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materia nº 10/2021

Tipo Moção de Pesar
Número / Ano 10 / 2021
Date 2021-04-16
EmentaMoção de Pesar nº 010/2021 - À família do Bebê Vicente Marestoni Simões Gonzaga, pelo seu falecimento, ocorrido no dia 28 de março do 2021.
native_id1547

Autoria

Tramitação (latest 1)

DateStatusTurnoTexto
2021-04-30 Proposição em Discussão Única Tramitando.

Votações

DateResultadoSimNãoAbst.
2021-05-07T16:42:54.772830-04:00 Aprovado 9 0 0

Documents (1)

texto original #

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MOÇÃO DE PESAR Nº 010/2021.
Senhores Vereadores,
Nos termos do Regimento Interno, requeiro à Mesa, uma vez ouvido o 
soberano Plenário, que se encaminhe Moção de Pesar à família do Bebê VICENTE 
MARESTONI SIMÕES GONZAGA, pelo seu falecimento, ocorrido no dia 28 de 
março de 2021. 
Vicente Marestoni Simões Gonzaga, nasceu em Juara-Mato Grosso 
em 31 de Agosto de 2019, às 14h07 de um sábado ensolarado.
No dia seguinte ao nascimento, depois de alguns sinais como por 
exemplo: ter nascido roxo, ter chorado pouco e através da ausculta, foi 
diagnosticado com sopro, sendo encaminhado para Sinop-MT para consulta e 
avaliação com cardiopediatra. 
Sem diagnóstico fetal, com quatro dias de vida veio à confirmação de 
uma cardiopatia congênita: transposição das grandes artérias, onde as principais 
artérias do coração nascem em lugares opostos, impossibilitando a oxigenação do 
sangue. Vicente só não morreu no parto, por ter também CIA e CIV (“o sopro 
diagnosticado no início de tudo). Foi aí que começou sua luta e que grande luta.
No Mato Grosso não tem estrutura para cirurgia cardíaca e Vicente 
precisava com urgência de uma vaga em um hospital de referência para que 
pudesse corrigir sua cardiopatia. Foi então que após dois dias, conseguimos uma 
vaga em Goiania-GO, porém, também não teve estrutura para sua cirurgia visto que 
foi descoberta uma anomalia de coronária (osteo único) e que precisaria de um 
aparelho chamado ECMO (que faz a função do coração) para o pós operatório. 
Resultando em uma nova transferência e após 18 dias de internação em Goiânia, 
Vicente foi novamente transferido, agora para São Paulo, capital.
A grande preocupação é que os dias foram passando e Vicente passou 
a ser considerado um “bebê velho” por já estar com quase 1 mês de vida, visto que 
deveria ter corrigido até os primeiros 15 dias de nascido.
Chegou na capital com insuficiência respiratória, necessitando ser 
intubado nas primeiras horas. Com 4 dias em São Paulo passou por seu primeiro 
procedimento, um Raskind à beira leito, para dilatar sua CIA que estava fechando e 
comprometendo sua clínica.
No dia 02 de outubro de 2019, passou mal e acabou necessitando de 
ECMO antes mesmo da cirurgia de correção da sua cardiopatia. Acabou tendo uma 
parada cardíaca de 29 minutos no início do procedimento revertida pelo uso do 
dispositivo, parada essa que acabou evoluindo em uma constante disfunção de sua 
função cardíaca (mesmo que dias depois tenha corrigido totalmente seu coração) 
impedindo que seu coração recuperasse totalmente sua força, batendo apenas com 
35% de sua capacidade.
Após quatro meses e meio internado e algumas intercorrências, foi de 
alta para casa pela primeira vez. Precisando voltar para o hospital com menos de 
um mês devido a um novo episódio de piora. Foi novamente intubado, realizou 
cateterismo e pôde voltar para casa depois de dois meses de internação. Quando 
estava quase completando dois meses em casa, teve uma nova piora, seguida de 
mais uma internação!
