 - 49 Total 1 9 30 33 12 1 - 86 Privada Urbana - - 3 1 15 - - 19 Rural - - - - - - - - Total - - 3 1 15 - - 19 Total Geral 1 9 52 34 78 1 - 175 Fonte: MEC/INEP - Censo Escola 41 4 - Ensino Fundamental – Evolução da Taxa de Aprovação –1999 a 2001 Ano Dep. Administrativa 1ª série 2ª série 3ª série 4ª série 5ª série 6ª série 7ª série 8ª série 1 999 Estadual 77,8 54,8 72,5 76,8 69,1 67,8 69,3 78,2 Municipal 67,7 81,3 81,7 85,8 65,8 71,0 64,3 67,5 Privada 100,0 100,0 97,7 97,2 100,0 100,0 90,9 96,0 2 000 Estadual 58,0 72,2 69,0 72,0 62,5 54,5 64,4 72,2 Municipal 67,3 74,7 76,9 71,5 50,4 55,7 57,9 60,7 Privada 97,6 100,0 97,7 97,5 92,5 96,2 97,1 100,0 2 001 Estadual 59,3 76,8 85,5 81,8 65,9 60,6 64,7 81,5 Municipal 77,5 83,1 86,4 962,4 78,3 80,3 82,9 96,4 Privada 100,0 100,0 100,0 100,0 97,3 100,0 100,0 95,0 Fonte: SEDUC/ Boletem Estatístico Educacional nº 13 Secretaria Municipal de Educação 5 - Ensino Fundamental – Evolução da Taxa de Reprovação –1999 a 2002 Ano Dep. Administrativa 1ª série 2ª série 3ª série 4ª série 5ª série 6ª série 7ª série 8ª série 1 999 Estadual 13,0 11,9 11,1 10,4 18,8 17,3 20,8 14,5 Municipal 26,2 15,1 14,8 9,8 13,0 21,5 16,1 12,5 Privada - - 2,3 2,8 - - 9,1 4,0 2 000 Estadual 15,2 8,2 16,2 6,8 19,3 20,1 18,0 13,6 Municipal 23,8 11,6 9,7 11,3 5,0 5,1 4,2 1,6 Privada 2,4 - 2,3 2,5 2,5 3,8 2,9 - 2 001 Estadual 19,8 11,1 6,0 7,3 16,9 16,9 14,7 10,2 Municipal 13,0 9,5 7,8 3,1 8,5 3,6 3,6 3,6 Privada - - - - 2,7 - - 5,0 2 002 Estadual 19,1 16,1 19,0 7,7 14,9 12,7 9,2 3,4 Municipal 13,1 11,3 5,1 4,2 14,4 12,9 15,5 3,8 Privada - - - - - - - - Fonte: SEDUC/ Boletim Estatístico Educacional nº 13 Secretaria Municipal de Educação 6 - Ensino Fundamental – Evolução da Taxa de Abandono –1999 a 2001 Ano Dep. Administrativa 1ª série 2ª série 3ª série 4ª série 5ª série 6ª série 7ª série 8ª série 1 999 Estadual 9,3 33,3 16,3 12,8 12,1 14,9 9,9 7,3 Municipal 6,1 3,7 3,4 4,5 21,1 7,5 19,6 20,0 Privada - - - - - - - - 2 000 Estadual 26,8 19,6 14,8 21,2 18,2 25,4 17,6 14,2 Municipal 8,9 13,7 13,4 17,2 44,6 39,2 37,9 37,7 Privada - - - - 5,0 - - - 42 2 001 Estadual 20,9 12,1 8,5 10,9 17,2 22,5 20,6 8,3 Municipal 9,5 7,4 5,8 4,5 13,2 16,1 11,4 - Privada - - - - - - - - 2 002 Estadual 2,9 4,5 7,0 3,1 10,3 8,3 14,7 14,5 Municipal 3,7 2,7 2,4 3,9 6,8 5,4 6,9 39,7 Privada - - - - - - - - Fonte: SEDUC/ Boletim Estatístico Educacional nº 13 Secretaria Municipal de Educação Analisando as tabelas de 01 a 06 observa-se que a produtividade dos Sistemas Públicos de Ensino ainda está aquém do desejado, já que os índices de repetência e abandono mantêm-se em patamares elevados por conseqüência da permuta de escola de zona urbana e rural e vice versa, principalmente na 1ª e 5ª série, retardando o término dos estudos na faixa etária própria (defasagem idade/série). Este é um dos mais graves problemas enfrentados pelo Ensino Fundamental e reflete uma qualidade educacional deficiente, acarretando um alto custo pra os Sistemas Públicos Educacionais. Diante desse diagnóstico, o Sistema Público de Ensino, com este Plano, passará a ter condições de acompanhar e avaliar os principais desafios educacionais – a repetência e o abandono e a defasagem idade/série. 2 - DIRETRIZES: As diretrizes norteadoras da educação fundamental estão contidas na Constituição Federal, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e nas Diretrizes Curriculares para o Ensino Fundamental. Como estabelece o Plano Nacional de Educação, nos cinco primeiros anos de vigência do Plano Municipal de Educação, o Ensino Fundamental deverá atingir a sua universalização, sob a responsabilidade do Poder Público, considerando a indissociabilidade entre acesso, permanência e qualidade da educação escolar. O direito ao Ensino Fundamental não se refere apenas a matricula, mas ao ensino de qualidade, até a sua conclusão. Crianças, jovens e adultos da zona rural também são sujeitos de direitos iguais aos da zona urbana e reclamam por uma escola pública de qualidade. As comunidades do campo precisam construir a identidade das suas escolas, com uma pedagogia própria, valorizando as atividades e a vida no campo. 43 O atraso no percurso escolar, resultante de reprovação, repetência e da evasão, sinaliza para a necessidade de políticas educacionais destinadas à correção das distorções idade/série como aquelas que estão sendo implantadas e em expansão no município (formação continuada, sala de apoio). A expressiva presença de jovens, com mais de 14 anos, no Ensino Fundamental, demanda a criação de condições próprias para a aprendizagem dessa faixa etária, adequadas à sua maneira de usar o espaço, o tempo, os recursos didáticos e as formas peculiares com que a juventude tem de conviver. A oferta qualitativa deverá, em decorrência, regularizar os percursos escolares, permitindo que as crianças e adolescentes permaneçam na escola o tempo mínimo e necessário para concluir essa etapa de ensino, eliminando mais rapidamente o analfabetismo e elevando gradativamente a escolaridade da população aguaboense. A Escola Municipal Terra Viva com atendimento em tempo integral, oportunizando orientação no cumprimento dos deveres escolares, na prática de esportes, desenvolvimento de atividades artísticas e alimentação adequada, no mínimo em duas refeições, é um avanço significativo para diminuir as desigualdades sociais e ampliar democraticamente as oportunidades de aprendizagem. A Secretaria Municipal de Educação coordena a construção coletiva de uma educação que propicie a conquista crescente da qualidade, da democratização, da eqüidade, da inovação, da criatividade, do senso crítico e da ética no projeto pedagógico do município. 3 - OBJETIVOS E METAS 1 - Universalizar o atendimento de 100% da clientela do Ensino Fundamental, no prazo de dois anos, a partir da data de aprovação deste plano, garantindo acesso e permanência das crianças na escola, em regime de colaboração com o Estado e a União, como propõe o Plano Nacional de Educação. 2 – Regularizar o fluxo escolar reduzindo em 80%, em cinco anos, as taxas de repetência e evasão, por meio de programas de aceleração de aprendizagem e de recuperação paralela ao longo do curso, garantindo efetiva aprendizagem. 3 – Atingir em 7 anos nível 'Bom' ou 'Excelente' no Sistema de Avaliação da Qualidade do Ensino Fundamental definido no item 13, ou em Sistema de Avaliação 44 implantado pelo Governo Federal. 4 – AÇÕES PROPOSTAS 1 – Ampliar para nove anos a duração do Ensino Fundamental obrigatório com início aos seis anos de idade, à medida que for sendo universalizado o atendimento na faixa de 07 a 14 anos. 2 – Estabelecer, em todo o sistema de ensino programas para equipar todas as escolas, no prazo de 3 anos, gradualmente, considerando a realidade de cada comunidade escolar e o tamanho dos estabelecimentos, com os equipamentos a seguir discriminados: a) Espaço, iluminação, insolação, ventilação, água potável, rede elétrica, segurança e temperatura ambiente; b) Instalações sanitárias e para higiene; c) Espaço para esporte adequado ao clima, recreação, projetos artísticosculturais e sociais, biblioteca e serviço de alimentação escolar; d) Adaptação dos edifícios escolares bem como criação de ambiente favorável de aprendizagem para o atendimento dos alunos portadores de necessidades especiais; e) Prover alojamentos para professores em escolas rurais, de difícil acesso, onde não haja recurso humano habilitado para atender o Ensino Fundamental; f) Construção de bibliotecas e videotecas, aquisição de mobiliários e acervos; g) Mobiliários, equipamentos e materiais pedagógicos; h) Telefone e serviço de reprodução de textos; i) Implantação de laboratórios de informática nas escolas da rede municipal; 3 – A partir da vigência deste plano, somente autorizar a construção de escolas que atendam aos requisitos de infra-estrutura definidos nos itens de “a” à “d” da meta 45 anterior e em dez anos, a totalidade dos itens. 4 – Assegurar que a partir de um ano da vigência do plano, todas as escolas tenham formulado e iniciado a implementação do seu projeto político-pedagógico, com observância das Diretrizes Curriculares, para o Ensino Fundamental. 5 – Promover a participação da comunidade na gestão escolar 6– Prover de transporte escolar, os alunos da zona rural e zona periférica da cidade, com a colaboração financeira da União e do Estado, garantindo que cada ente assuma suas responsabilidades de forma a garantir a escolarização dos alunos e o acesso à escola. 7– Garantir em colaboração da União e do Estado, o provimento da alimentação escolar e o equilíbrio necessário à mesma, bem como os níveis nutricionais. 8 - Ampliar, progressivamente a jornada escolar visando expandir a escola de tempo integral, atendendo prioritariamente às crianças de família de menor renda, que abranja um período de pelo menos sete horas diárias, com previsão de professores e funcionários em número suficiente, provendo quatro refeições e atividades artísticas, associadas a ações sócio-educativas. 9– Criar um monitoramento, por meio de censo educacional, das crianças fora da escola, por bairro e por distrito, de residência e/ou locais de trabalho dos pais, visando localizar a demanda e universalizar a oferta de ensino obrigatório. 10– Apoiar e incentivar as organizações estudantis, como espaço de participação e exercício da cidadania. 11– Repensar a proposta pedagógica das escolas do sistema municipal e estadual de ensino, adequando o currículo e a distribuição da carga horária obrigatória, respeitando as especificidades e as demandas da comunidade. 12- Apoiar as escolas financeiramente para utilizar as horas atividades de professores para capacita-los no interior das Unidades Escolares. 13- No prazo de 02 anos, implantar um sistema de acompanhamento, controle, avaliação e supervisão do Ensino Fundamental, nos estabelecimentos públicos e privados, visando ao apoio técnico-pedagógico para a melhoria da qualidade e à 46 garantia do cumprimento dos padrões mínimos estabelecidos pelas diretrizes nacionais e municipais. 14-Definir critérios de qualidade para avaliação do sistema no que se refere ao Ensino Fundamental visando maior investimento para atingir melhorias na qualidade de ensino, a partir do segundo ano de vigência deste Plano. 15- Garantir, a partir da vigência deste plano, que os programas de formação continuada, sejam assessorados e coordenados, pela Secretaria Municipal de Educação, para os profissionais da educação das redes pública municipal e estadual, respeitando a ajustando-se aos projetos políticos pedagógicos de cada unidade escolar. 16 – Garantir a continuidade do funcionamento das Salas de Apoio, com o objetivo de diminuir a evasão, repetência e conseqüentemente a distorção idade/série. 17- Tratar os Temas Transversais de forma contínua, integrada e permanente como prática educativa interdisciplinar numa concepção clara de conhecimento, homem, sociedade e mundo, a partir do primeiro ano de vigência deste Plano. 18- Apoiar criação da sala de apoio para turmas de 5º à 8º série. 19- Promover discussão referente à forma de atribuição de notas dos alunos. 20- Garantir atendimento psicológico e fonoaudiológico para os alunos do ensino fundamental da rede pública municipal e estadual. ENSINO MÉDIO 1 – DIAGNÓSTICO Atualmente, a era das transformações que caracteriza o acelerado processo de integração e reestruturação capitalista mundial. De fato, o novo paradigma econômico, os avanços científicos e tecnológicos, a reestruturação do sistema de produção e as mudanças no mundo do conhecimento, os efeitos da globalização e busca por novas conquistas econômicas e de poder, afetam a organização do trabalho e o perfil dos trabalhadores, repercutindo na qualidade profissional e, por conseqüência, nos sistema de ensino e nas escolas. Essas transformações, que ocorrem em escala mundial, decorrem da conjugação de um conjunto de acontecimentos e processos que acabam caracterizando novas realidades sociais, políticas, econômicas, culturais geográficas. 