Rua Miraguai, nº 228 - Telefone (66) 3478-1200 - CEP 78640-000 - Canarana - Mato Grosso
Canarana, Portal do Xingu e Capital do Gergelim.
Projeto de Lei Municipal nº______/2025
De 05 de dezembro de 2025.
(Autoria do Executivo)
Autoriza a cessão gratuita de uso de
área pública para perfuração,
implantação, operação e manutenção de
poço tubular profundo pela
concessionária do serviço público de
abastecimento de água, e dá outras
providências.
VILSON BIGUELINI, Prefeito Municipal de Canarana, Estado de Mato
Grosso, no uso de suas atribuições legais, faz saber que a Câmara
Municipal aprovou e ele sanciona a seguinte Lei:
Art. 1º - Fica o Poder Executivo Municipal autorizado a ceder, a
título gratuito, o uso de área pública à empresa Águas Canarana
LTDA, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o
nº 03.875.686/0001-52, com sede na Rua Redentora, nº 78, Bairro
Centro, Canarana/MT, concessionária responsável pela prestação
dos serviços de abastecimento de água no Município,
exclusivamente para perfuração, implantação, operação e
manutenção de poço tubular profundo.
Art. 2º - A área objeto da cessão compreende uma área de 5 metros
por 5 metros (25 m²) destinada à perfuração, instalação e operação
do poço;
§1º A utilização da área fica condicionada ao estrito cumprimento
dos projetos aprovados e das normas técnicas pertinentes.
§2º A localização exata da área está nos anexos que integram esta
Lei.
Art. 3º - A cessão de uso será:
I – gratuita, por se tratar de área destinada exclusivamente à
prestação de serviço público essencial;
II – pelo prazo de 3 (três) anos, prorrogável por iguais ou
diferentes períodos, por meio de termo aditivo firmado pelo Poder
Executivo, dispensada nova aprovação legislativa, enquanto
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Canarana, Portal do Xingu e Capital do Gergelim.
perdurar a prestação dos serviços públicos de abastecimento de
água.;
III – poderá ser revogada mediante ato fundamentado do Poder
Executivo, por motivo de interesse público devidamente
demonstrado, sem qualquer ônus ao Município.
Art. 4º - A cessão será formalizada por Termo de Cessão de Uso,
contendo:
I – o prazo de utilização conforme o art. 3º;
II – as obrigações relativas à construção, instalação, manutenção
e segurança das estruturas implantadas;
III – as responsabilidades pela recomposição ambiental, se
necessária;
IV – as condições de uso exclusivo da área para fins de
abastecimento público.
Art. 5° - A concessionária deverá:
I – obedecer às normas técnicas, ambientais, sanitárias e de
segurança aplicáveis à perfuração e operação do poço;
II – garantir que toda a infraestrutura instalada permaneça em
boas condições de uso e conservação;
III – restituir a área ao Município, caso cesse o interesse
público ou a vigência da cessão, mediante retirada das estruturas
removíveis e recomposição do terreno, devolvendo-o livre e
desimpedido;
IV – caso haja interesse do Município, devidamente formalizado,
o poço perfurado poderá ser incorporado ao patrimônio municipal,
permanecendo a área pública e toda a estrutura física revertida
ao Poder Público, sem ônus adicional.
Art. 6º - Todas as despesas decorrentes da implantação, operação,
manutenção, recomposição, remoção e demais atos necessários à
execução desta Lei correrão exclusivamente por conta da
concessionária, sem ônus para o Município.
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Art. 7º – Os casos omissos serão regulamentados por decreto do
Poder Executivo, observado o interesse público e a legislação
vigente.
Art. 8o - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação,
revogadas as disposições em contrário.
Gabinete do Prefeito Municipal de Canarana/MT, 05 de dezembro de
2025.
Vilson Biguelini
Prefeito Municipal
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Projeto de Lei nº____/2025
De 05 de dezembro de 2025
(Autoria do Executivo)
MENSAGEM
Excelentíssimos(as) Senhores(as) Vereadores(as),
Colendo Plenário do Poder Legislativo;
Augusta Câmara Municipal.
Encaminho à elevada apreciação dessa Colenda Câmara
Municipal o incluso Projeto de Lei, que autoriza a cessão gratuita
de área pública à empresa Águas Canarana LTDA, concessionária
responsável pelos serviços de abastecimento de água no Município,
para fins de perfuração, implantação, operação e manutenção de
poço tubular profundo.
A presente proposição tem por objetivo viabilizar a
execução de infraestrutura essencial para o reforço da captação
e aumento da segurança hídrica, garantindo a continuidade e
eficiência do sistema público de abastecimento, serviço de
natureza indispensável à saúde pública e ao bem-estar coletivo.
A cessão em questão abrange uma pequena área de 5x5
metros, medida tecnicamente suficiente para instalação e operação
das estruturas necessárias.
O projeto também prevê mecanismos de controle e
salvaguarda do patrimônio público, estabelecendo que a
concessionária será responsável por todos os custos de
implantação, operação, manutenção e eventual recomposição da
área; ao término da cessão ou diante de interesse público
superveniente, a área deverá ser restituída ao Município, livre
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e desimpedida; caso o Município manifeste interesse, o poço poderá
ser incorporado ao patrimônio público, sem qualquer ônus.
Importa destacar que a medida é estritamente técnica e
necessária, alinhada ao planejamento operacional do serviço, não
implicando despesas ao erário municipal.
Diante do interesse público envolvido e da relevância da
medida para ampliar a capacidade de abastecimento e evitar
descontinuidade do serviço, solicito a aprovação do presente
Projeto de Lei, em caráter de urgência, na forma regimental.
Vilson Biguelini
Prefeito Municipal
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ANEXO I
TERMO DE CESSÃO DE USO QUE ENTRE SI CELEBRAM O MUNICÍPIO DE
CANARANA/MT E ÁGUAS CANARANA LTDA
Pelo presente Termo de Cessão de Uso, de um lado, o MUNICÍPIO DE
CANARANA, Estado de Mato Grosso, pessoa jurídica de direito
público interno, representado pelo Prefeito Municipal Vilson
Biguelini, doravante denominado CEDENTE, e, de outro lado, ÁGUAS
CANARANA LTDA (“Águas Canarana” ou “Concessionária”), pessoa
jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº
03.875.686/0001-52, com sede na Rua Redentora, nº 78, Bairro
Centro, Canarana/MT, doravante denominada CESSIONÁRIA, resolvem
celebrar o presente Termo, mediante as cláusulas a seguir:
CLÁUSULA PRIMEIRA – DO FUNDAMENTO LEGAL
Este Termo é celebrado com fundamento na Lei Municipal nº
___/2025, que autorizou a cessão gratuita de área pública
destinada à perfuração, implantação, operação e manutenção de
poço tubular profundo.
CLÁUSULA SEGUNDA – DO OBJETO
O presente Termo tem por objeto a cessão gratuita de uso de uma
área pública de 5m x 5m (25 m²) destinada à perfuração, instalação
e operação de poço tubular profundo.
Parágrafo único. A localização exata da área está nos anexos da
Lei que autorizou o presente instrumento e será utilizada conforme
os projetos técnicos aprovados pelos órgãos competentes.
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Canarana, Portal do Xingu e Capital do Gergelim.
CLÁUSULA TERCEIRA – DO PRAZO
A cessão será pelo prazo de três anos, podendo ser prorrogada por
iguais ou diferentes períodos, quantas vezes forem necessárias,
enquanto perdurar a prestação dos serviços públicos de
abastecimento de água pela Concessionária.
CLÁUSULA QUARTA – DA GRATUIDADE
A cessão é gratuita, não gerando qualquer ônus ao Município, em
razão de estar vinculada à execução do serviço público essencial
de abastecimento de água.
CLÁUSULA QUINTA – DAS OBRIGAÇÕES DA CESSIONÁRIA
A Concessionária deverá:
I – cumprir integralmente as normas técnicas, ambientais,
sanitárias e de segurança aplicáveis;
II – realizar, às suas expensas, a instalação, construção,
operação, manutenção e vigilância da área cedida;
III – manter em perfeito estado de conservação todas as estruturas
implantadas;
IV – responder por danos eventualmente causados ao patrimônio
público ou a terceiros;
V – restituir a área ao Município ao final do prazo ou em caso
de revogação, devolvendo-a livre, desimpedida e devidamente
recomposta;
VI – permitir a fiscalização municipal sempre que solicitado.
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Canarana, Portal do Xingu e Capital do Gergelim.
CLÁUSULA SEXTA – DA INCORPORAÇÃO DO POÇO
Caso haja interesse formal do Município, o poço perfurado e toda
a infraestrutura permanente poderão ser incorporados ao
patrimônio municipal, sem qualquer custo.
CLÁUSULA SÉTIMA – DA REVOGAÇÃO
A cessão poderá ser revogada por ato fundamentado do Poder
Executivo, por motivo de interesse público devidamente
demonstrado, sem qualquer ônus ao Município.
CLÁUSULA OITAVA – DAS DESPESAS
Todas as despesas decorrentes da execução, operação, manutenção,
recomposição e remoção das estruturas correrão exclusivamente por
conta da Concessionária.
CLÁUSULA NONA – DA FISCALIZAÇÃO
Compete ao Município fiscalizar o cumprimento deste Termo,
podendo determinar providências corretivas, sem prejuízo de
sanções administrativas cabíveis.
CLÁUSULA DÉCIMA – DOS CASOS OMISSOS
Os casos omissos serão resolvidos pelo Município e poderão ser
objeto de regulamentação por decreto, nos termos da legislação
municipal.
CLÁUSULA DÉCIMA PRIMEIRA – DO FORO
Rua Miraguai, nº 228 - Telefone (66) 3478-1200 - CEP 78640-000 - Canarana - Mato Grosso
Canarana, Portal do Xingu e Capital do Gergelim.
Fica eleito o foro da Comarca de Canarana/MT para dirimir
quaisquer controvérsias decorrentes deste Termo.
E, por estarem de pleno acordo, firmam o presente Termo em duas
vias de igual teor, juntamente com duas testemunhas.
Canarana/MT, ___ de ____________ de 2025.
MUNICÍPIO DE CANARANA
Vilson Biguelini – Prefeito Municipal
ÁGUAS CANARANA LTDA
Representante Legal
Testemunhas:
__________________________________
CPF:
__________________________________
CPF:
OF-CN-0043/2025
Canarana/MT, 11 de agosto de 2025.
À Prefeitura Municipal de Canarana
Rua Miraguaí, 228, Canarana, MT, CEP: 78.640-000
Exmo. Sr. Vilson Biguelini
Prefeito Municipal de Canarana
Assunto: Solicitação de Cessão de Uso de Bem Público – Poço 03
Prezado Senhor Prefeito,
A Águas Canarana LTDA (“Águas Canarana” ou “Concessionária”), pessoa
jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº 03.875.686/0001-52, com sede na
Rua Redentora, nº 78, Bairro Centro, Canarana/MT, neste ato representada por seus
Diretores infra-assinados, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência expor
e requerer o que segue.
Considerando o crescimento urbano verificado nos últimos anos, bem como
aquele projetado para o município, a Concessionária elaborou estudos técnicos e de
modelagem hidráulica para o sistema de abastecimento de água, de modo que se
verifica a necessidade de realizar ampliações para atender as demandas futuras. Sendo
assim, identificou-se a necessidade perfuração do Poço 03, como alternativa técnica e
viável, com o objetivo de reforçar o fornecimento de água potável no município.
Considerando que a área pública identificada está situada na Avenida Paraná,
com dimensões aproximadas de 5m x 5m e coordenadas geográficas 13°32'33"S
52°16'20"W, é tecnicamente adequada para a implantação da referida infraestrutura,
conforme demonstrado na imagem abaixo:
Rua Redentora, 78. Centro. Canarana-MT
(65) 99972-8983 | 0800 400 0508
www.aguascanarana.com.br
D4Sign 1888cfa5-de13-415e-b156-c448ec02f240 - Para confirmar as assinaturas acesse https://secure.d4sign.com.br/verificar
Documento assinado eletronicamente, conforme MP 2.200-2/01, Art. 10º, §2. Brazil
Diante do exposto, solicitamos a Vossa Excelência a concessão da
AUTORIZAÇÃO PROVISÓRIA DE USO da referida área pública, com a finalidade
específica de perfuração e implantação do Poço 03, como medida de interesse público.
Adicionalmente, a Concessionária, vem, respeitosamente, requerer a abertura
do devido trâmite legal e administrativo para a formalização da CESSÃO DE USO, em
caráter definitivo, da mencionada área à Concessionária, nos termos da legislação
aplicável e do contrato de concessão vigente, visando garantir a continuidade e
segurança jurídica da operação do sistema de abastecimento de água.
Destaca-se que o pedido da Concessionária está lastreado, especialmente na
cláusula DÉCIMA do contrato de concessão, que trata da Utilização de Bens Públicos, a
saber:
Rua Redentora, 78. Centro. Canarana-MT
(65) 99972-8983 | 0800 400 0508
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Documento assinado eletronicamente, conforme MP 2.200-2/01, Art. 10º, §2. Brazil
10.1 – No exercício de suas atividades, poderá a CONCESSIONÁRIA utilizar
os bens públicos municipais, estabelecer servidões nas estradas,
caminhos, logradouros públicos, para a realização de obras e instalações.
Quaisquer desapropriações necessárias serão realizadas pela
CONCEDENTE, sem ônus para a CONCESSIONÁRIA [...] (grifo nosso)
Reiteramos nosso compromisso com a melhoria contínua dos serviços públicos
prestados e nos colocamos à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos
adicionais que se fizerem necessários.
Na oportunidade, renovamos nossos protestos de elevada estima e
consideração
Águas Alta Floresta.
Christopher Alves
Diretor
Bruno Ravaglia
Diretor
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Canarana - Autorização de Uso de Bem P
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Assinaturas
Christopher Alexandre Alves
christopher.alves@centrosulconcessoes.com.br
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Bruno Marinho Ravaglia
bruno.ravaglia@nortesaneamento.com.br
Assinou
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11 Aug 2025, 19:06:18
Documento 1888cfa5-de13-415e-b156-c448ec02f240 criado por JURÍDICO CENTRO SUL (fc86ab19-527a-42e8-
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11 Aug 2025, 19:08:43
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juridico@centrosulconcessoes.com.br. - DATE_ATOM: 2025-08-11T19:08:43-03:00
11 Aug 2025, 19:18:00
CHRISTOPHER ALEXANDRE ALVES Assinou - Email: christopher.alves@centrosulconcessoes.com.br - IP:
201.218.163.9 (201.218.163.9 porta: 51688) - Documento de identificação informado: 251.790.148-16 -
DATE_ATOM: 2025-08-11T19:18:00-03:00
11 Aug 2025, 19:50:11
BRUNO MARINHO RAVAGLIA Assinou (10790009-3003-4053-8eac-00a67b12a96c) - Email:
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14.063/2020.