Visto que Vicente não conseguiria recuperar sua função cardíaca e 
seriam inúmeras descompensações, foi encaminhado para ser avaliado pela equipe 
de Transplante. A princípio não teve indicação, vindo a ter uma nova 
descompensada durante uma consulta sendo necessário internar novamente e 
então entrando efetivamente para a fila de transplante cardíaco pediátrico.
Nessa nova internação quase foi vencido por um choque séptico, que 
mais uma vez, Deus nos mostrou que estava no comando. Vicente precisou 
novamente, agora a segunda, fazer uso de ECMO, e depois transacionou para o 
Berlin Heart - coração artificial. 
Permaneceu internado por nove meses na UTI do InCor, por sete 
meses aguardando na fila de transplante e durante seis meses fez uso de um 
coração artificial chamado Berlin Heart para se manter mais estável enquanto 
aguardava por um transplante cardíaco.
Até que aconteceu... Durante todo o tempo de espera tivemos alguns 
doadores compatíveis, mas sempre com uma questão que não permitia o 
transplante de fato. Até que no dia 04/02/2021, conseguimos o nosso tão sonhado e
esperado sim, conseguimos um doador e dessa vez Vicente receberia seu novo 
coração.
Vicente viveu o milagre da vida todos os dias, a cada amanhecer e 
entardecer com a permissão de Deus. É nossa fonte de fé e esperança de dias 
melhores. Ele nos faz enxergar a vida de uma nova perspectiva, ele nos faz sermos 
melhores a cada dia!
Nesse um ano e seis meses de existência fizemos muitos amigos, 
anjos enviados pelo Senhor em nossa caminhada. Ficou quase três meses em casa 
apenas. Fez seu primeiro aniversário no hospital, não conheceu seus primos que 
nasceram depois dele e também não conheceu ninguém da família. Não conheceu 
seu quarto que a mamãe montou com tanto amor e carinho e o papai pintou com 
tanta dedicação.
Tínhamos muita fé em Deus de que o transplante nos traria a 
possibilidade de vivermos tudo isso e mais um pouco fora do hospital, com 
qualidade de vida e tendo a esperança de vê-lo crescer como uma criança normal.
Acho que nunca, em toda minha vida vou conseguir colocar em 
palavras tudo o que vivi e senti nesse dia 04/02/2021. Que dia, QUE DIA!!! Desde a 
notícia do potencial doador até a confirmação, uma certeza no meu coração de que 
sentia que aquele era o momento dele e que aquele coração era realmente para ele. 
É indescritível. Que sensação única, um misto muito intenso de alegria, felicidade, 
medo, só sei que é surreal. Fico relembrando e é como se tivesse vivendo de novo, 
é impossível não me emocionar, bem como olhar pro Vicente e não chorar de 
emoção por tamanha gratidão, pelas bênçãos que o Senhor derrama sobre a vida 
dele.
Foram 220 dias de espera por um coração na fila do transplante, foram 
184 dias de uso de um coração artificial Berlin Heart pra se manter o mais estável 
possível, até que Deus nos permitiu essa graça.
Iniciamos um novo processo, um novo caminho a percorrer com toda 
proteção divina. Saber que no peito do Vicente batia a continuidade da vida e não 
somente um coração, batia também a possibilidade e a esperança de dias melhores, 
de uma vida fora do hospital, ir para a escola, fazer amigos, conhecer a família, fazer 
muita bagunça, e com o transplante isso estaria cada vez mais perto. É como se 
fosse possível avistar uma luz ao fim do túnel.
Mas infelizmente a vida tomou outro rumo. Vicente tinha uma infecção 
aparentemente controlada no coração artificial que no transplante se alastrou pelo 
corpo, sendo potencializada por causa da imunossupressão. Foi algo difícil de tratar, 