47 Entre os aspectos mais visíveis desse fenômeno destacam-se os seguintes: ● Notáveis avanços tecnológicos, na maioria microeletrônica, informática, telecomunicações, autonomia industrial, biotecnologia, engenharia genética, entre outros setores, caracterizando uma revolução tecnológica sem procedentes. ● Globalização da sociedade, internacionalização do capital e dos mercados, reestruturação do sistema de produção e do desenvolvimento econômico. ● Difusão maciça da informação de novas tecnologias da comunicação e da informação, afetando a produção, circulação e consumo da cultura. ● Mudanças nos processos de produção, na organização do trabalho, nas formas de organização dos trabalhadores, nas qualificações profissionais. ● Alteração nas concepções sobre o Estado e suas funções, prevalecendo o modelo neoliberal de diminuição do papel do Estado e fortalecimento as leis do mercado. ● Mudanças no Paradigma das ciências e do conhecimento, influindo na pesquisa, na produção de conhecimentos, nos processos de aprendizagem. ● Agravamento da exclusão social, aumento da distância social e econômica entre incluídos e excluídos dos novos processos de produção e das novas formas de conhecimento. As transformações e mudanças na economia estão diretamente relacionadas às economias mundiais e a globalização. Fundem-se empresas nacionais em transnacionais, deixando o Estado suas responsabilidades a terceiros e, por isso, gerando mais desigualdade social, desemprego e empobrecimento da sociedade. As pessoas são estimuladas a se preparar para competir, por si mesmas, no mercado de trabalho e a gerar seus meios de vida reforçando a exclusão social. Essas mudanças atingem o sistema educacional, exigindo-lhe adequação aos interesses do mercado e formação de profissionais mais preparados para as modificações no processo de produção. Com efeito, tais modificações afetam a organização do trabalho nas empresas e o perfil do trabalhador necessário para novas formas de produção e, em conseqüência, os conhecimentos, habilidades e atitudes necessárias à qualificação profissional. As incessantes modificações tecnológicas afetam os postos de trabalho e as competências profissionais, de modo que as pessoas precisam estar preparadas para mudar de profissão algumas vezes na vida. Junto com isso aumenta o número de pessoas ocupadas em trabalhos 48 eventuais e até mesmo aos desempregos. E por outro lado, é fato que a realidade do mundo do trabalho requer trabalhadores com mais conhecimento, cultura, preparo técnico. Sendo assim, a deficiência na educação básica (incluindo novas habilidades e competência social), passa a ser determinante da condição de inclusão ou exclusão social, porque o mercado de trabalho não mais aceita mão-de-obra não qualificada. O Ensino Médio, etapa final da Educação Básica, ao garantir o aprofundamento e a consolidação dos conhecimentos adquiridos no Ensino Fundamental, objetiva a preparação básica do educando para o trabalho e a cidadania bem como para o prosseguimento dos estudos. O Município vem desenvolvendo esforços para atender o mandamento constitucional de universalizar progressivamente o Ensino Médio como um mecanismo social e eficaz, com capacidade de unificar as experiências e construir novos saberes necessários ao processo de formação de jovens e adultos. Com a demanda crescente para o ingresso no Ensino Médio no município, a através do Decreto nº 799, de 14 /01/81, baixado pelo governador Frederico Campos foi criada a Escola de 1º e 2º Graus com o nome de “Escola Estadual de 1º e 2º Graus Antônio Gröhs”. Em 1981, foi autorizado o funcionamento do curso de 2º Grau, em caráter provisório, com Habilitação para o Magistério. A partir de 1982, o 2º Grau funcionou com Habilitação para Técnico de Contabilidade que foi implantado como extensão da Escola Estadual de 1º e 2º Graus “Eurico Gaspar Dutra”, do município de Barra do Garças até 1987. Com a Autorização do 2º Grau pelo Decreto 319/87, D.O. de 01/12/1987 fica autorizado o 2º Grau Não Profissionalizante (Propedêutico) curso existente e reconhecido que é oferecido à comunidade estudantil aguaboense. A primeira diretora do curso de 2º Grau ( Não Profissionalizante) da Escola Estadual “ Antônio Gröhs” foi a professora Geneci Bartz Kuhn, nomeada então pelo governador da época, Frederico Campos. Embora a LDB permitisse a oferta do Ensino Médio com terminalidade profissional de cursos técnicos integrados à formação geral, o Decreto 2.208/97 exige a separação institucional dos cursos. Em Mato Grosso a portaria 1.266/85 extinguiu o Ensino Médio de formação profissional, por esse motivo, a partir de 1987, o curso no município passa a ser propedêutico. 49 Em 1998, de acordo com Parecer Orientativo da SEDUC, as escolas deveriam efetuar o reordenamento da rede escolar, a fim de proporcionar uma maior oferta de vagas, adequação de espaço, ensino de qualidade, material específico, faixa etária equivalente, interação entre os docentes. E, só em 2002, as escolas estaduais do município, procederam ao redimensionamento, na qual a Escola Estadual “ Antônio Gröhs” passou a atender a clientela de 6ª à 8ª séries e Ensino Médio e a Escola Estadual 9 de Julho” de 1ª à 5ª séries. A Escola Estadual Antônio Gröhs” oferece o Ensino Médio nos períodos matutino e noturno. Tentou-se implantar no período vespertino, mas não houve demanda suficiente para a sua realização. Água Boa conta também com duas escolas de ensino privado que oferecem Ensino Médio. A Escola Rui Barbosa – COOPERENSINO implantou o 2º Grau autorizado pela Resolução 128/96-CEE, D.O. de 05/08/1996 e o mesmo foi reconhecido através da Portaria 975/97-SEDUC, D.O., de 29/07/1997. Tendo como diretor o professor Lauro Feldmann. O Colégio Jesus Maria José passa a oferecer a comunidade o Ensino Médio a partir de 2003, autorizado pela Portaria 262/03-CEEMT e Resolução/Parecer 291/03-CEE/MT, Tendo como Diretora a Ir. Janete Berton. Ambas as escolas privadas só oferecem o Ensino Médio no período matutino Observa-se uma demanda muito grande de matrícula no Ensino Médio, Este crescimento vem sendo direcionado para as escolas estaduais e a concentração maior encontra-se no turno noturno. O alto índice de abandono e reprovação é indicador de que a eficiência do Ensino Médio permanece ainda abaixo dos níveis desejados, evidenciando a retenção do aluno no sistema educacional de forma acentuada, contribuindo, conseqüentemente, para a distorção idade-série. Quanto aos professores que atuam no Ensino Médio, tanto das Escolas Estaduais como privadas, são habilitados de licenciatura plena. Entretanto, o índice de professores não leigos no Ensino Médio eleva-se em conseqüência de professores que lecionam em áreas para as quais não estão habilitados. Para superar esse desafio, é preciso promover mudanças substanciais no Ensino Médio, garantido o acesso, a qualidade do ensino, a revisão dos critérios de avaliação do aluno em sala de aula e a elevação dos padrões de gestão e qualificação de profissionais. Cabe destacar que é oferecido o Ensino Médio na Escola Municipal Apóstolo Paulo, na localidade de Serrinha e na Escola Municipal Agrovila Central no 50 PA Jaraguá através de extensão da Escola Estadual Antonio Ghrös. O PA Santa Maria e o PA Jatobazinho são atendidos com Ensino Médio na cidade através de Transporte Escolar. As tabelas 1 e 2 evidenciam o crescimento da demanda do ensino médio no período entre 1 999 e 2 003 passando de 355 alunos para 808, atendidos predominantemente pelo sistema publico estadual e, menos de 10% pela rede privada. Revelam também que a oferta do ensino médio se dá exclusivamente na zona urbana. Este Plano, com certeza, dará aos sistemas públicos, condições de análise, acompanhamento e medidas para atender de forma otimizada, as demandas do campo. 1 - Ensino Médio - Unidades Escolares, Docentes e Matrícula Inicial 1999 a 2003. Ano Dep. Administrativa Unidades Escolares Docentes Matrícula Inicial Urbana Rural Total 1999 Estadual 1 - 1 17 289 Municipal - - - - - Privada 1 - 1 9 66 Total 2 - 2 26 355 2000 Estadual 1 - 1 18 294 Municipal - - - - - Privada 1 - 1 12 74 Total 2 - 2 30 368 2001 Estadual 1 - 1 22 299 Municipal - - - - - Privada 2 - 2 16 90 Total 3 - 3 38 389 2002 Estadual 1 - 1 25 389 Municipal - - - - - Privada 2 - 2 20 86 Total 3 - 3 45 475 2003 Estadual 1 - 1 17 502 Municipal - - - - - Privada 2 - 2 21 90 Total 3 - 3 38 592 Fonte: Secretaria Municipal de Educação 2 - Ensino Médio - Matrícula Inicial – 1 999 a 2 003. Dep. Administrativa Localização ANO 1 999 2 000 2 001 2 002 2 003 Estadual Urbana 289 294 299 389 502 Rural - - - - - Total 289 294 299 389 502 Municipal Urbana - - - - - Rural - - - - - Total - - - - - Privada Urbana 66 74 90 86 90 Rural - - - - - 51 Total 66 74 90 86 90 TOTAL ANUAL 355 368 389 475 592 Fonte: MEC/INEP - Censo Escolar 3 - Ensino Médio - Taxas de Aprovação, Reprovação e Abandono -1999 a 2002 Ano Dep. Administrativa Taxa de Aprovação Taxa de Reprovação Taxa de Abandono 1ª 2ª 3ª 1ª 2ª 3ª 1ª 2ª 3ª 1999 Estadual 64,4 68,0 80,0 16,9 15,0 16,4 18,6 17,0 3,6 Municipal - - - - - - - - - Privada 100,0 100,0 100,0 - - - - - - 2000 Estadual 72,6 89,5 91,4 12,3 2,6 4,3 15,1 7,9 4,3 Municipal - - - - - - - - - Privada 88,5 100,0 94,7 7,7 - - 3,8 - 5,3 2001 Estadual 64,3 81,2 96,8 12,3 9,4 1,6 23,4 9,4 1,6 Municipal - - - - - - - - - Privada 97,0 96,8 100,0 3,0 3,4 - - - - 2002 Estadual 69,9 82,6 90,7 12,4 5,1 1,3 17,7 12,3 8,0 Municipal - - - - - - - - - Privada - - - - - - - - - Fonte: MEC/INEP 4 - Ensino Médio – Taxa de Escolarização Bruta e Líquida – 2 000 Especificação População Total População de 15 - 17 anos Matrícula Inicial TOTAL Taxa Bruta Matrícula Inicial de 15 – 17 anos Taxa Líquida Brasil 169.799.170 10.702.499 2.192.948 4,8 3.565.240 33,3 Mato Grosso 2.504.353 163.841 99.973 4,0 47.517 29,0 Água Boa 16,737 1,156 368 2,2 234 20,2 Fonte: MEC/INEP Censo Escolar e IBGE 5 - Ensino Médio – Índice de Crescimento da População Escolarizanda – 1 999- 2002 Ano População Escolarizanda 15 a 17 anos Índice de Crescimento 1 999 199 - 2 000 234 17,6 2 001 265 13,2 2 002 297 12,1 Fonte: MEC/INEP Censo Escolar e IBGE 2 – DIRETRIZES No Município de Água Boa, em conformidade com os termos estabelecidos pela Lei nº 9.394/96 e pela Resolução CEB/CNE nº 3, que dispõem sobre Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, os programas e ações do Sistema Estadual de Ensino, responsável pelo Ensino Médio público no município, 52 deverá direcionar-se com vista: ● Universalização progressiva do acesso ao Ensino Médio gratuito aos jovens na faixa etária de 15 a 17 anos, bem como aos adultos que não puderam cursar o Ensino Médio na idade própria. ● A garantia da progressiva universalização do Ensino Médio gratuito, e a oferta de educação média de qualidade definindo ações pedagógicas administrativas fundamentais para uma formação sólida e medidas econômicas que assegurem recursos financeiros para seu financiamento e a devida aplicação dos recursos vinculados a educação. ● Preparação do jovem e adulto para a modernidade e o pleno exercício da cidadania e da inserção produtiva para o mercado do trabalho. ● Oferecer um sistema de avaliação que garantam ações políticas para o Ensino Médio que possa promover o educando a um seguimento de sua formação educacional. ● Integração dos portadores de necessidades especiais na rede regular de Ensino Médio, com necessária adequação do espaço físico, mobiliário, equipamentos, materiais pedagógicos e demais condições a este alunado. ● Implementação de incentivos para a permanência do alunado na escola, bem a realização do curso no tempo regular previsto para essa etapa da Educação Básica, adotando-se mecanismos de correção de fluxo e a progressiva eliminação da distorção idade-série. ● Adequação da infra-estrutura, da organização e dos recursos didático-pedagógico, compatibilizando-os com as peculiaridades do alunado do Ensino Médio, segundo o que dispõem as respectivas Diretrizes Curriculares Nacionais. Este Plano deverá, com certeza, orientar o trabalho integrado da escola e também preparar a articulação de esforços com os professores de outras áreas consubstanciando assim o programa educativo ou o projeto pedagógico, que resulta de uma ação convergente para a formação dos alunos. As áreas do conhecimento devem envolver, de forma combinada, o desenvolvimento de conhecimentos práticos, contextualizados, que respondam às necessidades da vida contemporânea, e o desenvolvimento de conhecimentos mais amplos e abstratos, que correspondam a uma cultura geral e a uma visão de mundo. Esses conhecimentos compatíveis com valores e atitudes que se pretendem desenvolver, podem ser agrupados por competências e habilidades, assim 53 juntam-se às competências e habilidades de caráter mais específico, na categoria investigação e compreensão científica e tecnológica, aquelas que, de certa forma, se direcionam no sentido da representação e comunicação em Ciência e Tecnologia que estão associadas à Linguagem e Códigos e, àquelas relacionadas com a contextualização sócio-cultural e histórica da ciência e da tecnologia se associam a Ciências Humanas. Como princípios e diretrizes para o Ensino Médio deverão ser considerados os seguintes pontos: 1. Requerer um currículo que atenda as especificidades regionais, características ambientais naturais e culturais, bem como a vida urbana e rural. 2. Romper com a característica tradicional do " autismo", buscando trabalhar de forma interdisciplinar utilizando metodologias diversificadas. 3. Preservar o espaço da Hora Atividade aos professores, permitindo a preparação de suas aulas, o contato com os colegas, discutindo sua prática e trocando experiências. 4. Possibilitar às escolas uma Estrutura Administrativa e Pedagógica, para que o trabalho entre diretor e corpo técnico administrativo assegure um ensino de qualidade, onde a aprendizagem não seja prejudicada. 5. Formular uma proposta pedagógica que contemple as perspectivas do aluno do campo voltado para a realidade de sua comunidade e região. 6. Oferecer ao aluno condições de reflexões e vivências dos verdadeiros valores, para que possa ser sujeito ativo, criativo, responsável, agente de sua auto-realização. 7. Criar mecanismos de aproximação entre escola e família, para que se possa oferecer um ensino de qualidade, onde ambas as instituições familiar e escolar se sintam responsáveis pelo crescimento individual e social do educando. 8. Conscientizar para a importância da valorização de preservar o patrimônio público, buscando formas de cativar o aluno para o civismo, tornando-o um cidadão crítico e consciente. 9. Ajudar os alunos a fazerem ligações entre a sua cultura cotidiana e cultura elaborada, de modo que adquiram instrumentos conceituais, formas de pensar e sentir, para interpretar e intervir em sua realidade. 