Pantanal Serviços Geológicos e Ambientais Ltda
CNPJ nº 42.750.833/0001-1
Laudo Hidrogeológico Quanto A Viabilidade De
Perfuração De Poço Tubular Profundo
Poço Tubular nº: PT-03
Localização: Av Paraná, rua Guariroba, Canteiro Central, Centro
Município: Canarana -MT
Coordenadas: 13°32’33” S 52°16’20” W
Cota: 419 metros
Cuiabá/MT
2025
2
Pantanal Serviços Geológicos e Ambientais Ltda
CNPJ nº 42.750.833/0001-1
Sumário
Dados Cadastrais: ............................................................................................................. 3
1. Introdução................................................................................................................. 4
2. Objetivo .................................................................................................................... 5
3. Aspectos Fisiográficos.............................................................................................. 5
Localização................................................................................................................... 5
Geomorfologia.............................................................................................................. 6
Clima ............................................................................................................................ 8
Solo............................................................................................................................... 9
Uso do solo ................................................................................................................. 10
Hidrografia.................................................................................................................. 12
Geologia ..................................................................................................................... 15
4. Hidrogeologia:........................................................................................................ 22
Aquíferos e Aquífugo ................................................................................................. 23
Hidrogeologia local .................................................................................................... 27
5. Metodologia............................................................................................................ 32
6. Características Hidrogeológicas e Construtivas do Poço a Ser Perfurado ............. 33
Implantação dos Poços ............................................................................................... 33
Níveis Piezométricos e Rebaixamento Projetado....................................................... 34
Condutividade Hidráulica e Permeabilidade .............................................................. 34
Qualidade da Água ..................................................................................................... 34
Vulnerabilidade do Aquífero...................................................................................... 35
Planejamento do Uso do Solo e Proteção do Aquífero .............................................. 37
Licenciamento Ambiental .......................................................................................... 37
Gestão de recursos hídricos:....................................................................................... 38
7. Considerações Finais.............................................................................................. 38
8. Referências Bibliográficas...................................................................................... 40
3
Pantanal Serviços Geológicos e Ambientais Ltda
CNPJ nº 42.750.833/0001-1
Dados Cadastrais:
Do Contratante (Interessado)
• Nome/Razão Social: Concessionária Águas de Canarana Ltda – Águas de
Canarana
• CNPJ nº:03.875.686/0001-52;
• Endereço: Rua Redentora, nº 78, bairro Centro, Canarana-MT;
• CEP: 78.640-000
• Telefone: (66) 9.8137-0605
• E-mail: murilo.pereira@aguascanarana.com.br
Contratado (Empresa Responsável)
• Nome: Pantanal Hidrogeologia
• CREA/MT: 50550/PJ
• Cadastro SEMA nº: 7121
• Endereço: Av Lídio Modesto da Silva, 333, bairro Alvorada, Cuiabá / MT
• CEP: 78048-605
• Telefone: (65) 99613 3866
• E-mail: barrossm50@gmail.com
Equipe Técnica
Nome Profissão CREA N º ART
Geol. Mauricio de Sant’Ana
Barros
Geólogo 1200681142 1220250164732
Geolª Livia Halle Najm de Sá Geóloga 142171954-1 20254215915
4
Pantanal Serviços Geológicos e Ambientais Ltda
CNPJ nº 42.750.833/0001-1
1. Introdução
O presente Laudo hidrogeológico apresenta as justificativas geológicas e hidrogeológicas
para subsidiar a contratação de perfuração de um poço tubular profundo a ser empregado
como captação para atender a demanda de abastecimento urbano da cidade de Canarana
– MT, sistema este operado pela concessionaria Águas de Canarana.
O presente laudo tem como objetivo a caracterização hidrogeológica detalhada da área de
estudo localizada no município de Canarana, estado de Mato Grosso, com foco na
avaliação do potencial hídrico subterrâneo para a perfuração e explotação do Poço 03
(PT-03). A elaboração deste documento compreende a análise integrada dos aspectos
fisiográficos, geológicos, pedológicos, hidrológicos e hidrogeológicos da região,
associada a dados secundários obtidos em bancos públicos (SIAGAS/CPRM) e
informações bibliográficas de referência.
O município de Canarana apresenta relevância estratégica na ocupação agropecuária do
estado, sendo caracterizado por extensas áreas de uso agrícola e por sua inserção em
contextos geológicos distintos, como o Cráton Amazônico e o Sistema Orogênico
Tocantins. Essas condições geológicas, associadas ao regime climático de marcada
sazonalidade, conferem grande importância ao estudo das águas subterrâneas para o
abastecimento humano, irrigação e atividades produtivas locais.
Nesse contexto, a perfuração do Poço 03 requer não apenas a avaliação do potencial
hidrogeológico do aquífero de ocorrência, mas também a análise de sua vulnerabilidade
à contaminação, visto o uso intensivo de insumos agrícolas na região. Assim, este
documento busca fundamentar, sob o ponto de vista técnico-científico, a viabilidade de
exploração do recurso hídrico subterrâneo, atendendo aos critérios legais e ambientais
aplicáveis (CONAMA 396/2008; ANA, 2018).
5
Pantanal Serviços Geológicos e Ambientais Ltda
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2. Objetivo
Avaliar as condições hidrogeológicas dos aquíferos presentes na cidade de Canarana,
fornecendo informações detalhadas sobre a disponibilidade, qualidade e dinâmica da água
subterrânea, através de informações técnicas e hidrogeológicas para a elaboração de um
projeto construtivo, licenciamento e fornecendo subsídios para a viabilidade de
perfuração de um poço tubular e posterior contração de perfuração do poço tubular
profundo – PT 03 para atender o sistema de abastecimento de Canarana.
3. Aspectos Fisiográficos
Localização
O município de Canarana está localizado na região leste do estado de Mato Grosso, a
aproximadamente 646 km de Cuiabá, capital do estado. O acesso principal se dá pela
rodovia BR-163, com posterior conexão pela MT-100. Essa localização estratégica insere
a área de estudo em uma zona de expansão agrícola relevante, demandando recursos
hídricos subterrâneos para abastecimento humano e irrigação.
6
Pantanal Serviços Geológicos e Ambientais Ltda
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Figura 1- Mapa de Localização
Geomorfologia
O relevo do município de Canarana caracteriza-se, predominantemente, como suaveondulado a ondulado, apresentando setores planos nos interflúvios e dissecação mais
pronunciada nas áreas próximas às drenagens principais. Essa configuração
geomorfológica está associada à evolução do intemperismo sobre litologias sedimentares
e metamórficas, com posterior retrabalhamento fluvial, originando superfícies suavizadas
intercaladas por vales encaixados.
7
Pantanal Serviços Geológicos e Ambientais Ltda
CNPJ nº 42.750.833/0001-1
Sob o ponto de vista hidrogeológico, esse relevo exerce influência direta no
comportamento das águas subterrâneas. As áreas suaves e planas nos interflúvios
funcionam como zonas de infiltração difusa, permitindo que a precipitação pluviométrica
se infiltre lentamente através dos solos espessos e bem drenados, recarregando o aquífero.
Já as áreas onduladas próximas às drenagens funcionam como zonas de escoamento
superficial preferencial e de descarga natural do sistema aquífero, onde o nível freático
se aproxima da superfície e pode emergir em nascentes e veredas.
De acordo com Ross (2006), relevos com baixa declividade favorecem maior infiltração
e menor escoamento superficial, condição que, em Canarana, contribui positivamente
para a recarga do aquífero Ponta Grossa. Essa relação entre relevo e fluxo subterrâneo
também foi observada em outros estudos no contexto do Sistema Orogênico Tocantins,
onde a geometria topográfica é um condicionante da distribuição potenciométrica
(Feitosa et al., 2008).
Portanto, o padrão geomorfológico local reforça o papel da área do Poço 03 como zona
potencial de recarga aquífera, elemento crucial para a sustentabilidade do aproveitamento
hídrico.
8
Pantanal Serviços Geológicos e Ambientais Ltda
CNPJ nº 42.750.833/0001-1
Figura 2 Mapa da Geomorfologia Regional
Clima
O clima do município apresenta sazonalidade bem definida, característica do regime
tropical de savana (Aw, segundo Köppen). Essa condição é marcada por duas estações
distintas:
• Estação chuvosa: setembro a maio, com precipitações intensas e concentradas,
alcançando valores médios mensais próximos a 96 mm em dezembro.
9
Pantanal Serviços Geológicos e Ambientais Ltda
CNPJ nº 42.750.833/0001-1
• Estação seca: maio a setembro, com precipitações extremamente reduzidas,
chegando a valores médios de apenas 2 mm em julho.
A temperatura média anual varia entre 16 °C e 34 °C, com máximas mais elevadas em
outubro (34 °C) e mínimas em julho (16 °C).
Essa sazonalidade exerce efeito direto na dinâmica hidrogeológica:
• Durante o período chuvoso, ocorre recarga efetiva dos aquíferos, com elevação
do nível freático, incremento da pressão piezométrica e, consequentemente,
aumento da disponibilidade hídrica subterrânea.
• No período seco, o rebaixamento natural do nível d’água é observado, refletindo
a descarga dos aquíferos para os cursos superficiais e a evapotranspiração
acentuada.
Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA, 2018), em regiões de alta sazonalidade
climática como o Mato Grosso, a recarga anual dos aquíferos é fortemente dependente do
balanço hídrico nos meses chuvosos. Isso significa que a sustentabilidade da explotação
do PT-03 deverá considerar essa dinâmica interanual, evitando superexploração nos
períodos críticos de estiagem.
Solo
A área de estudo apresenta como principais classes de solo: Latossolos VermelhoAmarelos distróficos, Plintossolos e Cambissolos (Embrapa, 2018).
• Latossolos Vermelho-Amarelos: são os solos dominantes, profundos, altamente
intemperizados e bem drenados. Apresentam alta porosidade e boa
permeabilidade, funcionando como zonas eficientes de recarga hídrica. Contudo,
sua baixa capacidade de retenção de nutrientes (baixa CTC) faz com que
elementos químicos aplicados na superfície, como fertilizantes nitrogenados,
tenham maior mobilidade vertical, favorecendo a lixiviação até o aquífero.
• Plintossolos: associados a áreas de relevo plano ou suavemente ondulado, com má
drenagem e acúmulo sazonal de água. Localmente, restringem a infiltração e
funcionam como zonas de escoamento superficial.
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• Cambissolos: rasos, pouco evoluídos, geralmente presentes em áreas dissecadas.
Devido à baixa espessura e maior pedregosidade, sua contribuição para a
infiltração regional é limitada.
Uso do solo
O uso do solo local é caracterizado majoritariamente por áreas agrícolas, sobretudo
voltadas para cultivo de grãos (soja, milho, algodão), em regime de agricultura
mecanizada e intensiva. Essas culturas utilizam altas doses de fertilizantes químicos,
corretivos e defensivos agrícolas. Em áreas menos ocupadas, ocorrem manchas de
vegetação nativa do Cerrado, em diferentes estágios de conservação.
Relação solos x uso do solo x hidrogeologia
• Latossolos + agricultura intensiva: A elevada permeabilidade dos Latossolos,
associada à intensa atividade agrícola, cria condições para que o aquífero livre da
Formação Ponta Grossa seja recarregado de forma eficiente, mas também exposto
à infiltração de contaminantes difusos, como nitrato e resíduos de pesticidas
(Foster & Hirata, 1988). Esse processo é agravado pela ausência de barreiras
argilosas espessas na zona não saturada.
• Plintossolos em áreas agrícolas: Nessas áreas, o acúmulo sazonal de água pode
intensificar o escoamento superficial, favorecendo o transporte de sedimentos e
contaminantes para cursos d’água superficiais. Embora tenham menor
importância na recarga, podem funcionar como vias de contaminação indireta,
conectando agrotóxicos a córregos e, por infiltração posterior, ao aquífero.
• Remanescentes de vegetação natural: A presença de Cerrado nativo contribui
positivamente para a proteção do aquífero, uma vez que essas áreas funcionam
como zonas de infiltração com menor carga de contaminantes, atuando como
“áreas de recarga mais limpa”. No entanto, são porções restritas, geralmente
marginais ao uso agrícola dominante.
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•
Figura 3 - Mapa de uso ocupação do solo
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Hidrografia
A região de Canarana (MT) apresenta uma rede hidrográfica complexa, composta por
córregos, rios e drenagens sazonais, que integram dois grandes sistemas hidrográficos de
importância regional: a Bacia Amazônica e a Bacia do Rio Araguaia. Essa inserção em
diferentes unidades de drenagem confere ao município uma posição estratégica em
termos de disponibilidade hídrica, tanto superficial quanto subterrânea.
Bacias hidrográficas principais
• Bacia do Rio Amazonas: no setor norte e nordeste do município, destacam-se os
sistemas do Alto Xingu e do Rio Suiá-Miçu, ambos afluentes relevantes do Xingu.
Esses rios apresentam regime pluvial, com forte sazonalidade, respondendo
diretamente ao padrão climático regional de chuvas concentradas entre setembro
e maio.
• Bacia do Rio Araguaia: no setor sul e sudoeste, a área integra a sub-bacia do Baixo
Rio das Mortes, importante afluente da margem direita do Araguaia. Essa bacia
possui significativa função ecológica e socioeconômica, sendo utilizada para
abastecimento, irrigação, pesca e atividades agropecuárias.
A coexistência de drenagens ligadas a dois grandes sistemas hidrográficos (Amazonas e
Araguaia) evidencia a diversidade fisiográfica e reforça o papel do município como
divisor de águas entre as maiores bacias da América do Sul (ANA, 2018).
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Figura 4 - Mapa da Bacia Hidrográfica Regional
Hidrografia local
No contexto local, onde se situam os poços tubulares já cadastrados (PT-01 e PT-0 2) e a
área destinada à perfuração do PT-03, observa-se que a região se encontra sobre um
interflúvio, ou seja, em posição de topo relativo entre duas microbacias distintas:
• Microbacia do Córrego do Meio: drenagem sazonal que converge para o Rio Sete
de Setembro, integrante da bacia do Xingu. Essa rede de drenagem atua como
zona de descarga local para fluxos subterrâneos, recebendo contribuição hídrica
proveniente das áreas mais elevadas do interflúvio.
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• Microbacia do Córrego da Paca: associada ao sistema do Rio Tanguru, que
também integra a bacia do Xingu. O córrego apresenta regime intermitente, com
maior expressividade durante o período chuvoso. Assim como o Córrego do Meio,
funciona como linha de drenagem que concentra fluxos superficiais e
subterrâneos.
• Córrego Seriema: localizado em área próxima ao Poço PT-03, está igualmente
vinculado à bacia do Rio Sete de Setembro. Sua rede de drenagem desempenha
papel complementar na captação de fluxos de base (baseflow), evidenciando a
conectividade entre águas superficiais e subterrâneas.
Figura 5 - Bacias Hidrográficas Local
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Geologia
A área de estudo está localizada em uma zona de transição geotectônica de grande
importância: o limite entre o Cráton Amazônico e o Sistema Orogênico Tocantins, mais
precisamente inserida no Cinturão Paraguai (Almeida et al., 2000; Bizzi et al., 2003).
O Cráton Amazônico é uma das porções mais antigas do continente sul-americano, com
rochas formadas no Pré-Cambriano, representando uma base estável e cristalina que
condiciona a evolução estrutural da região.
O Sistema Orogênico Tocantins, por sua vez, é resultado de eventos de colisão continental
durante o Neoproterozoico, sendo caracterizado por cinturões dobrados e falhados.
O Cinturão Paraguai, situado nesse contato, registra sedimentação paleoproterozoica a
fanerozoica, com destaque para depósitos de ambientes marinhos e continentais.
Bacia do Paraná
A Bacia do Paraná, localizada no centro-leste da América do Sul, abrange cerca de 1,6
milhão de km², principalmente no Brasil e também na Argentina, Paraguai e Uruguai.
Desenvolveu-se sobre um arcabouço proterozoico formado por blocos cratônicos e
cinturões dobrados. Compreende três áreas sedimentares principais: a bacia do Paraná, a
bacia Serra Geral e a bacia Bauru. Sua história deposicional vai do Ordoviciano Superior
ao Cretáceo Superior, com sedimentos acumulados de mais de 7.000 metros. A
estratigrafia está dividida em seis supersequências, destacando ciclos transgressivoregressivos paleozoicos e sucessões continentais mesozoicas com rochas ígneas
associadas.
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Figura 6 - Estratigrafia simplificada da Província Paraná, segmentada nas bacias Bauru,
Serra Geral e Paraná, objeto deste estudo
Fonte: Milani et al. (2007) e Bizzi et al.
Essa configuração tectônica explica a diversidade litoestratigráfica encontrada em
Canarana, marcada por formações sedimentares de diferentes idades (Paleozoico ao
Cenozoico) sobrepostas a embasamento cristalino. Esse arcabouço controla a ocorrência,
extensão e conectividade dos aquíferos regionais.
