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Projeto de Decreto Legislativo nº 023/2021.
Autor: Mesa Diretora.
Concede Título Honorífico de Cidadã Juarense e
dá outras providências.
A Câmara aprova.
Art. 1º A Câmara Municipal de Juara – Estado de Mato Grosso, concede
a Senhora Ana Maria de Lima, portadora do CPF nº 825.888.721-15 e RG nº
0935267-8 SESP/MT, Título Honorífico de “Cidadã Honorária Juarense”.
Art. 2º Este Decreto Legislativo entra em vigor na data de sua
publicação, revogada as disposições em contrário.
Câmara Municipal de Juara-MT, em 29 de novembro de 2021.
Ver. Valdir Leandro Cavichioli
(Léo Boy)
Presidente
Ver. José M. Galvão Filho
(Zé Galvão)
Vice-Presidente
Ver. Luciano A. de Oliveira
(Luciano Olivetto)
Primeiro Secretário
Ver. Eduardo Zimmerman Costa
(Eduardo do Boxe)
Segundo Secretário
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JUSTIFICATIVA
Senhores Vereadores,
Encaminho para apreciação desta Casa de Leis o Projeto de
Decreto Legislativo n° 023/2021, de 29 de novembro de 2021, que Concede Título
Honorífico de Cidadã Honorária Juarense e dá outras providências.
A presente proposta tem a finalidade de reconhecer os relevantes
serviços prestados ao município pela Senhora Ana Maria de Lima, conforme biografia
anexa.
Câmara Municipal de Juara-MT, em 29 de novembro de 2021.
Ver. Valdir Leandro Cavichioli
(Léo Boy)
Presidente
Ver. José M. Galvão Filho
(Zé Galvão)
Vice-Presidente
Ver. Luciano A. de Oliveira
(Luciano Olivetto)
Primeiro Secretário
Ver. Eduardo Zimmerman Costa
(Eduardo do Boxe)
Segundo Secretário
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BIOGRAFIA
ANA MARIA DE LIMA
Ana Maria de Lima nasceu no dia 13 de julho de 1977, quarta-feira, na
cidade de Nova Londrina-PR, filha de Dona Francisca dos Milagres Tomé de Lima e
do Sr. Sabino José de Lima (Seu Lino como todos o chamavam) receberam a filha
caçula de uma família de outros quatro irmãos. Seu pai, um homem simples, alegre,
politizado, artista da música e da poesia com base em repentes, sem nenhuma
instrução escolar, trabalhou como lavrador durante um longo período da vida, ou
prestando serviços braçais em fazendas. Sua mãe, uma mulher simples, humilde,
cuidadosa da educação dos filhos trabalhava duramente nos aferes domésticos e
ajudava na criação de animais domésticos
Ana Maria foi uma criança amada pela família, em uma condição humilde
recebeu carinho e os cuidados necessários para crescer com saúde e segurança, sua
irmã mais velha, tinha quase 17 anos quando ela nasceu. Como já era uma moça no
seu nascimento assumiu a escolha do enxoval, os cuidados, paparicos e vacinas. Na
verdade até os 6, 7 meses essa irmã mais velha era que ninava a Ana Maria ao som
das discotecas da década de 70, Dancing Days era a preferida (abra suas assa solte
suas feras...). Quando completou 17 anos sua irmã mais velha foi trabalhar num
hospital e começou o distanciamento, mas a noite ao chegar da escola a menina Ana
Maria ainda estava a sua espera para brincar e dormir na cama da irmã. Os demais
irmãos também ajudavam nos cuidados e nos paparicos de uma irmã mais nova dez
anos que a ex-caçula.
Antes de completar três anos de idade, sua irmã mais velha se casou e
veio morar em Mato Grosso, mais especificamente na cidade de Tangará da Serra -
MT em busca de um futuro mais promissor que as condições da época propiciavam
no estado do Paraná. Ao se estabelecer incialmente trabalhando com auxiliar de
administrativo na Prefeitura Municipal, logo, conseguiu um trabalho para Seu Sabino
para atuar na produção de café na Comunidade Córrego das Pedras no município de
Tangará da Serra no ano de 1980. Assim, quanto tinha três anos de idade a família
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veio morar em um novo contexto social, para época era um estado com pouca
estrutura e logística, cidade desestruturada, mas em pleno crescimento. Apesar das
dificuldades enfrentadas no atendimento a educação, a saúde, ao lazer, comércio,
onde tudo estava iniciando, alguns dos filhos mais velhos sentiram-se revoltados com
a mudança, por ter deixado amigos, escola, trabalho, mas, logo se habituaram ao
novo contexto.