10. Estabelecer um espaço onde deve ocorrer a formação integral do indivíduo, ajudando a aprimorar o censo crítico e político do educando, ou seja, a formação de sua postura enquanto cidadão e ainda, 54 incorporar aspectos da cultura juvenil aos projetos da escola. 11. Construir um espaço significativo de aprendizagem em que as interações re-signifiquem os atos de ensinar e aprender, bem como construir um ambiente de aceitação e colaboração em que as decisões coletivas e o compromisso assumido pelos professores possam garantir o exercício da cidadania; construir e fazer adaptações à proposta de organização curricular para o Ensino Médio. 12. Aprimorar gradualmente a qualidade do ensino para que a escola tenha características definidas centrando-se na aprendizagem significativa, baseadas nos princípios da identidade, diversidade e autonomia, interdisciplinaridade e contextualização e com isso amplie sua oferta de vagas no prazo de quatro anos. 13. Apoiar mecanismos, como conselhos ou equivalentes, para incentivar a participação da comunidade na gestão, manutenção e melhoria das condições de funcionamento das escolas. 14. Assegurar a autonomia das escolas, tanto no que diz respeito ao projeto pedagógico como em termos de gerência de recursos mínimos para a manutenção do cotidiano escolar. 15. Buscar alternativas para os alunos que não conseguiram aprovação no vestibular para que continuem na escola aprendendo e tendo neste ingresso uma nova fonte de auxílio para um novo vestibular não sofrendo com isso a perda da identidade com a escola e com o ensino aprendizagem. 16. Garantir um quadro com maioria dos professores efetivos e com Licenciatura Plena, garantindo a qualidade de atendimento, aumentando a possibilidade de permanência do profissional na unidade escolar. 17. Assegurar, que todos os professores do Ensino Médio possuam diploma de nível superior, oferecendo, inclusive, oportunidades de formação nesse nível de ensino àqueles que não possuem. 18. Preparar o profissional de educação para trabalhar no Ensino Médio, com alunos portadores de necessidades especiais, de forma que não sejam excluídos do contexto escolar e os educadores saibam compreender os seus limites. 55 3 . OBJETIVOS E METAS 1. Através das ações do Sistema Estadual de Educação, melhorar o aproveitamento dos alunos do Ensino Médio e a qualidade do ensino, de forma a atingir níveis satisfatórios de desempenho definidos e avaliados pelo Sistema Nacional do Ensino Médio (ENEM) e pelos sistemas de avaliação que venham a ser implantados no estado. 2. Através das ações do Sistema Estadual de Educação, reduzir em 20 % (vinte por cento) ao ano, a repetência e a evasão, de forma a diminuir para quatro anos o tempo médio para a conclusão deste nível. 4 . AÇÕES PROPOSTAS Para se atingir as metas e objetivos acima propostos, a Secretaria Estadual de Educação, responsável pelo Ensino Médio no Estado, em consonância com Plano Estadual de Educação deverá promover as seguintes ações: 1. Promover a implantação progressiva de padrões básicos de atendimento com amplo espaço para instalação de laboratório de ciências, biblioteca, laboratório de informática, sala de audiovisual, atualização e ampliação do acervo das bibliotecas, incluindo material bibliográfico de apoio aos professores e alunos, adaptação de edifícios escolares, bem como a criação de ambientes favoráveis de aprendizagem ao atendimento dos alunos portadores de necessidades especiais, prover as salas de aulas de janelas que circule a ventilação, boa iluminação e insolação dos prédios escolares, Ter instalações sanitárias e condições para a manutenção da higiene em todos os edifícios escolares. 2. Incentivar o apoio por parte das Direções das Escolas aos Grêmios Estudantis como espaço de formação integral do indivíduo. 3. Adaptar e prover, as escolas já existentes, para que no prazo de cinco anos, possam atender aos padrões mínimos estabelecidos, inclusive com referência a inclusão. 4. Assegurar aos alunos da Zona Rural o acesso ao Ensino Médio. 5. Buscar a implantação de Educação Profissionalizante no município. 6. Desenvolver políticas educacionais de forma que a proposta pedagógica de cada escola contemple os seguintes pontos: 56 a) Elaborar um projeto que vise a forma de avaliação do Ensino Médio, buscando com isso o aprofundamento dos saberes e a escola promovendo uma condição de aprendizado para a formação dos valores humanos fundamentais, que são centrais entre os objetivos da educação. b) Proceder, em dois anos, a uma revisão da organização didático-pedagógica e administrativa do ensino noturno, de forma a adequá-lo às necessidades do aluno trabalhador, sem prejuízo da qualidade do ensino, observando e repensando a carga horária. c) Criar mecanismos de conscientização junto às empresas comerciais e industriais para que incentivem seus funcionários a voltar para os bancos escolares, ajudando e fazendo com que isso melhore o crescimento pessoal do funcionário, e também o crescimento da própria empresa. d) Oferecer programas culturais e esportivos. e) Elaborar projetos que venham incentivar os alunos na preparação para o vestibular, oferecendo oficinas de aprendizagem, apoio extra classe, disponibilizando material de apoio que esteja restritamente direcionado ao crescimento pessoal e intelectual do aluno do Ensino Médio. f) Promover programas de incentivo à leitura. g) Estimular a participação dos profissionais da educação em exercício da função a realizar pesquisas, desenvolver projetos e todas as inovações pedagógicas para a sua auto valorização, garantindo acesso a Formação Continuada. h) Realizar seminários e oficinas pedagógicas, para esclarecer as reformas educacionais propostas pelo MEC, com enfoque na metodologia fundamentada nos princípios da interdisciplinaridade e contextualização; i) Buscar parcerias com a Secretaria de Estado de Educação e Governo Federal para viabilizar o transporte escolar de alunos da zona rural e periféricas garantindo a todos o acesso ao Ensino Médio. 57 4-EDUCAÇÃO INDÍGENA I-DIAGNÓSTICO No Brasil, desde o século XVI, a oferta de programas de Educação escolar às comunidades indígenas esteve pautada na catequização, civilização e integração forçada dos índios à sociedades nacional. Dos missionários jesuítas aos positivistas do serviço de proteção aos índios, do ensino catequético ao ensino bilíngüe, a tônica foi uma só: negar a diferença, assimilar os índios, fazer com que eles se transformassem em algo diferentes do que eram (PNE). Só nos anos recentes esse quadro começou a mudar. A Escola entre os grupos indígenas ganhou, então, um novo significado e um novo sentido, como meio para assegurar o acesso a conhecimentos gerais sem precisar negar as especificidades culturais e a identidade de cada grupo. As pesquisas nacionais mais recentes indicam que existem aproximadamente 329 mil índios em terras indígenas, constituindo cerca de 210 grupos distintos, vivendo em 19 estados. Em Mato Grosso, existem 38 povos indígenas, com uma população aproximada de 25 mil pessoas vivendo em 66 reservas indígenas, localizadas em 41 municípios (PEE). Em Água Boa, segundo a FUNAI, existem aproximadamente 167 pessoas, destes 83 são jovens e crianças com menos de 17 anos pertencentes ao povo Xavante, com língua materna A´uwe, pertencentes a famila Jê. As primeiras Escolas Indígenas foram criadas no ano de 1993 ( EMI Tritopá, EMI Cachoeira, EMI Dois Galhos, EMI Buriti, EMI Mutum, EMI Tatariquara, EMI Lagoa Grande, EMI Babaçu ), em 1997 foi criada a EMI Maire'A, em 1999 a EMI Tripá, em 2000 a EMI Santa Terezinha, totalizando assim 11 Escolas Indígenas localizadas em terras Indígenas, atendendo aproximadamente, 300 alunos. No ano de 2000, houve o desmembramento do Município de Nova Nazaré, que ficou com 9 Escolas das 11 existentes. O município de Água Boa passou a ter 2 Escolas Indígenas, atendendo aproximadamente 40 alunos. São elas: EMI Babaçu e a EMI Tripá, e oferecem Educação Infantil e Ensino Fundamental de 1ª a 4ª série. Os professores que atuam nestas escolas são pessoas pertencentes 58 à própria comunidade indígena, num total de três professores. Dois destes professores cursaram o Projeto Tucum, em nível Médio (magistério), os quais atualmente cursam o Terceiro Grau Indígena em Barra do Bugres oferecido pela Universidade Estadual de Mato Grosso – UNEMAT. O outro está cursando a 6ª série do Ensino Fundamental em Escola da Rede Pública. Apesar destes avanços é necessário garantir o número mínimo de dias letivos e um padrão mínimo de aprendizagem. 1 - Educação Indígena - Número de Escolas e Alunos Matriculados 1999 a 2003 ANO Número de Escolas Indígenas e Alunos Matriculados Estadual Rural Municipal Total Escolas Alunos Escolas Alunos Escolas Alunos 2 003 - - 2 40 2 40 Fonte: MEC/INEP - Censo Escolar Secretaria Municipal de Educação 2 - DIRETRIZES Em Mato Grosso, as iniciativas de Educação Escolar Indígena fundamentam-se nos seguintes princípios: A afirmação étnica, lingüística e cultural das sociedades indígenas; A defesa da autonomia das terras imemoriais indígenas e de seus projetos societários; A articulação e o intercâmbio entre os conhecimentos das diferentes sociedades indígenas e não indígenas. A Constituição Federal assegura às comunidades indígenas a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. A coordenação das ações de educação escolar indígena, que se encontra sob responsabilidade do Ministério de Educação, atribui aos Estados e municípios a sua execução. A proposta de uma escola indígena diferenciada, de qualidade, representa uma grande novidade no sistema educacional do país e exige das instituições e órgãos responsáveis a definição de novas dinâmicas, concepções e mecanismos, tanto para que estas escolas sejam de fato incorporadas e beneficiadas por sua inclusão no sistema oficial quanto para que sejam respeitadas em suas particularidades. A educação escolar bilíngüe, adequada às peculiaridades culturais 59 dos diferentes povos, é melhor atendida através de professores índios. A formação inicial e continuada dos próprios índios, que devem ser os professores de suas comunidades, deve ocorrer em serviço e concomitantemente à sua própria escolarização. A formação dos professores deverá contemplar: a) a elaboração de currículos e programas específicos para as escolas indígenas; b) o ensino bilíngüe, no que se refere à metodologia e ensino de segundas línguas e ao estabelecimento e uso de um sistema ortográfico das línguas maternas; c) a elaboração de materiais didático-pedagógicos, bilíngües ou não, para uso nas escolas instaladas em suas comunidades. 3 . OBJETIVOS E METAS 1. Implantar, em dez anos, o Ensino Fundamental completo, nas Escolas Indígenas, respeitando seus modos de vida, sua visão de mundo e as situações sociolingüísticas por elas vivenciadas e garantindo um padrão mínimo de qualidade.. 4. AÇÕES PROPOSTAS 1. Assegurar a autonomia das Escolas Indígenas, no que se refere ao projeto pedagógico. 2. Estabelecer, dentro de 10 anos de vigência deste Plano os padrões mínimos de infra-estrutura escolar específicos para estes estabelecimentos, com base no uso social e na concepção de espaço próprio de cada comunidade indígena, além de condições sanitárias e de higiene. 3. Firmar, no prazo de 10 anos, convênio com a União e o Estado, para equipar as Escolas Indígenas, didática e pedagogicamente, incluindo bibliotecas, materiais de apoio e multimeios. 4. Estabelecer parcerias com o Estado, para oferecer cursos de formação de professores indígenas, em nível médio (Magistério) e superior, conforme demanda. 60 5. Implantar dentro de 02 anos de vigência deste Plano, diretrizes curriculares, respeitando a Leis, através de projetos político-pedagógicos. 6. Promover o intercâmbio cultural da população indígena e não indígena, como meio de combater o desconhecimento, a intolerância e o preconceito em relação às sociedades e populações indígenas. 7. Implantar sistema de avaliação da qualidade da educação indígena, de forma que se garanta um padrão mínimo de leitura, escrita e operações matemáticas. 8. Incluir o programa de capacitação dos professores da Educação Indígena nos programas que atendam esse alunado nas escolas não indígenas, mas que atendam alunos índios. 