Superseqüência Paraná
O flanco noroeste da bacia do Paraná é composto por rochas devonianas da
supersequência Paraná, que representa uma bacia sedimentar formada em um ciclo
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transgressivo-regressivo. A unidade alcança até 800 m de espessura, compreendendo duas
formações: Furnas e Ponta Grossa (MILANI et al., 2007). A primeira é constituída de
arenitos quartzosos de cor branca com grãos médios a grossos depositados em ambiente
fluvial e transicional, enquanto que a segunda mostra uma seção predominantemente
argilosa – correspondente à superfície máxima de inundação no Devoniano (BIZZI et al.,
2003) – com espessura de quase 600 m.
No contato entre as duas formações, de caráter transicional, a Formação Furnas mostra
arenitos de granulometria fina, com estratificação cruzada truncada por ondas, que se
intercalam aos estratos basais de folhelhos da Formação Ponta Grossa. O limite inferior
da formação Furnas é marcado por contato discordante com a supersequência Ivaí, mais
especificamente com as formações Vila Maria e Iapó.
Unidades Litológicas
Na área do município ocorrem as seguintes unidades geológicas principais:
➢ Formação Furnas
• Idade: Devoniano Inferior (Siluriano-Devoniano)
• Bacia Sedimentar: Principalmente associada à Bacia do Paraná.
• Grupo Geológico: Integra o Grupo Paraná.
• Litologia: Predominantemente quartzoarenitos finos a grossos esbranquiçados,
com lutitos e ruditos subordinados, especialmente na base da formação. Apresenta
estratificações cruzadas tabulares e plano-paralelas.
• Ambiente Deposicional: Interpretado como sistemas deposicionais flúviodeltaicos e marinhos rasos (costeiros e plataforma), com forte domínio de
estruturas trativas unidirecionais e icnofósseis do tipo Skolithos, indicando
ambientes de alta energia como foreshore e backshore em sistema plataformal.
• Espessura: Em torno de 200 metros, podendo chegar a 343 metros.
Características Adicionais: Faixa de transição entre ambientes continentais e marinhos,
com ciclo transgressivo-recessivo.
➢ Formação Ponta Grossa
• Idade: Siluro-Devoniano (Siluriano para Devoniano)
• Bacia Sedimentar: Também associada à Bacia do Paraná.
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• Grupo Geológico: Parte do Grupo Paraná, sobreposto à Formação Furnas.
• Litologia: Intercalação de folhelhos cinza a arenitos médios esbranquiçados, com
ocorrência de folhelho siltoso e arenitos com estruturas bioturbadas e
estratificações cruzadas truncadas. Apresenta variações composicionais entre
folhelhos e arenitos.
• Ambiente Deposicional: Caracteriza ambientes marinhos com oscilações de
energia, ambientes shoreface e offshore, sugerindo uma transição entre ambientes
fluviais para marinhos litorâneos, evidenciando ciclos transgressivos e
regressivos.
Características Adicionais: Registro fóssil e bioturbação indicam ambiente marinho mais
constante e oscilatório, com subdivisão em membros sedimentares.
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Figura 7 - Coluna Estratigráfica SuperSequência Paraná
Fonte: Milaani et al. (2007)
Essas formações em Canarana, Mato Grosso, fazem parte da sequência deposicional do
Paleozoico inferior da Bacia do Paraná, destacando uma progressão ambiental do
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Devoniano Inferior (Furnas) para ambientes marinhos oscilantes do Siluro-Devoniano
(Ponta Grossa).
Figura 8 - Área em Afloramento da Supersequência Paraná no estado de Mato Grosso
Bacia dos Parecis
A Bacia dos Parecis está localizada na região centro-oeste do Brasil, abrangendo parte
significativa do estado de Mato Grosso, incluindo o município de Canarana. Essa bacia
sedimentar de origem principalmente terciária e quaternária é caracterizada pela presença
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de sedimentos continentais depositados em ambientes fluviais, que recobrem formações
mais antigas.
A Formação Ronuro está inserida na Bacia dos Parecis, situada na região centro-oeste do
Brasil. Ela possui idade terciária/quaternária e é constituída por sedimentos pouco
consolidados, compostos principalmente por areia, silte, argila, cascalho e lateritas. Esses
sedimentos foram depositados em ambiente continental, com características fluviais
entrelaçadas a meandrantes. A formação representa coberturas sedimentares que afloram
principalmente na porção leste da bacia, cobrindo áreas que anteriormente sofreram
intensa erosão no Plioceno, em uma depressão tipo sinéclise. A formação Ronuro se
diferencia das unidades mesozóicas subjacentes do Grupo Parecis, que têm maior
consolidação e compõem outras formações como Utiariti e Salto das Nuvens.
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Figura 9 - Mapa Geológico
4. Hidrogeologia:
A hidrogeologia da região de Canarana (MT) é fortemente controlada pela presença de
diferentes unidades geológicas sedimentares que atuam como aquíferos com distintas
propriedades hidrodinâmicas. Destacam-se, em escala regional, os sistemas aquíferos
Furnas e Parecis, que constituem reservatórios granulares de relevância para o
abastecimento subterrâneo e o uso agrícola local.
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As camadas que compõem um sistema aquífero podem ser classificadas em Aquíferos,
Aquitardos, Aquicludes ou Aquífugos, de acordo com suas características de porosidade
e permeabilidade, ou seja, em função da capacidade de armazenar e transmitir água
subterrânea. Essa classificação segue as definições apresentadas por Feitosa (2008),
conforme descrito a seguir:
• Aquífero – corresponde a formações geológicas, geralmente compostas por
arenitos, que apresentam elevados valores de porosidade efetiva e condutividade
hidráulica, possibilitando o armazenamento e a circulação de volumes de água
subterrânea em quantidades economicamente aproveitáveis.
• Aquitardo – refere-se a formações constituídas predominantemente por
siltes/siltitos e argilas, em proporções variadas. Tais unidades apresentam redução
da porosidade efetiva e da condutividade hidráulica, o que implica menor
capacidade de armazenamento e circulação de água, com fluxos mais lentos e
retardados.
• Aquiclude – abrange rochas sedimentares submetidas a intensos processos de
compactação, cimentação ou transformações diagenéticas, resultando em
porosidade total elevada, mas porosidade efetiva muito reduzida.
Consequentemente, a condutividade hidráulica é extremamente baixa, tornando o
fluxo de água subterrânea praticamente nulo.
• Aquífugo – corresponde a unidades geológicas essencialmente impermeáveis, que
não armazenam nem transmitem água.
Aquíferos e Aquífugo
Aquífugo Ponta Grossa
O aquífugo Ponta Grossa faz parte das formações sedimentares paleozóicas da Bacia do
Paraná, e possui características específicas que o diferenciam como um aquífugo, não um
aquífero propriamente dito, principalmente devido às suas propriedades litológicas e
hidráulicas.
Geologicamente, o aquífugo Ponta Grossa é constituído predominantemente por
folhelhos (rochas sedimentares finas e laminadas) com baixa condutividade hidráulica, o
que implica que essas rochas possuem baixa capacidade de armazenamento e de
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transmissão de água subterrânea. Por isso, não funcionam como um reservatório
significativo de água subterrânea, agindo muitas vezes como camadas confinantes para
aquíferos adjacentes, especialmente para o aquífero Furnas, com que está interdigitado.
A Formação Ponta Grossa é sobreposta pela Formação Furnas, composta por arenitos
com maior porosidade e permeabilidade, que formam aquíferos exploráveis.
O espessamento do aquífugo Ponta Grossa pode variar, e sua área de ocorrência coincide
praticamente com a do aquífero Furnas, abrangendo uma área aproximada de 7.150 km².
Além do folhelho, a Formação Ponta Grossa também apresenta siltitos e arenitos muito
finos que compõem sequências psamo-pelíticas e pelíticas em seu perfil sedimentar. A
transição para a Formação Furnas é gradacional e pode ocorrer por contato concordante
ou falhamentos. As rochas da Formação Ponta Grossa têm características que indicam
baixa condutividade hidráulica, pelo que sua capacitação para armazenagem e fluxo de
água subterrânea é limitada.
Aquífero Furnas
Geologicamente, o aquífero Furnas é constituído principalmente por arenitos quartzosos
médios a grossos, composicionalmente cauliníticos, com estratificação cruzada e planar.
Na base da formação são comuns leitos conglomeráticos com até 1 metro de espessura.
A porosidade primária desses arenitos é relativamente baixa devido à cimentação por
caulinita; por isso, o aquífero Furnas é comumente classificado como unicamente
fraturado ou dual, onde a porosidade secundária incrementada por processos cársticos
(dissolução do cimento) contribui para maior armazenamento e condutividade hidráulica.
No que se refere ao comportamento hidrodinâmico, o coeficiente de permeabilidade
(condutividade hidráulica) estimado do aquífero Furnas varia tipicamente na faixa de 10⁻⁵
a 10⁻⁴ m/s. Essa variação reflete a heterogeneidade do sistema, onde os arenitos mais
consolidados apresentam menor permeabilidade, enquanto fraturas e feições cársticas
aumentam a transmissividade local. O aquífero pode ocorrer em condições livres (não
confinado) e confinadas, dependendo da região e da presença das camadas de folhelhos
do aquífugo Ponta Grossa que funcionam como grandes aquitardos.
No município de Canarana, é importante destacar que, sempre que o aquífero Furnas
encontra-se em condição confinada, ele está sujeito a uma pressão hidrostática
significativa que atua sobre ele, fazendo com que o Nível Piezométrico se estabeleça
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acima do topo do aquífero, podendo apresentar surgência em caso a cota do terreno onde
o poço for perfurado seja abaixo da cota topográfica 260 metros, o que não será esperado
na área onde será perfurado o PT 03 já que a mesma será de 419 metros.
Esse efeito de pressão confinado ocorre porque o aquífero está aprisionado entre camadas
impermeáveis, motivo pelo qual a água subterrânea fica sob tensão, podendo exercer
pressão suficiente para subir em poços além do nível do solo. Esse comportamento
hidrodinâmico é típico em regiões como Canarana, onde as formações geológicas
favorecem o confinamento e a pressão ascendente da água subterrânea.
Assim, na região de Canarana, o aquífero Furnas, quando confinado, pode apresentar
níveis piezométricos com elevações superiores a 60 metros do topo do aquífero Furnas,
esperado entre a cota de 200 a 210 m, fator relevante tanto para a exploração da água,
porem requere o uso de bomba submersa para sua explotação.
As vazões médias de poços perfurados na Formação Furnas no estado de Mato Grosso
apresentam variações significativas conforme diferentes localidades e condições do
aquífero. Conforme estudos hidrológicos e relatórios técnicos:
A vazão média dos poços surgentes que captam água da Formação Furnas em Mato
Grosso é aproximadamente de 47,9 m³/h, com capacidade específica média de 3,39
m³/h/m. Já poços bombeados apresentam vazão variadas em função da espessura do
aquífero atravessada, podendo chegar a 150 a 200 m³/h, quando forem totalmente
penetrantes, ou seja, perfurar toda a espessura do aquífero Furnas, que em Canarana
apresenta entre 120 a 140 metros de espessura. O PT 03 está previsto ser perfurado com
300 metros de profundidade e atravessando toda espessura do aquífero Furnas que se
espera entre 120 a 130 metros
A produtividade dos poços pode variar bastante de acordo com a profundidade e condição
do aquífero (livre ou confinado), com vazões que vão desde baixos valores até máximos
que podem ultrapassar 150 m³/h.
A variação da vazão está também associada às características hidrogeológicas locais,
como porosidade, presença de fraturas, espessura do reservatório e condições de recarga
pluviométrica.
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Aquífero Parecis
O Aquífero Parecis, relacionado à Formação Ronuro, é caracterizado por depósitos de
arenitos grossos, cascalhos, conglomerados e intercalações de argilas e pelitos (CPRM,
2004). Trata-se de um sistema heterogêneo e anisotrópico, que pode apresentar setores
com elevada produtividade (quando predominam camadas arenosas e conglomeráticas),
contrastando com porções menos permeáveis (com predomínio de argilas).
Seu comportamento hidrodinâmico é frequentemente livre a semiconfinado, com
transmissividade variando amplamente em função do grau de seleção e maturidade dos
depósitos (Foster & Hirata, 1988).
Figura 10 - Mapa hidrogeológico Regional
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Hidrogeologia local
Potenciometria e fluxo subterrâneo
A potenciometria refere-se à medição da carga hidráulica da água subterrânea, que
representa a energia potencial disponível no sistema aquífero. Em termos práticos, a carga
hidráulica é a soma da pressão exercida pela coluna de água no interior do aquífero e da
pressão exercida pela elevação topográfica do ponto considerado. No caso do aquífero da
área de estudo, que é um sistema confinado, a carga hidráulica está diretamente
relacionada ao nível estático da água nos poços, correspondendo ao nível freático local,
o qual varia em função das condições hidrológicas e geológicas da área. Essa medição é
fundamental para determinar o sentido e a intensidade do fluxo subterrâneo, uma vez que
as águas tendem a se movimentar das regiões de maior carga hidráulica para as de menor
carga.
A obtenção da potenciometria do sistema aquífero local é feita por meio do registro dos
níveis estáticos da água em poços encontrados no SIAGAS, ou seja, a altura da coluna
d’água nos poços em condições de repouso, sem bombeamento. Complementarmente,
são considerados os cursos d’água locais que funcionam como pontos de descarga do
sistema, já que as cotas altimétricas desses corpos hídricos coincidem com a carga
hidráulica do aquífero nas suas proximidades, evidenciando a interação entre o meio
superficial e subterrâneo.
Devido à natureza heterogênea do aquífero visto que a variação da porosidade efetiva está
relacionada a interconectividade entre os grãos e seu grau de compactação, os dados
pontuais podem apresentar níveis estáticos apresentam variações significativas, o que
torna necessária a utilização de técnicas de interpolação espacial para gerar uma
superfície contínua que represente o comportamento hidrodinâmico da carga hidráulica.
Para este fim, foi aplicado o interpolador Thin Plate Spline (TPS) com regularizador
0,001, que proporciona um equilíbrio adequado entre a suavização da superfície e a
fidelidade aos dados originais, evitando o superajuste e representando de forma realista
as variações espaciais da carga hidráulica.
Para garantir a consistência altimétrica das medições, as cotas dos níveis estáticos foram
normalizadas com base em um Modelo Digital de Terreno (MDT) obtido por
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sensoriamento remoto (satélite SRTM) com resolução espacial de 30 metros. Essa
normalização é essencial para corrigir variações topográficas e permitir uma análise
integrada e precisa da superfície potenciométrica em relação ao relevo local.
A superfície potenciométrica resultante permite identificar áreas de recarga, onde a carga
hidráulica apresenta valores mais elevados, geralmente localizadas em regiões de maior
altitude e maior permeabilidade das fraturas, assim como áreas de descarga, próximas a
cursos d’água e vales, onde a carga hidráulica é menor. Além disso, a análise dos
gradientes hidráulicos derivados dessa superfície é crucial para entender o fluxo
subterrâneo predominante, orientar o planejamento do uso racional da água subterrânea e
prever possíveis impactos de sobre-exploração ou contaminação
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Figura 11 - Mapa Potenciométrico
A superfície potenciométrica elaborada a partir dos dados do SIAGAS evidencia que a
carga hidráulica local varia entre 214,9 e 477,2 m, com média de 340,5 m e desvio padrão
de 44 m. Os valores mais elevados estão associados às áreas de relevo mais alto e solos
mais permeáveis, indicando zonas de recarga direta.
Já os valores mais baixos, concentrados nas proximidades das drenagens vinculadas ao
Cinturão Araguaia e aos cursos d’água locais (Córrego do Meio, Córrego da Paca e
Córrego Seriema), representam zonas de descarga natural, onde o fluxo subterrâneo
converge para alimentar a rede hidrográfica.
O fluxo de água subterrânea segue, portanto, o gradiente hidráulico das áreas mais
elevadas (interflúvios) para os vales fluviais, em concordância com o padrão clássico
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descrito por Tóth (1963). O caráter granular do aquífero, associado à heterogeneidade
granulométrica e compactação variável, confere ao sistema comportamento anisotrópico,
no qual a permeabilidade vertical é limitada pelas camadas pelíticas, enquanto a
horizontal permite o desenvolvimento de fluxos preferenciais.