Em 1.983, com seis anos de anos de idade, momento em que a família
começava a diminuir com o casamento ou planejamento do casamento dos outros
irmãos mais velhos, e, com o surgimento da necessidade de iniciar a vida escolar da
caçula a família da Ana Maria se muda para a zona urbana.
Assim, inicia o processo de alfabetização formal na Escola Estadual
Professor João Batista, onde estudou até terminar a oitava série. Alimentava o sonho
de ser professora, já que, sua irmã mais velha era seu espelho e já professora,
trabalhava no mesmo ambiente escolar. No processo de escolarização, vivenciou
momentos felizes com brincadeiras que eram comuns para época como: pula elástico,
queimada, rouba-bandeira, pega-pega, etc. Com dez anos de idade, cursando a
quarta série do primeiro grau (nomenclatura da época) iniciou a exploração ao mundo
do trabalho, sendo contratada por meio período para trabalhar com atividades
domésticas simples, daí em diante, sempre esteve envolvida com escola e trabalho.
Para época, o pouco dinheiro que ganhava era importante para a família, além disso,
na visão dos pais, o trabalho tinha função educativa para aprender o compromisso e o
uso adequado do dinheiro.
Em 1990 quando completou doze anos de idade, já cursando a sextasérie passou a atuar no comércio, mais especificamente com decoração de
aniversário infantil, estudava no período noturno, (na época bastava uma declaração
que trabalhava para estudar a noite), embora pareça uma experiência dura, até ilegal
para os dias atuais, foi um processo leve, porque uma característica importante para a
Ana Maria sempre foi a busca da autonomia. A positividade, o bom humor, a
construção das relações interpessoais, o envolvimento em ações coletivas, trabalhar e
estudar não era motivo para ser infeliz, pelo contrário sentia-se motivada e com muita
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energia, afinal “Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena” (FERNANDO
PESSOA).
Com o sonho de ser professora, iniciou o segundo grau em dois cursos,
contabilidade no período noturno e o magistério no diurno. Ao terminar o primeiro ano,
com êxito nos dois cursos, a questão financeira a obrigou a escolher um curso, com a
escolha profissional pela docência, precisou deixar o curso de contabilidade e cursar o
magistério no Distrito de Progresso, distante 15 km do centro da cidade, mas lhe
propiciava condições para trabalhar durante o dia e usar o transporte público para
finalizar o Segundo Grau, (nomenclatura utilizada na época). Mesmo com tantas
tarefas, Ana Maria vivenciou a adolescência como uma jovem feliz, que gostava de
festas, de dançar, viajar e de namorar, claro, afinal “é preciso saber viver” (ERASMO
CARLOS; ROBERTO CARLOS).
Durante a conclusão do Segundo Grau, no curso do magistério, teve
experiência na docência nas séries iniciais, logo que terminou o curso já teve a
oportunidade de substituições em aulas no segundo grau, essa prática de trabalho
teve algumas frustações, em especial pelo momento político da época, com salários
atrasados, pouca estrutura, infelizmente, educação nunca foi prioridade em nosso
país. Em 1996 aos 19 anos, iniciou a faculdade de Administração e mudou de foco, foi
atuar no comércio local em setores como: automobilístico, materiais de construção e
serviços durante o processo de formação acadêmica.
Durante a faculdade, iniciou uma união estável com seu esposo Carlos
Brito Santa e na colação de grau estava grávida da primeira filha, Ana Júlia. Logo que
terminou a faculdade e a licença maternidade já teve acesso a uma empregabilidade
melhor remunerada. Infelizmente, em novembro de 2001 sofre a perda do pai, a
estrutura central da família, foi um momento de dor, difícil de superar, mas a vida
continuou. Inicialmente assumiu a liderança da casa e os cuidados com a mãe, tarefa
pela qual se responsabilizou até o ano de 2014. Para amenizar a dor, em janeiro de
2003 nasce o segundo filho, o José Lino e inicia um negócio familiar próprio,
infelizmente, já com dois filhos, negócio novo, sem capital, a família passa por uma
situação econômica difícil, momentos de privações e preocupações.