9. Assegurar na SEMEC, um Coordenador Pedagógico para atendimento a Educação Indígena, garantindo dessa forma a qualidade de ensino; 10. Estabelecer formas de acompanhamento pedagógico para reduzir a evasão e repetência da Educação Indígena. EDUCAÇÃO ESPECIAL I – DIAGNÓSTICO A Constituição Federal estabelece às pessoas com necessidades 61 especiais o direito a educação preferencialmente na rede regular de ensino (art. 208, III). A lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei 9.394/96, refere-se a Educação Especial como modalidade da Educação Escolar, que deverá ser ofertada, preferencialmente, na rede regular de ensino, particularmente aos alunos com necessidade educacionais especiais. Enquanto modalidade, não deve ser entendida como um subsistema à parte, divorciado do ensino regular, pois a educação especial insere-se nos diferentes níveis da educação escolar, ou seja, Educação Básica, abrangendo a Educação Infantil, Educação Fundamental, Ensino Médio e Educação Superior. A educação para as pessoas com necessidade especiais fundamenta-se nos princípios da prevenção da dignidade humana, da busca da identidade, do exercício da cidadania. A fundamentação filosófica da educação especial é a mesma que norteia as ações da educação em geral. Inspira-se no paradigma da inclusão na educação de qualidade para todos, cabendo à escola aprimorar suas propostas educativas sem discriminar os alunos que apresentam necessidades educacionais especiais, temporárias ou permanentes. A inclusão escolar permitirá a efetivação das relações de respeito, identidade, e dignidade, de modo que todos os alunos, independente de classe, raça, gênero, sexo, característica individual ou necessidades educacionais especiais, possam aprender juntos, numa clara demonstração de respeito à diferença e de compromissos com a promoção dos direitos humanos, vislumbrando-se uma sociedade justa e solidária. A oferta de ensino aos portadores de necessidades educacionais especiais, seja pelo sistema regular de ensino, através de classes comuns, salas de recursos, classes especiais e/ ou escola especial, enquanto local dos serviços de educação especial, necessitam, em suas prioridades, da provisão de recursos humanos e materiais para a implantação de práticas pedagógicas pautadas no perfil dos alunos, possibilitando o pleno desenvolvimento das suas potencialidades sensoriais, afetivas e intelectuais, visando à inclusão destes ao processo cultural e econômico-social. Cabe à escola, portanto, assegurar um processamento educativo coerente com as necessidades educacionais de todos os seus alunos. Para isto, a formação dos professores e demais profissionais envolvidos no processo pedagógico 62 deve pautar-se em concepção curricular superadora da discriminação que envolve as diversidades e diferenças de todos os tipos. Considerando as questões envolvidas no desenvolvimento e na aprendizagem das crianças, jovens e adultos com necessidades especiais, a articulação e a cooperação entre os setores de educação, saúde e assistência são fundamentais para potencializar as ações de cada um deles. Como é sabido, o atendimento não se limita à área educacional, mas envolve especialistas, sobretudo da área da saúde e da psicologia e depende da colaboração de diferentes órgãos do Poder Público, em particular os vinculados à saúde, assistência e promoção social, inclusive em termos de recursos. Em Água Boa, a realidade da inclusão é algo novo que está sendo assimilada com seriedade por muitos profissionais porém ainda encontra resistência no meio educacional. Necessário se faz a conscientização quando o direito do PNE a fim de que toda comunidade, em especial as autoridades competentes e educadores, assuma a responsabilidade do processo de inclusão e ofereçam, de fato, condições para que ela aconteça, munindo a escola de recursos físicos, materiais e humanos para concretização do processo.Que realmente aconteça a adaptação física, a busca de material específico, a qualificação dos profissionais na área da educação, e a oferta dos atendimentos especializados como meio de reabilitação e apoio dos professores que precisam do parecer e orientação destes profissionais para sua atuação ser mais eficaz e o trabalho dos alunos mais significativos e envolvidos de esperança e resultados. Em âmbito nacional, o PNE (Plano Nacional de Educação) informa que a Organização Mundial de Saúde estima que cerca de 10% da população tem necessidades especiais. Estas podem ser de diversas ordens-visuais, auditivas, físicas, mentais, múltiplas, distúrbios de conduta, superdotação ou altas habilidades. Se essa estimativa se aplicar no Brasil, teremos cerca de 15 milhões de pessoas com necessidades especiais. Segundo o Censo Escolar (1998) do MEC/INEP havia 293.403 alunos sendo atendidos. Em Mato Grosso o número, de alunos atendidos, com necessidades 63 especiais, é de 7.842, incluindo aqueles matriculados nas 60 (sessenta) instituições filantrópicas conveniadas. No município de Água Boa o número de pessoas portadoras de necessidades especiais atendidas é de 99, incluídas aqui as escolas públicas e privadas. Levando-se em conta a importância das instalações e espaços físicos do sistema regular de ensino e a arquitetura das escolas para o atendimento desses alunos, considera-se que é preocupante a efetiva integração dos portadores de necessidades educacionais especiais ao sistema. Apesar das adaptações as escolas contam com poucos recursos didático pedagógicos, seja por baixo volume de investimentos nesta área, seja por falta de informação ou formação inicial e contínua em níveis mais elevados dos profissionais atuantes no sistema, dificultando, com isto, maiores avanços na diversificação do processo ensino-aprendizagem. O grande desafio, hoje, do sistema regular de ensino é o atendimento, com qualidade, a todos os indivíduos de qualquer raça, credo, cor, gênero e necessidade educacionais especiais. 1 - Educação Especial – Número de Estabelecimentos, Função Docente e Matrícula Inicial 1 998 – 2 003 Ano Dep. Administrativa Localização Estabelecimento Função Docente Matrícula Inicial 1 999 Privada Urbana 01 9 81 Estadual Urbana 01 1 06 2 000 Privada Urbana 01 9 72 Municipal Urbana 01 1 8 2 001 Privada Urbana 01 9 81 Municipal Urbana 01 1 9 2 002 Privada Urbana 01 9 73 Municipal Urbana 01 1 7 Estadual Urbana 01 1 4 2 003 Estadual Urbana 01 1 8 Privada Urbana 01 10 85 Municipal Urbana 01 1 6 Fionte:MEC/INEP – Censo Escolar. 2 - Educação Especial – Número de Alunos, segundo os Níveis e Modalidades de Ensino – 1 998 a 2003 Níveis/Modalidades de Ensino 1 998 1 999 2 000 2 001 2 002 2 003 64 Creche/Estimulação Precoce 25 7 17 5 4 9 Pré-Escola 18 18 10 11 16 9 Classe de Alfabetização - - 15 37 28 30 Ensino Fundamental 46 22 8 4 8 14 Ensino Médio - - - - - - Educação de Jovens e Adultos - - - - - 35 Outros 14 30 - 33 28 2 TOTAL GERAL 103 77 50 90 84 99 Fonte: MEC/INEP - Censo Escolar 3 - Educação Especial – Número de Alunos por Tipo de Necessidades Especiais – 1 998 – 2003 Ano Dep. Administrativa Localização Alunos com Necessidades Especiais Visual Auditiva Física Mental Múltipla Altas Habilidades/ Superdotado Condutas Típicas Outras Necessida des Total 1 998 Privada Urbana - - - - - - - - 1 999 Estadual Urbana - - - 4 2 - 3 - 6 Privada Urbana - - - 27 25 - - 4 71 2 000 Municipal Urbana - - - - - - - 8 8 Privada Urbana - 11 7 35 19 - - 72 2 001 Municipal Urbana - - - 5 - - 4 - 9 Privada Urbana - 8 2 39 15 - 2 - 66 2 002 Estadual Urbana - - - - - - - 4 4 Municipal Urbana - - 1 - - - - 6 7 Privada Urbana - 9 4 35 22 - 3 - 73 2 003 Estadual Urbana - 8 Municipal Urbana - - - - - - - 6 6 Privada Urbana - 10 7 38 28 - 2 - 85 Fonte: MEC/INEP - Censo Escolar Secretaria Municipal de Educação 4 - Educação Especial - Função Docente por Grau de Formação - 2003 Dependência Administrativa Localização Fundamental Ensino Médio Superior Completo Incompleto Magistério Outros Licenciatu Completo sem licenciatura 65 Completo Completo ra Completa Com magistério Sem magistério Estadual Urbana - - 1 - - - - 1 Rural - - - - - - - - Total - - 1 - - - - 1 Municipal Urbana - - 1 - - - - 1 Rural - - - - - - - - Total - - 1 - - - - 1 Privada Urbana - - 6 2 2 - - 10 Rural - - - - - - - - Total - - 6 2 2 - - 10 Total Geral - - 8 2 2 - - 12 Fonte: MEC/INEP - Censo Escolar As Tabelas de 1 a 4 evidenciam que ao atendimento às crianças portadoras de necessidades especiais, independente do grau de deficiência, é realizado quase que exclusivamente por uma escola filantrópica. Os sistemas públicos de ensino ainda se manifestam de forma tímida com relação a oferta nesta modalidade educacional. E ainda, os professores que atuam nesta escola 60% possuem o curso magistério, nível médio completo, 20% Licenciatura e 20% outros cursos de nível médio, provavelmente o propedêutico. Os sistemas públicos de ensino a partir deste Plano passarão a adotar em suas escolas, programas que atendam esta modalidade de ensino. A organização e a implementação de uma política de educação especial deverá se dar de forma articulada e um regime de cooperação entre os sistemas públicos e privado de educação. 2. DIRETRIZES Destinada às pessoas com “necessidades especiais no campo da aprendizagem, originadas quer de deficiência física, sensorial, mental ou múltipla, quer de características como altas habilidades superdotação ou talentos” (PNE, p.58), a educação especial impõe uma política de criação de condições efetivas nas classes comuns do sistema regular de ensino, nas classes especiais e nas salas de recursos, para inclusão destes sujeitos à vida escolar e, conseqüentemente à vida econômica e social. A declaração de Salamanca, Espanha (1994), fortalece e amplia os princípios da universalização da educação, fundados na igualdade de direitos sociais para todos e reconhece que “cada criança tem característica, interesses, capacidades 66 e necessidades de aprendizagens que lhe são próprias e que todas têm o direito ao conhecimento e igualdades de oportunidades” (Res. 0209/001,p.5). Estes são princípios que as políticas oficiais devem levar em conta através de projetos e programas, pautados em trabalho articulado e de cooperação entre os setores da educação, da saúde e da assistência e promoção social. Conforme as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica (2001, p.19), são considerados alunos com necessidades educacionais especiais aqueles que demonstrem dificuldades acentuadas de aprendizagem ou limitação no processo de desenvolvimento que dificultem o acompanhamento das atividades curriculares, compreendidas em dois grupos: 1) àquelas não vinculadas a uma causa orgânica especifica. 2) àquelas relacionadas a condições, disfunções, limitações ou deficiências e ainda aquelas com altas habilidades/ superdotação, grande facilidade de aprendizagem que os leve a dominar rapidamente os conceitos e que, por terem condições de aprofundar e enriquecer os conteúdos deve receber desafios suplementares em classes comuns, em sala de recursos ou em outros espaços definidos pelo sistema de ensino, para concluir em menor tempo, a série ou etapa escolar. Nesse entendimento, a abrangência das políticas de interação e inclusão envolve, não só os espaços escolares e dos profissionais, mas também a participação da família e de diversos segmentos sociais no sentido de se construir e promover mudanças de necessidades educacionais especiais, para o exercício da cidadania. O exercício do direito aos portadores de necessidades educacionais especiais, tem sua garantia no art. 8º da Lei nº 7.853/89, que prevê pena de reclusão de 1 a 4 anos, além de multa, para aqueles que vierem a feri-lo “ao recusar, suspender, procrastinar, cancelar ou fazer cessar, sem justa causa, a matricula do aluno em estabelecimentos de ensino de qualquer curso ou grau público ou privado, por motivos derivados da deficiência que parte”. Portanto, a unidade escolar deve estar sensibilizada à realização da inclusão dos alunos prevista no Projeto Político Pedagógico escolar. Este deve ter, na função social da escola, a estratégia do processo educativo a ser adotado com vistas 67 à qualidade de ensino que realiza. 3 . OBJETIVOS E METAS 1. Garantir a partir da aprovação do plano, que todos portadores de necessidade especiais em idade escolar tenham acesso, em condições adequadas e compatíveis com a sua necessidade, à Educação, seja em escolas regulares ou escolas de educação especial, conforme o caso. 4. AÇÕES PROPOSTAS 1. Organizar no município em parceria com o Estado e com as áreas de saúde e assistência, programas destinados a ampliar a oferta da estimulação precoce (interação educativa adequada) para as crianças com necessidade educacionais especiais, em instituições especializadas ou regulares de Educação Infantil, especialmente creches. 2. Buscar nas instituições de ensino superior, a implantação, como parte do programas de formação em serviço, a oferta de cursos sobre o atendimento básico a educandos especiais, para professores em exercícios na Educação Infantil, Ensino Fundamental, médio e EJA. 3. Realizar anualmente, aplicação de testes de acuidade visual e auditiva em todas as instituições de Educação Infantil e do Ensino Fundamental, em parceria com a área de saúde, de forma a detectar problemas de visão e audição, bem como as demais Necessidades Especiais e oferecer apoio adequado. 4. Redimensionar a rede municipal e estadual de ensino, conforme as necessidades da clientela, a partir da vigência deste Plano, incrementando, oferecendo, se necessário, classes especiais, salas de recursos e outras alternativas pedagógicas recomendadas na rede de ensino, de forma a favorecer e apoiar a inclusão dos educandos, fornecendo-lhes o apoio adicional de que precisam. 68 5. Elaborar, no primeiro ano de vigência deste Plano, os padrões mínimos de infra-estrutura das escolas para o recebimento de alunos portadores de necessidades especiais e, gradativamente adequando – o de forma mais precisa. Buscar recursos para, na vigência deste Plano, em parceria com o Estado e as áreas de saúde e assistência social, para oferecer atendimento multiprofissional aos alunos que necessitam desse acompanhamento. 7. Propor às agências formadoras no currículo de formação de professores no nível médio e superior, conteúdos e disciplinas especificas para a capacitação ao atendimento de alunos portadores de necessidades especiais. 8. Assegurar, transporte escolar adequado aos alunos que apresentam dificuldade de locomoção. 9. Implantar, durante a vigência do Plano, o uso de equipamentos de informática como apoio à aprendizagem do educando especial. 10. Estabelecer um sistema de informações completas e fidedignas sobre a população a ser atendida pela Educação Especial, a serem coletadas pelo Censo Educacional. 