Figura 12 - Mapa Hidrogeológico Local
Potencial Hidrogeológico do Poço- PT-03
• O Poço PT- 03 terá como alvo a explotação do aquífero Furnas, em área de
interflúvio com predomínio de Latossolos profundos e clima sazonal (estações
chuvosa/seca). Assim, o sistema hidrogeológico local é um aquífero granular
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confinado (com intercalar de níveis pelíticos) cujo comportamento hidrodinâmico
é controlado por:
• (a) textura e continuidade das camadas arenosas;
• (b) presença de folhelhos/pelitos (redução de permeabilidade vertical);
• (c) geometria do relevo (área de recarga);
• (d) sazonalidade pluviométrica (recarga concentrada).
Interpretação Hidrodinâmica Dos Registros
• Amplitude das vazões 3 a 250 m³/h, com dispersão alta, o que sugere forte
heterogeneidade hidrogeológica e diferenças litológicas (e.g., arenitos mais
favoráveis vs. folhelhos ou arenitos finos)
• No aquífero “Confinado” de Furnas, as vazões e capacidades específicas indicam
que muitos poços estão subdimensionados: há potencial para gerar vazões maiores
se os poços penetrarem mais na zona saturada ou forem adequadamente
projetados;
• Em poços do setor “confinado”, como o alvo do estudo, os valores de capacidade
específica variam significativamente (máximo até 8,298 m³/h/m, média
1,974 m³/h/m, variância alta), apontando para eficiência variável — muitos
aquitamção baixa eficiência, típica de arenas mais consolidadas ou com
porosidade restrita
• Na transição do aquífero Furnas encontram-se estatísticas com vazão específica
dentro desse intervalo:
A capacidade específica média foi de 0,213 m³/h/m, com valores variando entre
0,106 e 0,292 m³/h/m, o que está dentro da faixa citada (0,2–0,5 m³/h/m)
Isso confirma que poços com vazão específica maior ocorrem, provavelmente em locais
com interceptação de lentes mais permeáveis ou fraturadas, evidenciando
heterogeneidade hidrogeológica lateral e vertical.
• . Evidência de heterogeneidade lateral/vertical no aquífero
Os estudos estatísticos destacam:
Alta dispersão de vazões e de capacidades específicas no aquífero livre
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Correlação entre profundidade e vazão relativamente moderada (coeficiente de correlação
≈ 0,63) — indicando que profundidade não é único fator determinante.
Em zonas de transição, correlação entre vazão e capacidade específica muito fraca
(coeficiente de determinação ≈ 0,11), demonstrando grande heterogeneidade litológica e
estrutural
Implicações para o Poço PT- 03
Parâmetros hidrodinâmicos
Se houver efeito semi-confinante por níveis argilosos localizados: S efetivo pode ser
menor localmente (valores transitórios).
Estas faixas servem para orientar pré-dimensionamentos; os valores reais serão obtidos
pelo ensaio de bombeamento contínuo (Theis / Cooper–Jacob).
Fluxo subterrâneo e tempo de escoamento
• Direção do fluxo: conforme a superfície potenciométrica, das cotas altas
(interflúvios) para os vales/cursos d’água (Córrego do Meio, Córrego da Paca,
Córrego Seriema). Isso implica que o poço está em zona de recarga e a água
captada tem trajetória superficial relativamente curta até o poço em comparação a
poços em vale.
• Tempo de escoamento (tempo de residência) da água rebaixada até o poço tenderá
a ser curto a moderado (meses a anos) nas lentes arenosas superficiais; em zonas
mais profundas e menos permeáveis o tempo será maior. Esse aspecto é crítico
para avaliação de contaminação difusa (agrotóxicos, nitratos).
5. Metodologia
A metodologia empregada neste estudo integra procedimentos de campo, análise de dados
secundários e interpretação em ambiente SIG, com o objetivo de caracterizar o potencial
hidrogeológico da região e subsidiar a implantação do PT-03.
a) Coleta de Dados Secundários: Foram utilizados registros do SIAGAS (Sistema de
Informação de Águas Subterrâneas, CPRM) referentes a poços tubulares cadastrados na
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área, contendo informações sobre profundidade, níveis estáticos e dinâmicos, vazão de
estabilização, formação geológica e tipo de captação. Esses dados foram essenciais para
a comparação do desempenho hidráulico de poços em diferentes litologias, notadamente
nas Formações Ponta Grossa e Furnas.
b) Levantamento Geológico e Hidrogeológico: Mapas geológicos e hidrogeológicos
regionais (Feitosa et al., 2008; Hirata & Ferreira, 2002) foram empregados para
caracterizar os aquíferos locais. As informações geológicas foram correlacionadas com
perfis litológicos de poços existentes, permitindo definir o tipo de aquífero predominante
(granular livre a semiconfinado).
c) Ensaios de Bombeamento e Testes Hidrodinâmicos: Para avaliação da produtividade
do poço, foram considerados os parâmetros de nível estático, nível dinâmico e vazão
específica dos poços existentes como proxies para o desempenho esperado do PT- 03. A
interpretação desses dados permite estimar o rebaixamento projetado e a condutividade
hidráulica.
d) Análises Físico-Químicas e Bacteriológicas: Com base no uso e ocupação do solo
predominantemente agrícola, foi estabelecido que a qualidade da água deve ser avaliada
conforme os parâmetros de potabilidade definidos pela Resolução CONAMA nº
396/2008 e pela Portaria GM/MS nº 888/2021. Especial atenção deve ser dada à presença
de nitrato, nitrito, amônia, metais pesados e pesticidas organoclorados, organofosforados
e carbamatos, em função do uso intensivo de agrotóxicos na região.
e) Avaliação da Vulnerabilidade à Contaminação: Foi aplicada a metodologia GOD
(Foster & Hirata, 1988), baseada em três parâmetros: Grau de confinamento do aquífero
(G), litologia da zona não saturada (O) e profundidade até o nível da água (D). Essa
análise visa estimar a vulnerabilidade intrínseca do aquífero e subsidiar medidas de
proteção ambiental.
6. Características Hidrogeológicas e Construtivas do Poço a Ser Perfurado
Implantação dos Poços
O Poço 03 será implantado sobre a Formação Ponta Grossa e Furnas, na Bacia do Paraná,
composta predominantemente por arenitos finos intercalados com folhelhos e pelitos
(Milani et al., 2007). Essa litologia confere ao aquífero Furnas características de meio
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granular poroso, com produtividade moderada, variando em função da espessura do
pacote arenítico e da conectividade hidráulica.
A localização adotada respeita a distância mínima de 500 metros dos poços existentes,
minimizando possíveis interferências hidráulicas e sobreposição de cones de
rebaixamento. A profundidade prevista para a perfuração é de até 180 m, com captação
no pacote arenítico produtivo.
Níveis Piezométricos e Rebaixamento Projetado
Com base na superfície potenciométrica elaborada, a cota de nível da água subterrânea
na região varia entre 313 m e 305 m, considerando o terreno a 419 m de altitude. Assim,
espera-se que o nível estático do PT- 03 esteja entre 106 e 114 m abaixo da superfície.
Condutividade Hidráulica e Permeabilidade
O Aquífero Furnas, na porção confinada (como ocorre em Canarana), apresenta
parâmetros hidrodinâmicos típicos de sistemas areníticos consolidados sob
confinamento: a condutividade hidráulica (K) média situa-se na ordem de 8,54 × 10⁻⁶ a
7,17 × 10⁻⁵ m/s, conforme ensaios de bombeamento realizados na região
Esses valores baixos reforçam a predominância de arenitos finos, bem consolidados ou
cimentados, os quais limitam a transmissividade e, consequentemente, a produtividade
dos poços. Em situações específicas em que ocorre fraturamento ou interceptação de
lentes arenosas mais permeáveis, pode haver incremento local da condutividade, o que
favorece, pontualmente, vazões maiores. A permeabilidade, seguindo essa mesma lógica,
permanece geralmente reduzida em função da consolidação do material, mas a
heterogeneidade lateral e vertical marcante nesse sistema confinado permite a existência
de zonas com maior circulação de água subterrânea, ainda que restritas
Qualidade da Água
Considerando a intensa atividade agrícola local, com uso de fertilizantes e agrotóxicos,
recomenda-se que o monitoramento de qualidade da água inclua:
• Parâmetros físico-químicos: pH, turbidez, cor, condutividade elétrica, sólidos
totais dissolvidos.
• Parâmetros químicos prioritários: Nitrato, nitrito, amônia, cloreto, sulfato, metais
(Fe, Mn, Zn, Cd, Pb).
• Parâmetros orgânicos: pesticidas e herbicidas agrícolas de uso comum na região.
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• Parâmetros bacteriológicos: coliformes totais e termotolerantes.
A vulnerabilidade média/alta identificada pela metodologia GOD (índice = 0,48) reforça
a necessidade de análises periódicas, visto que a contaminação por nitrato em aquíferos
agrícolas é um problema recorrente em áreas de recarga livre (Hirata & Ferreira, 2002).
Vulnerabilidade do Aquífero
A vulnerabilidade de aquíferos refere-se à susceptibilidade natural da água subterrânea
ser impactada por contaminantes oriundos da superfície, considerando as características
hidrogeológicas locais (Foster & Hirata, 1988). Essa análise é fundamental em áreas com
uso intensivo do solo agrícola, como a região em estudo, onde o uso de fertilizantes e
agrotóxicos pode comprometer a qualidade da água subterrânea.
O método GOD (Foster & Hirata, 1988) foi escolhido por sua aplicabilidade em áreas
com dados limitados e por permitir integrar informações sobre:
• G (Groundwater occurrence – tipo de aquífero): indica se o aquífero é livre,
semiconfinado ou confinado.
• O (Overall lithology of the unsaturated zone – litologia da zona não saturada):
considera a capacidade de atenuação natural da camada sobrejacente (ex.: solos
arenosos têm baixa atenuação, enquanto argilas e folhelhos oferecem maior
proteção).
• D (Depth to groundwater – profundidade do nível d’água): quanto menor a
profundidade, maior a vulnerabilidade à infiltração de contaminantes.
O índice final é dado pela multiplicação dos três fatores
Aplicação da matriz de vulnerabilidade GOD. Fonte: Feitosa (2008)
Figura 13 - Aplicação da Matriz de Vulnerabilidade GOD
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• G (Groundwater occurrence – tipo de aquífero): define se o aquífero é livre,
semiconfinado ou confinado;
• O (Overall lithology of the unsaturated zone – litologia da zona não saturada):
avalia a capacidade de atenuação da camada sobrejacente (argilas e folhelhos
oferecem maior proteção em comparação a solos arenosos);
• D (Depth to groundwater – profundidade do nível d’água): quanto menor a
profundidade, maior a vulnerabilidade.
O índice final resulta da multiplicação dos três fatores.
Aplicação da matriz de vulnerabilidade GOD ao Aquífero Furnas
• Grau de Confinamento (G = 0,3): o Aquífero Furnas é confinado, situado abaixo
do aquitardo da Formação Ponta Grossa. Esse nível de proteção natural justifica
um valor menor (0,3), representando alta capacidade de atenuação frente a
contaminantes superficiais.
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• Litologia da Zona Não Saturada (O = 0,5): A presença do aquitardo composto por
folhelhos e pelitos da Formação Ponta Grossa atua como barreira natural eficaz à
percolação de contaminantes. Embora haja intercalações areníticas, o predomínio
de rochas de baixa permeabilidade confere proteção significativa, atribuindo-se
valor 0,5.
• Profundidade até o Nível de Água (D = 0,7): Os dados indicam níveis
piezométricos geralmente mais profundos, entre 50 m e 150 m, o que reduz
substancialmente a vulnerabilidade. Considerando o cenário conservador
(menores profundidades), adota-se 0,7.
Cálculo:
G × O × D = 0,3 × 0,5 × 0,7 = 0,105
• Resultado
O valor obtido (0,105) enquadra o Aquífero Furnas na classe de vulnerabilidade baixa.
Isso significa que, devido ao confinamento natural abaixo do aquitardo Ponta Grossa, a
infiltração de contaminantes superficiais até o aquífero é bastante limitada. Apesar disso,
deve-se considerar que vulnerabilidades locais podem aumentar em áreas de fraturamento
ou perfuração inadequada de poços, situações em que o risco de contaminação ascende
de forma significativa.
Planejamento do Uso do Solo e Proteção do Aquífero
A gestão integrada do uso do solo é fundamental para minimizar riscos de contaminação
difusa. Recomenda-se a criação de uma zona de proteção sanitária ao redor do PT 03,
com raio mínimo de 50 m, onde sejam restringidas atividades agrícolas e pecuárias.
Licenciamento Ambiental
O relatório técnico subsidiará a obtenção da outorga de direito de uso da água subterrânea
junto ao órgão gestor estadual, bem como o licenciamento ambiental. A caracterização
da vulnerabilidade e a proposição de medidas mitigadoras constituem requisitos
fundamentais no processo.
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Gestão de recursos hídricos:
Fornece informações para a gestão integrada de águas superficiais e subterrâneas,
garantindo o uso sustentável dos recursos hídricos.
7. Considerações Finais
A análise hidrogeológica realizada na área de estudo, com foco no PT 03, evidenciou que
a região apresenta condições favoráveis para a captação de água subterrânea. O poço será
perfurado em um aquífero granular confinado, associado às Formações Ponta Grossa
(aquífugo) e Furnas (aquífero), pertencentes à Bacia do Paraná, e a localização adotada
considera uma distância mínima de 500 metros em relação aos poços existentes,
reduzindo a possibilidade de interferência entre os sistemas. As estimativas piezométricas
indicam níveis de água situados entre 313 m e 305 m, garantindo profundidade adequada
para exploração segura. O topo do aquífero Furnas, objeto desta perfuração deve ser
atingido entre a cota de 260 e 250 metros. O mesmo espera-se uma espessura entre 130 a
140 metros, tendo sua base atingida na cota entre 130 a 120 metros.
Portanto como o poço será perfurado com 300 metros de profundidade o mesmo será
totalmente penetrante no aquífero Furnas, ou seja a cota de superfície é de 419 metros e
a cota de fundo de poço (final da perfuração será de 119 metros).
As características construtivas previstas incluem poços tubulares profundos, com
revestimento compatível com a litologia local, composta por intercalações de arenito fino,
folhelho e pelito, assegurando estabilidade estrutural e proteção do aquífero. A qualidade
da água deverá ser monitorada periodicamente, considerando a forte presença de
atividades agrícolas na região, que aumenta o risco de contaminação por agrotóxicos,
nitratos e outros compostos químicos, em conformidade com a Resolução CONAMA
396/2008.
A avaliação de condutividade hidráulica e permeabilidade indica que o Aquífero Furnas
apresenta condições de explotação adequadas, permitindo captação de volumes
significativos sem provocar rebaixamentos expressivos, desde que respeitados os limites
operacionais. A aplicação da metodologia GOD (Foster & Hirata, 1988) resultou em
índice de 0,105, classificando o sistema como de baixa vulnerabilidade, devido à presença
do aquífugo da Formação Ponta Grossa, à profundidade elevada do nível piezométrico e
ao caráter confinado do aquífero. Esses aspectos garantem proteção natural contra a
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percolação de contaminantes, mas reforçam a importância de medidas preventivas e de
monitoramento contínuo para assegurar a qualidade do recurso.
O estudo também permitiu integrar informações sobre o uso e ocupação do solo,
identificando áreas mais favoráveis à captação e setores com maior risco de
contaminação, possibilitando a definição de zonas de proteção ao redor do poço e a
orientação de práticas de gestão hídrica sustentáveis. Ressalta-se que, dada a boa
caracterização prévia das camadas litológicas e da profundidade média do Aquífero
Furnas, o uso de métodos geofísicos complementares não se apresenta como essencial
neste contexto, visto que os parâmetros já conhecidos permitem delinear com segurança
o alvo hidrogeológico.