porque ele precisava do imunossupressor para não rejeitar seu novo coração, mas 
enquanto isso, a infecção tomava conta.
Foram dias muito difíceis, cheios de altos e baixos. Vicente saiu bem 
do transplante, o órgão estava ótimo e o que ninguém esperava foi acontecendo, a 
infecção foi trazendo complicações, como por exemplo vasoplegia em decorrência 
de sepse, causando hipotensão e uma insuficiência renal importante. Vicente não 
fazia absolutamente nada de xixi, precisando de hemodiálise e pela dificuldade 
extrema de acesso e urgência no caso, acabou novamente sendo canulado em 
ECMO, agora pela terceira vez.
Essa ecmo foi, de longe, a mais assustadora. Vicente teve 
sangramento importante, inclusive na cabeça. Pelo baixo débito causado pela 
infecção, acabou perdendo seu intestino grosso em uma cirurgia de urgência na 
madrugada de 12 para 13 de fevereiro. Foi um dos dias mais difíceis. E mais difícil 
ainda foi chegar até ele e dizer que se estivesse difícil e ele estivesse cansado, que 
poderia descansar, que a mamãe ficaria bem... mas Deus nos honrou mais uma vez, 
como sempre honrou e Vicente voltou da cirurgia e teve grandes melhoras.
Dias depois, após algumas falhas de decanulação, seguido de 
convulsões e um medo imenso de como estava seu neurológico, Vicente conseguiu 
sair do dispositivo. Evolui bem, conseguiu extubar, fazer fisioterapia sentado, apesar 
de bravo (risos), voltou a fazer xixi sozinho e no nosso coração a esperança de que 
o pior já havia passado.
Ele foi melhorando, trocamos de UTI, já que agora extubado não ficaria 
sem a mamãe dele, o grande problema é que ele acabou potencializando demais 
algumas medicações precisando ser intubado novamente.
Nesse período, Vicente acabou tendo novamente outro quadro 
importante de sepse, que conseguimos reverter, porém sendo necessário voltar para 
a hemodiálise. E voltava tudo à tona de novo. Além de toda dificuldade e 
preocupação de equipe, tinha também a parte emocional. Não tinha um profissional 
sequer dentro do InCor que não tenha se envolvido emocionalmente com o Vicente. 
Ele era e continua sendo luz, calmaria, paciência, persistência, resiliência e dentre 
tantas coisas, acima de tudo, Vicente foi muito feliz, o que era nítido de ver em seu 
sorriso banguela e no brilho dos seus olhos. 
Os dias foram passando e ficando cada vez mais difíceis, cada dia, 
hora, plantão vivo era um milagre de Deus concedido ao nosso menino. Nessa altura 
a equipe que muito me respeitava, já havia me chamado para uma conversa e dito 
que “ainda não é o momento, temos o que fazer, mas de tudo não é descartado a 
possibilidade de não termos mais o que fazer. Vicente usa todos os antibióticos 
possíveis e não responde ao tratamento”.
Foi como se tirassem meu chão, não que eu não entendesse o que 
estava acontecendo, entendia sim e muito, porém ser verbalizado, mesmo que com 
todo cuidado, o que está acontecendo é muito difícil e doloroso. 
Até que na manhã de 27 de Março de 2021, Vicente amanheceu 
estranho, mais inchado, hipotenso, começaram então a aumentar droga, não 
adiantava, aumentaram outra, sem sucesso. Diminuíram a remoção da 
hemodinâmica e pouca diferença fez. Eram duas ou três pressões ruins e uma boa. 
Recebeu sangue, plaquetas, expansão e nada adiantava. E eu ali, confiante de que 
mais uma vez conseguiríamos reverter como tantas outras vezes, mas ao mesmo 
tempo com uma dor no peito absurda e diferente de tudo o que já havia sentido em 
todo o tempo em que esteve aqui conosco. 
Depois de muita insistência, entraram com uma nova droga, mas para 