11. Assegurar apoio técnico e financeiro às instituições filantrópicas, sem fim lucrativo, com atuação exclusiva em Educação Especial, que realizam atendimento especializado. 12. Buscar convênios com a União e o Estado para equipar as escolas de educação básica e superior que atendam educando surdos e aos de visão subnormal, com aparelhos de amplificação sonora e outros equipamentos que facilitam a aprendizagem e de interpretes, atendendo-se, prioritariamente, as classes especiais e salas de recursos. Estabelecer parcerias com o Estado e as áreas de saúde, previdência e assistência social para, tornar disponíveis artesões e prótese para todos os educandos com deficiência, assim como atendimento especializado de saúde, quando for o caso. 14. Firmar convênio continuo e regular entre a Associação Pestalozzi 69 e o poder público (Federal, Estadual e Municipal) de modo que a criar condições para o pleno funcionamento da instituição. 15. Desenvolver, através da Secretaria Municipal de Educação, ações para apoiar a Educação Especial. 16. Buscar recursos, em parceria com a Secretaria de Saúde do Município e a do Estado para implantação do Centro de Atendimento Psico-social (CAPS). 17. Realização de cursos para Professores de ensino regular preparando - os para inclusão. 18. Oferecer de imediato, capacitação aos profissionais em exercício para atuarem junto aos educandos PNE em diferentes contextos. 19. Criar, no 1º ano de vigência deste plano, junto à Secretaria Municipal de Educação um setor responsável pela Educação Especial a fim de buscar orientação, informação, subsídios, recursos, para atuar de forma dinâmica, proporcionando o atendimento integral dessa modalidade educativa, em parceria com as Secretárias de Saúde, Assistência Social e Organizações não governamentais. 20. Assegurar aos alunos com necessidade especiais, sua participação em atividades culturais e desportivas, em parceria com o departamento de esportes e cultura do município. 70 EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 1 - DIAGNÓSTICO A Constituição Federal determina como um dos objetivos do Plano Nacional de Educação a integração de ações do poder público que conduzam à erradicação do analfabetismo (art. 214, I). Trata-se de tarefa que exige uma ampla mobilização de recursos humanos e financeiros por parte dos governos e da sociedade. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9394/96) Art. 37, Seção 5. "A Educação de Jovens e Adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no Ensino Fundamental e Médio na idade própria." O sistema público viabilizará e estimulará o acesso e permanência do trabalhador na escola, com os níveis de justificativa que relacionam-se à realidade educacional da população que apresenta numeroso contingente de jovens e adultos analfabetos ou com baixa escolaridade, e tem como princípio fundamental a defesa de um ensino de qualidade que assegure aos jovens e adultos, elementos para a realização da plena cidadania. O número de analfabetos no país está estimado em cerca de 20 milhões de pessoas. Os dados oficiais, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referem-se a aproximadamente 16 milhões, mas estão incompletos. A Região Norte, por exemplo, não foi considerada nessa análise. Quando se fala em analfabetismo funcional, o volume é muito maior - acrescentam-se outros 30 milhões de brasileiros. Reduzir a zero esses números é, portanto, um imenso desafio. A Secretaria Extraordinária de Erradicação do Analfabetismo trabalha com as seguintes metas: alfabetizar 3 milhões de pessoas em 2003, 6 milhões em 2004, 6 milhões em 2005 e 5 milhões em 2006. Se olharmos os números do Censo Escolar, tivemos um aumento em torno de 12% nas matrículas para esse público. Só que isso não atende às necessidades, a carência é muito maior. Existe ainda uma indefinição quanto a políticas e financiamento para a EJA. Apesar da demanda crescente de jovens e adultos por oportunidades educacionais em virtude das exigências de escolaridade para o acesso e a permanência no mercado de trabalho, as taxas de analfabetismo confirmam que em todo o País, em 2000, o analfabetismo absoluto* atingia mais de 16 milhões de 71 pessoas com mais de 15 anos (13,6% desse grupo etário). Na Região Nordeste este índice elevava-se para 26,2%, enquanto no Sul era de 7,7%. Considerando apenas a população que vive nas zonas rurais do País, 29,8% dos jovens e adultos eram analfabetos absolutos, enquanto nas zonas urbanas o índice era de 10,2%. A zona rural nordestina registrava índice de analfabetismo absoluto de 42,6%, o maior do País. O cenário econômico desfavorável incidiu sobre as demandas por escolarização, fator determinante na competição por ocupações e salários no mercado de trabalho. Os novos postos de trabalho passaram a exigir maior escolaridade, ainda que a remuneração oferecida seja menor que no passado: entre 1992 e 1999 o ganho de uma pessoa com Ensino Fundamental completo passou de 1,03 para 0,89 do salário médio, e de 1,49 para 1,25 para concluintes do Ensino Médio. Os índices de analfabetismo também revelam outras formas de desigualdade, a começar pela diferença de rendimento. Em 2001, o índice de analfabetismo entre as pessoas que vivem em famílias com rendimento entre cinco e dez salários mínimos mensais era de 4,7%, enquanto que nas famílias com renda inferior a um salário mínimo mensal essa taxa subia para 28,8%. Entre a população negra, a taxa de analfabetismo era de 20%, contra 8,3% da branca. O maior contingente de analfabetos (48,7%) encontrava-se nos grupos etários mais idosos, com pessoas de idade igual ou maior há 50 anos. Mas o analfabetismo não é um fenômeno do passado, restrito aos idosos: entre as pessoas não alfabetizadas em 2000, quase 2 milhões eram jovens entre 15 e 24 anos, e 1,4 milhão eram adolescentes de 10 a 14 anos. Certa equidade de gênero no acesso à alfabetização foi alcançada nas faixas etárias mais jovens, mas não nos grupos de idade mais avançada, o que fez com que as mulheres ainda fossem a maioria (51%) entre os analfabetos computados em 2000. A redução no número absoluto de analfabetos é um fenômeno bastante recente que não resulta de políticas públicas educacionais abrangentes, contínuas e adequadas para a população jovem e adulta, mas sim do esforço realizado em direção à universalização do ensino fundamental para crianças e adolescentes, acompanhada por programas de correção de fluxo escolar e aceleração de estudos para estudantes com defasagem na relação entre idade e série. Assim, são ultrapassadas as concepções que situam a Educação de Jovens e Adultos apenas no campo do ensino supletivo, concebido segundo a perspectiva de reposição/resgate do que não foi conseguido "na idade própria". Como direito, não há 72 idade própria para aprender. No sentido epistemológico, os processos de conhecimento são permanentes e continuados, ao longo de toda a vida, em função dos avanços do conhecimento. A população de Água Boa, é formada por migrantes de várias regiões do país, e tem como meio de sobrevivência a agropecuária, o comércio, a indústria e a prestação de serviços. Vive das mesmas crises e deficiências já constatáveis a nível Nacional e Estadual: faltam emprego, moradia, infra-estrutura. A EJA se faz necessária para suprir não só as lacunas que já se apresentam como aquelas que se farão oriundas, por longo tempo, da defasagem idade/serie que se produz com a exclusão do Ensino Fundamental e Médio de jovens que não freqüentam a escola quer por necessidades econômicas, quer pela dificuldade de acesso. A oferta da EJA não pretende ser um simples mecanismo de acesso, mas sim se tornar um espaço qualitativo para o crescimento pessoal dos cidadãos e cidadãs que a ela recorrem para regularizarem sua vida escolar. A Resolução nº 180/90 do CEE-MT, abriu perspectivas de superação da educação supletiva e propõe ampliação do tempo com autonomia de organização interna da escola, o que nos possibilita a CONSTRUÇÃO desta proposta que não pretende ser definitiva, mas sim um marco inicial de um caminho que necessita ser implementado de: crescimento, flexibilidade e democratização sem perder contudo de vista a finalidade educativa que resulte num homem integrado, participativo, ousado, reflexivo, critico, autônomo, livre de preconceito, criativo, curioso, investigador, solidário, cooperativo, construtor da realidade e participe da historia. A EJA será organizada de forma presencial respeitando orientações da Lei 9394/96, PARECER nº 011 CNE - Resolução nº 150/99 CEE/MT e Resolução nº 180/2000 CEE/MT, avaliação no processo e freqüência mínima de 75%. O Ensino Médio será ofertado em 03 Fases, composta de no mínimo 200 dias letivos e no mínimo 800 horas anuais. O aluno tem a oportunidade de planejar sua vida escolar com matricula por disciplina, respeitando a disponibilidade de oferta da disciplina bem como sua carga horária e seu aproveitamento de estudo. O sistema de oferecimento das disciplinas será através de módulos anuais, o aluno efetua sua matricula na fase anual por disciplina e freqüenta um bloco. O regime através de módulos ou blocos, 73 parte de um processo com identidade própria, que levara o aluno à conclusão da disciplina no final deste modulo, nesta fase, facilitando e respeitando seu ritmo próprio, necessidades, levando-o a conclusão, sem haver perdas no caso de saúde, viagem, trabalho, oferecendo a vantagem de continuar posteriormente as outras disciplinas naquela determinada fase ou no próximo semestre, ate mesmo no próximo ano, sem ser prejudicado nas demais disciplinas, como acontece no Ensino Regular. A avaliação e feita como reflexão sobre as ações desenvolvidas, visa a intervenção na realidade e será sempre um processo de refazimento. Os alunos serão avaliados com base em um conjunto de referenciais construídos em conjunto com educadores. O corpo docente se organizara de forma a oferecer ao aluno atividades sociais, artísticas e culturais coletivas, para se evitar a fragmentação das turmas bem como dos coletivos de alunos, que poderá desta forma buscar trocas ou simplesmente sociabilizar-se com os demais.. O educando desenvolvera competências básicas que lhes permitam desenvolver a capacidade de continuar aprendendo. Diante de uma nova sociedade, decorrente da Revolução Tecnológica e seus desdobramentos na produção e na área de informação, as competências desejáveis do pleno desenvolvimento do ser humano, aproximam-se das necessidade de inserção no processo produtivo como também no papel de cidadão no contexto social , fazendo do educando um sujeito ativo no processo de construção de conhecimentos. A perspectiva e de uma aprendizagem permanente, de uma formação continuada, considerando como elemento central dessa formação, a construção da cidadania em função dos processos sociais que se modificam, da prioridade a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento critico. Considerando que nossos jovens e adultos já passaram por experiências escolares, às vezes breve, carregam historias de reprovação ou de exclusão e, na maior parte dos casos, foram vitimas de um sistema de avaliação que seleciona, classifica e discrimina e, também nossos educadores e demais profissionais da Educação de Jovens e Adultos, em suas experiências escolares, lidando com notas, menções e medias, com aprovação e reprovação ao final do período letivo, tendo poucas oportunidades de aprender sobre como transformar a avaliação, inserindo-a no processo de ensino e aprendizagem, a favor de uma educação de qualidade, para todos. O desafio de pensar e praticar a avaliação como 74 forma de emancipação educativa, leva a nova proposta de Educação de Jovens e Adultos a trabalhar a avaliação seguindo parâmetros necessários na construção de uma avaliação que deve ser processual, continua, diagnostica, para auxiliar a aprendizagem e servir de instrumento para o professor planejar e replanejar seu trabalho.A participação dos Jovens e Adultos na avaliação continua de suas aprendizagens, permitira maior controle e consciência sobre sua aprendizagem. A Proposta de Educação de Jovens e Adultos esta sendo desenvolvida dentro da Escola Estadual 9 de julho, e oferecida considerando as características do alunado bem como da historia da oferta desta modalidade de ensino no município de Água Boa, que o vinha oferecendo ate então sob forma de Supletivo Modular na Escola Estadual de 1º e 2º Graus de Suplência Água Boa, possui um Projeto Político Pedagógico aberto e participativo, onde alunos e professores e funcionários são participes do processo de formulação e execução das atividades planejadas e dos processos pedagógicos e administrativos da escola. A Educação de Jovens e Adultos caracteriza-se como uma proposta pedagógica flexível que considera as diferenças individuais e os conhecimentos informais dos alunos, adquiridos a partir das vivências diárias e no mundo de trabalho. É uma modalidade de ensino diferente do ensino regular em sua estrutura, duração, regime escolar e metodologia. Caracteriza-se pela flexibilidade e pelo ensejo de soluções novas exigidas pelas diferentes realidades. São seus princípios fundamentais: ● Flexibilizar a organização de seus currículos; ● entrar no aluno o processo de ensino-aprendizagem; ● Reconhecer que a construção do conhecimento ocorre de maneira diferenciada para cada educando e somente é significativa se considerar seus saberes e vivência. No Brasil, Estados e os municípios são os principais agentes públicos a desenvolver programas de alfabetização e ensino fundamental de jovens e adultos. Segundo o Censo Escolar realizado pelo INEP, a participação dos municípios na 75 matrícula inicial no ensino fundamental de jovens e adultos saltou de 24% em 1995 para mais de 45% em 2002. O Governo Federal optou por priorizar a oferta de Ensino Fundamental às crianças e adolescentes. O expediente utilizado para focalizar os recursos públicos nesse grupo etário foi a restrição ao financiamento da educação para jovens e adultos por meio do Fundef. 