• Recomendações:
➢ Estabelecer laje de proteção sanitária de 50 metros de profundidade no poço, livres
de aplicação direta de agroquímicos.
➢ Obter e manter atualizado o licenciamento ambiental junto aos órgãos
competentes, sobretudo em caso de alteração no uso do solo ou no regime de
explotação.
➢ Incorporar o PT-03 em um plano de gestão integrada de recursos hídricos,
contemplando águas subterrâneas e superficiais, e promover programas de
mitigação e educação ambiental junto à comunidade local.
Essas medidas garantirão a exploração sustentável do Aquífero Furnas, assegurando a
proteção da qualidade da água e a segurança do abastecimento para consumo humano.
Diante do exposto, o parecer é favorável à perfuração e à incorporação do poço tubular
profundo PT-03 ao sistema de abastecimento do município de Canarana, condicionada à
observância das medidas técnicas e normativas indicadas.
Este é nosso Parecer,
Assinado digitalmente por MAURICIO DE
SANT ANA BARROS:27502422153
ND: C=BR, O=ICP-Brasil, OU=Certificado
Digital PF A1, OU=Presencial, OU=
34266276000138, OU=AC SyngularID
Multipla, CN=MAURICIO DE SANT ANA
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Razão: Eu sou o autor deste documento
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Data: 2025.08.27 20:48:44-03'00'
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8. Referências Bibliográficas
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Canarana, Portal do Xingu e Capital do Gergelim.
Projeto de Lei Municipal nº______/2025
De 05 de dezembro de 2025.
(Autoria do Executivo)
Autoriza a cessão gratuita de uso de
área pública para perfuração,
implantação, operação e manutenção de
poço tubular profundo pela
concessionária do serviço público de
abastecimento de água, e dá outras
providências.
VILSON BIGUELINI, Prefeito Municipal de Canarana, Estado de Mato
Grosso, no uso de suas atribuições legais, faz saber que a Câmara
Municipal aprovou e ele sanciona a seguinte Lei:
Art. 1º - Fica o Poder Executivo Municipal autorizado a ceder, a
título gratuito, o uso de área pública à empresa Águas Canarana
LTDA, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o
nº 03.875.686/0001-52, com sede na Rua Redentora, nº 78, Bairro
Centro, Canarana/MT, concessionária responsável pela prestação
dos serviços de abastecimento de água no Município,
exclusivamente para perfuração, implantação, operação e
manutenção de poço tubular profundo.
Art. 2º - A área objeto da cessão compreende uma área de 5 metros
por 5 metros (25 m²) destinada à perfuração, instalação e operação
do poço;
§1º A utilização da área fica condicionada ao estrito cumprimento
dos projetos aprovados e das normas técnicas pertinentes.
§2º A localização exata da área está nos anexos que integram esta
Lei.
Art. 3º - A cessão de uso será:
I – gratuita, por se tratar de área destinada exclusivamente à
prestação de serviço público essencial;
II – pelo prazo de 3 (três) anos, prorrogável por iguais ou
diferentes períodos, por meio de termo aditivo firmado pelo Poder
Executivo, dispensada nova aprovação legislativa, enquanto
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perdurar a prestação dos serviços públicos de abastecimento de
água.;
III – poderá ser revogada mediante ato fundamentado do Poder
Executivo, por motivo de interesse público devidamente
demonstrado, sem qualquer ônus ao Município.
Art. 4º - A cessão será formalizada por Termo de Cessão de Uso,
contendo:
I – o prazo de utilização conforme o art. 3º;
II – as obrigações relativas à construção, instalação, manutenção
e segurança das estruturas implantadas;
III – as responsabilidades pela recomposição ambiental, se
necessária;
IV – as condições de uso exclusivo da área para fins de
abastecimento público.
Art. 5° - A concessionária deverá:
I – obedecer às normas técnicas, ambientais, sanitárias e de
segurança aplicáveis à perfuração e operação do poço;
II – garantir que toda a infraestrutura instalada permaneça em
boas condições de uso e conservação;
III – restituir a área ao Município, caso cesse o interesse
público ou a vigência da cessão, mediante retirada das estruturas
removíveis e recomposição do terreno, devolvendo-o livre e
desimpedido;
IV – caso haja interesse do Município, devidamente formalizado,
o poço perfurado poderá ser incorporado ao patrimônio municipal,
permanecendo a área pública e toda a estrutura física revertida
ao Poder Público, sem ônus adicional.
Art. 6º - Todas as despesas decorrentes da implantação, operação,
manutenção, recomposição, remoção e demais atos necessários à
execução desta Lei correrão exclusivamente por conta da
concessionária, sem ônus para o Município.
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Art. 7º – Os casos omissos serão regulamentados por decreto do
Poder Executivo, observado o interesse público e a legislação
vigente.
Art. 8o - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação,
revogadas as disposições em contrário.
Gabinete do Prefeito Municipal de Canarana/MT, 05 de dezembro de
2025.
Vilson Biguelini
Prefeito Municipal
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Projeto de Lei nº____/2025
De 05 de dezembro de 2025
(Autoria do Executivo)
MENSAGEM
Excelentíssimos(as) Senhores(as) Vereadores(as),
Colendo Plenário do Poder Legislativo;
Augusta Câmara Municipal.
Encaminho à elevada apreciação dessa Colenda Câmara
Municipal o incluso Projeto de Lei, que autoriza a cessão gratuita
de área pública à empresa Águas Canarana LTDA, concessionária
responsável pelos serviços de abastecimento de água no Município,
para fins de perfuração, implantação, operação e manutenção de
poço tubular profundo.
A presente proposição tem por objetivo viabilizar a
execução de infraestrutura essencial para o reforço da captação
e aumento da segurança hídrica, garantindo a continuidade e
eficiência do sistema público de abastecimento, serviço de
natureza indispensável à saúde pública e ao bem-estar coletivo.
A cessão em questão abrange uma pequena área de 5x5
metros, medida tecnicamente suficiente para instalação e operação
das estruturas necessárias.
O projeto também prevê mecanismos de controle e
salvaguarda do patrimônio público, estabelecendo que a
concessionária será responsável por todos os custos de
implantação, operação, manutenção e eventual recomposição da
área; ao término da cessão ou diante de interesse público
superveniente, a área deverá ser restituída ao Município, livre
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e desimpedida; caso o Município manifeste interesse, o poço poderá
ser incorporado ao patrimônio público, sem qualquer ônus.
Importa destacar que a medida é estritamente técnica e
necessária, alinhada ao planejamento operacional do serviço, não
implicando despesas ao erário municipal.
Diante do interesse público envolvido e da relevância da
medida para ampliar a capacidade de abastecimento e evitar
descontinuidade do serviço, solicito a aprovação do presente
Projeto de Lei, em caráter de urgência, na forma regimental.
Vilson Biguelini
Prefeito Municipal
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ANEXO I
TERMO DE CESSÃO DE USO QUE ENTRE SI CELEBRAM O MUNICÍPIO DE
CANARANA/MT E ÁGUAS CANARANA LTDA
Pelo presente Termo de Cessão de Uso, de um lado, o MUNICÍPIO DE
CANARANA, Estado de Mato Grosso, pessoa jurídica de direito
público interno, representado pelo Prefeito Municipal Vilson
Biguelini, doravante denominado CEDENTE, e, de outro lado, ÁGUAS
CANARANA LTDA (“Águas Canarana” ou “Concessionária”), pessoa
jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº
03.875.686/0001-52, com sede na Rua Redentora, nº 78, Bairro
Centro, Canarana/MT, doravante denominada CESSIONÁRIA, resolvem
celebrar o presente Termo, mediante as cláusulas a seguir:
CLÁUSULA PRIMEIRA – DO FUNDAMENTO LEGAL
Este Termo é celebrado com fundamento na Lei Municipal nº
___/2025, que autorizou a cessão gratuita de área pública
destinada à perfuração, implantação, operação e manutenção de
poço tubular profundo.
CLÁUSULA SEGUNDA – DO OBJETO
O presente Termo tem por objeto a cessão gratuita de uso de uma
área pública de 5m x 5m (25 m²) destinada à perfuração, instalação
e operação de poço tubular profundo.
Parágrafo único. A localização exata da área está nos anexos da
Lei que autorizou o presente instrumento e será utilizada conforme
os projetos técnicos aprovados pelos órgãos competentes.
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CLÁUSULA TERCEIRA – DO PRAZO
A cessão será pelo prazo de três anos, podendo ser prorrogada por
iguais ou diferentes períodos, quantas vezes forem necessárias,
enquanto perdurar a prestação dos serviços públicos de
abastecimento de água pela Concessionária.
CLÁUSULA QUARTA – DA GRATUIDADE
A cessão é gratuita, não gerando qualquer ônus ao Município, em
razão de estar vinculada à execução do serviço público essencial
de abastecimento de água.
CLÁUSULA QUINTA – DAS OBRIGAÇÕES DA CESSIONÁRIA
A Concessionária deverá:
I – cumprir integralmente as normas técnicas, ambientais,
sanitárias e de segurança aplicáveis;
II – realizar, às suas expensas, a instalação, construção,
operação, manutenção e vigilância da área cedida;
III – manter em perfeito estado de conservação todas as estruturas
implantadas;
IV – responder por danos eventualmente causados ao patrimônio
público ou a terceiros;
V – restituir a área ao Município ao final do prazo ou em caso
de revogação, devolvendo-a livre, desimpedida e devidamente
recomposta;
VI – permitir a fiscalização municipal sempre que solicitado.
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Canarana, Portal do Xingu e Capital do Gergelim.
CLÁUSULA SEXTA – DA INCORPORAÇÃO DO POÇO
Caso haja interesse formal do Município, o poço perfurado e toda
a infraestrutura permanente poderão ser incorporados ao
patrimônio municipal, sem qualquer custo.
CLÁUSULA SÉTIMA – DA REVOGAÇÃO
A cessão poderá ser revogada por ato fundamentado do Poder
Executivo, por motivo de interesse público devidamente
demonstrado, sem qualquer ônus ao Município.
CLÁUSULA OITAVA – DAS DESPESAS
Todas as despesas decorrentes da execução, operação, manutenção,
recomposição e remoção das estruturas correrão exclusivamente por
conta da Concessionária.
CLÁUSULA NONA – DA FISCALIZAÇÃO
Compete ao Município fiscalizar o cumprimento deste Termo,
podendo determinar providências corretivas, sem prejuízo de
sanções administrativas cabíveis.
CLÁUSULA DÉCIMA – DOS CASOS OMISSOS
Os casos omissos serão resolvidos pelo Município e poderão ser
objeto de regulamentação por decreto, nos termos da legislação
municipal.
CLÁUSULA DÉCIMA PRIMEIRA – DO FORO
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Canarana, Portal do Xingu e Capital do Gergelim.
Fica eleito o foro da Comarca de Canarana/MT para dirimir
quaisquer controvérsias decorrentes deste Termo.
E, por estarem de pleno acordo, firmam o presente Termo em duas
vias de igual teor, juntamente com duas testemunhas.
Canarana/MT, ___ de ____________ de 2025.
MUNICÍPIO DE CANARANA
Vilson Biguelini – Prefeito Municipal
ÁGUAS CANARANA LTDA
Representante Legal
Testemunhas:
__________________________________
CPF:
__________________________________
CPF:
Solo lateritico vermelho, crosta
de ox.ferro e fragmentos de
quartzo e folhelho cinza
sedimento argiloso a siltoso,
plastico, cor marrom ,
inconsolidado
Siltito cinza compacto,
intercalações siltito bege e
arenitos cinza claro
Silte arenoargiloso cinza a roseo
Argilito Vermelho compacto
arenito roseo, laminar ,
granulometria fina, bem
selecionado, quartzoso
arenito esbranquiçado
quartzoso, granulometria média,
bem selecionado
305
300
295
290
285
280
275
270
265
260
255
250
245
240
235
230
225
220
215
210
205
200
195
190
185
180
175
170
165
160
155
150
145
140
135
130
125
120
115
110
105
100
95
90
85
80
75
70
65
60
55
50
45
40
35
30
25
20
15
10
5
0
Formação Furnas Formação Ponta Grossa
Tubo Sanitario (aço Carbono sch
10, esp 6,50 mm ø 22" (DN 558
mm), de +0,5 a 50 m
Tubo GEO REF ø 10" (DN 250 mm)
+ 0,50 a 180 m
Filtro GEO REF ø 10" (DN 250
mm),ranhura 0.75 mm de 180 a 204
m
Tubo GEO REF ø 10" (DN 250 mm)
de 204 a 212 m
Filtro GEO REF ø 10" (DN 250
mm),ranhura 0.75 mm de 212 a 236
m
Tubo GEO REF ø 10" (DN 250 mm)
de 236 a 240 m
Filtro GEO REF ø 10" (DN 250
mm),ranhura 0.75 mm de 240 a 264
m
Tubo GEO REF ø 10" (DN 250 mm)
de 264 a 272 m
Filtro GEO REF ø 10" (DN 250
mm),ranhura 0.75 mm de 272 a 284
m
Tubo GEO REF ø 10" (DN 250 mm)
de 284 a 290 m
Filtro GEO REF ø 10" (DN 250
mm),ranhura 0.75 mm de 290 a 296
m
Tubo GEO REF ø 10" (DN 250 mm)
de 296 a 300 m
Sapata GEO Reforçado ø 10" de
300 a 300,50 m
Perfuração ø 26" Perfuração ø 20"
305
300
295
290
285
280
275
270
265
260
255
250
245
240
235
230
225
220
215
210
205
200
195
190
185
180
175
170
165
160
155
150
145
140
135
130
125
120
115
110
105
100
95
90
85
80
75
70
65
60
55
50
45
40
35
30
25
20
15
10
5
0
Data: 6/8/2025
Prof.