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Após sair do empreendimento próprio, em 2005, cinco anos afastada da
vida acadêmica e de sala de aula volta para o comércio e concomitante para uma
instituição de ensino superior privada fazendo sue retorno para o magistério, desta
vez como professora universitária. Sempre positiva e na luta, no ano de 2006, apenas
graduada, sem nenhuma especialização, passa no concurso público da Universidade
do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) para o cargo de professora no curso de
Administração para atuar no Campus do município de Tangará da Serra. Já como
professora efetiva, no ano de 2009 é admitida para um mestrado em Engenharia de
Produção na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Na academia sempre
esteve atuante em pesquisa e extensão, em especial com grupos vulneráveis,
incluindo sua pesquisa de mestrado que teve como principal objetivo: Analisar a
transição do trabalho individual para o trabalho coletivo na em uma cooperativa de
resíduos sólidos em Tangará da Serra-MT, tendo concluído em 2012.
Em 2012 recebeu a benção da chegada do seu terceiro filho, Ryan Davi
e uma experiência de candidatura à vereadora que, embora não tenha sido eleita, o
aprendizado foi importante para a carreira profissional e social. Na sequência, em
2014 inicia o processo de doutoramento na Universidade do Vale do Rio do Sinos
(UNISINOS) com uma pesquisa a ser realizada na região de Juruena-MT. Desta vez o
objetivo da pesquisa foi: Compreender como uma rede de cooperação institucional
contribui para o desenvolvimento sustentável de uma região vulnerável. A pesquisa foi
realizada a partir de um estudo de caso na Coopavan, região de Juruena-MT. Foi
essa pesquisa que a trouxe para Juara, uma primeira vez como participante de uma
parceria para um projeto de pesquisa junto a Universidade Federal de Mato Grosso do
Sul em empreendimentos coletivos solidários no ano de 2010, e, posteriormente a
pesquisa do doutorado em 2016. Isso porque, na estrutura da UNEMAT o local mais
próximo da pesquisa, com menor investimento, que poderia trabalhar e ter mais tempo
para se dedicar aos estudos foi o campus de Juara – MT. Assim, em janeiro de 2016
mudou provisoriamente seu local de trabalho para Juara, veio sozinha, sem a família,
com objetivo de concluir o doutorado.
Em Juara, encontrou amigos, uma cidade hospitaleira, uma natureza
exuberante, calmaria urbana e prospecção profissional, assim, fixou-se no município
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de Juara, trouxe a família e pediu remoção permanente no ano de 2017. Na vida
pessoal, sua maior perda depois que veio para Juara foi sua vozinha, faleceu em
fevereiro de 2018 com 99 anos no município de Tangará da Serra. No campo
profissional, atuou como professora, coordenadora do curso de Administração e como
diretora do campus universitário desde janeiro de 2019. Nesse período vivenciou
algumas conquistas enquanto coordenadora do curso de Administração como: Prêmio
Nacional e Internacional para as inovações nas práticas de ensino do curso de
Administração e o segundo reconhecimento do curso de Administração; enquanto
gestora do campus vivenciou conquistas junto da equipe como: manter e ampliar a
estrutura física do campus, o reconhecimento do curso de agronomia, o apoio para
projetos dos cursos de pedagogia e administração e o pleito e negociações em
andamento no ano de 2021 para o segundo curso de agronomia.
Além do trabalho desenvolvido na universidade, atua no Centro de
Resoluções de Conflitos e Cidadania (CEJUSC) do Fórum da Comarca de Juara
como mediadora e conciliadora judicial certificada desde 2019 e participa de
conselhos e comissões municipais, como exemplo o Conselho do Museu do Vale do
Arinos, a participação no Conselho de Cultura e outras participações diversas.
O Campus de Juara foi uma conquista importante na vida profissional e
pessoal da hoje Dra. Ana Maria que tem se esforçado para o crescimento institucional
no município, atua com dedicação e alegria na busca de melhores oportunidades para
a comunidade local, sentindo-se orgulhosa da trajetória e com desejo de contribuir
com o caminhar de quem busca o ensino superior de qualidade e gratuito, como
deveria ser para todo e qualquer cidadão que o deseja.