Vicente que já não respondia as medicações, não fez diferença. Chegamos ao limite 
da medicina humana. E era nítido que realmente era o fim, naquele momento só 
havia o corpo, pois nosso menino já não estava mais ali, ele já havia partido. E partiu 
no meu colo, agarrado em mim como sempre foi, no domingo, 28/03/2021 as 00h03.
Tudo o que eu enquanto mãe do Vicente sempre pedi a Deus é que 
conduzisse tudo e que independente do desfecho, Vicente não sofresse e assim Ele 
fez. Quando começou a ficar pesado e difícil, Deus levou. 
Hoje nos resta a certeza de que fizemos do impossível possível. Que 
Vicente lutou bravamente desde o início, cumprindo sua missão com excelência 
nesse plano. E nesse curto tempo de 1 ano 6 meses nos ensinou muita coisa, muita 
mesmo, sobretudo o que é o amor, confiança, entrega e nunca parar de sorrir, 
mesmo quando tudo estiver difícil.
Vicente será sempre lembrado por uma equipe inteira, não somente 
por ter cativado a todos, mas também por sua grande força e resistência. Aos olhos 
de todos, Vicente foi a primeira criança a precisar de ecmo por três vezes, a primeira 
criança a ter uma infecção em dispositivo extra-corpóreo do nível que teve. Foi 
estudada e adaptada a nível mundial uma técnica de punção para o Vicente que 
garantisse que ele tivesse um acesso para quando o coração chegasse. Vicente 
ensinou muito e continuará ensinando, servindo de exemplo para muitos. 
Agradeço de coração a todos que passaram em nosso caminho, todos 
que se permitiram envolver com o caso do baby Vicente sem ao menos conhece-lo 
pessoalmente. Obrigada por tanto carinho e tantas orações. Obrigada Deus por 
tanto. 
Peço que Deus em sua infinita bondade abençoe a família do doador e 
os tenham em vossos braços, acalente vossos corações. E que assim como essa 
família, outras possam doar os órgãos mesmo sendo um momento muito difícil, mas 
possibilitando que a vida continue mesmo quando você pensa que ela chegou ao 
fim! Que possam ver que transplantes realmente acontecem e salvam vidas, assim 
como salvou a do Vicente por quase dois meses.
Peço para que Deus abençoe e cuide da vida do Vicente em sua nova 
jornada, faça com que fique tudo bem, que não tenha dor e sofrimento e que ele 
possa estar sorrindo e brincando, correndo por todos os lados e também, cuidando 
de nós aqui embaixo.
Vá em paz Vicente, fique em paz. Nós te amamos muito e para quem 
tem fé a vida nunca tem fim. Vivo, para sempre em nossos corações.
Ante a história de bravura do Baby Vicente, esta Casa de Leis não
poderia deixar de se associar ao pesar pelo seu passamento. Manifestamos nosso 
profundo respeito, rogando a Deus que traga conforto aos corações enlutados. 
Desejamos que a paz, o consolo e a força da fé reinem no meio de todos, primando 
o amor a Deus sobre todas as coisas para que o Baby VICENTE MARESTONI 
SIMÕES GONZAGA descanse em paz. Através desta Moção, a Câmara Municipal 
de Juara expressa todo sentimento, pelo seu passamento ocorrido em 28 de março
de 2021.
Câmara Municipal de Juara, em 16 de abril de 2021.
Marta Dalpiaz Nepomuceno
(Marta Dalpiaz)
Vereadora
Valdir Leandro Cavichioli
(Léo Boy)
Presidente
José M. Galvão Filho
(Zé Galvão)
Vice-Presidente
Luciano A. de Oliveira
(Luciano Olivetto)
Primeiro Secretário
Eduardo Zimmerman Costa
(Eduardo do Boxe)
Segundo Secretário
Eraldo Francisco Alves
(Eraldo Markito)
Vereador
Mônica da Silva Costa
(Dra. Mônica Costa)
Vereadora
Sandy de P. A. Mainardes
(Sandy)
Vereadora
Welington José Martins
(Welington Martins)
Vereador

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