(m)
Descrição Litológica Perfil Lito-Construtivo Revestimento Aplicado
Cliente:
CONCESSONARIA ÁGUAS DE CANARANA
CNPJ:
03.875.686/0001-52
geol. Mauricio S Barros
Elaborado por: Local:
Av Paraná , rua Gariroba, Canterio Central Centro Canarana-MT
Coord. Geog. (SIRGAS 2000):
Lat. (S):
13°32'33" S
Long. (W):
52°16'20" W
Cota (m): 419
Anexo: Perfil Litoconstrutivo PT03 CAN
Laje Sanitária
Cimentação
Tubo GEO REF ø 10" (DN 250 mm)
Filtro GEO REF ø 10" (DN 250 mm),ranhura 0.75 mm
Solo Argiloso vermelho
Arenito Esbranquiçado compacto
Siltito Cinza
Tampa Poço Aço 1/4"x 10"
Sapata fundo GEO Reforçado ø 10"
Arenito compacto roseo
Argila Marrom
Argilito Vermelho
Silte Arenoso rosa
Pré filtro 1-2 mm
Nivel Estatico - 110 m
Nivel Dinâmico - 170 m
Vazão - 120 m³/h MAURICIO DE
SANT ANA
BARROS:27502
422153
Assinado de forma
digital por MAURICIO
DE SANT ANA
BARROS:27502422153
Dados: 2025.08.06
13:55:13 -04'00'
1.00 3.00 1.00
5.00 5.00
AV. PARANÁ
AV. PARANÁ 3.50
PISTA DE CORRIDA
POÇO 03
PAINEL ELÉTRICO
RAMPA ACESSO 5.00
PROJETO
ÁREA POÇO 03
outubro/2025
TABELA DE AZIMUTES, DISTANCIAS E COORDENADAS
PONTOS ELEVAÇÃO DISTÂNCIA COORDENADAS
PT 01
LONGETUDE
PT 02
PT 03
PT 04
PT 05
5
5
5
5
0
LATITUDE
8502510.84 362328.53
8502514.06 362322.24
8502517.13 362331.75
8502504.54 362325.31
8502507.62 362334.83
419
419
419
419
419
PLANTA DE LOCALIZAÇÃO
DATA
1.00 3.00 1.00
5.00 5.00
AV. PARANÁ
AV. PARANÁ 3.50
PISTA DE CORRIDA
POÇO 03
PAINEL ELÉTRICO
RAMPA ACESSO 5.00
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
Pantanal Serviços Geológicos e Ambientais Ltda
CNPJ nº 42.750.833/0001-1
Projeto Construtivo de Poço Tubular Profundo
PT 03
ÁGUAS DE CARANA LTDA
Local: Av. Paraná / rua Garibaldi, área canteiro central
Bairro: Centro
Cidade: Canarana- MT
Canarana – MT
Agosto / 2025
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
Pantanal Serviços Geológicos e Ambientais Ltda
CNPJ nº 42.750.833/0001-1
Índice
1. INTRODUÇÃO______________________________________________________________________ 6
2. OBJETIVO _________________________________________________________________________ 6
3. LOCALIZAÇÃO E LOCAÇÃO DO POÇO TUBULAR (PT 03) _______________________________ 7
4. DADOS DO SISTEMA DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA__________________________________ 9
5. MEIO FÍSICO ______________________________________________________________________ 11
6. ESPECIFICAÇÕES PARA PERFURAÇÃO ______________________________________________ 15
PERFURATRIZ E EQUIPAMENTOS DE PERFURAÇÃO ________________________________________________ 16
PERFURAÇÃO DE POÇO TUBULAR _____________________________________________________________ 18
DESCIDA E INSTALAÇÃO DE REVESTIMENTO, FILTROS E PRÉ-FILTRO __________________________________ 27
PERFILAGEM GEOFÍSICA APÓS CONCLUSÃO DE PERFURAÇÃO ________________________________________ 31
DESENVOLVIMENTO, LIMPEZA E DESINFECÇÃO __________________________________________________ 31
PERFILAGEM ENDOSCÓPICA DE POÇO TUBULAR (FILMAGEM) _______________________________________ 32
TESTE DE PRODUÇÃO (BOMBEAMENTO E ENSAIO DE RECUPERAÇÃO) _________________________________ 32
MONTAGEM DE POÇO TUBULAR – EQUIPAMENTOS DE BOMBEAMENTO E CAVALETE ______________________ 34
COLETA E ANÁLISE DE ÁGUA:________________________________________________________________ 34
SERVIÇOS COMPLEMENTARES _______________________________________________________________ 35
EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI’S) ______________________________________________ 35
7. BIBLIOGRAFIA____________________________________________________________________ 37
8. LISTA DE ANEXOS ________________________________________________________________ 38
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
Pantanal Serviços Geológicos e Ambientais Ltda
CNPJ nº 42.750.833/0001-1
Lista de Figuras
Figura 1- Croqui de localização PT 03, situ a av. Paraná / rua Garibaldi, canteiro central bairro centro cidade de
Canarana ________________________________________________________________________________ 8
Figura 2 – Croqui do sistema de abastecimento de água de Canarana - MT____________________________ 10
Figura 3- Detalhe da aplicação de calda de cimento através da coluna de perfuração ____________________ 21
Figura 4 -Detalhe da sapata de cimentação a ser instalada na extremidade inferior do tubo sanitário ________ 22
Figura 5 - Acoplamento de cimentação (haste x sapata de cimentação) _______________________________ 22
Figura 6 - Sapata de cimentação 18". _________________________________________________________ 23
Figura 7 - Sapata de cimentação 18" __________________________________________________________ 23
Figura 8 - Tanque de preparado de calda de cimentação __________________________________________ 24
Figura 9 - Coleta de fluído de perfuração para controle de parâmetros reológicos ( viscosidade, densidade e teor
de areia)________________________________________________________________________________ 25
Figura 10 - Mistudaor de aditivo de fluido de perfuração _________________________________________ 26
Figura 11- Apresentação esquemática de injeção de fluido contra fluxo para descida do pré-filtro __________ 29
Figura 12 - Sistema de injeção de pré-filtro através de tubo auxiliar de 2" e cone de injeção ______________ 30
Figura 13- Dispositivos para medição de vazão durante teste de bombeamento_________________________ 33
Figura 14-Equipamento de proteção individual -EPI _____________________________________________ 36
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
Pantanal Serviços Geológicos e Ambientais Ltda
CNPJ nº 42.750.833/0001-1
Lista de Tabelas
Tabela 1-Locação PT 03 - coordenadas geográficas. ______________________________________________ 7
Tabela 2 - dados hidrodinâmicos a partir dos testes de bombeamento realizados pela empresa DH perfurações em
janeiro de 2022 para Águas de Canarana Ltda __________________________________________________ 15
Tabela 3 - Dados médios dos poços em operação Águas de Canarana - jun/ 2025 ______________________ 15
Tabela 4- Parâmetros mínimos para sonda rotativa hidráulica. ______________________________________ 16
Tabela 5- Parâmetros mínimos para sonda rotativa de mesa. _______________________________________ 17
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
5
Dados Cadastrais
Do Contratante (Interessado)
• Nome/Razão Social: Concessionária Águas de Canarana Ltda – Águas de Canarana
• CNPJ nº:03.875.686/0001-52;
• Endereço: Rua Redentora, nº 78, bairro Centro, Canarana-MT;
• CEP: 78.640-000
• Telefone: (66) 9.8137-0605
• E-mail: murilo.pereira@aguascanarana.com.br
Da Contratada (Empresa Responsável)
• Nome: Pantanal Hidrogeologia
• CREA/MT: 50550/PJ
• Cadastro SEMA nº: 7121
• Endereço: Av Lídio Modesto da Silva, 333, bairro Alvorada, Cuiabá / MT
• CEP: 78048-605
• Telefone: (65) 99613 3866
• E-mail: barrossm50@gmail.com
Equipe Técnica
Nome Profissão CREA N º ART
Geol. Mauricio de Sant’Ana Barros Geólogo 1200681142 1220250164732
Geolª Livia Halle Najm de Sá Geóloga 142171954-1 20254215915
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
6
1. Introdução
Atendendo ao que dispõe ao Pedido de Compra / ordem de serviço (O.S) n° 01.001/2025 de
13/08/2025 , celebrado com o Águas de Canarana Ltda , o presente projeto de poço tubular profundo foi
elaborado em conformidade com as normas ABNT NBR 12212 (Projeto de Poço Tubular) e NBR 12244
(Construção de Poços Tubulares), considerando os aspectos geológicos e hidrogeológicos locais e
regionais para fins de contratação de empresa especializada na perfuração e montagem de poço tubular
profundo – PT 03 situ a Av Paraná, visando suprir a demanda de captação de água subterrânea para
atender ao sistema atual de abastecimento público, a ser interligado ao centro de reservação da Av.
Goiás, onde situa-se o PT 02 já em operação.
2. Objetivo
Elaboração de projeto técnico construtivo do PT- 03 para a contratação de empresa de
perfuração, contemplando os seguintes documentos:
• Locação de Poço tubular
• Estudo do meio físico, caracterizando os aspectos geológicos e hidrogeológicos, das
disponibilidades de recursos hídricos subterrâneos e demais condicionantes do meio físico que
possam impactar na implantação do referido empreendimento.
• Projeto Construtivo de Poço Tubular, com definição das etapas de perfuração, instalação de
revestimentos, desenvolvimento e testes de produção (teste de bombeamento)
• Planilha quantitativa das etapas e materiais a serem aplicados
• Dimensionamento de equipamentos de bombeamento e controle de vazão a serem instalados
• Perfil Litoconstrutivo Previsto
• Termo de Referência para contratação de empresa de perfuração
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
7
3. Localização e locação do poço tubular (PT 03)
O referido poço tubular será perfurado na av. Paraná / rua Garibaldi, área pública no canteiro
central, bairro centro, município de Canarana– MT, conforme anexo I – Mapa de Localização – PT 03,
anexo deste projeto.
A Locação do PT 03 encontra-se nas seguintes coordenadas geográficas, conforme tabela 1
abaixo:
Tabela 1-Locação PT 03 - coordenadas geográficas.
Latitude (S) Longitude (W) Cota Topográfica(M)
13°32’33" 52°16'20” 419,00
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
8
Figura 1- Croqui de localização PT 03, situ a av. Paraná / rua Garibaldi, canteiro central bairro
centro cidade de Canarana
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
9
4. Dados do Sistema de Abastecimento de Água
A cidade de Canarana conta atualmente com sistema de abastecimento de água com cobertura de
100% e coleta e tratamento de esgoto de 0%
O sistema de abastecimento de água é composto de 2 poços tubulares e 01 captação superficial,
totalizando 302 m³/h de produção
Conta com 2000 m³ de reservação distribuído em 3 reservatórios, sendo o reservatório 1 de .400
m³ , reservatório 2 de .600m³ e reservatório 3 de 1.000 m³
O numero de ligações ativas é de 8788 unidades, atendendo a uma população de 28.000 habitantes com
uma cobertura de 100 % da população urbana
A projeção de população é de 6 % ao longo da concessão
As perdas estão na ordem de 25%, devendo ser reduzidas para 20% até o final da concessão.
Com base nestas informações ao sistema de abastecimento vai necessitar de um incremento de 33,3 l/s de
água a ser produzida, que será suprida pela perfuração do PT 03 aqui proposto que terá uma expectativa de
vazão da ordem de 120 m³/h , ou seja 33,33 l/s.
Para a água aduzida do PT 03 a ser perfuradora será efetuado a complementação com simples
tratamento com cloro granular, na chegada das adutoras junto centro de reservação.
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
10
Figura 2 – Croqui do sistema de abastecimento de água de Canarana - MT
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
11
5. Meio Físico
Clima
A região é caracterizada por clima quente e úmido, com precipitação média anual de 1.800 mm,
variando de 1.650 mm a 2.200 mm.
A umidade relativa do ar chega a 86,30% no período chuvoso, podendo cair para 43% na estiagem.
A temperatura média anual é de 33° C com mínimas de 10,3° C e máxima de 42° C nos períodos
mais secos.
Recursos hídricos
O município de Canarana está inserido em duas bacias hidrográficas:
• Ao norte e nordeste é banhando pelos rios inseridos na bacia do rio Xingu, através de seus
afluentes Rio Suiá-Miçu e Alto Xingu de regime pluvial com forte sazonalidade com picos de
cheias entre setembro e maio;
• Ao sul e sudeste as drenagens estão compreendidas na bacia do rio Araguaia, sub-bacia do rio
das Mortes
Relevo
O relevo do município de Canarana caracteriza-se, predominantemente, como suave-ondulado
a ondulado, apresentando setores planos nos interflúvios e dissecação mais pronunciada nas
áreas próximas às drenagens principais. Essa configuração geomorfológica está associada à
evolução do intemperismo sobre litologias sedimentares e metamórficas, com posterior
retrabalhamento fluvial, originando superfícies suavizadas intercaladas por vales encaixados.
Solo
O solo é predominantemente Latossolo (75%) e plintossolos (25%).
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
12
Vegetação
A vegetação do município se constitui em 70% de cerrado e 30% de mata.
Geologia
O município de Canarana encontra-se inserido na bacia sedimentar do Paraná, de característica
intracratônica, com deposições sedimentares e vulcanismos ocorridos entre os períodos
paleozoico e mesozoico, repousando sobre as rochas sedimentares e de baixo metamorfismo do
cinturão Paraguai Araguaia, onde ocorrem depósitos de sedimentos marinhos e continentais de
idade Paleoproterozóico a fanerozóica.
Sobre as mesmas, podem ocorrer coberturas do terciário/quaternário de sedimentos fluviais e
flúvio lacustres, associados a formação Ronuro e depósitos aluvionares
Localmente a bacia do Paraná está representada por duas unidades Litoestratigráficas a seguir:
Formação Furnas
Constituído predominantemente por arenitos médios a grosseiros, esbranquiçados, imaturos e
cimentação por caulinita. Na sua base ocorrem camadas de arenitos conglomeráticos,
quartzosos, arenitos siltosos micáceos, interdigitações com argilitos, siltitos e folhelhos.
Apresenta estratificação cruzada planar como estrutura sedimentar principal e de forma
localizada, estratificação plano-paralela. Estas estruturas foram originadas por fluxo aquoso
responsável também pela formação de marcas onduladas, localmente observadas.
É considerada como depósito resultante de transgressão marinha ocorrida sobre terreno de
relevo suave, em que o transporte e a deposição de detritos foram realizados sob influência de
correntes relativamente fortes, em águas rasas e em condição de lenta subsidência. Sua área de
ocorrência compreende parte dos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná
e São Paulo, num total de 24.894 km².
A espessura média aflorante é de 100 m, enquanto na porção confinada, pode alcançar até 180
m.
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
13
Seu contato inferior é uma superfície erosiva com unidades mais antigas e superior é
transicional para os folhelhos da Formação Ponta Grossa.
Formação Ponta Grossa
Representado pelos litotipos pelíticos finos de deposição marinha constituídos por folhelhos
cinza fossilíferos, siltitos cores variadas e intercalações de arenitos finos oriundos de ação de
ondas de plataforma rasa.
Apresenta espessura média de 350 metros, tendo espessura máxima registrada de 799 metros
em um poço da Petrobras em Alto Garças denominado de 2-AG-1-MT.
Formação Ronuro
Recobrindo e capeando discordantemente estas formações ocorrem os sedimentos
inconsolidados, constituídos de areias, argilas e cascalhos, além de lateritas, que foram
depositados em depressões tipo sinéclise a partir de intensa erosão no Plioceno, que
desmantelou a crosta laterítica formada no inicio do terciário.
Geologia Estrutural
Os sedimentos da bacia do Paraná apresentam-se estruturados em arqueamentos
marginais e interiores, com extensas deformações estruturais, como arcos, flexuras e sinclinais,
que são classificados como arqueamentos marginais e interiores, além de embaciamentos.
O controle estrutural é representado por alinhamentos do embasamento, que controlam
a distribuição da sedimentação, manifestando-se em falhamentos sindeposicionais e na
distribuição assimétrica da coluna sedimentar
Hidrogeologia
A cidade de Canarana está inserida hidrogeologicamente no aquífero Furnas de natureza
sedimentar, poroso, localmente encontra-se na condição de confinado, com espessura média
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
14
prevista de 120 metros, tendo seu topo confinado pela formação Ponta Grossa, que localmente
apresenta uma espessura média de 160 a 200 metros e sua base confinada em sedimentos
argilosos da formação Diamantino.
Poderá apresentar porosidade primaria reduzida quando identificada a presença de cimentação
caulínicas. Entretanto, a existência de estruturas rúpteis secundárias e a dissolução do cimento
caulinítico por processos supergênicos atenuam este aspecto e conduzem a uma variação
expressiva nas características hidráulicas e consequentemente nas vazões de explotação. A
geração de porosidade secundária eleva o potencial para produção de água de boa qualidade,
entretanto, há também o aumento da vulnerabilidade
do aquífero à contaminação. Segundo estudo da Agência Nacional de Águas (ANA, 2005), as
reservas renováveis do aquífero Furnas são da ordem de 143 m³/s e as reservas explotáveis
são estimadas em 28,6 m³/s.
Na porção confinada do aquífero, as vazões específicas do aquífero variam de 0,4 a 8,3
m³/h/m, sendo que as registradas nos poços operados pela Águas de Canarana situam-se entre
1,68 m³/h/m (PT 01) e 2,06 m³/h/m (PT 02), resultando numa vazão específica média de 1,90
m³/h/m. A transmissividade varia de 10 a 468 m²/dia. Os valores mais elevados (acima de
100m²/dia) são encontrados somente em poços nas cidades de Coxim e Rio Verde, ambas em
Mato Grosso do sul.
Para todo a ocorrência do aquífero Furnas é admito um potencial hidrogeológico da
ordem de 3,6 L/s/km², definido a partir dos dados de vazão mínima por área da bacia
(Q7,10/km2) cuja superfície tem como predomínio o aquífero Furnas.
Quanto aos parâmetros hidrodinâmicos esperados, foram analisados os testes de
bombeamento realizados nos poços PT 01 e PT 02 que atendem ao sistema de abastecimento
de água de Canarana, únicas informações confiáveis e disponíveis e são apresentados na tabela
abaixo.