2 - EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS – NÚMERO DE CONCLUIENTES – 2000 e 2003 ANOS NÚMEROS 4ª série 8ª série Ens. Médio TOTAL 2 000 28 112 74 214 2 001 40 120 100 260 2 002 25 40 35 100 2 003 39 40 35 114 Fonte: MEC/I 3 - Educação de Jovens e Adultos – Matrícula Inicial em Cursos Presenciais – 2 001 a 2 003 Ano Dep. Administrativa Alfabetização Ensino Fundamental Ensino Médio Total Geral 2 000 Estadual - 444 281 725 Municipal - - - - Privada - - - - Total - 444 281 725 2 001 Estadual - 464 268 732 Municipal - - - - Privada - - - - Total - 464 268 732 2 002 Estadual - 526 401 927 Municipal - - - - Privada - - - - Total - 526 401 927 2 003 Estadual - 509 320 829 Municipal - - - - Privada - - - - Total - 509 320 829 Fonte: Anuário Estatístico de MT Secretaria Municipal de Educação Em Água Boa, são desenvolvidos dois projetos significativos na área de educação de jovens e adultos. Um é o Projeto Alfa, que no meio urbano promove a alfabetização de adultos, com monitores escolhidos pela própria comunidade. 76 No meio rural é desenvolvido a Escola de Pais, onde os pais, no fim de semana e com transporte escolar e alimentação retornam a escola para alfabetização e escolarização. 2 - DIRETRIZES A Educação de Jovens e Adultos se coloca como prioridade social no município, para isso estaremos no decorrer deste Plano tendo como diretrizes: Assegurar a oferta de educação, ensino fundamental e médio para os jovens a partir de 14 anos que não tenham atingido sua escolaridade em idade normal. Estimular o mapeamento da população analfabeta, no município, por bairro ou distrito, visando localizar a demanda e programar a oferta de Educação de Jovens e Adultos para essa população. Investir também no ensino fundamental regular, para que o analfabetismo seja erradicado. Consolidar a educação de jovens e adultos como direito constitucional de todos, independente da idade. Definir uma Política Municipal de EJA, articulando e fomentando ações em andamento, consolidando a área, ampliando os esforços para novas implementações; Equacionar o atendimento ao universo de analfabetos, analfabetos funcionais e pessoas de escolaridade descontínua; Criar junto ao Conselho Municipal de Educação, uma Comissão Municipal de Educação de Jovens e Adultos com representantes legitimados pelas diferentes instâncias da sociedade atuantes na EJA, e incorporando novos atores sociais com caráter consultivo e fiscalizador do cumprimento das Políticas Nacional Estadual e Municipal; Valorizar as representações de Bairros e associações de Assentamentos para a formação de novas turmas nas 77 comunidades; Fazer índice de aproveitamento escolar de toda clientela EJA. 3 - OBJETIVOS E METAS 1. Erradicar o analfabetismo no prazo de 10 anos 2. Assegurar, em colaboração com estado a oferta de ensino fundamental e médio para jovens e adultos em cinco anos, a oferta de educação de jovens e adultos equivalente às quatro séries iniciais do Ensino Fundamental para 50% da população de 14 anos e mais que não tenha atingido esse nível de escolaridade; 3. Assegurar, em colaboração com Estado, a oferta de ensino fundamental e médio para jovens e adultos até o final da década, a oferta de cursos equivalentes às quatro séries finais do Ensino Fundamental para toda a população de 15 anos e mais que concluiu as quatro séries iniciais; 4 - AÇÕES PROPOSTAS 1. Estabelecer programas de erradicação do analfabetismo os quais atendam a demanda do município, valorizando e aproveitando o espaço oferecido pela modalidade EJA da Escola 9 de Julho. 2. Mapear, por meio de censo educacional, nos termos do artigo 5º, § 1º da LDB, a população analfabeta, por bairro ou distrito, nas residências e/ou locais de trabalho, visando localizar a demanda e viabilizar a oferta de Educação de Jovens e Adultos para essa população; 3. Reestruturar a Secretaria Municipal de Educação, incumbindo - a de promover a erradicação do analfabetismo e a Educação de Jovens e Adultos; 4. Organizar um sistema de informações estatísticas e de divulgação das avaliações e dos resultados das ações político-pedagógicas na Educação de Jovens e Adultos; 78 5. Estabelecer, em cooperação com o Estado, convênios com instituições de ensino superior e organizações sociais, programas e cursos de Educação de Jovens e Adultos, de acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais, para a população analfabeta ou que não concluiu o ensino fundamental, priorizando-se as regiões com maior taxa de analfabetismo; 6. Aperfeiçoar os mecanismos de cooperação entre União, Estado e o Município, objetivando a divisão de responsabilidades na erradicação do analfabetismo, ampliação da oferta e alternativas de cursos e exames que atendam, com qualidade, as necessidades específicas dos jovens e adultos que não tiveram acesso à escolarização formal na idade própria ou que não concluíram seus estudos; 7. Garantir aos portadores de necessidades especiais o acesso aos programas de alfabetização gratuitos; 8. Estabelecer políticas para a Educação de Jovens e Adultos que facilitem parcerias para o aproveitamento dos espaços existentes na comunidade, bem como o efetivo aproveitamento do potencial de trabalho comunitário das entidades da sociedade civil; 9. Determinar formas de atendimento crescente às populações de jovens e adultos residentes ou trabalhadores no campo e na cidade, com a partilha de responsabilidade do Município e do Estado na oferta e financiamento, com complementação da União, sempre em regime de colaboração, de tal forma que no final da década todos tenham completado a escolaridade. 10. Garantir em parceria com Estado e União transporte escolar gratuito para alunos que freqüentam as diferentes modalidades da Educação de Jovens e Adultos. 11. Criar mecanismos de conscientização junto às empresas comerciais e industriais para que incentivem seus funcionários a voltar para os bancos escolares, ajudando e fazendo com que isso melhore o crescimento pessoal do funcionário, e também o crescimento da própria empresa. 79 ENSINO SUPERIOR 1 - DIAGNÓSTICO A barreira da educação é possivelmente o maior obstáculo que separa o Brasil de hoje, com seus problemas ainda persistentes de desigualdades sociais, sub-emprego e marginalização social, de um país economicamente mais maduro, com maior igualdade de oportunidades, de rendas e maior estabilidade e integração social. Não é que, como se pensava no passado, a educação tinha a virtude de, por si só resolver todas as demais questões de natureza política, econômica, ambiental e cultural. Mas ela é uma condição necessária para o equacionamento de todas as demais questões, e, o que é mais interessante, talvez seja a política social mais fácil de equacionar e conduzir a curto e médio prazo, apesar de todas as dificuldades. Existe um consenso bastante generalizado, no Brasil de que o ensino superior tem problemas, mas muito pouca clareza sobre o que fazer para superá–los. As propostas usuais para corrigir estes problemas são de colocar mais recursos públicos na educação superior, distribuí– los de maneira mais homogênea pelo território nacional, reforçar os mecanismos de controle para a criação de novas escolas superiores e universidades, dar mais incentivo à pesquisa e à pós – graduação. Nem todas estas propostas são coerentes entre si. Além disto, a idéia implícita nestas propostas é que a educação superior brasileira deveria evoluir no sentido de um sistema público de âmbito nacional, que integrasse de maneira harmoniosa o ensino, a pesquisa e a extensão, que cobrisse de forma homogênea todo o território nacional, que proporcionasse estabilidade e bons salários a professores e funcionários, e fosse de acesso gratuito aos estudantes. Considerando isso, o Município de Água Boa vem desenvolvendo 80 cursos superiores com o objetivo de suprir a necessidade da comunidade em geral, bem como da região. Os cursos de ensino superior são oferecidos e desenvolvidos através de convênios com: UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso) representada pela FUFMT (Fundação Universidade Federal de Mato Grosso – Fundação Uniselva) e UNEMAT (Universidade Estadual do Mato Grosso) representada pela FUNEMAT (Fundação da Universidade do Estado do Mato Grosso). Estes cursos têm trazido grandes benefícios aos cidadãos aguaboenses, vem elevando o nível intelectual da nossa comunidade, bem como da região, preparando cidadãos aptos, capacitados e informados para atuarem na sociedade, contribuindo assim de forma específica e com qualidade para o mercado de trabalho. Uma sociedade informada e capacitada traz contribuições significativas na área social, política e econômica, pois se reverte em pessoas críticas e conscientes capazes de construir da melhor forma sua comunidade. Considerando de suma importância passa a conhecer mais de perto esses cursos e o seu cotidiano, visando não só compreender o movimento real de sua história de implantação e desenvolvimento, mas também as perspectivas que elas apontam; pois esses trazem benefícios a comunidade escolar, contribuindo para uma melhora qualitativa e quantitativa do sistema de ensino fundamental e médio de Água Boa e região. De acordo com a demanda do ensino fundamental e médio é de fundamental importância a educação superior para que haja profissionais especializados e desempenhando de forma satisfatória sua missão educacional, e ou profissional no mundo globalizado em que vivemos, pois a universidade é criadora de conhecimentos e revela o potencial através de pesquisa. A comunidade aguaboense anseia por melhorias de vida, tanto no aspecto econômico, como no sócio – cultural, devido ao desenvolvimento em nosso município, possibilitando maior clientela para nível superior, nas seguintes áreas: educação, agricultura e pecuária, industria e comércio, saúde, meio ambiente ... CURSOS INÍCIO TERMÍNO VAGAS CONCLUINTES DURAÇÃO PARCERIA Curso de Lic.Matemática 1993 1998 50 20 4\5 anos FUFMT e Municipio de Água Boa Administração (Bacharelado) 1997 2000 80 56 5 anos FUFMT e Municipio de Água Boa Licenciatura em Letras 1999 2002 50 43 4anos FUFMT e Municipio de Água Boa Educação Física 2000 2004 40 - 4 anos FUFMT e Municipio de Água Boa 81 Ciências Contábeis 2001 2005 100 - 5anos FUFMT e Municipio de Água Boa Licenciatura em Letras 2004 2007 50 - 4 anos FUFMT e Municipio de Água Boa Curso de Licenciatura Plena em Matemática 2004 2007 40 - 4anos FUFMT e Municipio de Água Boa DEAD* 2000 2004 83 - 4 / 6 anos SEDUC, FUNEMAT e Municipio de Água Boa DEAD* 2004 2008 40 - 4/6 anos FUNEMAT e Município de Água Boa No DEAD 2000 estão incluidos alunos de Nova Nazare. * DEAD 2004 – assinatura do convênio em 09.06.2004 e previsão de início 2005. 2 – DIRETRIZES 1- Buscar o incremento da oferta de vagas de cursos superiores em Água Boa, preferencialmente em instituições públicas e de forma complementar em instituições privadas. 2- Buscar ampliação da oferta de cursos regulares com a consolidação de um campus universitário em Água Boa. 3- Buscar a melhoria da qualidade do ensino superior e a implantação de equipamentos de ensino. 4-Buscar cursos que proporcionem a formação humanística e cultural dos alunos e que atendam as necessidades do mercado de trabalho. 3 - OBJETIVOS E METAS 1- Prover, até o final da década, a oferta de educação superior para, pelo menos, 30% da faixa etária entre 18 a 24 anos; * * 4 - AÇÕES PROPOSTAS 1. Estabelecer cooperação com Municípios, Estado e União, visando a expansão da rede pública de ensino superior; 2. Diversificar a oferta de ensino, incentivando entidades públicas e particulares, para criação de cursos, com propostas inovadoras de cursos seqüenciais e de cursos modulares, com a certificação, permitindo maior flexibilidade na formação e ampliação da oferta de ensino; 3. Promover melhoria progressiva da infra – estrutura de laboratórios, equipamentos e bibliotecas. 82 4. Buscar em instituições de ensino superior, a oferta de cursos de extensão, para atender as necessidades da educação continuada de adultos, com ou sem formação superior, na perspectiva de integrar o necessário esforço nacional de resgate da dívida social e educacional. 5. Criação de uma Fundação Não Governamental para Apoio ao Ensino Superior. 6. Incluir no currículo dos cursos de educação oferecidos no município de Água Boa, disciplinas relacionadas à Educação Especial 7. Viabilizar projetos educacionais, culturais e desportivos que promovam a parceria entre as escolas locais e universidades. FORMAÇÃO E VALORIZAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO 1 - DIAGNÓSTICO Desde a aprovação da Lei Orgânica dos profissionais da Educação Básica (LOPEB-AGUA BOA – Lei 521 de 12 de novembro de 1 998) a estrutura da carreira dos profissionais da educação ficou composta por: 1. Professores – profissionais que atuam diretamente com ensino-aprendizagem na Educação Básica. No caso do município, especificamente na Educação Infantil e Ensino Fundamental. 