CÂMARA MUNICIPAL DE CANARANA
ESTADO DE MATO GROSSO
CÂMARA MUNICIPAL
DECANARANA-MT
PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO Nº 001/2022
DE 09 DE FEVEREIRO DE 2022
CONCEDE TÍTULO DE CIDADÃO
CANARANENSE.
A Mesa Diretora da Câmara Municipal de Vereadores de Canarana,
Estado de Mato Grosso, no uso de suas atribuições legais, na forma do Regimento
Interno em seu Artigo 196, faz saber, que a Câmara Municipal aprovou e ela
promulga o seguinte.
DECRETO LEGISLATIVO
Art. 1º - Fica concedido Título de Cidadão Canaranense ao senhor:
Carlos Marquardt - Piloto do Avião que trouxe colonizadores para Canarana, avião
este que hoje se encontra na Praça Siegfried Roewer.
Art. 2º - O Título será entregue em evento alusivo a comemoração de 50
anos de colonização de Canarana.
Art. 3º - O presente Decreto Legislativo entrará em vigor na data de
sua publicação.
Sala de Sessões, 09 de fevereiro de 2022.
E icad
Vereador
Vereador
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E-mail: admOcanarana.mt.leg.br | www.canarana.mt.leg.br
Hoje com 72 anos, residente em Erechim-RS, Carlos Marquardt, pais de
três filhos e avô de duas netas, nos contou suas lembranças dos quatro
anos em que pilotou as aeronaves que traziam agricultores do Rio Grande
do Sul para as terras do cerrado de Mato Grosso, de onde surgiram
prósperas cidades como Canarana, Água Boa, Querência e, mais ao norte,
Terra Nova. Ele acumulou 1.400 horas/voo no DC3.
Marquardt entrou para a Escola de Aviação em 1968, aos 19 anos. Aos 22
anos começou a ganhar a vida pilotando aeronaves, inicialmente em
empresas de táxi aéreo. Em 1975 ele foi convidado para compor a
tripulação como freelance num voo de DC3 que partiria de Carazinho-RS
para Aragarças-GO, com uma parada em Presidente Prudente-SP,
durando aproximadamente 5h30. Foi seu primeiro voo no PP-YPU.
“Nesse voo, além de agricultores, tinha um passageiro ilustre, Norberto
Schwantes, o qual durante o almoço me convidou para trabalhar na
empresa. Aceitei feliz o convite. Continuar voando aquele magnifico avião
e fazer parte daquele importante momento histórico de colonização dos
gaúchos em terras mato-grossenses era irrecusável”, disse Carlos.
Conforme o comandante, havia esperança em cada rosto dos agricultores
que vinham para o Mato Grosso: “Em nossos voos transportávamos
agricultores que pouca terra dispunham para tirar o sustento para a
família. Em busca de nova vida, aceitaram o convite de Norberto para
conhecer a imensidão do cerrado mato-grossense e, em especial
Canarana. Víamos em cada rosto dos passageiros, um ar de ansiedade e
um sorriso de esperança”.
Para Marquardt, Norberto Schwantes, o idealizador da colonização dessa
região, foi um homem de estrema coragem e determinação: “Norberto
Schwantes foi admirável como líder deste empreendimento,
demonstrando coragem e determinação e, como pastor, cumpriu com seu
propósito de levar os seus fiéis a um futuro melhor em terras do Mato
Grosso”,
Viajando agora em suas memórias, o comandante se recorda de um fato
inusitado durante um dos voos do DC3. Um dos passageiros abriu a porta
de emergência durante o voo para jogar a bagana de cigarro fora: “O
barulho e o susto foram imensos. O DC3 estava com velocidade de
aproximadamente 300 km/h. Reduzi imediatamente a velocidade e a
janela foi fechada pelo nosso mecânico de voo Arnold. O passageiro
retornou para o sul via terrestre”.
Sobre voar num DC3, o comandante disse que era uma aeronave forte,
resistente a fadiga, dócil de pilotar e de fácil manutenção. “Não era
exigente com as pistas e mesmo as de terra e que eram curtas e mal
preparadas serviam para o nosso trabalho”, contou. Mais de 13 mil desse
modelo foram fabricados e alguns voam até hoje.
Os voos ocorreram até o ano de 1979. Ao todo eram quatro aeronaves
DC3, três aviões de outros modelos e dois pequenos helicópteros. O PP-
YPU parou sua jornada tendo voado mais de 34 mil horas. Seu último voo
foi o translado do distrito de Serra Dourada até a cidade Canarana,
realizado pelo comandante Ervino Paulo Rescke, com duração de 10
minutos.
Ao todo, Marquardt pilotou por 50 anos. Depois de voar pela colonizadora,
pilotou para o Departamento Aeroviário do Estado, Atam Express, NHT,
pulverizou lavouras agrícolas e, por último, trabalhou numa aeronave
executiva de uma empresa erexinense. Ele acumulou 18 mil horas de voo.
Após décadas, Carlos quer voltar esse ano para Canarana para ver o
resultado daquele trabalho. E, também, visitar o DC3 que está na Praça
do Avião.