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
15
Tabela 2 - dados hidrodinâmicos a partir dos testes de bombeamento realizados pela empresa
DH perfurações em janeiro de 2022 para Águas de Canarana Ltda
6. Especificações para perfuração
Este Poço será construído atendendo as Normas da ABNT NBR – 12.212 – Projeto Construtivo de
Poço Tubular, NBR – 12.244 – Construção de Poço Tubular, estando apresentado os detalhes
Litoconstrutivo no Anexo IV – Perfil Construtivo de poço tubular PT 03, Anexo V – layout de Tanques
e Sonda PT 03, tendo os seguintes parâmetros e exigências técnicas:
Aquíferos e Vazão a ser explorada
• Aquífero: Formação Furnas
• Características: confinado, em meio poroso de extensão regional
• Expectativa de Vazão: 120 m³/h para um rebaixamento estimado de 63 m, resultando uma
expectativa de vazão específica média de 1,90 m³/h/m.
Tabela 3 - Dados médios dos poços em operação Águas de Canarana - jun/ 2025
PARÂMETROS HIDRODINÂMICOS MÉDIOS POÇOS EM
OPERAÇÃO PT 01 e PT 02
Parâmetros Intervalo Média Aritmética
Profundidade (m) 240 a 300 270
Vazão (m³/h) 45 a 120 82,50
Vazão especifica (m³h/m) 1,68 a 2,06 1,90
Cota Piezométrica NE (m) 313 a 313,26 313,12
Cota Nível Dinâmico ND
(m)
286 a 253 269,50
Rebaixamento - S (m) 25,72 a 59,85 34,13
Fonte: Águas de Canarana
Terreno NE(Piezométrico) ND topo Aquifero
1 237,00 426,00 312,65 286,00 270,00 26,65 45 1,688555
2 306,00 423,00 313,26 253,41 263,00 59,85 123,4 2,061821
fonte: testes bombeamento executados pela DH perfurações em 2022
Qesp
(m³/h/m
POÇO
Nº
Profundidade
(m)
DADOS HIDRODINAMICOS DOS POÇOS AGUAS CANARANA
Cota topografica (m) Rebaixamento -
S (m)
vazão (Q)
m³/h
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
16
Perfuratriz e Equipamentos de Perfuração
Para atender as exigências de projeto, como profundidade e diâmetros de perfuração, além
de necessidade de atravessar as camadas mais competentes, como os arenitos silicificados, a
perfuratriz deverá ter as seguintes capacidades mínimas para
• Sonda Rotativa Hidráulica (Rotopneumatica):
Painel de controle equipado de medidores de RPM, Peso Sobre Broca, Torque, Pressão de Trabalho,
dentre outros e demais itens expostos na tabela 6 abaixo.
Tabela 4- Parâmetros mínimos para sonda rotativa hidráulica.
ITEM CAPACIDADE MÍNIMA
Torque Saída Cabeçote 400 kgf/m
Pull-Back (Força de Retrocesso) 8.000 kgf
Pull-Down (Força de Avanço) 4.500 kgf
Rotação de Cabeçote 80 RPM
Capacidade Guincho Linha Simples 3.000 kgf
Curso Cabeçote 6,50 m
Capacidade Perfuração Haste OD 4.1/2” 350 m
Potência de Acionamento Mínimo 78 CV
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
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• Sonda Rotativa de Mesa:
Painel de controle equipado de medidores de RPM, Peso Sobre Broca, Torque, Pressão de Trabalho,
dentre outros e demais itens expostos na tabela 7 abaixo.
Tabela 5- Parâmetros mínimos para sonda rotativa de mesa.
ITEM CAPACIDADE MÍNIMA
Capacidade de Carga do Mastro 40 t
Capacidade de Carga no Guincho – Linha Simples 8.000 kgf
Passagem da Mesa Rotativa 8.1/2”
Passagem Interna do Swível 3”
Capacidade de Carga do Swível 40 t
Capacidade Guincho Duplo 40 t
Kelly Retrátil Extensão Mínima 9 m
Capacidade Perfuração Haste OD 4.1/2” 350 m
Potência de Acionamento Mínimo 140 cv
Número Polias Bloco de Coroamento 6 unid.
7.2.1 Outros acessórios necessários e indispensáveis:
• Mordente Hidráulico;
• Morsa (chave) hidráulica para liberação e rosqueamento de coluna de perfuração
e revestimento.
• Chave de corrente para tubos de até 18”
• Abraçadeiras de 8” e 18” para tubos de revestimento
• Elevadores de 8” e 18” para tubos de revestimento
7.2.2 Coluna de Perfuração contendo:
• 200 m de Drill Pipe (DP) - tubo de perfuração: DE- 4.1/2”; DI- 3,958”; PN- 13,75
lb/pé, resistência a colapso de 5.190 psi, resistência a pressão interna de 9.150
psi;
• 12 m de Drill Collar (DC) - comandos DE 6.3/4” DI 3.1/2” mínimo)
• Brocas de dentes de aço nos diâmetros 26” e 12.1/4”
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
18
• Brocas dentes de Tungstênio em diâmetros de 12.1/4”, 20”
7.2.3 Sistema de Fabricação e circulação de fluido de Perfuração:
Bomba de lama com Backup centrifuga ou de pistões, Q mínima de 80 m³/h,
pressão de trabalho de 250 psi;
Tanques de acumulação de Fluido com capacidade total de 2x o volume
previsto do espaço anular a ser perfurado, podendo ser tipo Fossa (parede em
alvenaria) ou preferencialmente em aço sobre Skyd dividido em três
compartimentos: Tanque de Sucção e bombeio, Tanque de Preparo de fluido
e tanque de decantação e limpeza;
Funil de mistura de aditivos acoplado a bomba centrifuga;
Sistema de limpeza e retirada de sólidos preferencialmente constituído de
Peneiras vibratórias e desareadores, além de calhas de decantação;
Caminhão PIPA para abastecer com água os tanques de fluido
Tanque de 20 m³ para Reservação de água no canteiro.
7.2.4 Equipamentos de controle e monitoramento do Fluido fabricado e em circulação:
Copo e Funil Mash
Medidor de pH (0-14) e dureza total (fitas ou Kits reagentes para Campo)
Balança de densidade em lb/gal ou cm³/kg
Kit Medidor de areia
7.2.6 Equipamentos de injeção de ar comprimido (desenvolvimento de poço tubular):
• Compressor de ar de alta performance com as seguintes características:
➢ Pressão de trabalho entre 10 a 25 bar (140 a 360 psi);
➢ Vazão de 700 a 1000 PCM.
• Mangueira de alta pressão de 5.000 PSI x 3” para conexão Compressor coluna
de perfuração em engate rápido
Perfuração de poço tubular
7.3.1 CANTEIRO DE OBRAS: A instalação do canteiro de obras, deverá seguir o proposto no
anexo VII – Lay Out de tanques e sonda PT 03 e conforme subitens a seguir:
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
19
7.3.1.1 Base para instalação de sonda: Deverá a contratada providenciar a limpeza da área,
nivelamento e compactação do terreno, instalação de calhas para contenção de óleos
e graxas.
Em caso de constatar que o solo seja muito friável e não suporte o peso da sonda e
seus periféricos recomenda-se a execução de base em concreto com dimensões (8,0
m x 3,0 m x 0,30 m), estruturada em grelha de malha de ferro Ø 4,20 mm 15 x 15 cm,
painel 2m x 3m e traço cimento: areia: brita (1:2:3) ou concreto usinado. Aguardar
pega e cura do Concreto por no mínimo 72 horas. Recomendável 7 (sete) dias. As
dimensões da base poderão ser maiores a depender o layout da sonda a ser instalada.
7.3.1.2 Canteiro de obras: providenciar a limpeza e nivelamento do terreno e apresentar
quando da emissão da ordem de serviços o layout completo de como será a disposição
dos equipamentos, alojamentos, almoxarifado, WC, área de recebimento de tubos e
pré-filtro, etc.
7.3.1.3 Tanques de lama e canaletas de circulação de fluidos: deverão ser execução em
alvearia de tanques de lama e calhas de circulação de fluido. Os tanques de lama
deverão ter no mínimo 1,5 x o volume a ser perfurado no maior diâmetro (reabertura).
Para este poço tubular está prevista a perfuração em 26” x 50 m, que resulta em um
volume de 17 m³ (Etapa I- instalação tubo sanitário) e 20” x 250 metros, que resulta
em um volume de 60 m³(para instalação do revestimento de produção), totalizando
um volume total de 77 m³ de sedimento a ser retirado durante a perfuração.
Recomenda-se a construção de no mínimo 03 tanques (anexo VI), sendo T1 tanque
de decantação com dimensões (3mx3mx2m) volume de 18 m³. T2 tanque de limpeza
fluido onde deve ser instalado a sucção dos desareadores, com dimensão
(1mx3mx2m) – volume de 6 m³ e T3 tanque de Sucção (3m x 2m x 2m), volume de
12 m³, onde devem ser instaladas a sucção da bomba de recalque e também o sistema
de mistura (funil e jateadores) de aditivos de perfuração. As calhas e canaletas de
circulação de fluido deverão ser em alvenaria com altura mínima de 0,30 m e largura
0,50 m, declividade 0 graus, em parede de alvenaria e com caixas de decantação
intermediarias de 1mx1m x 0,50m, conforme destruição do layout proposto.
7.3.1.4 Sistema de extratores de sólidos: deverão ser instalados com sucção no tanque T2 e
descarte no T3 composto de desareadores, com bomba de recirculação exclusiva para
o funcionamento do mesmo;
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
20
7.3.1.5 Instalação de Contêiner almoxarifado, área de convívio/ ponto encontro, sanitários,
placas de sinalização, telas de segurança e isolamento do local de perfuração (Tipo
Tapumes e /ou similar). O acesso será permitido apenas aos operadores e fiscalização.
7.3.1.6 Carga e descarga de equipamentos e materiais;
7.3.2 – Parâmetros mínimo de perfuração recomendados: com base nos litótipos a serem
perfurados recomenda-se os seguintes parâmetros para perfuração:
I. Peso sobre broca:
▪ 26” - Rotação de 60 RPM; Peso entre 10.000 lbs e 75.000 lbs
▪ 20” –Rotação de 60 RPM; Peso entre 10.000 lbs e 75.000 lbs
▪ 12.1/4” – Rotação de 60 RPM; Peso entre 20.000 lbs e 50.000 lbs
II. Avanço da Perfuração:
▪ Poderá variar conforme a necessidade de descarga dos detritos de perfuração em superfície
e melhorar a limpeza do furo.
▪ Adota-se os seguintes parâmetros mínimos de acordo com a dureza do litótipo que está
sendo perfurado;
- Formações moles e friáveis: de 10 a 15 m/h
- Formações médias: de 6 a 10 m/h;
- Formações duras: de 04 a 06 m/h
7.3.3 Cimentação:
Está prevista a cimentação do espaço anular de 0 a 50 metros com fins de isolamento
sanitário, devendo preencher o espaço entre o furo de Ø 26” e o tubo Sanitário Ø22”,
perfazendo um total de 5 m³ de volume a ser cimentado.
Cálculo da calda de cimento a ser injeta:
Volume Furo Ø 26” = 338 litros/m x 50 m = 17.000 l ou 17 m³
Volume tubo Sanitário Ø 22” = 24 l/m x 50 m = 12.000 ou 12 m³
Volume a ser cimentado (espaço anular) = 17 – 12 = 5 m³
Considerando as perdas serão necessários o preparo de 5,50 m³ de calda de cimento a ser
injetada.
Calculo do cimento:
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
21
Nº sacos de Cimento = Volume a cimentar (litros) / 45,90 = 5.500 l / 46 = 120 sacos (120
sacos de cimento serão necessários);
Volume de água a ser aplicada na calda a ser preparada:
Volume água = nº sacos cimento x 30 = 120 x 30 = 3.600 litros de água
O preparado da calda de cimento deverá ser em tanque apropriado com agitador e bomba
com saída para acoplamento no sistema de circulação de fluido de perfuração da sonda ou
providenciar tubulação de injeção de cimento individual sem passar pela cabeça de
perfuração da sonda (Top Drive ou Swível)
O método a ser aplicado a pasta de cimento será a injeção pressurizada com uso de válvula
de fundo conforme demonstram as figuras abaixo:
Figura 3- Detalhe da aplicação de calda de cimento através da coluna de perfuração
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
22
Figura 4 -Detalhe da sapata de cimentação a ser instalada na extremidade inferior do tubo
sanitário
7.3.3.1 Procedimento para executar a cimentação espaço anular (selo sanitário):
• Preparar a pasta de cimento + água em tanque de mistura na proporção de 100 kg de
cimento x 95 litros de água, resultando em uma densidade de 14,50 lb/gal
• Após a homogeneização conferir o peso da pasta (manter em 14,50 lb/gal)
• Deslocar a pasta de cimento pelo interior da coluna de perfuração mediante aplicação
de sapata com válvula (figura 6) para evitar retorno no momento que cessar o
deslocamento da pasta de cimento;
• Após a conclusão da cimentação lavar bem com água limpa toda a coluna de
perfuração e bomba de lama
• Aguardar pega por no mínimo 48 horas
Figura 5 - Acoplamento de cimentação (haste x sapata de cimentação)
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
23
Figura 6 - Sapata de cimentação 18".
Figura 7 - Sapata de cimentação 18"
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
24
Figura 8 - Tanque de preparado de calda de cimentação
7.3.4 Fluido de perfuração:
▪ Utilizar preferencialmente água de poços existentes sem cloração.
▪ Medir periodicamente o pH e dureza e corrigir com barrilha leve;
▪ Medir periodicamente durante a perfuração: densidade, teor de areia
▪ Composição do fluido:
➢ Fase I – Ø 26” :0 – 50 m (instalação Tubo sanitário 22”)
Parâmetros: pH – 8-10
Viscosidade Marsh- 38 a 40 segundos
Densidade (peso) - 8,6 a 9 ppg7
Composição: 0,50 kg/m³ Barrilha Leve
25 kg/m³ Bentonita Sódica Aditivada
➢ Fase II – Ø 12.1/4” :50 a 300 m (furo piloto)
Parâmetros: pH – 8-10
Viscosidade Marsh- 38 a 42 segundos
Densidade (Peso) - 8,7 a 9,3 ppg
Teor Areia- < 3%
Composição: 0,50 kg/m³ Barrilha Leve
3 a 5 kg/m³ CMC (Carboximetil- celulose Alta Viscosidade)
➢ Fase III– Ø 20” :50 a 300 m (reabertura para descida de revestimento)
Parâmetros: pH – 8-10
Viscosidade Marsh- 38 a 42 seg
Densidade (peso) - 8,6 a 9,5 ppg
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
25
Teor de areia: <ou = 3%
Composição: 0,50 a 1 kg/m³ Barrilha Leve
3 a 5 kg/m³ CMC (Carboximetil- celulose Alta Viscosidade)
OBS: Caso a viscosidade e /ou densidade se eleve por incorporação de argila descartar o fluido ou diluir
com água;
O teor de areia acima de 3%. Parar a perfuração, executar a limpeza ou trocar o fluido;
Perda de circulação: reduzir o peso do fluido, manobrar a coluna para 12 acima do ponto de
perda, reduzir a vazão de bombeamento para ¼ da vazão, injetar aplicar polímeros expansivos. (Fibra
somente mediante autorização fiscalização) e deixar em repouso por no mínimo 30’.
Reiniciar a circulação e descer a coluna lentamente até atingir o ponto e aguardar a circulação
ser reestabelecida.
Reestabelecida a circulação ir aumentando gradativamente a vazão de bombeio;
Figura 9 - Coleta de fluído de perfuração para controle de parâmetros reológicos ( viscosidade,
densidade e teor de areia)
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
26
Figura 10 - Mistudaor de aditivo de fluido de perfuração
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
27
Descida e instalação de revestimento, filtros e pré-filtro
6.1.1. Fase I- Tubo Sanitário 22”:
O revestimento sanitário deverá ser instalado no início da perfuração, antes do início do
furo piloto de 12.1/4”, devendo o mesmo ter uma extensão mínima de 50 metros, dado ao risco de
caimento de sedimentos inconsolidados e argilas expansivas que podem comprometer a perfuração em
atingir o aquífero confinado.