2. Técnico Administrativo Educacional – profissionais que atuam na função administrativa e de multimeios didáticos. 3. Apoio administrativo Educacional – profissionais que atuam nas áreas de nutrição (responsáveis pela merenda escolar) e de manutenção (responsáveis pela limpeza e vigilância) Assim diz o texto da Lei: “entende-se por profissionais da Educação Básica o conjunto de Professores que exercem atividades de docência ou suporte Pedagógico direto a tais atividades, incluídas as de Coordenação, Assessoramento Pedagógico e de Direção Escolar e Funcionários Técnicos Administrativo Educacional e Apoio Administrativo Educacional, que desempenham atividades nas Unidades Escolares e na Administração Central do Sistema Público de Educação 83 Básica. Parágrafo único – Os Órgãos do sistema Público Educacional devem proporcionar aos profissionais da Educação Básica, valorização mediante formação continuada, piso profissional, garantia de condições de trabalho, produção científica e cumprimento da aplicação dos recursos constitucionais destinados a educação “. (Lopeb - Água Boa p. 04 e 05). Em Água Boa, a formação inicial dos professores em magistério de nível médio se deu de forma emergencial através de cursos e projetos oferecidos pelo Estado ou Universidades em convênio com a Prefeitura Municipal. Estes projetos não exigiam uma formação de ensino médio propedêutico. São eles: a- Projeto Logos II: oferecido pela Rede Estadual de Ensino no Núcleo de Estudos Permanentes. b- Projeto Especial (formação de magistério) oferecido pela Escola Estadual de Suplência de Água Boa. c- Projeto Geração (realizado em Nova Xavantina, 1995 a 1998) d- Proformação (Pólo Barra do Garças 1998 a 2000) e- Projeto Pronera (para professores que atuam em Projetos de Reforma Agrária) 2004 f- “Estudos Adicionais” – Escola Estadual Suplência de Água Boa, modular – CETEB . g- Projeto Tucum = Formação indígena, e, Os cursos de graduação (nível superior) oferecidos em nosso município se deram através de convênios estabelecidos entre município-Estado e Instituições públicas de Ensino Superior/ UNEMAT ou UFMT: ● Matemática: turma especial em convênio com UFMT ● Letras: turma especial em convênio com UFMT ● Educação física – turma especial em convênio UFMT ● Pedagogia: Estudos a Distância convênio com UNEMAT ● Pedagogia: turmas especiais convênio com UFMT no município de Canarana Entretanto, é preciso ressaltar que muitos professores que vieram para Água Boa já, traziam consigo a formação universitária, pois concluíram a graduação em seus respectivos municípios de origem. 84 Os profissionais da educação: Técnico Administrativo Educacional ou de Apoio Administrativo Educacional, em sua maioria, concluíram o Ensino Médio nas Escolas Públicas de Água Boa que oferecem este nível de ensino. Alguns tiveram a oportunidade de freqüentar o curso profissionalizante denominado “ Projeto Arara Azul”, que profissionaliza, especificamente, profissionais da educação nas áreas de Administração Escolar; Multimeios Didáticos, Nutrição e Infraestrutura. São cursos oferecidos pela Secretaria Estadual de Educação atendendo o que preceitua a Lei Orgânica dos Profissionais da Educação Básica (LOPEB) que dispõe sobre a respectiva carreira. Á época o curso foi oferecido no município vizinho, Nova Xavantina, no Centro de Formação e Atualização de Professores (CEFAPRO). A conclusão deste curso deu a estes profissionais condições de acesso ao piso estipulado no Plano de carreira dos professores da educação. Comparativo de Evolução Salarial Ano Índice Acumulado DIEESE 1998 0,5% 0,5% 1999 7,6% 8,0% 2000 7,2% 15,3% 2001 9,4% 24,7% 2002 12,9% 37,7% 2003 9,6% 47,3% 2004 5,5% 52,8% INPC 1998 2,5% 2,5% 1999 8,4% 10,9% 2000 5,3% 16,2% 2001 9,4% 25,7% 2002 14,7% 40,4% 2003 10,4% 50,9% 2004 5,5% 56,4% Ano Valor Índice Acumulado Salário Mínimo 1998 130,00 0,0% 0,0% 1999 136,00 4,6% 4,6% 2000 151,00 11,0% 16,2% 2001 180,00 19,2% 38,5% 2002 200,00 11,1% 53,8% 2003 240,00 20,0% 84,6% 2004 260,00 8,3% 100,0% Piso Educação 1998 240 0,0% 0,0% 1999 240 0,0% 0,0% 2000 300 25,0% 25,0% 2001 330 10,0% 37,5% 85 2002 380 15,2% 58,3% 2003 406 6,8% 69,2% 2004 443,79 9,3% 84,9% DIEESE 52,80% INPC 56,40% Salário Mínimo 100,00% Piso Educação 84,90% 2 - DIRETRIZES A preocupação do PME é a superação do quadro atual relativo à valorização e formação dos profissionais da educação, para o atendimento da Educação Infantil (creche e pré-escola) e Educação Fundamental no município de Água Boa. A formação continuada é um dos grandes avanços para os profissionais da educação, pois através desta, podem ser adquiridos novos conhecimentos e assim atingir novas metas para uma boa aprendizagem. Para isso será necessária a implementação de uma política pública condizente com as necessidades de nossa realidade, bem como a implantação de melhores condições de trabalho nas escolas, o que proporcionará avanço tecnológico, melhoria na qualidade de ensino e, conseqüentemente, na qualidade de vida. Faz-se necessário uma política salarial condizente com a profissionalização, pois a atividade pedagógica exige buscas diárias que visam inovações para sua prática profissional. De acordo com o PNE e o PEE (versão preliminar) a valorização dos profissionais da educação implica nos seguintes requisitos: 1- Uma formação profissional que assegure o desenvolvimento da pessoa do profissional enquanto cidadão e profissional, o domínio dos conhecimentos objeto de trabalho escolar; 2- Um sistema de educação continuada que permita aos profissionais da educação um crescimento constante de seu domínio sobre a cultura letrada, dentro de uma visão crítica e da perspectiva de um novo humanismo; 3- Jornada de trabalho organizada de acordo com a jornada dos alunos, concentrada num único estabelecimento de ensino e que inclua o tempo necessário para as atividades complementares ao trabalho em sala de aula; 4- Salário condigno, competitivo, no mercado de trabalho, com outras ocupações que requerem nível equivalente de formação. 86 Esse PME propõe princípios que deverão nortear as ações de formação e valorização dos profissionais da educação. São eles: a- Aplicação na integra do Plano de cargos de carreira e salários dos Profissionais da Educação e sua revisão constante. b- Sólida formação teórica nos conteúdos específicos a serem ensinados na Educação Básica; c- Ampla formação cultural; d- Atividade docente como foco formativo; e- Contato com a realidade escolar desde o início até o final do curso, integrando a teoria à prática pedagógica; f- Pesquisa como princípio formativo; g- Domínio e acesso as novas tecnologias de comunicação, da informação e condições para integrá-las à prática de todos os funcionários da educação; h- Análise dos temas atuais da sociedade, da cultura e da economia; i- Vivência, durante o curso de formação de profissionais de formas de gestão democrática do ensino; j- Conhecimento e aplicação das diretrizes curriculares nacionais dos níveis e modalidades da Educação Básica; Ressaltamos que a ação educativa no interior da escola envolve a participação de todos os seus trabalhadores, portanto são profissionais de educação e nesse sentido a qualidade dos cursos de formação desses profissionais que atuam nas áreas técnicas e administrativas também é de fundamental importância para o desenvolvimento da qualidade da educação escolar de nosso município. OBJETIVOS E METAS 1 - Garantir que, no prazo de dez anos, todos os professores de educação infantil e de ensino fundamental possuam formação de nível superior – licenciatura plena. 2 - Garantir, que o sistema municipal de ensino mantenha, em conjunto com o Estado, programa de formação continuada dos profissionais da educação, contando com a parceria da SEMEC e instituições de ensino superior que atuam neste município; AÇÕES PROPOSTAS 87 1. Implementar a nível municipal, assim que regulamentado pelo Governo Federal o FUNDEB e o Piso Nacional da Educação Básica, de forma a garantir isonomia de tratamento para todos os profissionais de educação, sem discriminação. 2. Identificar profissionais da educação sem a devida qualificação e, em regime de colaboração com a União e o Estado oferecer programas de formação em serviço que assegurem a todos a possibilidade de adquirir a qualificação mínima exigida pela LDB; 3. A partir da vigência deste PME, somente admitir professores e demais profissionais de educação que possuam as qualificações mínimas exigidas no art. 62 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, exceto casos especiais da zona rural; 4. Promover no prazo de um ano a partir da vigência deste plano a abertura de concurso público para admissão dos profissionais de educação e após conforme previsto na lei orgânica. 5. Promover revisão LOPEB. 88 GESTÃO E FINANCIAMENTO 1 - DIAGNOSTICO A atual sistemática de financiamento da educação no Brasil tem por alicerce a Constituição Federal, a Nova LDB e a legislação do FUNDEF. A Constituição Federal/88 garantiu um grande avanço quando fixou percentual mínimo de aplicação de recursos públicos na educação, para cada esfera de governo. A Nova LDB detalha estes parâmetros, definindo claramente o que é e o que não é despesa com educação. O FUNDEF por sua vez tenta garantir a eqüidade da aplicação de recursos da educação em todo o território nacional, através da definição de um valor mínimo por aluno, com recursos de um fundo com a participação de todos os entes federados e complementados pela União. Apesar destes avanços, o investimento em educação no Brasil, em termos de Percentual do Produto Interno Bruto ainda esta longe de ser satisfatório. Isto particularmente agravado em momentos de baixa atividade econômica, onde a arrecadação de impostos não mantém o seu ritmo normal de crescimento para fazer face as necessidades da educação. A priorização do Ensino Fundamental executado pelo FUNDEF foi de fundamental importância para que se realizasse a universalização do ensino, já que desde sua implantação se reduziu significativamente o numero de crianças fora da escola. A maior disponibilidade de recursos para a educação pode se dar de duas formas: através do aumento do valor aplicado na educação e na melhor qualidade do gasto publico. Em relação a aplicação de recursos necessário uma vigilância da sociedade em relação aos gastos mínimos exigidos por lei, nas três esferas de governo, já que ate hoje por exemplo, o governo federal não aplicou o valor que deveria aplicar no FUNDEF. É necessário também novos mecanismos de financiamento, que aumentem os recursos, bem como se evitar as tais desvinculações orçamentárias, que sempre tiram recursos da educação. Uma política macro-econômica que promova o crescimento econômico, bem como que combatam 89 a sonegação fiscal, também são importantes para aumentar os recursos disponíveis para a educação. Em Água Boa os percentuais aplicados na educação foram de 28,7 % em 2001, 31,5 % em 2002 e de 27,4 % em 2003. A qualidade do gasto público esta relacionada diretamente com a Gestão, conforme veremos a seguir. "Quanto maior a qualidade da educação, menor o seu custo."Esta afirmação, aparentemente contraditória, se baseia em que quanto menor a qualidade do ensino, maior a evasão, maior a repetência e a distorção idade serie, levando ao desperdício de vagas, espaço físico, professores, aumentando o custo por aluno. Para se melhorar a qualidade é fundamental a Valorização e Qualificação dos Profissionais da Educação, pois somente com bons salários se poderá ter os melhores profissionais do mercado de trabalho. Por outro lado, quanto mais eficiente e eficaz for o sistema educacional, maiores serão as condições de se melhorar o nível salarial do professores. Portanto, a necessária valorização do profissional da educação não pode vir dissociada do enfrentamento das questões relativas a qualidade do ensino. Um aprofundamento da questão salarial do magistério será feita no tópico relativo a Valorização e Qualificação dos Profissionais da educação. Outro aspecto que merece destaque é a de investimentos na área da educação. Atualmente o numero de vagas oferecidas em Água Boa e suficiente para atender a toda demanda escolar. Porem a população do município se encontra em franca expansão. Portanto, é necessário que o município preveja investimentos no ensino fundamental e infantil e o estado no ensino médio, para que se possa atender esta demanda. No que se refere a equipamentos, ainda há uma grande carência nas escolas, principalmente no que se refere a informatizarão e equipamentos esportivos e culturais, devendo-se prever investimentos para que no prazo estipulado, todas as unidades educacionais tenham as condições físicas adequadas as necessidades do ensino. Um ponto importante, no dimensionamento, do gasto público com educação é o ensino em tempo integral. Não resta dúvida de que o ensino em tempo integral favorece e enriquece o processo de ensino aprendizagem. No entanto temos de ser realistas. Se já são escassos os recursos para educação em um turno, o que dirá para período integral. No entanto não podemos perder esta perspectiva de vista, direcionando-a a públicos específicos como crianças em situação de risco ou desagregação familiar. Atualmente a Escola Terra Viva realiza projeto interessante 90 neste sentido. Merece destaque também a questão do transporte escolar. O município de Água Boa tem uma área bastante extensa quando comparado com municípios