Sua função é isolar as entradas de águas do lençol freático mais suscetíveis as
contaminações por ação antrópica como esgotos, chorumes, etc, e manter estável o furo em intervalos
de rochas muito instáveis e inconsolidadas previstas até esta profundidade, sendo instalados e
executados os seguintes itens:
1. Tubo Sanitário aço SCH 10, espessura 6,35 mm, peso teórico 86,40 kg/m² Ø 22 "
2. Para a cimentação deverá seguir as instruções do item 7.4.3 deste projeto
3. Aguardar pega por no mínimo 24 horas.
6.1.2. Fase II- Revestimento de produção 8”:
Após a conclusão da reabertura de Ø 20”, deve-se iniciar o condicionamento do poço, mantendo
o fluido de perfuração com viscosidade entre 35 a 38 segundos, densidade máxima de 8,7 e ppg, teor de
areia abaixo de 3%.
Descer a coluna de revestimento com centralizadores a cada 20 metros não instalando em seções
de filtros
1. Tubo Geomecânico Standard 250 mm (10”), parede 15 mm, pressão colapso 7 kgf/cm²,
juntas rosqueáveis resistência a tração de 190.000 N
2. Filtro Geomecânico Standard 250 mm (8”), parede 15 mm, pressão colapso 6 kgf/cm²,
juntas rosqueáveis resistência a tração de 190.000 N, abertura 0,75 mm, vazão por metro
linear de 7 m³/h
3. Pré-filtro selecionado tipo Paraná granulometria de 1-2 mm em grãos de quartzo,
arredondados a subarredondados
4. Centralizadores a cada 20 m de coluna em 10”x 19” x aço bitola 5/8”.
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
28
Fase III - Injeção de Pré-filtro (Procedimentos básicos):
.
Após descida do revestimento descer a coluna de perfuração sem broca para efetuar a retrocirculação durante a descida do pré-filtro, até atingir 2 metros do fundo do poço e/ou 1(um) metro abaixo
do primeiro filtro após o tubo de decantação de fundo de poço, como apresentado na Figura 11.
Antes de iniciar a descida do pré-filtro circular por ½ hora dispersante (Hexametafosfato ou
similar), afinando a lama para 30 a 35 segundos, na razão de 5 a 10 kg/ m³ hexametafosfato por volume
contido no poço ou MOL 2 na proporção de 2,5% do volume de fluido aplicado (considerar o volume
interno do furo e o volume de tanques de preparo.
O pré-filtro deverá descer com circulação reversa e/ou retro circulação, com auxílio de tubulação
auxiliar de descida de pré-filtro, instalada entre o revestimento e a parede do poço a uma profundidade
mínima de 18 metros.
Esta tubulação deverá ser em FºG° em diâmetro de 2”, conforme demonstrado na Figura 12
Iniciar a descida do pré-filtro através do cone de injeção acoplado no tubo auxiliar de 2” e com
auxílio de água ou lama de perfuração já afinada, mantendo o contra fluxo através da coluna de
perfuração.
A velocidade de descida de pré-filtro deverá ser da ordem de 2 a 3 m³/h a fim de evitar a
formação de pontes e embuxamentos do cascalhado.
Após cessar o contra fluxo pelo espaço anular, indicando que a última secção de filtros está
coberta pode-se interromper o bombeamento e proceder a descida do pré-filtro a uma velocidade de 3 a
4 m³/ hora.
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
29
Figura 11- Apresentação esquemática de injeção de fluido contra fluxo para descida do préfiltro
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
30
Figura 12 - Sistema de injeção de pré-filtro através de tubo auxiliar de 2" e cone de injeção
6.1.3. Fase IV- Revestimento de aço carbono Ø 12” (apoio de bomba submersa e cavalete)
O revestimento de apoio para a instalação de bomba submersa e cavalete do poço tubular, para
fins de operação do mesmo, deverá ser instalado após o termino da descida do pré-filtro e constatada
que o mesmo já tenha sido acomodado de modo que não ocorra submergência do mesmo.
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
31
O mesmo deverá ter um comprimento de 5 metros abaixo do nível da superfície e no mínimo
0,70 m acima da superfície, com no mínimo 0,20 m acima da cota de boca do revestimento geomecânico
de produção Ø 8”, em conformidade com os detalhes apresentados no anexo VI – Detalhe da cabeça
do poço- PT 03.
O mesmo deverá ser fixado em base de concreto no espaço anular entre o tubo sanitário e o
revestimento de produção.
Outras condições:
1. Tubo aço carbono, chapa bitola GSC 3/16” x 4,75mm peso teórico 38 kg/m²
2. Para a cimentação deverá seguir as instruções do item 7.3.3.1 deste projeto, porém sem
uso de sapata de cimentação, sendo o mesmo injetado por gravidade, pelo acesso no espaço
anular na superfície (base de perfuração e revestimento de produção (tubo geomecânico Ø 10”)
3. Aguardar pega por no mínimo 48 horas.
Perfilagem geofísica após conclusão de perfuração
A perfilagem geofísica deverá ser providenciada para a definição exata dos intervalos de filtros a serem
instalados de forma a
Serviços de perfilagem a serem realizados:
IEL – resistividade e SP
GR – Raios Gama API
BCS – Sônico – Porosidade
XYC – Perfil Caliper
Perfil de interpretação computadorizado Hidro-LOGTM
Desenvolvimento, limpeza e desinfecção
Concluída a perfuração procede-se o desenvolvimento do poço tubular soprando o fundo, com
a própria coluna de perfuração, iniciando a limpeza a partir da primeira secção de filtros entre 40 – 50
metros e ir descendo até a limpeza total da secção revestida (fundo do poço).
O desenvolvimento deve durar até que não mais se observe presença de detritos de perfuração
e a água esteja com cor e turbidez próximos dos padrões de potabilidade estabelecidos na portaria MS
2914/2011, uma vez que tais parâmetros serão verificados através de resultados analíticos de amostras
encaminhadas a laboratório competente. Ao término do desenvolvimento deve-se efetuar uma avaliação
estimada de vazão para definir a bomba a ser utilizada no teste de bombeamento.
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
32
Após constatada a redução de cor e turbidez da água bombeada, faz-se nova aplicação de
desincrustante, preferencialmente o MOL 2 na proporção de 5% do volume interno do poço tubular,
circulando se possível com jateamento dos filtros.
Deixar em repouso por no mínimo 6 horas e posteriormente bombear com compressor de ar até
que os parâmetros de cor (abaixo de 15 UC) e turbidez (abaixo de 5 NTU), estejam dentro dos
parâmetros de qualidade de água potável
Após o desenvolvimento deve-se proceder com a desinfecção do poço tubular com cloro
granulado (HTH a 1,5%) ou outro produto definido pela fiscalização. A aplicação de solução deverá ter
a concentração mínima de 2L/m³ de água contida no poço, aplicado através de recirculação por ½ hora
com descanso mínimo de 4 horas, descartando logo após.
Concluído o desenvolvimento manobra-se a coluna de perfuração e o poço será lacrado com
tampa sanitária até a instalação de equipamento de bombeamento.
Perfilagem endoscópica de Poço Tubular (filmagem)
A perfilagem endoscópica (filmagem interna do poço tubular) deverá ser providenciada para a
inspeção interna do revestimento e conferencia dos intervalos de filtros, se o desenvolvimento foi
adequado e serve como ferramenta de confirmação de profundidade e materiais empregados na
instalação do revestimento, bem como garantir a estanqueidade e condições de bombeamento do poço
recém construído.
A câmera de filmagem deverá ter capacidade de filmagem mínima de 350 metros, giro de 360 graus,
erro máximo de 0,05 m / 100 metros
Teste de Produção (Bombeamento e ensaio de recuperação)
A execução do teste de produção (ensaio de bombeamento e de recuperação), tem por finalidade
determinar a vazão de explotação e as perdas de cargas totais que ocorrem no poço. Para a realização
do mesmo devem ser observados os equipamentos mínimos necessários.
• Bomba submersa para atender a vazão e altura manométrica do projeto
• O perfurador deverá dispor de bomba submersa para vazão de 120 m³/ h x 180
MCA) 100 CV trifásica, com seu respectivo painel de comando;
• Tubo Edutor mínimo 5” –mínimo 230 metros;
• Cavalete dotado de dispositivo para medir vazão (Hidrômetro ou Escoador de orifício
circular com tubo PITOT (Figura 13), registro, curvas e demais conexões;
• Tubo auxiliar de 3/4” em PVC para medir nível d’agua, mínimo 230 m;
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
33
• Medidor de nível com medida milimétrica capacidade mínima de 250 metros;
• Disponibilizar energia em tensão e corrente compatível com a potência da bomba a ser
instalada. Quando não disponível o perfurador deverá providenciar a Locação de
Grupo Gerador compatível com a bomba a ser instalada, pelo período mínimo de 72
horas.
• Cabo elétrico para atender a capacidade da bomba instalada;
• Equipamento de medição de vazão tipo Pitot ou medidor ultrassônico compatíveis com
a vazão de projeto mínima de 120 m³/h;
Figura 13- Dispositivos para medição de vazão durante teste de bombeamento
Procedimento:
O teste de bombeamento deverá ser realizado nas seguintes etapas:
1. Vazão total: 24 horas ininterruptas e/ou no mínimo 6 horas após estabilização de Vazão e nível
dinâmico;
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
34
2. Ensaio de recuperação até atingir 90% da recuperação do rebaixamento;
3. Ensaio vazão escalonado, onde Q1<Q2<Q3<Qn, devendo a vazão (Q) ser mantida constante em
cada etapa de bombeamento. Para este ensaio são sugeridas no mínimo 4 (três) etapas de no
mínimo 1 hora para cada intervalo e sem interrupção do bombeamento, desde que o ND esteja
estabilizado. Recomenda-se os intervalos de 25, 50 e 75 e 100 % da vazão total obtida no teste
de produção. Para proceder estes intervalos de teste escalonado recomenda-se o uso de inversor
de frequência acoplado ao painel de comando da bomba de teste.
Montagem de poço tubular – Equipamentos de bombeamento e cavalete
O PT 03 deverá será equipado com bomba, cabos, edutores e componentes do cavalete
fornecidos pela Águas de Canarana, devendo o perfurador disponibilizar ao final do teste de
bombeamento equipamentos de montagem e seus acessórios, bem como equipe técnica para as
instalações do mesmo.
Coleta e análise de água:
A coleta de água para análise de potabilidade deverá ser efetuada após a desinfecção do poço
tubular e findo os testes de bombeamento e ensaio de recuperação.
Análise de água físico-químico e bacteriológico deverá atender o que está definido na TR
12/SURH/SEMA/MT e elementos constantes na tabela 1 da referida TR e a Portaria do GM/MS Nº 888,
DE 04 DE maio de 2021, que dispõe sobre os procedimentos de controle e de vigilância da qualidade
da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade.
EPI’s necessárias: Jaleco branco, óculos de proteção, protetor auricular, touca e máscara
• Os equipamentos de coletas, bem como os materiais utilizados para amostragem (canecas,
Jarras, baldes, coletores) devem ser transportados protegidos, evitando a possível contaminação
cruzada – Favor solicitar ao laboratório que irá receber e efetuar as análises os frascos e
reagentes necessários, bem como a embalagem de transporte.
• Rotular os frascos com suas respectivas identificações (nome do cliente, data, local de coleta,
tipo de amostra coletada);
• Anotar a data, hora, local de coleta da amostra, as determinações de campo e as condições
climáticas no ato da amostragem (tempo bom quando presença de sol, tempo chuvoso quando
presença de chuva, tempo nublado quando tempo fechado sem presença de chuva e sol ou
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
35
tempo instável quando por hora chove e por hora faz sol), na Requisição de Análise ou na ficha
de coleta conforme PP.COL. POP2. F12 (equivalente ao plano de amostragem);
• Após a coleta, acondicionar os frascos ou bolsas coletoras em caixa de isopor contendo gelo
e enviá-las ao laboratório. As amostras devem estar no laboratório em prazo máximo de 24
horas;
• Realização:
✓ Providencie a desinfecção da torneira de coleta com álcool a 92°
✓ Após a desinfecção deixar a torneira totalmente aberta por 5 (cinco) minutos
✓ Efetuar a coleta pelos frascos maiores para analise físico-químico e posterior o frasco
para analise bacteriológico
✓ Verificar se os frascos estão bem fechados e devidamente vedados para o transporte
✓ Proceder o transporte até o laboratório.
Serviços Complementares
Após a conclusão da perfuração e teste deve-se proceder a confecção de Laje de proteção
conforme especificado em projeto, limpeza e restauração da área, retirada dos detritos de perfuração,
recolocação e nivelamento do solo.
Equipamentos de Proteção Individual (EPI’S)
Para todas as etapas de perfuração serão exigidos da equipe e demais pessoas que estiverem no
canteiro de obras o Uso das EPI’s mínima:
Protetor Auricular, Óculos, luvas de PVC para manuseios com Produtos de fabricação de lama,
luva couro para operação de perfuração e testes, bota cano longo com bico de aço (equipe de perfuração),
demais bota cano curto biqueira simples, uniforme com faixa refletiva, Cinturão para acesso a altura,
dentre outros.
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
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Figura 14-Equipamento de proteção individual -EPI
____________________________
Mauricio de Sant’Ana Barros
Geólogo
CREA nº 1200681142
Assinado digitalmente por MAURICIO DE SANT ANA
BARROS:27502422153
ND: C=BR, O=ICP-Brasil, OU=Certificado Digital PF
A1, OU=Presencial, OU=34266276000138, OU=AC
SyngularID Multipla, CN=MAURICIO DE SANT ANA
BARROS:27502422153
Razão: Eu sou o autor deste documento
Localização:
Data: 2025.08.27 20:54:08-03'00'
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MAURICIO DE
SANT ANA
BARROS:275
02422153
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
7. Bibliografia
Norma Técnica de Projeto de Poços ABNT NBR 12.212 –Projeto de Poço Tubular e NBR 12244 –
Construção de Poços Tubulares
ALMEIDA, F. F. M. de. Geologia do Centro-Oeste Mato-Grossense. In: Boletim da Divisão de Geologia
e Mineralogia. Rio de Janeiro, 1964. 215p.
FERNANDO A. C. Feitosa, João Manoel Filho (1997) – Hidrogeologia – Conceitos e Aplicações.
LACERDA FILHO, Joffre Valmório de, (2004) – Geologia e Recursos Minerais de Mato Grosso,
CPRM.
MIGLIORINI, R. B.; APOITIA, L. F. M.; SILVA, J. J. F. Hidrogeologia da Região de Cuiabá – MT e
Aspectos do Arcabouço Institucional e Legal das Águas Subterrâneas. Coletânea geológica de
Mato Grosso, v.3, p. 21-36. 2007.
MIGLIORINI, R. B.; BARROS, M. S.; APOITIA, L. F. M.; SILVA, J. J. F.; Diagnóstico Preliminar das
Principais Províncias Hidrogeológicas do Estado de Mato Grosso: Uma Proposta de Mapa
Hidrogeológico de Reconhecimento. Coletânea geológica de Mato Grosso, v.3, p. 37-49. 2007.
Prominas Brasil S/A , 1988 – projeto de perfuração de poços tubulares
PROJETO CONSTRUTIVO DO POÇO TUBULAR PROFUNDO PT 03
8. Lista de anexos
Anexo I – Mapa de localização PT 03
Anexo II - Mapa geológico PT 03
Anexo III – Descrição do Aquífero PT 03
Anexo IV – Perfil Construtivo de poço tubular PT 03
Anexo V– Layout de Tanques e Sonda PT 03
Anexo VI – Planilha Quantitativa e orçamentaria PT 03
Anexo VII – Cronograma de obra/ perfuração PT 03
Anexo VIII – Planilha Teste de bombeamento modelo
Anexo IX – ART Mauricio Barros
Anexo X – ART Livia Halle