do sul e sudeste do país. Também a existência de muitos assentamentos de reforma agrária multiplica o numero de quilômetros rodados, pelo grande numero de estradas vicinais secundarias e terciárias que tem que ser percorridas. A substituição de salas de aulas rural dispersa e multisseriadas, com professores não qualificados e condições físicas precárias por escolas centralizadas nos assentamentos foi uma das ações de maior impacto no nível da educação em nosso município, pois melhorou significativamente a qualidade, dando as mesmas condições para os alunos da área rural que os da área urbana, permitindo a família do pequeno produtor permanecer morando no meio rural. Mas por outro lado aumentou o gasto com o transporte escolar. Cabe destacar que mesmo com salas multisseriadas, já existia transporte escolar. A questão que se coloca é como garantir a acessibilidade e a permanência do aluno na área rural, mantendo a qualidade do ensino, de acordo com os recursos disponíveis. Ano a ano o transporte escolar tem se apropriado de um percentual maior dos recursos da educação. Quais as alternativas possíveis? Voltar a sala de aula multisseriada, como era antes, é um retrocesso inadmissível. Uma das alternativas que se colocam e a de escolas com internato para alunos da área rural. A destinação direta de recursos do salário-educação diretamente da União e do estado para transporte escolar, para o município foi um avanço importante, mas os recursos são mínimos comparado a realidade de Água Boa. De toda forma esta questão é uma das principais no financiamento do ensino. Em relação aos recursos para custeio das atividades de ensino, entende-se que deve se garantir, sempre que possível a autonomia da escola para executar estas despesas, pois é a escola que mais sabe o que é necessário comprar bem como e onde se pode fazer as maiores economias, na medida em que a escola saiba quanto custa o que esta gastando. Portando é importante a existência de mecanismos que transfiram recursos suficientes diretamente para as escolas, como o PPDE do Governo Federal. Deve-se progressivamente ir repassando recursos e responsabilidades de forma a ampliar a autonomia financeira, capacitando o quadro de direção da escola para a adequada gestão destes recursos. Também deve ser abordada a questão do ensino superior em nosso 91 município. As administrações municipais, ao longo do tempo, têm trabalhado no sentido de implantar e manter cursos de graduação, em parceria com Universidades Públicas, de forma a oferecer ao cidadão aguaboense oportunidade de avançar em sua educação sem ter que sair do município. Esta ação foi correta, pois além de qualificar o nível de educação em nosso município o tornou referencia educacional da região, permitindo inclusive a vinda de cursos de pós - graduação para nossa cidade. Porem estes cursos tem um custo muito elevado, e face as crescentes demandas da educação infantil e fundamental, será difícil ao município manter o ritmo de investimentos que tem feito no ensino superior. Mas por outro lado, e existência destes cursos públicos tem atraído para cá varias faculdades particulares interessadas em aqui se instalar. Então a tendência natural e de que o município vão diminuindo o comprometimento de recursos nesta área e a demanda seja atendida pelas instituições privadas. Felizmente, projeto do governo federal de parceria com as instituições privadas permitira que alunos de baixa renda possam ter acesso a um curso superior. No Quadro abaixo apresentamos o valor aplicado em educação no município nos últimos anos, desdobrados por categoria de despesas, o custo por aluno, o percentual de recursos aplicados em relação à lei e avaliação do FUNDEF. 92 No que se refere a gestão podemos abordar sob dois enfoques: a gestão democrática e a gestão da qualidade. A gestão democrática, implantada na atual gestão, através da Lei 600/2001, foi fruto da construção de toda comunidade escolar e deve ser garantida e aprimorada. No núcleo da discussão da gestão democrática, está a autonomia escolar, que deve ser consolidada e ampliada. Através da autonomia administrativa, pela escolha de diretores e coordenadores pela comunidade escolar, bem como o funcionamento dos Conselhos Deliberativos Escolares; através da autonomia pedagógica, na formulação e implementação dos PPP - Projetos PolíticosPedagógicos e PDDE – M - Programa Dinheiro Direto na Escola Municipal, que garante autonomia financeira, com a transferência de recursos diretamente para a escola. O diretor tem papel fundamental no sucesso da escola e deve ser incentivado e qualificado pedagógica e gerencialmente para melhor exercer esta função. A autonomia escolar deve ser exercida dentro de um contexto maior, 2.001 2.002 2.003 2.004 * Anual Desp Pessoal 1.010.428,10 1.438.438,78 1.864.444,80 2.034.300,00 Desp. Manutenção 574.362,23 868.797,88 766.113,57 792.900,00 Transporte Escolar 138.927,25 377.922,40 474.750,00 600.000,00 Investimento 170.338,26 119.891,30 59.051,00 331.000,00 Total 1.894.055,84 2.805.050,36 3.164.359,37 3.758.200,00 Mensal Desp Pessoal 84.202,34 119.869,90 155.370,40 169.525,00 Desp. Manutenção 47.863,52 72.399,82 63.842,80 66.075,00 Transporte Escolar 11.577,27 31.493,53 39.562,50 50.000,00 Investimento 14.194,86 9.990,94 4.920,92 27.583,33 Total 157.837,99 233.754,20 263.696,61 313.183,33 Percentual Desp Pessoal 53% 51% 59% 54% Desp. Manutenção 30% 31% 24% 21% Transporte Escolar 7% 13% 15% 16% Investimento 9% 4% 2% 9% Desp Pessoal s/ TE 58% 59% 69% 64% Alunos 2.318 2.541 2.369 2.400 Custo aluno/Ano 817,11 1.103,92 1.335,74 1.565,92 Desp Pessoal 435,91 566,09 787,02 847,63 Desp. Manutenção 247,78 341,91 323,39 330,38 Transporte Escolar 59,93 148,73 200,40 250,00 Investimento 73,49 47,18 24,93 137,92 Gasto com Educação 28,70% 31,50% 27,30% 30,00% * Orçado 93 que são as diretrizes e objetivos definidos por este Plano Municipal de Educação, através da Coordenação da Secretaria Municipal de Educação e com o controle social exercido pelo Conselho Municipal de Educação e demais órgãos colegiados. Na gestão da qualidade, atualmente no Brasil, observa-se uma preocupação maior com o processo educacional do que com o resultado final da educação. Em outras palavras, a comunidade escolar (Secretarias Estaduais e Municipais de Educação, professores, pais, alunos, sociedade) discutem e se preocupam mais com as ações relativas ao processo educacional (construção de escolas, merenda escolar, salário de professor, bolsa-escola, etc) do que com o resultado final, que é um aluno dotado de habilidades intelectuais e sociais mínimas para exercer a sua cidadania. E claro que para termos um ensino de qualidade, estas atividades meio são fundamentais, mas quando elas ocorrem sem estar relacionadas a um objetivo fina,l elas deixam de se atividades meio para ser um fim em si mesmas. É como um pintor que se preocupasse apenas com os pinceis e as tintas e esquecesse da beleza do quadro. A maior dificuldade para se focar no resultado final na educação, sempre foi a dificuldade de se ter uma parâmetro objetivo e quantitativo através do qual se possa avaliar a qualidade da educação, afinal só se gerencia aquilo que se pode medir, avaliar, para ver se nossas ações estão corretas ou não e poder corrigilas em direção ao nosso objetivo. Felizmente o Brasil, através do SAEB - Sistema de Avaliação da Educação Básica, desenvolveu um meio estatístico é preciso de avaliar a qualidade da educação no Brasil. O objetivo do SAEB não é de avaliar cada escola ou cada município, e sim por amostragem avaliar a educação no Brasil, regiões e estados. Sua metodologia, no entanto, pode ser facilmente adaptada a avaliação em um município, escola por escola, estando inclusive o MEC aberto a parcerias desta natureza. Infelizmente, o SAEB constatou que mais da metade dos alunos da 4º serie no Brasil são analfabetos funcionais. As ações contidas neste Plano Municipal de Educação não se tornem apenas um rol de boas intenções, é fundamental que seja criado um Sistema Municipal de Avaliação da Educação em Água Boa, e que este plano tenha objetivos bem concretos que possam ser avaliados anualmente através de indicadores de inclusão dos não escolarizados, indicadores de acesso e permanência e indicadores de qualidade. Assim poderemos direcionar e concentrar ações, recursos, esforços e 94 dedicação para que estes objetivos sejam atingidos. 2 - DIRETRIZES a) São Diretrizes deste Plano Municipal de Educação, o direito de todos a educação, através do pleno desenvolvimento da pessoa humana, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho; (CF 205) b) São também diretrizes deste Plano Municipal, conforme os Planos Nacional e Estadual, a (CF 214): - Erradicação do Analfabetismo - Universalização do Atendimento Escolar - Melhoria na Qualidade do Ensino - Formação para o Trabalho - Formação Humanística, Científica e Tecnológica; c) A Gestão Democrática no Ensino Publico; d) A Autonomia Escolar, Administrativa, Pedagógica e Financeira; e) A Articulação e Cooperação com o Governo Estadual e Federal; f) A Valorização e Qualificação dos Profissionais da Educação; g) A Eficiência, Eficácia e Transparência na execução dos gastos públicos. h) A Correta aplicação dos recursos destinados à educação conforme LDB. i) A Gestão que focalize a destinação de recursos para as atividadesfim, a descentralização, a autonomia da escola, a eqüidade, o foco na aprendizagem e a participação da comunidade. 3 - OBJETIVOS E METAS 1. Garantir a adequada aplicação dos recursos legalmente destinados a manutenção e desenvolvimento do ensino. 2. Garantir a autonomia pedagógica, administrativa e financeira às escolas. 3. Implantar em 2 anos Sistema de Avaliação de Qualidade do Ensino 4 -AÇÔES PROPOSTAS 95 1. Implementar política de investimentos que garantam a oferta de vagas de forma equivalente ao incremento populacional, bem como o aparelhamento das escolas, especialmente nas áreas de informática, esportiva e cultural, de forma a garantir um espaço adequado ao ensino e à aprendizagem. 2. Garantir a correta aplicação dos recursos obrigatórios em Educação, através do controle social exercido pelos Conselhos de Educação, FUNDEF e Merenda Escolar, bem como através de relatórios específicos dos gastos com educação. 3. Garantir o acesso do aluno da área rural a um ensino de qualidade, através de formas viáveis e econômicas, seja através do transporte escolar, escola interna ou outras alternativas. 4. Assegurar a autonomia administrativa e pedagógica das escolas e ampliar sua autonomia financeira, através do repasse direto de recursos para despesas de manutenção e cumprimento de sua proposta pedagógica. 5. Implantar políticas de formação, fortalecimento e qualificação dos Conselhos Deliberativos Escolares e das Direções de Escolas. 6. Apoiar tecnicamente as escolas na elaboração e execução dos PPP - Projetos Político Pedagógico e PDE - Plano de Desenvolvimento Escolar, assegurando a participação da comunidade escolar no processo. 7. No prazo de 02 anos, implantar um sistema de acompanhamento, controle, avaliação e supervisão da Educação, nos estabelecimentos públicos e privados, visando ao apoio técnico-pedagógico para a melhoria da qualidade e à garantia do cumprimento dos padrões mínimos estabelecidos pelas diretrizes nacionais e municipais. 8. Definir indicadores qualitativos e quantitativos que possibilitem a avaliação contínua do Plano Municipal de Educação. 9. Pactuar entre escola e Secretaria Municipal de Educação, com base nos indicadores do Plano Municipal de Educação e nos Projetos Políticos Pedagógicos e Planos de Desenvolvimento Escolar, metas de desempenho e metas de resultado que devem ser aferidas periodicamente. REDE FÍSICA 1 - Rede Física – Dados Gerais - 2003 96 Rede Nº de alunos Prédios Escolares Número de salas de aula Nº de salas de Recursos Nº de salas especiais Nº de Laboratórios Áreas para Existentes Utilizadas Esporte Estadual 2.949 2 32 32 2 - - 2 Municipal 2.285 19 73 74 1 - - 3 Privada 674 3 29 29 2 - 2 2 Total 5.908 24 134 135 - - 2 7 Fonte: Relatórios Estatísticos 2 - – Quadro Demonstrativo do Transporte Escolar – 2003 Número de alunos transportados Ensino Fundamental Rede Municipal Ensino Fundamental Rede Estadual Ensino Médio Rede Estadual TOTAL GERAL Rural Urbano Rural Urbano Rural Urbano 1.199 720 142 53 129 46 109 Fonte: Secretaria Municipal de Educação de Água Boa. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARROYO, Miguel G.; FERNANDES, Bernardo M. A educação básica e o movimento social no campo. A nova lei da educação. LDB. Trajetória, limite e perspectivas. 2. ed. São Paulo: Autores Associados, 1997. ARANHA, M. L. de Arruda. História da educação. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2000. BRASIL. Congresso Nacional de Educação. Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública. Caderno do III 97 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, 1988. BRASIL. INEP. Censo do Ensino Superior de 1999. Brasília, 1999. BRASIL. LDB da Educação Nacional. Lei N° 9.394. Brasília, 1996. BRASIL. Presidência da República. Plano Nacional de Educação. Lei nº 10.172, de 9 de janeiro de 2001. BRASIL. Presidência da República. Plano Nacional de Educação. Lei nº 10.172, de 9 de janeiro de 2001. BRASIL: Coordenação da Articulação Nacional. Por uma Educação Básica do Campo, 1999. Câmara da Educação Básica. Conselho Nacional da Educação. 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